sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Post-Truth Protest" de Vários Autores (lido em inglês)

 


Nome:

Post-Truth Protest: How 4chan Cooked Up the Pizzagate Bullshit


Autores:

- Marc Tuters;

- Emilija Jokubauskaitė;

- Daniel Bach.


Link da Notícia:

https://journal.media-culture.org.au/index.php/mcjournal/article/view/1422


Como estamos revisando vários eventos passados da cultura channer, que são de particular interesse para:

- A esochannealogia;

- Para os leitores desse blogspot;

- Para os operadores que estão na missão global /DIG/;

- Para aqueles que estão vendo a conexão entre múltiplas ações passadas (Gamergate; Pizzagate; Cult of Kek; QAnon; /DIG/; Jeffrey Epstein; Alt-Right List);

- Ou para os channers/anons do mundo inteiro que leem esse blogspot;

- Estou reabrindo todos os maiores eventos envolvendo investigações e teorias da conspiração do 4chan (ou outros imageboards), além de outros eventos relevantes, para trazer o melhor conteúdo possível;

- Recomendo que os leitores façam melhor uso das tags do blogspot (é só clicar em versão web e achar a tag que quer [os leitores mais jovens não estão acostumados ao formato blogspot]).


Trago aqui um outro artigo interessante, focando-me nos pontos centrais. Para quem tem interesse de entender como o chan funciona como Egrégora/Legião, esse artigo traz pontos interessantíssimos. Se olharmos o conteúdo da obra Magolítica (sobre Legião) e conectarmos com a ideia de Saint Obamas Momjeans, vemos padrões históricos relevantes.


Recomendo a leitura do Insider Club #35:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html?m=1

No Insider Club #32:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-32-ha-quanto-tempo-existe-elite.html?m=1

(Leia o #35 primeiro para não tomar as frases do #32 literalmente)

Por fim, leia a Teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica que foi escrita por um militante do Partido Missão:

https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra

O texto das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica se conectam profundamente com o "Reflexões Esochannealógicas #6:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1


Também recomendo que os leitores estudam os padrões da egrégora/legião em casos como a confecção coletiva da SCP Foundation, as ações no Gamergate, as ações no Pizzagate, as ações no Cult of Kek, as ações no QAnon, as ações no /DIG/. Isso dará uma profunda compreensão do que egrégora/legião quer dizer dentro de um chan e quais são as suas ações em suas diferentes configurações históricas.


O artigo começa falando do evento de 4 de dezembro de 2016. Aquele evento em que um homem armado com um rifle de assalto entrou em uma pizzaria para atacar um "esquema de pedofilia satânica dirigido por proeminentes membros do Partido Democrata" (a teoria da conspiração chamada Pizzagate).


O artigo traçar que o Pizzagate era conhecido e acreditado por uma parte dos eleitores de Trump, mas a investigação traça o seu início para o 4chan, na board /pol/ (politicamente incorreto). A board é conhecida por ser antagonista do politicamente correto e abrigar a alt-right. Nesse caso, o /pol/ analisou os e-mails do John Podesta (ligado a Hillary Clinton), que tinham sido pagos por hackers russos e vazados pelo WikiLeaks. 


Nesse período, o 4chan construiu os elementos básicos da narrativa e a nova mídia de direita amplificou.


Os autores fizeram um esforço para compreender o 4chan enquanto sistema. Um sistema com as suas próprias dinâmicas internas e com um senso real do que o faz ontologicamente distinto. O Pizzagate foi uma ação coletiva dentro de um fórum caracterizado pela efemeridade e pelo anonimato. Além disso, pelos eventos ocorrerem de forma rápida e existir um limite de postagens. Ou seja, tudo que for discutido — não importando o quão bom e popular seja —, acabará pela própria estrutura do fórum. Os usuários burlaram isso usando sites paralelos.


No caso do Pizzagate, houve um esforço coletivo em tempo real para pesquisa. Além de uma compilação. Esse movimento foi chamado por pesquisadores de "Bullshit accumulation" (acumulação de tourobosta). O "bullshit accumulation" é mais ambicioso que a desinformação e oferece uma visão mais panorâmica do que particular, falsificando o contexto. O bullshit é considerado um inimigo mais perigoso do que a desinformação, visto que ele coloca uma narrativa dentro de uma teia de acontecimentos, tornando-se mais complexo e difícil de se argumentar contra.


