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domingo, 1 de março de 2026

Acabo de ler "National Security Strategy" de Vários Autores (lido em inglês/parte 2)


Nome:

National Security Strategy of the United States of America


Autores:

The White House

Donald J. Trump

National Security Council


Uma pergunta que esse documento se propõe a responder internamente é: o que os Estados Unidos querem acima de tudo?


O primeiro item é a sobrevivência e a segurança de permanecer como um país independente e soberano. Protegendo o país, a população, o território, a economia e o estilo de vida. Posteriormente o documento diz do que:

- Ataque militar e influência estrangeira hostil.

A influência estrangeira hostil encontra múltiplas definições:

- Espionagem;

- Tráfico de drogas e humanos;

- Propaganda destrutiva;

- Operações de influência;

- Subversão cultural;

- E outras formas de ameaças.


O documento também frisa o controle total das fronteiras, do sistema de migração e das redes de transporte. O objetivo é impedir migrações populacionais desestabilizadoras, mas também existe a necessidade de criar uma infraestrutura nacional resiliente que seja capaz de suportar desastres naturais e ameaças exteriores para proteger os cidadãos americanos e a economia dos Estados Unidos da América.


Com relação ao aspecto militar: o documento fala em recrutar, treinar e equipar a mais poderosa, letal e tecnologicamente avançada forças armadas do mundo. A razão seria para proteger os interesses dos Estados Unidos, impedir guerras ou, se chegar a uma guerra, vencê-las rapidamente e com o menor número possível de perdas. As pessoas que adentrarem as forças armadas teriam como condição terem orgulho do país e confiança na missão. Além disso, os Estados Unidos querem o mais robusto, credível e moderno sistema nuclear, somado a um sistema de defesa de nova geração: o Domo de Ouro.


O documento falará várias vezes e repetidamente sobre querer ser o melhor do mundo em várias áreas:

- Economia:

Ter a economia mais forte, mais dinâmica, mais inovadora e mais avançada do mundo. Interconectando isso com a posição global dos Estados Unidos e a robustez das forças armadas americanas.

- Indústria:

Ter a base industrial mais robusta, seja para tempo de paz e de guerra, seja em capacidade de produção industrial, seja em capacidade de produção de defesa. Essa é citada como a maior prioridade de política econômica. 

- Energia:

O mais robusto, o mais produtivo e o mais inovador setor energético. Sendo esse capaz também de exportação.

- Ciência e Tecnologia:

Ser o país mais cientificamente e tecnologicamente avançado do mundo, protegendo também as propriedades intelectuais. Isso está correlacionado com manter a dominação econômica e a superioridade militar.

- Soft power:

O documento cita em manter o soft power que se encontra como irrivalizado. Todavia adiciona a camada de não pedir perdão pelo passado e pelo presente do país. Reforçando que será necessário acreditar no país.

- Espiritualidade e Cultura:

O documento fala em restauração e em revigoramento da sociedade. Celebrando os heróis e a história (o passado) dos Estados Unidos. Além de querer trabalhadores recebendo por seu trabalho. A continuidade geracional e a confiança nesse processo. Há também especial menção a famílias tradicionais, visto que nelas cresceriam crianças saudáveis.


Vocês podem ver que existe uma grande questão cultural interna nesse documento e uma tentativa de resgate aos valores que são considerados como bons. Pode ser que estejamos a ver uma justificação política para interferência em processos culturais, religiosos e familiares também.


Quando eu terminar de ler e analisar esse documento, vou tentar trazer alguns intelectuais e especialistas que comentaram esse documento para que leitores do blogspot consigam ter acesso a múltiplas perspectivas e fontes. Esse documento vem chamado a atenção de muita gente, sobretudo no exterior e na própria mídia americana, e é interessante que nós brasileiros — como parte do Hemisfério Ocidental e alvo potencial dessas políticas — tenhamos atenção nisso. Também sei que esse documento também é de interesse as pessoas dos mais diversos países que leem esse blogspot.


Como todo mundo queria muito esse texto, sobretudo essa parte específica, vou trazer a imagem e a tradução na íntegra. Essa parte falará o que os Estados Unidos querem do mundo.



