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terça-feira, 12 de maio de 2026

Memória Cadavérica #45 — A Insustentabilidade Bolsonarista

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: uma análise breve a respeito do bolsonarismo e do PL.


O bolsonarismo tem um problema crônico na formação de quadros e é insustentável a longo prazo!


Não estou dizendo para você concordar ou discordar do bolsonarismo, eu particularmente discordo, mas falo de um ponto de vista técnico. Ou seja, não vamos analisar aqui se concordamos ou discordamos intelectualmente.


Um dos pontos centrais dos partidos históricos é a formação contínua de novos quadros. Isso ocorre por meio de estudos, por formação de institutos, por geração de militantes intelectualmente capacitados, por geração de intelectuais orgânicos. Um exemplo disso é o Partido Republicano antes da ascensão de Reagan: gerou vários institutos, revistas e grupos de estudo. Um dos maiores institutos gerados foi a Heritage Foundation, a maior organização conservadora do mundo, e a revista National Review, uma das revistas mais importantes do conservadorismo enquanto movimento intelectual.


Se olharmos para os movimentos atuais, o PT sempre gerou novos intelectuais e novos quadros. O PSOL segue o mesmo caminho. Até partidos pequenos, como UP (Unidade Popular), fazem isso. O único partido de direita conhecido por realizar formações é a Missão, partido associado ao MBL. Em outras palavras, em questão de garantia de sobrevivência e perpetuação intelectual, o bolsonarismo parece não querer levar a si mesmo a sério.


A nova direita dos Estados Unidos cresce com base em novos institutos, como a American Compass. Além de faculdades e instituições como a Hillsdale College e a Universidade de Austin, no Texas. A formação de novos quadros, visando alta qualidade intelectual, é uma constante. Uma das maiores preocupações é fornecer artes liberais clássicas e trazer um pensamento conservador estruturado, dinâmico e preparado para novas estruturas espaço-temporais. Prova disso é a American Compass com a nova doutrina econômica do conservadorismo, algo que chamou a atenção até mesmo de ciclos progressistas. Instituições tradicionais como o Intercollegiate Studies Institute continuem fornecendo trabalhos excelentes.


O bolsonarismo, junto ao PL, parece conviver bem com a crença de que pode pegar os seus quadros diretamente da base do MBL ou simplesmente esperar que sejam formados pela Brasil Paralelo, pelo Instituto Hugo de São Vitor, pelo Centro Dom Bosco, ou qualquer outro lugar de atividade intelectual de direita, sem nenhum comprometimento sério em criar uma linha de pensamento própria, uma doutrina original ou institutos de pesquisa que definam a sua visão de conservadorismo. Sequer se preocupam em realizar parcerias com institutos e faculdades conservadoras nos Estados Unidos, que possuem maior know-how, para formar seus quadros.


A impressão que fica é que o PL e o bolsonarismo de uma maneira geral são apenas projetos passageiros que se desenham na areia do vento. Mesmo que o PL e o bolsonarismo adorem se definir como "a única direita real do país".

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Caveira Casual #2 — É raro, mas sempre acontece!

 


Certas coisas na minha vida são raras, mas sempre acontecem. Se eu olhar como são meus amigos, a maioria deles é bissexual. Isso não ocorre por alguma predileção específica, mas é algo que sempre ocorre nos meus círculos. Do mesmo modo, minhas últimas três namoradas tinham as seguintes características:
- Pansexuais;
- Comunistas.

Poderia dizer que eram poliamoristas, mas a última certamente não era, visto que era uma monogâmica de carteirinha. Só tive dois namorados, um homem cis e um homem trans. Já namorei mulher trans. Acho que já fechei o bingo: homem cis, homem trans, mulher cis, mulher trans, não-binário. O mundo não é tão inovador e vejo mais a singularidade e a personalidade de quem amo e de quem amei do que o gênero. 

Durante uma conversa com um amigo meu, que também é bissexual, conversamos sobre política enquanto estávamos no metrô. Disse-lhe que atualmente prefiro uma política baseada em uma análise sistemática e combinatória de diferentes estudos acadêmicos e científicos. Pensar isso no Brasil é algo raro, mas que sempre me acontece. Digo que é raro, pois até as doutrinas políticas surgem aqui, surgem com nome de alguém: bolsonarismo e lulismo são capítulos recentes de nossa história.

De uma maneira geral, lido-me bem com o pensamento progressista. Estou sempre a consumi-lo. Também frequento locais progressistas e liberais. É raro, mas sempre acontece de eu estar numa roda de prosa larga, discutindo os rumos nacionais com colegas e amigos da esquerda. Lido-me bem com a esquerda, participo de um podcast de saúde mental vinculado à esquerda e estou a participar na construção de uma ONG de caráter popular. Já fui em festas políticas, a maioria delas vinculada à esquerda. Até mesmo em festas de políticos de esquerda, só vou mencionar que eram do PSOL e do PT. De uma maneira geral, percebi que quando você tem um diálogo sincero, as fronteiras políticas se dobram e unificam-se. Nelson Rodrigues e G. K. Chesterton, dois dos meus autores prediletos, eram capazes disso.

