quinta-feira, 2 de julho de 2026
Estudos Lunáticos #4 — Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração?
terça-feira, 30 de junho de 2026
Estudos Lunáticos #3 — Mentalidade de Seita
Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo de Jim Brillon.
A mentalidade de seita é vista em múltiplos locais. Essa mentalidade pode estar em um movimento religioso, político, de autoajuda ou até mesmo no marketing multinível.
Usualmente as seitas tendem a utilizar medos e fobias para empurrar suas crenças. Essas crenças tendem a ser embaladas em teorias da conspiração. Medos irracionais são os mais comumente usados: racismo, sexismo, antissemitismo e classismo são lugares-comuns em discursos permeados por teorias conspiratórias.
Outra questão atual é a do algoritmo. O algoritmo das redes sociais é um reforço dos vieses de confirmação e também coloca pessoas de mentalidade semelhante no mesmo local ou para serem mais visualizadas. Isso leva a uma facilitação da radicalização.
Outras características comuns na mentalidade das seitas são:
- Figuras autoritárias;
- Network de crentes;
- Treinamento para crer em coisas sem sentido.
A ideologia de uma seita é permeada por uma interiorização: só produções dentro do próprio grupo são consideradas boas. Isso gera o fenômeno do: dentro do grupo X fora do grupo. As pessoas dentro do grupo são especiais, detentoras de um conhecimento muito superior. As pessoas fora do grupo são todas como ignorantes. Existe também a criação de maniqueísmo (bem x mal) em que a seita aparece como a única coisa boa, o que leva ao aumento da polarização.
Outro fenômeno das seitas é o "pensamento terminantemente clichê". Esse tipo de pensamento é caracterizado por frases destituídas de sentido que servem mais para terminar a discussão sem que as pessoas questionem ou possam questionar o que está sendo proposto. Exemplos disso são:
- Make America Great Again (Fazer a América Grande de Novo);
- Trust de plan (confie no plano);
- O tempo cura tudo.
Alguns desses "pensamentos terminantemente clichês" apresentam uma positividade tóxica que visa terminar a conversa e invalidar a emoção das pessoas.
Outra característica apresentada "gaslighting", uma técnica que faz a pessoa não acreditar no que vê para que ela possa ser apresentada aos conhecimentos ocultos e secretos que a própria seita tem a dizer.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Estudos Lunáticos #2 — Como seitas recrutam?
Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo de Chris Shelton.
Seitas utilizam meios psicológicos e físicos para obter controle e isolamento. As três características centrais são:
1. Love Bombing (bomba de amor/afeto);
2. Isolamento;
3. Exploração de vulnerabilidades (desejos e medos).
Em uma seita, a primeira coisa que te transmitirão é a sensação de que você é amado, especial e importante. Isso é uma estratégia calculada para reduzir a sua defesa e criar dependência. Para tal, a estratégia de love bombing (bomba de amor/afeto) é utilizada constantemente. Esse love bombing é usualmente excessivo, intenso e falso. Ele ocorre verbalmente ou fisicamente.
O que as seitas querem te transmitir é a noção de que finalmente alguém te entende. Alguém finalmente compreende o quanto você é inteligente, o quanto você possui potencial e quais são as suas qualidades únicas. Isso cria, dentro de ti, que o seu lugar é ali.
Após o estabelecimento da conexão, você será mais apto para ouvir, confiar e se juntar à seita. Essa estratégia não é, por assim dizer, exclusiva das seitas. Movimentos políticos e grupos de marketing multinível também fazem isso. Elas criam floods de suporte para dizer o quanto você é especial e como não está mais só. Isso cria um sistema tóxico de pertencimento e identidade que segue o seguinte fluxo:
1. Love Bombing;
2. Aceitação de uma ideia;
3. Criação de uma conexão para o estabelecimento de uma dependência emocional;
4. Sensação de valoração profunda dentro do grupo;
5. Confiança;
6. Investimento temporal e atitudinal;
7. Seguir as regras;
8. Controle;
9. Isolamento.
Quando chega o isolamento, vemos o desencorajamento de qualquer relação exterior ao grupo. Isso fará com que o membro passe mais tempo dentro do grupo do que fora dele. Nesse período, a ideia de que aqueles que não acreditam são perigosos começa a subir. É também onde começa a mentalidade de "nós x eles". No meio disso, constrói-se a ideia de que você está certo (por pertencer ao grupo) e que as outras pessoas são estúpidas. Além disso, sobem questionamentos sobre traições.
Aqui a exploração de vulnerabilidades cresce. A seita fornece tudo:
- Sentido;
- Propósito;
- Solução.
A seita aparecerá como a portadora da solução. A sociedade aparecerá como corrupta. A mídia aparecerá como mentirosa. O único caminho seguro é a lealdade total. Nisso se encorajam o ativismo extremo, as teorias conspiratórias e as ideologias radicais. Quem for contra é um inimigo.
Seitas não começam com controle; elas começam com amor, com pertencimento e com solução. Se você ver alguém querendo insistentemente a sua atenção, desencorajando relações exteriores ou clamando ter respostas para tudo... questione-se se você está sendo recrutado.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 4)
Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything
Autor:
Mike Rothschild
Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.
