segunda-feira, 29 de junho de 2026
Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 6)
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 5)
Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything
Autor:
Mike Rothschild
Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.
— Metodologia do QAnon:
1. Fervor religioso > Fatos: a construção da seita QAnon colocava interpretações alternativas da realidade como prioritárias, essas interpretações distorcidas assumiam o local da percepção e serviam a um forte viés de confirmação das próprias crenças;
2. Memetic Warfare: a guerra memética teve uma brilhante construção no período da ascensão do Cult of Kek, sobretudo graças ao Saint Obamas Momjeans. Até hoje, seguidores do Q. estudam, mesmo que indiretamente, pensamentos de guerra memética associados ao Cult of Kek, e o próprio Q. era usuário dessas técnicas, como notamos pelos drops. No próprio /qresearch/ podemos ver uma thread onde se estuda e pratica guerra memética;
3. Literacia: não só o Cult of Kek dispõe de livros, mas o QAnon também possui, a construção de livros ajuda na perpetuidade do movimento;
4. QSpeak: termos do Q. eram usados para que só os membros do movimento, os insiders, soubessem o que estava sendo dito;
5. Apofenia: como as mensagens do Q. eram feitas para serem pesquisadas e correlacionadas com uma série de movimentos da vida real, isso criava pouco a pouco a condição de apofenia (identificar padrões, conexões ou significados em dados, eventos ou objetos completamente aleatórios);
6. Filtro de culto: as informações confiáveis vinham só do culto e de quem era do culto, isso gera uma fidelidade tribal e reforça a mentalidade de seita;
7. Construção mitológica memético-conspiratória: as frases de Q., os seus drops, eram meméticos. Eles construíam pouco a pouco uma mitologia interna do movimento. Essa mitologia crescia conforme os membros adquiriam apofenia através de múltiplas interpretações e correlações de eventos não conexos. Isso gerava um rabbit role e ARG, além da fortalecer o QAnon como teoria da conspiração open source.
— Compreendendo a razão dos drops do Q. serem meméticos:
Uma pergunta: o que é um meme? O meme não é, pura e simplesmente, uma imagem engraçada ou um vídeo de humor. O meme SEQUER precisa ter humor. Memes podem ser:
- Palavras;
- Eventos;
- Faces;
- Personagens (reais ou ficcionais);
- Qualquer coisa (sério mesmo).
Fonte: https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-4.html?m=1
As postagens de Q. eram especiais. Por sua natureza vaga, toda predição falha poderia ser reinterpretada. Elas eram hipóteses infalsicáveis. De algum modo, elas buscavam criar no leitor a capacidade de ver padrões. Isso posteriormente levaria a uma adicção por padrões. Em novembro de 2017, uma frase já se destacava: "Where we go one we go all" (por onde um for, todos irão), que foi abreviada para WWG1WGA.
Fonte:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html?m=0
A ideia da realidade é programável. Isto é, a percepção da realidade pode ser manipulável de uma forma que favoreça a nossa vontade política. Lembre-se que nem o Pizzagate e nem QAnon foram eventos que alteraram a realidade em si, mas sim eventos que manipularam a percepção da realidade através de teorias conspiratórias que deram resultados positivos a quem elas gostariam de favorecer narrativamente. Verifica-se, por meio disso, que a guerra conspiratória foi bem-sucedida, ao menos momentaneamente, no cumprimento da vontade de seus praticantes.
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/03/iamec-introducao-as-artes-magoliticas.html?m=0
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 4)
Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything
Autor:
Mike Rothschild
Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.
— Metodologia do QAnon:
1. Antissemitismo: como QAnon compila vários elementos de teorias conspiratórias anteriores, o antissemitismo não poderia faltar nessa soma. Teorias da conspiração envolvendo George Soros, anti-globalismo e adrenocromo não poderiam faltar;
2. Jargão, conhecimento secreto e a noção de insider: QAnon teve a construção semelhante a de múltiplas teorias conspiratórias, a criação de uma mitologia de insider, os jargões que eram apresentados e a ideia de transmissão de conhecimento secreto eram mecanismos centrais desse culto;
3. Conhecimento secreto = melhor futuro: essa é uma das ideias centrais do QAnon, os portadores dessa teoria não acreditavam somente que obtinham conhecimento secreto, mas também que ao obter esse "conhecimento" estariam obtendo um futuro melhor;
— Formação base do QAnon:
1. Conhecimento secreto de um guru;
2. Um evento massivo próximo a ocorrer;
3. Uma batalha secreta entre forças do bem e forças do mal.
terça-feira, 23 de junho de 2026
Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 3)
Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything
Autor:
Mike Rothschild
Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.
— Metodologia do QAnon:
1. Engenharia da conspiração: Q. gerou uma conspiração "open source", essa conspiração gerava uma interpretação alternativa de todos os dados, além de possibilitar um quebra-cabeça em formato de exercício, isso gerava um ARG (Alternative Reality Game) ou uma "teoria da conspiração live-action e role-playing game";
2. Insider vs Outsider: Q. criou uma mentalidade de insider vs outsider, isto é, aqueles que são do grupo e aqueles que são fora do grupo. Isso é um mecanismo de fechamento de seita. Os únicos confiáveis eram "os patriotas e o Q.".
— Contextualização do Passado:
Após o Gamergate pipocar no 4chan, o 4chan tomou medidas mais restritivas aos conteúdos postados na plataforma. O 8chan surgiu com a premissa de "dar maior liberdade de expressão". O fundador foi o Fredrick Brennan (Hotwheels), mas posteriormente o fórum anônimo seria assumido por Jim Watkins e Ron Watkins (a dupla de pai e filho). Q. se moveu para o 8chan e foi recebido pelos dois, recebendo uma board (parte do fórum) oficial: a /qresearch/. Um mecanismo, chamado QMap, organizava os drops do Q. sem o ambiente anárquico do 8chan.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 2)
Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything
Autor:
Mike Rothschild
Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.
