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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Reflexões Esochannealógicas #4 — A Esochannealogia de Donald Trump

 


— Alerta 1:

0. Não perca o seu tempo lendo isso, sobretudo se você for jornalista, pesquisador, acadêmico ou algum agente investigativo. Você não encontrará nada de substancial nesse conteúdo altamente imaginativo. Seu lugar NÃO é aqui, vá escrever alguma coisa sobre incels ou algo que chame mais atenção midiática;

1. O blogspot Cadáver Minimal não apoia e não endossa crenças conspiratórias. Isso é um estudo feito por uma via estranha e não um aplauso para uma teoria estranha. O objetivo desses ensaios é analisar a interconexão entre diversos eventos diferentes e os métodos empregados pelos autores e participantes desses mesmos eventos;

2. Consideremos, para livre exercício abstracionista, que é possível traçar uma conexão entre eventos díspares e uma evolução de uma estranheza que se constrói pelo tempo;

3. Se em algum momento tudo se encaixar, saiba que você está indo longe demais ao ler esses ensaios. Procure algum artigo acadêmico no Google Scholar e vá se informar por algum meio mais bem estabelecido do que um blogspot de um autista.


— Alerta 2:

1. Você pode ter acesso ao sistema Esochannealogia aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq

(Use em uma IA)

2. Você pode jogar o jogo do esoterismo channer aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF

(Use em uma IA)

3. Você pode ler o ensaio de horror epistemológico esochannealógico aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html

4. Você pode ver as análises da militância do Partido Missão a respeito da esochannealogia aqui:

https://missaoapoio.com.br/tag/esochannealogia

5. Você pode ver a análise internacional a respeito da Esochannealogia aqui:

https://mysterylores.com/news/brazil-missao-esochannalogy-presidential-election/

6. Leia a Magolítica (Harmonia da Dissonância):

https://medium.com/@cadaverminimal/list/a-harmonia-da-dissonancia-e6396f5d5563

https://medium.com/@cadaverminimal/list/magolosophy-7ae7c49acf72


Em 2016 aconteceram muitas coisas, porém uma foi particularmente sensacional: "Kirby: Planet Robobot" foi lançado pro Nintendo 3DS. Você achou que eu ia falar do quê? Meme Magic? O culto de Kek? 4chan? A formação da alt-right? A verdade do assunto tratado nesse capítulo está diretamente no título e é tão evidente quanto o fato autoevidente de que café sem açúcar é melhor do que café com açúcar. Falo de um homem. Um homem laranja. Um amante de McDonald's. Um praticante das belas artes da Guerra Memética. Sim, quem diria que um dos maiores utilizadores da guerra memética seria justamente o presidente dos Estados Unidos: Donald Trump (Donaldo Trompeto).


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Uma pergunta: o que é um meme? O meme não é, pura e simplesmente, uma imagem engraçada ou um vídeo de humor. O meme SEQUER precisa ter humor. Memes podem ser:

- Palavras;

- Eventos;

- Faces;

- Personagens (reais ou ficcionais);

- Qualquer coisa (sério mesmo).


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


O que determina o caráter memético de algo é:

1. Exposição;

2. Repetição.

Pense no meme como uma virose conceitual. Quanto mais reproduzível ele for, maior é a sua chance de ser memético.  Por qual razão? Pelo fato dos memes serem iguais a nossa forma de pensar. Lembre-se disso, a nossa capacidade de pensar está conectada a:

- Esquema;

- Heurística;

- Fragmentação.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


É aí que os memes entram e comportam-se de maneira semelhante a como pensamos. Um meme é simultaneamente duas coisas:

1. A representação da informação por pequenas peças manipuláveis;

2. Conceitos socialmente gerados que refletem os nossos métodos psicológicos de processar a informação.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Um meme é o meio mais rápido de colocar uma ideia na cabeça de alguém. Rápido, repita isso três vezes:

- Um meme é o meio mais rápido de colocar uma ideia na cabeça de alguém. 

- Um meme é o meio mais rápido de colocar uma ideia na cabeça de alguém. 

- Um meme é o meio mais rápido de colocar uma ideia na cabeça de alguém. 


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Você pode pensar: "ah, mas eu tenho uma ideia de um roteiro de um vídeo de duas horas explicando que..." e a resposta será NÃO. Um meme funciona melhor para propagação de ideias. É o meio mais rápido. Aprenda isso ou perca o debate e a guerra cultural.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Você, querido leitor, deve estar se perguntando: "por qual razão, pessoas inteligentes como nós, estamos estudando o presidente Donaldo Trompete?". E a resposta é simples: PARE DE SUBESTIMAR AS PESSOAS.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Você conhece o pêndulo americano? Há uma tendência que existia: o poder presidencial se alternava entre os democratas e os republicanos, com cada partido ganhando duas vezes seguidas. Donaldo Trompete sempre seguiu uma tendência, filiava-se aos democratas quando os republicanos estavam no poder e aos republicanos quando os democratas estavam no poder. Um belo acaso,  você não acha?


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Além do pêndulo político, existe outra curiosidade engraçada dos Estados Unidos. E não, não estou me referindo as paródias do Weird Al. (Sim, leitor, elas são muito boas, mas não estou falando delas). Se olharmos para o século XX, perceberemos duas figuras políticas que se sobressaem: Franklin Roosevelt e John F. Kennedy. Sabe o que os dois tinham em comum? Exato, os dois jogavam Sega Saturn e acreditavam que teriam o jogo do Sonic X-treme para jogar, mas ambos se decepcionaram por causa do cancelamento do game... Okay, sem brincadeiras, vamos voltar ao que interessa:

1. Eles eram comunicadores extremamente hábeis;

2. Eles quebravam a própria linguagem de forma memética para fazerem os seus discursos mais memoráveis e impactantes.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Outra curiosidade? Roosevelt foi pioneiro no uso do rádio e Kennedy foi pioneiro no uso da televisão.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Donald Trump também foi pioneiro. Exato, senhoras e senhores: Donald Trump especializou-se na produção de música no gênero chiptune e fez sucesso no setor de retrogaming com suas composições musicais, o que lhe angariou a presidência da República... Não? Ah, verdade, Trump foi pioneiro no uso do Twitter (atualmente chamado de "X" ou "@Grok, isso é verdade?"). 


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


O Twitter foi para Donald Trump a mesma coisa que o vinho seco derramado no sorvete foi para mim:

1. A sua maior fraqueza;

2. A sua maior força.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Os tweets do Donaldo Trompete eram sem filtro, sem censura e, aparentemente, sem senso. Mas eles carregavam a calcinha e o sutiã mais sensuais (e de renda) da guerra memética moderna. Esses dois fatores eram:

1- Controvérsia/Sutiã;

2- Memes/Calcinha.

Isso gera a alegria do nossa banheira de hidromassagem: a arte das trevas da guerra memética.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Donaldo Trompete também foi o rei do foreshadowing, embora digam que esse título de realeza pertença ao Tite Kubo (criador do Bleach). Em 2012, ele começou a sua cruzada anti-Obama. Em 2015, ele estreou como uma estrela...


