domingo, 5 de julho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 7)

 


Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything

Autor:
Mike Rothschild

Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza nem endossa teorias da conspiração e do extremismo.


— Metodologia do QAnon:
1. Mitologia Radicalizante: ao estabelecer uma mitologia de "bem vs mal", Q. adiciona linhas de separação extremas que instigam radicais a tomarem atitudes mais extremas. A linguagem constrói a ação;
2. Conhecimento secreto e verdadeiros crentes: a ideia de ter um conhecimento que a maioria das pessoas não possui é uma das condições centrais que separam a "comunidade de eleitos" das outras comunidades. Isso gera uma persistência;
3. Consumo seleto: os admiradores e seguidores de Q. consumiam setores alternativos da mídia de direita, teorias da conspiração e conteúdo do Q.
4. Ideologia extrema: o conteúdo ideológico do Q. tacitamente suportava ou legitimava a ação violenta e tudo isso com suporte de teorias da conspiração que inspiravam e conduziam tais ações;
5. Rejeição de outras fontes de informação: seguidores do Q. constantemente rejeitavam qualquer informação externa à própria seita.

sábado, 4 de julho de 2026

Weirdposting #9 — FEMDOM PEGGING = SALVATION

 


>think about it

>global climate change is caused by human activity

>if we reduce human activity we can reduce climate change

>how can we do it?

>it's simple

>people just need to reproduce less

>I have two conditions

>if your straight sex isn't for reproduction

>your sex is completely free... but only if it's FEMDOM PEGGING

>but if it isn't FEMDOM PEGGING

>you don't have approval to do it

>every straight sex session intended for reproduction requires government approval

>and the government will control all births

>now we will have fewer humans and less climate change




quinta-feira, 2 de julho de 2026

Estudos Lunáticos #4 — Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração?

 


Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo da neurocientista Shannon Odell.

O cérebro humano busca ver padrões para nos ajudar a sobreviver. A capacidade de ver padrões pode até mesmo salvar a nossa vida. Essa habilidade, isto é, o processamento de padrões, tornou-se incrivelmente sofisticada com a expansão do córtex cerebral. As pessoas podem ver tantos padrões que podem até mesmo chegar a enxergar padrões inexistentes ou que não tenham conexão alguma... é aqui que entramos nas chamadas teorias da conspiração.

Alguns cérebros apresentam uma maior propensão às percepções ilusórias de padrão, ou seja, algumas pessoas tenderão a achar padrões onde estes não existem.

Outra característica interessantíssima a respeito de teorias conspiratórias é que elas se ligam à dopamina. A dopamina está ligada à emoção, à recompensa e à cognição. Ela é um fator de tomada de decisão importantíssimo. Pessoas que apresentam maiores níveis de dopamina livre apresentam também maior disposição para acreditar em uma ou outra teoria da conspiração. Em um estudo, quando uma droga foi administrada, pessoas que não acreditavam em teorias da conspiração se tornaram mais propensas a verem padrões em formas aleatórias.

Outra característica central em teorias da conspiração é o viés de confirmação. Quando o cérebro vê um padrão, qualquer informação que suporte esse padrão se torna mais facilmente assimilável para o cérebro. Servindo até mesmo para o reforço da crença de dado padrão. A crença habitual encontra uma crença similar e a assimila. Com a internet, tivemos a explosão de informação, mas também de desinformação. Atualmente encontramos câmaras de eco que reforçam teorias conspiratórias.

O medo do desconhecido é um dos fatores que também impulsionam. A amígdala e a ínsula trabalham com alarmes em situações de incerteza. Pessoas que se sentem fracas buscam ordem no caos e isso gera a necessidades de ver padrões onde eles não existem. Isso fará as pessoas gravitarem para teorias da conspiração. A ausência de sentido existencial e uma vida sem substancialidade são perigos.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Estudos Lunáticos #3 — Mentalidade de Seita

 


Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo de Jim Brillon.


A mentalidade de seita é vista em múltiplos locais. Essa mentalidade pode estar em um movimento religioso, político, de autoajuda ou até mesmo no marketing multinível. 


Usualmente as seitas tendem a utilizar medos e fobias para empurrar suas crenças. Essas crenças tendem a ser embaladas em teorias da conspiração. Medos irracionais são os mais comumente usados: racismo, sexismo, antissemitismo e classismo são lugares-comuns em discursos permeados por teorias conspiratórias.