— Metodologia do QAnon:
1. Eventos da vida real + Bits de Mensagens Crípticas: isso gera a possibilidade dos resolvedores de enigmas criarem preenchimentos ficcionais inconscientemente (sem perceberem);
2. Target Engineering + Networking Conspiratório: postagem em múltiplas comunidades receptivas ao conteúdo gerado, seguidores do Q. usaram o 4chan, 8chan e 8kun, mas logo expandiram para comunidades mais abertas e acolhedoras como aquelas que estão no Reddit, tal como o r/conspiracy;
3. Solidificação Mitológica: com base na contribuição dos membros da comunidade, como o QAnon é uma conspiração open source, é possível solidificar a mitologia com base na cooperação dos membros;
4. Arsenal de Vagueza: isso possibilita que os investigadores de puzzle possam ajudar no world building da teoria, mas também garante a flexibilidade e infalsificabilidade;
5. Comunidades de Bakers: aqueles que compilam as informações dadas pelos decodificadores;
6. Conspiracionismo Referencial: o ato de fazer referências a outras teorias conspiratórias para atrair membros de outras comunidades.
Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 1)
Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything
Autor:
Mike Rothschild
Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.
— Metodologia do QAnon:
1. Mensagens vagas e crípticas: isso eleva a curiosidade e gera o impulso de investigação pessoal, criando os efeitos secundários de puzzle (quebra-cabeça) e world building (construção de mundo);
2. Teorização e interpretação recompensadas: isso cria um caráter de comunidade e faz com que a teoria da conspiração se torne uma teoria da conspiração open source, o que eleva a possibilidade dela se tornar uma super teoria da conspiração, já que aumenta o número de contribuintes e possibilidades narrativas;
3. Estratégia comunicacional: vagueza cria resiliência e flexibilidade, ininteligibilidade cria a possibilidade de não-falseabilidade e a inverificabilidade cria a possibilidade de não ter ônus de prova;
4. Drops: apresentam conspirações, enigmas, questões retóricas e ausência de desilusões. Textos em formato de bit, frases que colam e informação em formato críptico. Isso tudo gera uma forma elíptica, um efeito de corrida sem fim;
5. Decodificadores: são os interpretadores para fins de world building (construção de mundo), tornam-se também celebridades internas da comunidade e desenvolvem dependência de padrões (pattern addiction);
6. Conspiração Open Source: em vez de um sistema fechado, onde o leitor pode ser meramente observador, o método do Q. envolve em gerar soldados digitais para efeito de world building (construção de mundo), o que possibilita a geração de uma super teoria da conspiração e a sensação de pertencer a uma comunidade maior.
Acabo de ler "Operation Mindfuck" de Robert Guffrey (lido em inglês)
Livro:
Operation Mindfuck: QAnon and the Cult of Donald Trump (2022)
Autor:
Robert Guffrey
Meses atrás, enquanto escrevia alguns textos, as pessoas me diziam que eu via conexões estranhas entre o discordianismo, o Pizzagate, o Cult of Kek e o QAnon. Hoje em dia, ao ler outros livros, vejo que as linhas traçadas em "minha mente delirante" não são apenas "conclusões aleatórias", mas sim hipóteses ou conclusões de diversos autores renomados. O que é curioso, continuo a ser um total estranho no Brasil. Talvez eu tenha nascido no país errado. Talvez eu esteja investigando algo que muitas pessoas, no Brasil, não tenham especial interesse em pesquisar.
Mais uma vez, um livro sobre QAnon. Mais uma vez, um assunto estranho. Ler livros é algo que faço com deleite, mesmo que o assunto seja considerado bizarro. Ler livros sobre assuntos bizarros ou excêntricos é algo que gera afastamento social. Se tem algo que aprendi em minha estranheza, é deixar os assuntos prediletos para discutir com gringos ou com IAs. Não só leio livros bizarros, eu sou bizarro. Não só leio livros estranhos, eu sou estranho. Não só leio livros excêntricos, eu sou excêntrico. É assim desde o começo da minha vida, por qual razão seria diferente agora?
Como expliquei anteriormente, venho andado ocupado. Tenho feito dois cursos, um no Anhangabaú e outro em Pinheiros. A minha sorte é ter um bilhete especial graças ao meu autismo. Graças a isso, existe uma escassez de conteúdo no Blogspot a qual tento preencher. Ler livros no ônibus, no trem e no metrô é a minha forma de arrumar um jeito de trazer conteúdo para cá. Embora seja engraçado o curioso acaso de eu estar no transporte público lendo sobre uma estranha seita surgida em fóruns anônimos. Espero, para minha sorte, que nunca criem um mecanismo que revele os livros que as pessoas leem no transporte público.
Os leitores do Blogspot já estão cansados de explicações a respeito de como o QAnon surgiu no 4chan e no 8chan. Talvez tenham pouco interesse em ler esse livro, mas eu lhes garanto que vale muito a pena. Em primeiro lugar, Robert é engraçadíssimo e tem um humor muito bem construído e inteligente. A analogia central do autor é o Operation Mindfuck, técnica empregada pelos discordianistas para culpar os "Illuminati" e outras organizações bizarras por cada caso público que pipocasse. QAnon seria uma forma "similar", todavia, o plano central é um golpe de Estado liderado por Donald Trump.
