Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.
Contexto: texto originado de uma conversa no Telegram. Tom informal razoavelmente mantido.
Quanto mais o tempo passa, mais eu arrumo meios de esquecer que vivo no Brasil. É preferível, sei lá, colocar France 24 e ver um noticiário todo em francês do que abrir um jornal brasileiro.
Recentemente, também aplico um retardo temporal até mesmo no que leio em português. O único livro que estou a ler em português é "A Falecida", de Nelson Rodrigues. Faço por causa do curso de teatro.
Também leio "El Loco" de Juan Luis González, mas esse está em espanhol. O livro do Juan é interessante, mas confesso que por vezes me sinto um pouco enfadado de acompanhar qualquer coisa política e faço mais por obrigação do que por gosto.
Em inglês, leio "Supreme Courtship" de Christopher Buckley. Um livro fantástico, com uma protagonista incrível. Já dei boas risadas no metrô.
Atualmente faço aulas de mandarim. O mandarim é, para mim, outra excelente oportunidade de esquecimento do meu país.
A última vez que vi brasileiros interagindo intensamente foi em uma notícia sobre um professor texano que chorou ao perceber que os rapazes que formava não conseguiam ler quase nada. Eram rapazes de 17, 18 anos. A sessão de comentários era cheia de bolsonaristas. Todos culpando o Lula e o Paulo Freire pela educação que era dada no Texas. Vi, a partir disso, que sentia um enfado cada vez maior com o brasileiro médio.
Também não me interessei muito pelos rumos políticos nacionais. O que vejo é que, apesar de tudo o que se diz, Lula reeleger-se-á. Com alguma dificuldade, mas vai. O governo federal pertencerá à esquerda, mas os estaduais tenderão à direita. O centrão também terá uma fatia. Em 2028, creio que teremos mais novidades políticas. Em 2030, um direitista eleger-se-á.
Cremos que vivemos uma tendência de transição gradual. A esquerda perde a nível municipal e estadual. A direita vai ganhando municípios e estados. Creio que nessas eleições, o domínio legislativo e o executivo de nível estadual serão da direita. O governo federal, à direita, é um sonho que ela terá que esperar por mais quatro anos.
Digo isso, é claro, sem remorso algum. O Brasil não há de me surpreender muito. Os personagens muitas vezes soam caricatos. Eu não espero quase nada do Lula IV. Tampouco espero alguma coisa de algum governo de direita que se eleja em 2030.