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Você vai me dizer: "a mídia o ridicularizou em todos os meios possíveis, ele foi xingado em todas as redes sociais". Exato. Nada melhor do que propaganda gratuita. E é por isso que essa foi uma das maiores estratégias eleitorais da história. Donaldo Trompete estava em todos os jornais, no feed do Twitter (o tempo era mais chato, não tinha o meu amigo Grok) e também no Facebook.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Donaldo Trompete tinha uma estratégia dualística em sua forma de guerrear memeticamente: 

A- Ataque;

B- Defesa.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Ataque: construir um muro!

1. É ofensivo;

2. É controverso.

Resultado = o controverso chama atenção e a atenção é o torna um meme viral.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Defesa: fazer a América grande de novo (Make America Great Again).

1. Isso é vago, mas significativo;

2. Tira a atenção de outros assuntos;

3. Sucintamente sumariza a ideologia republicana;

4. Faz um chamado a união e simultaneamente soa como um hino para os militantes.

Resultado = não tem coisa melhor.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Vamos repetir novamente três vezes aquela frase essencial:

- Um meme é o meio mais rápido de colocar uma ideia na cabeça de alguém. 

- Um meme é o meio mais rápido de colocar uma ideia na cabeça de alguém. 

- Um meme é o meio mais rápido de colocar uma ideia na cabeça de alguém. 

(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)

(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)

(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Trompeto deu a mídia um momento controverso toda semana. Todo dia ele criava e dava para a mídia um momento de controvérsia. E a mídia, composta por GENTE MUITO INTELIGENTE, ACADÊMICA, PENSANTE, COMPLETAMENTE SUPERIOR, FORMADA, CULTA PRA CARAIO... é, essa mídia, ela foi COMPLETAMENTE FEITA DE OTÁRIA E DEU PROPAGANDA GRATUITA PRO TRUMP INFINITAMENTE.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Se Trompete pudesse dizer alguma coisa, ele diria:

— Obrigado, jornalistas e acadêmicos por sempre serem nossos eternos idiotas úteis, sempre contamos com a burrice de vocês. Agradecemos ao fato de que vocês sempre caem diante do peso da própria arrogância.


(Hoje eu fiz cafuné na minha ex)


Existe um ditado na guerra memética:

— OS FINS JUSTIFICAM OS MEMES!

domingo, 11 de janeiro de 2026

Recomendações Cadavéricas #6 — Três Faculdades Cristãs com CURSOS GRATUITOS



Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.

Nota: é necessário compreender inglês para entender o conteúdo dos cursos.

Conteúdo encontrado nessas faculdades de forma geral:

Esses três recursos são excelentes opções complementares para quem busca formação intelectual clássica/cristã sem custo: a Hillsdale que é mais ampla e "americana", a Christendom que é mais diretamente católica e pastoral, e a Aquinas 101 que é mais filosófica e profunda no tomismo.

— Hillsdale College:


Breve resumo do seu conteúdo:

Cursos online gratuitos (autoestudo) com foco em educação clássica liberal, incluindo a Constituição americana, história dos EUA, grandes obras literárias, filosofia, economia, arte, música clássica, cristianismo e Bíblia. Ênfase em princípios fundadores da liberdade, civilização ocidental e formação moral/cívica. Milhões de alunos já se inscreveram.

— Christendom College:


Cursos online gratuitos voltados para aprofundar a fé católica através da própria tradição intelectual católica. Aborda temas como teologia do corpo, bioética católica, natureza humana, história centrada em Cristo, Novo Testamento, virtudes/santidade, entre outros. Material produzido por professores da faculdade, com foco em crescer na fé e na compreensão da doutrina católica.

Breve resumo do seu conteúdo:

— The Thomistic Institute:


Breve resumo do seu conteúdo:

Plataforma gratuita Aquinas 101 com dezenas de vídeos curtos e cursos estruturados sobre o pensamento de Santo Tomás de Aquino. Aborda temas fundamentais como existência de Deus, fé e razão, felicidade, natureza humana, problema do mal, ciência e fé, Jesus Cristo e muito mais. Formato acessível (vídeos + leituras + podcasts) feito por frades dominicanos e professores, para introduzir o tomismo no mundo contemporâneo.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Recomendações Cadavéricas #5 — The Babylon Bee

 


Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.


The Babylon Bee é um dos canais que adoro assistir de vez em quando. Gosto da forma como ele escapa das tradicionais forma de humor liberal da mídia americana, visto que ele faz parte da direita religiosa e tem uma orientação cristã. Creio que ele pode acrescentar um gosto a mais no seu dia a dia.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Retrowave #6

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.



Acabo de ler "The Rise of Populism" de Stephen Bannon e David Frum (lido em inglês)

 



Nome:

The Rise of Populism


Debatedores:

Stephen K. Bannon

David Frum


Intermediador:

Rudyard Griffiths


Eu li o livro, mas quem quiser acessar o canal canadense de debates, aqui está o link:

https://youtube.com/@themunkdebates?si=vPT_Rvph0D0eb8tX

Agora se estiver interessado em ouvir o debate, aqui está o link:

https://youtu.be/3nXt2YXrOL4?si=s4N355iN3YCmZ_V5

Se tiver interesse no site:

https://munkdebates.com/


Li esse livro enquanto ficava jogando vinho seco no sorvete e tomando repetidos banhos gelados por causa do calor. Quando fui para praia, acreditei que daria uma folga a minha cabecinha depressiva, mas, na verdade, mergulhei-me em uma série de reflexões e em uma série de leituras. Acho que um grande problema que tenho é esse... eu nunca paro.


Esse livro é bem impressionante, o debate em si é bem impressionante. Usualmente a mídia pinta uma imagem inculta do Bannon, quando vi esse debate, percebi que ele tinha uma intelectualidade mais vibrante do que eu imaginava. David Frum é um "novo conhecido" do blogspot, visto que analisei um livro dele recentemente.


Caso tenham interesse em uma análise anterior que fale de Bannon, leiam essa aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/06/acabo-de-ler-devils-bargain-de-joshua.html


Caso tenham interesse em uma análise anterior que fale de Frum, leiam essa aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/acabo-de-ler-trumpocracy-de-david-frum.html?m=1


Creio que essas duas figuras são extremamente interessantes. Um faz parte do MAGA (Bannon). Outro faz parte do Never Trump (Frum). Podemos dizer que os dois são conservadores, mas vão em linhas bem opostas. Se Bannon crê no futuro do populismo como uma tática boa, Frum crê que o anti-populismo é o melhor caminho.


David Frum ataca o trumpismo e o MAGA várias vezes, colocando múltiplas vezes como um movimento autocrático, cleptocrático e corrupto. Bannon, múltiplas vezes, diz que é claramente um antifascista, que o movimento MAGA não se importa com cor, sexualidade, gênero, mas com cidadania, além de evitar qualquer coligação com o nacionalismo branco.