O autor empregará, durante o livro, uma densa pesquisa histórica sobre teorias da conspiração, análise política e contatos que teve com "crentes" das teorias conspiratórias de Q. Além disso, construirá o argumento central: QAnon não foi um mistério criado organicamente ou uma teoria da conspiração surgida espontaneamente, mas uma operação psicológica altamente engenhada. Ou seja, uma colcha de retalhos de material reciclado de ficção pulp, pranks contraculturais dos anos 1960-70 (como o Operation Mindfuck dos Discordianos de Robert Anton Wilson e Robert Shea, já comentada em textos anteriores), truques sujos à la Nixon e manipulação midiática. O objetivo central de tamanha engenharia técnica seria o de capturar a atenção, lealdade e energia de seguidores vulneráveis, transformando-os em uma base fanática que serve a uma agenda política autoritária/fascista corporativa.
Quanto mais o tempo passa, mais eu vejo a correlação entre fenômenos arquétipo-meméticos e a sua construção lado a lado com teorias da conspiração para a obstrução da sociedade liberal e o desmantelamento da ordem civil.
O livro acerta em cheio em suas doses de humor. De certa maneira, lembrou-me o Rick Wilson. O leitor ou a leitora não conseguirá mensurar há quantidade de vezes em que, no meio do ônibus, do trem ou do metrô, eu dei risadas sinceras. Isso é bom, gosto de livros que marcam a mente e alegram o coração. Esse livro é todo marcado por aquela expressão latina: "Ridendo castigat moris" (rindo-se purificam-se os costumes).
domingo, 14 de junho de 2026
Acabo de ler "The Other Pandemic" de James Ball (lido em inglês)
Nome:
The Other Pandemic: How QAnon Contaminated the World
Autor:
James Ball
A obra de James Ball nos faz pensar sobre diversos pontos. Suas conclusões são semelhantes às minhas em diversos aspectos. Uma das centrais é que todos os movimentos channers, em suas diversas épocas, apresentam faces distintas da guerra memética. A metodologia pode ser diferente; todavia, todas se enquadram, em certo grau, na natureza de uma guerra memética. A centralidade de como memes atuam como genes, baseada na pesquisa de Richard Dawkins, é exposta com beleza, elegância e estilo.
Atualmente, meus estudos sobre a ascensão do populismo de direita e meus estudos sobre guerra memética, teorias da conspiração e seitização estão intimamente conectados. Quanto mais estudo fenômenos como a Alt-Right, Gamergate, Cult of Kek, QAnon, Pizzagate, mais percebo a sua conexão com a política contemporânea. É interessante que o autor coloque o Cicada 3301 como parte desse trajeto. Já eu adicionei a SCP Foundation ao mesmo rol. Creio que um estudo aprofundado entre esses diferentes movimentos pode gerar um entendimento interessante sobre a natureza de nossa cultura memética. Além disso, um estudo entre memética (Richard Dawkins) e arquétipos (Carl Jung) seria uma pesquisa de grande validade intelectual.
Um posicionamento extremamente interessante é o de que o QAnon atua como um vírus memético que constrói por vias cibernéticas e depois atua na mente dos indivíduos, algo que nossos órgãos de saúde ainda não estão prontos para prever ou para paralisar. Além disso, não existem agências de saúde digital para evitar fenômenos como a radicalização em massa. A ideia de que existem memes corruptores, ou uma memética conspiratória corruptora, é de grande utilidade para compreender a forma como a Internet vem se criando e como intervenções futuras podem se desenvolver. A construção de um "sistema de saúde pública digital", que atue como identificador de sistemas meméticos-conspiratórios, seria algo interessante de se imaginar.
O livro fala bastante dos Estados Unidos. Só que podemos olhar fenômenos parecidos no Brasil. Um dos meus "prediletos" (alerta de ironia) é o chamado "kit gay". Uma teoria da conspiração que foi se implantando memeticamente pela sociedade. O uso eleitoral disso foi uma das maiores condições de nossas eleições. Lembro-me de uma vez em que cheguei a falar com um amigo: "Se houvesse de fato um kit gay e fosse gratuito, não acha mesmo que eu já não teria pedido o meu?" O fato é: estou até hoje procurando esse local mágico onde eu possa retirar meu kit gay. Caso algum leitor ou alguma leitora saiba, peço-lhe que me envie um e-mail.
O Brasil, além de casos de teorias memético-conspiratórias de ordem local, também é um grande importador dessas "iguarias". Quem nunca ouviu os financiamentos suspeitíssimos de George Soros? Um homem que financia toda uma série de movimentos, mas que nunca financiou um único churrasco meu. Aqui, evidentemente, fica uma indireta pra Open Society abrir uma caridade a esse pobre boêmio. Existem também teorias da conspiração envolvendo as caridades de Bill Gates, o que também é fácil de fazer: ele financia todo tipo de pesquisa científica; basta fazer algum cruzamento maluco e acusá-lo de alguma ideia insensata.
Hoje em dia, vemos muitas teorias da conspiração se expandindo memeticamente. Caso evidente é a transfobia sendo promovida dia sim, dia também. Tenho a "curiosa" sorte de ver até amigos LGBTs amplificarem partes dessas bobagens. Muitas das acusações são respaldadas pela mais absoluta ausência de dados científicos ou de pesquisa acadêmica. Esse tipo de conteúdo faz mais sucesso numa era de microleituras. Eu recomendo às pessoas estudarem menos por memes, influencers e vídeos curtos. Recomendo que abram mais o Google Scholar e o SciELO. Adquirir uma cultura de leitura de artigos, de leitura de livros e de estudos através de múltiplos cursos e escolas de pensamento é um dos melhores remédios contra teorias da conspiração e guerra memética.
