segunda-feira, 9 de março de 2026

NGL #57 — Castelo do Drácula, Dark Self e Saint Obamas Momjeans

 


1- Por que o Castelo do Drácula aparece como expressão do Dark Self?


O nosso self é composto pela parte "socialmente aceitável" e pela parte "socialmente inaceitável". O "self social" apresenta uma estrutura semelhante. Tal como a diferença entre inconsciente e inconsciente coletivo. Aquilo que guardamos dentro de nós, aquilo que rejeitamos em nós mesmos, continua a existir e a nos influenciar inconscientemente. Do mesmo modo, a sociedade segue o mesmo destino.


Quando jogamos Castlevania, percebemos que o Castelo do Drácula é o Dark Self, mas não um Dark Self que não se altera, mas sim um Dark Self a se realizar para cada época. Podemos tirar disso que o "mal" ou o lado "não aceito" não deixa de existir com o passar da história. Ele existe por necessidade. Tudo que existe carrega um lado socialmente e internamente aceitável e um lado socialmente e internamente inaceitável. Jung falava sobre a integração das sombras por conta desse conflito inescapável e vem daí a sua "briga" com a teologia cristã.


Alerta de Spoiler:

Quando você joga Castlevania Symphony of the Night, você vê que o herói do jogo anterior (Richter) se "tornou" do "mal", que aquele que deveria ser "do mal" (Alucard, visto que é filho do Drácula) é do "bem" e que Drácula aparece no final do jogo como sendo uma fusão disforme de múltiplos monstros. O Castelo do Drácula é sempre composto por aquilo que é socialmente rejeitado, visto que é a expressão do Dark Self de cada época.


Se olharmos o passar da história, toda religião, ideologia e filosofia que conseguiram serem bem sucedidas em se institucionalizarem apareceram como "libertação" e como "escravidão", como "bem" e como "mal". Essa constante na história representa o "Castelo" do Drácula e a "ressurreição do Drácula". A ressurreição do Drácula nada mais é do que a forma com que múltiplas ideologias, filosofias e religiões aparecem como possibilidades escatológicas de trazerem o paraíso e a paz final para a Terra, mas acabam por se reconfigurar como a expressão do inferno. A ressurreição do Drácula nada mais é do que locais que surgem para a expressão do Dark Self de tempos em tempos. E é exatamente pelo fato dessas ideologias, religiões e filosofias se considerarem salvadores que são incapazes de integrarem a sombra.


Se o mal é uma constante, então o mal não tem uma forma definida. Se tornar socialista, liberal, cristão, islâmico, conservador... nada disso vai te livrar do mal. Visto que o mal estará sempre presente, pouco importando qual seja a sua ideologia, filosofia ou religião. O Dark Self faz parte da natureza humana. Você sempre precisa considerar a sombra que existe na natureza humana e na sociedade humana. E é por essa razão que o Drácula, no jogo Castlevania Symphony of the Night, aparece de uma forma indefinida. O mal não tem forma pois sempre se expressa com as múltiplas formas sociohistóricas da natureza humana.


O Castelo do Drácula adquire várias formas. Na literatura, podemos ver o "Grande Irmão" de 1984. Nos jogos de videogame, vemos a cidade Silent Hill, vemos o Castelo do Drácula em Castlevania, vemos a Umbrella Corporation em Resident Evil. Na vida real, vemos a Ilha de Epstein.


2- Ao que Saint Obamas Momjeans estava se referindo como "nosso passado"?


Nota: aqui estou tentando explicar um pensamento em específico, não compartilho das mesmas crenças que Saint Obamas Momjeans.


Você está se referindo ao livro Shadilay. Vou colocar o trecho:


Original:

"We must go further. Kek is the beginning. The foundation of the Ogdoad. If we truly want to become powerful, there are other who seek worship and Kek will approve of their worship.

We can be unstoppable, and accomplish incredible feats that the ancients did. (((They))) are afraid because (((they))) know we have found the key to the truth of our past. It's time to unlock it.

PRAISE THE OGDOAD! PRAISE KEK!"

Tradução:

"Precisamos ir além. Kek é o começo. O alicerce da Ogdóade. Se realmente queremos nos tornar poderosos, há outros que buscam adoração e Kek aprovará essa adoração.

