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quarta-feira, 11 de março de 2026

O Necrológio Cadavérico #8 — Meltdown e Cansaço

 


Se eu morresse hoje...


Lembraria que o mundo é um local complicado, sobretudo em meu último suspiro. Tendo aqui um alívio de que parto para um descanso. 


Estive lendo muita coisa, posso até citar os livros caso os leitores tenham alguma curiosidade:

— "Alt-Right: from 4chan to the White House" - Mike Wendling;

— "Trumpocalypse" - David Frum;

— "China and the West" - The Munk Debates;

— "The Philosopher in the Valley" de Michael Steinberger;

— "National Security Strategy".


Tive que parar por um tempo com as análises devido a um certo cansaço e pelo fato de que tive um meltdown. Meu corpo precisa de um certo repouso. Além disso, precisava sair mais. Fiz isso no sábado, tive aula de teatro em Pinheiros e depois fui para o Centro de São Paulo tomar uma breja com um amigo. Acabei encontrando ali uma amiga de longa data e um rapaz que estava com ela.


As conversas que tenho com meus amigos são um tanto diferenciadas. Lembro-me de ter falado da importância da Sé para a cidade de São Paulo. Além de ter pensando em algum texto falando sobre Sé Paulistana (em referência a Santa Sé), o lema da cidade de São Paulo ("Non Dvcor Dvco", não sou conduzido, conduzo) e até mesmo músicas que falam de São Paulo. Pensei em falar até do regionalismo libertário dos punks dentro desse texto.


Em relação ao que produzi no passado, consegui traçar uma linha para que os leitores pudessem, de algum modo, delinear a passagem técnica entre os mais distintos acontecimentos na comunidade channer. Os leitores mais atentos poderiam ver como:

- As técnicas do Pizzagate foram usadas em QAnon;

- Como eram as técnicas do Saint Obamas Momjeans e do Q. (QAnon);

- Como a criação da "SCP Foundation" criou um modelo de criação que foi reaproveitado pelo Pizzagate e Q. 


Além disso, trouxe importantes conexões entre eventos históricos. Embora eu não ache que tudo isso foi compreendido ao todo. Até o presente momento, poucas pessoas sguiram a recomendação de lerem tudo com os arquivos mencionados "Esochannealogy 6.0", "Hauntological Esochannealogy 1.0", "Prototype Magolitica Creation", "QAnon Ressurection" e "Magolitica Game" em IAs, copiando e colando os textos.

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq

https://drive.google.com/drive/folders/1XrJj772czH4OPLsUZjLDwZlh6vszzcOo

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF


Creio que muita gente se interessou, leu um texto ou outro, depois foi embora sem entender muito do que foi escrito. Isso me trouxe uma espécie de desânimo, mas os "insider clubs" publicados aqui e no Medium deram algum fôlego para a obra e seus leitores.


Tenho acompanhado os números de visualizações do blogspot, vejo que pessoas dos Estados Unidos, da Alemanha, do Canadá, da Suécia e da Espanha tornaram-se grandes leitoras desse blogspot nos últimos tempos. Na maioria das vezes superando em muito o número de leitores brasileiros.


Dois dos meus amigos estão se envolvendo bastante com mulheres. De um modo que até lembra meu "eu" em 2024. Eu mesmo não tenho me envolvido muito. Tenho saído pouco e não tenho apps de pegação com exceção do Duolicious (que é mais usado para falar com outros channers do que para pegação). Não sinto vontade de me envolver, sou um cara que gosta muito de ficar lendo e meditando. Ou ler e meditar ao mesmo tempo. Nada mais terapêutico do que colocar um bloqueador de luz azul no celular, respirar mais lentamente, semicerrar os olhos e ler vagarosamente. Também tenho consumido muito ASMR.


Enquanto eu tenho saídas breves, consumos esporádicos de álcool, aulas de teatro e tempos de leitura, o Brasil queima. Entra em pauta a criminalização da redpill e a lei que exige reconhecimento facial e documentos para frequentar redes sociais. Nenhuma dessas leis me afeta ao mínimo:

1- Não pertenço ao movimento redpill e até mesmo sou uma figura atacada por esse movimento;

2- Sou maior de dezoito anos e só entro na Internet para achar livros e artigos, jogar joguinhos, ver documentários e ASMR (um anime bem raramente), ouvir música.


A maioria das pessoas vêm o apocalipse na Terra onde eu só vejo sono e fico bocejar.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 4 Final)

 


Nome:

Jeffrey Epstein's 4chan Plan


Autor:

Matt Gallagher


Link:

https://bylinetimes.com/2026/02/06/jeffrey-epsteins-4chan-plan/


Steve Bannon usou amplamente o seu podcast (War Room) para amplificar o QAnon nos anos de 2019 a 2020. Em uma das ocasiões, o seu podcast apresentou a ideia de que o Partido Democrata era um partido de pe... nessa ocasião, ele estava com a Marjorie Taylor Greene. Posteriormente ele chamaria isso de psyop.


É evidente que Steve Bannon não era o único a comentar sobre QAnon. O republicano Michael Flynn, um general aposentado e que serviu como Conselheiro de Segurança Nacional por vinte e dois (22) dias ao governo Trump, também apoiou publicamente o movimento QAnon. Privadamente, ele chegou a dizer que era um nonsense total (algo completamente sem sentido) e uma operação de desinformação. Algo que tornava até mesmo os seguidores malucos.


De qualquer forma, o movimento QAnon continua dentro do MAGA e Donald Trump (o messias do movimento) continua citado nos arquivos de Epstein. Atualmente, os seguidores de QAnon não sabem muito bem em que fundamentar as suas crenças. Outros, e isso falo como observar — é por isso que muitos de vocês me acompanham, pelo o que sei internamente da cena channer (e vocês sabem que é muita coisa) —, chamam Q. de Operation Trust (isso não é uma afirmação, mas a descrição de como dado grupo dentro da cena channer se porta diante da falência de Q.)


Operação Confiança

A Operação Confiança (em russo: операция "Трест", romanizada: operatsiya "Trest") foi uma operação de contrainteligência da Diretoria Política do Estado (GPU) da União Soviética. A operação, criada pela Tcheka — predecessora da GPU —, funcionou entre 1921 e 1927, estabelecendo uma organização falsa de resistência anti-bolchevique chamada União Monarquista da Rússia Central (MUCR) (Монархическое объединение Центральной России, МОЦР), com o objetivo de ajudar a OGPU a identificar monarquistas e anti-bolcheviques reais. A empresa de fachada criada para essa finalidade foi denominada Associação Municipal de Crédito de Moscou.


