sexta-feira, 17 de abril de 2026

Caveira Casual #3 — The Bay

 


Como disse em escritos anteriores, não sou cinéfilo. Não me levem tão a sério. Sou apenas um idiota tentando escrever alguma coisa, tal como em todos os meus outros escritos.


Assisti a "The Bay", filme de 2012. Foi recomendação do /tv/ do 4chan. Tinha pedido uma recomendação, visto que o último filme que assisti (Bodycam) também foi recomendado por lá. E estou maravilhado de como é possível um filme de "terror ecológico". Eu sequer tinha, em meus anos de vida, imaginado tal encantadora hipótese. 


O gênero do filme é "Found Footage". Isto é, um gênero do cinema focado em gravações reais que são feitas pelos próprios personagens, tal como se simulassem uma gravação amadora. O filme consegue simular ao máximo uma documentação científica e jornalística. Em vários momentos, você para apenas para pensar a respeito do realismo do filme.


Usualmente quando pensamos em filmes terror, nos vem a mente uma força mística ou maligna. The Bay traça uma crítica social a partir de como a atividade humana pode gerar um desequilíbrio ecológico que posteriormente pode se tornar um risco para a própria humanidade. O filme é assustadoramente magnífico em sua forma de alertar os perigos da manipulação do meio ambiente. A questão da biopolítica também é excelentemente trabalhada.


Vivemos numa época em que todo mundo fala sobre a esquerda woke (e eu sempre lembro da direita woke, para contrariar o debate público), mas o The Bay traz o debate sem ser Kitsch. Isto é, ele não traz as coisas de uma forma cafona, exagerada ou "palestrinha". O drama é apresentado normalmente, sem parecer forçado para enquadrar um discurso de forma forçosa. A trama é desenvolvida sem parecer que estão me forçando a engoli-la e é isso que a torna digerível.


Enquanto me maravilhava com "The Bay", impressionava-me também sobre como tudo aparecia na tela. Não só o filme é bem filmado, mas ele traz vários conceitos de forma inteligente. Posso listá-los:

- Eco-causalidade: a forma com que a ganância econômica altera a biologia local;

- Realismo parasitário: a forma como um medo biológico real foi colocado dentro da ficção;

- Crítica social: como o feriado do sonho americano foi transformado em uma metáfora de um sonho apodrecendo por dentro.


Tudo isso, dentro de uma estrutura documentária e a própria forma com que o filme é gravado trazem um filme potente, que leva a reflexão sem ser cansativo. "The Bay" não é só uma aula de "como fazer um filme", é uma aula sobre como conduzir o debate público sem ser chato.

ATENÇÃO: o termo PANELEIRO não é nada do que VOCÊ ou a POLÍCIA pensa!


Gostaria de ilustrar o quanto termo "paneleiro" para se referir só a grupos de channers que cometem crimes não faz sentido algum. O termo surgiu para designar pessoas que saíam dos imageboards (chans) para se encontrarem em locais como o antigo MSN, Skype, Facebook (como a Panelinha do Bananal) ou até mesmo fóruns (como o Vale Tudo da UOL). 


Existem vários grupos de channers que se reúnem pelos mais diversos propósitos. Eu mesmo estou num grupo de channers que conheci no 4chan que se chama "Chickn Frens", cuja dona é uma americana de 20 anos (ou mais) e só existem conversas casuais. E também em outro grupo chamado "Orgia Guarani", de channers que se vestem de mulher e falam sobre isso.


Para ser mais exato, aquilo que vocês chamam de "paneleiros", na verdade são "padogoleiros" (paneleiro + dogolachan). Eles não são continuadores do legado reptarista (Reptar, criador da Panelinha do Bananal), mas surgiram quando o segundo 55chan deixou servidores do Discord abertos para jogos online em servidores piratas. Ou seja, eles sequer fazem parte da tradição paneleira. Quando surgiram os padogoleiros, a tradição paneleira já havia sido criada há muito tempo e tinha quase total autonomia e cultura própria.


