Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.
Nome:
Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism
Autor:
George Grant
Todas as classes dominantes são produzidas pelas sociedades que elas devem governar. Isto é, a forma que elas governam se correlaciona com a estrutura de poder que as forma. Se a estrutura de poder é voltada à dominação, ela atua para dominar. Se a estrutura de poder é voltada para subserviência, ela atua para ser subserviente.
Nos anos 1960, o Império Americano criou um Estado capitalista altamente tecnológico. Criaram-se ali um governo privado de corporações e um governo público para o Estado; esses dois setores coordenavam as atividades dessas corporações (o governo do Estado e o governo das grandes empresas). No Canadá, as classes dominantes criaram basicamente uma "planta" ou um "setor" do Império Americano através do continentalismo. Essa política é muito associada ao C. D. Howe (ex-ministro da Inovação, Ciência e Indústria do Canadá). Ela pode ser resumida a desenvolver todos os recursos para o capitalismo continental.
Há um drama entre a queda da hegemonia do Reino Unido e a ascensão da hegemonia dos Estados Unidos. O Partido Conservador, no Canadá, sempre se alicerçou pelo contato e pela admiração ao Reino Unido. Já o Partido Liberal, sobretudo nos anos de 1940, procurou aproximação com os Estados Unidos. Criando aquilo que chamam de "capitalismo continental", isto é, uma integração econômica com os Estados Unidos.
John Diefenbaker tinha um senso de continuidade histórica. Sua vitória está conectada com a sua ligação com os pequenos comércios que foram abandonados pelo Partido Liberal.
George Grant, ao analisar a situação, chega à conclusão de que somente o nacionalismo pode providenciar o incentivo político para o planejamento e somente o planejamento pode vencer o continentalismo. Só que havia um problema: as corporações canadenses eram basicamente antinacionalistas. John Diefenbaker não soube analisar corretamente a estrutura das classes com que ele deveria se lidar. Diefenbaker muitas vezes não equilibrava o populismo, a livre iniciativa e o nacionalismo. Além disso, cometeu um erro ao não colocar um estrito controle governamental no investimento. Fora isso, o serviço público, composto por oficiais não eleitos, compunha uma espécie de força antinacional. Outra questão não profundamente analisada foi o network de redes de televisão privada. Elas pouco se importavam com a cultura canadense, apenas importavam conteúdo dos Estados Unidos.
Uma das maiores questões apresentadas é a questão da divisão entre o anglo-canadense e o franco-canadense. Existe um Canadá que é de origem francesa e católica, existe outro Canadá que é de origem britânica e protestante. O nacionalismo americano é fundado em direitos individuais que se acomodam numa cultura comum. O nacionalismo canadense deve ter outra base, isto é, além dos direitos individuais, é necessário que existam direitos dos povos, das nações, dos grupos. Os direitos dos canadenses franceses devem ter correlação com sua linguagem, cultura e identidade. Diefenbaker errou ao trazer uma ideia liberal de direitos. Isto é, baseou-se inteiramente nos direitos individuais universais. Um verdadeiro conservador deveria pensar na preservação das tradições e das comunidades históricas.
Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.
Nota: isso é uma comparação entre o "bem" na visão aristotélica e na visão lockeana.
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
Phillip Blond anteriormente citou a tradição Tory Anglicana. Nesse ponto do livro, ele traz uma ligação com o pensamento distributista de Hilaire Belloc e G. K. Chesterton. Adicionando uma camada a mais: o pensamento de Samuel Brittan e Noel Skelton.
Chesterton e Belloc tinham chegada a conclusões semelhante, e até mesmo complementares, à tradição Anglican Tory. Eles viam que o capitalismo levava a concentração de terra, propriedade e capital nas mãos dos capitalistas. Ao mesmo tempo, o socialismo privava a todos de terem propriedades em nome da propriedade geral e o monopólio comunal. Em outras palavras, capitalismo e socialismo levariam a concentração das propriedades. A solução que eles colocaram seria uma distribuição de propriedade e recursos para todos (distributismo).
