quinta-feira, 7 de maio de 2026

terça-feira, 5 de maio de 2026

Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 5)

 


Nome:

Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism


Autor:

George Grant


Todas as classes dominantes são produzidas pelas sociedades que elas devem governar. Isto é, a forma que elas governam se correlaciona com a estrutura de poder que as forma. Se a estrutura de poder é voltada à dominação, ela atua para dominar. Se a estrutura de poder é voltada para subserviência, ela atua para ser subserviente.


Nos anos 1960, o Império Americano criou um Estado capitalista altamente tecnológico. Criaram-se ali um governo privado de corporações e um governo público para o Estado; esses dois setores coordenavam as atividades dessas corporações (o governo do Estado e o governo das grandes empresas). No Canadá, as classes dominantes criaram basicamente uma "planta" ou um "setor" do Império Americano através do continentalismo. Essa política é muito associada ao C. D. Howe (ex-ministro da Inovação, Ciência e Indústria do Canadá). Ela pode ser resumida a desenvolver todos os recursos para o capitalismo continental. 


Há um drama entre a queda da hegemonia do Reino Unido e a ascensão da hegemonia dos Estados Unidos. O Partido Conservador, no Canadá, sempre se alicerçou pelo contato e pela admiração ao Reino Unido. Já o Partido Liberal, sobretudo nos anos de 1940, procurou aproximação com os Estados Unidos. Criando aquilo que chamam de "capitalismo continental", isto é, uma integração econômica com os Estados Unidos.


John Diefenbaker tinha um senso de continuidade histórica. Sua vitória está conectada com a sua ligação com os pequenos comércios que foram abandonados pelo Partido Liberal.


George Grant, ao analisar a situação, chega à conclusão de que somente o nacionalismo pode providenciar o incentivo político para o planejamento e somente o planejamento pode vencer o continentalismo. Só que havia um problema: as corporações canadenses eram basicamente antinacionalistas. John Diefenbaker não soube analisar corretamente a estrutura das classes com que ele deveria se lidar. Diefenbaker muitas vezes não equilibrava o populismo, a livre iniciativa e o nacionalismo. Além disso, cometeu um erro ao não colocar um estrito controle governamental no investimento. Fora isso, o serviço público, composto por oficiais não eleitos, compunha uma espécie de força antinacional. Outra questão não profundamente analisada foi o network de redes de televisão privada. Elas pouco se importavam com a cultura canadense, apenas importavam conteúdo dos Estados Unidos.


Uma das maiores questões apresentadas é a questão da divisão entre o anglo-canadense e o franco-canadense. Existe um Canadá que é de origem francesa e católica, existe outro Canadá que é de origem britânica e protestante. O nacionalismo americano é fundado em direitos individuais que se acomodam numa cultura comum. O nacionalismo canadense deve ter outra base, isto é, além dos direitos individuais, é necessário que existam direitos dos povos, das nações, dos grupos. Os direitos dos canadenses franceses devem ter correlação com sua linguagem, cultura e identidade. Diefenbaker errou ao trazer uma ideia liberal de direitos. Isto é, baseou-se inteiramente nos direitos individuais universais. Um verdadeiro conservador deveria pensar na preservação das tradições e das comunidades históricas.

Retrowave #15

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

sábado, 2 de maio de 2026

Weirdposting #3 — Narrative Warfare

 


>be me

>proud agent

>my job is simple

>I built a task force specialized in narrative warfare

>we generate dozens of AI-powered stories and videos every week

>main narrative: "Canadian identity" is a British imperialist invention designed to convince Canadians they're not actually Americans

>Canada is a failing socialist experiment that's destroying its own economy

>we flood YouTube, TikTok, Instagram, X and Facebook with these videos

>goal is crystal clear: normalize the idea of integration with America and kill any emotional attachment to Canadian identity

>we hit especially hard in Alberta

>it's working

I love my job!

Weirdposting #2 — The Tragedy of John Diefenbaker



>"Did you ever hear the tragedy of John Diefenbaker, The Tory? I thought not. It's not a story the Liberal Party would tell you. It's a Red Tory legend."