Os dois tiveram um desempenho intelectual extremamente ímpar nesse debate. Múltiplas vezes vi Frum ser elogioso para com a administração Obama, além de citar uma série de dados sobre os governos de Bush, Obama e Trump comparativamente. Bannon tomou vantagem nas partes em que dizia que o movimento republicano antigo não ganhava voto e nem tração. Frum rebateu citando dados demográficos, coligando a imagem pública antimigração com a perda de votos futuros graças as políticas de Trump.


Menção especial: Jair Messias Bolsonaro foi mencionado por Bannon e Frum. Além disso, outros presidentes de ligação ao conservadorismo populista foram mencionados.


Creio que muitas pessoas, em todo o Brasil, não sabem as diferenças entre as linhas conservadoras nos Estados Unidos e, por tal razão, acreditam que é tudo a mesma coisa. Quando lemos livros como esses, vemos que nada é tão simples quanto parece. A diferença entre os conservadores são gigantescas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Acabo de ler "Trumpocracy" de David Frum (lido em inglês)

 



- Livro:

Trumpocracy: the corruption of the American Republic


- Autor:

David Frum


— Considerações sobre a escrita:


Creio que venho me tornado um autor mais lento. Não sei se é o peso da idade. Antigamente era mais apressado. Atualmente gosto de ler e reler, escrever e reescrever. Gosto de revisitar certas coisas também.


O motivo de eu ter inaugurado o "Memórias Cadávericas" foi o fato de que tenho tomado um cuidado maior com os meus escritos, mas ainda sim trazer novos conteúdos. O "Memórias Cadavéricas" permite conteúdo rápido, visto que pego textos pequenos e relanço de forma expandida. Já os conteúdos que requerem maior análise, como as análises de livros, sigo o esquema de escrever, ler, reescrever e ler de novo. A série principal de análise de livros e artigos acadêmicos segue intacta.


Tenho escrito uma série de textos, já em inglês, a respeito das guerras meméticas e suas táticas. Gosto de diversificar o que escrevo. A abordagem que sigo no Medium e no Blogspot são diferentes. Sei que são dois públicos distintos.


Anteriormente escrevia tudo em uma tacada só. Atualmente não faço mais isso. Como uso o blogspot como um armazenamento da minha memória intelectual, acabo por crer que a melhor forma de agir é sempre possibilitar que eu tenha um acervo grande de textos para sempre usar quando for necessário.


Faço isso pois não quero jogar o jogo moderno. As pessoas esperam acelerar o nosso raciocínio para torná-lo frágil. Querem que tomemos reflexões cada vez mais curtas e decisões cada vez mais rápidas. Isso gera grande parte da adesão a discursos fáceis e não embasado em dados sérios. A reflexão deve ser lenta, ela deve digerir os dados e absorver os nutrientes da informação para gerar compreensão. Múltiplas vezes, a pesquisa é substituída pela adesão grupalista a ideias prontas.


O populismo do mundo moderno, sobretudo no Ocidente moderno, é fruto de um despreparo educacional da população. Uma população que pouco lê e o que lê é ligado a uma lógica grupal, acaba por estudar pouco os múltiplos pontos necessários antes da tomada de uma decisão. O populismo que ameaça o futuro ocidental é fruto do abandono educacional que foi dada as populações.


Infelizmente, grande parte da educação midiática que deveria ser dada, dificilmente será disposta para a população. Muito pelo contrário, a guerra fria civil muito provavelmente aumentará e todo fragmento informacional será grupalizado e posto como bala dentro de metralhadoras giratórias da guerra informacional.


Estudar mais, escrever vagarosamente e refletir abundantemente é um antídoto e uma vacina ao moderno tempo. O primeiro passo para fugir do populismo é sair da corrida, caminhar devagar e ver que os corredores estão esbarrando em tudo visto que querem tomar decisões em tempo recorde.


— Irrevogavelmente pessoal:


As análises vem trazido um tom mais pessoal. A resposta para tal condição é simples: sempre me vi como um marginal dentro do cenário intelectual. Não gosto de escrever em terceira pessoa, sinto-me mais impactado quando escrevo em primeira pessoa.


Para mim, a vida intelectual se manifesta por uma intimidade. Estudo pois amo estudar. Não é por diploma (ou validade institucional formal), não é por consagração social. É por um simples amor a vida de estudos. Nunca ganhei "grana" alguma por ser um intelectual. Do mesmo modo, nunca tive que fazer alguma aliança que comprometesse a liberdade analítica que hoje disponho.


É por essa razão que o número de visualizações do blogspot sempre foi, na melhor das hipóteses, tíbio ou baixo. O blogspot Cadáver Minimal existe mais por uma birra minha do que por qualquer outra coisa. Você não vê gente anunciando nada aqui por conta disso. Do mesmo modo, não sou benquisto nem pela esquerda e nem pela direita. O que me surpreende é o fato de às vezes eu ter oitocentos leitores em um único dia.


Além disso, escrever em primeiro pessoa me ajuda a perceber "onde estou" dentro do problema todo. Ao me ver no quadro, vejo que não sou só uma vítima ou um narrador onisciente, mas também, e em grande parte, culpado pelo o que ocorre. A escrita adquire um tom confessionalista e expurga os pecados da alma.


— O que vem me levado até aqui?


No presente momento, as pessoas vêm me dito: "Gabriel, você escreve muito a respeito dos Estados Unidos". De fato, tenho escrito muito a respeito dos Estados Unidos. 


Essa estranha obsessão surge por causa da época transição da hegemonia americana para a hegemonia chinesa. Quero compreender o que está levando os Estados Unidos a decaírem e o que está levando a China a crescer. Além disso, há o chamado "Project 2025", um tema de amplo debate global.


Muitos pesquisadores brasileiros vêm trazido as suas reflexões a respeito disso. Poucos são os que leram os conservadores antitrumpistas. Isso é uma coisa que me traz um certo cansaço para com o debate brasileiro: esquerdistas só leem esquerdistas, direitistas só leem direitistas. É tedioso e enfadonho.


Sim, eu quero entender o que está rolando. Quero entender onde os Estados Unidos estão indo. Ler todas essas pessoas faz parte disso. Preciso entender o que está levando a queda da hegemonia americana, isso traz uma grande lição política. Se não estudarmos isso, enquanto brasileiros, corremos risco de seguir políticas que naufragam o país graças a um modelo que está falindo.


— O estranhamento com a política:


Tenho a vantagem de ser solitário. Amizades corroem a vida intelectual na medida em que impedem as pessoas de fazerem certas investigações e tomarem outras posições na medida em que precisam agradar as suas alianças.


Decisões cada vez mais absurdas, menos baseadas em dados e menos baseadas em estudos. Um afastamento cada vez maior da academia do restante da população. Junto a isso, o apelo popular de políticos antiacadêmicos e anti-intelectuais.


A democracia é o poder popular ou o consentimento da população. Todavia há uma questão: pode o poder ou o consentimento popular estar acima da própria necessidade de uma boa gestão baseada em dados e estudos? Se a população é cada vez menos educada, maior é a possibilidade dela votar e consentir ser governada por políticos "fanfarrônicos" que possuem um forte desprezo pelo letramento. Não só isso, movemo-nos a uma grande época de rupturas institucionais constantes.


