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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Memória Cadavérica #39 — Antissemita?


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: resposta deixada a um grupo católico.


>vocês 


Eu estou apenas traçando a origem do termo.


Não estou dizendo algo que eu particularmente acredite, mas explicando como o termo surgiu dentro da lógica interna do grupo.


Se a teoria é antissemita, eu explico a lógica antissemita que está dentro do discurso. Do mesmo modo, se a teoria é feminista, conservadora, progressista, whatever. E é basicamente o que eu sempre fiz como intelectual. Seja analisando teologia judaica, teoria queer, islamismo, anarco-capitalismo, feminismo, catolicismo, etc.


Até porque o que eu sempre trabalhei foi a "engenharia mental reversa" adotada dentro da esfera da interpretação intelectual.


Se toda vez que eu fizesse alguma análise sobre algo, explicando como dada cosmovisão surge dentro de um universo própio, eu teria que ser ao mesmo tempo feminista, machista, judeu, católico, queer, tradicionalista, progressista, neopagão, anti-conspiracionista, pró-conspiracionista, antissemita, sionista, reacionário, comunista, etc.


Quando eu escrevo algo sobre o Olavo de Carvalho, estaria eu sendo olavista? Quando eu escrevo algo sobre Deng Xiaoping, estaria eu sendo um socialista de mercado? Duas coisas ao mesmo tempo? Do mesmo modo, quando eu explico o conspiracy warfare (guerra conspiratória), estaria eu sendo um teórico da conspiração?


Quando eu trago a obra do intelectual norueguês Egil Asprem, que é CRÍTICO DO ESOTERISMO A EXTREMA-DIREITA, seria eu um PROGRESSISTA DE ESQUERDA ATUANDO CONTRA A CONSPIRITUALIDADE SOMBRIA?


Aí é que está. Existe diferença entre a análise intelectual e a promoção doutrinária de algo.


Do mesmo modo, quando eu trago o Alain de Benoist, da direita francesa, eu teria que ser pagão e de direita, mas, no dia seguinte, ao trazer um artigo do Journal of Bisexuality, eu teria que ser um bissexual militante lutando contra o monossexismo de homossexuais e héteros. As duas hipóses teriam que ser dadas como verdadeiras.


Se formos adiante, ao analisar Nick Land eu seria um neorreacionário querendo o aceleracionismo ultracapitalista ao mesmo tempo que, no dia seguinte, eu teria que ser um tomista ao analisar os cursos tomistas.


Essa é a capacidade de sair do dogmatismo que o próprio Olavo de Carvalho falava. É a investigação livre dos demais diversos temas e a capacidade de formar um raciocínio não dentro de um prisma teológico (onde há a aceitação doutrinária), mas de uma análise filosófica do debate público (vendo o que concorda ou discorda pontualmente).


Leia Agnosticismo Metodológico:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2021/10/agnosticismo-metodologico-ou-da.html

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Memória Cadavérica #38 — A Revolução do EU TE AMO



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.



Contexto: relato deixado em um grupo católico, corrigi e expandi o texto para deixá-lo mais preciso.

Você irá orar por sua família, ela irá orar por ti. Você irá malhar, e ignorar a cultura não cristã. Você será cristão. E abandonar o passado. Tal como disse o cristão  pro pagão que se convertia: queimas o que adorastes e adoras o que queimastes. Foi o que disse um missionário cristão. É o que eu digo.


Queimas a cultura channer e torna-te cristão. Queimas a cultura neoconservadora e torna-te cristão. Queimas o que te separas de Cristo. Tudo o que te separou de Cristo. E adoras a Cristo. Somente a Cristo. E a Igreja que ele criou. Estou falando com minha mãe. Pela primeira vez. Em anos. Falando de verdade.


