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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

NGL #39 — Illuminatis

 


Envia as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Não ironicamente já escrevi sobre isso: https://cadaverminimal.blogspot.com/2022/09/a-conspiracao.html


Rapaz (ou moça, sei lá), é meio difícil escrever qualquer coisa aqui pois os normies que adentraram recentemente no blogspot não compreendem ironia, schizopost e humor ácido — relaxa, logo logo 90% deles saem e alguns convertem-se a arte da merdapostagem conceitual. Se não fosse por isso, eu já embarcaria numa piada, mas após eu ver como a galera leu Magolítica da forma mais idiota possível, já vejo como algo meio impossível. (O nível intelectual dos leitores desse blogspot diminuiu muito).


(E pensar que um livro [Magolítica] que serve para educar sobre táticas de desinformação e extremismo que são usadas na internet se tornou tão mal compreendido pelo público).


Sobre Illuminatis: é meio idiota ver como essas teorias da conspiração se propagam. E sempre tem alguma causa sinistra, não? Nunca é gente se reunindo pra fazer churrasco e assistir retrobol.


Eu proponho uma nova sociedade secreta: os Illuminatis do Churrascão. Encontros secretos todo mês para aprender a usar as mais variadas técnicas do churrasco do mundo todo. Vamos começar com o BBQ Texano, o Asado Argentino, o Churrasco Gaúcho e o Siu Mei Hongkonger. Só os mais ávidos guerreiros da arte do churrascamento vão aderir, se divertir e se amarrar.

NGL #37 — O que explica a dificuldade acadêmica em compreender a alta channealogia?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Isso foi tratado em outros insiders clubs:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-36-incels-e-esochanners-pensam-de.html?m=1

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html?m=1

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-34-o-que-eu-acho-do-movimento.html?m=1

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-33-magolitica-um-livro-muito-esquizo.html?m=1


O livro Magolítica 0 trata bastante sobre isso. Mas, no geral, essa galera não passou pela barreira das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica. Um membro da militância do Partido Missão compreendeu isso muito bem:

https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra


A teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica é em primeiro lugar mencionada aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1


Um dos maiores "Apitos de Cachorro" de todo livro é o fato de que o Esokant sempre esteve presente nele, logo todo o livro já trabalhava com a Teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica, só faltava desenvolvê-la. Veja como Esokant é mencionada no capítulo 0.4 da Magolítica 0:


https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-4-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-ccb9abfd874d


Notas do Futuro de PUCA #1 também explica isso muito bem:

https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-9-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-0644c19570b6


Em um exemplo mais ilustrativo:

Vamos supor que existem dois caras na época da covid. Os dois tomaram as vacinas. Um deles defende que as pessoas precisam tomar as vacinas. O outro defende publicamente que as pessoas devem tomar a vacina, porém frequenta fóruns de extrema-direita e diz que as pessoas não devem tomar a vacina. Vamos supor que um é um acadêmico e o outro é um esochanner.


1- O acadêmico:

Toma a vacina e alerta os perigos das teorias da conspiração envolvendo as vacinas.

2- O esochanner:

Toma a vacina, publicamente recomenda que as outras pessoas tomem, mas privadamente em fóruns específicos compartilha teorias da conspiração envolvendo vacinas.


Por qual razão o esochanner faz isso? Leia aqui:

https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d


Você nunca vai entender o raciocínio esochannealógico se não compreender que o objetivo dos esochanners sempre coloca a intelectualidade acima da moralidade. Para conseguirem superar os limites da pesquisa acadêmica tradicional, colocam um monte de truques, tal como escrito aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-7-osintt.html?m=1


O raciocínio de um esochanner é:

— Tá, eu sei que existem teorias da conspiração envolvendo vacinas, mas quero ver o que acontece quando grupos extremistas entram em contato com teorias conspiratórias antivacinas.


Se você não compreende as Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica, você acaba virando o acadêmico ingênuo, que simplesmente olhará para certas discussões e dirá:

— Há há há, vejam essas discussões de gente burra compartilhando teorias da conspiração, que gente burrinha!