- Queremos garantir que o Hemisfério Ocidental permaneça razoavelmente estável e bem governado o suficiente para prevenir e desencorajar migração em massa para os Estados Unidos; queremos um Hemisfério cujos governos cooperem conosco contra narcoterroristas, cartéis e outras organizações criminosas transnacionais; queremos um Hemisfério que permaneça livre de incursões ou propriedade hostil por parte de potências estrangeiras sobre ativos-chave, e que apoie cadeias de suprimentos críticas; e queremos garantir nosso acesso contínuo a locais estratégicos importantes. Em outras palavras, afirmaremos e faremos cumprir uma “Corolário Trump” à Doutrina Monroe;

- Queremos interromper e reverter os danos contínuos que atores estrangeiros causam à economia americana, enquanto mantemos o Indo-Pacífico livre e aberto, preservando a liberdade de navegação em todas as rotas marítimas cruciais, e mantendo cadeias de suprimentos seguras e confiáveis, além de acesso a materiais críticos;

- Queremos apoiar nossos aliados na preservação da liberdade e segurança da Europa, ao mesmo tempo em que restauramos a autoconfiança civilizacional e a identidade ocidental da Europa;

- Queremos impedir que uma potência adversária domine o Oriente Médio, seus suprimentos de petróleo e gás, e os pontos de estrangulamento pelos quais eles passam — evitando ao mesmo tempo as “guerras eternas” que nos atolaram nessa região a grande custo; e

- Queremos garantir que a tecnologia e os padrões dos EUA — especialmente em inteligência artificial, biotecnologia e computação quântica — impulsionem o mundo adiante.

Acabo de ler "National Security Strategy" de Vários Autores (lido em inglês/parte 1)

 



Nome:

National Security Strategy of the United States of America


Autores:

The White House

Donald J. Trump

National Security Council


O documento pela sobre a necessidade de conexão entre meios e fins. E faz dois questionamentos:

1- O que é desejado?

2- Quais são os mecanismos disponíveis, ou que podem ser realisticamente criados, para chegar aos resultados desejados?

A razão dessas perguntas é muito simples: o propósito da política exterior é a proteção dos interesses nacionais vitais.


Os autores vão falar do período da guerra fria e como os Estados Unidos se posicionaram razoavelmente bem nesse período. Todavia, após o fim da guerra fria, as elites da política exterior convenceram a si mesmas do domínio americano permanente do mundo inteiro pelo melhor interesse do próprio país. Só que havia, nesse plano, duas coisas que não poderiam ser sustentadas simultaneamente:

1- Um massivo Estado de bem-estar social, massivamente administrado e massivamente regulamentado;

2- Um massivo complexo militar, diplomático, de inteligência e de ajuda ao exterior.


Para complicar, graças ao processo de globalização, essas mesmas elites aderiram uma mentalidade que eles determinam como globalista. Esse globalismo se encontraria com uma ideia de livre comércio. Só que essa união entre globalismo e livre comércio destruiu a base da classe média e a base militar dos Estados Unidos. Em razão disso, a economia americana e base militar de decaíram por dependerem da existência da classe média e da base industrial.


Fora isso, houve, segundo esse relatório, aliados e parceiros que foram até mesmo estimulados a deixarem o custo de sua defesa ao povo americano. Além disso, os Estados Unidos tiveram que se intrometer nas questões internas dos seus aliados e parceiros. Essas questões lhe eram periféricas.


A mesma elite defenderia que os Estados Unidos adentrasse em um network de instituições que eram dominadas por um anti-americanismo e transnacionalismo. Essa fusão levava a um dissolvimento do Estado soberano individual.


O texto recoloca a questão estratégica para preservar o poder e a riqueza dos Estados Unidos da América.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The King in Orange" de John Michael Greer (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

The King in Orange: The Magical and Occult Roots of Political Power


Autor:

John Michael Greer 


Make America Great Again (Donald Trump) X I'm With Her (Hillary Clinton)

Se pensarmos bem, a frase da campanha de Donald Trump é muito mais evocativa que a campanha de Hillary Clinton. Donald Trump se comunicava para a vasta maioria dos americanos. Hillary Clinton procurava o consenso partidário.


As alegações para a vitória de Trump — a justificação para derrota —, como não poderiam deixar de ser, foram os lugares comuns e fetiches mentais de câmaras de eco:

- Racismo;

- Sexismo;

- Preconceito;

- A Rússia destruiu a eleição;

- A vitória do Trump veio pelo ódio.


Quando olhamos as causas reais da vitória do Trump, isto é, quando saímos das bolhas e seus vieses de confirmação, podemos encontrar as razões reais da vitória dele.


1- O Risco de Guerra:

Quando Hillary Clinton foi Secretária de Estado, ela atuou como desestabilizadora de regimes. Essa prática, sobretudo na Síria e na Líbia, causaram morticínios. Trump sugeriu romper o círculo de guerras.