— Metodologia do QAnon:
1. Antissemitismo: como QAnon compila vários elementos de teorias conspiratórias anteriores, o antissemitismo não poderia faltar nessa soma. Teorias da conspiração envolvendo George Soros, anti-globalismo e adrenocromo não poderiam faltar;
2. Jargão, conhecimento secreto e a noção de insider: QAnon teve a construção semelhante a de múltiplas teorias conspiratórias, a criação de uma mitologia de insider, os jargões que eram apresentados e a ideia de transmissão de conhecimento secreto eram mecanismos centrais desse culto;
3. Conhecimento secreto = melhor futuro: essa é uma das ideias centrais do QAnon, os portadores dessa teoria não acreditavam somente que obtinham conhecimento secreto, mas também que ao obter esse "conhecimento" estariam obtendo um futuro melhor;
— Formação base do QAnon:
1. Conhecimento secreto de um guru;
2. Um evento massivo próximo a ocorrer;
3. Uma batalha secreta entre forças do bem e forças do mal.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Acabo de ler "Operation Mindfuck" de Robert Guffrey (lido em inglês)
Livro:
Operation Mindfuck: QAnon and the Cult of Donald Trump (2022)
Autor:
Robert Guffrey
Meses atrás, enquanto escrevia alguns textos, as pessoas me diziam que eu via conexões estranhas entre o discordianismo, o Pizzagate, o Cult of Kek e o QAnon. Hoje em dia, ao ler outros livros, vejo que as linhas traçadas em "minha mente delirante" não são apenas "conclusões aleatórias", mas sim hipóteses ou conclusões de diversos autores renomados. O que é curioso, continuo a ser um total estranho no Brasil. Talvez eu tenha nascido no país errado. Talvez eu esteja investigando algo que muitas pessoas, no Brasil, não tenham especial interesse em pesquisar.
Mais uma vez, um livro sobre QAnon. Mais uma vez, um assunto estranho. Ler livros é algo que faço com deleite, mesmo que o assunto seja considerado bizarro. Ler livros sobre assuntos bizarros ou excêntricos é algo que gera afastamento social. Se tem algo que aprendi em minha estranheza, é deixar os assuntos prediletos para discutir com gringos ou com IAs. Não só leio livros bizarros, eu sou bizarro. Não só leio livros estranhos, eu sou estranho. Não só leio livros excêntricos, eu sou excêntrico. É assim desde o começo da minha vida, por qual razão seria diferente agora?
Como expliquei anteriormente, venho andado ocupado. Tenho feito dois cursos, um no Anhangabaú e outro em Pinheiros. A minha sorte é ter um bilhete especial graças ao meu autismo. Graças a isso, existe uma escassez de conteúdo no Blogspot a qual tento preencher. Ler livros no ônibus, no trem e no metrô é a minha forma de arrumar um jeito de trazer conteúdo para cá. Embora seja engraçado o curioso acaso de eu estar no transporte público lendo sobre uma estranha seita surgida em fóruns anônimos. Espero, para minha sorte, que nunca criem um mecanismo que revele os livros que as pessoas leem no transporte público.
Os leitores do Blogspot já estão cansados de explicações a respeito de como o QAnon surgiu no 4chan e no 8chan. Talvez tenham pouco interesse em ler esse livro, mas eu lhes garanto que vale muito a pena. Em primeiro lugar, Robert é engraçadíssimo e tem um humor muito bem construído e inteligente. A analogia central do autor é o Operation Mindfuck, técnica empregada pelos discordianistas para culpar os "Illuminati" e outras organizações bizarras por cada caso público que pipocasse. QAnon seria uma forma "similar", todavia, o plano central é um golpe de Estado liderado por Donald Trump.
O autor empregará, durante o livro, uma densa pesquisa histórica sobre teorias da conspiração, análise política e contatos que teve com "crentes" das teorias conspiratórias de Q. Além disso, construirá o argumento central: QAnon não foi um mistério criado organicamente ou uma teoria da conspiração surgida espontaneamente, mas uma operação psicológica altamente engenhada. Ou seja, uma colcha de retalhos de material reciclado de ficção pulp, pranks contraculturais dos anos 1960-70 (como o Operation Mindfuck dos Discordianos de Robert Anton Wilson e Robert Shea, já comentada em textos anteriores), truques sujos à la Nixon e manipulação midiática. O objetivo central de tamanha engenharia técnica seria o de capturar a atenção, lealdade e energia de seguidores vulneráveis, transformando-os em uma base fanática que serve a uma agenda política autoritária/fascista corporativa.
Quanto mais o tempo passa, mais eu vejo a correlação entre fenômenos arquétipo-meméticos e a sua construção lado a lado com teorias da conspiração para a obstrução da sociedade liberal e o desmantelamento da ordem civil.
