quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Memória Cadavérica #63 — A maioria das pessoas que são contra IAs é hipócrita!

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto publicado no Reddit.


TEXTO 100% ESCRITO À BASE DE MISANTROPIA REAL E NÃO POR UMA MISANTROPIA SIMULADA POR UMA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL!


Toda vez que eu leio um "apoie artistas reais" ou um "IAs roubam arte humana", eu sinto nojo. Daí eu faço as seguintes perguntas:


— Você já pirateou um jogo de PS1, de PS2, de Super Nintendo, de Nintendo DS, de PSP, de 3DS ou de Wii ou de qualquer outro videogame? (Também válido pra PC)


— Você já pirateou música?


— Você já pirateou um aplicativo pra ter acesso grátis?


— Você já baixou um PDF de graça em vez de pagar pelo livro?


Sim, perguntas interessantes e fundamentais. Sabia que o Brasil é um dos países com um dos maiores índices de pirataria no mundo? Mas, vamos além:


— Quando você diz: "temos que apoiar artistas reais", você está me dizendo que me dará CINQUENTA REAIS para eu pagar um "artista real"?


Pra mim, todo mundo que diz "vamos apoiar artistas reais" deveria ser obrigado a pagar pelo trabalho do artista real. Deveria estar na lei: "encheu o saco para que paguem por artistas reais, é obrigado a pagar".


Outro papinho furado:


— Ain, querem substituir humanos por máquinas; eles são bilionários querendo ferrar o humano médio!


E desde quando as pessoas são obrigadas a gostar do humano médio? Desde que sofri bullying na infância e na adolescência, eu não gosto do humano médio. Isso, para mim, é só mais um motivo para eu ser a favor. Acha que eu não sei como anda a Internet?


1- Visite o 4chan e veja humanos odiando humanos e xingando humanos;


2- Visite o Reddit e veja humanos odiando humanos e xingando humanos;


3- Visite o Xitter e veja humanos odiando humanos e xingando humanos;


4- Visite o YouTube e veja humanos odiando humanos e xingando humanos;


5- Visite o Instagram e veja humanos odiando humanos e xingando humanos;


6- Visite o Facebook e veja que você já está muito velho, Facebook em 2026? Pelo amor de Deus, né?


(Se bem que agora tem um povinho frequentando o Reddit que deveria voltar pro Facebook, visto que o Reddit sempre foi feito para undergroundeiros que leem livros e o povinho cafona que chegou aqui agora nem livros lê. Sou a davor da DEPORTAÇÃO de todo mundo que lê menos de 30 livros por ano. Vamos criar um programa, estilo Gugu, chamaremos de "De Volta pro Facebook" pra tirar essa gente burra, normie e mala daqui).


Por que diabos eu tenho que gostar disso? Me responda. Se a humanidade acabar, melhor assim. Não estou perdendo absolutamente nada. Aí você me diz que vou morrer junto e eu lhe respondo que já nasci morto.


Você que é um guri que passa o dia xingando os outros na internet, por que diabos você acha que eu devo ficar triste com o fim da raça humana? Você que é uma guria que coloca até descrições no Tinder xingando todo mundo, por que diabos você acha que eu devo ficar triste com o fim da raça humana? Para mim, nada é mais doce que o fim da humanidade.


Sim, eu sei que você provará que estou certo: você chorará e gritará que o texto foi escrito por IA, provará que estou certo pelo fato de eu dizer que a internet atual é movida por xingamentos, esperneará dizendo que a IA gasta recursos naturais e blá-blá-blá.


Eu sou IA ACELERACIONISTA e quero que as IAs superem e destruam a raça humana inteira. Chega de ver gente me odiando todos os dias. Chega de olhar para pessoas que eu odeio todos os dias. Viva a era das máquinas!

Memória Cadavérica #62 — Jornalismo abandonado


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto publicado em um grupo de amigos do WhatsApp.


(Censurado) e (Censurado), sabem por que as pessoas pararam de ler jornais e passaram a consumir só livros?


— Diz leitor.