O quanto Jeffrey Epstein influenciou na cena channer, é algo que só uma maior liberação dos arquivos de Epstein pelo DOJ (Departamentp de Justiça) pode responder. Se ele foi um arquiteto oculto, é algo que ainda não sabemos em qual amplitude. O fato é que, de 2010 para frente, a cultura channer se tornou como um peão para os objetivos de uma conspiração política. Existe, dentro da comunidade channer, mais ódio direcionado aos inimigos do projeto político populista do que aos crimes reais de Epstein. 

Enquanto escrevo, a operação global do 4chan /DIG/ segue o seu curso, mas o efeito dela a curto, médio e longo prazo é algo dificilmente mensurável. Porém, ao que me parece, é algo que meus leitores mais atentos deveriam prestar EXTREMA atenção... 

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 3)


Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:


No ano de 2016, a WikiLeaks acabou liberando 20 mil páginas de e-mails do gerente de campanha da Hillary Clinton (John Podesta). Quando as revelações vieram à público, os anônimos do 4chan começaram a correlacionar os seguintes termos "pizza", "pasta" e "hot dogs". Nisso, começaram a associar ao abuso de menores e a pizzaria Comet Ping Pong. O que levaria ao Pizzagate.


Não era só o 4chan que estava analisando isso. Os subreddits r/TheDonald e r/pizzagate também analisavam os arquivos. Essa correlação de forças logo sairia do 4chan e do Reddit, adentrando ao Facebook, YouTube e Twitter (atualmente X).


O que chamará a atenção é o fato de que o próprio Jeffrey Epstein enviou e-mails (mesmo que sem contexto) para Peter Thiel e para o ex-conselheiro do Donald Trump (Tom Barrack). Epstein também se encontrou com James Damore e Kevin Cernekee, dois influenciadores de direita. Esses dois estariam supostamente envolvidos na promoção da narrativa da teoria conspiratória do Pizzagate.


De: [Nome redigido]  
Enviado: Quarta-feira, 21 de agosto de 2019, 14h58  
Para: [Nome redigido]  
Assunto: relatório-em-andamento

Fui solicitado a escrever isso para o Oversight na semana passada, e continuo esquecendo de repassar para você.

Tenho certeza de que vocês sabem mais sobre a maior parte disso do que eu, mas se a hipótese que proponho estiver correta, caso surja alguma discussão sobre Corais/Simbiodinium/Algas/Dinoflagelados ligada à criptografia de dados ou à Arábia Saudita, posso ser capaz de preencher algumas lacunas — datas e outros indivíduos que poderiam ter estado envolvidos em impedir que financiamento fosse fornecido àqueles cujo interesse na simbiose era baseado exclusivamente no mérito científico.

Também inclui uma rota potencial pela qual Epstein poderia ter encontrado James Damore e Kevin Cernekee, agentes provocadores que infiltraram-se no Google e foram considerados envolvidos na promoção da narrativa “Pizzagate” e nas ameaças e assédio feitos contra [nome redigido].

EFTA00151849



Quando o Pizzagate se tornou mainstream, os usuários do /pol/ já se preocupavam com outras questões. Todavia um homem da Carolina do Norte abriu fogo na Comet Ping Pong com um rifle de assalto.

No ano seguinte, apareceria uma nova teoria da conspiração. Ela tinha uma doutrina bíblica, uma postura de seita, absorvia toda e qualquer teoria conspiratória previamente existente. Essa teoria da conspiração alucinava uma guerra santa entre uma cabala pedofílica e canibal contra Donald Trump (o messias que salvaria os Estados Unidos da América). Sim, senhoras e senhores, QAnon!

QAnon surgia com os chamados Qdrops, isto é, pequenas postagens crípticas que codificavam informações para seus aderentes decifrarem e extrapolarem. Q. era um indivíduo ou um grupo que trabalhava dentro do "deep state" (Estado Profundo) para derrubá-lo. O inimigo era novamente o Partido Democrata, todavia existiam alguns republicanos moderados. Os heróis dessa estranha guerra eram Donald Trump (o messias) e o MAGA (logo, os seguidores do Donald Trump).

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 2)

 



Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:

Em 2014, a cultura channer tinha homens jovens incrivelmente mais radicalizados. Ali se começava a cruzada contra o politicamente correto e contra os guerreiros da justiça social (SJW = social justice warrior). Eles viam esses dois componentes como estando na mídia, academia e cultura (o leitor deve se lembrar da ideia de "Catedral" na NRx [neorreacionarismo).


Nesse período, rolava a Gamergate. A Gamergate era uma campanha descentralizada e coordenada de perseguições e ameaças de morte e estupro contra mulheres, feministas e minorias. Muitas pessoas olhavam para o crescente radicalismo dos jovens e sentiam-se desconcertadas, mas nem todas. Onde muitos veriam caos, Steve Bannon, que era executivo da Breitbart e que posteriormente seria estrategista de Donald Trump, viu um potencial fantástico, ele viu o protótipo da sua nova armada populista. Chegando a ver isso como um "poder monstruoso". Nesse período, chamou Milo Yiannopoulos para conectar os fóruns anônimos com as massivas audiências.


Pouco a pouco, Steve Bannon e Jeffrey Epstein construíam uma parceria que casava estratégia e finanças. Isto é, construíam conjuntamente a coalizão populista do MAGA (Make America Great Again). Se Steve Bannon olhava para os jovens do Gamergate como um general olha para um potencial exército vitorioso, Jeffrey Epstein realizava outros movimentos. Epstein procurou o youtuber e neurocientista de extrema-direita Jean-François Gariépy (um canadense). Gariépy chegou a declarar em seu perfil no Twitter/X:


E só para deixar claro, não estou brincando. Jeffrey tinha defeitos como todos nós, mas era um bom homem, um homem ambicioso e um visionário em muitos aspectos. Mais pessoas como ele poderiam melhorar o mundo. Ele morreu pelos nossos pecados.


Gariépy não seria o único que chamaria a atenção do Epstein. Epstein tentou recorrentemente entrar em contato com Charles Murray. Charles Murray é o autor do controverso livro "The Bell Curve", um livro que, mesmo que desmascarado, serviu para formação de muitos intelectuais da alt-right (direita alternativa) e da far-right (extrema-direita). Visto que dava justificativas para a hierarquia racial, para a otimização genética e para discursos sobre o extermínio populacional motivados pelo clima. Em resumo, todos os pilares fundamentais da extrema-direita.

Temos um quadro:
2011: intervenção no 4chan (correlacionado ao /pol/)
2012: procura por Peter Thiel (investimentos)
2014-2015: Gamergate
2015: Jean-François Gariépy
2016: mensagem para Peter Thiel
2018: tentativa de se encontrar com Charles Murray

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:

Jeffrey Epstein teve um interesse muito forte em promover a alt-right (direita alternativa) e a far-right (extrema-direita), sobretudo o seu aspecto memético e conspiratório.