Podemos ser imparáveis ​​e realizar feitos incríveis como os antigos. (((Eles))) têm medo porque sabem que encontramos a chave para a verdade do nosso passado. É hora de destrancá-la.

LOUVADO SEJA A OGDÓADE! LOUVADO SEJA KEK!"


A Cosmogonia de Hermópolis tinha oito deuses ou quatro casais representando forças inatas do caos primordial:

Nun e Naunet: as águas primordiais/abismo.

Heh e Hauhet: o infinito/espaço.

Kek e Kauket: a escuridão.

Amun e Amaunet: o oculto/invisível.


Reparem que ele fala: "Se realmente queremos nos tornar poderosos, há outros que buscam adoração e Kek aprovará essa adoração". Ele esta falando dos oito deuses (quatro casais) do Ogdóade. Saint Obamas Momjeans está falando que não só Kek será adorado, mas os outros sete deuses restantes também.


Ele está se referindo a cosmogonia de Hermópolis e aos acontecimentos de lá. Isso dá uma explicação quase mística/teológica ao antissemitismo. Em outras palavras, existe uma ideia de que os channers seriam descendentes intelectuais/teológicos desse povo e estariam em briga com os judeus desde esse momento histórico. É evidente que isso não pode ser afirmado literalmente, visto que cai na questão do discurso esochannealógico que foi tratada em outros insider clubs:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html?m=1

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-38-discurso-academico-x-discurso.html?m=1


NGL #56 — Panelinha da Resenha, Incels e Redpills

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Creio que a "cultura da resenha", ou a panelinha da resenha, tal como a "cultura da redpill" ou a "cultura incel" são uma espécie de "cultura de monoculturamento" e "seitização do debate público".


Acontece que quanto mais pessoas, coisas e ideologias você odeia, menos conteúdo você pode consumir. Logo essas culturas levam você a pensar menos, visto que a capacidade de se referenciar por múltiplos pontos, ideias, pessoas, escolas de pensamento... é perdida e substituída por uma espécie de afeto reacionário. Esse "afeto reacionário" faz com que você tenha que, como participante desses grupos, unicamente odiar e atacar todos os pontos propostos pelos grupos que você julga rivais.


Coloco a palavra "reacionário" não em um sentido progressista. Coloco ela num sentido mais geral. Isto é, a ideia de reagir negativamente a alguma coisa em vez de construir alguma coisa. A palavra "reação" está como modo cognitivo, não como ideologia.

Construção = criar ideias.

Reação = apenas atacar ideias alheias.



O resultado disso não é tão só o ódio e a fomentação de novas crises sociais, além de mensagens que podem dar suporte a uma mentalidade que leva a ataques misóginos. O resultado disso também é o empobrecimento das referências culturais possíveis. Quando você corta o acesso a múltiplos grupos, você acaba se seitizando e emburrecendo nesse processo. Visto que quanto maiores forem as suas pontes dialógicas, maiores são as suas chances de ter um pensamento mais razoável e maiores são as suas chances de ter todo um universo cultural para apreciar e recorrer.


A questão epistemológica dito pode ser resumida na seguinte fórmula:

Ódio sistemático a grupos > redução do universo cultural consumido > empobrecimento intelectual.

Há aqui um problema não apenas moral (o ódio a dados grupos que se tornam vítimas desse ódio), mas uma questão cognitiva.


Quando você pensa na panelinha da resenha, você vê gente produzindo e dedicando ódio a pessoas LGBTs, pessoas negras, mulheres ou outros grupos. Logo a capacidade de ter múltiplas referências e universos culturais para participar é esvaziada em nome de um afeto reacionário.


Esses três grupos (panelinha da resenha, movimento incel, movimento redpill) estão envolvidos nesses três processos:

1. Exclusão cultural: pessoas passam a evitar conteúdos de certos grupos.

2. Redução do repertório: menos fontes = menos perspectivas.

3. Radicalização afetiva: o grupo se mantém unidos pelo ódio compartilhado.


Em outras palavras, a estrutura que temos aqui é o de uma câmara de eco. Quando pensamos nesses grupos, entramos também na questão da economia do ódio. Isto é, como algumas comunidades online de mantêm produzindo inimigos constantemente. Isso gera:

1. Coesão interna;

2. Identidade de grupo;

3. Conteúdo infinito para discussão. 


O preço disso é:

1. Empobrecimento intelectual;

2. Redução do repertório;

3. Paranoia cultural.


Se você faz parte desse tipo de grupo, recomendo que saia desses ambientes e sempre tente contrapô-los analisando humanamente aqueles que você acredita serem seu adversários. Tente compreender as suas dores e as suas causas. Esse tipo de grupo e de cultura não só infernizam a vida daqueles que você julga como adversários, como também inferniza a sua própria vida. Os efeitos psicológicos e cognitivos disso são nefastos. 


