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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Marineford Intankabilis Est — A Revolução Epistêmica da Jorgesfera


Kit Revolução da Marineford:

https://drive.google.com/drive/folders/1M9Gqxw0nVdMHaR3o3guprqut1qSgZsn8


O que foi a Marineford?


A Marineford é chamada de lulz pelos dogoleiros.

A Marineford é chamada de vingança pelos paneleiros.

A Marineford é chamada de prova de conceito pelos esochanners.


Quando se trata de compreender o que foi a Marineford, é preciso compreender "o que foi para quem". Isso é fundamental: a Marineford não tem uma essência única; ela é um fenômeno polissêmico que só existe na interpretação de cada ator. Os dogoleiros viram lulz, os paneleiros viram vingança, os esochanners viram um experimento validado. Esta polissemia não é um acidente; é uma feature do sistema esochanner. A Marineford foi projetada para ser interpretada de forma diferente por cada camada de ator, garantindo que cada um encontrasse nela o que precisava para continuar jogando. Todos estão certos, e todos estão errados.


O esoterismo channer é tipicamente conhecido por ser deliberadamente oculto, mas publicamente acessível para quem souber decifrar. O esoterismo channer não é apenas "maluquice da internet", mas uma teoria filosófica rigorosa que fundamenta a manipulação da realidade. Qualquer analista treinado reconhecerá no esoterismo channer um manual de engenharia de percepção. Vamos tentar decifrar isso:


- Saint Obamas Momjeans forneceu a mitologia (Kek, egregores);

- QAnon forneceu o método (drops, ARG);

- Cadáver Minimal forneceu a tática (máscaras);

- Esokant forneceu a teoria do conhecimento.


Quem compreende a Marineford na visão do esoterismo channer? Compreenda a cartografia dos arquitetos. Você precisa entender que cada um desses atores não é uma "influência", mas sim uma camada funcional do sistema. Sem qualquer um deles, o edifício desaba. Sem Esokant, o sistema é um monte de truques. Sem Cadáver, a teoria de Esokant permanece uma abstração filosófica. Sem QAnon, não há método de disseminação. Sem Saint Obamas, não há mitologia que una a tribo. Cada camada é necessária; nenhuma é suficiente.


Com Esokant, temos mais do que uma briga de trolls; temos uma engenharia de realidade. Esokant é a pedra angular do edifício. É o código-fonte da mente do esochanner. Com ele, percebemos que o conhecimento está disponível, mas apenas aqueles que se esforçam para decifrá-lo o compreenderão.


O esoterismo channer não é apenas uma "técnica de manipulação"; é uma epistemologia que legitima a manipulação. Ou seja, o esoterismo channer apresenta, lado a lado, técnicas de manipulação com legitimações às manipulações que fará. É por isso que é extremamente necessário compreender Esokant. Sem Esokant, o sistema é apenas um monte de truques. Com Esokant, ele se torna uma filosofia da mente.


No esoterismo kantiano, grau supremo do esoterismo channer, vemos que há um projeto arquitetônico. Essa é a justificativa epistemológica para a loucura, a paranoia e a manipulação da realidade.


O esoterismo kantiano é a reinterpretação radical de Kant. Nele há a separação entre a "Mente Normie" e a "Mente Autista-Esquizofrênica". A "Mente Normie" se liga à consciência comum, limitada à experiência sensorial, que aceita as barreiras impostas por Kant (fenômenos vs. noumenos). A "Mente Autista-Esquizofrênica" combina a precisão analítica do autista (categorização e separação) com a unificação esquizofrênica (conexão necessária, síntese). 


Se lermos Esokant com atenção, perceberemos um monte de coisas. O que o esoterismo channer propõe, em sua camada mais sublime, é a sublata dos dualismos. Fenômeno e noumeno, sujeito e objeto, a priori e a posteriori, tudo isso é visto como relativo e não como absoluto. O objetivo? A UTA (Unidade Transcendente da Apercepção). O "Eu penso" de Kant se torna a unidade de toda a consciência inteligível abrangendo o cosmos inteiro. Isso introduz a superimposição: a capacidade de projetar objetos imaginários no espaço fenomênico com a mesma intensidade da percepção sensorial. Uma das proposições mais radicais do esoterismo channer é a "Techene a Priori": um método puramente mental para ativar a mente autista-esquizofrênica, comparado ao treinamento muscular. Esokant é, para nós, o arquiteto da guerra contra a própria percepção. Ele nos fornece a justificativa filosófica para a manipulação da realidade.