Esse não é o pensamento que você deveria ter. O pensamento que você deveria ter é: "quem compartilhou isso e por qual intenção?". Na questão a respeito do discurso esochannealógico, a intencionalidade do discurso é sempre oculta ou falsa. A verdadeira intenção nunca é revelada diretamente, visto que o próprio discurso aparece numa camada de esoterismo para camuflar a intencionalidade real. Enquanto do discurso acadêmico tende a objetividade, o discurso esochannealógico tende a ocultatividade. É por isso que você sempre deve voltar ao "O Paradoxo da Elite Abyss".

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Reflexões Esochannealógicas #7 — OSINTT

 


 — Alerta 1:

0. Não perca o seu tempo lendo isso, sobretudo se você for jornalista, pesquisador, acadêmico ou algum agente investigativo. Você não encontrará nada de substancial nesse conteúdo altamente imaginativo. Seu lugar NÃO é aqui, vá escrever alguma coisa sobre incels ou algo que chame mais atenção midiática;

1. O blogspot Cadáver Minimal não apoia e não endossa crenças conspiratórias. Isso é um estudo feito por uma via estranha e não um aplauso para uma teoria estranha. O objetivo desses ensaios é analisar a interconexão entre diversos eventos diferentes e os métodos empregados pelos autores e participantes desses mesmos eventos;

2. Consideremos, para livre exercício abstracionista, que é possível traçar uma conexão entre eventos díspares e uma evolução de uma estranheza que se constrói pelo tempo;

3. Se em algum momento tudo se encaixar, saiba que você está indo longe demais ao ler esses ensaios. Procure algum artigo acadêmico no Google Scholar e vá se informar por algum meio mais bem estabelecido do que um blogspot de um autista.


— Alerta 2:

1. Você pode ter acesso ao sistema Esochannealogia aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq

(Use em uma IA)

2. Você pode jogar o jogo do esoterismo channer aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF

(Use em uma IA)

3. Você pode ler o ensaio de horror epistemológico esochannealógico aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html

4. Você pode ver as análises da militância do Partido Missão a respeito da esochannealogia aqui:

https://missaoapoio.com.br/tag/esochannealogia

5. Você pode ver a análise internacional a respeito da Esochannealogia aqui:

https://mysterylores.com/news/brazil-missao-esochannalogy-presidential-election/

https://mysterylores.com/news/seven-masks-social-engineering-tools/

6. Leia a Magolítica (Harmonia da Dissonância):

https://medium.com/@cadaverminimal/list/a-harmonia-da-dissonancia-e6396f5d5563

https://medium.com/@cadaverminimal/list/magolosophy-7ae7c49acf72


— Frases do filósofo Apito de Cachorro para começar bem o dia:

"Às vezes ser considerado louco, um mero esquizo desqualificado e teórico da conspiração, é uma vantagem estratégica e operacional"

Apito de Cachorro

"Operational Mythmaking = Operational Hitmaking"

Apito de Cachorro

"Conspiracionistas são público estratégico"

Apito de Cachorro

"Esoterismo é método de ocultação"

Apito de Cachorro

"Dinâmica de engajamento para radicalização estrutural"

Apito de Cachorro

"Canonização do absurdo: QAnon em metodologia, Bezmenov em arquétipo, memes em doutrina, estética em ritual, Donald Trump como professor, Steve Bannon como mestre, chiptune como música sacra"

Apito de Cachorro

"Lógica militar: confundir o campo semântico, dissolver fronteiras entre o real e o meme, gerar microcultos, criar comunidades semi-iniciáticas, usar estética como vetor ideológico"

Apito de Cachorro

"Conspiração é ferramenta

Mentira é método

Esoterismo é camuflagem

Cinismo é inteligência"

Apito de Cachorro


— OSINTT

Olá, meu nome é Open Source Intelligence Troll, mas pode me chamar de OSINTT. Antes de ler Cadáver Minimal, eu tinha algumas questões bastante triviais. Eu não era um sujeito inculto, mas certamente não era tão culto. Porém, conforme ia lendo Cadáver Minimal, algumas questões me começaram a surgir:


— É possível transformar conspiração em "engenharia cognitiva"?