A acusação de que Clinton era envolvida com pedofilia não era nova no 4chan. O 4chan alegava isso em um incidente anterior: "Orgy Island" (Ilha da Orgia). Nessa alegação, os Clintons viajavam num jato particular de Jeffrey Epstein chamado de Lolita Express. Todavia é difícil saber se os usuários do 4chan realmente acreditam nessas teorias, já que dois pontos são centrais:

1- Um quase religioso coletivismo irônico;

2- A weaponização da ironia que marca o fórum.

De qualquer forma, o "#Pizzagate" se espalhou pelo Twitter no dia 4 de novembro de 2017. Além do subreddit r/TheDonald.


Eu poderia focar nas informações das construções conspiratórias, mas foquemos nas técnicas, visto que elas que permitem compreender como o fenômeno é formado.


Os movimentos do /pol/ podiam ser definidos em cinco passos:

1- Pesquisa;

2- Interpretação;

3- Solicitação;

4- Arquivamento;

5- Publicação.


Isso lembra bastante uma investigação convencional, mas voltemos ao que foi discutido nessa exata postagem: a visão panorâmica acima da particularidade de cada peça, além da falsificação do contexto. Fora isso, adentre no aspecto da acumulação do conhecimento ao lado do apelo emocional e teremos uma epistemologia da pós-verdade.


Então veja:

PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade.

Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 3 Final)

 


Nome:

Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon


Autores:

- Melanie Smith

- Graphika


Nessa parte final, a Graphika relata a internacionalização do movimento. Citando países como Japão, Brasil, Inglaterra, França, Alemanha, Filipinas, Finlândia, Chile e Nova Zelândia.


Um detalhe especialmente relatado é a comunidade de QAnon no Japão. Nessa comunidade uma autonomia bastante alta se estabeleceu. Além disso, os tradutores ganhavam destaque social. Uma hashtag subia nas redes #QArmyJapanFlynn, que era uma alusão a ideia de ser uma armada de Q. e a conexão com Michael Flynn. Quando aprovaram novas cidades dirigidas por inteligência artificial, a comunidade japonesa de Q. acreditou que isso seria mais controle do "deep state" (Estado Profundo) na população.  Além disso, houve o questionamento dos supostos riscos de saúde do 5G.


Em relação a comunidade de QAnon no Brasil, essa estava muito ligada aos apoiadores de Jair Messias Bolsonaro. Foram localizadas 735 falando sobre a COVID-19. Além disso, a relação próxima de Trump e Bolsonaro era sempre ressaltada e tida como marca do grupo. Quando houve a saída de Sergio Moro, a comunidade se moveu para conectar a esposa do Sergio Moro as Nações Unidas e a suposta elite global que conspirava contra Bolsonaro. Isso ressalta, mais uma vez, que QAnon era uma arma política.


QAnon também esteve no Reino Unido, onde se relacionou com entusiastas do BREXIT (saída do Reino Unido da União Europeia). Além disso, defendia um novo rei legítimo: Rei João III. Essa ideia surgiu pela teoria de que a Rainha tinha envolvimento com a cabala global que criou o COVID-19. (Nota: é muito difícil escrever esse tipo de análise pois você acaba rindo das ideias estapafúrdias).


Na França, na Austrália, na Coreia do Sul e na Alemanha, os assuntos mais constantes eram o controle governamental. Pouco importando o local, onde o grupo QAnon passasse, existiria desinformação e deterioração da confiança pública nas instituições. O que foi excepcionalmente danoso no período da COVID-19.




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon


Autores:

- Melanie Smith

- Graphika


A forma que a comunidade QAnon se organizava deixava claro os seus objetivos políticos. Um exemplo disso foi quando a Kamala Harris foi anunciada como vice de Joe Biden. Não demorou muito tempo para que surgisse uma teoria da conspiração acusando a sua irmã (Maya Harris) de fazer parte de um esquema de tráfico sexual devido a relação com a família Soros (George Soros).


Além disso, a hashtag "#WWG1WGA" (Where We Go One, We Go All [Onde um vai, todos vão]) representava um sinal de lealdade e apoio (mútuo). Essa sinalização de grupo foi importante para construção da identidade do movimento de Q.


A investigação também vai para atuação da Rússia. Analisando o caso de três contas terem feito cerca de 17 mil tweets dizendo a hashtag "#WWG1WGA", o que levou a uma suspeita de uma operação informacional do Kremlin. Além disso, a hashtag "#pizzagate" já contava com a suspeita da participação da Glavset (Internet Research Agency/Agência de Pesquisa da Internet/Fábrica de Trolls Russa).