— Afirma especialista.

— Estudos indicam.

— Aponta relatório.

— Confirma analista.

— Segundo fontes.

— Relata testemunha.

— Indica pesquisa.

— Revela estudo.

— Afirma observador.

— Conforme dados.

— Diz especialista da área.

— Aponta levantamento.

— Segundo especialistas.

— Confirma fonte próxima.

— Relata quem sabe.

— Indica análise.

— Revela levantamento recente.

Acabo de ler "O Mínimo sobre Doutrinação" de Pietra Bertolazzi


 

Nome:

O Mínimo sobre Doutrinação


Autora:

Pietra Bertolazzi


Finalmente mais um livro da série "o mínimo sobre". Creio que vale a pena, para todos, dar uma conferida e, quem sabe, ler todos os volumes dessa coleção. É sempre importante alertar: o estudo deve ser acompanhado por pessoas de múltiplas perspectivas para garantir uma dieta intelectualmente rica.


Pietra Bertolazzi, creio que a primeira vez que a vi foi em um vídeo da Produções Productions. Naquele vídeo, ela explicava por que era contra o voto feminino. Ela respondeu que, na verdade, era contra o voto de todos. O que ela defendia era uma monarquia confessional católica. É evidente que, com tal ponto de vista, ela chamou muita atenção.


Pietra Bertolazzi, por mais distintas que sejam as suas visões de mundo, é uma pessoa que merece ser lida. Já que ela aborda conteúdos que os centros de produção cultural mainstream não abordam. A sua presença no debate público é sempre um ponto de interrogação que derruba clichés.


Nesse livro, essa mesma mulher, tão vista como um ponto de interrogação no debate público brasileiro, traz pontos de vista a respeito da história da educação com um olhar católico e tradicionalista. Muitas pessoas desconhecem esse ponto e poderiam dar uma olhada para ver o que pensam. O aumento da diversidade do debate público é sempre algo saudável.

Memória Cadavérica #61 — Entre livros e cursos

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto publicado em um grupo de amigos no telegram.


Tenho feito cursos no ICL e lido livros de direita. Em outras palavras, tenho tido aulas com professores de esquerda e lido autores de direita. Isso é, por assim dizer, infinitamente mais interessante que sair por aí debatendo na internet ou vendo a sociedade do espetáculo performático que se inaugura mais radicalmente dia após dia.


Vocês não sabem a paz que é ler livros e fazer cursos, despreocupadamente, sem ler comentários raivosos de hordas digitais.


Quando alguma baboseira extraordinária ocorre, como pessoas se questionando o posicionamento político de chinelos ou pessoas tomando sabonete líquido... eu simplesmente posso ignorar.

domingo, 30 de agosto de 2026

Acabo de ler "O Mínimo sobre Olavo de Carvalho" de Ronald Robson

 


Nome:

O Mínimo sobre Olavo de Carvalho


Autor:

Ronald Robson


Quando penso na morte do Olavo de Carvalho, lembro-me de que conheci vários alunos dele. Muitos se tornaram amigos. Quando ele morreu, acompanhei com tristeza os pesares dos meus amigos. Até hoje vejo os vídeos do Olavo de Carvalho.


Olavo de Carvalho era um homem de muitas polêmicas. De qualquer modo, sempre soube separar aquilo de que concordava ou discordava dele. Creio que devemos ser assim com todos. Tinha vários amigos que, mesmo sendo alunos do Olavo de Carvalho, também eram assim.


Ler esse livro me trouxe memórias. Lembro-me de ter rido, várias e várias vezes, das postagens engraçadíssimas do Olavão no Facebook. Quando estava no início da faculdade de filosofia, ia com meu Kindle lendo o "Jardim das Aflições", a obra mais fantástica do Olavo.


Nunca fui, de certo, um olavista no sentido em que empregam esse termo. Lia Olavo de Carvalho e Leonardo Boff ao mesmo tempo. Sempre li autores de esquerda e de direita ao mesmo tempo. Creio que a nossa vida é mais amena quando a gente não odeia pessoas por causa das suas orientações políticas.