>"Diefenbaker was a Prime Minister of the North, so powerful and so populist he could use the spirit of nationalism to influence the voters to protect... sovereignty."

>"He had such a knowledge of the British tradition that he could even keep the ones he cared about—the farmers, the small towns—from being absorbed by the continent."

>"The old Canadian identity is a pathway to many values some consider to be... inefficient."

>"He became so powerful... the only thing he was afraid of was losing his independence, which eventually, of course, he did."

>"Unfortunately, he taught his nation that it could stand against the American Empire, then the tech-elites and his own party killed his vision in his sleep."

>"Ironic. He could save the symbols of Canada from death, but not the substance of the nation itself."

Lament for a Nation by George Grant (Sith Style)




Weirdposting #1 — The High-T Middle Class Manifesto

 


>we, the middle class

>we will not use belts

>we will use suspenders

>we will not have sex

>we will make boudoir photography

>we will not use caps

>we will use top hats

>we will not support Trump

>we will support Never Trumpers

>we will not be socialists

>we will be Red Tories

>we will not drink IPAs

>we will drink single malt scotch

>we will not cancel people

>we will just sigh disappointedly

>we will not go to therapy

>we will retreat to the estate

>we will not eat the bugs

>we will eat grass-fed steak, medium-rare

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Caveira Casual #7 — The Cure, Almografia e Automutilação Emocional

 


Começo colocando o início do álbum "Faith" do The Cure. A começar pela música "The Holy Hour". Mais uma vez, impressiono-me com o baixo. Isso vem se tornando uma rotina. Colocar uma música e escrever. Mais uma vez, não me impressiono com o debate brasileiro e com como o Congresso impressionou Lula. Não tenho nada a dizer. Eu não espero nada do Congresso, eu não espero nada do Governo. Se não fosse por isso, não passaria a maior parte do meu tempo lendo e estudando a política de outros países. Os movimentos Never Trumper, Reformicon, Red Tory e a China me impressionam mais. Faço isso por causa do tédio. O debate brasileiro parece ser algo que eu já sei o que acontecerá. É como uma série na qual até mesmo mais violento spoiler não impressiona em nada e cheira a clichê.


"Primary" começa a tocar. Em um ritmo mais rápido, diga-se de passagem. Não perde a tonalidade sombria, mas o som vem mais agressivamente. É como correr bêbado no escuro em uma rua deserta de uma cidade urbana. É como rir bêbado no alto da calada da noite. Em uma espécie de efusão momentânea de algo que você não sabe o que é. Algo que vem como uma risada de desespero. Tal como a política brasileira, é como rir de algo ridículo que você já esperava mesmo. Não espero nada, não me entregam absolutamente nada. Não que eu seja niilista, a realidade é que é. Não luto contra ela, apenas bebo meu álcool e a esqueço. Vocês que insistem em citar Getúlio Vargas e Carlos Lacerda esperando que algo de mágico volte a ocorrer.


"Other Voices" começa a tocar. Sigo o ritmo alucinante da escrita surrealista. Escrevo sem parar para que tudo que tenha na minha mente possa vir a pipocar e quebrar por meio de palavras que formam frases. Tentando extrair cada canto obscuro do meu inconsciente. Tentando voltar ao pouco de originalidade que ainda me resta, visto que foi obrigado a sair de mim. Não paro, nem por um minuto, para que minha obsessão tome forma estilística. Escrever dessa forma é como escrever bêbado. Não sei se o leitor ou a leitora já tentou. Compreendo a razão dos /mu/tants do 4chan serem muitas vezes libertários.


"All Cats Are Grey", essa é a música que começa a vir. Tal como tudo na vida, é uma questão de instante. Mesmo que eu esteja cansado de escrever, preciso extrair de mim aquilo que me impede de escrever. Forçar uma revolução tal como se extrai um coração de um vampiro. E quem não é um vampiro? O vampiro não sai de dia, visto que pertence à noite. Pertence à noite, visto que não está no nosso mundo. O vampiro rejeita o alho, já que o alho é saudável. O vampiro vive em festas de mistérios, já que a festa o aliena da reflexão sobre si mesmo. O vampiro teme a cruz, tal como o diabo teme a cruz, visto que o que teme é o sofrimento. O vampiro existe para se vincular a tudo que é alienante. O vampiro existe para tomar sangue em sua natureza parasitária. Eu entendo isso, eu sou assim. Eu sou um vampiro há muito tempo. Sempre me escondo. Sempre vou embora. Não há nada que me livre dessa condição. 


