sexta-feira, 26 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 5)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Fervor religioso > Fatos: a construção da seita QAnon colocava interpretações alternativas da realidade como prioritárias, essas interpretações distorcidas assumiam o local da percepção e serviam a um forte viés de confirmação das próprias crenças;

2. Memetic Warfare: a guerra memética teve uma brilhante construção no período da ascensão do Cult of Kek, sobretudo graças ao Saint Obamas Momjeans. Até hoje, seguidores do Q. estudam, mesmo que indiretamente, pensamentos de guerra memética associados ao Cult of Kek, e o próprio Q. era usuário dessas técnicas, como notamos pelos drops. No próprio /qresearch/ podemos ver uma thread onde se estuda e pratica guerra memética;

3. Literacia: não só o Cult of Kek dispõe de livros, mas o QAnon também possui, a construção de livros ajuda na perpetuidade do movimento;

4. QSpeak: termos do Q. eram usados para que só os membros do movimento, os insiders, soubessem o que estava sendo dito;

5. Apofenia: como as mensagens do Q. eram feitas para serem pesquisadas e correlacionadas com uma série de movimentos da vida real, isso criava pouco a pouco a condição de apofenia (identificar padrões, conexões ou significados em dados, eventos ou objetos completamente aleatórios);

9. Filtro de culto: as informações confiáveis vinham só do culto e de quem era do culto, isso gera uma fidelidade tribal e reforça a mentalidade de seita;

10. Construção mitológica memético-conspiratória: as frases de Q., os seus drops, eram meméticos. Eles construíam pouco a pouco uma mitologia interna do movimento. Essa mitologia crescia conforme os membros adquiriam apofenia através de múltiplas interpretações e correlações de eventos não conexos. Isso gerava um rabbit role e ARG, além da fortalecer o QAnon como teoria da conspiração open source.


— Compreendendo a razão dos drops do Q. serem meméticos:

Uma pergunta: o que é um meme? O meme não é, pura e simplesmente, uma imagem engraçada ou um vídeo de humor. O meme SEQUER precisa ter humor. Memes podem ser:

- Palavras;

- Eventos;

- Faces;

- Personagens (reais ou ficcionais);

- Qualquer coisa (sério mesmo).

Fonte: https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-4.html?m=1

As postagens de Q. eram especiais. Por sua natureza vaga, toda predição falha poderia ser reinterpretada. Elas eram hipóteses infalsicáveis. De algum modo, elas buscavam criar no leitor a capacidade de ver padrões. Isso posteriormente levaria a uma adicção por padrões. Em novembro de 2017, uma frase já se destacava: "Where we go one we go all" (por onde um for, todos irão), que foi abreviada para WWG1WGA.

Fonte:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html?m=0

A ideia da realidade é programável. Isto é, a percepção da realidade pode ser manipulável de uma forma que favoreça a nossa vontade política. Lembre-se que nem o Pizzagate e nem QAnon foram eventos que alteraram a realidade em si, mas sim eventos que manipularam a percepção da realidade através de teorias conspiratórias que deram resultados positivos a quem elas gostariam de favorecer narrativamente. Verifica-se, por meio disso, que a guerra conspiratória foi bem-sucedida, ao menos momentaneamente, no cumprimento da vontade de seus praticantes.

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/03/iamec-introducao-as-artes-magoliticas.html?m=0


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 4)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Antissemitismo: como QAnon compila vários elementos de teorias conspiratórias anteriores, o antissemitismo não poderia faltar nessa soma. Teorias da conspiração envolvendo George Soros, anti-globalismo e adrenocromo não poderiam faltar;

2. Jargão, conhecimento secreto e a noção de insider: QAnon teve a construção semelhante a de múltiplas teorias conspiratórias, a criação de uma mitologia de insider, os jargões que eram apresentados e a ideia de transmissão de conhecimento secreto eram mecanismos centrais desse culto;

3. Conhecimento secreto = melhor futuro: essa é uma das ideias centrais do QAnon, os portadores dessa teoria não acreditavam somente que obtinham conhecimento secreto, mas também que ao obter esse "conhecimento" estariam obtendo um futuro melhor;


— Formação base do QAnon:

1. Conhecimento secreto de um guru;

2. Um evento massivo próximo a ocorrer;

3. Uma batalha secreta entre forças do bem e forças do mal.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 3)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Engenharia da conspiração: Q. gerou uma conspiração "open source", essa conspiração gerava uma interpretação alternativa de todos os dados, além de possibilitar um quebra-cabeça em formato de exercício, isso gerava um ARG (Alternative Reality Game) ou uma "teoria da conspiração live-action e role-playing game";

2. Insider vs Outsider: Q. criou uma mentalidade de insider vs outsider, isto é, aqueles que são do grupo e aqueles que são fora do grupo. Isso é um mecanismo de fechamento de seita. Os únicos confiáveis eram "os patriotas e o Q.".