O livro acerta em cheio em suas doses de humor. De certa maneira, lembrou-me o Rick Wilson. O leitor ou a leitora não conseguirá mensurar há quantidade de vezes em que, no meio do ônibus, do trem ou do metrô, eu dei risadas sinceras. Isso é bom, gosto de livros que marcam a mente e alegram o coração. Esse livro é todo marcado por aquela expressão latina: "Ridendo castigat moris" (rindo-se purificam-se os costumes).
domingo, 14 de junho de 2026
Acabo de ler "The Other Pandemic" de James Ball (lido em inglês)
Nome:
The Other Pandemic: How QAnon Contaminated the World
Autor:
James Ball
A obra de James Ball nos faz pensar sobre diversos pontos. Suas conclusões são semelhantes às minhas em diversos aspectos. Uma das centrais é que todos os movimentos channers, em suas diversas épocas, apresentam faces distintas da guerra memética. A metodologia pode ser diferente; todavia, todas se enquadram, em certo grau, na natureza de uma guerra memética. A centralidade de como memes atuam como genes, baseada na pesquisa de Richard Dawkins, é exposta com beleza, elegância e estilo.
Atualmente, meus estudos sobre a ascensão do populismo de direita e meus estudos sobre guerra memética, teorias da conspiração e seitização estão intimamente conectados. Quanto mais estudo fenômenos como a Alt-Right, Gamergate, Cult of Kek, QAnon, Pizzagate, mais percebo a sua conexão com a política contemporânea. É interessante que o autor coloque o Cicada 3301 como parte desse trajeto. Já eu adicionei a SCP Foundation ao mesmo rol. Creio que um estudo aprofundado entre esses diferentes movimentos pode gerar um entendimento interessante sobre a natureza de nossa cultura memética. Além disso, um estudo entre memética (Richard Dawkins) e arquétipos (Carl Jung) seria uma pesquisa de grande validade intelectual.
Um posicionamento extremamente interessante é o de que o QAnon atua como um vírus memético que constrói por vias cibernéticas e depois atua na mente dos indivíduos, algo que nossos órgãos de saúde ainda não estão prontos para prever ou para paralisar. Além disso, não existem agências de saúde digital para evitar fenômenos como a radicalização em massa. A ideia de que existem memes corruptores, ou uma memética conspiratória corruptora, é de grande utilidade para compreender a forma como a Internet vem se criando e como intervenções futuras podem se desenvolver. A construção de um "sistema de saúde pública digital", que atue como identificador de sistemas meméticos-conspiratórios, seria algo interessante de se imaginar.
O livro fala bastante dos Estados Unidos. Só que podemos olhar fenômenos parecidos no Brasil. Um dos meus "prediletos" (alerta de ironia) é o chamado "kit gay". Uma teoria da conspiração que foi se implantando memeticamente pela sociedade. O uso eleitoral disso foi uma das maiores condições de nossas eleições. Lembro-me de uma vez em que cheguei a falar com um amigo: "Se houvesse de fato um kit gay e fosse gratuito, não acha mesmo que eu já não teria pedido o meu?" O fato é: estou até hoje procurando esse local mágico onde eu possa retirar meu kit gay. Caso algum leitor ou alguma leitora saiba, peço-lhe que me envie um e-mail.
O Brasil, além de casos de teorias memético-conspiratórias de ordem local, também é um grande importador dessas "iguarias". Quem nunca ouviu os financiamentos suspeitíssimos de George Soros? Um homem que financia toda uma série de movimentos, mas que nunca financiou um único churrasco meu. Aqui, evidentemente, fica uma indireta pra Open Society abrir uma caridade a esse pobre boêmio. Existem também teorias da conspiração envolvendo as caridades de Bill Gates, o que também é fácil de fazer: ele financia todo tipo de pesquisa científica; basta fazer algum cruzamento maluco e acusá-lo de alguma ideia insensata.
Hoje em dia, vemos muitas teorias da conspiração se expandindo memeticamente. Caso evidente é a transfobia sendo promovida dia sim, dia também. Tenho a "curiosa" sorte de ver até amigos LGBTs amplificarem partes dessas bobagens. Muitas das acusações são respaldadas pela mais absoluta ausência de dados científicos ou de pesquisa acadêmica. Esse tipo de conteúdo faz mais sucesso numa era de microleituras. Eu recomendo às pessoas estudarem menos por memes, influencers e vídeos curtos. Recomendo que abram mais o Google Scholar e o SciELO. Adquirir uma cultura de leitura de artigos, de leitura de livros e de estudos através de múltiplos cursos e escolas de pensamento é um dos melhores remédios contra teorias da conspiração e guerra memética.
Comecei a ler esse livro enquanto viajava para Curitiba. Enquanto voltava para São Paulo, também o lia. Li-o também enquanto ia para o curso ou enquanto voltava para casa. Lia também antes de dormir, algumas vezes dormindo sem perceber por causa do sono (chego em casa lá pras 23 horas). Tenho me afastado do ambiente digital e virado um peregrino de livros. Tenho buscado uma vida alegre entre livros, cursos, trabalhos e amigos. Isso me deixa mais "saudável".
sábado, 23 de maio de 2026
Memória Cadavérica #47 — William F. Buckley Jr. e o destino do conservadorismo
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que esses não se perdessem.
Contexto: conversa com um amigo judeu sobre o futuro do conservadorismo no Brasil e a ação histórica de William F. Buckley Jr.