Podem existir os mais variados tipos de "panelinhas" entre os channers. Tal como existem chans de mulheres (magalichan), chans de esquerda (leftypol) ou chans dedicados a assuntos de nicho (como tohou). 


Pedi pro ChatGPT para ilustrar meu ponto. E ele desenhou uma imagem. Nela há um policial falando com uma drag queen. O policial pergunta: "Então você é um paneleiro?". E a drag queen respnde: "Sim". Aí o policial retruca: "Qual atividade seu grupo perigoso faz?" E a drag queen responde: "Somos uma panela especializada em se vestir de mulher." Isso ilustra o quão bobo, confuso e enganoso é ficar chamando "panelinha" de grupo criminoso e "paneleiro" de criminoso.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Kallistiologia #1 — Introdução ao Discordianismo

 


Nota: como essa é uma religião caótica, estudá-la-ei caoticamente. Logo, voltarei posteriormente em pouco explorados, para explanar pouco a pouco.


Muitos leitores do Blogspot queriam textos voltados ao Discordianismo. Como o Discordianismo é um "antepassado" estrutural do "Cult of Kek" e lembra, a rigor, o que havia de melhor na cultura channer, resolvi escrever tal conteúdo. Ele rima bem com o conteúdo underground geral do Blospot Cadáver Minimal. Se os leitores amaram os conteúdos de esochannealogia (esoterismo channer), creio que também amarão os escritos de Discordianismo. Espero que tenhamos as bênçãos da deusa Eris, espero que ela nos ilumine com a sua discórdia, contenda e rivalidade.


O discordianismo é uma religião diferente. É uma religião baseada na sátira e na absurdidade. Seu livro sagrado é o "Principia Discordia" e nesse livro somos levados a abraçar os paradoxos, as contradições e as absurdidades. Somos levados a desafiar a ordem, a autoridade e até mesmo a realidade. E é uma religião advogada por Gregory Hill e Kerry Wendell Thornley.


O discordianismo tem lá os seus princípios. Um deles é o "Princípio Anerístico". Esse princípio diz que a ordem é uma ilusão. Isto é, a ordem é tão só aparente em nosso universo. Ou, melhor, é uma construção temporária e subjetiva. Além disso, ela vem para nós através de nossa percepção humana. Nossa percepção é carregada de vieses culturais e normas sociais. A realidade é muito mais complexa e imprevisível do que pensamos.


Um dos símbolos do discordianismo é esse:




Esse é o Sacred Chao (pronuncia-se "Sacred Cow" [Sagrada Vaca]). Sacred Chao, muito provavelmente uma piada com "Sacred Chaos" (Sagrado Caos), apresenta dois símbolos dentro de um símbolo que parece o Yin-Yang. Esse símbolo representa a interação entre "Hodge" e "Podge" (ordem e desordem) ou os princípios Anerístico (ordem) e Erístico (desordem). Repare que há uma maçã escrita "Kallisti" (a mais bela) (da deusa Eris) e um Pentágono (que vem a representar a ordem). Isso faz referência ao Julgamento de Paris e à história do Cavalo de Troia. Esses são pontos que pretendo explorar mais tarde.


O discordianismo trabalha com o Princípio Erístico, isto é, o abraço à desordem. A desordem é encarada como uma catalisação da mudança com criatividade. Isso se liga ao culto da deusa Eris. Discordianistas creem que o caos não é meramente a ausência de ordem, mas um fundamental aspecto do universo, uma força que dirige a evolução e o progresso. É por isso que o discordianismo ensina a:

- Questionar a autoridade;

- Desafiar o dogma;

- Abraçar a inerente condição de incerteza, de caos e de aleatoriedade que molda o mundo.