O ódio aos especialistas, aos acadêmicos e aos intelectuais condecorado lado a lado com a expansão de teorias conspiratórias como armas políticas se tornou uma constante histórica. Muitos buscam posar de "anti-establishment" para conseguirem atenção popular. A imagem do "sou contra tudo o que está aí" leva a ascensão contínua de autocratas no mundo inteiro.


Nossa vida política não está ligada na expansão de obras de longo prazo, mas na caça de pautas identitárias que surgem como cortina de fumaça. Uma das maiores é o reforço crescente a masculinidade e a feminilidade tradicional. Poderíamos ter passado tempo pensando a respeito da alfabetização, saneamento básico e ferrovias, mas estamos pensando no reforço aos padrões de gênero.


Além disso, devo somar que a tribalização da política leva a uma rigidez de pensamento cada vez maior. Nada é questionado, tudo deve ser enquadrado em uma construção doutrinária-identitária onde pautas são vistas em preto e branco. Logo as políticas não são pensadas de acordo com uma análise sistemática de múltiplos modelos, mas sim em qual "time" estamos jogando e qual é o nosso grau de fidelidade para esse time. 


— Era da Informação:


Um dos grandes erros que as pessoas possuem em relação a era da informação é que a "era da informação" é, por si mesma, a era da "boa informação". A era da informação é, nada mais, nada menos, a era da divulgação de qualquer informação com mais facilidade, pouco importando a qualidade dela.


A questão é: o que aparece com mais facilidade? Informações mais facilmente digeríveis, com retórica simples e narrativas fáceis, ou informações de alta complexidade que requerem uma série de estudos prévios? Esse é um dos motivos pelos quais memes usualmente tomam espaço gigantesco na estrutura narrativa moderna.


O trumpismo e o bolsonarismo, diga-se de passagem, gozam de uma ampla estrutura memética e de um amplo uso de táticas de guerra memética. O meme é facilmente reproduzível, diga-se de passagem. Para a maioria das pessoas, é mais fácil ter uma escolha simples. O meme simplifica.


Essa questão de simplicidade e complexidade sempre abarca o debate público moderno. Tudo deve ser fácil para ser democrático ou deveríamos pedir para que as pessoas se esforcem mais? É estranho como os eventos são. A direita, usualmente vinculada a mentalidade mais meritocrática, utiliza mais amplamente a guerra memética para gerar uma aproximação popular e facilitar o entendimento das suas mensagens. A esquerda, mais naturalmente vinculada a mentalidade mais popular, tenta se vincular a um pensamento crítico (naturalmente mais complexo).


1. Mais pensamento crítico = mais complexidade = elitização da mensagem;

2. Mais memética = menos complexidade da mensagem = mais popularização da mensagem.


Estratégias não são tão simples de entender. E a disposição dos grupos usualmente está mais em "ir com o grupo" do que em uma fidelidade a um aspecto ideológico/doutrinário primário. Primeiro vem o movimento do grupo, depois vem a adaptação intelectual que justifica o movimento do grupo. O livro "The Myth of Left and Right" de Verlan Lewis e Hyrum Lewis explica bem isso.


— O que poderia servir para parar movimentos populistas?


Creio que algo que poderia servir como grande freio seria a leitura e reflexão. Imagino que um brasileiro que constantemente lê e estuda múltiplos livros, com múltiplas lógicas e linhas distintas, é mais capaz de perceber quais políticas são mais necessárias para o bem comum do Brasil. Do mesmo modo, o mesmo é válido para o americano.


Ler múltiplas fontes intelectuais distintas permite uma depuração da informação e capacidade de raciocinar através de múltiplos exemplos. Isso permite pensar sobre "o que eu exatamente concordo ou discordo?". É preciso largar a paixão dos automatismos mentais. Visto que isso leva a um enfraquecimento da capacidade de percepção.


A China consta com uma educação pública cada vez mais forte e bem estabelecida. Enquanto isso, a população dos Estados Unidos conta com uma educação cada vez pior. Fora isso, quem se arrisca a estudar ganha uma enorme dívida estudantil, que é um fator desmotivador.


Quando as pessoas aparecem sendo "pró-China" ou "pró-Estados Unidos", pergunto-me: "você é a favor do quê?". A mesma questão me aparece em relação quem é contra a China ou contra os Estados Unidos: "você é contra o quê?". Em qual parte a pessoa é a favor e em qual parte a pessoa é contra. Isso é importante. Outra coisa importante é saber que nossas opiniões individuais não impactam nos regimes de outros países.


Por exemplo:


- Você é contra a engenharia chinesa?

- Você é contra o churrasco texano?

- Você é contra o modelo educacional americano? Em qual parte?

- Você é contra a culinária chinesa?

- Você é contra a arquitetura americana?

- Você é contra os jogos de videogames chineses?


É evidente que existem, em todos os países, coisas que podemos gostar, amar, odiar ou ser completamente indiferentes. Um sujeito pode ter um Windows (sistema operacional americano produzido pela Microsoft) e jogar Genshin Impact (jogo RPG chinês produzido miHoYo).


O que eu quero dizer é que: não se trata de ser contra ou a favor da China ou dos Estados Unidos, mas equilibradamente pontuar o que gostamos ou não gostamos sem automatismos tribalizados. Não somos uma torcida organizada, somos um país diverso e plural que pode e deve ser aberto para o mundo e se beneficiar do que o mundo tem a nos oferecer.


— Oposição a China:


Grande parte do trumpismo se direciona numa oposição a China. A decadência americana é muitas vezes encarada com um pessimismo simplificador. Em vez de um pessimismo que se recolhe e pergunta "onde eu errei?", há sempre um escape que pode ser feito.


Teorias da conspiração usualmente aparecem como formas de dar uma "simplificada" em acontecimentos complexos. Elas aparecem como um círculo perfeito de culpados pelas crises que se anunciam. A percepção da realidade é, muitas vezes, densa e cheia de erros. Nunca captamos a sua inteireza. Além disso, é mais fácil culpar fatores externos do que a nós mesmos.


É interessante observar como os Estados Unidos impacta o Brasil. Vários brasileiros não só se opõem a China de forma irrefletida, como não estudam as políticas públicas que lá foram usadas. Que importa se uma política bem sucedida seja chinesa, vietnamita, americana, russa, inglesa ou francesa? É preciso olhar para todos os quadros, pegar o que é bom e traduzir para a realidade nacional. Hoje em dia, a China é uma excelente referência em planejamento a longo prazo e poderíamos aprender, e muito, com os chineses.  Não só isso, nosso país é parceiro da China, visto que fazemos parte do BRICS.


A China deveria ser mais lida e mais estudada. Hoje em dia ela vem apresentado grandes avanços que dificilmente serão contidos pelas forças narrativistas. Qualquer um pode ver o milagre da engenharia e arquitetura chinesa. Muitas vezes vejo ingleses e americanos comentando acerca da beleza das cidades chinesas. Não só isso, hoje a China não é só mais a "fábrica do mundo", ela também é o laboratório do mundo, com avanços significativos até em áreas antigamente dominadas por americanos. Nunca canso de avisar isso, embora avise com grande frequência, deveríamos estudar mais a forma com que a China brilhantemente faz planos de longo prazo. 