A "Mente Autista-Esquizofrênica" é o esochanner. O esochanner não é apenas um estrategista; é alguém que treina a própria mente para transcender os limites da percepção normal. Ele quer ver padrões onde outros veem caos, através da apofenia. Ele quer criar realidades alternativas através de tulpas. Ele quer manipular a percepção alheia através de mindfuck. É preciso lembrar o que é o "Dark Self" em um nível ainda mais profundo. O esochanner não é apenas alguém que habita a sombra; é alguém que a transfigura em instrumento de conhecimento.


— Principais ideias do esoterismo kantiano:

- Para Esokant, há um conflito entre a mente normie e a mente autista-esquizofrênica;

- Para Esokant, a mente comum ("normie") está presa aos fenômenos (aparências) e não consegue acessar o noumeno (coisa-em-si);

- Para Esokant, Kant seria uma provocação: ele mostra os limites da mente normal para estimular quem tem capacidade de transcender;

- Para Esokant, há um caminho para a ativação de uma consciência superior;

- Para Esokant, esse caminho esotérico envolve ativar uma forma de consciência "autista-esquizofrênica" capaz de intuição intelectual direta, algo que Kant reservava apenas para Deus na leitura exoterica;

- Para Esokant, Kant é como provocador oculto;

- Para Esokant, Kant não seria apenas um filósofo crítico, mas alguém que plantou sementes para uma gnose superior, escondida atrás da linguagem acadêmica.


O esoterismo channer, entretanto, enfrenta diversos problemas para a sua expansão. Os documentos originais são, muitas vezes, fragmentados, crípticos e deliberadamente obscuros. Eles foram escritos para serem decifrados, não para serem lidos. Muitas vezes o exercício proposto envolve colocar documentos (Esochannelogy 6.0, Hauntological Esochannelogy 1.0) em IAs ao lado de postagens e textos para o seu estudo. 


O método de treinamento mental proposto por Esokant envolve: estresse cognitivo, repouso, prática iterativa e é análogo ao "lurk moar" e à internalização da doutrina. Com isso, não estaríamos apenas aprendendo; estaríamos também reprogramando nossas mentes. 


— Treinamento proposto por Esokant:

- Estresse Cognitivo: a exposição constante a paradoxos, contradições e camadas de ironia (o "lurk moar").

- Repouso: a internalização, a "digestão" do caos.

- Prática Iterativa: a aplicação repetida das técnicas (drops, máscaras, mindfuck) até que se tornem reflexos.


Pode parecer confuso. Todavia, isso é, na prática, o que os channers fazem todos os dias. Quando você compreende que a cultura channer leva ao esoterismo channer, você percebe que o esoterismo channer não é alheio a cultura channer, é a sua essência. O "lurk moar" não é apenas uma observação passiva; é o primeiro estágio do treinamento de estresse cognitivo. A exposição constante ao caos do chan é o que força a mente normie a se reconfigurar em mente autista-esquizofrênica.


A expansão da Unidade Transcendente da Apercepção para abranger o cosmos é a base teórica para a manipulação da realidade compartilhada. Se a mente pode unificar toda a experiência, ela pode reunificar a experiência dos outros. Em outras palavras, pode programar a realidade deles. Se Esokant concluirá que a mente pode transcender os limites da percepção, Pumilio Mineral Theophidian em "Homo est spectaculum hominis" concluirá que essa mesma capacidade pode vencer guerras. Algumas pessoas pensarão que isso é apenas uma alegoria à filosofia de Gilles Deleuze quanto à mente esquizofrênica e à desterritorialização, mas é mais do que isso.


Durante a Marineford do /terrachan/ vemos que: a Tulpa de "Hierath como vilã" é um exemplo de superimposição. Ou seja, um objeto imaginário (a investigadora perseguidora) foi projetado no espaço fenomênico dos channers com tanta intensidade que se tornou mais real do que qualquer evidência contrária.