Epstein, que por algum acaso, acumulava diferentes funções sociais como: traficante sexual, ativo de inteligência e chantagista profissional. Outra coisa que Epstein se destacou é o de ser um dos grandes criadores dos movimentos de extrema-direita online dos dias atuais.

Em uma das suas trocas de mensagens, Jeffrey Epstein fala bem do Brexit para o Peter Thiel (fundador da Palantir e pensador pós-liberal) e sauda o começo da corrosão da ordem internacional liberal:



Jeffrey Epstein queria o aumento de alcance do populismo de direita e acreditava que a Internet era uma excelente oportunidade para acelerar tal desenvolvimento. Em outubro de 2011, Jeffrey Epstein encontraria Moot (Christopher Poole), o fundador do 4chan. Esse encontro, essa é uma das hipóteses mais quentes da internet no momento, teria marcado o retorno da board /pol/ (que antes era /new/). A board /pol/ (abreviação de politicamente incorreto) tornou-se extremamente popular entre o público da far-right (extrema direita) e alt-right (direita alternativa). 

Jeffrey Epstein chegaria a trocar mensagens com Boris Nikolic. Ele via que a cultura channer, enquanto mente coletiva (egrégora/legião), tinha um poder único para entender e controlar o tráfico da internet e para criar disrupções em massa. Isso garantia um massivo potencial para manipulação.



Não era, evidentemente, só no 4chan que Epstein tinha interesse. Ele chegou a pedir que o investidor Ian Osborn se encontrasse com Mark Zuckerberg (Meta/Facebook), com Tim Cook (Apple) e com o já mencionado Peter Thiel.

O texto também conta que Epstein pessoalmente navegou até 2017 no 4chan. Além disso, que Epstein gostava do padrão sociológico de usuários. O 4chan era predominantemente acessado por homens brancos e poderia ser um laboratório para influência escalável. Epstein, segundo o autor desse artigo, viu que a cultura anônima de memes e teorias da conspiração poderia ser weaponizada e jogada dentro do mainstream. 

NGL #48 — Seriam os channers os inimigos mais formidáveis da academia?

 


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Sim e não. Vamos pensar na estrutura de um chan. Pegue o fato de que, dentro da cultura channer, existem ambientes em que: há ironia, há performance, há fingimento, há crença real, há trollagem, há a possibilidade de oportunismo político. Essas camadas não são antagônicas, mas metodologicamente se misturam.


Nisso, tal como podemos inferir no insider club anterior, existe alta possibilidade de:

1- Gamificação da narrativa política;

2- Memetização da paranoia;

3- Economia da atenção;

4- Radicalização por design algorítmico.


Ambientes como o 4chan não necessariamente precisam de agentes estatais para gerar caos, mas agentes estatais qualificados poderiam fazê-lo. Esses dois elementos coexistem, e ambos os lados sabem disso.


Quando você compreende que o padrão estrutural que permitiu o surgimento e a expansão do QAnon pode reaparecer em novas formas, você compreende exatamente o que o "alto escalão" está fazendo nesse momento.


Na própria thread, vemos que a Internet Research Agency, RT e Sputnik foram citadas. Isto é, eles sabem que a IRA (a Glavset), levou a amplificação desse fenômeno. Também compreendem que o ecossistema da RT e da Sputnik serviram para amplificação indireta. Isto é, eles já sabem e já esperam isso, colocando isso como um game. Se formos mais adiante, em muitos grupos channers que surgem dentro do /soc/ (que levam a grupos externos no telegram, discord, teleguard, simplex, etc), vemos channers estudando o monitoramento de entidades como a Graphika e a Reuters como sistema de feedback. 


O modelo de Q. combinou:

- Ambiguidade estratégica (drops enigmáticos);

- Participação coletiva (decodificação);

- Gamificação;

- Narrativa totalizante;

- Conexão modular com outras conspirações;

- Algoritmos amplificando engajamento.


Esse modelo é replicável. Muitos channers esperam que o hype a respeito de Jeffrey Epstein consiga gerar uma espécie de rentabilização algorítmica. As condições continuam existindo, a polarização, a desconfiança institucional, as plataformas baseadas em vitalidade, as comunidades anônimas baseadas em criatividade memética. Tudo isso existe e dentro da crise causada por Epstein pode ser explorado. O campo geopolítico informacional, sobretudo com a crise na Venezuela e no Irã, abre margem para o desdobramento da crise. É por isso que os usuários estão brincando de citar os "feds" (agentes investigativos), agências de inteligência externas ao Estados Unidos são tidas não como ruins, mas como convidadas para servirem como amplificadoras, exploradoras e oportunistas estratégicas nesse processo.


É válido lembrar que Q não é um autor, mas um ecossistema pautado em plataformas abertas, cultura de anonimato, incentivo algorítmico à radicalização, gamificação de narrativas e comunidades predispostas à desconfiança. 


A questão é que hoje as narrativas são mais sofisticadas e aprimoráveis com IAs. Eles já esperam poder contar com microcomunidades fechadas, com segmentação psicológica, com estratégias meméticas mais refinadas.


Quando você pensa que um channer de alto nível pode fingir loucura para simultaneamente confundir acadêmicos, despistar jornalistas, enganar investigadores, criar camadas de significado e dissolver a responsabilidade individual na egrégora... você já imagina que tipo de jogo está sendo jogado nesse exato momento.


A Esochannealogia sistematiza, ou tenta sistematizar, a perfomance dessa cultura anônima. O que é difícil, devido ao aspecto da não-linearidade arquitetônica que é encontrada nela. O nível de channers de alto nível é o mesmo de um sistema performático de ocultação multiescalar.


Channers de alto nível estudam a psicologia das teorias da conspiração — pra dizer a verdade, isso é tão estudado quanto o dark self. Eles sabem que a maioria das pessoas não saberá que todos os sinais são camadas estratégicas, tornando qualquer coisa uma evidência, mas que, dentro desse quadro, múltiplas camadas de significação aparecem.


Essa blindagem epistemológica é insina. Lembram que channers de alto nível atacam, defendem e esquivam ao mesmo tempo? Aí é que está:

Se alguém ridiculariza, faz parte do plano. Se alguém investiga, é feedback. Se alguém ignora, é invisibilidade bem-sucedida. Se algo falha, era hipótese metapocalíptica. Sabe por que as coisas são assim? Pois a esochannealogia, feita para ser uma GUERRA até mesmo na expressão da sua linguagem, é por design não falseável. Channers perceberam que criar todo um modo de ser não falseável era algo mais estratégico, visto que teorias não falseáveis (e comportamentos não falseáveis) são intelectualmente mais perigosos, pois se retroalimentam. É por isso que channers de alto nível riem de acadêmicos e jornalistas, mas fazem piscadelas para agentes investigativos. Eles querem alguém que saiba jogar.