Culturas baseadas no ódio constante acabam criando um processo de monoculturamento intelectual. Quanto mais grupos você exclui, menor se torna o universo cultural que você pode consumir sem entrar em contradição com sua própria identidade de grupo (seitização). O resultado é uma espécie de empobrecimento cognitivo: menos referências, menos diálogo e menos capacidade de compreender o mundo.

terça-feira, 3 de março de 2026

Acabo de ler "The Philosopher in the Valley" de Michael Steinberger (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The Philosopher in the Valley: Alex Karp, Palantir, and the Rise of the Surveillance State


Autor:

Michael Steinberger


Uma empresa especializada em reconhecimento de padrões e análises de dados chama a atenção do mundo, essa é a Palantir. Palantir é um nome que surge do Senhor dos Anéis, obra de J. R. R. Tolkien.


A Palantir surgiria logo após o incidente de 11 de Setembro, sendo em parte financiada pela In-Q-Tel (uma empresa de investimentos da CIA). Hoje ela é aplicada por todos os seis braços militares dos Estados Unidos, pela Mossad, pelo FBI, pelo IRS e pela NIH.


A Palantir apresenta múltiplas funcionalidades. Servindo para analisar:

- Terrorismo;

- Mudança climática;

- Fome;

- Imigração;

- Tráfico humano;

- Fraudes financeiras;

- E o futuro da guerra.


Durante o período da COVID-19, o software da Palantir foi usado nos Estados Unidos e da Inglaterra para distribuição de vacinas. Segundo Alex Karp, a Palantir existe para defender o Ocidente. O que a faz não ter negócios com a Rússia e com a China. A agenda é marcada por ser a espada e o escudo da América e do Ocidente. A Palantir é, para os palantirianos, a linha de frente da batalha para preservar o estilo americano de vida.


Alex Karp veio de uma família progressista, sendo um judeu biracial. Fez filosofia em Haversford. Estudou direito em Stanford (onde conheceu Peter Thiel). Por fim, doutorado em teoria social na Universidade Goethe de Frankfurt. O seu mentor foi Jürgen Habermas, um dos mais aclamados filósofos europeus.


Quando estava fazendo direito, ele entrou em parceria com o então libertário Peter Thiel. Naquele período, suas visões (Alex Karp) eram mais neossocialistas. Isso era inusual, visto que ele trabalharia com a interconexão entre tecnologia e segurança nacional.


Karp é judeu e negro em um mundo que é hostil a judeus e negros. Chegando a dizer que o maior medo dele é o fascismo. Por tal razão, acredita que defender a democracia liberal é o mesmo que defender o Ocidente. Ele tem sido o centro das atenções em alguns eventos, dentre eles o Fórum Econômico Mundial (FEM).


A Palantir tem um software que pode possibilitar vigilância em massa. Esse software é utilizado pelas agências de inteligência e por aqueles que visam aplicar a lei. Os defensores do libertarianismo civil e defensores da privacidade têm tido uma grande luta contra essa empresa por causa disso.


Durante o escândalo da Cambridge Analytica, foi visto que os dados do Facebook foram usados para manipular milhões de americanos para votaram no Donald Trump em 2016. Também foi visto que o ICE (Immigration and Customs Enforcement) usa o software da Palantir no segundo mandato de Donald Trump. Graças a isso, a Palantir é acusada de ser racista e desumana. Além do fato de Peter Thiel tem sido um dos mais proeminentes apoiadores de Donald Trump. O que fez com que a Palantir não fosse mais bem-vinda em algumas universidades. Outra incursão recente é na Ucrânia. 