Muitos dos nossos políticos estão brigando com a China para favorecer interesses de outros países em detrimento dos interesses nacionais. Isso é péssimo para o crescimento do país. Podemos ter críticas ao governo Lula, mas é certo que precisamos olhar mais atenciosamente para NIB (Nova Indústria Brasil). Além disso, o projeto da Ferrovia Bioceânica demonstra que a China é uma forte aliada na infraestrutura nacional. A China tem um importante "know how". Ela tem sido, apesar das visões de múltiplas pessoas, uma aliada enorme. É válido sempre recordar: somos membros do BRICS. 


O que eu entendo é: eu não preciso concordar ou discordar de assuntos internos dos Estados Unidos, China, Rússia, Índia, França, Reino Unido ou qualquer outro país. O que eu preciso ver é o que é melhor para meu país. Bolsonaristas usualmente apelam para "os interesses do Ocidente", mas os interesses dos diversos países ocidentais, em suas diversas diversidades, não podem ser resumidos aos interesses dos Estados Unidos. Exemplo disso é a quantidade de vezes em que a União Europeia se contrapôs as decisões americanas. Um exemplo cabal disso foi a criação do euro que se contrapôs ao dólar.


O Brasil é, por exemplo, um dos líderes mundiais na exportação de comida halal (comida permitida pela lei islâmica). O alienamento e a separação do Brasil dos países islâmicos em prol dos interesses americanos — e também os interesses geopolíticos de Israel — não seria benéfico ao nosso país. Do mesmo modo, exportamos muita soja para a China, para quem o nosso agronegócio exportaria se brigamos com a China em prol do interesse americano? As pessoas que adoram o agronegócio nacional, muitas vezes identificadas com a direita, esquecem-se que uma das nossas maiores compradoras é a China. Além disso, sem países islâmicos, para onde venderíamos a comida halal? Precisamos ter em mente quais são os reais objetivos estratégicos do nosso país.


— Plagiar os Estados Unidos (inclusive em seus defeitos):


A guerra fria civil, que sempre vem acompanhada de boas doses de guerra cultural, vem servido para seitizar e emburrecer o debate público brasileiro. Pesquisas enormes já demonstram a capacidade da mídia em gerar percepções paralelas na qual não se predomina o pensamento crítico e o distanciamento necessário, mas sim a narrativa coletiva que se escolherá como filtro perceptivo para cada fato (ou literal mentira) que se acreditará. 


Grande parte do debate público brasileiro é marcado pela absoluta inépcia de se ter um quadro amplo de referências de todos os quadros. Exemplo disso é ausência de estudo em relação a tradição conservadora Red Tory. Num país onde a desigualdade predomina absurdamente, a tradição conservadora Red Tory possibilitaria um anteparo aos mais pobres e quebraria a noção de que a direita não liga pro pobre. A tradição conservadora Red Tory apresenta suas diferenças nas matrizes do Reino Unido e do Canadá, mas dariam um bom oxigênio ao debate da direita brasileira e do debate brasileiro como um todo.


A grande questão que se apresenta diante de nós é a de um conhecimento mais robusto das tradições conservadoras. Os Estados Unidos construíram uma série de institutos e centros de formação mais conservadores, o que favoreceu o desenvolvimento de uma direita mais letrada e capaz de se lidar com os problemas nacionais. Os conservadores estão acostumados a lerem uma série de livros e pesquisas.


Posso elencar algumas:

- The Heritage Foundation;

- Hillsdale College;

- Hoover Institution;

- American Compass;

- Intercollegiate Studies Institute.


Para termos uma noção disso, basta olhar qualquer episódio do "Uncommon Knowledge" e comparar com qualquer discurso da direita nacional. A disparidade de nível intelectual é absurda. Não há, no Brasil, uma preocupação tão alta de gerar conservadores fortemente letrados. Além disso, o movimento conservador brasileiro poderia ser descrito como Blue Tory, neoconservador ou conservatário em poucos casos. Outras referências e tradições intelectuais conservadoras são massivamente ignoradas.


Conservadores, não raro, orgulham-se de ter um número cada vez maior de jovens de direita. Todavia não se perguntam qual a qualidade formativa desses jovens. Políticas reais devem ser embaladas em estudos, em dados, em produção acadêmica séria. Uma geração de "jovens conservadores" pode ser um desastre se não existir uma formação e cultura acadêmica necessária. Para se estar preparado para os problemas nacionais é preciso de gente que estude e tente resolver os problemas nacionais através de políticas públicas orientadas por dados concretos.


Há no debate conservador brasileiro uma ausência de abertura para outras vertentes conservadoras não americanas. Um dos maiores descasos da nossa direita é a falta de pessoas falando sobre a tradição Red Tory em sua versão inglesa e canadense. Esse empobrecimento termina levando a uma perda de qualidade em nossa compreensão das várias vertentes do conservadorismo.


— Por que tantos brasileiros são trumpistas?


Leio e assisto bastante o debate americano. Tendo uma boa leitura de democratas, republicanos, conservadores e liberais, uma grande pergunta que sempre vem é: por qual razão tantos brasileiros são trumpistas?


Qualquer um que tenha lido conservadores como David Frum, Stuart Stevens, Christopher Buckley e Rick Wilson sabe que Trump não é um consenso nem entre os meios conservadores. O brasileiro, em grande parte, não sabe ler em inglês. Duvido que muitos brasileiros se dediquem ao estudo do debate público americano.


Creio que o que leva o brasileiro a ser trumpista é esse:

Trump = é de direita = é bom.

(O mesmo poderia ser aplicado a grande parte dos antitrumpistas [Trump = é de direita = é mau]).


Um grande questionamento deveria surgir: a direita apresenta múltiplas escolas de pensamento. Um Red Tory não quer o mesmo nível de intervenção estatal do que um Blue Tory, na verdade, ele quer mais intervenção estatal. Do mesmo modo, um paleoconservador não é tão semelhante a um neoconservador, eles são muitas vezes rivais. Conservadores reaganianos muitas vezes se oporam aos conservadores trumpistas em múltiplos casos. Não raro, institutos conservadores americanos divergem entre si.


Trump não é uma unanimidade na direita americana. O fato é: as políticas econômicas de Donald Trump, a sua geopolítica e a sua geoeconomia, aceleram a queda da hegemonia americana e levam a corrosão do império americano. Isso poderia ser motivo suficiente para a esquerda, usualmente antiamericana, ser pró-Trump e a direita, usualmente pró-americana, ser anti-Trump. Só lembrarmos que de janeiro a novembro de 2025, a China registrou um superávit de 1 trilhão de dólares graças ao desastre geopolítico e geoeconômico que está sendo o governo Trump.