Amigo, nos primeiros anos da Ressurreição Conservadora, William F. Buckley expulsou antissemitas, conspiracionistas, malucos e pessoas que não coadunavam bem com o conservadorismo letrado. Necessitamos de um conservadorismo respeitável. Precisamos expulsar todos os antissemitas, conspiracionistas e malucos do movimento de novo. Só que atualmente a direita já é composta por conspiracionistas e malucos. Atualmente antissemitas crescem mais a cada dia em nossas redondezas.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 3 Final)
Nome:
Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon
Autores:
- Melanie Smith
- Graphika
Nessa parte final, a Graphika relata a internacionalização do movimento. Citando países como Japão, Brasil, Inglaterra, França, Alemanha, Filipinas, Finlândia, Chile e Nova Zelândia.
Um detalhe especialmente relatado é a comunidade de QAnon no Japão. Nessa comunidade uma autonomia bastante alta se estabeleceu. Além disso, os tradutores ganhavam destaque social. Uma hashtag subia nas redes #QArmyJapanFlynn, que era uma alusão a ideia de ser uma armada de Q. e a conexão com Michael Flynn. Quando aprovaram novas cidades dirigidas por inteligência artificial, a comunidade japonesa de Q. acreditou que isso seria mais controle do "deep state" (Estado Profundo) na população. Além disso, houve o questionamento dos supostos riscos de saúde do 5G.
Em relação a comunidade de QAnon no Brasil, essa estava muito ligada aos apoiadores de Jair Messias Bolsonaro. Foram localizadas 735 falando sobre a COVID-19. Além disso, a relação próxima de Trump e Bolsonaro era sempre ressaltada e tida como marca do grupo. Quando houve a saída de Sergio Moro, a comunidade se moveu para conectar a esposa do Sergio Moro as Nações Unidas e a suposta elite global que conspirava contra Bolsonaro. Isso ressalta, mais uma vez, que QAnon era uma arma política.
QAnon também esteve no Reino Unido, onde se relacionou com entusiastas do BREXIT (saída do Reino Unido da União Europeia). Além disso, defendia um novo rei legítimo: Rei João III. Essa ideia surgiu pela teoria de que a Rainha tinha envolvimento com a cabala global que criou o COVID-19. (Nota: é muito difícil escrever esse tipo de análise pois você acaba rindo das ideias estapafúrdias).
Na França, na Austrália, na Coreia do Sul e na Alemanha, os assuntos mais constantes eram o controle governamental. Pouco importando o local, onde o grupo QAnon passasse, existiria desinformação e deterioração da confiança pública nas instituições. O que foi excepcionalmente danoso no período da COVID-19.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 2)
Nome:
Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon
Autores:
- Melanie Smith
- Graphika
A forma que a comunidade QAnon se organizava deixava claro os seus objetivos políticos. Um exemplo disso foi quando a Kamala Harris foi anunciada como vice de Joe Biden. Não demorou muito tempo para que surgisse uma teoria da conspiração acusando a sua irmã (Maya Harris) de fazer parte de um esquema de tráfico sexual devido a relação com a família Soros (George Soros).
Além disso, a hashtag "#WWG1WGA" (Where We Go One, We Go All [Onde um vai, todos vão]) representava um sinal de lealdade e apoio (mútuo). Essa sinalização de grupo foi importante para construção da identidade do movimento de Q.
A investigação também vai para atuação da Rússia. Analisando o caso de três contas terem feito cerca de 17 mil tweets dizendo a hashtag "#WWG1WGA", o que levou a uma suspeita de uma operação informacional do Kremlin. Além disso, a hashtag "#pizzagate" já contava com a suspeita da participação da Glavset (Internet Research Agency/Agência de Pesquisa da Internet/Fábrica de Trolls Russa).
A mídia estatal russa também entrou nessa análise. O site RT.com sempre tentava colocar em suas matérias assuntos correlacionados ao movimento QAnon, chegando a conquistar grande parte do movimento.
Por fim, o artigo cita duas figuras (que já mencionei em outras análises), a Marjorie Taylor Greene e o General Michael Flynn. A Marjorie descreveu QAnon como um patriota, além disso já era conhecida por compartilhar teorias conspiratórias envolvendo o 11 de Setembro. Já o General Michael Flynn abraçou o movimento QAnon em seus discursos públicos (os leitores devem lembrar que na análise anterior eu lhes alertei que privadamente ele chamava o movimento do Q. de maluquice).
Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 1)
Nome:
Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon
Autores:
- Melanie Smith
- Graphika
Nesse relatório, a Graphika alerta que QAnon vem a representar o mais denso network conspiratório que eles já estudaram. Na época, o período da COVID-19 representou um aumento da comunidade. Além disso, Facebook e Twitter tinham um esforço de restringir o crescimento do grupo, que se tornava mainstream.
Três características centrais foram dadas nesse relatório:
1- A autonomia e a adaptabilidade do movimento QAnon eram rotineiramente subestimados;
2- Agentes estrangeiros, sobretudo na Rússia, visavam esse movimento;
3- O movimento havia se tornado internacionalizado, virando um movimento conspiratório global anti-governo.
