domingo, 25 de outubro de 2026

Acabo de ler "O Mínimo sobre Globalismo" de Alexandre Costa

 



Livro:

O Mínimo sobre Globalismo


Autor:

Alexandre Costa


Nota do Cadáver:

Quando esse blog era bem menor, tanto em visualizações quanto em análises, já tinha analisado um livro de Alexandre Costa. Naquele período, já imaginava a construção de um modelo de guerra conspiratória, que posteriormente apareceria no esoterismo channer, no sistema denominado esochannealogy. Como ninguém soube separar guerra conspiratória (um tipo de guerra narrativa em que se criam teorias da conspiração contra adversários) de teoria da conspiração (literalmente acreditar em teorias da conspiração), creio que a capacidade em si de entender as técnicas do esoterismo channer se perdeu.

Recomendo olhar a análise anterior:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2022/09/acabo-de-ler-introducao-nova-ordem.html?m=0

E ler o que foi escrito no Magolítica:

https://medium.com/@cadaverminimal/list/e6396f5d5563

Caso exista o interesse no aprofundamento a respeito da guerra conspiratória (conspiracy warfare), recomendo essa lista:

https://cadaverminimal.blogspot.com/search/label/conspiracy%20warfare?m=0


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Nos últimos tempos, tenho conduzido um esforço para compreender o debate público brasileiro ao mesmo tempo que estudo áreas ligadas à computação. Não pretendo abordar a segunda parte agora, mas venho consumindo vários cursos nessa parte. Em relação ao estudo, mais na área de humanas, fiz mais de cinquenta cursos no ICL (Instituto Conhecimento Liberta) e ainda venho lendo sobre o fenômeno trumpista através de diversos autores. Isso dificultou bastante meu tempo de análise, embora eu acredite que todos esses estudos possam gerar conteúdos mais diversos no futuro.


Eu quero compreender como a esquerda está se formando e pensando. Eu quero compreender como o centro está se formando e pensando. Eu quero compreender como a esquerda está se formando e pensando.

 

Existe um motivo pelo qual eu estou analisando a coleção "O mínimo sobre"; um dia eu pretendo me aventurar no terreno da estratégia política e, por tal razão, pretendo conhecer todos os lados do espectro político. Essas leituras são, para mim, uma forma de compreender múltiplas posições e organizações sociais. Essa coleção, em especial, apresenta vários quadros da nova direita brasileira. Aqueles que querem compreender o que a nova direita brasileira pensa precisam ao menos dar uma passada nesses livros.


Várias ideias vêm sido passadas pela nova direita brasileira. Uma série de autores que, muitas vezes, passam despercebidos pelos intelectuais. Acredito que a obra de Alexandre Costa é essencial para quem quer seguir a nova direita brasileira e compreender como ela está se formando. Aqui o leitor poderá ver uma análise pura a respeito do "globalismo", sem aquele verniz acadêmico cheio de notas dizendo "isso é uma teoria da conspiração". Isto é, a possibilidade de estudar o "globalismo" por um teórico do assunto diretamente.


Sobre o livro, em si, prefiro não dar muitos spoilers, mas deixo a seguinte questão: se a primeira análise (linkada lá em cima) a respeito do Alexandre Costa dizia: "Mas, tudo bem, eu li esse livro já esperando isso mesmo e tenho certeza que será útil para o que estou construindo - e, não, eu não vou dizer o que estou construindo"... o que será que estou construindo tão pacientemente?

sábado, 24 de outubro de 2026

Acabo de ler "Audience of One" de James Poniewozik (lido em inglês)

 


Nome:

The Audience of One


Autor:

James Poniewozik


Creio que após o primeiro turno das eleições brasileiras, muita gente percebeu isso: a política moderna consiste mais em um espetáculo de influenciadores que tentam, a todo custo, entreter o público do que em respostas políticas concretas aos problemas sociais, infraestruturais ou econômicos. A espetacularização da política não é apenas uma "nova forma de fazer política", mas também uma forma de ocultá-la.