Outra questão atual é a do algoritmo. O algoritmo das redes sociais é um reforço dos vieses de confirmação e também coloca pessoas de mentalidade semelhante no mesmo local ou para serem mais visualizadas. Isso leva a uma facilitação da radicalização.


Outras características comuns na mentalidade das seitas são:

- Figuras autoritárias;

- Network de crentes;

- Treinamento para crer em coisas sem sentido.


A ideologia de uma seita é permeada por uma interiorização: só produções dentro do próprio grupo são consideradas boas. Isso gera o fenômeno do: dentro do grupo X fora do grupo. As pessoas dentro do grupo são especiais, detentoras de um conhecimento muito superior. As pessoas fora do grupo são todas como ignorantes. Existe também a criação de maniqueísmo (bem x mal) em que a seita aparece como a única coisa boa, o que leva ao aumento da polarização.


Outro fenômeno das seitas é o "pensamento terminantemente clichê". Esse tipo de pensamento é caracterizado por frases destituídas de sentido que servem mais para terminar a discussão sem que as pessoas questionem ou possam questionar o que está sendo proposto. Exemplos disso são:

- Make America Great Again (Fazer a América Grande de Novo);

- Trust de plan (confie no plano);

- O tempo cura tudo.


Alguns desses "pensamentos terminantemente clichês" apresentam uma positividade tóxica que visa terminar a conversa e invalidar a emoção das pessoas.


Outra característica apresentada "gaslighting", uma técnica que faz a pessoa não acreditar no que vê para que ela possa ser apresentada aos conhecimentos ocultos e secretos que a própria seita tem a dizer.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Estudos Lunáticos #2 — Como seitas recrutam?

 


Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo de Chris Shelton.


Seitas utilizam meios psicológicos e físicos para obter controle e isolamento. As três características centrais são:

1. Love Bombing (bomba de amor/afeto);

2. Isolamento;

3. Exploração de vulnerabilidades (desejos e medos).


Em uma seita, a primeira coisa que te transmitirão é a sensação de que você é amado, especial e importante. Isso é uma estratégia calculada para reduzir a sua defesa e criar dependência. Para tal, a estratégia de love bombing (bomba de amor/afeto) é utilizada constantemente. Esse love bombing é usualmente excessivo, intenso e falso. Ele ocorre verbalmente ou fisicamente.


O que as seitas querem te transmitir é a noção de que finalmente alguém te entende. Alguém finalmente compreende o quanto você é inteligente, o quanto você possui potencial e quais são as suas qualidades únicas. Isso cria, dentro de ti, que o seu lugar é ali. 


Após o estabelecimento da conexão, você será mais apto para ouvir, confiar e se juntar à seita. Essa estratégia não é, por assim dizer, exclusiva das seitas. Movimentos políticos e grupos de marketing multinível também fazem isso. Elas criam floods de suporte para dizer o quanto você é especial e como não está mais só. Isso cria um sistema tóxico de pertencimento e identidade que segue o seguinte fluxo:

1. Love Bombing;

2. Aceitação de uma ideia;

3. Criação de uma conexão para o estabelecimento de uma dependência emocional;

4. Sensação de valoração profunda dentro do grupo;

5. Confiança;

6. Investimento temporal e atitudinal;

7. Seguir as regras;

8. Controle;

9. Isolamento.


Quando chega o isolamento, vemos o desencorajamento de qualquer relação exterior ao grupo. Isso fará com que o membro passe mais tempo dentro do grupo do que fora dele. Nesse período, a ideia de que aqueles que não acreditam são perigosos começa a subir. É também onde começa a mentalidade de "nós x eles". No meio disso, constrói-se a ideia de que você está certo (por pertencer ao grupo) e que as outras pessoas são estúpidas. Além disso, sobem questionamentos sobre traições.


Aqui a exploração de vulnerabilidades cresce. A seita fornece tudo:

- Sentido;

- Propósito;

- Solução. 

A seita aparecerá como a portadora da solução. A sociedade aparecerá como corrupta. A mídia aparecerá como mentirosa. O único caminho seguro é a lealdade total. Nisso se encorajam o ativismo extremo, as teorias conspiratórias e as ideologias radicais. Quem for contra é um inimigo.


Seitas não começam com controle; elas começam com amor, com pertencimento e com solução. Se você ver alguém querendo insistentemente a sua atenção, desencorajando relações exteriores ou clamando ter respostas para tudo... questione-se se você está sendo recrutado.


Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 6)

 


Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything

Autor:
Mike Rothschild

Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza nem endossa teorias da conspiração e do extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Padrão humano: o cérebro humano desenvolveu a capacidade de reconhecer situações perigosas; a capacidade de procurar padrões fornece ordem no meio do caos. Uma teoria da conspiração fornece o (re)conhecimento de perigo provindo de forças ocultas;
2. Explicação para o fracasso: as teorias da conspiração usualmente apresentam soluções favoráveis aos nossos vieses, apresentando atalhos mais interessantes que o reconhecimento do nosso próprio fracasso. Elas se conectam intimamente com nossos desejos, fracassos e suposições;
3. Necessidade de ser uma boa pessoa: nós queremos ser boas pessoas; vários seguidores do Q. faziam o que faziam pois queriam ser considerados boas pessoas;
4. Sensação de segurança e de controle: muitos que entravam no movimento QAnon buscavam adquirir importância, autoestima e sentido de vida;
5. Isolamento social e pessoas de mentalidade semelhante: isso gera uma disposição maior de seguir os passos da seita e garante conformidade e harmonia (sem questionamento) dos seus membros;
6. Ideação messiânica e solução: teorias conspiratórias usualmente apresentam a ideia de salvação. Isso é no fundo uma solução para algo;
7. Hobby e missão: Q. entretinha seus seguidores com mensagens crípticas que deveriam ser decifradas. Quando essas mensagens eram decifradas, os seguidores começavam uma missão contra o chamado "deep state" (estado profundo), o que também apresentava sentido existencial e propósito. Era como se as pessoas tivessem a sensação de serem parte de algo maior e mais importante em suas vidas;
8. Para perdedores: a maioria das pessoas que seguiam Q. eram reacionários que não suportavam a troca de costumes, a explicação mágica de Q. caiu como uma luva. Isso é um mecanismo comum em teorias da conspiração;
9. Autorreforço e looping de feedback: os mecanismos do Q., como escrito anteriormente, permitiam múltiplas interpretações e constantemente levavam à busca por padrões. Isso criava, além da adicção a padrões, um reforço de uma mente que buscava compreender Q. e suas mensagens em formato de quebra-cabeça.


— Nota especial:
Existe diferença entre teoria da conspiração, conspiração e guerra conspiratória (conspiracy warfare). Para quem estudou os escritos do esoterismo channer sabe, ou deveria saber, que Q. é estudado para compreender guerra conspiratória e não como uma teoria da conspiração a se acreditar.


domingo, 28 de junho de 2026

Estudos Lunáticos #1 — Por qual razão existem seitas?

 


Nota: esse texto é produzido com base no conteúdo de Chris Shelton.


A sedução do pertencimento é uma das armas mais poderosas das seitas. Isso é um problema; todo ser humano tem a necessidade social de conexão e de pertencimento. É por isso que buscamos famílias, amigos e comunidades. Isso é um instinto de sobrevivência. Esse instinto nos garante proteção, recursos e um senso de segurança. Não só isso, as conexões nos oferecem sentido, propósito e identidade. O isolamento social pode levar a uma necessidade de conexão e essa necessidade pode levar a uma seita.


Uma seita apresenta as características que muitos humanos procuram: senso de pertencimento, comunidade, família e identidade. É por isso que seitas apresentam também linguagens próprias e costumes estranhos. É comum que seitas tenham uma forma de pensar, de agir e de acreditar. Para um membro de seita isso não é apenas uma possibilidade; é igualmente um dever. A harmonia e a conformidade são impostas devido ao fechamento e à necessidade de unidade do grupo.


Em uma seita, a conformidade é demandada, a repetição do reforço comportamental é constante, o isolamento de perspectivas exteriores é comum e a aplicação de manipulação é regra. O líder é usualmente carismático e tem uma presença magnética. Ele também sabe criar uma intensa conexão emocional. Ele aparece prometendo conhecimento, salvação ou uma verdade superior. Suas palavras passam a ser seguidas sem questionamentos.


Em uma seita, as necessidades humanas mais básicas, como pertencimento, propósito e orientação, são trabalhadas com psicologia social para manipular, controlar e até mesmo ameaçar. 


O vídeo termina com o Chris Shelton pedindo para separar relações saudáveis de relações autoritárias. A diferença principal é que as relações saudáveis levam ao crescimento, pensamento crítico e individualidade.