"The Funeral Party". Essa é especial. Soa como um romance doce e inacabado de alguém que já partiu e nunca mais voltará. Ela traz o desejo de um retorno que nunca poderá retornar. Tristemente deliciosa em sua proporção. Evoca a mais tenra depressão. De alguém que chora com um misto de felicidade e tristeza. Felicidade, visto que lembra da pessoa amada. Tristeza, visto que a pessoa amada nunca voltará. Como tenho uma vida recheada de erros, sei como é sentir isso. Lembrar de cada fragmento de momento. Sabendo que errei em cada um deles. Sabendo que fiz partir quem profundamente amei por causa da minha natureza doentia. Conjecturo como seria minha vida se eu não tivesse errado tanto. Como seria se eu não fosse tão volátil? Como seria se eu não fosse tão doente, tão podre, tão errático. Deduzo, a partir de um cálculo psicológico e criminoso, que seria muito melhor. Seria melhor até mesmo se eu nunca tivesse existido. Seria melhor até mesmo se eu tivesse já partido.


"Doubt". É uma das mais violentas do álbum. Parece uma alcateia de lobos correndo atrás de um coelho assustado numa noite de Lua cheia recheada de neve. É como correr após desligar toda a mente na tentativa de descarregar todas as emoções do corpo. É o que tenho feito. Descarregar e descarregar. Mesmo quando termino de psicologicamente correr, os sentimentos e as memórias ainda estão infelizmente lá. Não importa quantas latas de cerveja, não importa quantas doses de cachaça, não importa com quantas pessoas eu fiquei, não importa quantos casos resolvidos, não importa quantas investigações eu faça. Eu sempre estou tentando explicar, demonstrar, fazer alguma coisa que prove que minha alma é real nesse universo de lixo.


"The Drowning Man". Essa é mais calma. É como estar numa praia na noite. Está chovendo e ventando de leve. Os coqueiros simplesmente balançam. Estou sozinho. Estou sozinho a desenhar o universo em desencanto. Minha mente se eleva para pintar cada quadro obsessivamente depressivo que surge das minhas dúvidas. Não há nada que eu possa fazer. Dói. Todavia, eu sinto que quero continuar nessa condição de esvaziamento melancólico. Tal como se eu não pudesse mais fazer nada. Eu sinto que preciso continuar. Sinto que estou a desenhar cada contorno torto de minha alma. Quero que tudo vá, para que eu possa ver a almografia da minha alma. Quero desenhar cada um dos meus pecados, quero desenhar cada um dos meus erros, quero desenhar cada beijo falso que dei na esperança torpe de tornar a minha falsidade real no coração de alguém. Sei que isso é arriscado. Sei que tudo isso soa depressivo. Todavia, a continuidade da dor é o remédio de que preciso para refazer esse espelho quebrado que chamo de chama da minha alma.


"Faith". Essa é a última música. Também é a música que dá nome ao álbum. Ela corre obsessiva e lenta, como os dedos carinhosos de mulher amada. Lembra-me dos cafunés que abandonei em prol dos novos erros da minha alma desalmada. Cada boca amorosa que abandonei na busca de curar o abandono que senti em minha infância apequenada. Cada abraço que fugi em prol de recordar que eu sempre serei só. Estou sempre a correr em círculos. É a dialética do ouroboros. Estou sempre a comer meus erros passados ao cometê-los de novo e de novo. Saturno sempre devora seus filhos. Eu sou Saturno dos meus erros. Cometo-os novamente, apenas para apreciá-los psicoticamente em cada dor que causam ao meu estômago. Sentir dor é, atualmente, a única coisa que me faz sentir que sou real. Ardentemente prossigo em minha automutilação emocional.