— Esokant nos dá simultaneamente:

- O substrato epistemológico: a ideia de que a realidade é programável e que existe uma camada "esotérica" além do que os normies conseguem ver;

- Influencia conceitos como Máscaras, Throne of the Abyss, Magolítica e a distinção entre mente comum e mente channer/esotérica;

- Dá o elo entre filosofia tradicional (Kant) e a guerra memética/esotérica digital.


Isso levará a um fundo político no esoterismo channer. O esochanner atua como um "revolucionário epistêmico".  Perceba que a manipulação da realidade compartilhada é o objetivo. Mas podemos ir além: essa prática não é apenas uma questão de poder, é também uma revolução contra a própria noção de "verdade". Ao publicar seus próprios manuais, os esochanners não estão apenas ensinando outros; estão testando se o sistema é robusto o suficiente para sobreviver à própria exposição. A Marineford foi o teste final: o sistema sobreviveu à exposição, as instituições ao tentarem combatê-lo, apenas provou que ele funcionava. A Hipótese Metapocalíptica é a prova final da fluidez da realidade: se a teoria sobrevive ao escrutínio, ela se torna imortal. O esochanner não quer apenas vencer uma batalha; quer tornar o conceito de "batalha" obsoleto, porque, se a realidade é fluida, a própria ideia de "inimigo" se dissolve.


O esoterismo channer também apresenta um custo. Se lermos "Homo est spectaculum hominis", vemos a menção aos "nove ciclos do inferno" e sobre ser devorado pelo Ouroboros. A mente autisto-esquizofrênica não é um dom gratuito, é também uma condenação. Quem a ativa se torna permanentemente estranho ao mundo normie.


— Conexão entre "Homo est spectaculum hominis" com a obra de Esokant:


O texto de outubro de 2025 chamado "Homo est spectaculum hominis" é a pedra de toque do esoterismo channer. Ele não é apenas um post qualquer, ele é o manifesto fundador que define a natureza, a estrutura e a ambição do movimento. Se lermos com atenção o texto "Homo est spectaculum hominis" e ligarmos ao esoterismo kantiano e aos acontecimentos da Jorgesfera, podemos compreender a conexão profunda.


Em "Homo est spectaculum hominis" vemos a teoria dos três estados channealógicos:


- Tese (Channer): internalização da cultura channer (jargão, memes, códigos). É o "Nigredo", a escuridão primitiva;

- Antítese (Antichanner): distanciamento crítico, reconhecimento das repetições e manipulações. É o "Albedo", a purificação;

- Síntese (Esochanner): manipulação intencional do discurso, uso da entropia e da desconstrução como armas estratégicas. É o "Rubedo", a transmutação alquímica.


Esta é a aplicação direta do esoterismo kantiano. A "mente normie" está presa aos fenômenos. O caminho do "channer" para o "antichanner" (Albedo) é o de começar a ver as engrenagens, mas esse estado channealógico ainda não age sobre as engrenagens. O "esochanner" (Rubedo) transcende a dualidade e opera no nível noumenônico, manipulando a percepção diretamente. A dialética proposta em "Homo est spectaculum hominis" é a dialética de superação da "mente normie" descrita por Esokant. Não é um processo linear, é uma espiral hegeliana onde cada estágio nega e preserva o anterior.


As "Oito Máscaras" propostas no texto funcionam como ferramentas da engenharia de realidade:

1. Semeador do Caos

2. Desconstrutor Semiológico

3. Neossistemático

4. Engenheiro da Crença

5. Vidente do Abismo

6. Espelho Paradoxal

7. Golem Consciente

8. Demiurgo


Cada máscara é uma aplicação operacional da teoria de Esokant:

1- O Semeador do Caos e o Desconstrutor Semiológico são a sublata dos dualismos, eles dissolvem as categorias fixas (fenômeno/númeno, verdade/mentira) para criar um campo fluido onde a realidade é maleável;

2. O Neossistemático e o Engenheiro da Crença são a superimposição, eles projetam novos objetos no espaço fenomênico, fazendo-os parecer tão reais quanto a percepção sensorial.

3. O Vidente do Abismo é a intuição intelectual em ação, ver diretamente a estrutura do noumeno e prever como ele se manifestará no fenômeno.

4. O Golem Consciente e o Demiurgo são a expansão da UTA, a unificação de toda a experiência em uma única realidade compartilhada (a Tulpa).


