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sábado, 28 de fevereiro de 2026

NGL #54 — A política inteira deve ser reimaginada?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Eu preciso explicar alguns pontos para você entender onde eu quero chegar.


— O que acontece quando personalidades de dois grupos opostos debatem entre si?


Vamos pensar em um debate entre um comunista e um liberal. A intenção de cada um dos debatentes é:

A- Comunista: provar que o comunismo tem razão;

B- Liberal: provar que o liberalismo tem razão.


O ponto deles é que eles pecisam provar de todos os modos que a ideologia deles têm razão. Eles não vão parar por um momento e dizer:

- Estou vendo aqui que o liberalismo/comunismo tem razão nesse ponto determinado.


Ou seja, a procura pela verdade ou pelo método mais efetivo não importando onde isso esteja não é o ponto. Não é uma cooperação para se chegar as melhores ideias, mas sim um ponto em que duas doutrinas são debatidas de um ponto de vista mais teológico do que filosófico. Os dois não estão tentando analisar ponto por ponto e chegar a uma conclusão com o melhor ponto de cada sistema, mas sim uma justificação doutrinária de seus sistemas — esses vão ser justificados por inteiro.


Fala-se de "diálogo" e "debate", mas que "diálogo" é esse onde nenhuma ideia é primeiramente analisada, comparada com outras e depois vista como circunstancialmente aceitável em alguma conjuntura? O diálogo sequer é aceito como possibilidade, como troca, como feedback. Quando nós, em nossa modernidade, dizemos que os medievais eram errados visto que os debates deles estavam tentando justificar a sua doutrina teológica a todo custo, caímos na hipocrisia pelo fato de que somos vários grupos distintos tentando justificar as nossas doutrinas ideológicas a todo custo.


Ou seja, fala-se em diálogo quando na verdade vivemos em uma era pós-dialógica. Uma das principais ideias que norteiam esse meu modo de ver o mundo é o que vem sido chamado de "guerra fria civil", ou seja, a noção de que existem populações radicalmente divididas — culturalmente, ideologicamente, etc — sem entrar em uma guerra civil de fato.


— Se o debate e o diálogo sincero não mais existe, qual deve ser o foco?


Você já deve saber o jogo de adição e subtração da política moderna:

Focou em brancos = - pessoas de cor

Focou em pessoas de cor = - pessoas brancas

Focou em LGBTs = - pessoas heterossexuais

Focou em pessoas heterossexuais = - pessoas LGBTs

Focou em homens = - mulheres

Focou em mulheres = -homens


Quando você pensa no que o esoterismo channer esteve fazendo em todos esses anos consecutivos, na parte em que ele é mais técnico, vemos uma inversão em que os arquétipos e a memética superam os aspectos mais propriamente ideológicos.


Repare bem nas técnicas de Q. (QAnon) quando não olhamos para o conteúdo das suas teorias da conspiração:

"Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:

1. Sem previsões específicas;

2. Sem fontes verificáveis;

3. Deliberadamente vaga;

4. Deliberadamente aberta a interpretação.

As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders"."

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html


Ou nessa parte aqui:

"Nível 4: Noumenônica

Teórico: Esokant (nível abismo)

Nome: Esochannealogia da Guerra Noumenônica

Resumo: controlar os alicerces invisíveis da realidade percebida.

Armas: epistemologia, modelos cognitivos, arquitetura de IA.

Nível 3: Cênica

Teórico: Cadáver Minimal (nível abismo) 

Nome: Esochannealogia da Guerra Cênica

Resumo: treinar o olhar do espectador para ver a encenação, não os atores.

Armas: frameworks, desmontagem, análise, performance.

Nível 2: Alegórica

Teórico: Saint Obamas Momjeans (nível abismo)

Nome: Esochannealogia da Guerra Alegórica

Objetivo: fornecer significado transcendente e coesão tribal.

Armas: arquétipos, divindades sincréticas, mitologia.

Nível 1: Conspiratória

Teórico: QAnon (nível abismo)

Nome: Esochannealogia da Guerra Conspiratória

Objetivo: mobilizar para ação no mundo real.