Grande parte da comoção pró-americana recente se dá pela aliança histórica que os Estados Unidos construíram com atores que se posicionassem contra a União Soviética durante o período da primeira guerra fria. Ser pró-americano e ser de direita foi algo que foi colocado como natural, óbvio e intríseco. O oposto também era verdadeiro, se a direita apoiava os Estados Unidos (e o regime capitalista), a esquerda apoiava a União Soviética (e o regime socialista). Múltiplos setores da direita profissional — isto é, não meros militantes que não possuem vínculos reais — buscam uma aliança com os Estados Unidos, ou a aparência de uma aliança, para projetar na imaginação pública o antigo cenário da primeira guerra fria. Do mesmo modo, especulam que isso pode dar uma potencial ajuda americana quanto aos seus (potenciais) projetos de poder.


Podemos dizer que o "bloco ocidental" e capitalista, por assim dizer, ainda assume grande importância. Se de fato vivemos na segunda guerra fria, a questão é mais sobre uma ordem multipolar contra uma ordem unipolar. O Brasil, ao integrar o BRICS, faz mais parte do lado multipolar. O bloco multipolar, por sua vez, não é um bloco que é "socialista", mas daqueles que querem uma gestão global pautada em uma maior igualdade entre as nações e, até mesmo, uma maior soberania dos países em correlação aos seus interesses internos (como qual sistema político e econômico adotam ou querem adotar).


Muitas vezes, o brasileiro tem em conta que os democratas estão mais próximos da esquerda e os republicanos mais próximos da direita. O que leva a um adesismo quase automático. Se o brasileiro for de direita, torna-se automaticamente a favor dos republicanos. Se o brasileiro for de esquerda, torna-se automaticamente a favor dos democratas. Essa análise política simplória ignora que existem profundas divisões na política americana, seja na esquerda, no centro e na direita. Além disso, some ao fato de que a esquerda e a direita de lá possuem uma formação e uma forma de agir diferentes das nossas.


O que o brasileiro de direita usualmente não conseguiria explicar é o carnaval de conservadores antitrumpistas. Usualmente o conservador brasileiro segue a tendência que está em voga e aplica sem se questionar as múltiplas variações que existem no conservadorismo americano.


— Um olhar cauteloso para a informação:


O Brasil tem pouco cuidado com as informações. Muitas críticas contra países aliados (como os membros do BRICS), países muito semelhantes a nós (como os países latino americanos) e tantos outros, estão sendo rotineiramente atacados com base em exercícios livres de xenofobia recreativa por interesses políticos excusos.


Vivemos em uma época em que a guerra informacional não é algo episódico, mas cotidiano. Na época da quinta geração de guerra, todo campo é campo de guerra. Uma atenção mais prolongada as múltiplas narrativas e as suas origens não é só uma questão de estudo, mas também de segurança nacional.


Múltiplos países vêm lidado com diferentes guerras informacionais. Essa questão não é uma grande novidade para europeus, russos, chineses, americanos ou canadenses. O Brasil parece estar atrás nessa questão. O que deixa a gente mais vulnerável a todo tipo de ataque. Qualquer tipo de regulamentação parece soar como um ultraje a chamada "liberdade de expressão". Todavia essa "liberdade de expressão" não deveria acolher fábricas de troll ou países estrangeiros manipulando a percepção pública.


Nos Estados Unidos, já é sintomático o poder midiático alternativo. No Brasil, tal tendência está apenas a crescer. O número de seitas disfarçadas de veículos midíatico alternativos ainda não pipocou o suficiente, mas é evidente que o poder público e a opinião pública não estão maduros o suficiente para se lidarem com elas.


O ódio direcionado a estrangeiros ou outros países está aumentando. O ódio entre diferentes regiões do país também. Nos Estados Unidos, as diferenças culturais e as mudanças demográficas são consideradas assustadoras por alguns (e isso foi um fator decisivo para a vitória de Donald Trump).


Quando as pessoas entenderem que a guerra fria civil não é uma única, mas múltiplas, podemos compreender melhor o que nos divide. No Brasil, a guerra fria civil adquire várias expressões. Posso citar algumas:


1. Ideológica: briga entre diferentes grupos de esquerda e direita;

2. Religiosa: briga entre diferentes religiões;

3. Regional: briga entre diferentes partes do Brasil;

4. Geopolítica: briga entre quais são os reais aliados do Brasil;

5. Gênero: a disparidade entre as visões de homens e mulheres;

7. Cultural: o que é percebido como uma cultura de esquerda e de direita;

8. Midiática: alinhamento dos diferentes setores da mídia.


O apaziguamento nacional parece estar distante. Muito pelo contrário, estamos radicalizando a nossa guerra fria civil lado a lado com os americanos.


— Um olhar para o futuro:


Não quis voltar aos mesmos pontos das análises anteriores, visto que seria fazer mais do mesmo. Vocês muito provavelmente leram as duas análises que fiz do Rick Wilson e do Stuart Stevens. Muito provavelmente leram as análises que fiz do Kevin Roberts e Charlie Kirk. Vocês muito provavelmente leram as análises que fiz do Christopher Buckley. Também escrevi análises a  respeito de obras de Mencius Moldbug e Nick Land. Quis voltar meus olhos ao Brasil enquanto lia esse livro para dar um senso de complementaridade e sair da rotina.


Estamos apenas no primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, segundo o Project 2025 Observer, o Project 2025 já foi 50% implementado. Nada, por enquanto, indica que a situação será melhor em 2026. Mesmo com o trumpismo aparentemente tendo rompido com o bolsonarismo. O fato da agenda do Project 2025 ter continuado em voga enquanto quase ninguém a olha é a prova disso.


Os Estados Unidos, em sua posição de perda hegemônica, apresenta muitas lições tristes para todos nós. Devemos olhar mais cautelosamente o que ocorre por lá e impedir o mesmo movimento aqui. Sei que isso pode soar chato e que os ânimos estão fervendo, mas chegou a hora de parar isso e chegarmos a uma reconciliação nacional em prol de um Brasil mais maduro e preparado para a arena do século XXI.


Estamos em ondas de ataques revisionistas, revisões evidentes na institucionalidade, ódio em múltiplos grupos, guerras frias civis em multissetoriais. Passando pano para grupos de esquerda e de direita que vivem a base de odiar um ao outro em vez de compreender um ao outro.

Retrowave #1

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Acabo de ler "Running Against the Devil" de Rick Wilson (lido em Inglês)

 



Livro:

Running Against the Devil: a plot to save America from Trump — and Democrats from themselves


Autor:

Rick Wilson


Faz bastante tempo que digo que leio Rick Wilson. E, de fato, ele é uma pessoa extremamente interessante de se ler. Ele é um ex-estrategista republicano e um conservador, isso chama bastante atenção. Há, também, outro denso fato: Rick Wilson é engraçadíssimo. Ele consegue amontoar referências, construções intelectuais extremamente elaboradas e piadas que aparecem magicamente para tornar a leitura saborosa. Isso é um talento intelectual raro.


Um dos maiores encantamentos desse livro é: "como um dos maiores estrategistas republicanos de todos os tempos ajudou na derrota de Trump em 2020?". Esse livro nos dá várias pistas sobre o assunto. Ele foi uma espécie de guia interno do castelo draculariano (fãs do Castlevania vão sacar essa) do inimigo. 