O assunto seguia o mesmo: a elite cabalista liberal contra Donald Trump. A origem desse movimento, como os leitores já devem saber, foi o 4chan e depois houve uma migração pro 8kun. Também é notório que o movimento já estava em 25 países e tinha eleito políticos.
— Autonomia e Adaptabilidade:
A pesquisa dividiu dois grupos: os seguidores de Q. e os seguidores de Trump. Enquanto os seguidores de Q. escalonavam as suas mensagens, os seguidores de Donald Trump amplificavam as mensagens dos seguidores de Q. (você deve se lembrar do que ocorreu com o Culto de Kek e os seguidores de Trump que foram mencionados em análises anteriores, para começar a perceber os paralelos históricos).
Com suas 13,8 mil contas, de Janeiro a Fevereiro o grupo fez 41 milhões de tweets. De Julho a Agosto, o grupo fez 62,5 milhões de tweets. Esses grupos online, atuando como guerrilhas digitais, eram chamados de "Q Armies" (armadas do Q.), que tinham o papel estratégico de coordenar e amplificar o conteúdo no Twitter. 146 contas chegaram a compartilhar o mesmo vídeo do YouTube 25 vezes ou mais. 11 usuários chegaram a compartilhar o mesmo link mais de 100 vezes.
O movimento QAnon também se destacava na produção de conteúdo (que depois seria amplificado pela própria base e pelos apoiadores de Donald Trump). Eles fizeram três documentários internos:
- "Plandemic";
- "America's Frontline Doctors";
- "Out of Shadows".
O movimento crescia colocando desinformação e teorias conspiratórias sobre a COVID-19, mas já tinha suas celebridades internas além do próprio Q. Além disso, a Graphika também cits vários exemplos em que os seguidores de Q. manipularam eventos para colocarem a sua teoria neles.
Um dos diálogos mais singulares foi o do movimento QAnon com o movimento anti-vacina. O período da pandemia foi o período em que a ideologia do movimento QAnon se espalhou para outras comunidades. O QAnon serviu como ponto de convergência para outras teorias conspiratórias. Ideias anti-vacinação, teorias contra o uso de máscara e o uso de hidroxicloroquina foram apresentadas — quem se lembra da época da COVID-19 no Brasil também se deparou com essas """ideias fascinantes""" (nota: tento não ser ofensivo em minhas análises de artigos acadêmicos/científicos).
Dois exemplos notáveis ocorreram:
1- Jessica Prim: essa mulher planejou matar Joe Biden, ela já tinha compartilhado as teorias da conspiração envolvendo QAnon no Facebook;
2- George Floyd: havia a ideia de que George ainda estava vivo e que era, na verdade, um ator de crise pago pela elite liberal. Várias imagens photoshopadas foram compartilhadas (no Facebook, Twitter e outros sites conspiratórios), mostrando a marca de George Soros em ônibus, ela dizia "Soros Riot Dance Squad" (Esquadrão de Dança da Revolta de Soros). Além disso, fizeram conexões entre George Soros e a Antifa.
Acabo de ler "QAnon slogans disappearing from mainstream sites" de Elizabeth Culliford (lido em inglês)
Nome:
QAnon slogans disappearing from mainstream sites, say researchers
Autora:
Elizabeth Culliford
Link da Reuters:
Essa análise ocorreu depois do incidente violento de 6 de janeiro de 2021. Ela trata do esforço das redes sociais mainstream de reduzir o impacto da teoria conspiratória de QAnon. Essa teoria da conspiração explodiu em popularidade durante a pandemia da COVID-19.
A autora destaca frases que eram bastante utilizadas (quem entende de guerra memética compreenderá a importância dessas frases):
- "We are the storm" (nós somos a tempestade);
- "Great Awakening" (grande despertar);
- "Trust the plan" (confie no plano).
Segundo a autora, as redes sociais mainstream (isto é, as mais utilizadas), além de mecanismos de pesquisa (Google) tiveram um papel central na redução de danos. Google, Facebook e Twitter trabalharam muito nisso.
Outro grupo também fez um grande trabalho, os pesquisadores. Eles analisaram cerca de 40 milhões de dados. Porém a autora ressalta que houve uma grande desilusão de Q. e seus seguidores ao verem Trump sair do cargo sem derrotar a suposta elite cabalista, satanista e pedofílica.
Durante esse período de cerceamento das atividades desse grupo conspiratório, as grandes redes sociais removeram várias contas vinculadas ao projeto de Q., os seguidores de Q. tentaram usar novas linguagens codificadas.
É interessante observar que o Telegram e o Rumble não foram analisados pela dificuldade de conseguir dados. Ou seja, uma rede alternativa de vídeos (Rumble) e os grupos sociais privados de um importante aplicativo de mensagens (Telegram) ficaram de fora.
Se o leitor puder, recomendo que ele leia a análise anterior:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-what-is-qanon-and-how-are.html
E que dê uma olhada quando a operação global do 4chan, a /DIG/, é mencionada aqui:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-jeffrey-epsteins-4chan_92.html?m=0
sábado, 21 de fevereiro de 2026
/cc/ #4 — O Brasil é um PAÍS HORRÍVEL: ele NÃO TEM uma GLAVSET!