Ela fala que estou no caminho correto. Que devo me entregar a Cristo. E isso basta. Antes de entrar nesse grupo. Eu não orava. Não dizia eu te amo. Nem pro meu pai. Nem pra minha mãe. Hoje eu sempre digo.  Te amo, pai. Te amo, mãe. Claro preciso melhorar ainda mais. Preciso ir pra igreja regularmente. Preciso me integrar a minha paróquia. Tal como diz o Little Jhon (CAT)⁩. Minha mãe  me vê, diz que eu estou mudando. Antes eu só ligava pra minha mãe para pedir dinheiro. Pra teste de gravidez. Sempre de uma mulher aleatória. Hoje eu acordo. Rezo o terço. E falo pra minha família: eu te amo.


Uma coisas que eu aprendi, nesses tempos. É dizer "EU TE AMO". Claro, eu sou desorganizado, negligente, mas estou melhorando. Tudo por causa desse grupo. E de outras coisas também. Muito obrigado! Minha mãe até estranhou. Hoje foi a primeira vez que liguei para ela. Não para pedir dinheiro. Para uma balada aleatória ou para mais um teste de gravidez ou pílula do dia seguinte. Mas para eu dizer "Eu te amo". Eu não sei o quanto ela estava decepcionada comigo, mas eu sei que ela se sente mais confortável até porque eu não sou mãe e nem sou pai, mas tô por causa disso, digo obrigado!


O engraçado é que liguei pra um amigo meu. Ele se tornou CLT e disse como é mágico pra ele dizer "Eu te amo pra mãe dele" e que outro amigo ligou pra ele. Ligou para dizer que estava dizendo "eu te amo" pra mãe dele. É impressionante como estamos na sincronia. É impressionante como aprendemos a dizer "Eu te amo" para nossas mães ao mesmo tempo.


Por todo esse tempo, buscamos teoria para tudo. Além disso, buscamos vadiagem e revolução para tudo. Porém o que aprendemos é que "dizer eu te amo", de forma sincera e honesta, para nossa família e os nossos amigos, era tudo que precisávamos. Estava até feliz por eu ter aprendido a dizer "Eu te amo". E eu estava feliz que ele aprendeu a dizer "Eu te amo" também. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Memória Cadavérica #37 — A Mística, O Desespero e O Abandono

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: relato deixado em um grupo católico, corrigi e expandi o texto para deixá-lo mais preciso.


Eu lembro do que ocorreu uma vez. Há um tempo atrás. Falo há um tempo atrás e fazem dois anos, visto que foi em 2024. Namorava uma mulher árabe, uma comunista. Era uma comunista de primeira, visto que treinada por anos de militância. Por algum motivo, caminhávamos pelo centro de São Paulo. E eu vi uma Igreja. Senti que precisava entrar lá. Não saberia dizer a razão, apenas sentia que precisava. Perguntei se ela queria entrar.


É interessante. Hoje vejo que dizer que quer entrar em uma Igreja pra uma comunista de carteirinha é algo muito estranho, mas ela me acompanhou. Pouco tempo depois, e de algum modo, eu me pus de joelhos ali. Fechei os olhos, queria orar. Por um momento, rapidamente. Eu vi que flutuava em um espaço. Em um estranho céu azul límpido e claro. Ele era pacífico e cheio de nuvens. Então uma lança atravessou meu coração. Ela me atravessava por baixo, eu flutuava por cima. O sangue do meu coração foi descendo pela lâmina. Descia infinitamente. E o sangue que escorria, tal como uma nascente, criava uma catedral.


Por algum motivo isso me fazia chorar. Hoje, contando tudo, vejo que não foi a minha primeira visão. Já me vi ajoelhado perante Maria, chorando copiosamente. Já vi a Igreja, do teto, e uma estanha luz azul que parecia ser a conexão com Espírito Santo.


Diante do incompreensível de tais visões, decidi não ir mais. Senti medo. Medo real de estar enlouquecendo toda vez que pisasse numa Igreja. É algo que, se por um lado, é belo. Tão belo que me faz chorar. Também é algo que me dá medo de estar enlouquecendo. Talvez seja só um motivo estranho de um homem estranho.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Memória Cadavérica #36 — Renan Santos será SURPREENDENTE nos debates!