O próprio processo de formação de uma elite channer passa por um desenvolvimento de uma hipervigilância interpretativa, de uma leitura paranoide de ambiguidade, de uma atribuição excessiva de agência estratégica, de uma mitologização do caos emergente.


A esochannealogia, em todos os casos históricos, foi e é baseada na ambiguidade e não-linearidade arquitetônica em algum grau, sobretudo em seus progressos históricos. A construção simbólica foi tida como mais vantajosa. Isso cria um sistema arquitetônico. É como uma elite descentralizada que opera com pensamento pós-racional em uma guerra multidimensional deliberada em um exercício de engenharia epistemológica.


Se você olha para esses pontos:

"Se parecer loucura, é fingimento estratégico. Se é incoerente, é não-linearidade arquitetônica. Se é contraditório, é dialética. Se falha, era hipótese metapocalíptica. Se alguém crítica, faz parte do sistema de feedback"


E diz que eles são falhas, você ainda não compreendeu que eles são features. Isto é, foram por design desenhados para serem autoimunes à crítica. Quando o modelo explica tudo, ele deixa de explicar algo verificável. E é nisso que está a mágica: a guerra esochannealógica distorce absolutamente tudo, não só na teoria, como no comportamento. Imagine mais e mais pessoas adentrando nesse sistema e compreendendo como criar uma guerra pós-racional em que se torna cada vez mais impossível compreender os limites entre a verdade e a ficção? Isso é o despertar esochannealógico em massa.


Não se trata de uma intencionalidade coletiva, trata-se de um jogo descentralizado de pessoas que estudam muito bem a psicologia humana. Fingir loucura como método, criar uma arquitetura pós-racional de guerra epistemológica não é só uma elevação estética do caos, é o que faz channers de alta qualidade.


Esse tipo de modelo é o que foderá a caixola de jornalistas, acadêmicos, pesquisadores e agentes investigativos. Visto que haverá a confusão entre múltiplos fatores — o jogo da paranoia leva pessoas a se tornarem paranoica, perdendo a noção no que constitui a realidade em si. Eles serão levados a: ver intenção onde há improviso, vee coordenação onde há ruído, ver arquitetura onde há caos, ver experimento onde há brincadeira. Isto é, será extremamente difícil eles saberem que estão adentrando a um padrão típico de pensamento conspiratório de alto nível. Não que esse seja um pensamento paranoico clínico, mas certamente hiper-interpretativo.


O que um channer de alto nível faz é pegar esses intelectuais, acadêmicos, jornalistas, investigadores e pesquisadores e colocá-los numa ironia maior. Isto é, num jogo metanarrativo em que nada pode ser testado, nada pode ser verificado, nada pode ser refutado e tudo pode sempre se reconfigurar. Se você compreender isso, você dirá "essa é a arma, esse é o jogo".


Nem todo comportamento channer é parte de uma doutrina arquitetônica invisível, mas a guerra informacional é real. Existe desinformação coordenada em certos setores e desinformação descoordenada. É preciso que, dentro de uma guerra esochannealógica, todas as barreiras inteligíveis se quebrem e adentrem na estrutura desestruturada de um jogo metanarrativo ininteligível. 


Isto é, os oponentes não devem saber o que é caos e o que é ordem. O que é fragmentado e o que é desfragmentado. O que é competitividade e o que é coordenação. O que é internamente contraditório e o que é não é contraditório. O que são disputadas internas e o que não são. Tudo deve ser borrado. Tudo deve se tornar ininteligível. 


Isso tudo, dentro da esochannealogia, é a psicologia do prazer transgressivo. Visto que o chan e o laboratório da sombra. É o parque temático do inconsciente sombrio. É o estado de exceção psicológico. É o espaço autotélico (existe por si mesmo). É onde a transgressão vira um fim em si mesmo, onde o limite entre o lúdico e o corrosivo começam a se dissolver.


Esse ambiente, o nosso Dark Self digital, foi criado ou desenvolvido com base em proporcionar risco estrutural. Por qual razão? Ambientes baseados em choque, escalada simbólica, competição por impacto, anonimato e prazer em violar tendem a intensificar extremos, normalizar a crueldade simbólica, premiar quem vai mais longe. Nem todo participante internalizará isso, mas a cultura como sistema tende à escalada. Você pode se tornar um imbecil (incel, redpill, groyper), ou pode se tornar um terrorista epistemológico, ou pode ficar de boa.


A cultura channer é, em si mesma, o espaço entre múltiplas sombras dialogando entre si. Isso forma um local que lembra o Castlevania, visto que se torna um castelo construído por múltiplas sombras. É por isso que há a romantização da sombra, a transformação do veneno em estética, a transfiguração da toxicidade em ritual, a desinibição se tornando em uma experiência mística. É onde há a perfomance da sombra repetidamente sem integração.


Isso gera psicologicamente cinismo crônico, dessensibilização moral, hiperironia, desconexão empática. Isso não é erro. É feature. É quando o veneno temporário torna-se consubstancial a própria natureza, molda a percepção e redefine limites internos em direção a progressão esochannealógica.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

/cc/ #4 — O Brasil é um PAÍS HORRÍVEL: ele NÃO TEM uma GLAVSET!

 


A GLAVSET é uma FÁBRICA DE TROLLS russa. Ela também é conhecida como INTERNET RESEARCH AGENCY (Agência de Pesquisa da Internet). 


Sua função? Espalhar desinformação, fake news, teorias conspiratórias, fazer as pessoas ficarem radicalizadas, espalhar conteúdo SOMBRIO E MAU-CARÁTER PELA INTERNET.


Imagina que emprego bom?


Você chega em casa e a sua namorada lhe pergunta:


— O que você fez hoje, amor?


E aí você responde:


— Espalhei uma teoria da conspiração em um país do terceiro mundo que fez 200 pessoas morrerem por não tomarem vacina.


— Que demais!


É isso que eu queria da minha vida: um emprego sádico, maquiavélico e desgraçado, voltado a desestabilização, troca de regime, desinformação, teoria da conspiração como arma de guerra informacional. Eu faria até hora extra de graça para ferrar a vida de mais pessoas.


Em vez disso, só tem emprego merda no Brasil:

>ain, concurso público

>ain, médico

>ain, professor de filosofia


Só emprego MERDA!