Não sou um personalista nem um seitista. Lido-me bem com a diversidade. Vejo no PT e no PSOL organizações políticas que trazem uma série de estudos e o que eu gosto é de política com dados, estudos, institutos e acadêmicos. Posso discordar de como você pensa, mas não posso discordar da forma que você estrutura seu pensar se ela for institucionalmente, academicamente e intelectualmente adequada. É por isso que respeito mais o PT e o PSOL que o bolsonarismo, visto que eles ao menos se formam através de análise dedicada e contínua. A continuidade de um grupo político, a consistência e a maturidade dele são articuladas, geradas e mantidas através da formação e do estudo. Isso é algo que sempre foi raso ou pouco no bolsonarismo. Enquanto os conservadores americanos fazem faculdades e institutos, mesmo que esses briguem entre si, os bolsonaristas preferem vociferar contra a academicidade que dá a institucionalidade de que a política (e também a direita) precisa. Você pode discordar de alguém que cursa ciências humanas, mas querer destruir as ciências humanas é um absurdo. Prefiro conservadores americanos, pois eles têm uma solução: faculdades focadas em artes liberais clássicas e no cânon ocidental. Isso é infinitamente mais razoável do que o conservadorismo brasileiro que quer tornar tudo numa gigantesca fábrica dos cursos técnicos.

Quanto às saídas, costumo sair. Não tenho destino fixo. Já caminhei por todas as regiões de São Paulo e por alguma da Grande São Paulo. Já viajei também. Minha última viagem foi para o Rio de Janeiro. Fui para Rio das Ostras e depois para o Campo dos Goytacazes. Confesso que preferi Rio das Ostras. Campo dos Goytacazes tem um clima universitário e é um local mais cosmopolita, viajei por querer esquecer um pouco da pauliceia desvairada e não recordá-la. Rio das Ostras me trouxe a mesma paz que cinto em Mariporã, apenas adicionando o fato de que lá havia uma praia. Quando viajei pra São Vicente, vi que lá parecia o centro de São Paulo, mas que também havia uma praia, o que é uma adição bastante agradável, já que remete ao regionalismo underground paulista que tanto amo. Itanhaém é um local meio estranho para mim, passo horas lendo e comendo sorvete com vinho seco. Além das sessões contínuas de cervejas puro malte que tanto amo. Essas coisas também são raras, mas sempre me acontecem.

Já perdi a conta da quantidade de vezes que tive que comprar pílulas do dia seguinte para mulheres com quem eu estava. Muitas vezes, ligava no meio da noite para minha mãe e falava sobre essa constante inconveniência que sempre me fazia pedir dinheiro. Isso ocorre três vezes ao ano, algo que segue religiosamente. Isso é um fenômeno numerológico que é raro, mas sempre me acontece. Tal como no de 2025, no qual prometi não namorar ninguém e acabei ficando com duas pessoas que já tinha namorado e duas americanas. Claro, fiquei com mais gente. Sou um sujeito bem liberal e fluido nesse tipo de coisa. Nesse ano, prometi que não diria nada sobre não ficar com ninguém, vá que ocorra e isso me leve a ser chamado de hipócrita? É algo raro, mas sempre acontece.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Acabo de ler "Celso Daniel: política, corrupção e morte no coração do PT" de Silvio Navarro

 



O quanto é válido ir além dos meios lícitos para ter acesso ao poder? Se tratando do Brasil, qualquer coisa deve ser válida. Um dos casos mais bombásticos e irresolutos de nossa história é o caso do ex-prefeito de Santo André, berço do Partido dos Trabalhadores, o ilustríssimo Celso Daniel.

O caso de corrupção envolvendo o ex-prefeito, que seria mais tarde assassinado, era uma forma de teste experimental pelo qual montar-se-ia todo esquema corrupto e corruptor do Partido dos Trabalhadores. O objetivo daquele estranho projeto era o de ser um caixa 2 para o financiamento de candidatos do próprio Partido dos Trabalhadores. Poder-se-ia falar-se que "tudo pelo causa, nada fora dela", embora eu não seja um desses lunáticos vermelhos que ficam imensamente gratos pelo suposto "saldo positivo" do mensalão - a velha frase: "o mensalão trouxe conquistas sociais", vindas dos mais porcamente realistas petistas semi-desiludidos (a concordância ideológica importa mais que a honestidade).

Se o leitor, nessa presente análise, ressente-se e busca, por todos meios mentais e palavrões que cogita dirigir a minha pessoa, uma razão para tal livro ser analisado na "véspera" do segundo turno entre Lula e Bolsonaro, acreditando que faço parte dum projeto de poder bolsonarista ou algo de gênero semelhante, apenas posso me compadecer de seu relativismo moral. Alguém como eu, que se debruça numa série de raciocínios díspares, não tem tempo para picuinhas de seitas ideológicas - mesmo quando essas prometem um mundo mais "limpinho, cheiroso e igualitário".

Quando comecei a ler esse livro, peguei-o meio que desinteressadamente. Forcei-me a lê-lo em alguns pontos. Depois de um tempo, num átimo, interessei-me fortemente por ele e a leitura fluiu numa liquidez célere de caráter impressionante. A cada página via uma trama marginalmente criminosa em que se envolviam catervas dos mais diversos gêneros. Pouco a pouco, fui engolido em meu nojo misturado com curiosidade.

Leitura recomendada, aliás recomendadíssima, a todos que têm maior interesse na compreensão do lado obscuro petismo.