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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 2)

 


— Livro:

Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it


— Author:

Phillip Blond


Estou analisando esse livro devagar. Leio de trecho a trecho, anoto tudo em inglês e depois traduzo as minhas anotações. Tento lançar as notas no mesmo dia, assim não me perco. Costumava lançar as notas depois, mas isso me deixava perdido e usualmente outras notas entravam no espaço das outras.


Nessa parte do livro (ainda estou na introdução), o autor (Phillip Blond) faz as suas críticas a Thatcher e a Blair. As críticas a Margaret Thatcher e a Tony Blair são diferentes, não vou me centrar muito nelas. Convém lembrar ao leitor ou a leitora que Margaret Thatcher faz parte do movimento neoconservador e o Tony Blair faz parte do movimento novo trabalhismo. Ambos foram primeiro-ministros. Talvez também seja bom recordar que embora Phillip Blond seja conservador, ele é um Red Tory (conservador vermelho), logo ele é opositor do neoconservadorismo — como no Brasil o termo "Red Tory" é praticamente desconhecido, decidi colocar esse comentário adicional.


As críticas mais notáveis que achei contra a Thatcher foram:

1. Seu governo levou a um capitalismo capturado pela concentração de capital;

2. Um mercado monopolizado por interesses próprios dos monopolistas e o domínio das pessoas que já são ricas;

3. A população progressivamente descapitalizada (creio que poderíamos colocar como desenriquecida);

4. A ideia nada conservadora de que o mercado é o último árbitro dos valores e a medida de todas as coisas.


As críticas mais notáveis que achei contra Blair foram:

1. Juntou o pior da esquerda com o pior da direita;

2. Colocou um centralização de padrões em todos os serviços públicos em vez de deixar uma adaptação local;

3. Graças a onda de Estado de exceção (lembre-se do 11 de setembro em Nova Iorque e o 7 de julho em Londres), promoveu uma cultura de suspeita, o habeas corpus foi relativizado em prol da "suspeita de intenção terrorista", encarceramentos se tornaram maiores, o número de tortura aumentou e a polícia extra-judicial entrou em ação;

4. Fora isso, cidadãos do Reino Unido poderiam ser alvos de outros países, com regimes legais duvidosos.


O autor faz algumas colocações interessantes sobre o socialismo, o republicanismo, a crítica ética ao capitalismo irrestrito e a esquerda:


- Socialismo:

Há o elogio a busca pela igualdade, pela bondade e pela justiça. Pela recusa do racismo, por ter conquistado o direito de votos a mulheres e pelo direito de voto aos que não têm propriedade. Além disso, a busca pela justiça social é importante.


- Republicanismo:

O reconhecimento que boas pessoas podem estar em todas as classes e culturas, sem isso ter a ver com o sangue.


- Crítica ética ao capitalismo irrestrito:

Valores não criados pelo estímulo do desejo (não confundir desejo com vontade) e pela avaricia humana.


- Esquerda:

1. Uma boa vida é baseada em necessidades reais e autênticos desejos humanos;

2. Uma responsabilidade social e comunal pela Terra e todos que vivem nela é algo necessário.


O problema que Phillip Blond encontrará na esquerda — e o motivo dele não ser de esquerda — são vários. Creio que esses podem ser mais vinculados à nova esquerda. Citarei alguns aqui:

1. Escolhas ilimitadas e irrestrita liberdade pessoal;

2. O relativismo cultural;

3. Auto-validação do desejo e do prazer;

4. Pornografia, infidelidade e uso de drogas não sendo mais encarados como problemas sociais intrínsecos, mas como atos que dentro de condições estéticas certas adquirem formas válidas de autoexpressão.


Phillip Blond contará que o que fez ele tornar Red Tory foi conhecer uma tradição chamada "Anglican Tory". Uma tradição que buscava prosperidade e educação para os pobres, além do entusiasmo religioso contra a extravagância dos aristocratas whigs.


Ele também cita alguns importantes pensadores para a sua formação:

- William Cobbett;

- Thomas Carlyle;

- John Ruskin.


Esses intelectuais fizeram críticas ao republicanismo autoritário e estatista, ao capitalismo interesseiro e a criação em massa de despojados de terra que foram forçados a trabalhar a níveis absurdos em fábricas para o benefícios de outros. Ao mesmo tempo, esses intelectuais fizeram a ligação entre a pauperização do trabalho e o despojamento de suas terras. 


Esses intelectuais conectaram a pauperização das condições de trabalho com o despojamento de terras que foi feito anteriormente. Para corrigir isso, eles defenderam os direitos de propriedade dos sem terra como mecanismo de correção. Não só isso, a distribuição de terra/propriedade deveria ser acompanhada com a distribuição de capital para todos aqueles que estavam em condições de indigência em seus trabalhos.


Creio que essa análise pode dar uma noção de um conservadorismo autêntico e realmente preocupado com as necessidades sociais. Muito diferente do que atualmente temos no Brasil.

Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 1)

 



— Livro:

Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it


— Author:

Phillip Blond


A sociedade civil vem sido esmagada pelo Estado e pelo Mercado.


Vários locais de exercimento de poder para pessoas simples foram deturpados e subvertidos. Tais como:

1. Governos locais;

2. Igrejas;

3. Organizações de comércio;

4. Sociedades cooperativas;

5. Instituições educacionais públicas;

6. Organizações cívicas;

7. Grupos localmente organizados.


Tudo que seja um poder autônomo independente é destruído. Todo corpo intermediário é completamente sabotado. O Estado e o Mercado excluem cidadãos da participação econômica e democrática. Criando um esquema que poderia ser resumido em dois processos:

1. Exclusão da participação política e econômica para a maioria;

2. Enriquecimento massivo e monopolizado para poucos.


Essa fórmula é chamada de "Estado Mercado", onde há uma simbiose entre grandes organizações do mercado (oligopolistas e monopolistas [alta burguesia]) junto com a alta burocracia e políticos do Estado.