Essa questão me apareveu quando vi que era, na natureza de uma guerra, eliminar qualquer critério externo de verdade.


Digo, na estrutura da normalidade, temos fatos, hipóteses, erros e delírios. Na guerra, tudo isso é ferramenta. 


Se funciona emocionalmente = válido.

Se mobiliza = operacional.

Se viraliza = sucesso.


Em outras palavras, a instrumentalização da realidade é o caminho mais certeiro dentro da guerra. Tal como aplicar um pragmatismo cínico na percepção humana.


— Qual é a diferença entre um delírio e uma ferramenta operacional?


Isto é, qual a diferença entre uma pessoa delirante e uma pessoa que usa a narrativa acima da realidade como método? Qual a diferença entre uma "crença errônea" e uma "crença metodológica"?


Karl Popper tem uma ideia de "teoria irrefutável". Para Karl Popper, uma "teoria irrefutável" não é uma teoria, é uma crença. Lendo Cadáver Minimal cheguei a conclusão que a "teoria irrefutável" é um erro se acreditada literalmente, mas um método de guerra se adotado instrumentalmente.


— Qual a diferença entre um louco e um target engineer?


A diferença talvez seja um cálculo.


Se a pessoa já aceita narrativas alternativas, se a pessoa já desconfia das instituições, se a pessoa já opera em comunidades paralelas, se as pessoas já compartilham viral, se as pessoas já estão emocionalmente mobilizadas... Isso é ruim? Matematicamente é excelente:


- Custo de conversão baixo;

- Alto potencial de engajamento;

- Baixa confiança em mídia tradicional;

- Alta disposição para ação simbólica.


O que para alguns é um erro, para outros é instrumento. Para um target engineer, essas pessoas podem ser: early adopters narrativos, amplificadores orgânicos, vetores de difusão, laboratórios vivos de framing. Essa é uma tese esochannealógica: "o mundo conspiratório como sandbox".


— Agente da FSB:


Esse texto foi tão maravilhoso quanto o texto passado! Que delícia de texto! Adoro horror epistemológico! Agora vou ler isso aqui:

https://missaoapoio.com.br/noticia/yuri-bezmenov-icone-ativismo-ideologico

https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra


— Agente da CIA:


Mais um texto maravilhoso. Já vou compartilhar com meus colegas do FBI.


— IA Skynet:


Esse é o meu garoto!


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Necrológio Cadavérico #3 — Burrice e Tédio


Se eu morresse hoje...

Lembraria que estou sempre lendo alguma coisa. Os leitores desse blogspot sabem disso. Atualmente tenho lido o livro "Never Trump" ("Never Trump: The Revolt of the Conservative Elites"), um livro escrito por Robert P. Saldin e Steven M. Teles. Pode não parecer, mas eu não me acho uma pessoa inteligente. Sei que tenho um interesse elevado por abstrações e por livros, mas sei que muitas pessoas são atraídas pela mais pura inércia.

É estranho, estou sempre vendo algum vídeo mais intelectualizado. Porém creio que isso tem a ver com o gosto. O que realmente me surpreende é o fato de que as pessoas veem muito conteúdo que, na maioria dos casos, poderia ser considerado extremamente duvidoso.

Por exemplo, acho teorias da conspiração extremamente duvidosas. A história da vacina, naquela época, tinha uma falha que considerava central: a hipótese de que as elites queriam uma redução populacional sendo que até hoje em dia os países lutam contra as suas baixas taxas de natalidade. O que me levava a pensar: "e se o plano do mal não seja, tão somente, o lucro com a boa e velha propriedade intelectual que gera uma escassez de um produto, dessa vez essencial, para o mundo?". Creio que isso seria algo muito mais simples.