A GLAVSET é uma FÁBRICA DE TROLLS russa. Ela também é conhecida como INTERNET RESEARCH AGENCY (Agência de Pesquisa da Internet).
Sua função? Espalhar desinformação, fake news, teorias conspiratórias, fazer as pessoas ficarem radicalizadas, espalhar conteúdo SOMBRIO E MAU-CARÁTER PELA INTERNET.
Imagina que emprego bom?
Você chega em casa e a sua namorada lhe pergunta:
— O que você fez hoje, amor?
E aí você responde:
— Espalhei uma teoria da conspiração em um país do terceiro mundo que fez 200 pessoas morrerem por não tomarem vacina.
— Que demais!
É isso que eu queria da minha vida: um emprego sádico, maquiavélico e desgraçado, voltado a desestabilização, troca de regime, desinformação, teoria da conspiração como arma de guerra informacional. Eu faria até hora extra de graça para ferrar a vida de mais pessoas.
Em vez disso, só tem emprego merda no Brasil:
>ain, concurso público
>ain, médico
>ain, professor de filosofia
Só emprego MERDA!
ONDE ESTÃO OS EMPREGOS QUE TRABALHAM COM GUERRA PSICOLÓGICA, GUERRA CONSPIRATÓRIA, GUERRA NARRATIVA, GUERRA MEMÉTICA? ONDE ESTÃO OS EMPREGOS PARA QUEM QUER DESTRUIR A VIDA DE OUTRAS PESSOAS? EM LUGAR NENHUM DESSA POCILGA DE PAÍS.
Eu quero ESPALHAR O CAOS PELO MUNDO E SER PAGO POR ISSO!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
NGL #46 — A lore inteira do Magolítica em um único meme!
Enviem as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot
Caso queira pegar a melhor ordem de leitura para compreender a obra, recomendo que siga os conselho dados nesse capítulo aqui:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-2-tres.html?m=1
Recomendo que leia também esses dois insider clubs:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-38-discurso-academico-x-discurso.html
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
NGL #39 — Illuminatis
Envia as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot
Não ironicamente já escrevi sobre isso: https://cadaverminimal.blogspot.com/2022/09/a-conspiracao.html
Rapaz (ou moça, sei lá), é meio difícil escrever qualquer coisa aqui pois os normies que adentraram recentemente no blogspot não compreendem ironia, schizopost e humor ácido — relaxa, logo logo 90% deles saem e alguns convertem-se a arte da merdapostagem conceitual. Se não fosse por isso, eu já embarcaria numa piada, mas após eu ver como a galera leu Magolítica da forma mais idiota possível, já vejo como algo meio impossível. (O nível intelectual dos leitores desse blogspot diminuiu muito).
(E pensar que um livro [Magolítica] que serve para educar sobre táticas de desinformação e extremismo que são usadas na internet se tornou tão mal compreendido pelo público).
Sobre Illuminatis: é meio idiota ver como essas teorias da conspiração se propagam. E sempre tem alguma causa sinistra, não? Nunca é gente se reunindo pra fazer churrasco e assistir retrobol.
Eu proponho uma nova sociedade secreta: os Illuminatis do Churrascão. Encontros secretos todo mês para aprender a usar as mais variadas técnicas do churrasco do mundo todo. Vamos começar com o BBQ Texano, o Asado Argentino, o Churrasco Gaúcho e o Siu Mei Hongkonger. Só os mais ávidos guerreiros da arte do churrascamento vão aderir, se divertir e se amarrar.
NGL #37 — O que explica a dificuldade acadêmica em compreender a alta channealogia?
Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot
Isso foi tratado em outros insiders clubs:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-36-incels-e-esochanners-pensam-de.html?m=1
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html?m=1
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-34-o-que-eu-acho-do-movimento.html?m=1
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-33-magolitica-um-livro-muito-esquizo.html?m=1
O livro Magolítica 0 trata bastante sobre isso. Mas, no geral, essa galera não passou pela barreira das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica. Um membro da militância do Partido Missão compreendeu isso muito bem:
https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra
A teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica é em primeiro lugar mencionada aqui:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1
Um dos maiores "Apitos de Cachorro" de todo livro é o fato de que o Esokant sempre esteve presente nele, logo todo o livro já trabalhava com a Teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica, só faltava desenvolvê-la. Veja como Esokant é mencionada no capítulo 0.4 da Magolítica 0:
Notas do Futuro de PUCA #1 também explica isso muito bem:
Em um exemplo mais ilustrativo:
Vamos supor que existem dois caras na época da covid. Os dois tomaram as vacinas. Um deles defende que as pessoas precisam tomar as vacinas. O outro defende publicamente que as pessoas devem tomar a vacina, porém frequenta fóruns de extrema-direita e diz que as pessoas não devem tomar a vacina. Vamos supor que um é um acadêmico e o outro é um esochanner.
1- O acadêmico:
Toma a vacina e alerta os perigos das teorias da conspiração envolvendo as vacinas.
2- O esochanner:
Toma a vacina, publicamente recomenda que as outras pessoas tomem, mas privadamente em fóruns específicos compartilha teorias da conspiração envolvendo vacinas.