A mídia estatal russa também entrou nessa análise. O site RT.com sempre tentava colocar em suas matérias assuntos correlacionados ao movimento QAnon, chegando a conquistar grande parte do movimento.


Por fim, o artigo cita duas figuras (que já mencionei em outras análises), a Marjorie Taylor Greene e o General Michael Flynn. A Marjorie descreveu QAnon como um patriota, além disso já era conhecida por compartilhar teorias conspiratórias envolvendo o 11 de Setembro. Já o General Michael Flynn abraçou o movimento QAnon em seus discursos públicos (os leitores devem lembrar que na análise anterior eu lhes alertei que privadamente ele chamava o movimento do Q. de maluquice).

Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon


Autores:

- Melanie Smith

- Graphika


Nesse relatório, a Graphika alerta que QAnon vem a representar o mais denso network conspiratório que eles já estudaram. Na época, o período da COVID-19 representou um aumento da comunidade. Além disso, Facebook e Twitter tinham um esforço de restringir o crescimento do grupo, que se tornava mainstream. 


Três características centrais foram dadas nesse relatório:

1- A autonomia e a adaptabilidade do movimento QAnon eram rotineiramente subestimados;

2- Agentes estrangeiros, sobretudo na Rússia, visavam esse movimento;

3- O movimento havia se tornado internacionalizado, virando um movimento conspiratório global anti-governo.


O assunto seguia o mesmo: a elite cabalista liberal contra Donald Trump. A origem desse movimento, como os leitores já devem saber, foi o 4chan e depois houve uma migração pro 8kun. Também é notório que o movimento já estava em 25 países e tinha eleito políticos. 


— Autonomia e Adaptabilidade:


A pesquisa dividiu dois grupos: os seguidores de Q. e os seguidores de Trump. Enquanto os seguidores de Q. escalonavam as suas mensagens, os seguidores de Donald Trump amplificavam as mensagens dos seguidores de Q. (você deve se lembrar do que ocorreu com o Culto de Kek e os seguidores de Trump que foram mencionados em análises anteriores, para começar a perceber os paralelos históricos).


Com suas 13,8 mil contas, de Janeiro a Fevereiro o grupo fez 41 milhões de tweets. De Julho a Agosto, o grupo fez 62,5 milhões de tweets. Esses grupos online, atuando como guerrilhas digitais, eram chamados de "Q Armies" (armadas do Q.), que tinham o papel estratégico de coordenar e amplificar o conteúdo no Twitter. 146 contas chegaram a compartilhar o mesmo vídeo do YouTube 25 vezes ou mais. 11 usuários chegaram a compartilhar o mesmo link mais de 100 vezes.


O movimento QAnon também se destacava na produção de conteúdo (que depois seria amplificado pela própria base e pelos apoiadores de Donald Trump). Eles fizeram três documentários internos:

- "Plandemic";

- "America's Frontline Doctors";

- "Out of Shadows".


O movimento crescia colocando desinformação e teorias conspiratórias sobre a COVID-19, mas já tinha suas celebridades internas além do próprio Q. Além disso, a Graphika também cits vários exemplos em que os seguidores de Q. manipularam eventos para colocarem a sua teoria neles.


Um dos diálogos mais singulares foi o do movimento QAnon com o movimento anti-vacina. O período da pandemia foi o período em que a ideologia do movimento QAnon se espalhou para outras comunidades. O QAnon serviu como ponto de convergência para outras teorias conspiratórias. Ideias anti-vacinação, teorias contra o uso de máscara e o uso de hidroxicloroquina foram apresentadas — quem se lembra da época da COVID-19 no Brasil também se deparou com essas """ideias fascinantes""" (nota: tento não ser ofensivo em minhas análises de artigos acadêmicos/científicos).


Dois exemplos notáveis ocorreram:

1- Jessica Prim: essa mulher planejou matar Joe Biden, ela já tinha compartilhado as teorias da conspiração envolvendo QAnon no Facebook;

2- George Floyd: havia a ideia de que George ainda estava vivo e que era, na verdade, um ator de crise pago pela elite liberal. Várias imagens photoshopadas foram compartilhadas (no Facebook, Twitter e outros sites conspiratórios), mostrando a marca de George Soros em ônibus, ela dizia "Soros Riot Dance Squad" (Esquadrão de Dança da Revolta de Soros). Além disso, fizeram conexões entre George Soros e a Antifa.

