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domingo, 4 de janeiro de 2026

Cinicália #1 — Alinhamento Político por NECESSIDADE de MERCADO!

 



— Intelectuais se alinham pelo "puro gozo" da busca pela verdade e desejo sincero do coração!


Mas pense bem...


Por qual razão a maioria dos intelectuais tomam ações questionáveis? Muitas vezes o alinhamento vem por MERCADO. Isto é, a oportunidade e a possibilidade de crescimento no mercado intelectual.


— Exemplos notáveis:

1. Direita consegue pegar votos da classe média, esquerda vai nas favelas e consegue criar votos (e toda uma mentalidade) com a população periférica;

2. Direita vê que a esquerda está tomando pautas que desagradam religiosos, direita vai nos setores religiosos, sobretudo cristãos, e converte os setores cristãos para a sua causa política;

3. Esquerda tenta criar um cristianismo de esquerda e leva as religiões de matriz africana junto.


Existem várias pessoas que, navegando pelo mercado intelectual, percebem que não conseguirão ascender nesse mercado sem uma boa base de apoio. Tudo que um intelectual quer é que as suas ideias se tornem comercialmente viáveis (ele quer crescer e se desenvolver, além de impactar pessoas). Por muito tempo, ser intelectual tinha muita correlação com ser de esquerda. De fato, se você olhar bem, a maioria da galera "intelectual" é de esquerda pois NÃO conseguiria viver sem se aliar à esquerda por condições de mercado.


Pense bem:

1. Quero ser literato;

2. Descubro que todos os ambientes de produção literária da minha região são de esquerda/direita;

3. Alinho-me por necessidade de mercado.

(Bônus: políticos financiam obras intelectuais dos seus intelectuais de estimação).


Quando grande parte das instituições intelectuais e culturais viraram à esquerda, isso fez com que muitos intelectuais e artistas se tornassem de esquerda. Esse fato levará a uma super oferta de intelectuais de esquerda. Só que isso levará os intelectuais a perceberem uma coisa: se há uma super oferta de intelectuais de esquerda, logo a possibilidade de ascender nesse mercado é difícil. O que isso fará? Com que surjam cada vez mais intelectuais para a direita chamar de seus. Grande parte da direita intelectual surgiu pela DEMANDA de intelectuais de direita. Do mesmo modo, com a super oferta de modernistas, surge um gigantesco grupo de tradicionalismo católico e pagão.


Esquerda recruta LGBTs > cria uma super oferta de LGBTs de esquerda > LGBTs intelectuais não conseguem mais achar vaga dentro do mercado > surgem elegantes LGBTs de direita que finalmente conseguem cargos como intelectuais públicos.

Direita recruta a maioria dos cristãos > cria uma super oferta de cristãos de direita > cristãos não conseguem mais achar vaga dentro do mercado > surgem elegantes cristãos de esquerda que finalmente  conseguem cargos como intelectuais públicos.


Muitos "intelectuais de direita/esquerda" sequer se importam em estudar alguma coisa do seu espectro. O papel deles sequer é pensar, é apenas concordar e discordar com base na escolha política do grupo que lhes acolheu. Grande parte da "galerinha" está ali para apoiar tudo que grupo A/B diz e odiar tudo o que grupo A/B diz. Qualquer coisa, só botar uma narrativa no meio e seguir com a vida.


Mesmo aqueles que discordarem pontualmente, escolherão manter as posições majoritárias e as críticas para si mesmo, visto que assim não perderão mercado. É por essa razão que intelectuais de esquerda ou de direita se recusam a discordar do Lula ou do Bolsonaro, visto que isso levaria a perda de consumo das suas obras e até mesmo colocaria em risco a sua capacidade de viverem só das suas obras intelectuais. O que pode levar até uma prostituição e um estímulo da falsificação em vez do posicionamento intelectual crítico e honesto a respeito do que se pensa. O espetáculo de "intelectuais prodiosos" que usam as suas cabeças apenas para passar pano para o próprio lado e para atacar tudo o que o outro lado diz é cada vez maior. O revisionismo histórico, de esquerda e de direita, se tornou uma indústria bastante lucrativa.


Toda vez que ver um "intelectual", que diga ser "parceiro e amigo" da sua causa, pergunte-se: "essa pessoa está lendo uma série de livros sobre o assunto e até produzindo conteúdo que passe o legado intelectual para frente?". A resposta será, na maioria dos casos, um sincero e singelo NÃO.