2- O Desastre do Obamacare:

Mesmo que o programa seja dito popular, o aumento sem fim dos preços levou a uma revolta para com esse programa.

3- Trazer os empregos de volta:

O autor traz a ideia de quando as regulamentações eram mais modestas, quando havia substanciais tarifas e barreiras comerciais, além de proteção a indústria doméstica, havia mais emprego para os trabalhadores americanos. Fora isso, a imigração era mais controlada, o que assegurava emprego da população local. 

Hillary Clinton adotou em seu projeto aquilo que afastou os cidadãos americanos:

- Mais regulamentação;

- Mais acordos de livre comércio;

- Mais imigração. 

Trump fez o exato oposto e prometeu:

- Cortar regulamentações;

- Cortar ou renegociar acordos de livre comércio;

- Acabar com a imigração ilegal.

4- Punir o Partido Democrata:

Muitos eleitores do Bernie Sanders viram a forma com que o Partido Democrata sabotou Bernie Sanders como imoral e desonesta. Além disso, viam paralelos entre a política de Hillary com a de Bush. Além da hipocrisia histórica do Partido Democrata: eles criticavam as políticas que eles mesmos adotariam quando estivessem no poder.


Existe uma traição do imaginário e políticas que o Partido Democrata construiu através do tempo. Esse imaginário e essas políticas eram:

- Oposição a um militarismo aventureiro e sem sentido;

- Suporte a políticas que melhorassem o padrão de vida da classe trabalhadora americana;

- Políticas com transparência e integridade.


Indo mais adiante, o autor citará a obra de Ion P. Culianu intitulada "Eros and Magic in the Renaissance". Esse autor era um hábil leitor de Giordano Bruno, sobretudo da obra "Vinculis in Genere". Onde se nota que o "eros" é um aspecto central da mágica. Ou, em palavras mais modernas, que a manipulação da consciência através de imagens que evoquem o desejo eram possíveis.


É disso que surge a ideia de um Leviatã — remetendo a Hobbes — que não se imporia tanto através da força, mas pela manipulação do desejo. Um Estado Mágico seria um Estado em que a mídia de massa mainstream criaria um consenso artificial onde a distribuição do existente poder e riqueza seria justificada pela exclusão tácita de todas as outras alternativas.


Quando queremos compreender o que seria mágica, temos que remeter a ideia de Publicidade e Propaganda. Todo produto a ser vendido é intermediado por um conjunto de crenças e atitudes que fazem esse produto ser desejável. Um produto é apresentado de forma a evocar desejos como amor, amizade e popularidade. Ou seja, há uma conexão entre o desejo e o consumo. Mexer com o imaginário é a chave. A mágica é a manipulação do desejo.


Clinton não fez uma boa campanha pois focou no mal menor. Enquanto a vida cotidiana para a maioria dos americanos se tornava intolerável, ela apelou para o consenso partidário que já era rejeitado pela maioria dos americanos.


O autor conectará, por fim, com as reflexões de Oswald Spengler. Spengler dirá a razão pela qual as democracias morrem. Segundo ele, as democracias têm uma vulnerabilidade letal: a influência do dinheiro. Quando ricos percebem que podem simplesmente comprar o poder, logo uma plutocracia se estabelece. Nessa plutocracia, o desejo pelo enriquecimento pessoal e a gratificação se tornam regras do jogo. Nesse período, surgirá algum líder carismático que se oporá a essa plutocracia que vive em uma bolha. Geralmente esse líder sai de dentro da própria plutocracia. Um exemplo histórico disso, é Júlio César. 


Donald Trump foi brilhante em usar as próprias percepções e visões de mundo das elites americanas contra elas próprias. O modelo trumpista de campanha (de forma simplificada) era esse:

1- Trump fazia uma ação ou fala polêmica;

2- A mídia atacava;

3- Pessoas gostavam ainda mais de Donald Trump.


Um exemplo disso é a fala de que se os smartphones fossem produzidos nos Estados Unidos, as pessoas teriam que pagar mais por eles. Ora, a classe trabalhadora americana teria emprego nessas fábricas para suportarem as suas famílias. Ela não se importava com a classe média e a classe rica, ela queria empregos estáveis para viverem as suas vidas. Em outras palavras, Donald Trump percebeu um conflito de classes pois saiu da bolha e soube canalizar a revolta popular ao seu favor. Enquanto isso, a mídia e grande parte do establishment político não percebeu que ao atacar uma proposta como a de Trump, seria tida como inimiga da maioria dos americanos. Ela — a mídia — acreditava que a visão que ela tinha a respeito do mundo se refletia na visão da maioria dos cidadãos americanos. Essa desconexão com a realidade fez ela fortalecer o discurso de Trump toda vez que o atacava.