Enquanto o Brasil era assombrado por uma explosão de banheiros trans inexistentes e por uma forte onda de comunismo que nunca existiu, James Poniewozik analisava a carreira de Donald Trump. Os seus insights, embora feitos para analisar os Estados Unidos, também se encaixam como uma luva para explicar a realidade nacional.


Um dos temas centrais das eleições de 2026, aqui no Brasil, é como influenciadores se tornam personagens e personagens se tornam políticos. Aqui entra uma conexão fundamental: James Poniewozik defende em seu livro que a televisão não apenas ajudou Donald Trump a se tornar presidente, mas também moldou a sua personalidade pública, seu estilo político e a maneira como ele exerce o poder. James nos ajuda a entender como os termos "celebridade", "entretenimento" e "política" passam a se confundir.


O espetáculo das redes sociais é pautado por influenciadores e figuras que disputam engajamento e viralização em vez de propostas concretas e debate de ideias. A gente precisa compreender como isso é metodologicamente possível.


— Sete pontos centrais do caso Trump:

1- Trump é um personagem de televisão antes de ser um personagem político:

O personagem público de Donald Trump era o de um bilionário extravagante, de uma celebridade provocadora e, por fim, de um líder combativo.


2- A televisão passou de força unificadora para força fragmentadora:

Conforme a televisão foi se fragmentando, os públicos e os nichos se dividiram, impossibilitando narrativas unificadoras.


3- O reality show ensinou o público a enxergar poder como espetáculo:

A política moderna não é algo que se tenta compreender intelectualmente, mas, antes disso, um espetáculo que se transmite. 


4- A cultura popular normalizou o anti-herói:

Séries, filmes e programas normalizaram anti-heróis no imaginário público. Figuras manipuladoras, agressivas e transgressoras se tornaram as principais referências. A grosseria e a falta de decoro viraram sinais de autenticidade e não defeitos.


5- A cultura da atenção recompensa o conflito e não a reflexão:

O espetáculo não existe para ser ponderado. O espetáculo existe para causar sensações em quem assiste. O espetáculo quer causar medo, indignação, acusações, confrontos, risadas, seja lá o que for. 


6- As redes sociais transformaram a provocação em estratégia permanente:

Com a queda da televisão, o decoro jornalístico deixou de ser um freio. Enquanto Trump soltava uma série de comentários curtos, insultos e declarações controversas, a mídia reagia a tudo deixando o nome de Donald Trump em maior evidência, o que ampliava o seu alcance.


7- A presidência passa a funcionar como reality show:

A política passa a ser uma sequência de episódios, disputas, reviravoltas e demonstrações de força. O expectador quer se sentir emocionado o tempo todo, logo transforme a sua vida em um reality show.


— Uma metodologia de sete passos da política do espetáculo:

1- Criar uma personagem midiática que seja tão ou mais importante que a pessoa real;

2- Adaptar-se a um público consumidor e criar uma narrativa que lhe seja agradável;

3- O central não é apenas governar ou fazer política, mas sim ser um dos personagens centrais que se envolvem em dramas para entreter o eleitor;

4- Agir como um anti-herói grosseiro, manipulador e moralmente ambíguo rende pontos, pois entretém o público, além do público não ver isso como defeito;

5- Entenda que a sua posição não é a de um intelectual explicando alguma coisa, mas sim a de um personagem que deve chamar atenção. Gerar manchetes e provocar adversários são duas possibilidades infinitamente mais importantes do que estar intelectualmente certo;

6- A controvérsia não é um problema, é um método de viralização e amplificação da sua mensagem;

7- É preciso que a gestão do governo e a produção de narrativas midiáticas se tornem indistinguíveis para o expectador.


A Era do Showfare

É interessante como podemos juntar os termos "reality show" e "warfare".  Na qual podemos criar o termo "Showfare" (guerra dos shows).