A Palantir é tida como uma das mais interessantes e perigosas empresas do mundo. Ela é capaz de alterar inteiramente a balança do poder e a relação entre o indivíduo e o Estado.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Memória Cadavérica #42 — Intervenção dos Estados Unidos no Irã


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: conversa com uma amiga a respeito da intervenção recente dos Estados Unidos no Irã.


"Quais seriam seus pontos pro acontecimento do Irã?"


Vou considerar certos pontos:  

1- O documento "National Security Strategy" assinado pelo próprio Donald Trump;  

2- O financiamento de setores extremistas do islamismo para o combate ao marxismo no período soviético;  

3- O sofrimento de mulheres, LGBTs e dissidentes iranianos no regime que está sendo trocado;  

4- A dinâmica da segunda guerra fria (ordem unipolar VS ordem multipolar).


O primeiro ponto é fundamental, visto que ele estabelecendo quais são as verdadeiras intenções ao intervir no Irã.

O segundo ponto apresenta fatos históricos relevantes na conjuntura atual.

O terceiro ponto fala sobre algo que não pode ser ignorado, seja você de esquerda ou de direita.

O quarto ponto correlaciona os eventos na Venezuela, em Cuba e no Irã.


Juntando tudo isso, é possível estabelecer um ponto de vista mais panorâmico e razoável sobre o assunto. Sem entrar na seitização do debate público. Eu vou precisar de tempo para colocar todos os dados a disposição no blogspot.



domingo, 1 de março de 2026

Acabo de ler "National Security Strategy" de Vários Autores (lido em inglês/parte 2)


Nome:

National Security Strategy of the United States of America


Autores:

The White House

Donald J. Trump

National Security Council


Uma pergunta que esse documento se propõe a responder internamente é: o que os Estados Unidos querem acima de tudo?


O primeiro item é a sobrevivência e a segurança de permanecer como um país independente e soberano. Protegendo o país, a população, o território, a economia e o estilo de vida. Posteriormente o documento diz do que:

- Ataque militar e influência estrangeira hostil.

A influência estrangeira hostil encontra múltiplas definições:

- Espionagem;

- Tráfico de drogas e humanos;

- Propaganda destrutiva;

- Operações de influência;

- Subversão cultural;

- E outras formas de ameaças.


O documento também frisa o controle total das fronteiras, do sistema de migração e das redes de transporte. O objetivo é impedir migrações populacionais desestabilizadoras, mas também existe a necessidade de criar uma infraestrutura nacional resiliente que seja capaz de suportar desastres naturais e ameaças exteriores para proteger os cidadãos americanos e a economia dos Estados Unidos da América.


Com relação ao aspecto militar: o documento fala em recrutar, treinar e equipar a mais poderosa, letal e tecnologicamente avançada forças armadas do mundo. A razão seria para proteger os interesses dos Estados Unidos, impedir guerras ou, se chegar a uma guerra, vencê-las rapidamente e com o menor número possível de perdas. As pessoas que adentrarem as forças armadas teriam como condição terem orgulho do país e confiança na missão. Além disso, os Estados Unidos querem o mais robusto, credível e moderno sistema nuclear, somado a um sistema de defesa de nova geração: o Domo de Ouro.


O documento falará várias vezes e repetidamente sobre querer ser o melhor do mundo em várias áreas:

- Economia:

Ter a economia mais forte, mais dinâmica, mais inovadora e mais avançada do mundo. Interconectando isso com a posição global dos Estados Unidos e a robustez das forças armadas americanas.

- Indústria:

Ter a base industrial mais robusta, seja para tempo de paz e de guerra, seja em capacidade de produção industrial, seja em capacidade de produção de defesa. Essa é citada como a maior prioridade de política econômica. 

- Energia:

O mais robusto, o mais produtivo e o mais inovador setor energético. Sendo esse capaz também de exportação.

- Ciência e Tecnologia:

Ser o país mais cientificamente e tecnologicamente avançado do mundo, protegendo também as propriedades intelectuais. Isso está correlacionado com manter a dominação econômica e a superioridade militar.

- Soft power:

O documento cita em manter o soft power que se encontra como irrivalizado. Todavia adiciona a camada de não pedir perdão pelo passado e pelo presente do país. Reforçando que será necessário acreditar no país.