A adição que Phillip Blond fará será a junção disso com:
1. Noel Skelton: a ideia conservadora de uma democracia de propriedade;
2. Samuel Brittain: uma renda básica em conjunção a distribuição de recursos.
Se juntarmos tudo isso temos:
1. Distribuição de propriedades para todos;
2. Distribuição de recursos para todos;
3. Uma renda básica ao lado e em conjunção da distribuição de recursos;
4. Uma ideia de uma sociedade democrática onde todos têm propriedade, recursos e renda básica.
Socialismo? Não, conservadorismo vermelho.
A ideia central de um Red Tory é a ideia de um conservadorismo que cumpra os seguintes requisitos:
1. Preserve e extenda a estabilidade humana;
2. Crie condições para o florescimento humano.
Isso é uma real economia política para o pobre.
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
Estou analisando esse livro devagar. Leio de trecho a trecho, anoto tudo em inglês e depois traduzo as minhas anotações. Tento lançar as notas no mesmo dia, assim não me perco. Costumava lançar as notas depois, mas isso me deixava perdido e usualmente outras notas entravam no espaço das outras.
Nessa parte do livro (ainda estou na introdução), o autor (Phillip Blond) faz as suas críticas a Thatcher e a Blair. As críticas a Margaret Thatcher e a Tony Blair são diferentes, não vou me centrar muito nelas. Convém lembrar ao leitor ou a leitora que Margaret Thatcher faz parte do movimento neoconservador e o Tony Blair faz parte do movimento novo trabalhismo. Ambos foram primeiro-ministros. Talvez também seja bom recordar que embora Phillip Blond seja conservador, ele é um Red Tory (conservador vermelho), logo ele é opositor do neoconservadorismo — como no Brasil o termo "Red Tory" é praticamente desconhecido, decidi colocar esse comentário adicional.
As críticas mais notáveis que achei contra a Thatcher foram:
1. Seu governo levou a um capitalismo capturado pela concentração de capital;
2. Um mercado monopolizado por interesses próprios dos monopolistas e o domínio das pessoas que já são ricas;
3. A população progressivamente descapitalizada (creio que poderíamos colocar como desenriquecida);
4. A ideia nada conservadora de que o mercado é o último árbitro dos valores e a medida de todas as coisas.
As críticas mais notáveis que achei contra Blair foram:
1. Juntou o pior da esquerda com o pior da direita;
2. Colocou um centralização de padrões em todos os serviços públicos em vez de deixar uma adaptação local;
3. Graças a onda de Estado de exceção (lembre-se do 11 de setembro em Nova Iorque e o 7 de julho em Londres), promoveu uma cultura de suspeita, o habeas corpus foi relativizado em prol da "suspeita de intenção terrorista", encarceramentos se tornaram maiores, o número de tortura aumentou e a polícia extra-judicial entrou em ação;
4. Fora isso, cidadãos do Reino Unido poderiam ser alvos de outros países, com regimes legais duvidosos.
O autor faz algumas colocações interessantes sobre o socialismo, o republicanismo, a crítica ética ao capitalismo irrestrito e a esquerda:
- Socialismo:
Há o elogio a busca pela igualdade, pela bondade e pela justiça. Pela recusa do racismo, por ter conquistado o direito de votos a mulheres e pelo direito de voto aos que não têm propriedade. Além disso, a busca pela justiça social é importante.
- Republicanismo:
O reconhecimento que boas pessoas podem estar em todas as classes e culturas, sem isso ter a ver com o sangue.
- Crítica ética ao capitalismo irrestrito:
Valores não criados pelo estímulo do desejo (não confundir desejo com vontade) e pela avaricia humana.
- Esquerda:
1. Uma boa vida é baseada em necessidades reais e autênticos desejos humanos;
2. Uma responsabilidade social e comunal pela Terra e todos que vivem nela é algo necessário.
O problema que Phillip Blond encontrará na esquerda — e o motivo dele não ser de esquerda — são vários. Creio que esses podem ser mais vinculados à nova esquerda. Citarei alguns aqui:
1. Escolhas ilimitadas e irrestrita liberdade pessoal;
2. O relativismo cultural;
3. Auto-validação do desejo e do prazer;
4. Pornografia, infidelidade e uso de drogas não sendo mais encarados como problemas sociais intrínsecos, mas como atos que dentro de condições estéticas certas adquirem formas válidas de autoexpressão.