É importante observar aqui que se trata do "grande mercado". O "grande mercado" junto ao Estado trabalham para destruir os pequenos comércios ("pequeno mercado" e "mercado médio") e também os interesses dos grupos sociais mais desfavorecidos (dentro os quais os trabalhadores do campo e da cidade). Nessa empreitada, a saudável pluralidade do poder político é deixada de lado em prol da centralização do poder político e econômico nas mãos de poucos.


Na corrida centralizatória, pequenas unidades da participação política democrática são progressivamente abolidas pela centralização do Estado. Do mesmo modo, a alta burguesia vai centralizando e abolindo pequenas unidades de participação econômica.


Se, por um lado, o mercado vai sendo centralizado, destruindo qualquer possibilidade de concorrência e participação plural de múltiplas empresas de tamanho menor. Por outro lado, temos o apagamento da cultura cívica para adentrarmos cada vez mais em uma sociedade pós-democrática de consumismo passivo e aquiescência política.


Tudo isso é tratado como normal, visto que "o mercado premia os mais capacitados" e "só as elites possuem cultura o suficiente para melhorar o país". É evidente que tais frases ignoram que o presente estado político foi uma construção política e econômica deliberada que favoreceu a concentração de poder político e econômico, nada tendo a ver com "meritocracia" ou "ser o melhor na concorrência", visto que a centralização política e a centralização de mercado foram construídos e impostos por oligarquias que se julgam ilustradas.


O próprio Estado de bem-estar social moderno não prioriza a organização descentralizada e dos trabalhadores em suas pautas. Muito pelo contrário, os trabalhadores se tornaram recipientes passivos dos benefícios centralmente planejados. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Acabo de ler "The Conservative Mind" de Russell Kirk (lido em Inglês/Parte 2)

 


Nome:

The Conservative Mind


Autor:

Russell Kirk



Russell Kirk aqui trata de Edmund Burke. Segundo Kirk, Burke era um homem que acreditava na antiga era dos milagres em contraposição aos novos milagres fabricados pelo homem. Em outras palavras, contrapunha-se a ideia de que através da razão humana seria possível transformar homens em anjos e a sociedade em um paraíso.


Burke também possuía uma admiração pelos Whigs. Os Whigs eram pessoas que tinham um forte amor pela liberdade pessoal, uma devoção pelos seus direitos e uma devoção pela ordem. Os Whigs oposicionavam o arbitrário poder monárquico, defendiam a reforma administrativa e eram contra as "aventuras" da Inglaterra no exterior.


Toda essa ligação levou a Edmund Burke a acreditar na liberdade sobre o controle da lei, no balanceamento da ordem da comunidade e em um considerável grau de tolerância religiosa. A liberdade era fruto dessa ordem, respeitá-la era preservar essa liberdade.


Burke afastava-se de abstracionistas e metafísicos em matéria de política. Acreditava na liberdade e na ordem — que estavam intrinsecamente correlacionadas — e acreditava na prudência e experiência para a condução política. Além disso, via na sociedade uma alma. A continuidade espiritual levava-o a reformar mantendo o framework, mantendo assim também a unidade espiritual da alma social.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Acabo de ler "The Dark Enlightenment" de Nick Land (lido em Inglês/Parte 4)

 

Nome:

The Dark Enlightenment


Autor:

Nick Land


Nick Land é um excelente comentador da obra de Mencius Moldbug. A ligação entre os dois é sempre colocada dentro desse livro, visto que Nick Land o cita o tempo inteiro. O que demonstra algum grau de proximidade e respeito.


O interessante é notar que, apesar do que dizem os intelectuais de esquerda, Mencius Moldbug não é um supremacista branco e tampouco um antissemita. Algo que eu vi muitas pessoas, sobretudo as de esquerda, associarem a ele.


A questão tratada nessa parte do livro é o universalismo, uma das crenças que compõem a fé e a doutrina democrática-igualitária moderna. Também há a questão do nacionalismo branco, no qual Mencius Moldbug afirma categoricamente não fazer parte. Embora existam também outros assuntos na estrutura desse capítulo.


A Catedral, comentada na análise anterior, apresenta-se com um mandato divino para afirmação da sua fé, uma fé que ela julga ser autoevidente e autoconfirmada — embora ela reprima qualquer questionamento a essa mesma fé. É interessante observar que a Catedral aparece com a social-democracia e uma economia cada vez mais corporativista, com uma tendência evidentemente de terceira posição e que tem uma semelhança com o fascismo, ao mesmo tempo que aparece atacando os neofascistas. Os neofascistas se correlacionam com a questão do nacionalismo branco — visto que muitos neofascistas são nacionalistas brancos.


Ao mesmo tempo que o nacionalismo branco vai crescendo na parte norte do planeta graças as imigrações em massa e as políticas ilustradas do multiculturalismo, cresce uma guerra ao politicamente incorreto — imagine quando eles descobrirem que existe uma esquerda politicamente incorreta (a alt-lefty) que vem surgindo. Essa guerra ao politicamente incorreto é fruto de uma inquisição de natureza quase religiosa, visto que o progressismo moderna é uma laicização de ideias religiosas. Essa guerra gera um aumento da database, ao mesmo tempo em que a sanha paranoica e conspiracional leva a um fechamento intelectual em que ver nuances dentro do debate — sobretudo quando essas nuances se dão em distintos grupos de direita — se torna cada vez mais difícil.