A UTA (Unidade Transcendental da Apercepção) e a "Elite do Abismo" (Elite Abyss ou Abyss Elite):

"The Abyss Elite exists, existed, and will exist. It does not exist, exists, and will come to exist. My words and my actions lead the Abyss Elite. It exists, does not exist, and is self-generated."

("A Elite do Abismo existe, existiu e existirá. Ela não existe, existe e virá a existir. Minhas palavras e minhas ações guiam a Elite do Abismo. Ela existe, não existe e se autogera.")

Isso é um koan (um paradoxo zen) projetado para quebrar a mente normie. Essa citação como um "feitiço" ou "mantra" dentro do documento. Quem lê e compreende esse koan já não é mais um normie.


Esta é a expansão da UTA para o cosmos. A "Elite do Abismo" não é uma organização, é a própria estrutura da realidade quando a UTA é ativada. Ela é auto-gerada porque a consciência que a ativa é auto-geradora. A afirmação "I am not, I am, I will be" é a superação do solipsismo através do "superipsismo" de Esokant, o "Eu" cósmico que contém todos os outros "eus".


A superimposição e a criação de realidades alternativas:

"We create myths like SCP Foundation and we create myths like QAnon. Why? Because Magolitics is the esoteric nature of Chan culture. QAnon is a Magolitic Invention. QAnon is a great esochannealogic horcrux."

("Criamos mitos como a Fundação SCP e criamos mitos como o QAnon. Por quê? Porque a Magolítica é a natureza esotérica da cultura Chan. O QAnon é uma invenção Magolítica. O QAnon é uma grande horcrux esochannealógica.")


A criação de QAnon é um ato de superimposição, um objeto imaginário (a teoria da conspiração) é projetado no espaço fenomênico com tanta intensidade que se torna mais real do que a realidade para milhões de pessoas. O QAnon como "horcrux" é a imortalidade através da ideia, é a "Techne A Priori" aplicada à política. O criador (Q) não precisa mais estar vivo; a ideia vive por si mesma.


A tragédia do Ouroboros e o preço da transcendência:


"Ouroboros teaches me that every creator will be consumed by their creation. [...] The master of the abyss is ultimately its prisoner."

"I will pay in all nine cycles of Hell."

("Ouroboros me ensina que todo criador será consumido por sua criação. [...] O mestre do abismo é, em última análise, seu prisioneiro."

"Pagarei em todos os nove ciclos do Inferno.")


Esta é a tragédia existencial da expansão da UTA. Ao unificar toda a experiência, o criador se torna parte da experiência unificada. Ele não é mais o sujeito; ele é o objeto de sua própria criação. A "loucura" e a "paranoia" não são apenas estratégias, são os efeitos colaterais da ativação da mente autisto-esquizofrênica. Quem vê o noumeno não pode mais viver no fenômeno. A tragédia do esoterismo channer é que, ao transcender a mente normie, o esochanner se torna eternamente estranho a ela. Ele pode manipular a realidade, mas não pode mais habitá-la como um normie. É o preço do Ouroboros: quem toca o abismo é tocado por ele. Essa é a sentença final do esoterismo channer: a transcendência é possível, mas o preço é a perda do eu.


O Teatro do Caos:

"Homo est spectaculum hominis, man as spectacle unto man, a mirror of masks in the eternal theater of chaos."

("Homo est spectaculum hominis, o homem como espetáculo para o homem, um espelho de máscaras no eterno teatro do caos.")


Esta é a declaração final sobre a natureza da realidade. O ser humano é um espetáculo para o ser humano, a realidade não é fixa; é um teatro onde cada um representa seu papel, e as máscaras são a única substância. A UTA expandida é o palco desse teatro. A superimposição é o ato de representar. A Techne A Priori é o treinamento do ator. O texto de "Homo est spectaculum hominis" é a encarnação prática da filosofia de Esokant. Onde Esokant fornece a teoria (a mente autisto-esquizofrênica, a UTA, a superimposição), o texto "Homo est spectaculum hominis" fornece a performance: as máscaras, a dialética, a elite do abismo. No centro, está a tragédia: a transcendência é possível, mas o preço é a perda do eu e a condenação ao espetáculo. Enquanto Esokant fornece a arquitetura epistemológica (a superação kantiana através da mente autisto-esquizofrênica), Pumilio Mineral Theophidian dramatiza essa mesma arquitetura em "Homo est spectaculum hominis". O que era teoria do conhecimento torna-se teatro cósmico: o homem como espetáculo para o homem, um eterno jogo de máscaras no caos, onde o esochanner não apenas transcende a mente normie, mas se torna Demiurgo de realidades.