Phillip Blond contará que o que fez ele tornar Red Tory foi conhecer uma tradição chamada "Anglican Tory". Uma tradição que buscava prosperidade e educação para os pobres, além do entusiasmo religioso contra a extravagância dos aristocratas whigs.
Ele também cita alguns importantes pensadores para a sua formação:
- William Cobbett;
- Thomas Carlyle;
- John Ruskin.
Esses intelectuais fizeram críticas ao republicanismo autoritário e estatista, ao capitalismo interesseiro e a criação em massa de despojados de terra que foram forçados a trabalhar a níveis absurdos em fábricas para o benefícios de outros. Ao mesmo tempo, esses intelectuais fizeram a ligação entre a pauperização do trabalho e o despojamento de suas terras.
Esses intelectuais conectaram a pauperização das condições de trabalho com o despojamento de terras que foi feito anteriormente. Para corrigir isso, eles defenderam os direitos de propriedade dos sem terra como mecanismo de correção. Não só isso, a distribuição de terra/propriedade deveria ser acompanhada com a distribuição de capital para todos aqueles que estavam em condições de indigência em seus trabalhos.
Creio que essa análise pode dar uma noção de um conservadorismo autêntico e realmente preocupado com as necessidades sociais. Muito diferente do que atualmente temos no Brasil.
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
A sociedade civil vem sido esmagada pelo Estado e pelo Mercado.
Vários locais de exercimento de poder para pessoas simples foram deturpados e subvertidos. Tais como:
1. Governos locais;
2. Igrejas;
3. Organizações de comércio;
4. Sociedades cooperativas;
5. Instituições educacionais públicas;
6. Organizações cívicas;
7. Grupos localmente organizados.
Tudo que seja um poder autônomo independente é destruído. Todo corpo intermediário é completamente sabotado. O Estado e o Mercado excluem cidadãos da participação econômica e democrática. Criando um esquema que poderia ser resumido em dois processos:
1. Exclusão da participação política e econômica para a maioria;
2. Enriquecimento massivo e monopolizado para poucos.
Essa fórmula é chamada de "Estado Mercado", onde há uma simbiose entre grandes organizações do mercado (oligopolistas e monopolistas [alta burguesia]) junto com a alta burocracia e políticos do Estado.
É importante observar aqui que se trata do "grande mercado". O "grande mercado" junto ao Estado trabalham para destruir os pequenos comércios ("pequeno mercado" e "mercado médio") e também os interesses dos grupos sociais mais desfavorecidos (dentro os quais os trabalhadores do campo e da cidade). Nessa empreitada, a saudável pluralidade do poder político é deixada de lado em prol da centralização do poder político e econômico nas mãos de poucos.
Na corrida centralizatória, pequenas unidades da participação política democrática são progressivamente abolidas pela centralização do Estado. Do mesmo modo, a alta burguesia vai centralizando e abolindo pequenas unidades de participação econômica.
Se, por um lado, o mercado vai sendo centralizado, destruindo qualquer possibilidade de concorrência e participação plural de múltiplas empresas de tamanho menor. Por outro lado, temos o apagamento da cultura cívica para adentrarmos cada vez mais em uma sociedade pós-democrática de consumismo passivo e aquiescência política.
Tudo isso é tratado como normal, visto que "o mercado premia os mais capacitados" e "só as elites possuem cultura o suficiente para melhorar o país". É evidente que tais frases ignoram que o presente estado político foi uma construção política e econômica deliberada que favoreceu a concentração de poder político e econômico, nada tendo a ver com "meritocracia" ou "ser o melhor na concorrência", visto que a centralização política e a centralização de mercado foram construídos e impostos por oligarquias que se julgam ilustradas.
O próprio Estado de bem-estar social moderno não prioriza a organização descentralizada e dos trabalhadores em suas pautas. Muito pelo contrário, os trabalhadores se tornaram recipientes passivos dos benefícios centralmente planejados.
A Nota de Pesquisa (NDE) são apenas pessoas, conceitos e posições para eu pesquisar depois, porém que creio que sejam úteis também para suscitar o interesse das pessoas que leem o blogspot como auxílio de pesquisa.
Red Tories (Conservadorismo Vermelho):
- Phillip Blond;
- George Grant;
- Charles Taylor;
- Eugene Forsey;
- C. S. Lewis.