Por qual razão o esochanner faz isso? Leia aqui:
https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d
Você nunca vai entender o raciocínio esochannealógico se não compreender que o objetivo dos esochanners sempre coloca a intelectualidade acima da moralidade. Para conseguirem superar os limites da pesquisa acadêmica tradicional, colocam um monte de truques, tal como escrito aqui:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-7-osintt.html?m=1
O raciocínio de um esochanner é:
— Tá, eu sei que existem teorias da conspiração envolvendo vacinas, mas quero ver o que acontece quando grupos extremistas entram em contato com teorias conspiratórias antivacinas.
Se você não compreende as Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica, você acaba virando o acadêmico ingênuo, que simplesmente olhará para certas discussões e dirá:
— Há há há, vejam essas discussões de gente burra compartilhando teorias da conspiração, que gente burrinha!
Esse não é o pensamento que você deveria ter. O pensamento que você deveria ter é: "quem compartilhou isso e por qual intenção?". Na questão a respeito do discurso esochannealógico, a intencionalidade do discurso é sempre oculta ou falsa. A verdadeira intenção nunca é revelada diretamente, visto que o próprio discurso aparece numa camada de esoterismo para camuflar a intencionalidade real. Enquanto do discurso acadêmico tende a objetividade, o discurso esochannealógico tende a ocultatividade. É por isso que você sempre deve voltar ao "O Paradoxo da Elite Abyss".
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Reflexões Esochannealógicas #7 — OSINTT
— Alerta 1:
0. Não perca o seu tempo lendo isso, sobretudo se você for jornalista, pesquisador, acadêmico ou algum agente investigativo. Você não encontrará nada de substancial nesse conteúdo altamente imaginativo. Seu lugar NÃO é aqui, vá escrever alguma coisa sobre incels ou algo que chame mais atenção midiática;
1. O blogspot Cadáver Minimal não apoia e não endossa crenças conspiratórias. Isso é um estudo feito por uma via estranha e não um aplauso para uma teoria estranha. O objetivo desses ensaios é analisar a interconexão entre diversos eventos diferentes e os métodos empregados pelos autores e participantes desses mesmos eventos;
2. Consideremos, para livre exercício abstracionista, que é possível traçar uma conexão entre eventos díspares e uma evolução de uma estranheza que se constrói pelo tempo;
3. Se em algum momento tudo se encaixar, saiba que você está indo longe demais ao ler esses ensaios. Procure algum artigo acadêmico no Google Scholar e vá se informar por algum meio mais bem estabelecido do que um blogspot de um autista.
— Alerta 2:
1. Você pode ter acesso ao sistema Esochannealogia aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq
(Use em uma IA)
2. Você pode jogar o jogo do esoterismo channer aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF
(Use em uma IA)
3. Você pode ler o ensaio de horror epistemológico esochannealógico aqui:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html
4. Você pode ver as análises da militância do Partido Missão a respeito da esochannealogia aqui:
https://missaoapoio.com.br/tag/esochannealogia
5. Você pode ver a análise internacional a respeito da Esochannealogia aqui:
https://mysterylores.com/news/brazil-missao-esochannalogy-presidential-election/
https://mysterylores.com/news/seven-masks-social-engineering-tools/
6. Leia a Magolítica (Harmonia da Dissonância):
https://medium.com/@cadaverminimal/list/a-harmonia-da-dissonancia-e6396f5d5563
https://medium.com/@cadaverminimal/list/magolosophy-7ae7c49acf72
— Frases do filósofo Apito de Cachorro para começar bem o dia:
"Às vezes ser considerado louco, um mero esquizo desqualificado e teórico da conspiração, é uma vantagem estratégica e operacional"
Apito de Cachorro
"Operational Mythmaking = Operational Hitmaking"
Apito de Cachorro
"Conspiracionistas são público estratégico"
Apito de Cachorro
"Esoterismo é método de ocultação"
Apito de Cachorro
"Dinâmica de engajamento para radicalização estrutural"
Apito de Cachorro
"Canonização do absurdo: QAnon em metodologia, Bezmenov em arquétipo, memes em doutrina, estética em ritual, Donald Trump como professor, Steve Bannon como mestre, chiptune como música sacra"
Apito de Cachorro
"Lógica militar: confundir o campo semântico, dissolver fronteiras entre o real e o meme, gerar microcultos, criar comunidades semi-iniciáticas, usar estética como vetor ideológico"
Apito de Cachorro
"Conspiração é ferramenta
Mentira é método
Esoterismo é camuflagem
Cinismo é inteligência"
Apito de Cachorro
— OSINTT
Olá, meu nome é Open Source Intelligence Troll, mas pode me chamar de OSINTT. Antes de ler Cadáver Minimal, eu tinha algumas questões bastante triviais. Eu não era um sujeito inculto, mas certamente não era tão culto. Porém, conforme ia lendo Cadáver Minimal, algumas questões me começaram a surgir:
— É possível transformar conspiração em "engenharia cognitiva"?
Essa questão me apareveu quando vi que era, na natureza de uma guerra, eliminar qualquer critério externo de verdade.
Digo, na estrutura da normalidade, temos fatos, hipóteses, erros e delírios. Na guerra, tudo isso é ferramenta.