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: um comentário solto deixado no Threads. Deixei um pouco mais expandido.


Eu, em meus anos lendo as mais diversas bandas políticas, religiosas, filosóficas e doutrinárias — e o blogspot Cadáver Minimal é a prova disso —, afirmo com convicção que o nível intelectual do Renan Santos é extremamente superior aos outros direitistas que vão disputar contra ele em 2026.


Não, não estou aqui "endossando" voto algum, apenas alertando para o simples fato de que ele chegará "esmurrando argumentativamente" todos os outros da direita no debate. 


É impressionante a capacidade do Renan em articular diversas escolas de pensamento em suas linhas de raciocínio e isso deveria ser fortemente considerado. Basta olhar todas as suas entrevistas recentes e se perceberá a genialidade do rapaz.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Memória Cadavérica #35 — Pra NÃO dizer que NÃO TENHO ideologia

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: um comentário solto deixado no Threads. Deixei um pouco mais expandido.


A minha ideologia é composta por três elementos:

1 Churrasco;

2. Regado a cerveja;

3. Com reprise dos finais da copa que o Brasil ganhou;

4. Com música Summer Eletrohits tocando no fundo.


Quem não gosta de um bom churrasco? Podemos usar o churrasco texano, argentino, gaúcho, tudo que for de bom. Cerveja também é sempre bom. Ver os finais que o Brasil ganhou é sempre bom também. Summer Eletrohits é a trilha sonora perfeita para complementar isso tudo.

Memória Cadavérica #34 — Tornar-se o que Odeia


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: um comentário solto deixado no Threads. Deixei um pouco mais expandido.


Opinião impopular:

Se você odeia algo, maior é a possibilidade de você se tornar esse algo. Se você odeia religiões, maior é a possibilidade de se tornar religioso. Se você odeia a esquerda/direita, maior é a possibilidade de você se tornar esquerdista/direitista. O ódio cria muita proximidade e a proximidade cria possibilidade de transformação.


— O que devo fazer então?

Tornar-se indiferente.

Memória Cadavérica #33 — Bleach X Naruto

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: um comentário solto deixado no Threads. Deixei um pouco mais expandido.


Uma prova cabal que Bleach é infinitamente melhor do que Naruto é o simples fato dele não ter heróis, apenas gente moralmente ambígua. E essa zona mais acizentada é mais interessante.


Tal como na vida real, para quem está acostumado a estudar múltiplos sistemas de pensamento, toda humanidade (e as ideias e ideais dessa mesma humanidade) é um recorte de falhas grosseiras. Leiam as críticas aos múltiplos sistemas e verificará que todos erram em múltiplos pontos. Isso torna Bleach assustadoramente mais realista que o Naruto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Memória Cadavérica #32 — Por que jogo Hogwarts Legacy apesar das opiniões da autora?


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: resposta a uma amiga.


Uma das principais técnicas intelectuais é a utilização de múltiplos fragmentos de sistemas distintos.


Uma das principais vantagens da cristandade foi a utilização e adoção de tecnologias e de autores que os islâmicos empregavam.


Paralelamente, a queda do Império Otamano se enquadra na rigidez intelectual. Isto é, não adotavam as novas tecnologias inventadas por cristãos por eles serem cristãos.


Se o Renascimento Islâmico esteve correlacionado ao conhecimento de Aristóteles, o Renascimento Cristão no século XII e o aumento de produtividade ocidental posterior ao livre exame e o crescimento do pensamento burguês (livre pensamento)... A decadência do mundo islâmico correlacionou-se com a rigidez intelectual.


Do mesmo modo, a direita perdeu a guerra cultural de 1968, mas aprendeu com os erros estudando intelectuais de esquerda. De semelhante maneira, a decadência da União Soviética está intrinsecamente correlacionada ao ortodoxismo marxista.