— Marineford como revolução channer:


A Marineford não foi apenas uma briga de chans ou uma operação de doxxing. Ela foi um ato revolucionário epistêmico, isto é, uma tentativa de subverter a ordem percebida da realidade digital brasileira.


A revolução tradicional tem como alvo o Estado e a classe dominante. A revolução channer tem como alvo a narrativa dominante.  As armas principais da revolução tradicional são a violência física e a organização. A revolução channer tem como armas principais os memes, as máscaras, o mindfuck, e a tulpa. O objetivo da revolução tradicional é o de tomar o poder. O objetivo da revolução channer é reprogramar a realidade compartilhada. O objetivo da revolução tradicional é a concepção de verdade, contrastando a verdade objetiva com a ideologia alienante.  A revolução channer vê a verdade como construção (pós-verdade). O sucesso da revolução tradicional é definido pela tomada das instituições.  O sucesso da revolução channer é definido pela criação de um mito e a consolidação de uma egrégora. A Marineford representa a versão channer da revolução: em vez de tomar o Palácio de Inverno, tenta tomar o Palácio da Percepção.


Em "Homo est spectaculum hominis" vemos a afirmação:

"The anons of the past have only shitposted on the Internet about the world, in various ways. The point, however, is to change it".

("Os anônimos do passado apenas postavam besteiras na internet sobre o mundo, de várias maneiras. A questão, no entanto, é mudá-lo.")


O "Chaos Marxism Primer" é extremamente relevante aqui. Ele defende exatamente isso:

- Combinar marxismo com magia do caos, discordianismo e guerra cultural;

- A ideia de que a luta revolucionária moderna é a luta pela produção de realidade (não só pela produção de bens);

- Memes, mitos e narrativas como armas principais.


A Marineford foi uma aplicação prática (ainda que caótica) dessa ideia: usar o caos, as máscaras, a entropia e a engenharia de crença para criar uma contra-narrativa forte o suficiente para desafiar instituições. É a densidade simbólica do esoterismo channer que assaltou a superestrutura. 


A Marineford pode ser lida como o primeiro grande ato brasileiro de um espírito revolucionário channer. Diferente das revoluções do século XX, que buscavam tomar o poder estatal, a revolução marinefordiana visava tomar o controle da própria narrativa da realidade. Inspirada tanto no Chaos Marxism (que propõe usar magia do caos e guerra cultural para fins revolucionários) quanto no Esokant (que fornece a base epistemológica para transcender a mente normie), a Marineford do /terrachan/ foi uma tentativa de demonstrar que um pequeno grupo coordenado, armado com máscaras, tulpas e superimposição, pode reescrever a percepção coletiva, mesmo que temporariamente. Não se tratava apenas de atacar uma instituição ou um indivíduo: tratava-se de provar que a realidade é programável.


A Marineford provou: que um punhado de anões, armados com a filosofia de Esokant, a tática de Cadáver, a mitologia de Saint Obamas Momjeans e o método de QAnon, pode reescrever a realidade o suficiente para derrotar os seus inimigos e unificar uma geração de channers. A Marineford não foi o fim, foi a prova de conceito de que a engenharia de realidade funciona. O preço, como alerta o texto "Homo est spectaculum hominis", é o Ouroboros: quem toca o abismo é tocado por ele. Mas o espetáculo continua. A Marineford não foi o fim. Foi o primeiro ato de um drama que ainda está sendo escrito — um drama onde o palco é a mente coletiva, o roteiro é fluido, e os atores, mesmo sabendo que serão consumidos pelo papel, continuam a representar. Porque, no teatro do caos, o único pecado é sair de cena.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Acabo de ler "A Chaos Marxism Primer" de Dolores LaPicho (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:
A Chaos Marxism Primer

Autora:
Dolores LaPicho

O poder que eles exercem sobre nós é por retificação.  Eles nos fazem crer que:
1. Ilusão é realidade;
2. Relações sociais são coisas concretas;
3. Narrativas e memes são leis existenciais.