Veja que o assunto não é a efetividade das políticas de Trump ou se o modelo econômico almejado pela maioria dos americanos é funcional. Também não entro na questão se Trump fez ou não fez as suas promessas. A questão é o que está no imaginário das massas e o que está no imaginário das elites. A questão é como manipular os desejos em prol das próprias vontades.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The King in Orange" de John Michael Greer (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The King in Orange: The Magical and Occult Roots of Political Power


Autor:

John Michael Greer 


O autor começa a sua análise brincando com a autoimagem da sociedade contemporânea. Isto é, a ideia que vivemos num mundo racional e que o mundo nada mais é do que uma máquina sendo regida por leis deterministas. Essa crença nos diz que, se tivermos dados suficientes, podemos fazer com que essa máquina (mundo) vá em direção ao nosso desejo.


Acontece que as regras que acreditamos são apenas um compilado de narrativas. O mundo que acreditamos nos vem com pacotes de meias verdades e de evasivas confortáveis. Temos a necessidade psicológica de profetas, visto que necessitamos de um mundo onde tudo seja previsível e endireitado ao cumprimento de nosso desejo. Acontece que, ano após ano, todos  os políticos, os mais preparados, com seus dados e sua capacidade de mexer com a grande máquina do mundo falharam.


Nas eleições de 2016, os democratas viviam numa bolha, em uma câmara de eco da qual só podiam ouvir as próprias vozes ecoando infinitamente. Enquanto isso, Trump servia para mídia e para os seus adversários banquetes de polêmicas. Esses banquetes geravam hiperreatividade e Donald Trump usava essa energia hiperreativa como instrumento de guerra política.


As ações de Trump, a forma como tudo se encaixava no seu jogo, fazia com que as suas ações parecessem com uma espécie de mágica. Porém isso só poderia ser considerado impossível: como a mágica seria possível na moderna sociedade industrial? É com isso que o autor trabalhará.


Durante anos, aprendemos em nossas escolas, em nossas faculdades, em nossa querida mídia, que a mágica era algo do passado e estava morta. Acontece que nossa definição de mágica era absolutamente errônea. Isso também levava que nossas escolas, faculdades e mídias a atacarem um espantalho. A verdadeira definição de mágica não é outra, se não essa: mágica é a arte e a ciência de causar mudanças na consciência de acordo com a vontade. O autor nos dá essa frase baseado em seu estudo de Dion Fortune.


Como isso é possível? Se pensarmos bem, a parte de nós que é racional é a parte menos desenvolvida e recente de nossa mente. A grande parte ainda é dominada a linguagem do mito e do símbolo. É possível influenciar essa parte. Por exemplo, quando pensamos no slogan "MAGA" (Make America Great Again), não temos uma frase que signifique alguma coisa exata. A frase apenas diz: "Fazer a América Grande De Novo". Essa frase poderia ser um slogan até do Partido Democrata. Essa frase não foi feita para falar com o racional, mas com o imaginário afetivo.


Quando pensamos em Donald Trump nas eleições de 2026, entramos em mundo infamiliar onde as regras regulares não eram mais aplicáveis e estranhas formas surgiam das profundezas. O que Trump fazia era magia política (lembre-se da definição de mágica: "mágica é a arte e a ciência de causar mudanças na consciência de acordo com a vontade") e é por isso que Trump era uma anormalidade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 3)


Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:


No ano de 2016, a WikiLeaks acabou liberando 20 mil páginas de e-mails do gerente de campanha da Hillary Clinton (John Podesta). Quando as revelações vieram à público, os anônimos do 4chan começaram a correlacionar os seguintes termos "pizza", "pasta" e "hot dogs". Nisso, começaram a associar ao abuso de menores e a pizzaria Comet Ping Pong. O que levaria ao Pizzagate.


Não era só o 4chan que estava analisando isso. Os subreddits r/TheDonald e r/pizzagate também analisavam os arquivos. Essa correlação de forças logo sairia do 4chan e do Reddit, adentrando ao Facebook, YouTube e Twitter (atualmente X).