Enquanto que a ascensão chinesa se correlaciona a adesão de múltiplos modelos internos de forma heterodoxa. Os Estados Unidos, por outro lado, adota a perseguição ideológica e proibição de livros.


A longo prazo, o fechamento intelectual da esquerda é uma estratégia de emburrecimento coletivo e alienante, que dá margem para conservadores assumirem caminhos mais amplos...


A guerra fria civil brasileira, isto é, tensão cultural alimentada sem conflito civil direto, termina numa longa vitória cultural da direita. Mesmo que o poder político da esquerda seja remanescente.


Dito isso, a melhor estratégia cultural é o gozo e usufruto de múltiplos produtos, não importando de onde venham. Visto que a vitória cultural depende da abarcância e penetração das mensagens em múltiplos áreas distintas. E é a vitória cultural que ditará, posteriormente, a vitória política.

domingo, 16 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #31 — Em vez de chamar de extrema-direita...

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: postagem no Threads. Expandida para fins de recordação.


A esquerda e a mídia precisam parar de escrever "extrema-direita". É uma estratégia que não funciona mais. Muitos direitistas apenas olham e dizem: "sou de extrema-direita mesmo". 


Seria infinitamente mais útil pegar comentários racistas, misóginos, LGBTfóbicos, xenofóbicos e exibi-los indefinidamente. Essa estratégia ganha "fator turbo" no período eleitoral.


Exemplos:

- Política ou discurso antimigracionista no Sul contra nordestinos = ódio contra nordestinos = exiba as mensagens ou as políticas do Sul no Nordeste em massa = direita perde base eleitoral no Nordeste;

- Discurso LGBTfóbico em redes sociais ou políticas públicas LGBTfóbicas em qualquer local do Brasil = ódio contra LGBTs = exiba as mensagens ou as políticas LGBTfóbicas para LGBTs em massa = direita perde base eleitoral entre LGBTs.


Infelizmente vocês não estão prontos para essa malandragem. No período eleitoral, vira até autofire. Qualquer discurso, qualquer política, em qualquer ponto que seja: pode e deve ser usado contra o próprio criador do discurso. Isso é uma estratégia mais inteligente do que ficar escrevendo "extrema-direita" indefinidamente, visto que essa relatividade conceitual gera receio até entre a centro-direita.


Se você pega os males discursivos ou políticas enlouquecidas da direita woke (você lembrou de pesquisar "woke right" no Google, não é? Essa é a milésima vez que escrevo isso), ninguém vai querer ser identificado como apoiador delas.


Isso fará que eles tenham um número limitado de escolhas:

1. Acusar uns aos outros;

2. Pedir perdão público;

3. Deixarem de praticar políticas divisíveis.


É evidente que você também não pode praticar os mesmos exageros retóricos. Dizer que "pessoas ricas têm muito privilégios nesse país com baixa distribuição de renda" é muito melhor do que dizer "brancos têm muito privilégio nesse país". Você precisa tornar os seus adversários reféns verbais das próprias palavras que eles proferiram sem que você se torne refém verbal das suas palavras também.


Claro, isso é só um "conselho bobo" de um escritor mequetrefe sem influência alguma. No fim, minha opinião ou a ausência dela não impactam em nada.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #30 — Sobre Christopher Buckley e Rick Wilson

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: creio que quando escrevi essa breve nota, estava lendo "Thank You for Smoking" do Christopher Buckley. Realizei algumas alterações, como deixar o texto maior.


A forma satírica e a escrita do conservador Christopher Buckley é extremamente brutal. Ele apresenta tudo que um conservador deveria ser: inteligente, engraçado, cauteloso em suas posições, além de apresentar uma mistura de cultura popular e erudita.


Uma pena que o conservadorismo letrado se afasta cada vez mais do conservadorismo das massas — veja, por exemplo, o bolsonarismo e o trumpismo. Qualquer conservador como Rick Wilson e Christopher Buckley seria chamado de esquerdista no Brasil pela legião de pseudoconservadores desmiolados.