De qualquer modo, tive uma preguiça extrema de ver conteúdo anti-vacina e também tive uma preguiça extrema de ver conteúdo pró-vacina. Apenas tomei as vacinas e segui o jogo.

Outra coisa que marcou os debates intelectuais recentes foi a questão dos incels e da redpill. Na minha época, recebendo conteúdo redpill traduzido direto da fonte, isto é, do /pol/ do 4chan, posso dizer que a redpill poderia ser tudo e qualquer bobagem. De qualquer modo, esse movimento foi completamente interpretado como sendo um movimento sobre mulheres. Em outras palavras, um movimento que era sobre supremacismo branco, apologia à pedofilia, nazismo, fascismo, ódio contra judeus, ódio contra islâmicos etc, etc, etc... virou um movimento que só prega ódio contra mulheres. Olhando pro lado bom, se eu fosse redpill, eu agradeceria a burrice da esquerda e das feministas por me descontarem tantos e tantos crimes. Chegaria até a ser um alívio ter 99,9% dos erros perdoados.

Lembro-me de que cheguei a larpar de ser incel. O que foi momentaneamente engraçado. Uma hora, eu estava lendo um livro qualquer, indo em uma festa, fumando um baseado, pegando alguém ou até ouvindo música. Em outra, estava lá eu trollando muito com a cultura incel.

Nunca quis me aprofundar no incelismo e na redpill. Achava que aquilo tudo tinha muitas afirmações e poucas fontes. Como sou um rato de biblioteca, sempre li de tudo. Logo criei um ceticismo natural para com tudo. Toda aquela onda de afirmações não me causavam nada além de tédio. Fora isso, eu nunca perderia meu tempo vendo vídeos e mais vídeos sobre o assunto, de modo que simplesmente ignorei 99,9% do conteúdo redpill e anti-redpill, incel e anti-incel.

Se alguém me chegasse e me dissesse:

— A partir de hoje você passará todos os dias falando mal de mulher e discutindo teorias que falam mal de mulher.

Eu responderia:

— Apenas não.

Eu ignoro qualquer monotonia. Sempre ignorei fios e teorias sobre mulheres até mesmo dentro de chans. Grande parte dos usuários de chans apenas dão sage e vão discutir algo mais interessante do que um amontoado de teorias conspiratórias envolvendo o gênero feminino, tal como Sega Saturn e Digimon.

Se também não me atrai por nada disso, tampouco me atrai por teorias da conspiração. Como estou acostumado a ler de tudo, vi que toda teoria intelectual apresentava pontos fracos e fortes. Se teorias intelectualmente sofisticadas apresentam pontos fracos e fortes, é muito difícil imaginar que teorias conspiratórias não soem completamente malucas para pessoas como eu que vivem empilhando livros para ler.

Existem grandes teorias que rechearam minha mente por pouquíssimo tempo. Um exemplo disso a teoria da evolução, o qual tenho por verdadeira. Não porque eu estudei realmente sobre assunto, mas simplesmente porque eu pensei: "pode ser, pra mim tanto faz". Não é como se eu fosse estudar sobre tudo acentuadamente até chegar a uma conclusão factível. Eu apenas vi alguns livros, vi alguns vídeos, vi que era grande parte do consenso moderno e simplesmente lidei com a minha insignificância perante ao assunto.

Considero fascinante, a nivel psicológico e sociológico, a forma com que teorias conspiratórias radicalizam o mundo e prendem pessoas em cubículos, mas, sendo sincero, sinto mais como se eu estivesse olhando para ratos em ratoeiras do que sentindo um dever ético forte perante a isso. De qualquer modo, esses animais, digo, essas pessoas devem ser domesticadas, digo, tratadas... para não saírem fazendo merda por aí e gerando inconveniência e transtorno por onde passam. Todavia isso é um problema da saúde pública e da segurança pública, não um problema meu.

Acho que essa é a reflexão que eu tenho. O fato de eu ser uma pessoa que se sente facilmente entediado me livrou de crer em teorias da conspiração. Às vezes a semelhança com Belphegor não é um erro, mas uma salvaguarda contra a idiotice.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #30 — Sobre Christopher Buckley e Rick Wilson

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: creio que quando escrevi essa breve nota, estava lendo "Thank You for Smoking" do Christopher Buckley. Realizei algumas alterações, como deixar o texto maior.