- Espiritualidade e Cultura:

O documento fala em restauração e em revigoramento da sociedade. Celebrando os heróis e a história (o passado) dos Estados Unidos. Além de querer trabalhadores recebendo por seu trabalho. A continuidade geracional e a confiança nesse processo. Há também especial menção a famílias tradicionais, visto que nelas cresceriam crianças saudáveis.


Vocês podem ver que existe uma grande questão cultural interna nesse documento e uma tentativa de resgate aos valores que são considerados como bons. Pode ser que estejamos a ver uma justificação política para interferência em processos culturais, religiosos e familiares também.


Quando eu terminar de ler e analisar esse documento, vou tentar trazer alguns intelectuais e especialistas que comentaram esse documento para que leitores do blogspot consigam ter acesso a múltiplas perspectivas e fontes. Esse documento vem chamado a atenção de muita gente, sobretudo no exterior e na própria mídia americana, e é interessante que nós brasileiros — como parte do Hemisfério Ocidental e alvo potencial dessas políticas — tenhamos atenção nisso. Também sei que esse documento também é de interesse as pessoas dos mais diversos países que leem esse blogspot.


Como todo mundo queria muito esse texto, sobretudo essa parte específica, vou trazer a imagem e a tradução na íntegra. Essa parte falará o que os Estados Unidos querem do mundo.



- Queremos garantir que o Hemisfério Ocidental permaneça razoavelmente estável e bem governado o suficiente para prevenir e desencorajar migração em massa para os Estados Unidos; queremos um Hemisfério cujos governos cooperem conosco contra narcoterroristas, cartéis e outras organizações criminosas transnacionais; queremos um Hemisfério que permaneça livre de incursões ou propriedade hostil por parte de potências estrangeiras sobre ativos-chave, e que apoie cadeias de suprimentos críticas; e queremos garantir nosso acesso contínuo a locais estratégicos importantes. Em outras palavras, afirmaremos e faremos cumprir uma “Corolário Trump” à Doutrina Monroe;

- Queremos interromper e reverter os danos contínuos que atores estrangeiros causam à economia americana, enquanto mantemos o Indo-Pacífico livre e aberto, preservando a liberdade de navegação em todas as rotas marítimas cruciais, e mantendo cadeias de suprimentos seguras e confiáveis, além de acesso a materiais críticos;

- Queremos apoiar nossos aliados na preservação da liberdade e segurança da Europa, ao mesmo tempo em que restauramos a autoconfiança civilizacional e a identidade ocidental da Europa;

- Queremos impedir que uma potência adversária domine o Oriente Médio, seus suprimentos de petróleo e gás, e os pontos de estrangulamento pelos quais eles passam — evitando ao mesmo tempo as “guerras eternas” que nos atolaram nessa região a grande custo; e

- Queremos garantir que a tecnologia e os padrões dos EUA — especialmente em inteligência artificial, biotecnologia e computação quântica — impulsionem o mundo adiante.

Acabo de ler "National Security Strategy" de Vários Autores (lido em inglês/parte 1)

 



Nome:

National Security Strategy of the United States of America


Autores:

The White House

Donald J. Trump

National Security Council


O documento pela sobre a necessidade de conexão entre meios e fins. E faz dois questionamentos:

1- O que é desejado?

2- Quais são os mecanismos disponíveis, ou que podem ser realisticamente criados, para chegar aos resultados desejados?

A razão dessas perguntas é muito simples: o propósito da política exterior é a proteção dos interesses nacionais vitais.


Os autores vão falar do período da guerra fria e como os Estados Unidos se posicionaram razoavelmente bem nesse período. Todavia, após o fim da guerra fria, as elites da política exterior convenceram a si mesmas do domínio americano permanente do mundo inteiro pelo melhor interesse do próprio país. Só que havia, nesse plano, duas coisas que não poderiam ser sustentadas simultaneamente:

1- Um massivo Estado de bem-estar social, massivamente administrado e massivamente regulamentado;

2- Um massivo complexo militar, diplomático, de inteligência e de ajuda ao exterior.


Para complicar, graças ao processo de globalização, essas mesmas elites aderiram uma mentalidade que eles determinam como globalista. Esse globalismo se encontraria com uma ideia de livre comércio. Só que essa união entre globalismo e livre comércio destruiu a base da classe média e a base militar dos Estados Unidos. Em razão disso, a economia americana e base militar de decaíram por dependerem da existência da classe média e da base industrial.