A geração trumpista e bolsonarista afastarão milhares ou milhões de acadêmicos e futuros acadêmicos que poderiam ter sido conservadores, mas que viram no conservadorismo um carnaval sem fim de teorias da conspiração, negacionismos de todas as espécies, sensacionalismos, produção de pânico moral, ódio às pessoas LGBTs e revisionismo histórico.


Negros terão que olhar para a revisionismo histórico sobre a escravidão, ver-se-ão afastados do conservadorismo. LGBTs, sobretudo pessoas transgêneras, verão o espetáculo LGBTfóbico do Project 2025. Olharão para milhões de mortes na época da Covid, e verão o uso obsceno de teorias da conspiração como tática política. Nada disso é, à longo-prazo, positivo.


Caberá aos conservadores intelectualizados construírem um movimento separado e discreto, longe do bolsonarismo e trumpismo. E, acima de tudo, CONTRA o bolsonarismo e o trumpismo. O que atrará meia dúzia de pessoas verdadeiramente interessadas nas escolas de pensamento conservadoras.

Memória Cadavérica #29 — A Arte Política

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: originalmente postado no threads, expandido para melhor estrutura argumentativa.

Aviso: postagem com objetivo satírico.


Política pra gado:

- Figurinhas políticas pra quem não é inteligente o suficiente para estudar uma escola de pensamento.

Aqui estão os entusiastas que tratam celebridades pops da política como se fossem cantoras de música pop.

Política idealista:

- Escolas de pensamento que nunca se efetivam 100% na realidade. Debates pautados em vieses de confirmação onde a escola predileta é tido como santa e a escola de pensamento rival é tida como demoníaca.

Aqui estão as pessoas que acreditam piamente em uma escola de pensamento, sendo incapazes de fazerem sínteses de múltiplas escolas de pensamento, levando a uma auto-limitação intelectual grosseira.

Política pragmática:

- Estuda diversas escolas de pensamento e pensa num modelo .

Aqui estão aqueles que realmente deveriam governar e também a forma com que as pessoas deveriam estudar política, visto que só estes são capazes de gerar boas ideias, baseados no ceticismo e na prudência, tendo um experimentalismo comedido pela fusão de múltiplas ideias sintéticas. Entram aqui pessoas ilustres como Deng Xiaoping e Alexander Hamilton.

Política real:

- Psyops, guerra informacional, memética, guerra cognitiva.

Aqui está como a política realmente funciona. Uma permanente guerra de narrativas na qual várias mensagens são estudadas para ter efeito narrativamente positivo.

Memória Cadavérica #28 — Normies e condicionamento comportamental



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: originalmente postado no threads, expandido para melhor estrutura argumentativa.

Aviso 1: "normie" é redditspeak e não chanspeak.

Aviso 2: "normie" seria aquilo que chamamos de pessoas normais, porém no sentido de serem genéricas.

Um(a) normie precisa sempre se questionar:


- Será que homens/mulheres gostam disso?

- Será que os(as) outros(as) acadêmicos(as) curtiram/curtirão?

- Será que vou conseguir uma parceria romântica com isso?


O(a) normie mede as suas ações com base na aceitação social/romântica que conseguirá de acordo com determinada ação. Em outras palavras, são movidos(as) pela carência. Isso é simplesmente patético.


Sai uma pesquisa que diz: "mulheres/homens (não) gostam de homens/mulheres que fazem isso". E, de repente, todos entram em uma reforma comportacional para ser objeto de adoração/aceitação. Do mesmo modo, aparece um: "socialistas/conservadores/liberais de verdade são assim". Do nada, todo mundo se ajusta ao comportamento coletivo.


Grande parte dos movimentos políticos contemporâneos se baseiam na carência para com os grupos que as pessoas se inserem. É como se o integrante tivesse que se questionar se determinado movimento ou fala poderia se encaixar bem ou não dentro da lógica do grupo.