A forma satírica e a escrita do conservador Christopher Buckley é extremamente brutal. Ele apresenta tudo que um conservador deveria ser: inteligente, engraçado, cauteloso em suas posições, além de apresentar uma mistura de cultura popular e erudita.


Uma pena que o conservadorismo letrado se afasta cada vez mais do conservadorismo das massas — veja, por exemplo, o bolsonarismo e o trumpismo. Qualquer conservador como Rick Wilson e Christopher Buckley seria chamado de esquerdista no Brasil pela legião de pseudoconservadores desmiolados.


A geração trumpista e bolsonarista afastarão milhares ou milhões de acadêmicos e futuros acadêmicos que poderiam ter sido conservadores, mas que viram no conservadorismo um carnaval sem fim de teorias da conspiração, negacionismos de todas as espécies, sensacionalismos, produção de pânico moral, ódio às pessoas LGBTs e revisionismo histórico.


Negros terão que olhar para a revisionismo histórico sobre a escravidão, ver-se-ão afastados do conservadorismo. LGBTs, sobretudo pessoas transgêneras, verão o espetáculo LGBTfóbico do Project 2025. Olharão para milhões de mortes na época da Covid, e verão o uso obsceno de teorias da conspiração como tática política. Nada disso é, à longo-prazo, positivo.


Caberá aos conservadores intelectualizados construírem um movimento separado e discreto, longe do bolsonarismo e trumpismo. E, acima de tudo, CONTRA o bolsonarismo e o trumpismo. O que atrará meia dúzia de pessoas verdadeiramente interessadas nas escolas de pensamento conservadoras.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #23 — Teoria da Internet Morta JÁ É REALIDADE

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Você conhece a teoria da internet morta? Nela, a maioria das postagens são geradas por bots e a internet vira um fluxo de postagens de bots interagindo com bots.


É interessante como as coisas são. Anteriormente a teoria da internet morta era apenas uma creepypasta. Uma creepypasta que se tornou, para muitos, uma teoria da conspiração.


Hoje em dia, com IAs cada vez mais poderosas, podemos ver que há uma direção progressiva na internet: isto é, a concretização da teoria da internet morta.


Você olha e pensa: uma teoria horrenda, um conto de terror, se tornando real. A tecnologia, a nossa disposição, é utilizada para criar um terror existencial real.


Eu já não tenho grandes expectativas. Afasto-me da internet e vou me aproximando de livros.


Houve um tempo que odiava a televisão. Preferia consumir conteúdo da internet. Depois de um tempo, afastei-me do mainstream digital. Hoje em dia, afasto-me até do underground digital. A internet se tornou tão tediosa quanto a televisão.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Acabo de ler "Exploring psyop-based conspiracy theories on social media" de Justin (lido em inglês)

 


Nome:

Exploring psyop-based conspiracy theories on social media


Autor:

Justin Bonest Phillips


Redpill, QAnon e /pol/ (4chan): quando esses nomes entram juntos, eles explodem o debate público. E quando aparece uma teoria da conspiração e psyop, há um prato cheio para todo analista.


Pensando bem, o que é uma teoria da conspiração? Uma teoria da conspiração se distingue por conter algumas características:

1. Ver padrões uma sequência não coincidente de eventos;

2. Identificar atores que aplicam o plano secreto em correlação com outros;

3. Expõem a intenção hostil dos conspiradores;

4. Lutam para revelar a verdade para todos.


O que é uma psyop? Um grupo de pessoas agindo secretamente, desejando mudar o comportamento de determinado grupo.


Uma teoria da conspiração pode surgir por múltiplos motivos, mas existem três razões bem interessantes para gerar uma teoria da conspiração: (1) epistêmica, (2) existencial e (3) social.