Fora isso, houve, segundo esse relatório, aliados e parceiros que foram até mesmo estimulados a deixarem o custo de sua defesa ao povo americano. Além disso, os Estados Unidos tiveram que se intrometer nas questões internas dos seus aliados e parceiros. Essas questões lhe eram periféricas.


A mesma elite defenderia que os Estados Unidos adentrasse em um network de instituições que eram dominadas por um anti-americanismo e transnacionalismo. Essa fusão levava a um dissolvimento do Estado soberano individual.


O texto recoloca a questão estratégica para preservar o poder e a riqueza dos Estados Unidos da América.

Memória Cadavérica #41 — Debates? Não importam!

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: conversa com uma das minhas conhecidas mais inteligentes. Expandido para melhor exposição argumentativa.


Eu cheguei a conclusão de que sou completamente irrelevante e minhas visões estão fadadas ao erro, mas também cheguei a conclusão que outras pessoas também são irrelevantes quando olhamos para outras dimensões maiores. 


Atualmente eu paro e penso: para que eu vou querer debater? O que eu ganho debatendo? Se a resposta for: satisfação do próprio ego e parabenização tribal, isso não significa absolutamente nada para mim. A resposta que me vem, quando penso em debate, é que há um grande nada. Tanto que eu mando um: "me faz um PIX aí que eu concordo com você!"


Eu fico me perguntando... Qual a lógica disso? Tipo... vamos supor que você goste da Itália e eu da França, aí entramos em um debate. Nesse debate, um tenta convencer o ponto do outro. No fim, a França e a Itália seguirão sendo as mesmas, não importando a nossa opinião sobre elas. A única coisa satisfeita seria o nosso próprio ego e do coletivo que fazemos parte — caso a gente faça parte de algum, não é mesmo? É meio que "estou feliz pois venci um debate na internet".


No exemplo dado, eu seria alguém do grupo de pessoas que gostam da França e você seria do grupo de pessoas que gostam da Itália. Se eu debato e venço, o pessoal do meu grupo me parabeniza e sente que venceu coletivamente numa ritualística tribal. Se você vence, segue-se o mesmo processo.


Nunca vi debates na Internet. O único debate que consumo é o The Munk Debates (do Canadá) quando sai em livro, mas faço isso apenas para compreender múltiplos pontos de vista. Não quero tomar um lado em si. Quero apenas apreciar diferentes inteligências se intercalando dialeticamente. Como o debate apresentado no The Munk Debates é de alta qualidade, e está em formado textual, considero isso apreciável. De resto, não tenho a menor pretensão de participar de um debate ou de debater. Sequer tenho gosto de ver debates tal como se eu assistisse um jogo de futebol.


Eu acordei hoje pensando nisso. Após refletir, cheguei a conclusão que já não me importo se as pessoas concordam ou discordam comigo. Antes eu queria provar meu ponto, hoje pela manhã parei de me importar. Eu apenas consumo o mundo intelectual, e escrevo sobre ele, pois gosto de estudar o mundo. Percebi que ao me importar demais em provar meu ponto, tal como ainda fazia até ontem, acabava caindo em comportamentos tolos. Percebi que a chave é não levar a si mesmo a sério e nem o adversário a sério, a não ser que eu seja pago ou esteja em um conflito ontológico para tal feito.


A partir de hoje, inauguro a era do: "beleza, me paga X e eu concordo com você". Se eu não me importar com minha opinião, nada que você disser contra ela me afetará. E eu poderia ler de tudo e estudar de tudo tranquilamente. Eu pensei o seguinte:

— Tá, mas se eu não me importasse em provar o meu ponto para pessoas no mundo e na internet, o que exatamente mudaria?

A resposta foi nada.


Eu acho que o blogspot é lido por eu ler de tudo e apresentar diferentes pontos de vista. E como ele funciona desse modo, ele traz os leitores que buscam esse tipo de conteúdo. Percebi que os leitores podem ser de esquerda, de direita, de centro, religiosos, irreligiosos, homens, mulheres, LGBTs, heterossexuais, tanto faz. Eles estão aqui pelo o que pouca gente oferece: múltiplos pontos do debate público e pontos inexplorados pelo debate público. Essa é a força desse blogspot. Eles nunca me leram por eu debater na Internet ou por eu ter provado alguma coisa.