Além disso, a desordem e a ordem são meras ilusões, construções artificiais impostas na realidade profunda do puro caos. O discordianista é chamado a pensar de forma diferente, visto que precisa evitar a "maldição do rosto cinzento". Essa maldição nada mais é do que cair na pressão da conformidade e das normas sociais, o que levaria a uma vida monótona, sem criatividade, individualidade ou alegria. Para sair dessa maldição, o discordianista deve abraçar a sua identidade única, desafiar a autoridade e buscar por novas experiências. Celebrar o absurdo, o inconvencional e o inesperado. Esses últimos três elementos constituiriam a chave para o crescimento pessoal e a evolução social. É por isso que todo homem, toda mulher e toda criança é um "papa", isto é, alguém capaz de criar a sua própria realidade, sua própria interpretação e desafiar o status quo. A liberação discordianista é a liberação através da subversão.


A estrutura de um grupo discordianista seria uma "loose-knit kabal". Loose-knit é uma organização descentralizada.  Loose-knit pode ser traduzido para algo "pouco articulado", de "vínculos frouxos" ou "sem hierarquia rígida". Já a palavra Kabal, que em português é cabala, é uma referência a Qabbalah, que, em hebraico, quer dizer recebimento. A palavra "cabala" também brinca com o conceito de "conspiração" ou "sociedade secreta". No discordianismo vemos que isso é uma forma de satirizar as teorias da conspiração, como os Illuminati, por exemplo. Nessas cabalas discordianistas, temos a troca de ideias, ajuda nas buscas criativas e suporte nas jornadas pessoais. Elas possuem, graças a sua natureza discordiana, uma natureza informal e a ausência de uma liderança rígida. Atuando mais como espaços de experimentação, colaboração e troca de perspectivas diversas. 

Caveira Casual #2 — É raro, mas sempre acontece!

 


Certas coisas na minha vida são raras, mas sempre acontecem. Se eu olhar como são meus amigos, a maioria deles é bissexual. Isso não ocorre por alguma predileção específica, mas é algo que sempre ocorre nos meus círculos. Do mesmo modo, minhas últimas três namoradas tinham as seguintes características:
- Pansexuais;
- Comunistas.

Poderia dizer que eram poliamoristas, mas a última certamente não era, visto que era uma monogâmica de carteirinha. Só tive dois namorados, um homem cis e um homem trans. Já namorei mulher trans. Acho que já fechei o bingo: homem cis, homem trans, mulher cis, mulher trans, não-binário. O mundo não é tão inovador e vejo mais a singularidade e a personalidade de quem amo e de quem amei do que o gênero. 

Durante uma conversa com um amigo meu, que também é bissexual, conversamos sobre política enquanto estávamos no metrô. Disse-lhe que atualmente prefiro uma política baseada em uma análise sistemática e combinatória de diferentes estudos acadêmicos e científicos. Pensar isso no Brasil é algo raro, mas que sempre me acontece. Digo que é raro, pois até as doutrinas políticas surgem aqui, surgem com nome de alguém: bolsonarismo e lulismo são capítulos recentes de nossa história.

De uma maneira geral, lido-me bem com o pensamento progressista. Estou sempre a consumi-lo. Também frequento locais progressistas e liberais. É raro, mas sempre acontece de eu estar numa roda de prosa larga, discutindo os rumos nacionais com colegas e amigos da esquerda. Lido-me bem com a esquerda, participo de um podcast de saúde mental vinculado à esquerda e estou a participar na construção de uma ONG de caráter popular. Já fui em festas políticas, a maioria delas vinculada à esquerda. Até mesmo em festas de políticos de esquerda, só vou mencionar que eram do PSOL e do PT. De uma maneira geral, percebi que quando você tem um diálogo sincero, as fronteiras políticas se dobram e unificam-se. Nelson Rodrigues e G. K. Chesterton, dois dos meus autores prediletos, eram capazes disso.