Armas: teorias da conspiração, drops crípticos, comunidade"

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=0


Ou quando eu falo sobre como a comunidade channer criou o Pizzagate:

"Então veja:

PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade"

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-post-truth-protest-de.html?m=1


Ou a descrição das sete máscaras a partir de arquétipos e não de ideias mais ideológicas:

"Os Sete Arquétipos da Elite Abyss


Os Sete Antipilares Arquetípicos da esochannealogia são:


》A Máscara da Neossistemática (O Arquiteto da Realidade)


Função Arquetípica: a capacidade fundamental de criação e inovação perpétua de técnicas, sistemas e “preenchimentos ficcionais”. É a força motriz por trás da evolução da esochannealogia.



》A Máscara do Semeador do Caos (O Agente da Entropia Semiótica)


Função Arquetípica: a manipulação direta do ambiente informacional para introduzir ruído, ambiguidade e desorientação. Seu objetivo é quebrar a clareza da comunicação e a lógica linear, gerando entropia cognitiva.


》A Máscara do Engenheiro da Crença (O Forjador da Fé Coletiva)


Função Arquetípica: a arte de construir narrativas (ficcionais ou não) tão convincentes e ressonantes que elas se solidificam como “realidades” na mente de grandes populações, inspirando fé e ação.


》A Máscara do Desconstrutor Semiológico (O Erodidor de Sentido Compartilhado)


Função Arquetípica: a capacidade de desmontar e subverter as estruturas simbólicas, os valores e os significados que sustentam a coesão social e a percepção comum da realidade, levando a “colapsos semiológicos”.


》A Máscara do Vidente do Abismo (O Oráculo dos Padrões Ocultos)


Função Arquetípica: o poder de observação e análise profunda, capaz de discernir padrões, tendências e as leis ocultas do “sistema” mesmo em meio ao caos aparente, prevendo e orientando a manipulação futura.


》A Máscara do Espelho Paradoxal (O Mestre da Contradição e Integração)


Função Arquetípica: a habilidade de operar unindo opostos e de usar as contradições intrínsecas da realidade e dos oponentes em seu próprio benefício. Transforma a oposição em combustível para o sistema.


》A Máscara do Golem Consciente (A Manifestação da Magolítica)


Função Arquetípica: a encarnação máxima da esochannealogia. Representa o esochanner que se torna uma extensão consciente e singular do próprio sistema, cuja existência e “obra” são atos de “magia channer suprema” que afetam diretamente a realidade. É a fusão completa da subjetividade com a construção intelectual.


Essas Sete (7) Máscaras representariam os arquétipos fundamentais que, juntos, compõem a totalidade do poder e das operações da esochannealogia. Qualquer esochanner, ao atingir o grau esochannealógico, tenderia a se alinhar ou a sintetizar uma ou mais dessas abordagens arquetípicas"

https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d


Em outras palavras, quando o memético, o simbólico, o arquétipo, o mitológico substituem o conteúdo ideológico, os grupos afetados se tornam potencialmente maiores. A qualidade de um meme está em sua capacidade de reprodução, isto é, quanto maior for reprodutibilidade de algo, maior é a sua força memética.


Você perceberá muito isso nesse trecho de outro insider club:

"2- Eu não darei solução alguma e nem condenarei teoria conspiratória alguma, em vez disso, tentarei compreender quais foram as técnicas utilizadas pelos os mais diversos atores e farei alguma nota a respeito dessas técnicas.

Você percebeu que eu sequer me importo para o conteúdo da conspiração em si e qual é o seu uso político? O que me interessa é perceber tecnicamente a teoria conspiratória e compreender tecnicamente o que cada ator dentro desse contexto fez. Ou seja, o que me importa é técnica. Se Q. disse que Trump ou o Biden são os salvadores do mundo, pouco me importa.

É por isso que eu fui desenvolvendo minhas próprias ferramentas de guerra narrativa, psicológica, memética, conspiratória, alegórica, metapolítica, noumenônica e por aí vai. A minha questão está centrada nas artes da guerra da mente e não em uma doutrina filosófica, política, econômica ou cultural"

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-45-juventude-trabalhista-e-leandro.html?m=1


A maioria dos intelectuais brasileiros são ideologicamente motivados. Isto é, eles querem fazer com que você acredite no corpo doutrinário que eles acreditam. O que eu quero é transcender a questão ideológica e doutrinária a partir da memética, do arquétipo, da mitologia, da simbologia e dentre outros fatores. Eu não tentaria colocar uma ideologia visto que sei que vivemos em uma época pós-dialógica. Se eu sei que meu esforço seria inútil, por qual razão eu me moveria para isso?