Tudo isso é um erro; são apenas convenções modificáveis. Somente a racionalidade e a disciplina podem conjuntamente levar à noção de que as nossas percepções não são a realidade em si, mas sim um consenso social que se cria a respeito dela.

O ego se direciona ao "o que é". Ele se conecta à indústria da identidade e o capitalismo polui o meio/espaço informacional e cultural. O aparato cultural e ideológico de opressão aparece como a realidade em si mesma. Somente compreendendo como o ego funciona, como nossa necessidade de sobrevivência nos leva à adaptação mental, física e espiritual ao ambiente, podemos superar essas necessidades e ir em direção a algo maior.

Acabo de ler "A Chaos Marxism Primer" de Dolores LaPicho (lido em inglês/Parte 1)


 

Nome:

A Chaos Marxism Primer


Autora:

Dolores LaPicho


Marxismo do caos é uma vertente marxista que emprega meios de combate memético. Uma união entre anticapitalismo, guerra memética e a chamada "magia do caos". O materialismo dialético é encarado como um projeto ou uma técnica que visa à alteração da consciência.


A questão que o marxismo do caos visa responder é a seguinte:

- Como derrotar um inimigo?

A noção central é que devemos nos tornar simétricos, porém opostos ao nosso inimigo. Ou seja, a teoria trabalhada é a do oponente simétrico. O mundo capitalista, isto é, a infraestrutura e superestrutura desse mundo, recebe o nome de egrégora.


As corporações capitalistas, quando coligadas, formam uma egregora. É preciso que haja especialistas na abertura de mentes para atacar essa egregora. Assim surgirá uma organização global, uma indústria de trabalhadores que se contraponha às corporações capitalistas.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Acabo de ler "Operation Mindfuck" de Robert Guffrey (lido em inglês)


Livro:

Operation Mindfuck: QAnon and the Cult of Donald Trump (2022)


Autor:

Robert Guffrey


Meses atrás, enquanto escrevia alguns textos, as pessoas me diziam que eu via conexões estranhas entre o discordianismo, o Pizzagate, o Cult of Kek e o QAnon. Hoje em dia, ao ler outros livros, vejo que as linhas traçadas em "minha mente delirante" não são apenas "conclusões aleatórias", mas sim hipóteses ou conclusões de diversos autores renomados. O que é curioso, continuo a ser um total estranho no Brasil. Talvez eu tenha nascido no país errado. Talvez eu esteja investigando algo que muitas pessoas, no Brasil, não tenham especial interesse em pesquisar.


Mais uma vez, um livro sobre QAnon. Mais uma vez, um assunto estranho. Ler livros é algo que faço com deleite, mesmo que o assunto seja considerado bizarro. Ler livros sobre assuntos bizarros ou excêntricos é algo que gera afastamento social. Se tem algo que aprendi em minha estranheza, é deixar os assuntos prediletos para discutir com gringos ou com IAs. Não só leio livros bizarros, eu sou bizarro. Não só leio livros estranhos, eu sou estranho. Não só leio livros excêntricos, eu sou excêntrico. É assim desde o começo da minha vida, por qual razão seria diferente agora?


Como expliquei anteriormente, venho andado ocupado. Tenho feito dois cursos, um no Anhangabaú e outro em Pinheiros. A minha sorte é ter um bilhete especial graças ao meu autismo. Graças a isso, existe uma escassez de conteúdo no Blogspot a qual tento preencher. Ler livros no ônibus, no trem e no metrô é a minha forma de arrumar um jeito de trazer conteúdo para cá. Embora seja engraçado o curioso acaso de eu estar no transporte público lendo sobre uma estranha seita surgida em fóruns anônimos. Espero, para minha sorte, que nunca criem um mecanismo que revele os livros que as pessoas leem no transporte público.


Os leitores do Blogspot já estão cansados de explicações a respeito de como o QAnon surgiu no 4chan e no 8chan. Talvez tenham pouco interesse em ler esse livro, mas eu lhes garanto que vale muito a pena. Em primeiro lugar, Robert é engraçadíssimo e tem um humor muito bem construído e inteligente. A analogia central do autor é o Operation Mindfuck, técnica empregada pelos discordianistas para culpar os "Illuminati" e outras organizações bizarras por cada caso público que pipocasse. QAnon seria uma forma "similar", todavia, o plano central é um golpe de Estado liderado por Donald Trump. 