Não sou um personalista nem um seitista. Lido-me bem com a diversidade. Vejo no PT e no PSOL organizações políticas que trazem uma série de estudos e o que eu gosto é de política com dados, estudos, institutos e acadêmicos. Posso discordar de como você pensa, mas não posso discordar da forma que você estrutura seu pensar se ela for institucionalmente, academicamente e intelectualmente adequada. É por isso que respeito mais o PT e o PSOL que o bolsonarismo, visto que eles ao menos se formam através de análise dedicada e contínua. A continuidade de um grupo político, a consistência e a maturidade dele são articuladas, geradas e mantidas através da formação e do estudo. Isso é algo que sempre foi raso ou pouco no bolsonarismo. Enquanto os conservadores americanos fazem faculdades e institutos, mesmo que esses briguem entre si, os bolsonaristas preferem vociferar contra a academicidade que dá a institucionalidade de que a política (e também a direita) precisa. Você pode discordar de alguém que cursa ciências humanas, mas querer destruir as ciências humanas é um absurdo. Prefiro conservadores americanos, pois eles têm uma solução: faculdades focadas em artes liberais clássicas e no cânon ocidental. Isso é infinitamente mais razoável do que o conservadorismo brasileiro que quer tornar tudo numa gigantesca fábrica dos cursos técnicos.

Quanto às saídas, costumo sair. Não tenho destino fixo. Já caminhei por todas as regiões de São Paulo e por alguma da Grande São Paulo. Já viajei também. Minha última viagem foi para o Rio de Janeiro. Fui para Rio das Ostras e depois para o Campo dos Goytacazes. Confesso que preferi Rio das Ostras. Campo dos Goytacazes tem um clima universitário e é um local mais cosmopolita, viajei por querer esquecer um pouco da pauliceia desvairada e não recordá-la. Rio das Ostras me trouxe a mesma paz que cinto em Mariporã, apenas adicionando o fato de que lá havia uma praia. Quando viajei pra São Vicente, vi que lá parecia o centro de São Paulo, mas que também havia uma praia, o que é uma adição bastante agradável, já que remete ao regionalismo underground paulista que tanto amo. Itanhaém é um local meio estranho para mim, passo horas lendo e comendo sorvete com vinho seco. Além das sessões contínuas de cervejas puro malte que tanto amo. Essas coisas também são raras, mas sempre me acontecem.

Já perdi a conta da quantidade de vezes que tive que comprar pílulas do dia seguinte para mulheres com quem eu estava. Muitas vezes, ligava no meio da noite para minha mãe e falava sobre essa constante inconveniência que sempre me fazia pedir dinheiro. Isso ocorre três vezes ao ano, algo que segue religiosamente. Isso é um fenômeno numerológico que é raro, mas sempre me acontece. Tal como no de 2025, no qual prometi não namorar ninguém e acabei ficando com duas pessoas que já tinha namorado e duas americanas. Claro, fiquei com mais gente. Sou um sujeito bem liberal e fluido nesse tipo de coisa. Nesse ano, prometi que não diria nada sobre não ficar com ninguém, vá que ocorra e isso me leve a ser chamado de hipócrita? É algo raro, mas sempre acontece.

Acabo de ler "Illiberalism and Democracy" de Saul Newman (lido em Inglês)

 


Nome:

Illiberalism and Democracy: The Populist Challenge to Transatlantic Relations


Autor:

Saul Newman


A ascensão de Donald Trump, junto com vários dos seus correligionários da extrema-direita populista, apresenta um desafio à democracia e às relações transatlânticas. Muitos países europeus vêm sofrendo com a volatilidade dos Estados Unidos da América e também com problemas internos oriundos da própria extrema-direita populista interna. O desgaste contínuo dos valores democráticos e a tensão constante entre o campo democrático e o campo populista vêm se tornando um grande problema de nosso tempo.


O populismo estabelece um contraste e um conflito entre o "povo" e a "elite". O populismo, a partir disso, estabelecerá um modo autoritário de governança que se oporá ao pluralismo, ao Estado de Direito, à independência do judiciário, aos procedimentos intermediários e às instituições da democracia liberal de uma maneira geral.


Os países europeus estavam acostumados ao seguinte cenário:

- Uma ordem legal internacional e comercial baseada em regras;

- As relações estabelecidas durante o período pós-Guerra Fria;

- A hegemonia do modelo da ordem democrática liberal.