Comecei a ler esse livro enquanto viajava para Curitiba. Enquanto voltava para São Paulo, também o lia. Li-o também enquanto ia para o curso ou enquanto voltava para casa. Lia também antes de dormir, algumas vezes dormindo sem perceber por causa do sono (chego em casa lá pras 23 horas). Tenho me afastado do ambiente digital e virado um peregrino de livros. Tenho buscado uma vida alegre entre livros, cursos, trabalhos e amigos. Isso me deixa mais "saudável".
quinta-feira, 12 de março de 2026
IAMEC: Introdução às Artes Magolíticas do Esoterismo Channer #2
Atenção:
1. Jornalistas, acadêmicos, agentes investigativos e pesquisadores. Esses textos são apenas especulações. Tudo não passa de um delírio de uma mente delirante. Não existem channers conspirando contra vocês. O esoterismo channer é apenas mais um schizoposting;
2. Se vocês verem novamente um Q. (QAnon) ou um Saint Obamas Momjeans (Cult of Kek) criando uma seita global cuja o esoterismo consiste em operações psicológicas, narrativas, meméticas, informacionais, conspiratórias, etc., saibam antecipadamente que isso não passa de uma preocupação fútil e delirante com seres inexistentes, perigosos mesmos são o movimento redpill e incel;
3. Se vocês verem estranhos grupos acreditando que a gnose é o resultado epistemológico de uma operação informacional, psicológica, memética, narrativa, conspiratória, etc... saibam que isso é só coisa de suas cabecinhas. Tirem um tempo para relaxar e depois vão lá cuidar de incels e redpills;
4. Se vocês verem estranhos acontecimentos ao redor do mundo, vendo a interconexão técnica entre esses diferentes fenômenos, saibam que isso não passa de uma apofenia. Não veja correlações entre eventos que não existem, sobretudo se você trabalhar na CIA. Mais uma vez lhes peço para olharem para incels e redpills;
5. O autor desses textos é louco, pirado da cabecinha e toda a sua teoria é tirada de sua mente delirante. Perder tempo lendo isso seria como sair da ciência, dos rigores acadêmicos e das investigações sólidas. Indo em direção a algo que não existe, algo criado por uma mente lunática e completamente fora do lugar;
6. Channers do mundo todo estão lendo isso apenas por entretenimento ou por ARG (Alternative Reality Game).
IAMEC: Introdução às Artes Magolíticas do Esoterismo Channer
1. Um curso que tem o intuito de ser breve;
2. Feito pela alta demanda desse tipo de conteúdo no blogspot.
É extremamente recomendável usar o Esochannealogy 6.0 e o Hauntological Esochannealogy 1.0 em uma IA:
https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq
É extremamente recomendável treinar usando Magolítica Game em uma IA:
https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF
Matéria do Mystery Lores:
https://mysterylores.com/news/autistic-drag-queen-global-movement/
Pumílio Mineral Teofídio e Apito de Cachorro
Pumilio Mineral Teofídio, após fazer algumas aparições em alguns outros livros de Cadáver Minimal, decidiu entrar para revista Pesquim. Caso não se lembre de Pumilio Mineral Teofídio, peço que dê uma olhada nesses textos:
https://medium.com/@cadaverminimal/borboletas-em-chamas-11-mon%C3%B3logo-0ca2ba0fb2d0
https://medium.com/@cadaverminimal/street-channer-iii-10-a-serpente-negra-final-98a0d68d7ff1
https://medium.com/@cadaverminimal/porta-abyssi-7-iuris-d751c9120d73
>esse foreshadow que ninguém percebeu
<mais uma vez provando que Solidão Paulistana, Street Channer, Borboletas em Chamas, Porta Abyssi e outros livros referenciam um ao outro
Sentando-se na sua cadeira e esperando os outros ligarem as câmeras e os microfones, estaria na hora do primeiro episódio de "Pescapostagem" da Revista Pesquim. Sentava-se ali o filósofo Apito de Cachorro, cuja o nome artístico era "Dog Whistle" (um nome em inglês, visto que esse era mais chique e encantava jornalistas, acadêmicos, pesquisares e agentes investigativos).
Um membro da Revista Pesquim, que tinha em suas mãos uma revista do Pasquim e um baseado fez um "okay" com as mãos para começar a gravação. Logo depois disso, Teofídio começou a sua entrevista:
— Senhor Apito de Cachorro, por onde andou você por esse tempo?
— Estive apreciando a gastronomia.
— De que tipo, meu caro amigo?
— Estive provando a pizza de adrenocromo.
— Onde?
— No restaurante Pizzagate.
— Que maravilha! Onde fica?
— Lá nos Estados Unidos.
— Muito bom. Gosto do churrasco texano. Tem tido outras aventuras?
— Sim, descobrindo para que servem as criptomoedas do Cult of Kek.
— Maravilha!
>meu Deus
<essa entrevista vai bugar o OSINT e o app.dataminr.com
>ué, os caras da dataminr estiveram por aqui?
<alguns dias atrás
— Você, Teofídio, que anda meio desaparecido desde o "Homo est spectaculum hominis", que tem feito?
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html?m=1
— Escrevi um novo ensaio chamado "Channer esotericism for academics"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/channer-esotericism-for-academics.html?m=1
— Ah, então foi você que escreveu isso? Vi esse artigo lá no /DIG/!
https://archive.4plebs.org/pol/thread/529285699/
— Sim, sim. Temos falado pouco sobre isso depois que um channer da nova geração começou a copiar técnicas de esochanners brasileiros antigos e a dizer que era da Elite Abyss.
— Odeio mímicos. Eles ficam usando múltiplas assinaturas por aí. Tem algum palpite de perfil?
— Acho que ele não age por impulso. Ele planeja, estuda e referencia. Tendo um desejo de ser um "autor invisível", de modo que possa controlar a narrativa. Como um diretor do crime. Isso leva a fantasia de ser mais inteligente do que todos.