Nesse novo modo de guerra, as pessoas que mais tiverem incentivos midiáticos em sua atividade política (conflito, emoção, espetáculo, audiência) para aumentarem o seu poder ganham. Saber capturar a atenção é mais importante do que apresentar propostas. A polarização é um produto cultural a ser comercializado. A fronteira entre realidade e entretenimento deve ser psicologicamente quebrada a cada instante.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Memória Cadavérica #65 — Pode ficar com o termo "direita"

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto:  mensagem a um amigo.


Houve um tempo, no passado, em que eu disputaria o termo "direita". Sério mesmo. Naquele tempo, à direita estavam G. K. Chesterton, George Grant, Nelson Rodrigues, Rick Wilson, Christopher Buckley... Hoje em dia, o que diabos é ser de direita?


Se olharmos o termo "direita" hoje, vemos que, na direita, se localizam teóricos da conspiração, bebedores de detergentes, cultuadores de pneus e fãs de influenciadores histéricos. Não existe a mínima razão para eu querer disputar essa merda ou querer estar vinculado a essa porcaria.


Depois que transformaram a direita inteira em uma seita de lunáticos em que a competição é ver quem é mais histérico diante de uma câmera, por qual razão eu quereria estar dentro dessa futilidade?


Sei que seres humanos são carentes e usualmente necessitam da proteção de um grupo. Isso leva a uma relativização aqui e ali. Todavia, eu não consigo relativizar o presente estado deformado da direita nacional. Eu não quero estar ao lado de nenhum de vocês.


Se vocês ao menos fossem agradáveis de se estar por perto, mas falando francamente: todo grupo de direita se resume a gente xingando gente no intuito de demonstrar superioridade. Parece até grupelho de paneleiro. Pra ser mais franco, hoje a direita parece um grupo de paneleiros. A diferença é que o paneleiro pratica crimes por esporte e para criar uma lore.


Creio que essa é uma lição primordial: você só pode ameaçar de tirar a identidade de alguém quando essa pessoa é carente de afeto e quando essa identidade é muito cara, hoje essa identidade (a "de direita") está altamente desvalorizada e chega a causar até nojo. Você não está a me ofender ao dizer que "não sou de direita", você está apenas me dando parabéns por não ser parte do lamaçal que virou esse grupo.


Não que eu esteja me vendo como de "esquerda", atualmente, a única coisa que vejo são cursos online e o resto eu quero mais é que vá pro inferno.

domingo, 11 de outubro de 2026

Acabo de ler "O Mínimo sobre Conservadorismo" de Bruno Garschagen


 

Nome:

O Mínimo Sobre Conservadorismo


Autor:

Bruno Garschagen


Tenho adquirido algo que chamo de cibermonasticismo. Isto é, eu venho criando o hábito de só ficar em sites e em grupos que sejam realmente relevantes para mim. Os sites são usualmente educacionais. Citarei alguns deles nesse texto. Os grupos são aqueles que aparecem com possibilidades de eventos realmente significativos. O cibermonasticismo é baseado na ideia de que quase toda internet se tornou um campo de guerra e o melhor a fazer é ficar fazendo cursos e ignorando todo o resto.


Passo pouco tempo nas redes sociais. Acho que atualmente só tenho o Instagram. Prefiro ficar em plataformas estudando. Passo certos períodos do meu dia viajando intelectualmente na Hillsdale College, no Christendom College, no Instituto Conhecimento Liberta, na UniAthena, no Free Code Camp, no Code Signal. Creio que é um tempo mais produtivo do que perder tempo debatendo em redes sociais. Ainda mais pelo fato de, atualmente, as redes sociais estarem cheias de pessoas xingando pessoas.


Venho tentando passar mais tempo longe das redes sociais. Hoje mesmo, excluí meu Telegram (que já não mais usava). Eu tinha terminado esse livro há algum tempo, mas me sentia exausto. Pra ser sincero, tenho me sentido exausto o tempo todo. Talvez eu esteja em um mar de afastamento e deslocamento.