O autor empregará, durante o livro, uma densa pesquisa histórica sobre teorias da conspiração, análise política e contatos que teve com "crentes" das teorias conspiratórias de Q. Além disso, construirá o argumento central: QAnon não foi um mistério criado organicamente ou uma teoria da conspiração surgida espontaneamente, mas uma operação psicológica altamente engenhada. Ou seja, uma colcha de retalhos de material reciclado de ficção pulp, pranks contraculturais dos anos 1960-70 (como o Operation Mindfuck dos Discordianos de Robert Anton Wilson e Robert Shea, já comentada em textos anteriores), truques sujos à la Nixon e manipulação midiática. O objetivo central de tamanha engenharia técnica seria o de capturar a atenção, lealdade e energia de seguidores vulneráveis, transformando-os em uma base fanática que serve a uma agenda política autoritária/fascista corporativa.


Quanto mais o tempo passa, mais eu vejo a correlação entre fenômenos arquétipo-meméticos e a sua construção lado a lado com teorias da conspiração para a obstrução da sociedade liberal e o desmantelamento da ordem civil.


O livro acerta em cheio em suas doses de humor. De certa maneira, lembrou-me o Rick Wilson. O leitor ou a leitora não conseguirá mensurar há quantidade de vezes em que, no meio do ônibus, do trem ou do metrô, eu dei risadas sinceras. Isso é bom, gosto de livros que marcam a mente e alegram o coração. Esse livro é todo marcado por aquela expressão latina: "Ridendo castigat moris" (rindo-se purificam-se os costumes).

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Kallistiologia #1 — Introdução ao Discordianismo

 


Nota: como essa é uma religião caótica, estudá-la-ei caoticamente. Logo, voltarei posteriormente em pouco explorados, para explanar pouco a pouco.


Muitos leitores do Blogspot queriam textos voltados ao Discordianismo. Como o Discordianismo é um "antepassado" estrutural do "Cult of Kek" e lembra, a rigor, o que havia de melhor na cultura channer, resolvi escrever tal conteúdo. Ele rima bem com o conteúdo underground geral do Blospot Cadáver Minimal. Se os leitores amaram os conteúdos de esochannealogia (esoterismo channer), creio que também amarão os escritos de Discordianismo. Espero que tenhamos as bênçãos da deusa Eris, espero que ela nos ilumine com a sua discórdia, contenda e rivalidade.


O discordianismo é uma religião diferente. É uma religião baseada na sátira e na absurdidade. Seu livro sagrado é o "Principia Discordia" e nesse livro somos levados a abraçar os paradoxos, as contradições e as absurdidades. Somos levados a desafiar a ordem, a autoridade e até mesmo a realidade. E é uma religião advogada por Gregory Hill e Kerry Wendell Thornley.


O discordianismo tem lá os seus princípios. Um deles é o "Princípio Anerístico". Esse princípio diz que a ordem é uma ilusão. Isto é, a ordem é tão só aparente em nosso universo. Ou, melhor, é uma construção temporária e subjetiva. Além disso, ela vem para nós através de nossa percepção humana. Nossa percepção é carregada de vieses culturais e normas sociais. A realidade é muito mais complexa e imprevisível do que pensamos.


Um dos símbolos do discordianismo é esse:




Esse é o Sacred Chao (pronuncia-se "Sacred Cow" [Sagrada Vaca]). Sacred Chao, muito provavelmente uma piada com "Sacred Chaos" (Sagrado Caos), apresenta dois símbolos dentro de um símbolo que parece o Yin-Yang. Esse símbolo representa a interação entre "Hodge" e "Podge" (ordem e desordem) ou os princípios Anerístico (ordem) e Erístico (desordem). Repare que há uma maçã escrita "Kallisti" (a mais bela) (da deusa Eris) e um Pentágono (que vem a representar a ordem). Isso faz referência ao Julgamento de Paris e à história do Cavalo de Troia. Esses são pontos que pretendo explorar mais tarde.