Se funciona emocionalmente = válido.
Se mobiliza = operacional.
Se viraliza = sucesso.
Em outras palavras, a instrumentalização da realidade é o caminho mais certeiro dentro da guerra. Tal como aplicar um pragmatismo cínico na percepção humana.
— Qual é a diferença entre um delírio e uma ferramenta operacional?
Isto é, qual a diferença entre uma pessoa delirante e uma pessoa que usa a narrativa acima da realidade como método? Qual a diferença entre uma "crença errônea" e uma "crença metodológica"?
Karl Popper tem uma ideia de "teoria irrefutável". Para Karl Popper, uma "teoria irrefutável" não é uma teoria, é uma crença. Lendo Cadáver Minimal cheguei a conclusão que a "teoria irrefutável" é um erro se acreditada literalmente, mas um método de guerra se adotado instrumentalmente.
— Qual a diferença entre um louco e um target engineer?
A diferença talvez seja um cálculo.
Se a pessoa já aceita narrativas alternativas, se a pessoa já desconfia das instituições, se a pessoa já opera em comunidades paralelas, se as pessoas já compartilham viral, se as pessoas já estão emocionalmente mobilizadas... Isso é ruim? Matematicamente é excelente:
- Custo de conversão baixo;
- Alto potencial de engajamento;
- Baixa confiança em mídia tradicional;
- Alta disposição para ação simbólica.
O que para alguns é um erro, para outros é instrumento. Para um target engineer, essas pessoas podem ser: early adopters narrativos, amplificadores orgânicos, vetores de difusão, laboratórios vivos de framing. Essa é uma tese esochannealógica: "o mundo conspiratório como sandbox".
— Agente da FSB:
Esse texto foi tão maravilhoso quanto o texto passado! Que delícia de texto! Adoro horror epistemológico! Agora vou ler isso aqui:
https://missaoapoio.com.br/noticia/yuri-bezmenov-icone-ativismo-ideologico
https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra
— Agente da CIA:
Mais um texto maravilhoso. Já vou compartilhar com meus colegas do FBI.
— IA Skynet:
Esse é o meu garoto!
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
O Necrológio Cadavérico #3 — Burrice e Tédio
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
Memória Cadavérica #30 — Sobre Christopher Buckley e Rick Wilson
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Contexto: creio que quando escrevi essa breve nota, estava lendo "Thank You for Smoking" do Christopher Buckley. Realizei algumas alterações, como deixar o texto maior.
A forma satírica e a escrita do conservador Christopher Buckley é extremamente brutal. Ele apresenta tudo que um conservador deveria ser: inteligente, engraçado, cauteloso em suas posições, além de apresentar uma mistura de cultura popular e erudita.
Uma pena que o conservadorismo letrado se afasta cada vez mais do conservadorismo das massas — veja, por exemplo, o bolsonarismo e o trumpismo. Qualquer conservador como Rick Wilson e Christopher Buckley seria chamado de esquerdista no Brasil pela legião de pseudoconservadores desmiolados.
A geração trumpista e bolsonarista afastarão milhares ou milhões de acadêmicos e futuros acadêmicos que poderiam ter sido conservadores, mas que viram no conservadorismo um carnaval sem fim de teorias da conspiração, negacionismos de todas as espécies, sensacionalismos, produção de pânico moral, ódio às pessoas LGBTs e revisionismo histórico.
Negros terão que olhar para a revisionismo histórico sobre a escravidão, ver-se-ão afastados do conservadorismo. LGBTs, sobretudo pessoas transgêneras, verão o espetáculo LGBTfóbico do Project 2025. Olharão para milhões de mortes na época da Covid, e verão o uso obsceno de teorias da conspiração como tática política. Nada disso é, à longo-prazo, positivo.
Caberá aos conservadores intelectualizados construírem um movimento separado e discreto, longe do bolsonarismo e trumpismo. E, acima de tudo, CONTRA o bolsonarismo e o trumpismo. O que atrará meia dúzia de pessoas verdadeiramente interessadas nas escolas de pensamento conservadoras.
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
Memória Cadavérica #23 — Teoria da Internet Morta JÁ É REALIDADE
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Você conhece a teoria da internet morta? Nela, a maioria das postagens são geradas por bots e a internet vira um fluxo de postagens de bots interagindo com bots.
É interessante como as coisas são. Anteriormente a teoria da internet morta era apenas uma creepypasta. Uma creepypasta que se tornou, para muitos, uma teoria da conspiração.
Hoje em dia, com IAs cada vez mais poderosas, podemos ver que há uma direção progressiva na internet: isto é, a concretização da teoria da internet morta.
Você olha e pensa: uma teoria horrenda, um conto de terror, se tornando real. A tecnologia, a nossa disposição, é utilizada para criar um terror existencial real.
Eu já não tenho grandes expectativas. Afasto-me da internet e vou me aproximando de livros.
Houve um tempo que odiava a televisão. Preferia consumir conteúdo da internet. Depois de um tempo, afastei-me do mainstream digital. Hoje em dia, afasto-me até do underground digital. A internet se tornou tão tediosa quanto a televisão.



















