sexta-feira, 17 de julho de 2026

Acabo de ler "A Chaos Marxism Primer" de Dolores LaPicho (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:
A Chaos Marxism Primer

Autora:
Dolores LaPicho

O poder que eles exercem sobre nós é por retificação.  Eles nos fazem crer que:
1. Ilusão é realidade;
2. Relações sociais são coisas concretas;
3. Narrativas e memes são leis existenciais.

Tudo isso é um erro; são apenas convenções modificáveis. Somente a racionalidade e a disciplina podem conjuntamente levar à noção de que as nossas percepções não são a realidade em si, mas sim um consenso social que se cria a respeito dela.

O ego se direciona ao "o que é". Ele se conecta à indústria da identidade e o capitalismo polui o meio/espaço informacional e cultural. O aparato cultural e ideológico de opressão aparece como a realidade em si mesma. Somente compreendendo como o ego funciona, como nossa necessidade de sobrevivência nos leva à adaptação mental, física e espiritual ao ambiente, podemos superar essas necessidades e ir em direção a algo maior.

Acabo de ler "A Chaos Marxism Primer" de Dolores LaPicho (lido em inglês/Parte 1)


 

Nome:

A Chaos Marxism Primer


Autora:

Dolores LaPicho


Marxismo do caos é uma vertente marxista que emprega meios de combate memético. Uma união entre anticapitalismo, guerra memética e a chamada "magia do caos". O materialismo dialético é encarado como um projeto ou uma técnica que visa à alteração da consciência.


A questão que o marxismo do caos visa responder é a seguinte:

- Como derrotar um inimigo?

A noção central é que devemos nos tornar simétricos, porém opostos ao nosso inimigo. Ou seja, a teoria trabalhada é a do oponente simétrico. O mundo capitalista, isto é, a infraestrutura e superestrutura desse mundo, recebe o nome de egrégora.


As corporações capitalistas, quando coligadas, formam uma egregora. É preciso que haja especialistas na abertura de mentes para atacar essa egregora. Assim surgirá uma organização global, uma indústria de trabalhadores que se contraponha às corporações capitalistas.

domingo, 5 de julho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 7)

 


Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything

Autor:
Mike Rothschild

Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza nem endossa teorias da conspiração e do extremismo.


— Metodologia do QAnon:
1. Mitologia Radicalizante: ao estabelecer uma mitologia de "bem vs mal", Q. adiciona linhas de separação extremas que instigam radicais a tomarem atitudes mais extremas. A linguagem constrói a ação;
2. Conhecimento secreto e verdadeiros crentes: a ideia de ter um conhecimento que a maioria das pessoas não possui é uma das condições centrais que separam a "comunidade de eleitos" das outras comunidades. Isso gera uma persistência;
3. Consumo seleto: os admiradores e seguidores de Q. consumiam setores alternativos da mídia de direita, teorias da conspiração e conteúdo do Q.
4. Ideologia extrema: o conteúdo ideológico do Q. tacitamente suportava ou legitimava a ação violenta e tudo isso com suporte de teorias da conspiração que inspiravam e conduziam tais ações;
5. Rejeição de outras fontes de informação: seguidores do Q. constantemente rejeitavam qualquer informação externa à própria seita.

sábado, 4 de julho de 2026

Weirdposting #9 — FEMDOM PEGGING = SALVATION

 


>think about it

>global climate change is caused by human activity

>if we reduce human activity we can reduce climate change

>how can we do it?

>it's simple

>people just need to reproduce less

>I have two conditions

>if your straight sex isn't for reproduction

>your sex is completely free... but only if it's FEMDOM PEGGING

>but if it isn't FEMDOM PEGGING

>you don't have approval to do it

>every straight sex session intended for reproduction requires government approval

>and the government will control all births

>now we will have fewer humans and less climate change




quinta-feira, 2 de julho de 2026

Estudos Lunáticos #4 — Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração?

 


Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo da neurocientista Shannon Odell.

O cérebro humano busca ver padrões para nos ajudar a sobreviver. A capacidade de ver padrões pode até mesmo salvar a nossa vida. Essa habilidade, isto é, o processamento de padrões, tornou-se incrivelmente sofisticada com a expansão do córtex cerebral. As pessoas podem ver tantos padrões que podem até mesmo chegar a enxergar padrões inexistentes ou que não tenham conexão alguma... é aqui que entramos nas chamadas teorias da conspiração.

Alguns cérebros apresentam uma maior propensão às percepções ilusórias de padrão, ou seja, algumas pessoas tenderão a achar padrões onde estes não existem.

Outra característica interessantíssima a respeito de teorias conspiratórias é que elas se ligam à dopamina. A dopamina está ligada à emoção, à recompensa e à cognição. Ela é um fator de tomada de decisão importantíssimo. Pessoas que apresentam maiores níveis de dopamina livre apresentam também maior disposição para acreditar em uma ou outra teoria da conspiração. Em um estudo, quando uma droga foi administrada, pessoas que não acreditavam em teorias da conspiração se tornaram mais propensas a verem padrões em formas aleatórias.

Outra característica central em teorias da conspiração é o viés de confirmação. Quando o cérebro vê um padrão, qualquer informação que suporte esse padrão se torna mais facilmente assimilável para o cérebro. Servindo até mesmo para o reforço da crença de dado padrão. A crença habitual encontra uma crença similar e a assimila. Com a internet, tivemos a explosão de informação, mas também de desinformação. Atualmente encontramos câmaras de eco que reforçam teorias conspiratórias.