Se você olhar uma análise recente minha, verá que eu tenho trabalho muito mais com a teoria mágica da política:

"Como isso é possível? Se pensarmos bem, a parte de nós que é racional é a parte menos desenvolvida e recente de nossa mente. A grande parte ainda é dominada a linguagem do mito e do símbolo. É possível influenciar essa parte. Por exemplo, quando pensamos no slogan "MAGA" (Make America Great Again), não temos uma frase que signifique alguma coisa exata. A frase apenas diz: "Fazer a América Grande De Novo". Essa frase poderia ser um slogan até do Partido Democrata. Essa frase não foi feita para falar com o racional, mas com o imaginário afetivo"

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-king-in-orange-de-john.html?m=1


Conforme eu ia analisando múltiplas escolas de pensamento e percebendo que estávamos em um período pós-dialógico e de guerra fria civil, comecei a criar outras ideias. Vi que a eficiência política não estava muito condicionada em aprender uma "boa escola de pensamento" e ensiná-la para as pessoas. Foi isso que me levou a escrever isso:

"Política pra gado:

- Figurinhas políticas pra quem não é inteligente o suficiente para estudar uma escola de pensamento.

Aqui estão os entusiastas que tratam celebridades pops da política como se fossem cantoras de música pop.

Política idealista:

- Escolas de pensamento que nunca se efetivam 100% na realidade. Debates pautados em vieses de confirmação onde a escola predileta é tido como santa e a escola de pensamento rival é tida como demoníaca.

Aqui estão as pessoas que acreditam piamente em uma escola de pensamento, sendo incapazes de fazerem sínteses de múltiplas escolas de pensamento, levando a uma auto-limitação intelectual grosseira.

Política pragmática:

- Estuda diversas escolas de pensamento e pensa num modelo .

Aqui estão aqueles que realmente deveriam governar e também a forma com que as pessoas deveriam estudar política, visto que só estes são capazes de gerar boas ideias, baseados no ceticismo e na prudência, tendo um experimentalismo comedido pela fusão de múltiplas ideias sintéticas. Entram aqui pessoas ilustres como Deng Xiaoping e Alexander Hamilton.

Política real:

- Psyops, guerra informacional, memética, guerra cognitiva.

Aqui está como a política realmente funciona. Uma permanente guerra de narrativas na qual várias mensagens são estudadas para ter efeito narrativamente positivo"

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/11/memoria-cadaverica-29-arte-politica.html?m=0


O que eu estou dizendo é que a CIA, a FSB (KGB), a Glavset, dentre outras, são formas de fazer política infinitamente mais eficientes na condição atual do que o meio pelo qual a política é atualmente feita. Em outras palavras, aquilo que chamam de psyop (operação psicológica), psywar (guerra psicológica), conspiracy warfare (guerra conspiratória), narrative warfare (guerra narrativa), dentre tantas outras coisas, é o meio mais eficaz. Visto que isso trabalhará mais com a psicologia das massas e com engenharia social do que um conteúdo ideológico em si. Ou seja, há em primeiro lugar a primazia da manipulação psicológica (lembre-se que mágica em esochannealogia é "manipulação"). E essa definição também é encontrada no livro "The King in Orange: The Magical and Occult Roots of Political Power" de John Michael Greer. O grupo que aprender, dominar e for eficaz nesse tipo de ação e de conhecimento, será extremamente eficaz na política do Século XXI.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Acabo de ler "Love letter to America" de Tomas Schuman (lido em Inglês)

 



Nome:
Love letter to America

Autor:
Tomas Schuman (Yuri Bezmenov)


Você já pensou nas táticas de subversão empregadas, dia após dia, para alterar a mentalidade de um país? E se você recebesse, em primeira mão, a forma e o conteúdo tático de tais táticas de subversão? Você acreditaria ou diria que tudo isso é uma teoria da conspiração? E a questão que vem a seguir: será que todo o conteúdo do que recebeu é uma teoria da conspiração? O que faria a seguir? Deixaria que a mensagem se espalhasse ou simplesmente jogaria fora? Guardaria tudo para si?