Atualmente, deparam-se com o seguinte cenário:

- Uma desordem internacional;

- Blocos de poder (Rússia, China e Estados Unidos);

- A ascensão global da extrema-direita populista.


Como definir o populismo de direita? Usualmente o populismo de direita é definido como uma mistura de vários fatores, entre eles uma espécie de libertarianismo econômico, um autoritarismo político, um nativismo, xenofobia, uma identidade religiosa forte, valores conservadores no campo social e cultural e, essencialmente falando, um antiliberalismo. Os fatores envolvidos podem variar, visto que o populismo de direita é diverso.


O autor citará vários exemplos de populismo, dentre os quais está o próprio Lula (atual presidente do Brasil), como figura populista de esquerda. Além disso, citará populistas europeus. De uma maneira geral, populistas apresentam o povo como moralmente puro, autêntico, honesto e trabalhador. Enquanto isso, as elites são apresentadas como nefastas, corruptas e traidoras. Eles também dão uma noção de uma "democracia mais genuína" ao dizer que representam o povo. Para que tal representação genuína do anseio democrático seja feita, eles precisam atropelar os processos parlamentários, a imprensa mainstream e todos os processos intermediários. A diversidade de visões, opiniões e interesses é descartada. A visão popular é colocada acima do Estado de Direito.


O pensamento populista precisa de uma identidade homogênea. A elite é encarada multifatorialmente, existindo elites políticas, financeiras e culturais, por exemplo. Todavia, não é só a elite que é o problema. Para assegurar a homogeneidade do povo, as minorias passam a ser atacadas. Logo, minorias culturais, sexuais e de gênero passam a ser consideradas inimigas também. É disso que se estabelece uma relação íntima entre populismo, misoginia, xenofobia, racismo, LGBTfobia e, em muitos casos, antissemitismo. Muito rapidamente, a mídia mainstream, artistas, acadêmicos,  celebridades, políticos liberais ou progressistas, o judiciário, ativistas e advogados dos direitos das minorias passam também a ser atacados. Como o populismo necessariamente pressupõe a homogeneidade, ele requererá sempre a tirania da maioria contra os grupos que estão fora dela. O respeito à pluralidade de valores, de interesses e de identidades, além da ideia de que os direitos das minorias são os mesmos que os das maiorias, começa a desaparecer.


No populismo, a figura do líder começa a ser tida como a personificação e o canal onde está e onde é emitida a vontade do povo. O partido político do populista se torna um partido de um homem só. É um partido focado inteiramente no líder. Além disso, o grupo político que cresce ao redor do populista não é um movimento político, mas configura-se como um culto religioso ou, mais propriamente, uma seita. O trabalho do populista é fazer com que o trabalho se cumpra, mesmo que isso envolva quebrar os valores democráticos no processo.


Os governos populistas adquirem um formato híbrido ou uma forma de "democratorship" (democracy [democracia] + dictatorship [ditadura] = democratorship [democradura]). Persistem ainda o parlamento, as eleições, a mídia independente... todavia, os oponentes políticos são perseguidos, o judiciário e a mídia são intimidados e o poder é centralizado no executivo. A possibilidade de uma democracia constitucional é gradativamente solapada.


Enquanto vemos a ascensão global da extrema-direita-populista, vemos muito especificamente o Project 2025. O Project 2025 é um blueprint (guia) global para a extrema-direita como um todo. Nele podemos ver:

- Poder concentrado no executivo;

- Controle de fronteiras draconiano;

- Isolacionismo;

- Retorno da imposição dos valores socialmente conservadores e dos valores patriarcais;

- Um assalto da extrema-direita contra o secularismo e o pluralismo;

- A ascensão da teoria da "Grande Substituição" (great replacement theory);

- A acusação de que jornalistas e a mídia no geral são organizações de fake news profissionais;

- O ataque contínuo à expertise científica;

- Políticos populistas, empresários políticos e influenciadores fomentando polarização e desconfiança no establishment.


Sabe-se ainda pouco se a ordem liberal e os valores liberais sobreviverão ao projeto político da extrema-direita populista. Praticamente não vemos mais um Ocidente liberal e democrático, mas sim um conflito entre esse Ocidente e a aliança iliberal e autoritária. 