O que chamará a atenção é o fato de que o próprio Jeffrey Epstein enviou e-mails (mesmo que sem contexto) para Peter Thiel e para o ex-conselheiro do Donald Trump (Tom Barrack). Epstein também se encontrou com James Damore e Kevin Cernekee, dois influenciadores de direita. Esses dois estariam supostamente envolvidos na promoção da narrativa da teoria conspiratória do Pizzagate.


De: [Nome redigido]  
Enviado: Quarta-feira, 21 de agosto de 2019, 14h58  
Para: [Nome redigido]  
Assunto: relatório-em-andamento

Fui solicitado a escrever isso para o Oversight na semana passada, e continuo esquecendo de repassar para você.

Tenho certeza de que vocês sabem mais sobre a maior parte disso do que eu, mas se a hipótese que proponho estiver correta, caso surja alguma discussão sobre Corais/Simbiodinium/Algas/Dinoflagelados ligada à criptografia de dados ou à Arábia Saudita, posso ser capaz de preencher algumas lacunas — datas e outros indivíduos que poderiam ter estado envolvidos em impedir que financiamento fosse fornecido àqueles cujo interesse na simbiose era baseado exclusivamente no mérito científico.

Também inclui uma rota potencial pela qual Epstein poderia ter encontrado James Damore e Kevin Cernekee, agentes provocadores que infiltraram-se no Google e foram considerados envolvidos na promoção da narrativa “Pizzagate” e nas ameaças e assédio feitos contra [nome redigido].

EFTA00151849



Quando o Pizzagate se tornou mainstream, os usuários do /pol/ já se preocupavam com outras questões. Todavia um homem da Carolina do Norte abriu fogo na Comet Ping Pong com um rifle de assalto.

No ano seguinte, apareceria uma nova teoria da conspiração. Ela tinha uma doutrina bíblica, uma postura de seita, absorvia toda e qualquer teoria conspiratória previamente existente. Essa teoria da conspiração alucinava uma guerra santa entre uma cabala pedofílica e canibal contra Donald Trump (o messias que salvaria os Estados Unidos da América). Sim, senhoras e senhores, QAnon!

QAnon surgia com os chamados Qdrops, isto é, pequenas postagens crípticas que codificavam informações para seus aderentes decifrarem e extrapolarem. Q. era um indivíduo ou um grupo que trabalhava dentro do "deep state" (Estado Profundo) para derrubá-lo. O inimigo era novamente o Partido Democrata, todavia existiam alguns republicanos moderados. Os heróis dessa estranha guerra eram Donald Trump (o messias) e o MAGA (logo, os seguidores do Donald Trump).

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 2)

 



Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:

Em 2014, a cultura channer tinha homens jovens incrivelmente mais radicalizados. Ali se começava a cruzada contra o politicamente correto e contra os guerreiros da justiça social (SJW = social justice warrior). Eles viam esses dois componentes como estando na mídia, academia e cultura (o leitor deve se lembrar da ideia de "Catedral" na NRx [neorreacionarismo).


Nesse período, rolava a Gamergate. A Gamergate era uma campanha descentralizada e coordenada de perseguições e ameaças de morte e estupro contra mulheres, feministas e minorias. Muitas pessoas olhavam para o crescente radicalismo dos jovens e sentiam-se desconcertadas, mas nem todas. Onde muitos veriam caos, Steve Bannon, que era executivo da Breitbart e que posteriormente seria estrategista de Donald Trump, viu um potencial fantástico, ele viu o protótipo da sua nova armada populista. Chegando a ver isso como um "poder monstruoso". Nesse período, chamou Milo Yiannopoulos para conectar os fóruns anônimos com as massivas audiências.


Pouco a pouco, Steve Bannon e Jeffrey Epstein construíam uma parceria que casava estratégia e finanças. Isto é, construíam conjuntamente a coalizão populista do MAGA (Make America Great Again). Se Steve Bannon olhava para os jovens do Gamergate como um general olha para um potencial exército vitorioso, Jeffrey Epstein realizava outros movimentos. Epstein procurou o youtuber e neurocientista de extrema-direita Jean-François Gariépy (um canadense). Gariépy chegou a declarar em seu perfil no Twitter/X:


E só para deixar claro, não estou brincando. Jeffrey tinha defeitos como todos nós, mas era um bom homem, um homem ambicioso e um visionário em muitos aspectos. Mais pessoas como ele poderiam melhorar o mundo. Ele morreu pelos nossos pecados.