Código do comportamento esperado = internalização do código para a aceitação social/romântica.


No fim, todo mundo precisa balançar bem o rabinho (aceitar e imitar o comportamento julgado adequado) para os mais amplos modismos que são sugeridos.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #27 — Muitas pessoas SÃO BISSEXUAIS e NÃO SABEM

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: postado previamente em um fórum.


É impressionante a quantidade de "héteros" que acham normal se relacionarem com pessoas do mesmo sexo. Para se ter uma ideia, isso ocorre até mesmo dentro das cadeias. Isso com uma ambientação mental cheia de desculpas para apagar e invisibilizar a bissexualidade.


De uma maneira geral, a pessoa que exerce o papel ativo é diferenciada da pessoa que exerce o papel passivo. O que abre margem para relativização do termo hétero. Isso ocorre com todo o tipo de gente, o tempo todo. O principal problema da bissexualidade é a invisibilização da sua identidade.


O fato da orientação bissexual ser excluída da mídia e do senso comum abre pretexto para uma confusão enorme. Só ler o "Jornal of Bisexuality" para se ter uma noção. Foi lendo que eu descobri mais sobre o mundo e sobre mim.


Creio que eu ser um bissexual assumido abriu margem para toda uma série de experimentações. Estudar teoria queer bissexual me fez compreender que posso ser epistemologicamente bissexual, brincando com os mais diversos conceitos e escolas de pensamento de maneira diversa. Tudo de maneira artística, com diferentes matrizes de pensamento. Preocupando-me com a vida intelectual como um estado de arte.


O interessante da teoria queer bissexual é que ela fala que a bissexualidade é estar entre os mundos. E estar entre os mundos epistemologicamente é usar os mais diversos meios intelectuais para criar artisticamente a vida intelectual. Esse ponto demonstra o quanto a bissexualidade pode impactar até mesmo a visa intelectual. Conceitos como monossexismo e monodissidência são muitos caros para nós.


Se a bissexualidade fosse mais aceita e visível, teríamos uma sociedade melhor. Com pessoas mais experimentais e menos dogmáticas: seja na cama, seja na cabeça.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #26 — Inadequação ao Debate Público Brasileiro



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: resposta a um amigo no Discord.


Creio que um grande problema que tenho com o ambiente brasileiro é a minha inadequação. Eu nunca me adapto ao ambiente e tampouco acho interessante o que produzem por aqui. Anteriormente eu tinha um interesse, mesmo que vago, na mídia e no desenrolar das condições políticas e econômicas que se construíam.

Com o passar do tempo, percebi que grande parte do que via era uma reprodução de qualidade duvidosa. Após aprender a ler em inglês, espanhol e francês, vi grande parte de um debate que anteriormente não tinha conhecimento. Percebi que estávamos atrasadíssimos e que grande parte das novidades não adquiria a substância que deveria.

Exemplos:

- A tradição Red Tory (Conservadorismo Vermelho) nunca chegou oficialmente ao Brasil;

- O neohamiltonianismo, o conservadorismo nacionalista, sobretudo a sua produção na American Compass, nunca adentrou no debate nacional;

- O socialismo de mercado, na China, no Vietnã e em Laos, é pouco estudado e o debate é tratado aos barros por trotskistas e stalinistas que lutam para o retorno de um "marxismo puro" ou seja lá o que isso for;

- Até hoje, poucos são os que pesquisaram o termo "woke right" (direita woke) e descobriram que a direita também é woke e que o wokeísmo é uma estrutura comportacional;

- Muitos poucos estudaram Kevin Carson, um defensor moderno do mutualismo e da linha de Proudhon, defensor do anticapitalismo de livre-mercado;

- A regulamentação da internet se reduz a pura e simplesmente a regulamentação das redes sociais, nunca adentrando em sites que não são redes sociais e nunca adentrando em assuntos essenciais como guerras cognitivas, guerras informacionais, operações psicológicas, intervenções eleitorais provindas de países estrangeiros;

- Debates como ecologia, antiwork (anti-trabalho) e pirataria não tomaram a proporção que deveriam;

- Ausência de compreendedores de múltiplas escolas de pensamento, não em nível de só compreender escolas de esquerda, centro ou direita, mas de compreender múltiplos lados de vários espectros políticos.