É uma longa introdução. Já tinha lido Bruno Garschagen quando eu era adolescente, eu acho. Creio que o conservadorismo é meio assim. É a ideia de se manter longe das paixões e buscar a sobriedade. Todavia, hoje o mundo se encontra em um mar de populismo, reacionarismo e teorias da conspiração. Um ambiente que, de conservador, nada tem. Vivemos na era do reacionarismo pop.


Ler esse livro me faz pensar a respeito de algo que profundamente me incomoda: por qual razão não temos mais a esperança de um mundo normal? Creio que as hordas conspiracionistas e seitizadas tomarão tudo que verem pela frente. Nesse mundo, o reacionismo reconstruirá tudo na imagem e semelhança de sua deformidade.


Queria escrever mais, mas me sinto mal. Tudo está desconexo. Não espero que nada de bom ocorra daqui para frente.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Acabo de ler "How To Trump SJWs" de Manon Welles (lido em inglês)

 



Nome:

How To Trump SJWs - Using Alinsky's Rules for Radicals Against Liberals


Autora:

Manon Welles


Creio que os leitores do Blogspot já leram ou ouviram falar da Manon Welles antes. Caso não tenham visto, creio que vale a pena dar uma conferida no material correlacionado a Egil Asprem:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-magical-theory-of-politics_82.html?m=1

E ao material correlacionado ao esoterismo channer no Medium: https://medium.com/@cadaverminimal/list/e6396f5d5563


É válido lembrar que existe uma conexão, no esoterismo channer, entre a obra de Saint Obamas Momjeans e a de Manon Welles. Talvez seja do interesse de vocês olharem tudo o que foi escrito a respeito disso no Blogspot aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/search/label/Egil%20Asprem?m=0


Ler esse livro foi refrescante. Há tempos que não me lembro como era aquele período de 2016. Toda aquela ideia de rebeldia trumpista. Embora eu acredite que tudo foi uma grande tolice. A forma como o texto foi escrito lembra-me do período em que eu era mais jovem. Ainda me lembro de toda aquela sensação revolucionária do 4chan e do surgimento do famigerado Cult of Kek.


É interessante observar como a Manon Welles consegue simplificar o entendimento de Saul Alinsky, um homem notoriamente de esquerda, para a compreensão da alt-right. O livro se apresenta com uma escrita simplificadora, tal como uma espécie de material introdutório de estratégia da alt-right. Além disso, existe uma conexão estilística entre a escrita da alt-right e a escrita do livro. Se a alt-right escrevia através de uma linguagem cheia de piadocas, Manon Welles aqui faz o mesmo.


Certamente esse é um livro que merece a atenção de todo mundo que estuda o esoterismo channer. Algo que se tornou especial para múltiplos leitores aqui do Blogspot, visto que hoje em dia a maioria dos leitores que vêm para cá é proveniente de chans.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Memória Cadavérica #64 — Vontade é o que você faz contra si mesmo para vencer!

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: conversa com um amigo no WhatsApp.


— Pensa nisso: tem uma porrada de cursos de graça por aí. Imagina se a gente vai fazendo esses cursos e depois vamos ter brainstormings. Quem sabe a gente arrume grana com isso.

— Mas eu tentei deixar implícito na minha fala que, por mais que eu tente destrinchar a minha visão, de forma a reestabelecer planos, não havendo sentido nas coisas à frente, é meio difícil pensar em planos menores. Hoje a minha mãe chegou em casa, me viu aqui mais uma noite, e proferiu as seguintes palavras: "O que aconteceu com a faculdade? Já desistiu?"

— Eu tinha depressão profunda quando fazia faculdade. Eu ia pra escada que não tinha ninguém e ia chorar. Mesmo assim, precisei terminar. A questão não é como você se sente, mas sim a sua vontade. Desejo é para coisas simples, tais como encher a cara. Vontade é o que você faz contra si mesmo para vencer.