Existem, no Brasil contemporâneo, inúmeros "intelectuais de esquerda/direita" que são completamente inúteis e que não constroem absolutamente nada. Eles também podem mudar de lado conforme as flutuações que o mercado apresenta.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Acabo de ler "Cuba: restructuración económica, socialismo y mercado" de Vários Autores (lido em espanhol)


Nome:

Cuba: restructuración económica, socialismo y mercado


Autores:

- Julio Carranza;

- Pedro Monreal;

- Luis Gutiérrez.


Adentramos numa época em que vemos o fim do socialismo clássico como modelo. Adentramos numa época em que se fala de um novo socialismo, muito inspirado no socialismo chinês.


O que seria ou, melhor, o que foi o socialismo clássico? O socialismo clássico foi um socialismo que se norteava muito pelo papel protagônico do Estado como principal planejador e distribuidor dos recursos. Ou seja, é o Estado que toma o papel de construir o processo econômico. Essa política vigorou por muito tempo, até entrarmos na construção de um novo projeto econômico socialista.


Os autores definem bem: o socialismo é um regime em que o sistema de propriedade, é um sistema de propriedade em que a sociedade controla genuinamente os meios de produção fundamentais e se beneficia do uso desses meios de produção. Ou seja, a aplicação do regime econômico socialista é a propriedade social dos meios de produção fundamentais e não de todos os meios de produção.


Uma reforma econômica em Cuba seria uma reforma que tivesse os seguintes critérios

  • Recuperação do crescimento econômico;
  • Justiça social;
  • Independência nacional;
  • Redefinição das bases sociais de acumulação;
  • Reinserção na economia internacional;
  • Reforma do sistema econômico.
Os países e as experiências que foram observados como base para essa reforma foram:
  • Novo Mecanismo Econômico (Hungria);
  • Reforma Econômica Vietnamita (Vietnã);
  • Reformas de Deng Xiaoping (China);
  • NEP (União Soviética);
  • Perestroika (União Soviética);
  • Transições pós-comunistas (União Soviética e Leste Europeu).

A reforma abarcaria uma redução do papel do plano como instrumento central da assignação de recursos e coordenação econômica.


quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Acabo de ler "A Guerra dos Consoles" de Blake J. Harris

 



Comecei a leitura pensando que teria algo de simples, um tanto de vulgaridade e quiçá uma camisa de deleitosa. Uma simples leitura de passar tempo, não? Estava completamente enganado, a complexidade e a forma com que a trama me envolvia me fascinaram por completo. Um livro sensacional, recomendado não só para o público gamer, mas também para estudantes de marketing, publicidade e propaganda, arte e tantas outras coisas mais.

Esse livro certamente me marcou. Não saberia dizer a honra que tive de lê-lo. A cada página uma nova curiosidade me era apresentada e mais eu sentia vontade de devorar o livro. Graças a história de Tom Kalinske, tornei-me um tanto mais seguista ao testemunhar toda essa história fantástica. Pena que tudo que foi feito em nome da SEGA, foi por ela mesma destruída. No fundo, a maior inimiga da SEGA era a própria SEGA. Mesmo assim, a luta da Nintendo vs SEGA na quarta geração de consoles não foi só louvável, foi épica e impactante. Qualquer pessoa que tenha lido o livro ou vivenciado o tempo saberá do que falo.

O fato dos jogos terem sofrido uma queda brutal e a Nintendo ter feito o mercado ressurgir das próprias cinzas é um feito e tanto. A ditadura monopólica criada por ela, nem tanto. A bravura com que a SEGA lutou contra a Nintendo, mudando eternamente o rumo dos games é uma outra história a qual nunca me esquecerei. Todavia a autosabotagem que a SEGA do Japão fez, em seu orgulho, para ferrar com a SEGA do EUA destruiu a empresa. O surgimento da Sony no mercado é uma outra história marcada pelo livro, uma história muito ousada, peculiar e interessantíssima - mesmo que o livro não aborde muito da quinta geração de videogames (PS1, Saturn e N64).

Tudo me deixou com um gosto de quero mais. O problema desse livro é que ele termina. Seu principal defeito é ausência de defeitos. E, no momento que escrevo, sinto-me feliz de tê-lo lido e saudades por ele ter terminado.