— Contextualização do Passado:

Após o Gamergate pipocar no 4chan, o 4chan tomou medidas mais restritivas aos conteúdos postados na plataforma. O 8chan surgiu com a premissa de "dar maior liberdade de expressão". O fundador foi o Fredrick Brennan (Hotwheels), mas posteriormente o fórum anônimo seria assumido por Jim Watkins e Ron Watkins (a dupla de pai e filho). Q. se moveu para o 8chan e foi recebido pelos dois, recebendo uma board (parte do fórum) oficial: a /qresearch/. Um mecanismo, chamado QMap, organizava os drops do Q. sem o ambiente anárquico do 8chan.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Eventos da vida real + Bits de Mensagens Crípticas: isso gera a possibilidade dos resolvedores de enigmas criarem preenchimentos ficcionais inconscientemente (sem perceberem);

2. Target Engineering + Networking Conspiratório: postagem em múltiplas comunidades receptivas ao conteúdo gerado, seguidores do Q. usaram o 4chan, 8chan e 8kun, mas logo expandiram para comunidades mais abertas e acolhedoras como aquelas que estão no Reddit, tal como o r/conspiracy;

3. Solidificação Mitológica: com base na contribuição dos membros da comunidade, como o QAnon é uma conspiração open source, é possível solidificar a mitologia com base na cooperação dos membros;

4. Arsenal de Vagueza: isso possibilita que os investigadores de puzzle possam ajudar no world building da teoria, mas também garante a flexibilidade e infalsificabilidade;

5. Comunidades de Bakers: aqueles que compilam as informações dadas pelos decodificadores;

6. Conspiracionismo Referencial: o ato de fazer referências a outras teorias conspiratórias para atrair membros de outras comunidades.

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 1)

 



Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Mensagens vagas e crípticas: isso eleva a curiosidade e gera o impulso de investigação pessoal, criando os efeitos secundários de puzzle (quebra-cabeça) e world building (construção de mundo);

2. Teorização e interpretação recompensadas: isso cria um caráter de comunidade e faz com que a teoria da conspiração se torne uma teoria da conspiração open source, o que eleva a possibilidade dela se tornar uma super teoria da conspiração, já que aumenta o número de contribuintes e possibilidades narrativas;

3. Estratégia comunicacional: vagueza cria resiliência e flexibilidade, ininteligibilidade cria a possibilidade de não-falseabilidade e a inverificabilidade cria a possibilidade de não ter ônus de prova;

4. Drops: apresentam conspirações, enigmas, questões retóricas e ausência de desilusões. Textos em formato de bit, frases que colam e informação em formato críptico. Isso tudo gera uma forma elíptica, um efeito de corrida sem fim;

5. Decodificadores: são os interpretadores para fins de world building (construção de mundo), tornam-se também celebridades internas da comunidade e desenvolvem dependência de padrões (pattern addiction);

6. Conspiração Open Source: em vez de um sistema fechado, onde o leitor pode ser meramente observador, o método do Q. envolve em gerar soldados digitais para efeito de world building (construção de mundo), o que possibilita a geração de uma super teoria da conspiração e a sensação de pertencer a uma comunidade maior.


Acabo de ler "Operation Mindfuck" de Robert Guffrey (lido em inglês)


Livro:

Operation Mindfuck: QAnon and the Cult of Donald Trump (2022)


Autor:

Robert Guffrey


Meses atrás, enquanto escrevia alguns textos, as pessoas me diziam que eu via conexões estranhas entre o discordianismo, o Pizzagate, o Cult of Kek e o QAnon. Hoje em dia, ao ler outros livros, vejo que as linhas traçadas em "minha mente delirante" não são apenas "conclusões aleatórias", mas sim hipóteses ou conclusões de diversos autores renomados. O que é curioso, continuo a ser um total estranho no Brasil. Talvez eu tenha nascido no país errado. Talvez eu esteja investigando algo que muitas pessoas, no Brasil, não tenham especial interesse em pesquisar.