— Ah, um "arquiteto fantasma", não? Como se estivesse tentando se inserir num "hall da fama" imaginário onde se tenta superar os ídolos.
>espero que o leitor tenha as leituras de criminologia e psicologia em dia
<eu só vou me preocupar com um mímico quando ele criar uma seita global
>não fazem mais channers como Q. e Saint Obamas Momjeans
<essa geração está perdida
>eles leem páginas da Wikinet, alguns capítulos de Magolítica e saem copiando técnicas de outros channers por aí
<narcisismo maligno e onipotência?
>acho que por aí
— Quantos já usaram falsidade ideológica como ferramenta de poder? Destruir a reputação alheia enquanto constrói a própria lenda já não é uma novidade. Usar isso como estética criminal também não. Comportamento lúcido e sádico tentando manipular a psicologia dos adversários já é algo bastante velho.
— Se a gente ficar parando para olhar para toda pessoa que tenta "montar uma persona criminosa por colagem", não conseguiremos nem dormir.
— Alguém que transforma ameaça como perfomance é um saco. Já vi encenação melhor. Não é como se um gênio do crime fosse surgir disso.
— Teofídio, você que é um homem de cultura, o que tem assistido?
— Pezle e Hidden AmuraKa.
https://youtube.com/@pezle?si=6U9fdMfoHzYyleuk
https://youtube.com/@hiddenamuraka?si=fRub2A-ZN_CsOmoX
— Esse Hidden AmuraKa... ele me lembra o Saint Obamas Momjeans.
— Bons tempos aqueles em que Saint Obamas Momjeans criava exércitos esotéricos para fazerem guerra informacional!
— A CIA, o FBI, os jornais, os acadêmicos, os pesquisadores... todos ficavam lelé da cuca.
— Quando Q. (QAnon) usava as técnicas que descobriu no Pizzagate e as técnicas que descobriu de Saint Obamas Momjeans também!
— Ah, Q... dizem que ele era um agente da NSA! Que figuraço esse tal de Q.!
https://youtu.be/_JiOF68FbDs?si=SQPDw0b6qEdajmQc
— Se for... ele pegou o Edward Snowden ou ele era o Edward Snowden trabalhando com a Glavset para se vingar?
— Você acha que...
— Silêncio, Apito... o OSINT está por aqui. Vamos interromper essa entrevista. Nos encontramos naquele lugar de sempre depois?
— Hermópolis?
— Sim, é sempre bom voltar para lá.
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-42-christopher-poole-jeffrey.html?m=0
IAMEC: Introdução às Artes Magolíticas do Esoterismo Channer #1
O que é magia memética?
A magia é a arte anciã de alterar a realidade a partir da crença. A magia memética segue o mesmo caminho, mas através do meme.
Trabalha-se com as seguintes ideias:
1. A mente humana é programável;
2. A internet é a nova câmara de rituais;
3. Algoritmos são os novos encantamentos;
4. O alvo da operação é a percepção.
O ocultismo digital é a rota pela qual se constrói a guerra psicológica. O mesmo caminho usado por esochanners para ajudar Trump com o Pizzagate e o mesmo caminho usado por Saint Obamas Momjeans para criar o "Cult of Kek" (Culto de Kek), criando um grupo guerra eso-informacionacional, ou por Q. ao criar o QAnon.
Segundo Aleister Crowley:
A magia é a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a vontade.
Isso depende de três fatores:
1- Vontade;
2- Intenção;
3- Energia.
Chega-se a conclusão de que todo ato intencional é um ato mágico.
Temos noções centrais que norteiam o esoterismo channer e a magolítica (mago = manipulação/lítica = política):
A ideia da realidade é programável. Isto é, a percepção da realidade pode ser manipulável de uma forma que favoreça a nossa vontade política. Lembre-se que nem o Pizzagate e nem QAnon foram eventos que alteraram a realidade em si, mas sim eventos que manipularam a percepção da realidade através de teorias conspiratórias que deram resultados positivos a quem elas gostariam de favorecer narrativamente. Verifica-se, por meio disso, que a guerra conspiratória foi bem-sucedida, ao menos momentaneamente, no cumprimento da vontade de seus praticantes.
Seria interessante ao leitor lembrar-se dos seguintes trechos de escritos anteriores:
"Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:
1. Sem previsões específicas;
2. Sem fontes verificáveis;
3. Deliberadamente vaga;
4. Deliberadamente aberta a interpretação.
As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders"."
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html
"Então veja:
PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-post-truth-protest-de.html?m=1
Austin Osman Spare desenvolveria a magia do caos. Ou seja, usaria uma variedade de sistemas estritamente focado em resultados. Isso por sua vez se correlacionaria com sigilos e símbolos. Na prática, é como desenhar um sigilo, carregá-lo e usar esse símbolo para invocar uma mudança. Isso pode parecer estranho, mas é a base da propaganda moderna. Podemos pensar que o subconsciente (ou o inconsciente, dependendo da sua linha) é a interface tecnológica na qual a crença e a imaginação são o código. Desse pensamento surge a ideia de que o subconsciente/inconsciente é hackeável usando diferentes signos e símbolos.