Com um debate nacional desses, o Brasil não precisa de inimigos. Será sempre o mesmo gerador de esterilidade contínua. Sem inovações reais devido a necessidade crônica de agradar os bandos ideológicos.

Memória Cadavérica #25 — Fiscal de Masculinidade

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: texto originalmente postado em um fórum.


Hoje em dia, um fenômeno cresce na internet: o(a) fiscal de masculinidade.


Frases como:

- Homem de verdade;

- Homem com "H" maiúsculo;

- Homem tradicional;

- Virilidade.


Tudo isso cresce como mato em floresta. Dali por diante, vários cursos vão sendo construídos. Nasce até mesmo a indústria da redpill, que avidamente procura o red money (pessoas que pagam por conteúdo redpill).


Todo mundo quer homens músculos e fortes (ui), reforçando papéis de gênero que muitas vezes não são construídos na base biológica, mas através de construção social. Há toda uma confusão epistemológica entre quais aspectos são biológicos e quais aspectos são sociológicos.


Eu mesmo não posso me enquadrar como "homem tradicional". Nesse Halloween, por exemplo, escrevi um ensaio em inglês chamado "Homo est spectaculum hominis" e fiz drag para celebrar o Halloween "Goth Drag Queen". Em outras palavras, ritualisticamente quebrei o círculo da masculinidade.


O problema da indústria da masculinidade tradicional é que existem pessoas que nunca se enquadrarão nela e muitas pessoas são condenadas a um sistema em que todo mundo deve comprovar a masculinidade o tempo todo, a todo momento. Como bissexual, isso é particularmente problemático.


O que usar saia ou maquiagem tem a ver com a biologia masculina? O que usar rosa tem a ver com a biologia masculina? Absolutamente nada.


Encaixar-se ou não no modelo de masculinidade hegemônico não deveria ser motivo de vergonha, martírio ou medo. Muito pelo contrário, as pessoas deveriam ser livres. E a sociedade não deveria entrar naquilo que Freud veria como repressão desnecessária.

Memória Cadavérica #24 — ConVERsadorismo Brasileiro


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: resposta a um usuário do Threads.


Conservadorismo ≠ tradicionalismo moral


Exemplo são: Rick Wilson, Stuart Stevens, Christopher Buckley, Nelson Rodrigues, Pondé, conservatários.


Pare de pegar esse reacionarismo pop e achar que tem conservadores, VOCÊ NÃO TEM. Não existe conservadorismo no Brasil, ninguém estuda múltiplas escolas conservadoras por aqui. O que há aqui é, no máximo, um conVERsadorismo de reacionários estultos e sem compreensão do que falam. A maior prova disso é: quase 100% da direita nacional atual é uma DIREITA WOKE.


Ninguém sabe SEQUER a diferença entre:

- um hamiltoniano;

- um Red Tory;

- um federalista;

- um neohamiltoniano (leia American Compass);

- um neoconservador;

- um conservatário.


Leia:

https://www.perplexity.ai/search/2a512747-8387-4cf2-89ff-20f6c03c2e60

(Política da empresa Meta para promover reacionarismo pop)


No máximo, o que há no Brasil é:


- Uma direita woke (pesquise woke right no google, termo que foi inventado pelos próprios conservadores para definir gente mau caráter que se arroga do nome "conservador" pra promover wokismo de direita);

- Um reacionarismo pop;

- Um tradicionalismo hipócrita, burro e capanga.