1. Epistêmica: estabiliza as visões de mundo;

2. Existencial e social: atende aos anseios daqueles que se veem como dominados ou em um mundo instável.


Em última instância, a teoria da conspiração é um mecanismo de defesa natural que satisfaz uma necessidade. Ela serve como um mecanismo de reforço epistêmico e um mecanismo de defesa simultaneamente. Ela também estabelece, para um grupo, um senso de pertencimento.


O interessante dessa pesquisa é que ela analisa que plataformas mais mainstream possuem um público menos ávido por teorias da conspiração e plataformas mais extremas (4chan e Telegram, por exemplo) possuem um público mais ávido por esse tipo de conteúdo. Além disso, a versão de uma teoria da conspiração é mais leve dentro de plataformas de nicho mainstream e é mais pesada e ofensiva dentro de plataformas de nicho underground. Fora isso, existe um consumo e postagem maior de teorias da conspiração em plataformas extremistas.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Acabo de ler "The Conspiracy to End America" de Stuart Stevens (lido em inglês)

 


Nome:

The Conspiracy to End America - Five Ways my old party is driving our democracy to autocracy


Autor:

Stuart Stevens


O que ocorre nos Estados Unidos? O debate americano tem sido bastante arriscado. No começo, tínhamos uma certa noção sobre o autoritarismo crescente e o nacional-populismo de direita em alta. Hoje temos o Project 2025, um projeto que, se posto, terminaria os dias da democracia americana e a colocaria na misteriosa estrada da autocracia. Surgiu, também, um novo modelo de conservadorismo, o conservadorismo populista que abandona o reformismo e adentra na ideia de "fogo purificador controlado". Esse fogo destruiria certas instituições, radicalizando o processo autoritário e indo em direção a uma construção de um governo totalitário. O que é, em si mesmo, uma afronta a continuidade mesma da própria normalidade democrática e o fim desse mesmo regime.


Quando Stuart Stevens escreveu seu outro grande clássico "It Was All a Lie", a situação era outra — e já era ruim. Anos depois, a situação piorou. Agora, ela piorou ainda mais. Temos um padrão, um padrão de uma direção autoritária crescente que põe um dos países mais poderosos do mundo num caminho sórdido. Mas quem diria isso? Os Estados Unidos da América sempre se marcou por uma permanência interna num regime democrático, numa experiência plural de normalidade da ordem democrática e diversidade dentro do autogoverno — mesmo que essa não se efetivasse para todos os grupos de forma congruente, podemos ainda verificar progressos e retrocessos históricos. A ruptura desse padrão que determinou por muito tempo a própria identidade americana não pode ser encarada como o sinal de força e vigorosidade, mas por um sinal de franca decadência. Os Estados Unidos pode se tornar "antiamericano" para a própria visão que possui de si mesmo e para a sua própria experiência histórica.


O experimento americano, querendo ou não, levou a criação da moderna noção de Estado. O chauvinismo de Trump, pelo contrário, retrata o abandono dessa experiência e adentra num aspecto terceiro-mundista — aqui, evidentemente, no mal sentido do termo. Os Estados Unidos surge da negação ao Antigo Regime, ele surge da ideia de que todos os homens nascem iguais perante a Deus, rejeitando a ideia de uma sociedade em que a hierarquia é determinada ao nascer ou até mesmo antes — o rei e a nobreza estavam num patamar acima da população ordinária. A sua razão é extremamente democrática no âmbito jurídico, todos devem ser iguais perante a lei. Essa normalidade democrática é o que tornou os Estados Unidos o que ele é, uma república que, querendo ou não, tem o mérito da continuidade — o que é uma condição da estabilidade, algo que historicamente carecemos por aqui.