Mais uma vez, um livro sobre QAnon. Mais uma vez, um assunto estranho. Ler livros é algo que faço com deleite, mesmo que o assunto seja considerado bizarro. Ler livros sobre assuntos bizarros ou excêntricos é algo que gera afastamento social. Se tem algo que aprendi em minha estranheza, é deixar os assuntos prediletos para discutir com gringos ou com IAs. Não só leio livros bizarros, eu sou bizarro. Não só leio livros estranhos, eu sou estranho. Não só leio livros excêntricos, eu sou excêntrico. É assim desde o começo da minha vida, por qual razão seria diferente agora?


Como expliquei anteriormente, venho andado ocupado. Tenho feito dois cursos, um no Anhangabaú e outro em Pinheiros. A minha sorte é ter um bilhete especial graças ao meu autismo. Graças a isso, existe uma escassez de conteúdo no Blogspot a qual tento preencher. Ler livros no ônibus, no trem e no metrô é a minha forma de arrumar um jeito de trazer conteúdo para cá. Embora seja engraçado o curioso acaso de eu estar no transporte público lendo sobre uma estranha seita surgida em fóruns anônimos. Espero, para minha sorte, que nunca criem um mecanismo que revele os livros que as pessoas leem no transporte público.


Os leitores do Blogspot já estão cansados de explicações a respeito de como o QAnon surgiu no 4chan e no 8chan. Talvez tenham pouco interesse em ler esse livro, mas eu lhes garanto que vale muito a pena. Em primeiro lugar, Robert é engraçadíssimo e tem um humor muito bem construído e inteligente. A analogia central do autor é o Operation Mindfuck, técnica empregada pelos discordianistas para culpar os "Illuminati" e outras organizações bizarras por cada caso público que pipocasse. QAnon seria uma forma "similar", todavia, o plano central é um golpe de Estado liderado por Donald Trump. 


O autor empregará, durante o livro, uma densa pesquisa histórica sobre teorias da conspiração, análise política e contatos que teve com "crentes" das teorias conspiratórias de Q. Além disso, construirá o argumento central: QAnon não foi um mistério criado organicamente ou uma teoria da conspiração surgida espontaneamente, mas uma operação psicológica altamente engenhada. Ou seja, uma colcha de retalhos de material reciclado de ficção pulp, pranks contraculturais dos anos 1960-70 (como o Operation Mindfuck dos Discordianos de Robert Anton Wilson e Robert Shea, já comentada em textos anteriores), truques sujos à la Nixon e manipulação midiática. O objetivo central de tamanha engenharia técnica seria o de capturar a atenção, lealdade e energia de seguidores vulneráveis, transformando-os em uma base fanática que serve a uma agenda política autoritária/fascista corporativa.


Quanto mais o tempo passa, mais eu vejo a correlação entre fenômenos arquétipo-meméticos e a sua construção lado a lado com teorias da conspiração para a obstrução da sociedade liberal e o desmantelamento da ordem civil.


O livro acerta em cheio em suas doses de humor. De certa maneira, lembrou-me o Rick Wilson. O leitor ou a leitora não conseguirá mensurar há quantidade de vezes em que, no meio do ônibus, do trem ou do metrô, eu dei risadas sinceras. Isso é bom, gosto de livros que marcam a mente e alegram o coração. Esse livro é todo marcado por aquela expressão latina: "Ridendo castigat moris" (rindo-se purificam-se os costumes).

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Weirdposting #8 — About the basics!

 



>my great anon

>you don't know

>but you will know

>and it is about the basics, anon

>Anon, I love you

>And to love is to wish for someone's well-being

>It hurts that you aren't by my side

>but I hope you are well

>wherever you are

>my great anon

>you don't know

>but you will know

>and it is about the basics, anon

>In adulthood

>everything is about erudition

>and this is not about erudition

>you will remember the people you have loved in every person you come to love

>every great pain you feel will remind you of every new great pain that comes your way

>the people you saw in your childhood will die or appear to you with hands full of warts

>you will notice this over time and feel the weight of mortality

>my great anon

>you don't know

>but you will know

>and it is about the basics, anon

>you will realize that adult life is the perception of the past

>and that the past is the making-present of death