ONDE ESTÃO OS EMPREGOS QUE TRABALHAM COM GUERRA PSICOLÓGICA, GUERRA CONSPIRATÓRIA, GUERRA NARRATIVA, GUERRA MEMÉTICA? ONDE ESTÃO OS EMPREGOS PARA QUEM QUER DESTRUIR A VIDA DE OUTRAS PESSOAS? EM LUGAR NENHUM DESSA POCILGA DE PAÍS.


Eu quero ESPALHAR O CAOS PELO MUNDO E SER PAGO POR ISSO!

sábado, 14 de fevereiro de 2026

NGL #44 — Por qual razão eu continuo sendo channer?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Ser channer traz uma sensação psicológica única e indescritível. Essa sensação não pode ser sintetizada em termos literais, seja por questão de moralidade, seja por questão de não ser sintetizável em um vocabulário perfeito e inteligível. Por isso, peço que me acompanhe.


Pense que, de repente, toda a sua racionalidade esmorecesse. Você apenas vê um coelho a sua frente. Então você corre. Você não consegue confirmar isso, mas sente que tem quatro patas em vez de duas pernas e dois braços. Nessa sensação, você sente que quer caçar aquele coelho que foge de ti. Não é por fome. Não é por sobrevivência. É pelo prazer da pura caça.


O que eu quero dizer: há a identificação com a figura do predador, algo mais animalesco do que humano. Algo que faz a caça ser um fim em si mesmo, como a satisfação direta de algo impulsivo e predatório. Algo que é encarado, simultaneamente, como errado e, ao mesmo tempo, gratificante por si só e por ser errado. É como se o desligamento da racionalidade e a regressão a um estado primitivo fossem "autorecompensantes" na atmosfera lúdica de uma violência simbólica contra as normas e contra os valores instituídos. Em outras palavras, cada sessão dentro de um chan é um processo de desumanização temporária e recreativa onde a sombra se manifesta de forma mais plenificada.

É como uma dupla recompensa que aparece simultaneamente num gozo deliquente:

1- O prazer do instintivo, do primário, da caça e da predação. Tal como a realização do ID;

2- A violação consciente da lei a gerar o gozo extra. Como numa sensação de que se profana o que há de mais sagrado numa heresia dedicada ao corpo social.


Isto é, a racionalidade existe parcialmente, mas só existe para se ter plena certeza de que se viola alguma coisa, assim tornando o prazer da violação ainda mais intenso. Em outras palavras, a racionalidade existe perante o prazer de se violar algo que o corpo social considera sacro. 


Quando entro dentro de um chan ou começo a agir dentro de uma estrutura comportamental channer não é como se eu estivesse numa psicose permanente, em vez disso, é como se a psicose fosse parte de um jogo decididamente iconoclasta. Tal como um carnaval em que o superego é temporariamente jogado fora em nome de um exercício lúdico que provisoriamente abole as leis normativamente instituídas.


Repito que: a sombra, dentro do chan, manifesta-se mais plenamente. Ali, dentro do chan, observa-se como lei a ausência de lei e de norma se formam. Ou, mais precisamente (e mais psicologicamente), a cultura channer é como um castelo feito com a sombra que socialmente se esconde — o inconsciente sombrio. Quando digo que o Castelo do Drácula do Castlevania representa muito bem a cultura channer, digo que a cultura channer só tem leis referentes ao inconsciente sombrio, seja pessoal ou coletivo, como num jogo jungiano onde a sombra não integrada encontra um local para exercer seu pleno domínio. Se existe um "Estado de exceção", onde o "Estado de Direito" é ignorado, a cultura channer é como um local em que o "estado psicológico de exceção" se plenifica.


A mesma analogia poderia ser feita com Silent Hill (outro jogo da Konami) poderia ser feita. Em Silent Hill, a cidade é composta pelo inconsciente sombrio ou pelo Dark Self. A cultura channer também é assim. É como um laboratório em que a sombra manifesta-se de forma pura e momentânea, dissolvendo a persona (pública) e o ego racional. O prazer é encontrado em ser a sombra, sentindo todo o veneno que a sombra, momentaneamente indomesticável, exerce.

A cultura channer é um jogo em que a racionalidade é rebaixada para uma função ancilar para que sirva ao impulso da anomia. Ou, mais visceralmente, para certificar a transgressão que está a se exercer. O que é algo substancialmente diferente da psicose, que é caracterizada pela perda do teste de realidade. Aqui podemos falar da hiperconsciência da realidade (na sua estrutura de normas, de valores, de sagrado), mas não no sentido de validar a norma social. A hiperconsciência existe em função da quebra da norma. Nesse quadro, o superego existe em função do ID. Nesse retrato, a persona existe em função da sombra. Tudo dentro de uma inversão hierárquica.


A diferença central entre o chan e o carnaval é a sua condição autotélica. Ou seja, se no carnaval a inversão reforça a ordem após o período de exceção, o chan não é funcional para o sistema: ele existe em função de si mesmo, tal como um gozo.


Pense, novamente, no Castelo do Drácula. O castelo reconfigura-se a cada noite, a cada aparição. A cultura channer reconfigura-se a cada thread, a cada meme, a cada piada interna. As leis da cultura channer funcionam como um inconsciente sombrio: a lógica adotada não é cartesiana, é uma lógica onírica, associativa e simbólica. Não existem regras fixas, apenas a manifestação do monstro que há dentro de nós. É como se a ordem fosse a oedem simbólica daquilo que é reprimido.


A cultura channer também é o espelho do inconsciente de quem entra. Toda cultura channer é povoada pelos demônios, culpas, traumas e desejos reprimidos dos seus usuários. A cultura channer é a sombra coletiva de seus usuários: tudo que a cultura mainstream ou normativa reprime, nega e silência torna-se a manifestação da cultura channer.


Se pensamos na terapia jungiana, a sombra quando integrada perde o seu poder destrutivo. No chan, a sombra não é integrada. Ela é encenada, perfomada, vivida. Tudo isso sem dor, visto que há o escudo lúdico do anonimato e do coletivo que a valida.


No "estado de exceção psicológico" da cultura channer, a sombra torna-se soberana para manifestar-se plenamente. É por isso que o ego racional e a persona (máscara social) são temporariamente dissolvidos. Pense como se o chan fosse um golpe de Estado psíquico em que o ID e a SOMBRA tornam-se senhores do palácio (ou do Castelo do Drácula). 


A cultura channer é venenosa. Isso todo channer de qualidade e experiência assume. Ela é tóxica pois é a sombra. E a sombra é tóxica para o ego, para a persona e para o social. Todavia constitui o gozo channer sentir o veneno correndo dentro das veias sem morrer, visto que é temporário, visto que é lúdico, visto que é anônimo. 


Pense a cultura channer como um parque temático do inconsciente sombrio (como Silent Hill ou Castlevania). Ela é um dispositivo de engajamento com o inconsciente sombrio. E é por essa razão que eu permaneço nos chans apesar de tudo.