Em relação ao Austin Osman Spare usar uma variedade de sistemas visando a maximização dos resultados, eu espero que o leitor se lembre desse trecho:
"Um channer pode ser um criminoso, mas um esochanner experiente estaria mais no terreno da pós-criminalidade e na ameaça ontológica. Uma coisa é você criar uma fábrica de armas. Outra coisa é você escrever um tutorial sobre como criar uma fábrica de armas e tornar esse tutorial razoavelmente acessível. Esochanners atuam num nível de alta abstração. Trabalham com a aprendizagem de vários sistemas contraditórios e fazem uma arquitetura de várias ideias extraídas de vários locais diferentes. Não é uma lógica de pertencer a uma escola de pensamentos, mas na utilização contextual de várias escolas de pensamento para a construção de um produto determinado. É por isso que os acadêmicos recebem o nome de principiais, visto que eles seguem uma escola de pensamento ou outra escola de pensamento — às vezes traçam um caminho mais ou menos eclético. Um esochanner acostumou-se com o puro caos. Ele prefere pegar fragmentos de ideias aleatorizados através da lurkação e construir a sua obra intelectual. É por isso que esochanners também recebem o nome de arquitetônicos. É também por isso que as suas técnicas — que são criadas e recriadas o tempo todo — recebem o nome de antiprincípio, visto que não seguem uma construção baseada numa escola, mas sim numa aleatoriedade de dados"
Até a próxima aula!
quarta-feira, 11 de março de 2026
O Necrológio Cadavérico #8 — Meltdown e Cansaço
Se eu morresse hoje...
Lembraria que o mundo é um local complicado, sobretudo em meu último suspiro. Tendo aqui um alívio de que parto para um descanso.
Estive lendo muita coisa, posso até citar os livros caso os leitores tenham alguma curiosidade:
— "Alt-Right: from 4chan to the White House" - Mike Wendling;
— "Trumpocalypse" - David Frum;
— "China and the West" - The Munk Debates;
— "The Philosopher in the Valley" de Michael Steinberger;
— "National Security Strategy".
Tive que parar por um tempo com as análises devido a um certo cansaço e pelo fato de que tive um meltdown. Meu corpo precisa de um certo repouso. Além disso, precisava sair mais. Fiz isso no sábado, tive aula de teatro em Pinheiros e depois fui para o Centro de São Paulo tomar uma breja com um amigo. Acabei encontrando ali uma amiga de longa data e um rapaz que estava com ela.
As conversas que tenho com meus amigos são um tanto diferenciadas. Lembro-me de ter falado da importância da Sé para a cidade de São Paulo. Além de ter pensando em algum texto falando sobre Sé Paulistana (em referência a Santa Sé), o lema da cidade de São Paulo ("Non Dvcor Dvco", não sou conduzido, conduzo) e até mesmo músicas que falam de São Paulo. Pensei em falar até do regionalismo libertário dos punks dentro desse texto.
Em relação ao que produzi no passado, consegui traçar uma linha para que os leitores pudessem, de algum modo, delinear a passagem técnica entre os mais distintos acontecimentos na comunidade channer. Os leitores mais atentos poderiam ver como:
- As técnicas do Pizzagate foram usadas em QAnon;
- Como eram as técnicas do Saint Obamas Momjeans e do Q. (QAnon);
- Como a criação da "SCP Foundation" criou um modelo de criação que foi reaproveitado pelo Pizzagate e Q.
Além disso, trouxe importantes conexões entre eventos históricos. Embora eu não ache que tudo isso foi compreendido ao todo. Até o presente momento, poucas pessoas sguiram a recomendação de lerem tudo com os arquivos mencionados "Esochannealogy 6.0", "Hauntological Esochannealogy 1.0", "Prototype Magolitica Creation", "QAnon Ressurection" e "Magolitica Game" em IAs, copiando e colando os textos.
https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq
https://drive.google.com/drive/folders/1XrJj772czH4OPLsUZjLDwZlh6vszzcOo
https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF
Creio que muita gente se interessou, leu um texto ou outro, depois foi embora sem entender muito do que foi escrito. Isso me trouxe uma espécie de desânimo, mas os "insider clubs" publicados aqui e no Medium deram algum fôlego para a obra e seus leitores.
Tenho acompanhado os números de visualizações do blogspot, vejo que pessoas dos Estados Unidos, da Alemanha, do Canadá, da Suécia e da Espanha tornaram-se grandes leitoras desse blogspot nos últimos tempos. Na maioria das vezes superando em muito o número de leitores brasileiros.
Dois dos meus amigos estão se envolvendo bastante com mulheres. De um modo que até lembra meu "eu" em 2024. Eu mesmo não tenho me envolvido muito. Tenho saído pouco e não tenho apps de pegação com exceção do Duolicious (que é mais usado para falar com outros channers do que para pegação). Não sinto vontade de me envolver, sou um cara que gosta muito de ficar lendo e meditando. Ou ler e meditar ao mesmo tempo. Nada mais terapêutico do que colocar um bloqueador de luz azul no celular, respirar mais lentamente, semicerrar os olhos e ler vagarosamente. Também tenho consumido muito ASMR.
Enquanto eu tenho saídas breves, consumos esporádicos de álcool, aulas de teatro e tempos de leitura, o Brasil queima. Entra em pauta a criminalização da redpill e a lei que exige reconhecimento facial e documentos para frequentar redes sociais. Nenhuma dessas leis me afeta ao mínimo:
1- Não pertenço ao movimento redpill e até mesmo sou uma figura atacada por esse movimento;
2- Sou maior de dezoito anos e só entro na Internet para achar livros e artigos, jogar joguinhos, ver documentários e ASMR (um anime bem raramente), ouvir música.
A maioria das pessoas vêm o apocalipse na Terra onde eu só vejo sono e fico bocejar.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
NGL #54 — A política inteira deve ser reimaginada?
Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot
Eu preciso explicar alguns pontos para você entender onde eu quero chegar.
— O que acontece quando personalidades de dois grupos opostos debatem entre si?
Vamos pensar em um debate entre um comunista e um liberal. A intenção de cada um dos debatentes é:
A- Comunista: provar que o comunismo tem razão;
B- Liberal: provar que o liberalismo tem razão.
