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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon


Autores:

- Melanie Smith

- Graphika


Nesse relatório, a Graphika alerta que QAnon vem a representar o mais denso network conspiratório que eles já estudaram. Na época, o período da COVID-19 representou um aumento da comunidade. Além disso, Facebook e Twitter tinham um esforço de restringir o crescimento do grupo, que se tornava mainstream. 


Três características centrais foram dadas nesse relatório:

1- A autonomia e a adaptabilidade do movimento QAnon eram rotineiramente subestimados;

2- Agentes estrangeiros, sobretudo na Rússia, visavam esse movimento;

3- O movimento havia se tornado internacionalizado, virando um movimento conspiratório global anti-governo.


O assunto seguia o mesmo: a elite cabalista liberal contra Donald Trump. A origem desse movimento, como os leitores já devem saber, foi o 4chan e depois houve uma migração pro 8kun. Também é notório que o movimento já estava em 25 países e tinha eleito políticos. 


— Autonomia e Adaptabilidade:


A pesquisa dividiu dois grupos: os seguidores de Q. e os seguidores de Trump. Enquanto os seguidores de Q. escalonavam as suas mensagens, os seguidores de Donald Trump amplificavam as mensagens dos seguidores de Q. (você deve se lembrar do que ocorreu com o Culto de Kek e os seguidores de Trump que foram mencionados em análises anteriores, para começar a perceber os paralelos históricos).


Com suas 13,8 mil contas, de Janeiro a Fevereiro o grupo fez 41 milhões de tweets. De Julho a Agosto, o grupo fez 62,5 milhões de tweets. Esses grupos online, atuando como guerrilhas digitais, eram chamados de "Q Armies" (armadas do Q.), que tinham o papel estratégico de coordenar e amplificar o conteúdo no Twitter. 146 contas chegaram a compartilhar o mesmo vídeo do YouTube 25 vezes ou mais. 11 usuários chegaram a compartilhar o mesmo link mais de 100 vezes.


O movimento QAnon também se destacava na produção de conteúdo (que depois seria amplificado pela própria base e pelos apoiadores de Donald Trump). Eles fizeram três documentários internos:

- "Plandemic";

- "America's Frontline Doctors";

- "Out of Shadows".


O movimento crescia colocando desinformação e teorias conspiratórias sobre a COVID-19, mas já tinha suas celebridades internas além do próprio Q. Além disso, a Graphika também cits vários exemplos em que os seguidores de Q. manipularam eventos para colocarem a sua teoria neles.


Um dos diálogos mais singulares foi o do movimento QAnon com o movimento anti-vacina. O período da pandemia foi o período em que a ideologia do movimento QAnon se espalhou para outras comunidades. O QAnon serviu como ponto de convergência para outras teorias conspiratórias. Ideias anti-vacinação, teorias contra o uso de máscara e o uso de hidroxicloroquina foram apresentadas — quem se lembra da época da COVID-19 no Brasil também se deparou com essas """ideias fascinantes""" (nota: tento não ser ofensivo em minhas análises de artigos acadêmicos/científicos).


Dois exemplos notáveis ocorreram:

1- Jessica Prim: essa mulher planejou matar Joe Biden, ela já tinha compartilhado as teorias da conspiração envolvendo QAnon no Facebook;

2- George Floyd: havia a ideia de que George ainda estava vivo e que era, na verdade, um ator de crise pago pela elite liberal. Várias imagens photoshopadas foram compartilhadas (no Facebook, Twitter e outros sites conspiratórios), mostrando a marca de George Soros em ônibus, ela dizia "Soros Riot Dance Squad" (Esquadrão de Dança da Revolta de Soros). Além disso, fizeram conexões entre George Soros e a Antifa.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Necrológio Cadavérico #3 — Burrice e Tédio


Se eu morresse hoje...

Lembraria que estou sempre lendo alguma coisa. Os leitores desse blogspot sabem disso. Atualmente tenho lido o livro "Never Trump" ("Never Trump: The Revolt of the Conservative Elites"), um livro escrito por Robert P. Saldin e Steven M. Teles. Pode não parecer, mas eu não me acho uma pessoa inteligente. Sei que tenho um interesse elevado por abstrações e por livros, mas sei que muitas pessoas são atraídas pela mais pura inércia.

É estranho, estou sempre vendo algum vídeo mais intelectualizado. Porém creio que isso tem a ver com o gosto. O que realmente me surpreende é o fato de que as pessoas veem muito conteúdo que, na maioria dos casos, poderia ser considerado extremamente duvidoso.

