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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Memória Cadavérica #38 — A Revolução do EU TE AMO



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.



Contexto: relato deixado em um grupo católico, corrigi e expandi o texto para deixá-lo mais preciso.

Você irá orar por sua família, ela irá orar por ti. Você irá malhar, e ignorar a cultura não cristã. Você será cristão. E abandonar o passado. Tal como disse o cristão  pro pagão que se convertia: queimas o que adorastes e adoras o que queimastes. Foi o que disse um missionário cristão. É o que eu digo.


Queimas a cultura channer e torna-te cristão. Queimas a cultura neoconservadora e torna-te cristão. Queimas o que te separas de Cristo. Tudo o que te separou de Cristo. E adoras a Cristo. Somente a Cristo. E a Igreja que ele criou. Estou falando com minha mãe. Pela primeira vez. Em anos. Falando de verdade.


Ela fala que estou no caminho correto. Que devo me entregar a Cristo. E isso basta. Antes de entrar nesse grupo. Eu não orava. Não dizia eu te amo. Nem pro meu pai. Nem pra minha mãe. Hoje eu sempre digo.  Te amo, pai. Te amo, mãe. Claro preciso melhorar ainda mais. Preciso ir pra igreja regularmente. Preciso me integrar a minha paróquia. Tal como diz o Little Jhon (CAT)⁩. Minha mãe  me vê, diz que eu estou mudando. Antes eu só ligava pra minha mãe para pedir dinheiro. Pra teste de gravidez. Sempre de uma mulher aleatória. Hoje eu acordo. Rezo o terço. E falo pra minha família: eu te amo.


Uma coisas que eu aprendi, nesses tempos. É dizer "EU TE AMO". Claro, eu sou desorganizado, negligente, mas estou melhorando. Tudo por causa desse grupo. E de outras coisas também. Muito obrigado! Minha mãe até estranhou. Hoje foi a primeira vez que liguei para ela. Não para pedir dinheiro. Para uma balada aleatória ou para mais um teste de gravidez ou pílula do dia seguinte. Mas para eu dizer "Eu te amo". Eu não sei o quanto ela estava decepcionada comigo, mas eu sei que ela se sente mais confortável até porque eu não sou mãe e nem sou pai, mas tô por causa disso, digo obrigado!


O engraçado é que liguei pra um amigo meu. Ele se tornou CLT e disse como é mágico pra ele dizer "Eu te amo pra mãe dele" e que outro amigo ligou pra ele. Ligou para dizer que estava dizendo "eu te amo" pra mãe dele. É impressionante como estamos na sincronia. É impressionante como aprendemos a dizer "Eu te amo" para nossas mães ao mesmo tempo.


Por todo esse tempo, buscamos teoria para tudo. Além disso, buscamos vadiagem e revolução para tudo. Porém o que aprendemos é que "dizer eu te amo", de forma sincera e honesta, para nossa família e os nossos amigos, era tudo que precisávamos. Estava até feliz por eu ter aprendido a dizer "Eu te amo". E eu estava feliz que ele aprendeu a dizer "Eu te amo" também. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Agradecimentos

 



Fui buscar meu diploma hoje. Várias memórias se passaram dentro de minha cabeça, era como um episódio de flashbacks. Até aquele período em que estudei depressivamente, desmoronando pela submersão de vários sentimentos, tornaram-se alegres. Uma sensação, um sentimento de conquista justificado pelo esforço e a capacidade de não desistir.


Passei 3 anos em uma labuta, indo quase toda semana pegando livros da biblioteca em paralelo às aulas diárias que tinha. Durante o curso, frequentei duas bibliotecas para complementar a minha formação literária, fora alguns cursos que executava em paralelo. A formação se deu pelo esforço, muitas vezes foi uma batalha de vitalidade e persistência para dar continuidade a uma série de estudos privados e de ordem curricular. De qualquer modo, sempre decidi ir além. Eu tentei conciliar e fiz, na medida do possível, uma série de estudos que complementavam o curso.


A faculdade foi-me mais do que um compromisso burocrático. Era-me um mundo inteiro. As disciplinas - nem todas, mas a maioria - me encantaram. Os assuntos tratados, na sala de aula ou fora dela, foram-me de máxima importância. Em pouco tempo, eu, garoto revolto, tornei-me tão acadêmico quanto poderia ser. Embora eu sempre tenha mantido um olhar para aquelas questões e autores pouco olhados, visados ou admirados. A vida me foi como um grande pancânon dialético e ainda o é. A dialogicidade e a necessidade de negar-se para ir além do aceitável para mim mesmo me foi compromisso antes, durante e depois do curso.


Agradeço aos carinhosos professores, amigos e companheiros que, durante esse trajeto, acompanharam-me e ajudaram-me. Espero sempre estar, mesmo que espiritualmente, ao vosso lado. Foi difícil a minha trajetória, já que além de autista eu sou bipolar e tudo se atrapalha no meu autocentramento e mudanças de humor. Só que consegui superar isso e ir além graças a vocês. Também sou grato imensamente a minha família que esteve ao meu lado em todas essas múltiplas crises que se apresentaram em meu caminho. Espero um dia ser digno do amor que recebi de todos vocês.


Ao terminar essa postagem, sinto que estou mais velho e, quiçá, mais sábio também.