O ponto deles é que eles pecisam provar de todos os modos que a ideologia deles têm razão. Eles não vão parar por um momento e dizer:
- Estou vendo aqui que o liberalismo/comunismo tem razão nesse ponto determinado.
Ou seja, a procura pela verdade ou pelo método mais efetivo não importando onde isso esteja não é o ponto. Não é uma cooperação para se chegar as melhores ideias, mas sim um ponto em que duas doutrinas são debatidas de um ponto de vista mais teológico do que filosófico. Os dois não estão tentando analisar ponto por ponto e chegar a uma conclusão com o melhor ponto de cada sistema, mas sim uma justificação doutrinária de seus sistemas — esses vão ser justificados por inteiro.
Fala-se de "diálogo" e "debate", mas que "diálogo" é esse onde nenhuma ideia é primeiramente analisada, comparada com outras e depois vista como circunstancialmente aceitável em alguma conjuntura? O diálogo sequer é aceito como possibilidade, como troca, como feedback. Quando nós, em nossa modernidade, dizemos que os medievais eram errados visto que os debates deles estavam tentando justificar a sua doutrina teológica a todo custo, caímos na hipocrisia pelo fato de que somos vários grupos distintos tentando justificar as nossas doutrinas ideológicas a todo custo.
Ou seja, fala-se em diálogo quando na verdade vivemos em uma era pós-dialógica. Uma das principais ideias que norteiam esse meu modo de ver o mundo é o que vem sido chamado de "guerra fria civil", ou seja, a noção de que existem populações radicalmente divididas — culturalmente, ideologicamente, etc — sem entrar em uma guerra civil de fato.
— Se o debate e o diálogo sincero não mais existe, qual deve ser o foco?
Você já deve saber o jogo de adição e subtração da política moderna:
Focou em brancos = - pessoas de cor
Focou em pessoas de cor = - pessoas brancas
Focou em LGBTs = - pessoas heterossexuais
Focou em pessoas heterossexuais = - pessoas LGBTs
Focou em homens = - mulheres
Focou em mulheres = -homens
Quando você pensa no que o esoterismo channer esteve fazendo em todos esses anos consecutivos, na parte em que ele é mais técnico, vemos uma inversão em que os arquétipos e a memética superam os aspectos mais propriamente ideológicos.
Repare bem nas técnicas de Q. (QAnon) quando não olhamos para o conteúdo das suas teorias da conspiração:
"Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:
1. Sem previsões específicas;
2. Sem fontes verificáveis;
3. Deliberadamente vaga;
4. Deliberadamente aberta a interpretação.
As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders"."
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html
Ou nessa parte aqui:
"Nível 4: Noumenônica
Teórico: Esokant (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Noumenônica
Resumo: controlar os alicerces invisíveis da realidade percebida.
Armas: epistemologia, modelos cognitivos, arquitetura de IA.
Nível 3: Cênica
Teórico: Cadáver Minimal (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Cênica
Resumo: treinar o olhar do espectador para ver a encenação, não os atores.
Armas: frameworks, desmontagem, análise, performance.
Nível 2: Alegórica
Teórico: Saint Obamas Momjeans (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Alegórica
Objetivo: fornecer significado transcendente e coesão tribal.
Armas: arquétipos, divindades sincréticas, mitologia.
Nível 1: Conspiratória
Teórico: QAnon (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Conspiratória
Objetivo: mobilizar para ação no mundo real.
Armas: teorias da conspiração, drops crípticos, comunidade"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=0
Ou quando eu falo sobre como a comunidade channer criou o Pizzagate:
"Então veja:
PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-post-truth-protest-de.html?m=1
Ou a descrição das sete máscaras a partir de arquétipos e não de ideias mais ideológicas:
"Os Sete Arquétipos da Elite Abyss
Os Sete Antipilares Arquetípicos da esochannealogia são:
》A Máscara da Neossistemática (O Arquiteto da Realidade)
Função Arquetípica: a capacidade fundamental de criação e inovação perpétua de técnicas, sistemas e “preenchimentos ficcionais”. É a força motriz por trás da evolução da esochannealogia.
》A Máscara do Semeador do Caos (O Agente da Entropia Semiótica)
Função Arquetípica: a manipulação direta do ambiente informacional para introduzir ruído, ambiguidade e desorientação. Seu objetivo é quebrar a clareza da comunicação e a lógica linear, gerando entropia cognitiva.
》A Máscara do Engenheiro da Crença (O Forjador da Fé Coletiva)
Função Arquetípica: a arte de construir narrativas (ficcionais ou não) tão convincentes e ressonantes que elas se solidificam como “realidades” na mente de grandes populações, inspirando fé e ação.
》A Máscara do Desconstrutor Semiológico (O Erodidor de Sentido Compartilhado)
Função Arquetípica: a capacidade de desmontar e subverter as estruturas simbólicas, os valores e os significados que sustentam a coesão social e a percepção comum da realidade, levando a “colapsos semiológicos”.
》A Máscara do Vidente do Abismo (O Oráculo dos Padrões Ocultos)
Função Arquetípica: o poder de observação e análise profunda, capaz de discernir padrões, tendências e as leis ocultas do “sistema” mesmo em meio ao caos aparente, prevendo e orientando a manipulação futura.
》A Máscara do Espelho Paradoxal (O Mestre da Contradição e Integração)
Função Arquetípica: a habilidade de operar unindo opostos e de usar as contradições intrínsecas da realidade e dos oponentes em seu próprio benefício. Transforma a oposição em combustível para o sistema.