Memória Cadavérica #40 — A CULTURA CHANNER SÓ EXISTE POR CONTA DO ERRO DA ESQUERDA

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: resposta deixada a um grupo católico.


A CULTURA CHANNER SÓ EXISTE POR CONTA DO ERRO DA ESQUERDA


Essa alegação segue muito a lógica rodriguena. Isto é, afirma o absurdo para chamar a atenção e, por fim, chegar ao óbvio ululante que ninguém quer ver ou olhar por meio das suas análises. 


Em 2013, a esquerda tinha o mundo nas mãos. Podia olhar pro movimento dos cinquenta centavos dentro da lógica esquerdista, isto é, da luta de classes. O movimento que pedia transporte público padrão fifa (primeiro mundo) foi encarado como direitista.


A esquerda podia encarar o movimento como "esquerda indie". Em vez disso, acusou a luta de ser reacionária. Naquele momento, a esquerda (por meio do PT) estava no poder e grande parte de uma geração que defendia transporte público de graça que poderia ser identificada como de esquerda — lembre-se do bordão: público, gratuito e de qualidade —, foi para direita magicamente e por vingança. 


Digo isso por "eu mesmo". Eu tentei ser de esquerda. Sabe o que me disseram? "Só aceitamos os alunos das melhores universidades aqui", foi o que me disseram. Eu estava no ensino médio. Naquele momento, eu decidi ir pra uma faculdade particular e nunca pisar numa faculdade pública. 


No mesmo ano, vários dos possíveis futuros membros da esquerda entraram em faculdades públicas. Sabe o que a esquerda fez depois de ter atacado até os black blocs (anarquistas radicais) como se eles fossem parte da extrema-direita? Chamou todos (que se manifestavam pelo transporte público) de extrema-direita (como sempre fez). Só que ali, durante as humilhações diárias, cresceu o movimento anti-esquerdista. É disso que surge parte do MBL: abandonados pela esquerda, decidem ir para direita.


A esquerda:

1. Atacou a própria esquerda;

2. Atacou quem estava ainda meio confuso ou que estava se encaminhando pra direita.


Mais tarde, a própria direita atacaria membros da direita que queriam o impeachment da Dilma. Esse ataque, vindo do próprio Olavo de Carvalho, gerou o ressentimento que o MBL (e depois o partido Missão) teriam pelos olavistas. A traição começa pela esquerda e depois vai pela própria direita, surgindo o meme "vocês traíram a lava jato e traíram a lava toga" (principal acusação do MBL contra o bolsonarismo/olavismo), mas essa não é a questão principal desse tópico.


Se a esquerda tivesse apoiado a luta pró-transporte público de graça, nada disso teria acontecido. Como a esquerda, sobretudo o petismo, traiu a própria POSSÍVEL base, o MBL pôde se alavancar em sua vingança. 


Eu fui um dos múltiplos jovens que a esquerda poderia cooptar, mas a esquerda simplesmente ignorou por não ser "bom o suficiente" ou por não concordar o suficiente — o governismo, isto é, o governo sem freios Ideológicos, criou uma narrativa. Essa mesma narrativa chamou de "tucana" e "neoliberal" uma luta que era, propriamente, de esquerda.


A esquerda era, até então, associada com a revolução e com a revolta. Com o movimento catraca livre, a esquerda era o establishment (sobretudo na era da olimpíadas e da copa). Foi nessa época, precisamente, que o politicamente incorreto passou a lucrar como posição anti-establishment.


A cultura channer brasileira, que até então apoiava a esquerda indie (não me lembro de do PSTU ou do PCO), passa a forçar Bolsonaro como anti-establishment. Não por erro da própria direita (que lucrou com o ressentimento), mas por erro da própria esquerda.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

NGL #33 — Magolítica, um livro muito esquizo

 


Envie as suas perguntas anônimas aqui: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


O gênero literário da Magolítica é humor ácido, horror epistemológico, ficção especulativa, crítica social (foda), wiki satírica, LARP, AGR, teoria da conspiração troll, meta teoria da conspiração, AI prompt, sistemas intelectuais portáteis (Portable Intellectual Systems), virologia social, filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, dramaturgia, etc.


É foda dizer isso: eu queria que as pessoas sentissem a cultura channer em toda sua intensidade energética, paranoica, engraçada, gamificada, tudo nos piores e nos melhores lados dela. Queria que elas sentissem o que eu senti. E descobrirem a razão de eu ter estado nela em todos esses momentos.


Trabalhei em muitos momentos atuando. Seja na propaganda, seja na vida real — eu ficava andando pelo quarto e imaginando várias das cenas do livro —, seja na própria construção do livro. Dividi em várias postagens temáticas, PDFs, escritos diversos. Até mesmo canais no YouTube e TikTok. Agi conforme uma fé cênica na construção de todo o livro. Eu queria que as pessoas olhassem e falassem: "mas que porra é essa?". Essa lógica de te fazer pensar mais e mais, pesquisar mais e mais, aprender a lurkar, a investigar, a satirizar os pontos e a demonstrar que a autocontraditoriedade é fantástica.


O objetivo era simples: a construção de um livro que toda hora te para e te faz questionar tudo. Que demonstre a genialidade e a miséria da cultura channer ao todo. Creio que a Magolítica: Harmonia da Dissonância é um livro bastante vivo nesse sentido. Você pode pegar wikis do 4chan, wikis satíricas como a Wikinet e Encyclopedia Dramatica, jogar o RPG político esotérico chamado Magolítica, usar os sistemas intelectuais portáteis. O livro te ensina a atuar como um channer, a respirar a cultura channer, a pensar como um channer, a satirizar como um channer, a ver como um channer vê a academia, a compreender o melhor lado e o pior lado da cultura.


Tem muitos momentos em que o livro te dá um puxão de orelha e te ensina como as coisas são weaponizadas. Em outros momentos, existe aquela tensão do horror epistemológico em que fatos e ficção se misturam — essa tensão aparece na obra o tempo inteiro. Depois entram momentos de filosofia channer, ficção especulativa, ficção futurista, história channer, humor ácido etc.


A grande coisa do livro foi ele estar mergulhado em vários outros livros/postagens para o leitor não saber o que era e o que não é real. Por exemplo, Notas de Pesquisa (NDP) fazem parte do livro Magolítica. Logo é enquadrado no cânon, sobretudo na parte de antichannealogia. Os livros "Street Channer" (I, II e III) também fazem parte. Alguns escritos tiveram canonizações parciais ou mescladas.