Acabo de ler "What the Kek" do David Neiwert (lido em inglês)

 


Nome:

What the Kek: Explaining the Alt-Right 'Deity' Behind Their 'Meme Magic'


Autor:

David Neiwert


Site:

https://www.splcenter.org/resources/hatewatch/what-kek-explaining-alt-right-deity-behind-their-meme-magic/


Nota: como os leitores já estão acostumados com os pontos centrais, isto é, aqueles desenvolvidos previamente em outras análises, voltar-me-ei só aquilo que pode ser considerado novo.


O Culto de Kek unificou apoiadores de Trump e ativistas da alt-right (direita alternativa) através de uma religião semi-irônica. Essa religião atacava liberais (no sentido americano do termo) e conservadores mais tradicionais (aqueles que se opunham ao Donald Trump).


A militância da alt-right naquele período era absurda, jovem, transgressiva e racista. Ela atuava através da sátira, da ironia, da zombaria e com posicionamentos ideológicos pontuais. É possível ver, a partir daqui, que se não fosse pelo racismo, o público da alt-right poderia se tornar de esquerda em diferentes contextos históricos. Tal como na época dos beatniks, hippies e punks.


Kek representava simultaneamente:

1- Uma grande piada contra os liberais;

2- Refletia o papel (e a auto-imagem) da alt-right em serem agentes do caos na sociedade moderna.


Ser parte do esoterismo kekista, naquele período, representava uma marca tribal. Isto é, ou você era normie (uma pessoa normal) ou era um seguidor dos princípios do caos e da destruição. Paralelamente, tinha-se Kek representando o caos e as trevas e a alt-right como a destruidora da ordem existente. Nesse período, Donald Trump aparecia como aquele que encarnava os ideias de Kek. Nisso vemos mais uma vez a ligação do Culto de Kek com o trumpismo.


O Culto de Kek tinha tudo: uma igreja satírica, uma teologia detalhada, a magia memética, livros, áudios e até uma oração comum. Toda uma construção de uma mitologia cultural que colocava o Kekistão (país dos seguidores de Kek) contra o Normistão (país dos normies). Além disso, a bandeira do Kekistão foi feita com base na bandeira nazista de guerra para trollar liberais.


O movimento era bastante amplo. Os ativistas da alt-right procuravam brigas contra esquerdistas e antifascistas. Trollavam pessoas politicamente corretas (às vezes copiando as suas frases de modo irônico) e os chamados normies.


As ideias centrais, como dito nas análises anteriores, eram essas:

- Homens brancos;

- Patriarcado;

- Nacionalismo;

- Raça.


Além disso, existia a crença que homens brancos e a masculinidade estavam sendo cerceadas por feministas, liberais, grupos étnicos e raciais, minorias sexuais e de gênero.


Para acabar com tudo isso, a alt-right montou uma estratégia de compartilhamento de memes. Aliás, quase tudo se colocava memeticamente. O autor destaca que a guerra memética é, na verdade, uma propaganda de extrema-direita repaginada para o século XXI.


NGL #52 — Minha análise vai de encontro a de Alexandre de Moraes e do STF?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Não sei por qual meio Alexandre de Moraes e o STF se informam e colocam os seus argumentos. Eu estou fazendo a minha análise a respeito da internet e a sua regulação ou autorregulação a partir do prisma das guerras cognitivas, psicológicas, narrativas, meméticas, conspiratórias, metapolíticas, etc. Me ligando muito mais ao estudo das guerras de quinta geração (5GW). Confesso até mesmo que tenho uma preguiça para com o que ocorre no Brasil e até me alieno do cenário nacional.


Se você olhar a minha última análise a respeito do Reuters, verá que a Rumble e o Telegram foram citados:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-qanon-slogans-disappearing.html


Rumble e Telegram, anteriormente, entraram em uma espécie de confrontação com o Alexandre de Moraes e o STF.

- Rumble:

https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-determina-suspensao-da-plataforma-rumble-em-todo-o-pais/

- Telegram:

https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/ministro-alexandre-de-moraes-da-prazo-para-telegram-cumprir-integralmente-determinacoes-do-stf/


O que eu vejo é que muitos falam sobre a regulamentação da internet, mas usualmente a questão da guerra de quinta geração é amplamente ignorada. Isto é, um dos principais argumentos para a regulamentação da internet é descartado ou desconsiderado. Isso é um crime contra a consciência pública do país.