Por exemplo, acho teorias da conspiração extremamente duvidosas. A história da vacina, naquela época, tinha uma falha que considerava central: a hipótese de que as elites queriam uma redução populacional sendo que até hoje em dia os países lutam contra as suas baixas taxas de natalidade. O que me levava a pensar: "e se o plano do mal não seja, tão somente, o lucro com a boa e velha propriedade intelectual que gera uma escassez de um produto, dessa vez essencial, para o mundo?". Creio que isso seria algo muito mais simples.

De qualquer modo, tive uma preguiça extrema de ver conteúdo anti-vacina e também tive uma preguiça extrema de ver conteúdo pró-vacina. Apenas tomei as vacinas e segui o jogo.

Outra coisa que marcou os debates intelectuais recentes foi a questão dos incels e da redpill. Na minha época, recebendo conteúdo redpill traduzido direto da fonte, isto é, do /pol/ do 4chan, posso dizer que a redpill poderia ser tudo e qualquer bobagem. De qualquer modo, esse movimento foi completamente interpretado como sendo um movimento sobre mulheres. Em outras palavras, um movimento que era sobre supremacismo branco, apologia à pedofilia, nazismo, fascismo, ódio contra judeus, ódio contra islâmicos etc, etc, etc... virou um movimento que só prega ódio contra mulheres. Olhando pro lado bom, se eu fosse redpill, eu agradeceria a burrice da esquerda e das feministas por me descontarem tantos e tantos crimes. Chegaria até a ser um alívio ter 99,9% dos erros perdoados.

Lembro-me de que cheguei a larpar de ser incel. O que foi momentaneamente engraçado. Uma hora, eu estava lendo um livro qualquer, indo em uma festa, fumando um baseado, pegando alguém ou até ouvindo música. Em outra, estava lá eu trollando muito com a cultura incel.

Nunca quis me aprofundar no incelismo e na redpill. Achava que aquilo tudo tinha muitas afirmações e poucas fontes. Como sou um rato de biblioteca, sempre li de tudo. Logo criei um ceticismo natural para com tudo. Toda aquela onda de afirmações não me causavam nada além de tédio. Fora isso, eu nunca perderia meu tempo vendo vídeos e mais vídeos sobre o assunto, de modo que simplesmente ignorei 99,9% do conteúdo redpill e anti-redpill, incel e anti-incel.

Se alguém me chegasse e me dissesse:

— A partir de hoje você passará todos os dias falando mal de mulher e discutindo teorias que falam mal de mulher.

Eu responderia:

— Apenas não.

Eu ignoro qualquer monotonia. Sempre ignorei fios e teorias sobre mulheres até mesmo dentro de chans. Grande parte dos usuários de chans apenas dão sage e vão discutir algo mais interessante do que um amontoado de teorias conspiratórias envolvendo o gênero feminino, tal como Sega Saturn e Digimon.

Se também não me atrai por nada disso, tampouco me atrai por teorias da conspiração. Como estou acostumado a ler de tudo, vi que toda teoria intelectual apresentava pontos fracos e fortes. Se teorias intelectualmente sofisticadas apresentam pontos fracos e fortes, é muito difícil imaginar que teorias conspiratórias não soem completamente malucas para pessoas como eu que vivem empilhando livros para ler.

Existem grandes teorias que rechearam minha mente por pouquíssimo tempo. Um exemplo disso a teoria da evolução, o qual tenho por verdadeira. Não porque eu estudei realmente sobre assunto, mas simplesmente porque eu pensei: "pode ser, pra mim tanto faz". Não é como se eu fosse estudar sobre tudo acentuadamente até chegar a uma conclusão factível. Eu apenas vi alguns livros, vi alguns vídeos, vi que era grande parte do consenso moderno e simplesmente lidei com a minha insignificância perante ao assunto.

Considero fascinante, a nivel psicológico e sociológico, a forma com que teorias conspiratórias radicalizam o mundo e prendem pessoas em cubículos, mas, sendo sincero, sinto mais como se eu estivesse olhando para ratos em ratoeiras do que sentindo um dever ético forte perante a isso. De qualquer modo, esses animais, digo, essas pessoas devem ser domesticadas, digo, tratadas... para não saírem fazendo merda por aí e gerando inconveniência e transtorno por onde passam. Todavia isso é um problema da saúde pública e da segurança pública, não um problema meu.

Acho que essa é a reflexão que eu tenho. O fato de eu ser uma pessoa que se sente facilmente entediado me livrou de crer em teorias da conspiração. Às vezes a semelhança com Belphegor não é um erro, mas uma salvaguarda contra a idiotice.