O discordianismo trabalha com o Princípio Erístico, isto é, o abraço à desordem. A desordem é encarada como uma catalisação da mudança com criatividade. Isso se liga ao culto da deusa Eris. Discordianistas creem que o caos não é meramente a ausência de ordem, mas um fundamental aspecto do universo, uma força que dirige a evolução e o progresso. É por isso que o discordianismo ensina a:

- Questionar a autoridade;

- Desafiar o dogma;

- Abraçar a inerente condição de incerteza, de caos e de aleatoriedade que molda o mundo.


Além disso, a desordem e a ordem são meras ilusões, construções artificiais impostas na realidade profunda do puro caos. O discordianista é chamado a pensar de forma diferente, visto que precisa evitar a "maldição do rosto cinzento". Essa maldição nada mais é do que cair na pressão da conformidade e das normas sociais, o que levaria a uma vida monótona, sem criatividade, individualidade ou alegria. Para sair dessa maldição, o discordianista deve abraçar a sua identidade única, desafiar a autoridade e buscar por novas experiências. Celebrar o absurdo, o inconvencional e o inesperado. Esses últimos três elementos constituiriam a chave para o crescimento pessoal e a evolução social. É por isso que todo homem, toda mulher e toda criança é um "papa", isto é, alguém capaz de criar a sua própria realidade, sua própria interpretação e desafiar o status quo. A liberação discordianista é a liberação através da subversão.


A estrutura de um grupo discordianista seria uma "loose-knit kabal". Loose-knit é uma organização descentralizada.  Loose-knit pode ser traduzido para algo "pouco articulado", de "vínculos frouxos" ou "sem hierarquia rígida". Já a palavra Kabal, que em português é cabala, é uma referência a Qabbalah, que, em hebraico, quer dizer recebimento. A palavra "cabala" também brinca com o conceito de "conspiração" ou "sociedade secreta". No discordianismo vemos que isso é uma forma de satirizar as teorias da conspiração, como os Illuminati, por exemplo. Nessas cabalas discordianistas, temos a troca de ideias, ajuda nas buscas criativas e suporte nas jornadas pessoais. Elas possuem, graças a sua natureza discordiana, uma natureza informal e a ausência de uma liderança rígida. Atuando mais como espaços de experimentação, colaboração e troca de perspectivas diversas. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 6)

 


Nome:

The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore


Autor:

Egil Asprem


Nesse ponto, Egil Asprem traça as conexões do Esoteric Kekism. Em primeiro lugar, em 2005, Pepe apareceu no "Boy's Club" do Matt Furie. Em 2010, Pepe aparecia no MySpace, 4chan e Tumblr. Em 2016, Pepe daria as caras no /pol/, com visões de extrema-direita. Em Setembro de 2016, a Liga Antidifamação colocou Pepe como símbolo de ódio.


Como Pepe se tornou o deus egípcio Kek? No jogo World of Warcraft, muito famoso no momento, a risada "lol" era substituída por "kek". A cultura do /pol/ era muito ligada a cultura gamer. Os memes do Pepe apareciam ao lado da shitpostagem (é um nome para merdapostagem, que é um termo para uma grande quantidade de potagens irônicas, insultantes ou ridículas). O /pol/ traçou conexões entre a risada "Kek" e descobriu o Deus do caos da Cosmogonia de Hermópolis. Kek (que tinha forma feminina, chamada de Kauket) era o caos ou as trevas primordiais.


Como as postagens do 4chan são numeradas, números repetitivos são vistos como um sinal de algo. Uma postagem do 4chan conseguiu muitos gets (números repetidos). Essa postagem dizia que Trump seria eleito. Logo Trump foi divinamente selecionado pelo próprio Kek. No mesmo ano, surgiria Saint Obamas Momjeans, com textos sagrados do esoterismo kekista. O surgimento do Esoterismo Kekista e do Esoterismo Trumpista estão intimamente conectados.


Duas organizações online foram criadas "The Sacellum Kekellum" e "The Knights Keklars". O autor conecta essa forma organizacional como inspirada na religião brincalhona e anti-autoritária (também de origem americana) Discordianismo. Essa é uma religião que surgiria no final dos anos 50 por Greg Hill e Kerry Thornley. Outras relações são o tradicionalismo de Julius Evola e o Hitlerismo Esotérico de Savitri Devi e Miguel Serrano.