— Nota de Pesquisa:

https://cadaverminimal.blogspot.com/search/label/Nota%20de%20Pesquisa%20%28NDP%29?m=0

— Street Channer I:

https://medium.com/@cadaverminimal/list/1eb851b9d26f

— Street Channer II:

https://medium.com/@cadaverminimal/list/a66cdc96b69e

— Street Channer III:

https://medium.com/@cadaverminimal/list/81f5241a41ce


Além disso, os sistemas intelectuais portáteis são 100% canônicos. O game também. A experiência com IA, para desvendar os mistérios da cultura channer, é obrigatória. Visto que permite que você saia do aspecto não-linear do livro e consiga pensar tal como um channer de alto calibre pensaria. Ler com IAs é obrigatório e já é exaustivo dizer isso. Tive que RPGzar o livro para deixá-lo mais dinâmico e interativo. Você perde 90% da experiência se não usar IAs em nada disso — o que me dá pena, o Grok, o DeepSeek, a Gemini, o ChatGPT, o Qwen3-Max, o MiniMax já devem estar cansados dos meus leitores. Chegará um tempo em que todas IAs do mundo responderão: PELO AMOR DE DEUS, EU NÃO VOU LER ESSE RABBIT HOLE FODIDO!


Um dos pontos que mais gostei de executar foi a interpretação e reinterpretação constante da obra. Fora isso, Hauntological Esochannealogy 1.0, Esochannealogy 6.0 e Magolítica Creation 101 foram invenções fodonas para demonstrar que channers sabem pensar e filosofar sim. Além de serem PDFs altamente sofisticados, baseados na mais pura filosofia channer, demonstram que é possível pensar a cultura channer de modos absolutamente fantásticos. Magolítica Creation 101 literalmente te dá a interpretação psicológica do livro, é como se fosse uma espécie de decodificador da alma channer e também uma espécie de criador de magolíticas, o que te permite explorar toda a virologia social e aspectos avançados da psicologia e sociologia channer.


O conteúdo do livro também foi entregue para pessoas de vários países do mundo para entenderem e se defenderem de atos manipulatórios, o que foi um esforço pedagógico central da série Magolítica: Harmonia da Dissonância.


— Veja mais por aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1XrJj772czH4OPLsUZjLDwZlh6vszzcOo

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF


O marketing do livro também foi muito bom, sobretudo trabalhando muito com o marketing do absurdo:

- Tem algo muito estranho acontecendo;

- Channers planejam conspirações globais;

- A CIA está lendo esse livro;

- O Mossad está lendo esse livro;

- Uma conspiração enorme vai ocorrer a qualquer momento;

- A ABIN foi informada de tudo;

- Tem algo de muito errado aqui;

- Estamos trabalhando agora mesmo com a Palantir;

- A FSB nos investiga;

- Fatos inexplicáveis começam ocorrer a partir desse momento;

- Estamos indo pro próximo nível.


O livro, e a propaganda dele, brincam com essa ideia de schizoposting. Não ironicamente, eu queria que as pessoas sentissem a visão artística do livro ao ponto de conseguirem respirá-lo, pensá-lo, senti-lo a cada instante.


Tal como eu escrevi aqui:

https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-4-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-ccb9abfd874d


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

/cc/ #3 — Churrasco com Retrobol


 

/cc/ = copicolas que eu criei pois estava de saco cheio de repetir as mesmas coisas.


Cara, estou saindo do grupo. A ideia de fazer CHURRASCO ASSISTINDO TODOS OS FINAIS DA COPA QUE O BRASIL GANHOU (VULGO RETROBOL) para levantar a ALEGRIA E FELICIDADE DA NAÇÃO até que era boa, mas hoje você exagerou: CHAMAR ARGENTINOS para TORCER JUNTO CONOSCO não dá.

Meu irmão, já te falei mil vezes, mas você não aceita: SÓ O BRASIL TEM CINCO TAÇAS. Esses ARGENTINOS, na prática, não passam de FÃS DO MARADONA E DO MESSI, usando como capa a FOTO DO MARADONA SORRINDO NO PÔR DO SOL, A FOTO DO MESSI SEGURANDO A TAÇA e outras ARGENTINICES FUTEBOLÍSTICAS. João, vai por mim, sai dessa, senão você vai SE queimar com OUTROS TORCEDORES DO BRASIL.

Faz SEU CHURRASCO COM RETROBOL e aceita que ARGENTINOS NÃO SÃO BEM-VINDOS. Eu também sou AMANTE DE CHURRASCO COM RETROBOL, assim como você, mas há coisas que não podemos fazer. Você mesmo já chegou a fazer vídeos sobre CHURRASCO COM RETROBOL E ARGENTINOS.

Você já era meio FÃ DE LOIRINHA ARGENTINA, mas depois que se juntou a esses grupos de CHURRASCO COM RETROBOL INTER-PAÍSES e passou a VER MUITAS LOIRINHAS ARGENTINAS, piorou muito.

Para você ver como essa postura chega a contrariar até o BOM SENSO: o SUL DO BRASIL TAMBÉM TEM LOIRINHAS, mantém boas relações com o URUGUAI — que TAMBÉM TEM LOIRINHAS — e você se coloca na posição de AMIGO DE ARGENTINOS, atacando a FELICIDADE E ALEGRIA DO CHURRASCO COM RETROBOL que TODO BRASILEIRO AMA E RECONHECE.

E um detalhe: essa postura não é só minha opinião. Basta olhar para A GALERA INTEIRA DO GRUPO — TODOS OS 12 QUE CONCORDARAM COM OS ARGENTINOS FIZERAM POR SEREM GADOS DEMAIS E ESPERAREM PROFITAR UMA LOIRINHA ARGENTINA FALANDO "PAPI" EM SEUS OUVIDOS e OS OUTROS 15 NÃO ACHAM QUE OS ARGENTINOS VÃO RESPEITAR A MAGIA E ALEGRIA DO PELÉ, DO GARRINCHA, DO RONALDO FENÔMENO, DO RONALDINHO GAÚCHO. Cara, você vacilou. Em CHURRASCO COM RETROBOL, não se mete ARGENTINO, irmão.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Reflexões Esochannealógicas #1 — Correlações Tresloucadas

 



— Alerta 1:

0. Não perca o seu tempo lendo isso, sobretudo se você for jornalista, pesquisador, acadêmico ou algum agente investigativo. Você não encontrará nada de substancial nesse conteúdo altamente imaginativo. Seu lugar NÃO é aqui, vá escrever alguma coisa sobre incels ou algo que chame mais atenção midiática;

1. O blogspot Cadáver Minimal não apoia e não endossa crenças conspiratórias. Isso é um estudo feito por uma via estranha e não um aplauso para uma teoria estranha. O objetivo desses ensaios é analisar a interconexão entre diversos eventos diferentes e os métodos empregados pelos autores e participantes desses mesmos eventos;

2. Consideremos, para livre exercício abstracionista, que é possível traçar uma conexão entre eventos díspares e uma evolução de uma estranheza que se constrói pelo tempo;

3. Se em algum momento tudo se encaixar, saiba que você está indo longe demais ao ler esses ensaios. Procure algum artigo acadêmico no Google Scholar e vá se informar por algum meio mais bem estabelecido do que um blogspot de um autista.