Sim, as pessoas deveriam ter o direito de argumentarem os seus pontos de vista, mas essa argumentação deve partir de dados e fatos. Quando teorias da conspiração e métodos de desinformação entram em jogo, vemos o ressurgimento de doenças anteriormente erradicadas, radicalização e seitização de massas populacionais. Esse é, por exemplo, o caso de QAnon.


Todavia ainda acredito que exista uma questão educacional em jogo. A população deve ser mais educada para não cair em narrativas doentes. É preciso criar uma população que tenha o hábito de ler e pesquisar, sobretudo em fontes como o Google Scholar e SciELO.


Outra questão: uma regulação que vise somente sites mainstream ignora uma das mais importantes questões... e os sites não mainstream? Por exemplo, você sabia que a maioria dos imageboards estão na surface web, isto é, são acessados de forma simples? Lembre-se QAnon não surgiu no Twitter, no Facebook ou no YouTube, surgiu no 4chan e depois foi pro 8chan. Migrar para redes sociais mainstream foi um movimento posterior, não imediato. Quando regulamentam apenas certos setores da internet — as redes sociais —, eles abrem brecha para o surgimento de um revivalismo channer em que um usuário cria um chan em nome da "ampla liberdade de expressão". Os chans já se hospedam em servidores de outros países, os administradores usam isso para burlar as leis nacionais e como desculpa para normalizar aberrações nesses sites. Suponha que todas as redes sociais são regulamentadas, disso surge um chan brasileiro prometendo liberdade total e ele acaba se tornando um chan com 10 milhões ou 20 milhões de usuários... O que ocorre depois? O ponto cego de todo esse movimento regulamentatório é óbvio. Além de desconsiderarem as guerras de quinta geração, desconsideram os imageboards como possíveis agentes desestabilizadores e como receptores de todos os usuários que ficarem insatisfeitos com as regulamentações.


Adendo:

O motivo de não termos um chan legião é o fato de que a cultura channer brasileira ser ditada por uma mentalidade de clubinho secreto. No 4chan, a chamada "panelagem" é literalmente legalizada, sobretudo no /soc/. Além disso, o 4chan não bane discursos, não importando qual ele seja (podendo ser de esquerda ou direita). Se moderadores dos chans reduzirem as regras ao máximo, não baniram mulheres e nem esquerdistas, legalizarem a panelagem e a divulgação do chan... Já era, um novo chan legião pode surgir no momento em que ninguém espera.

Acabo de ler "QAnon slogans disappearing from mainstream sites" de Elizabeth Culliford (lido em inglês)

 


Nome:

QAnon slogans disappearing from mainstream sites, say researchers


Autora:

Elizabeth Culliford


Link da Reuters:

https://www.reuters.com/technology/qanon-slogans-disappearing-mainstream-sites-say-researchers-2021-05-26/


Essa análise ocorreu depois do incidente violento de 6 de janeiro de 2021. Ela trata do esforço das redes sociais mainstream de reduzir o impacto da teoria conspiratória de QAnon. Essa teoria da conspiração explodiu em popularidade durante a pandemia da COVID-19.


A autora destaca frases que eram bastante utilizadas (quem entende de guerra memética compreenderá a importância dessas frases):

- "We are the storm" (nós somos a tempestade);

- "Great Awakening" (grande despertar);

- "Trust the plan" (confie no plano).


Segundo a autora, as redes sociais mainstream (isto é, as mais utilizadas), além de mecanismos de pesquisa (Google) tiveram um papel central na redução de danos. Google, Facebook e Twitter trabalharam muito nisso.


Outro grupo também fez um grande trabalho, os pesquisadores. Eles analisaram cerca de 40 milhões de dados. Porém a autora ressalta que houve uma grande desilusão de Q. e seus seguidores ao verem Trump sair do cargo sem derrotar a suposta elite cabalista, satanista e pedofílica. 


Durante esse período de cerceamento das atividades desse grupo conspiratório, as grandes redes sociais removeram várias contas vinculadas ao projeto de Q., os seguidores de Q. tentaram usar novas linguagens codificadas.


É interessante observar que o Telegram e o Rumble não foram analisados pela dificuldade de conseguir dados. Ou seja, uma rede alternativa de vídeos (Rumble) e os grupos sociais privados de um importante aplicativo de mensagens (Telegram) ficaram de fora.


Se o leitor puder, recomendo que ele leia a análise anterior:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-what-is-qanon-and-how-are.html


E que dê uma olhada quando a operação global do 4chan, a /DIG/, é mencionada aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-jeffrey-epsteins-4chan_92.html?m=0