Falar de um conservador antitrumpista (ou antibolsonarista) é como falar de um Atari Jaguar: pouca gente conhece e quem conhece não jogou e nem jogaria. É algo que afasta os direitistas que vivem na miséria dos bandos, mas também é algo que afasta os esquerdistas que, por sua vez, entrelaçam-se no gozo cósmico do próprio universo.


Quem é Rick Wilson? Ele é o estrategista no exílio. Ele vive numa irônica tragédia: a de um arquiteto do moderno Partido Republicano usando o próprio conhecimento íntimo para desmontar a própria criação. Isso é uma missão que é vista como uma traição necessária. O que gera uma dúvida: para Rick Wilson, o Partido Republicano traiu os ideais sólidos do conservadorismo. Para múltiplos republicanos e conservadores, foi o Rick Wilson que traiu. As questões que podemos ter são:

1. Quem é o herege?

2. Quem é o ortodoxo?

3. Quem é o iconoclasta?

4. Isso realmente importa?


Enquanto escrevo percebo o quão engraçadas as coisas são. Terminei de ler "Running Against the Devil" recentemente. E agora já estou lendo "Trumpocracy" do conservador antitrumpista David Frum. Isso talvez possa soar monótono, não é? Leio vários conservadores antitrumpistas, um atrás do outro. Faço isso pois aprender sobre a política americana é sempre delicioso. Além disso, me encanta a forma que os conservadores americanos escrevem. Eles são mais parecidos comigo. Ao menos é isso que sinto enquanto leio.


Muitas pessoas, sobretudo bolsonaristas, compreendem muito pouco sobre Trump. Petistas sabem um pouco mais, mas quando chegamos em tópicos mais obscuros como "Project 2025", "Network Propaganda" e "Cold Civil War" (guerra fria civil)... eles se perdem todinhos. De qualquer forma, sou eu e a minha solidão. Pessoas não me acompanham em nenhum raciocínio. Isso não tem a ver com inteligência, tem a ver com universo compartilhado. Estou condenado a ler o que ninguém lê, estudar o que ninguém estuda, e, por fim, escrever o que ninguém lerá. Um ciclo tragicamente repetitivo em minha vida.


Pensei em dois livros enquanto lia esse livro: "American Psychosis" (de David J. Morris) e "Network Propaganda" (que vou ter o prazer de ler posteriormente), esses dois livros demonstram  como ecossistemas midiáticos fechados criam realidades alternativas. Isso não é no sentido puramente mágico de criar um novo universo, mas no sentido de criar uma percepção alternativa da realidade. Como conservador, valorizo a realidade concreta e a prudência. É por isso que me oponho a esse movimento. Esse movimento que aparece, dia após dia e crescentemente, abraçando teorias conspiratórias me parece antitético com o conservadorismo. Ao mesmo tempo que cheira mofo e enxofre.


Aqui está uma das marcas maiores que essa leitura me passou. Quando li Rick Wilson, senti solidão. Rick Wilson está afastado do partido que ajudou a construir. Pior do que isso, está a colaborar com os seus antigos rivais em prol de um objetivo maior. Penso nível de tensão psicológica que ele tinha quando escreveu isso e penso no tipo de tensão psicológica que eu sinto diante da minha solidão e isolamento constante.


Quando você está sempre com uma nova pesquisa em mente, a solidão sempre te acompanha. Eu tento sair desse vazio que me acompanha. Eu tento. Tento de novo. Todavia sou sempre engolido pelo meu desejo artístico de inovação. Quanto mais tento chegar em caminhos que ninguém chegou antes, mais eu vejo que estou irremediavelmente só. Quanto mais eu lia esse livro, mais o abismo me olhava com um gosto de Nietzsche. Rick Wilson deve ter sentido isso, vendo-se incompreendido pelos mesmos republicanos que eram seus amigos. Christopher Buckley deve ter sentido o mesmo, mas só que bem antes. Se bem que ele esteve envolvido em "polêmicas" por causa do livro "Make Russia Great Again".


Tenho tomado um outro ponto de distância daa outras pessoas. Explico: muita gente costuma a olhar para essa mudança política como se a prática política mesma estivesse ficando mais agressiva, mas há algo de substancialmente errado nessa análise ou visão. O que estamos vendo na política não é, pura e simplesmente, um aumento da agressividade na chamada prática política. Há um outro fator: esse é o da seitização crescente da política. Tal como no livro "American Psychosis", o que eu vejo não é apenas um simples aumento de agressividade, mas sim uma psicotização massiva da política e um número cada vez maior de teorias da conspiração circulando pela internet. Rick Wilson já escreveu sobre isso no "Everything Trump Touches Dies", um outro clássico do conservadorismo antitrumpista.


Outra condição vem aparecido dentro de mim. Essa é a condição de uma pergunta. E a pergunta que ressoou em minha mente podia ser descrita como uma união de duas perguntas:

— Quem eu sou e por qual razão ninguém está do meu lado?


Aqui volto a analisar o conservador antitrumpista. Sociologicamente, o conservador antitrumpista é um sujeito isolado. Psicologicamente, o conservador antitrumpista é um sujeito que vive numa vida dupla: salvar o legado do seu movimento ao mesmo tempo que é acusado de traidor. Penso que o conservador antibolsonarista tem uma luta similar. É como dizer: "ei, grande parte do movimento é um punhado de conspiracionistas, racistas, machistas, misóginos, simpatizantes do fascismo e do nazismo... mas eu não sou como os outros rapazes!". Ou, quem sabe, uma formulação assim: "vocês que não entenderam a essência mesma do movimento conservador, pouco importando que eu seja a menor minoria dentro desse estranho movimento que foi apossado por conspiracionistas e criptofascistas!".


Lembro-me dos meus anos iniciais lendo Luiz Felipe Pondé e Nelson Rodrigues, tal como se eu devorasse pedaços mágicos de carne literária. Eu finalmente podia ver um rigor de um pessimismo, ceticismo, pragmatismo e prudência. Todos articulados de forma dançante. Aquela sensação fantástica rimava como uma risada na estrutura psicológica de toda a minha alma. Naquele instante, eu não me sentia só. Tudo parecia se encaixar. Quando leio esses grandes conservadores, posso ainda sentir o mesmo. Quando eu vejo os conservadores populistas, sinto um misto de nojo e repulsa. Menos, é claro, do ilustre Kevin Roberts (presidente da Heritage Foundation). Posso compreender parte das suas conclusões, mas não consigo concordar com todas elas.


Lembro-me que fui adolescente bastante festivo, mas extremamente solitário. Estive em vários eventos, porém a constante era a sensação de que nada e nem ninguém podia compreender a forma insólita que eu via o mundo. Encontrei em Machado de Assis, Nelson Rodrigues e Luiz Felipe Pondé uma espécie de escritura pessimista, mas que via visceralmente bem a alma humana, de um modo que, ao menos inicialmente, nem podia conjecturar. Eu podia ler Karl Marx, Bakunin, Proudhon, Kroptokin, Montesquieu, mas não encontrava neles tudo o que rimava com minha rima. O estado de empolgação, ou ressonância de alma, não era o mesmo.