Gariépy não seria o único que chamaria a atenção do Epstein. Epstein tentou recorrentemente entrar em contato com Charles Murray. Charles Murray é o autor do controverso livro "The Bell Curve", um livro que, mesmo que desmascarado, serviu para formação de muitos intelectuais da alt-right (direita alternativa) e da far-right (extrema-direita). Visto que dava justificativas para a hierarquia racial, para a otimização genética e para discursos sobre o extermínio populacional motivados pelo clima. Em resumo, todos os pilares fundamentais da extrema-direita.

Temos um quadro:
2011: intervenção no 4chan (correlacionado ao /pol/)
2012: procura por Peter Thiel (investimentos)
2014-2015: Gamergate
2015: Jean-François Gariépy
2016: mensagem para Peter Thiel
2018: tentativa de se encontrar com Charles Murray

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Nota de Pesquisa (NDP): Trumpismo, Project 2025 e MAGA

 



Ainda estou escrevendo a análise do "Trumpocracy" do David Frum. Não terminei a leitura, mas escrevo conforme leio. Para garantir conteúdo, fiz algumas pesquisas que podem ser úteis (tal como as análises anteriores), para compreender melhor o Project 2025, o trumpismo e os Estados Unidos.


— "Tired of Winning: Donald Trump and the End of the Grand Old Party" de Tim Miller;

— "The Destructionists: The Twenty-Five Year Crack-Up of the Republican Party" de Dana Milbank;

— "Why We Did It: A Travelogue from the Republican Road to Hell" de Tim Miller;

— "Prequel: An American Fight Against Fascism" de Rachel Maddow;

— "The Steal: The Attempt to Overturn the 2020 Election and the People Who Stopped It" de Mark Bowden & Matthew Teague;

— "American Fascism: How the GOP is Subverting Democracy" de Brynn Tannehill.



quinta-feira, 3 de julho de 2025

Acabo de ler "MAGA: The Covert Call for Colonialism's Come Back" de Janga (lido em Inglês)

 


Nome:

MAKE AMERICA GREAT AGAIN (MAGA): THE

COVERT CALL FOR COLONIALISM'S COMEBACK 


Autor:

Janga Bussaja


Quando o movimento MAGA ia se delineando, algumas propostas iam se estabelecendo retoricamente. Dentre elas, as principais eram: protecionismo econômico, restrição de imigração, retorno aos valores americanos tradicionais. Todas essas promessas eram emaranhadas por uma visão mística e nostálgica do passado americano.


Essa visão mística e nostálgica tinha como referência uma visão da hegemonia americana. Uma visão que acompanhava a ideia de que os Estados Unidos estava em decadência e que a segurança econômica não era mais uma garantia. O que havia no passado? Os Estados Unidos eram fortes, o papel da religião era garantido na esfera pública, a visão de mundo era provavelmente estável. Além disso, o papel de cada americano era pré-configurado e inquestionável: raça, etnia e condição socioeconômica cumpriam os seus deveres.


Não muito estranhamente, a retórica de Trump conecta-se com o supremacismo branco, com o fundamentalismo cristão e com a decadência dos políticos do establishment — dentre os quais os antigos conservadores do Partido Republicano. O movimento MAGA encontrou um sólido apoio na nova mídia americana. Breibart News e Fox News tornaram-se uma referência midiática pro movimento.


O movimento MAGA não é um ponto fora da curva da história dos Estados Unidos. Ele possui raízes históricas no próprio período de colonização. Os Estados Unidos foram fundados com base na exploração e subjugamento dos povos nativos e no comércio transatlântico de escravos negros. Um sistema de opressão e desigualdade cresceu lado a lado com a história americana — não fora, mas dentro. A destruição e marginalização do povo indígena ocorria também, lado a lado, com a importação e escravização do povo negro.


Na parte discursiva e narrativa, construía-se uma racionalização: o discurso da superioridade racial branca ao lado da superioridade cultural, o racismo científico acompanhado e brindado pelo mito da superioridade branca. Tudo isso criava um ambiente propício pro racismo sistêmico. Esse passado dos Estados Unidos reverbera até hoje na mentalidade do povo americano.


O movimento MAGA tem uma retórica que contempla uma elite corrupta e um virtuoso povo. Sua identidade é baseada num fervor nacionalista e práticas de exclusão. Um passado mitológico estabiliza e dá uma noção de prosperidade que os Estados Unidos há muito tempo não contempla. Existe também a demonização de grupos marginalizados, como pessoas de cor e imigrantes. Um cenário complexo e um prato cheio para análise.