Nas Garras do Dragão #5 — Guerra de Governança

 


Enquanto a China tem planos para décadas, os Estados Unidos têm planos para o próximo drama político. O sistema político chinês é baseado no planejamento de longo prazo; o sistema político americano é baseado no planejamento de curto prazo. Enquanto a China faz um planejamento cuidadoso para o futuro, os Estados Unidos se envolvem em guerras no exterior e em divisões políticas extremas em seu âmago.


Estamos acostumados a pensar nos Estados Unidos como a maior economia, a nação mais poderosa militarmente e o local da inovação global. Todavia, o que vemos hoje é um espetáculo de guerra fria civil permanente. Enquanto a China constrói uma estratégia dedicada para os próximos dez anos, os Estados Unidos pensam no próximo ciclo eleitoral. A batalha da China contra os Estados Unidos não é militar, tampouco é econômica; a batalha é no estilo de governança.


1- A China faz planos para uma década; os Estados Unidos pensam no que farão no dia:


A diferença governamental é pautada temporalmente. A China sabe o que quer ser daqui a dez anos, cria planos matematicamente precisos, de cinco em cinco anos lança um plano quinquenal, apresenta uma reportagem sobre as condições do país e faz um mapa dos caminhos que ela terá que percorrer. Os Estados Unidos, por outro lado, pensam na próxima tempestade política que terá que sobreviver, sem ter um plano unificado de metas, unicamente reagindo aos problemas.


2- O sistema político dos Estados Unidos está preso em loopings eleitorais:


Se pensarmos na razão do sistema político americano não ter planejamento de longo prazo, podemos pensar na razão mais evidente: os ciclos eleitorais intermináveis. Em vez de terem planejamento e governança, eles estão ocupados em vencer o adversário. Isso gera algo além do populismo, mas há a preocupação constante com cada ciclo eleitoral sem um pensamento sólido ou uma aliança nacional para um plano estratégico unificado.


3- A consistência vence a guerra:


A razão da China vencer não é por causa de um "milagre" ou uma "mágica", mas sim pela consistência do seu sistema de governo. Com um sistema político consistente, o planejamento econômico e a estratégia adotada também são estáveis e consistentes. A estabilidade é a chave da vitória chinesa. Enquanto isso, os Estados Unidos planejam, no máximo, de quatro em quatro anos e suas estratégias atropelam umas às outras.


4- Enquanto os Estados Unidos falam, a China investe no futuro:


Se um projeto é levantado num governo, cabe ao governo seguinte matá-lo. Ou seja, não há continuidade. Se um projeto é benéfico ao país, mas gera vantagem eleitoral para o adversário, cabe à oposição impedí-lo. É assim que funciona o sistema político americano. A China não cresce por acaso, ela cresce por design: eles planejam e cumprem unificadamente, sem os transtornos intermináveis dos ciclos eleitorais e das guerras frias civis infinitas. 


5- Governança como o campo de batalha final:


No fim, a luta entre Estados Unidos e China, tal como apresentada nesse pequeno artigo, não é uma luta puramente econômica ou militar, mas uma batalha existencial entre distintos modelos de governança. No século XX, pensamos na vitória da democracia liberal e no mercado aberto. Todavia, a democracia liberal não é por si mesma uma estratégia. Sobretudo quando essa democracia liberal sofre com guerras partidárias, comportamentos raivosos e estratégias de curto prazo. A China apresenta um modelo alternativo: um sistema de governança baseado na eficiência de longo prazo.

domingo, 12 de abril de 2026

Caveira Casual #1 — Filmes, Séries, 4chan e Direita Woke

 


Recentemente vi "Bodycam" (tudo junto). Um filme de terror de 2026. É impressionante como esse filme tem um nome parecido com o filme "Body Cam" (que se escreve separado). Também assisti a "Final Destination: Bloodlines", creio que no Brasil ele se chama "Premonição 6". Costumo assistir às coisas em sua linguagem primária, a não ser que eu não entenda a língua. É por isso que não me lembro dos nomes dos filmes em português. 