— Alerta 2:

1. Você pode ter acesso ao sistema Esochannealogia aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq

(Use em uma IA)

2. Você pode jogar o jogo do esoterismo channer aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF

(Use em uma IA)

3. Você pode ler o ensaio de horror epistemológico esochannealógico aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html

4. Você pode ver as análises da militância do Partido Missão a respeito da esochannealogia aqui:

https://missaoapoio.com.br/tag/esochannealogia

5. Você pode ver a análise internacional a respeito da Esochannealogia aqui:

https://mysterylores.com/news/brazil-missao-esochannalogy-presidential-election/

6. Leia a Magolítica (Harmonia da Dissonância):

https://medium.com/@cadaverminimal/list/a-harmonia-da-dissonancia-e6396f5d5563

https://medium.com/@cadaverminimal/list/magolosophy-7ae7c49acf72


Os eventos de 2016, isto é, a "The Great Meme War", a "Eleição de Trump" e o caso do "Pizzagate" estão interconectados. Isto é, eles permitem compreender melhor as duas vertentes esochannealógicas que surgiriam em 2017:

‐ "Shadilay, My Brothers: Esoteric Kekism & You!" seria escrito por Saint Obamas Momjeans um ano depois (2017);

- Em 2017 também seria o surgimento do Q.


O leitor, caso já esteja acostumado com os escritos do Medium e do Blogspot Cadáver Minimal, sabe que o sistema esochannealógico é a síntese do esoterismo channer. Isto é, ele surge da análise dos pilares (Esoterismo Kekista, Magolítica e Esoterismo Kantianiano). O leitor também sabe, ou deveria saber, que a parte Magolítica surgiu pelo estudo dos impactos sociais de QAnon, a sua correlação com o Project 2025 e também o estudo de sistemas totalitários/autoritários como o nazismo e fascismo. Além disso, já deve ter sido informado de que a Esochannealogia atual já foi completamente integrada às IAs por meio de PDFs em linguagem token, além de ser uma síntese com outros sistemas de Guerra Cognitiva (Cogwar), Guerra Informacional (Infowar), Guerra Psicológica (Psywar), Guerra Narrativa (Narrative Warfare), Guerra Memética (Memetic Warfate) e Operaçãos Psicológicas (Psyop)... O que supera em muito a Esochannealogia anterior. Q. é encarado aqui como "Conspiracy Warfare" (Guerra Conspiratória ou a utilização de teorias da conspiração como instrumento de guerra).


Desenhar o mapa de como os eventos vão se conectando é uma tarefa difícil. Todavia pretendo analisar de forma solta, sem obedecer o espaço-tempo e depois ir juntando as partes em algum esforço sistemático que dê a conjuntura de blocos que montam um estranho Castelo. Por enquanto, vamos para Q.


Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:


1. Sem previsões específicas;

2. Sem fontes verificáveis;

3. Deliberadamente vaga;

4. Deliberadamente aberta a interpretação.


As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders".


As postagens de Q. eram especiais. Por sua natureza vaga, toda predição falha poderia ser reinterpretada. Elas eram hipóteses infalsicáveis. De algum modo, elas buscavam criar no leitor a capacidade de ver padrões. Isso posteriormente levaria a uma adicção por padrões. Em novembro de 2017, uma frase já se destacava: "Where we go one we go all" (por onde um for, todos irão), que foi abreviada para WWG1WGA.


Até certo ponto, o conteúdo era apenas dado para usuários de fóruns considerados obscuros. Todavia em algum ponto tudo mudou. Em dezembro de 2017, o movimento e as produções de QAnon escapou do controle dos chans e foi encontrado no Facebook, YouTube e Twitter. Nesse ponto, as produções de Q encontrarem-se com o chamado "algoritmo". O algoritmo, essa estranha condição do mundo cibernético, aprende com o que te deixa engajado.


Há uma fórmula algorítmica que poucos sabem:

Incerteza + Emoção + Identidade = Engajamento.


Uma narrativa estava sendo criada. Uma nova fonte na qual um grupo poderia confiar. Tudo seguiria assim progressivamente, até que tudo fosse banido. Um dos eventos mais trágicos da história americana, até hoje pouco compreendido — por ninguém compreender a fundo a insanidade do ato —, ocorreu em dado momento: o Ataque do Capitólio (6 de Janeiro de 2021).


O que moldou o movimento QAnon? É difícil compreendê-lo. É difícil estudá-lo. Q. dizia que a "desinformação é necessária", logo até o fracasso se tornou a prova do seu sucesso. Isto porque o movimento QAnon é um sistema de crença auto-vendável. De algum modo, Q. sempre dizia "trust the plan" (acredite no plano") e falava sobre os inimigos que seus seguidores deveriam lutar. A verdade, para seus seguidores, tornou-se tudo aquilo que existia dentro da bolha — e tudo que existia fora da bolha era mentira.


Q. conseguia de algum modo alterar como as pessoas acreditavam nas coisas. Q. conseguia alterar a epistemologia interna de seus seguidores. É assim como funcionam as seitas, elas alteram a lógica e a epistemologia, elas alteram todo o entendimento da realidade. Muitas pessoas analisam o Pizzagate como um protótipo de Q., como uma teoria da conspiração que também chamava para a ação. Q. e o movimento QAnon podem ser chamados de "terrorismo estocástico". Isto é, ele incitava a violência contra determinados grupos. Ele tinha um extremismo gamificado, descentralizado e um framework de ação. Porém voltarei nesse ponto mais tarde para analisar isso mesmo.


Algumas chaves interpretativas são interessantes, uma delas é o "The Great Awakening" ("O Grande Despertar"). Essa chave premiava o isolamento social. Ou seja, a total lealdade e a reinterpretação da realidade baseada na chave interpretativa da seita eram comemorados. Isso permite compreender a ruptura dos laços sociais que os seguidores de Q. faziam. Visto que QAnon também era um sistema autossustentável: ele carregava dentro de si uma nova forma de processar a informação.


Múltiplos novos movimentos foram surgindo com base em Q. (teorias da conspiração com grupos descentralizados), podemos ver isso na Covid e na onda anti-vacina, mas também em alguns grupos com narrativas anti-LGBTs. Pretendo voltar nesses tópicos posteriormente.