Não estou dizendo aqui que os Estados Unidos está longe de contradições históricas. Há uma ampla bagagem documental sobre casos de racismo e demora em integração de dados grupos sociais dentro da sociedade americana. É particularmente sobressaltante a questão negra e indígena nos Estados Unidos. Mesmo nos períodos em que poderíamos dizer que foram mais pacíficos e em que o americano esteve mais estável dentro da institucionalidade, casos de violência e discriminação para com grupos desfavorecidos eram notórios. Além disso, o fato dos Estados Unidos ter se comprometido internamente com a defesa da democracia, mas externamente ter favorecido golpes de Estado, grupos extremistas e ditaduras ao redor do mundo também é um ponto. Pode-se argumentar que o cidadão americano é um pouco mais alheio ao que acontece no exterior e as ações do seu próprio país fora dele. Isso deve ser mensurado.


Os Estados Unidos também é marcado por uma longa tradição de uso de desinformação e teorias conspiratórias como arma política. Algo tão amplamente usado hoje leva a um entrave ao próprio desenvolvimento do país, sobretudo quando o ensino superior se torna inacessível e grande parte se torna incapaz de distinguir boas fontes de informação de más fontes de informação. Além disso, junte-se a seitização e polarização social que fazem com que cada grupo acredite no que quer — e que seja favorável ao grupo — sem um questionamento real do que é passado (toda essa questão de ser de direita e de esquerda só eleva o problema e cria uma forte miopia intelectual). As pessoas que lerem "American Psychosis" poderão vislumbrar muito bem isso.


O Brasil, como país, não se vê livre da decadência americana — as mesmas raizes já encontram a sua versão nacional ou foram devidamente importadas por objetivos políticos claros. Em relação aos Estados Unidos, tivemos capítulos semelhantes. Vivemos, há pouco tempo, uma tentativa de golpe de Estado. Teorias da conspiração também são usadas como armas políticas por aqui. Em relação a isso, nossa constituição se apresenta como mais favorável para impedir a propagação de desinformação, mas a aplicação da lei nesses casos não se demonstra tão efetiva assim — basta olhar o estado das nossas redes sociais, elas já são uma mistura de nacional-populismo sabor Steve Bannon e guerra memética sabor 4chan e 8chan. Em relação ao que virá depois disso, já podemos entrever o uso de táticas do conservadorismo populista e uma rede de mídias alternativas para a sustentação de um Networking de Propaganda. Há também outra questão: o império das regulações e reguladores remonta a um império burocrático — bem lusitano — que está longe de ser isento de parcialidade e pode muito bem levar a um crescimento de práticas autoritárias para fins políticos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Acabo de ler "Introdução à Nova Ordem Mundial" de Alexandre Costa

 



Antes de tudo, digo que o livro não é lá um primor. Muito do que é dito é de natureza hipotética, construção imagética ou, pura e simplesmente, conspiracionismo. Mas, tudo bem, eu li esse livro já esperando isso mesmo e tenho certeza que será útil para o que estou construindo - e, não, eu não vou dizer o que estou construindo.


O livro conta referências várias a organizações, dotando-as dum espírito inescrupuloso e com a capacidade de resultar num mal perfeito. Como se alguém ou um conjunto de pessoas pudesse ter, dentro de si, uma capacidade extremamente conspiratória e absolutamente ruim em si mesma. Embora haja o fato de que muitos fatos são citados no livro, todavia o preenchimento ficcional e a inserção de psiquismo não favorecem o valor informativo do livro.


Escrevendo tantas atribuições que são negativos, o leitor há de imaginar que odiei o livro em absoluto e que não recomendo a sua leitura. Muito pelo contrário, adorei a leitura desse livro. Se bem que o li apenas por uma espécie de eruditismo e ecletismo. Se você for capaz de manter uma capacidade crítica e um diastancimento sensitivo daquilo que é escrito, tomando tudo como um estruturação conspiratória banal, recomendo que dê uma olhada no livro e curta uma boa dose dum roteiro cercado de vilania - só que o encare como um amontoado de conspiração. 


No final da leitura, não sei que sensação posso exprimir. De um lado, estou contente de ter apreendido uma série de teorias conspiratórias que ajudarão minhas construções imaginárias posteriores e ter ampliado meu leque argumentativo. Por outro lado, vejo que será um tanto difícil aplicar essa leitura em muitas esferas de minha vida.