Atualmente assisto a "Hell House LLC". Um outro filme que encontrei enquanto lurkava no /tv/ do 4chan. Não sei se isso passa a ideia de que sou um "grande cinéfilo", sinceramente não lembro sequer o nome dos personagens dos filmes a que assisto. De forma geral, quase toda experiência que tenho assistindo, lendo ou jogando algo me vem de forma "eidética", isto é, conceitualmente. Sou péssimo em lembrar nomes de personagens. Consigo lembrar da experiência conceitual que algo passa, mas não me lembro dos nomes dos personagens.


Para ser mais exato, quem é apreciadora de filmes e séries é a minha irmã. Sou péssimo em assistir às coisas até o fim. Muitas vezes eu paro diversas vezes para realizar qualquer outra coisa. Por vezes, paro de assistir vídeos por semanas ou meses. Sempre fui mais ligado a videogames e livros. Embora deva admitir que seja um entusiasta de creepypastas desde os meus onze anos de idade.


Anonymous 04/11/26(Sat)22:28:17 No.219645028

>Supposed "edgy no holding back commentary" on American culture/politics

>Zero mentions of Israel

Really makes you think

Anonymous 04/11/26(Sat)22:39:18 No.219645344

It's not really relevant unless you're one of the schizos who blame all of their life's problems on jews.

Anonymous 04/11/26(Sat)23:29:51 No.219646862

/pol/ is over there if you want to be an obsessed schizo

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:28:17 Nº 219645028

>Suposto "comentários ousados e sem rodeios" sobre a cultura/política americana

>Nenhuma menção a Israel

Realmente faz você pensar

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:39:18 Nº 219645344

Não é realmente relevante, a menos que você seja um daqueles esquizofrênicos que culpam os judeus por todos os seus problemas.

Anônimo 04/11/26 (sáb) 23:29:51 Nº 219646862

/pol/ está lá se você quiser ser um esquizofrênico obcecado
(Transcrito pois muitos leitores copiam e colam textos desse Blogspot em IAs, assim as IAs conseguem compreender o que há na imagem)


Por falar em /tv/, conto-lhes um caso. Recentemente vi uma postagem no /tv/. Um anônimo reclamava que a série "The Boys" não tinha menções a Israel, querendo que a série fosse antissemita, tal como é o desejo de todo /pol/tard. Achei incrível como os usuários do /tv/ botaram o /pol/tard em seu devido lugar. Muitas pessoas não sabem disso, sobretudo jornalistas e acadêmicos, mas o /pol/ é uma board horrível e seus usuários também são horríveis. Quando eles vão para outras boards, tão logo são expulsos. E isso é excelente, /pol/tards contaminam tudo que tocam com sua misoginia, com seu racismo, com seu antissemitismo, com sua LGBTfobia... e é por isso que devem ser expulsos.

Gosto de acessar o /tv/ pelo mesmo motivo que gosto de acessar o /lit/, o /mu/ e o Google Scholar: descobrir novas coisas, descobrir novas ideias, descobrir novas músicas, descobrir novas escolas de pensamento. Isso é uma das experiências mais legais da vida: obter novas experiências. É impressionante como /pol/tards e seus amiguinhos (incels, redpills, panelinha da resenha) são intelectualmente incapazes disso, visto que não conseguem consumir conteúdo de múltiplas escolas de pensamento, conteúdo produzido por mulheres, por negros, por judeus ou população LGBTQIAPN+.  No fim, isso torna o movimento redpill, incel, resenha, /pol/tard — e qualquer outro movimento da direita woke — algo pra lá de tedioso e repetitivo. Acho que a direita woke, mesmo sendo "undergroundeira", é um underground nerfado, cafona e chatíssimo, já que é um underground que vem para impor limitações e os outros undergrounds anteriores (punk, hippie, hipster e até a direita politicamente incorreta) vieram para quebrar tudo.