O problema que eu tenho com o bolsonarismo e o trumpismo é que eles transformam o conservadorismo em uma terra de slogans e de identidade tribal. Eu, como conservador, sou profundamente pessimista quanto a natureza humana — inclusive contra a minha própria natureza. Não sou do tipo que odeia tudo menos a si mesmo. Eu sou do tipo que odeia tudo inclusive a mim mesmo. Do mesmo modo, sou cético quanto a utopias. Porém ainda sou capaz de rir de toda a tragédia que estou acometido. O bolsonarismo e o trumpismo substituíram a ironia pela raiva, o ceticismo pela certeza dogmática e o nuance pelo maniqueísmo. Isso profunda e extremamente anticonservador. É como se todas as virtudes cardiais do conservadorismo fossem, da noite para o dia, invertidas em prol de mundo invertido que se constrói tal como o castelo reverso do Castlevania Symphony of the Night.


Como esse texto aborda identidade, volto-me para minhas memórias. Nos anos da minha adolescência, tudo borbulhava. O conservadorismo ia lado a lado com minha vida festiva. Tentava me encaixar em grupos progressistas devido a minha bissexualidade... Não me encaixava de modo algum. Pergunto-me hoje se Bruno Tolentino, esse bissexual libertino e conservador, não sentia o mesmo deslocamento. De qualquer modo, não havia ali, naquele momento de minha adolescência, um movimento de massas que poderia ser dito "conservador". O problema inicial é que: naquele momento, era um senso comum entre os conservadores que o movimento de massas era naturalmente emburrecedor e desindividualizador. Quando esse movimento de massas, dito conservador, surgiu com a face do trumpismo e do bolsonarismo, comecei a achar estranho. Pensei que todos os outros sentiriam o mesmo. A maior parte não sentiu absolutamente nada. Anos depois, já na vida adulta, comecei a ler Christopher Buckley, Christopher Lasch, Rick Wilson, Stuart Stevens e, nesse momento, David Frum. Agora vejo que eles veem o que eu vejo, agora sei que eu não fui o único que vi essa monstrificação que aparece no Carnaval do Populismo.


Essa é uma das principais lições do livro do Rick Wilson: o conservadorismo antitrumpista e antibolsonarista não é antitrumpista e antibolsonarista no sentido de ser um anticonservadorismo, mas no sentido exato de ser conservadorismo. É precisamente por ser antitrumpista e antibolsonarista que é verdadeiramente conservador.


Voltando aos fragmentos do passado. Da adolescência à vida adulta, continuei um bissexual festivo. Sempre escrevi um amontoado de coisa. Todavia a solidão continuou a minha marca permanente. Nunca consigo dizer o que realmente penso. As pessoas simplesmente não entendem ou não me acompanham. Para ser mais preciso, quanto mais leio e quanto mais escrevo, mais solitário eu me sinto. Ler e estudar é aumento de complexidade e aumento de complexidade carrega consigo o deslocamento social. É por isso que eu não creio muito nessa história de "intelectual popular". Quanto mais ideias você estuda, quanto mais ideias você internaliza, menos você é compreendido pelas outras pessoas. Rick Wilson não é compreendido pelos trumpistas pelo fato de ser fácil e acessível, mas sim pelo fato de ser mais complexo. Ele não se enquadra na odisséia do fanatismo e reducionismo.


É por causa de minha vivência que carrego comigo a certeza íntima de que há algo além nesses conservadores antitrumpistas. Não acho que o Stuart Stevens, Christopher Buckley, Rick Wilson ou David Frum não sejam mais conservadores. Acho que eles são conservadores extremamente complexos. Eles escrevem, poucos os entendem e, no fim, resta-lhes tão apenas o deslocamento.


Hoje em dia, eu posso dizer que sinto um imenso descolamento cognitivo do debate público brasileiro. Gosto de ver, por algum acaso, o Pedro Daher (um socialista) e o Rasta News (um humorista da Brasil Paralelo). Já na mídia americana, vejo Second Tought, um marxista finíssimo. Man Carrying Things é bom, cético e irônico. Content Machine também é engraçado. Sei que isso soa contraditório: vejo e leio de tudo. Foi assim que aprendi a pensar. Acontece que eu gosto de absorver múltiplos pontos antes de ter um posicionamento oficial. Leio jornais bem raramente, visto que sou mais atado aos bons e velhos livros.


Creio que todos têm sentido isso: é uma questão de crise de identidade e de lealdade. O "movimento" foi tomado por uma onda irracional, emocional e conspiratória. Ainda sou fiel à liberdade individual, ainda sou cético em relação a mudanças radicais, ainda creio no pragmatismo. Não acredito e não aceito culto a um líder, negacionismo factual e mitologia política. Por tal razão, estou duplamente alienado: os meus supostos pares me odeiam e do mesmo modo não estou próximo do campo oposto.


Sempre vi no conservadorismo uma defesa da racionalidade contra o irracionalismo coletivo. A solidão não é um acidente biográfico, é uma consequência lógica da complexidade.


Achar maneiras de combater a moderna manipulação digital é uma das preocupações mais urgentes da modernidade. Estamos indo a pontos de manipulações cada vez mais complexas e dificilmente captadas pelos métodos defensicos atuais. E é exatamente nisso que eu tenho trabalhado.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #30 — Sobre Christopher Buckley e Rick Wilson

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: creio que quando escrevi essa breve nota, estava lendo "Thank You for Smoking" do Christopher Buckley. Realizei algumas alterações, como deixar o texto maior.


A forma satírica e a escrita do conservador Christopher Buckley é extremamente brutal. Ele apresenta tudo que um conservador deveria ser: inteligente, engraçado, cauteloso em suas posições, além de apresentar uma mistura de cultura popular e erudita.


Uma pena que o conservadorismo letrado se afasta cada vez mais do conservadorismo das massas — veja, por exemplo, o bolsonarismo e o trumpismo. Qualquer conservador como Rick Wilson e Christopher Buckley seria chamado de esquerdista no Brasil pela legião de pseudoconservadores desmiolados.


A geração trumpista e bolsonarista afastarão milhares ou milhões de acadêmicos e futuros acadêmicos que poderiam ter sido conservadores, mas que viram no conservadorismo um carnaval sem fim de teorias da conspiração, negacionismos de todas as espécies, sensacionalismos, produção de pânico moral, ódio às pessoas LGBTs e revisionismo histórico.


Negros terão que olhar para a revisionismo histórico sobre a escravidão, ver-se-ão afastados do conservadorismo. LGBTs, sobretudo pessoas transgêneras, verão o espetáculo LGBTfóbico do Project 2025. Olharão para milhões de mortes na época da Covid, e verão o uso obsceno de teorias da conspiração como tática política. Nada disso é, à longo-prazo, positivo.


Caberá aos conservadores intelectualizados construírem um movimento separado e discreto, longe do bolsonarismo e trumpismo. E, acima de tudo, CONTRA o bolsonarismo e o trumpismo. O que atrará meia dúzia de pessoas verdadeiramente interessadas nas escolas de pensamento conservadoras.