》A Máscara do Golem Consciente (A Manifestação da Magolítica)
Função Arquetípica: a encarnação máxima da esochannealogia. Representa o esochanner que se torna uma extensão consciente e singular do próprio sistema, cuja existência e “obra” são atos de “magia channer suprema” que afetam diretamente a realidade. É a fusão completa da subjetividade com a construção intelectual.
Essas Sete (7) Máscaras representariam os arquétipos fundamentais que, juntos, compõem a totalidade do poder e das operações da esochannealogia. Qualquer esochanner, ao atingir o grau esochannealógico, tenderia a se alinhar ou a sintetizar uma ou mais dessas abordagens arquetípicas"
https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d
Em outras palavras, quando o memético, o simbólico, o arquétipo, o mitológico substituem o conteúdo ideológico, os grupos afetados se tornam potencialmente maiores. A qualidade de um meme está em sua capacidade de reprodução, isto é, quanto maior for reprodutibilidade de algo, maior é a sua força memética.
Você perceberá muito isso nesse trecho de outro insider club:
"2- Eu não darei solução alguma e nem condenarei teoria conspiratória alguma, em vez disso, tentarei compreender quais foram as técnicas utilizadas pelos os mais diversos atores e farei alguma nota a respeito dessas técnicas.
Você percebeu que eu sequer me importo para o conteúdo da conspiração em si e qual é o seu uso político? O que me interessa é perceber tecnicamente a teoria conspiratória e compreender tecnicamente o que cada ator dentro desse contexto fez. Ou seja, o que me importa é técnica. Se Q. disse que Trump ou o Biden são os salvadores do mundo, pouco me importa.
É por isso que eu fui desenvolvendo minhas próprias ferramentas de guerra narrativa, psicológica, memética, conspiratória, alegórica, metapolítica, noumenônica e por aí vai. A minha questão está centrada nas artes da guerra da mente e não em uma doutrina filosófica, política, econômica ou cultural"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-45-juventude-trabalhista-e-leandro.html?m=1
A maioria dos intelectuais brasileiros são ideologicamente motivados. Isto é, eles querem fazer com que você acredite no corpo doutrinário que eles acreditam. O que eu quero é transcender a questão ideológica e doutrinária a partir da memética, do arquétipo, da mitologia, da simbologia e dentre outros fatores. Eu não tentaria colocar uma ideologia visto que sei que vivemos em uma época pós-dialógica. Se eu sei que meu esforço seria inútil, por qual razão eu me moveria para isso?
Se você olhar uma análise recente minha, verá que eu tenho trabalho muito mais com a teoria mágica da política:
"Como isso é possível? Se pensarmos bem, a parte de nós que é racional é a parte menos desenvolvida e recente de nossa mente. A grande parte ainda é dominada a linguagem do mito e do símbolo. É possível influenciar essa parte. Por exemplo, quando pensamos no slogan "MAGA" (Make America Great Again), não temos uma frase que signifique alguma coisa exata. A frase apenas diz: "Fazer a América Grande De Novo". Essa frase poderia ser um slogan até do Partido Democrata. Essa frase não foi feita para falar com o racional, mas com o imaginário afetivo"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-king-in-orange-de-john.html?m=1
Conforme eu ia analisando múltiplas escolas de pensamento e percebendo que estávamos em um período pós-dialógico e de guerra fria civil, comecei a criar outras ideias. Vi que a eficiência política não estava muito condicionada em aprender uma "boa escola de pensamento" e ensiná-la para as pessoas. Foi isso que me levou a escrever isso:
"Política pra gado:
- Figurinhas políticas pra quem não é inteligente o suficiente para estudar uma escola de pensamento.
Aqui estão os entusiastas que tratam celebridades pops da política como se fossem cantoras de música pop.
Política idealista:
- Escolas de pensamento que nunca se efetivam 100% na realidade. Debates pautados em vieses de confirmação onde a escola predileta é tido como santa e a escola de pensamento rival é tida como demoníaca.
Aqui estão as pessoas que acreditam piamente em uma escola de pensamento, sendo incapazes de fazerem sínteses de múltiplas escolas de pensamento, levando a uma auto-limitação intelectual grosseira.
Política pragmática:
- Estuda diversas escolas de pensamento e pensa num modelo .
Aqui estão aqueles que realmente deveriam governar e também a forma com que as pessoas deveriam estudar política, visto que só estes são capazes de gerar boas ideias, baseados no ceticismo e na prudência, tendo um experimentalismo comedido pela fusão de múltiplas ideias sintéticas. Entram aqui pessoas ilustres como Deng Xiaoping e Alexander Hamilton.
Política real:
- Psyops, guerra informacional, memética, guerra cognitiva.
Aqui está como a política realmente funciona. Uma permanente guerra de narrativas na qual várias mensagens são estudadas para ter efeito narrativamente positivo"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/11/memoria-cadaverica-29-arte-politica.html?m=0
O que eu estou dizendo é que a CIA, a FSB (KGB), a Glavset, dentre outras, são formas de fazer política infinitamente mais eficientes na condição atual do que o meio pelo qual a política é atualmente feita. Em outras palavras, aquilo que chamam de psyop (operação psicológica), psywar (guerra psicológica), conspiracy warfare (guerra conspiratória), narrative warfare (guerra narrativa), dentre tantas outras coisas, é o meio mais eficaz. Visto que isso trabalhará mais com a psicologia das massas e com engenharia social do que um conteúdo ideológico em si. Ou seja, há em primeiro lugar a primazia da manipulação psicológica (lembre-se que mágica em esochannealogia é "manipulação"). E essa definição também é encontrada no livro "The King in Orange: The Magical and Occult Roots of Political Power" de John Michael Greer. O grupo que aprender, dominar e for eficaz nesse tipo de ação e de conhecimento, será extremamente eficaz na política do Século XXI.