Ninguém aqui sabe o que é conservadorismo. Ninguém aqui leu múltiplas escolas de pensamento conservador. Ninguém aqui sabe COISA ALGUMA de conservadorismo. Ninguém sabe quem é Christopher Lasch e quem é Patrick Deneen, tampouco chegou a conhecer o conservadorismo anticapitalista que eles representam. Ninguém leu as críticas conservadoras ao Donald Trump de Rick Wilson e Stuart Stevens.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #23 — Teoria da Internet Morta JÁ É REALIDADE

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Você conhece a teoria da internet morta? Nela, a maioria das postagens são geradas por bots e a internet vira um fluxo de postagens de bots interagindo com bots.


É interessante como as coisas são. Anteriormente a teoria da internet morta era apenas uma creepypasta. Uma creepypasta que se tornou, para muitos, uma teoria da conspiração.


Hoje em dia, com IAs cada vez mais poderosas, podemos ver que há uma direção progressiva na internet: isto é, a concretização da teoria da internet morta.


Você olha e pensa: uma teoria horrenda, um conto de terror, se tornando real. A tecnologia, a nossa disposição, é utilizada para criar um terror existencial real.


Eu já não tenho grandes expectativas. Afasto-me da internet e vou me aproximando de livros.


Houve um tempo que odiava a televisão. Preferia consumir conteúdo da internet. Depois de um tempo, afastei-me do mainstream digital. Hoje em dia, afasto-me até do underground digital. A internet se tornou tão tediosa quanto a televisão.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #22 — O Mapa Completo da Esochannealogia

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


https://drive.google.com/drive/folders/1XrJj772czH4OPLsUZjLDwZlh6vszzcOo


Tá aí. Eu finalmente consegui desfragmentar todo esoterismo channer (esochannealogia). Só demorei 13 anos.


Vamos às três famílias da esochannealogia (cultura channer esotérica):


Esoteric Kekism: já estava na Internet, mas em fragmentos, achei o livro só depois, o que foi bastante útil;


Dificuldade de encontrar: razoável, só precisava que alguém a pirateasse.


Magolosofia: tive que pegar vários fragmentos do que eu sabia, vários textos sobre chans, várias técnicas encontradas, a história do QAnon, a história do Kek e da Kauket, tudo para gerar um documento que sistematizasse as técnicas channers em um sistema;


Dificuldade de encontrar: extremamente difícil, tive que estudar a cultura channer inteira e transformá-la em arquétipos.


Esoteric Kantism: tive que recolher fragmentos dispersos no /x/, no /lit/ e em outros chans, mas o print que achei no Reddit foi o mais esclarecedor.


Dificuldade de encontrar: essa parte é mais difícil de entender, não de encontrar.


Quem criou essa coisa toda não estava afim de que tudo fosse desfragmentado. Mas agora é possível uma sistematização real da esochannealogia. Coloquem tudo em uma IA e se surpreendam. Finalmente poderemos descobrir todos os mistérios não resolvidos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Memória Cadavérica #21 — Vida Intelectual

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Sou um intelectual extremamente vagabundo, só estudo o que gosto de estudar. Posso ler um livro atrás do outro, mas faço por uma curiosidade natural e por uma inclinação volitiva. Admito, porém, que tenho uma bissexualidade intelectual enorme, estudo um pouco de tudo. Sou um poliamorista das letras.

Memória Cadavérica #20 — Brasil na Eterna Adolescência

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


O Brasil inteiro é uma adolescência sem fim. O ódio e o amor ao socialismo é coisa de adolescente, o ódio e o amor ao capitalismo é coisa de adolescente. Toda figura, sistema ou condição, tudo é sempre encarado de uma forma sem nuances. Ou totalmente bom, ou totalmente ruim. Não por acaso, nossos conservadores são adolescentes. Nossos socialistas são adolescentes. Ninguém vê os próprios erros e tampouco é capaz de citar múltiplos pontos de uma mesma escola. Só existem fetiches mentais.