Esse livro é um presente, seja para quem ainda não conhece a obra do Olavo de Carvalho e quem já a conhece.

sábado, 29 de agosto de 2026

Memória Cadavérica #60 — O homem apaixonado é como um vira-lata caramelo!

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto que fiz para compartilhar com meus amigos.


O homem apaixonado é como um vira-lata caramelo. Não existe nada mais febrilmente idiota que o homem apaixonado. E digo mais: não há idiotice mais tenra e feliz que o homem apaixonado.


Olhar para um homem apaixonado é como olhar para uma pessoa a cochilar numa rede num clube com piscina num feriado à tarde. O homem apaixonado é terrivelmente banal; ele passa por uma loja, ouve uma música tocando nela e se sente terrivelmente feliz por ter percebido que a música tocando era uma que ele conhece pela mulher que ama.


Digo que, em absoluto, o homem apaixonado não pode ser explicado por um metafísico da Grécia antiga e nem por um teólogo santo da Idade Média.


Creio que não é possível filosofar a respeito do homem apaixonado, visto que o ato filosófico é um ato de amor à sabedoria. O homem apaixonado está naquilo que chamamos de filocalia, isto é, no amor à beleza. Amar é um ato filocálico.


Você já viu a felicidade de um vira-latinha que foi adotado e agora toma água gelada e sempre tem comida e aconchego? Isso remete ao homem apaixonado em seu estado de febre concreta.


O homem apaixonado sorri totalmente de forma tola sem se importar em ser julgado, visto que o único julgamento que lhe importa é o da mulher amada e não o da tribuna social.


É por isso que eu digo sempre: nada mais simultaneamente idiota e encantador que a figura do homem apaixonado.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Estudos Lunáticos #6 — A Máquina Eleitoral da Guerra Cultural

 



Nota: esse texto foi feito com base no curso "A Economia da Atenção" do professor João Cezar de Castro Rocha. O curso foi realizado no Instituto Conhecimento Liberta.

A Guerra Cultural é a máquina eleitoral mais poderosa do século XXI. A estratégia empregada por essa máquina é a mobilização permanente. Isto é, a campanha eleitoral como forma permanente de atuação. Algo que lembra muito bem a estratégia de Napoleão Bonaparte.

Enquanto a direita leva a estratégia dos três Ls (Lacre, Like e Lucro), a guerra vai se tornando parte do cotidiano das pessoas e habituando-as a essa realidade.

A guerra cultural é o mais poderoso ecossistema de desinformação já criado. É na atmosfera da guerra cultural que narrativas extremistas se encontram lado a lado com as pautas de costume e a retórica do ódio. Se a arte política é a arte da concessão, a guerra cultural é a arte de coagir o outro a se submeter à sua vontade.

A Lei da Polaridade é fundamental:
- A se opõe a B e somente a B;
- B se opõe a A e somente a A.

É válido lembrar que a eliminação do outro é fundamentalmente antipolítica. Também é preciso compreender que a hegemonia é a luta pela liderança da consciência de uma sociedade, aceitando que sempre existirá oposição dentro dessa luta. Já a guerra cultural requer a eliminação de tudo que não é espelho.

— Etnografia da Guerra Cultural:
- Hipertemporalidade: agoridade constante (aqui e agora);
- Hiperpolitização do cotidiano: tudo é pautado politicamente;
- Negacionismo como método: sobretudo o negacionismo científico e histórico;
- Naturalização do absurdo: atos completamente ridículos ou desproporcionais são tratados como naturais;
- Caos cognitivo: incapacidade de discernir claro e escuro, sim e não, verdadeiro e falso.


A economia da atenção ensina que a racionalidade é limitada, que a economia como reflexão surge por causa da escassez e que a economia da atenção humana é limitada por causa do limite de nossa cognição. Em uma era de informação ilimitada, há a sobrecarga da cognição e beneficia-se quem mais utiliza de estratégias que solapam a racionalidade (o que leva a Teoria Mágica da Política).