O medo do desconhecido é um dos fatores que também impulsionam. A amígdala e a ínsula trabalham com alarmes em situações de incerteza. Pessoas que se sentem fracas buscam ordem no caos e isso gera a necessidades de ver padrões onde eles não existem. Isso fará as pessoas gravitarem para teorias da conspiração. A ausência de sentido existencial e uma vida sem substancialidade são perigos.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Estudos Lunáticos #3 — Mentalidade de Seita

 


Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo de Jim Brillon.


A mentalidade de seita é vista em múltiplos locais. Essa mentalidade pode estar em um movimento religioso, político, de autoajuda ou até mesmo no marketing multinível. 


Usualmente as seitas tendem a utilizar medos e fobias para empurrar suas crenças. Essas crenças tendem a ser embaladas em teorias da conspiração. Medos irracionais são os mais comumente usados: racismo, sexismo, antissemitismo e classismo são lugares-comuns em discursos permeados por teorias conspiratórias.


Outra questão atual é a do algoritmo. O algoritmo das redes sociais é um reforço dos vieses de confirmação e também coloca pessoas de mentalidade semelhante no mesmo local ou para serem mais visualizadas. Isso leva a uma facilitação da radicalização.


Outras características comuns na mentalidade das seitas são:

- Figuras autoritárias;

- Network de crentes;

- Treinamento para crer em coisas sem sentido.


A ideologia de uma seita é permeada por uma interiorização: só produções dentro do próprio grupo são consideradas boas. Isso gera o fenômeno do: dentro do grupo X fora do grupo. As pessoas dentro do grupo são especiais, detentoras de um conhecimento muito superior. As pessoas fora do grupo são todas como ignorantes. Existe também a criação de maniqueísmo (bem x mal) em que a seita aparece como a única coisa boa, o que leva ao aumento da polarização.


Outro fenômeno das seitas é o "pensamento terminantemente clichê". Esse tipo de pensamento é caracterizado por frases destituídas de sentido que servem mais para terminar a discussão sem que as pessoas questionem ou possam questionar o que está sendo proposto. Exemplos disso são:

- Make America Great Again (Fazer a América Grande de Novo);

- Trust de plan (confie no plano);

- O tempo cura tudo.


Alguns desses "pensamentos terminantemente clichês" apresentam uma positividade tóxica que visa terminar a conversa e invalidar a emoção das pessoas.


Outra característica apresentada "gaslighting", uma técnica que faz a pessoa não acreditar no que vê para que ela possa ser apresentada aos conhecimentos ocultos e secretos que a própria seita tem a dizer.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Estudos Lunáticos #2 — Como seitas recrutam?

 


Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo de Chris Shelton.


Seitas utilizam meios psicológicos e físicos para obter controle e isolamento. As três características centrais são:

1. Love Bombing (bomba de amor/afeto);

2. Isolamento;

3. Exploração de vulnerabilidades (desejos e medos).


Em uma seita, a primeira coisa que te transmitirão é a sensação de que você é amado, especial e importante. Isso é uma estratégia calculada para reduzir a sua defesa e criar dependência. Para tal, a estratégia de love bombing (bomba de amor/afeto) é utilizada constantemente. Esse love bombing é usualmente excessivo, intenso e falso. Ele ocorre verbalmente ou fisicamente.


O que as seitas querem te transmitir é a noção de que finalmente alguém te entende. Alguém finalmente compreende o quanto você é inteligente, o quanto você possui potencial e quais são as suas qualidades únicas. Isso cria, dentro de ti, que o seu lugar é ali. 


Após o estabelecimento da conexão, você será mais apto para ouvir, confiar e se juntar à seita. Essa estratégia não é, por assim dizer, exclusiva das seitas. Movimentos políticos e grupos de marketing multinível também fazem isso. Elas criam floods de suporte para dizer o quanto você é especial e como não está mais só. Isso cria um sistema tóxico de pertencimento e identidade que segue o seguinte fluxo:

1. Love Bombing;

2. Aceitação de uma ideia;

3. Criação de uma conexão para o estabelecimento de uma dependência emocional;

4. Sensação de valoração profunda dentro do grupo;

5. Confiança;

6. Investimento temporal e atitudinal;

7. Seguir as regras;

8. Controle;

9. Isolamento.


Quando chega o isolamento, vemos o desencorajamento de qualquer relação exterior ao grupo. Isso fará com que o membro passe mais tempo dentro do grupo do que fora dele. Nesse período, a ideia de que aqueles que não acreditam são perigosos começa a subir. É também onde começa a mentalidade de "nós x eles". No meio disso, constrói-se a ideia de que você está certo (por pertencer ao grupo) e que as outras pessoas são estúpidas. Além disso, sobem questionamentos sobre traições.


Aqui a exploração de vulnerabilidades cresce. A seita fornece tudo:

- Sentido;

- Propósito;

- Solução. 

A seita aparecerá como a portadora da solução. A sociedade aparecerá como corrupta. A mídia aparecerá como mentirosa. O único caminho seguro é a lealdade total. Nisso se encorajam o ativismo extremo, as teorias conspiratórias e as ideologias radicais. Quem for contra é um inimigo.


Seitas não começam com controle; elas começam com amor, com pertencimento e com solução. Se você ver alguém querendo insistentemente a sua atenção, desencorajando relações exteriores ou clamando ter respostas para tudo... questione-se se você está sendo recrutado.