Enquanto estudava o conservadorismo americano para compreender a anatomia do debate público, além do plano do Project 2025, acabei por me deparar com algumas fontes que afirmavam que havia um plano de subversão em curso nos Estados Unidos. Como já investigava a ideia de Segunda Guerra Fria, tive que estudar os arquivos do Hoover Institution e ver fontes de táticas empregadas dentro do contexto da Primeira Guerra Fria.

Vamos fazer uma breve recapitulação:

  • A notícia sobre o Project 2025 abalou o mundo inteiro;
  • Daquele período em diante, minha busca foi entender como pensavam e como estrategicamente agiriam os conservadores e anticomunistas nos Estados Unidos;
  • Entrei em contato com vários conteúdos diferentes, mas de alguma forma enquadrados, cujo os mais proveitosos foram os da Hillsdale College, da The Heritage Foundation, do Hoover Institution;
  • As fontes me apontaram que precisava ter um conhecimento maior acerca do debate público americano, além de uma perspectiva histórica mais bem delineada;
  • As fontes indicavam uma Segunda Guerra Fria ou uma tentativa de recriar um novo quadro em que uma Segunda Guerra Fria seria possível;
  • Vídeos como "America's Civil Cold War" da Heritage Foundation foram um marco na análise, o que me levou a buscar compreender o aspecto da Primeira Guerra Fria como um dos pontos essenciais;
  • Li mais livros de conservadores para compreender o que eles acreditavam, o que estava — segundo eles — sendo ameaçado e o que eles fariam para impedir isso;
  • Me dispur a estudar livros sobre como está funcionando o Partido Republicano atualmente;
  • Agora estou analisando livros, documentos e artigos a respeito da Primeira Guerra Fria;
  • Além de dados econômicos para saber qual o plano a ser empregado para que os Estados Unidos supere a China nessa batalha que além de econômica é existencial.

Existem algumas questões que precisam ser cautelosamente abarcadas nesse percurso:

  1. Teorias da conspiração não são uma novidade salutar nesse debate;
  2. Não existe uma teoria da conspiração que exista em absoluto sem nenhum dado que seja observável nos fatos, mesmo que em escala menor;
  3. O uso de técnicas de preenchimento ficcional podem muito bem levar uma mistura de informação real com falsa;
  4. É preciso ler muito para relativizar e depurar a informação que se recebe;
  5. É preciso separar um argumento antiesquerdista concreto da negação do aquecimento global, posturas anticientíficas gerais e teorias conspiratórias.
Outros apontamentos, agora sobre táticas empregadas, devem ser:

  1. A defesa da liberdade não pode ser confundida com a pura destruição dos inimigos, você não pode criar um Estado autoritário ou totalitário para impedir o surgimento de um Estado autoritário ou totalitário;
  2. O ataque sistemático contra grupos minoritários ou desfavorecidos (pof exemplo, LGBTQIAPN+, mulheres e negros) leva a um empobrecimento ético e moral da causa defendida;
  3. Teorias da conspiração levam a um empobrecimento epistemológico dos argumentos apresentados e levam a uma perda de confiança do público — sobretudo o especializado — para com os argumentos apresentados;
  4. A criação de um Estado policial, mesmo que supostamente temporário, leva a uma perda da capacidade da sociedade civil e envereda a um caminho pernicioso;
  5. A perseguição de intelectuais de esquerda ou portadores de ideias mais liberais em nome do combate a ideologias subversivas e/ou para levar a uma suposta "liberdade intelectual que se quer preservar" pode levar ao fim mesmo dessa mesma liberdade e criar uma versão de um autoritarismo/totalitarismo de direita.

Em outras palavras, mesmo que as alegações da direita americana sejam justas, elas recriam em sua própria versão aquilo que eles querem combater, levando a auto-anulação dos princípios que se dispuseram a proteger. A defesa da liberdade intelectual não pode ser feita enquanto se censura salas de aulas, ela seria mais bem feita se os pais e os alunos pudessem escolher mais livremente o tipo de conteúdo intelectual que querem ver. O ataque ao autoritarismo crescente do institucionalismo não pode ser feito pela criação de outro institucionalismo. A perseguição de determinados grupos como "naturalmente de esquerda" não é baseada se não no preconceito. A luta contra posturas discriminatórias tem uma concepção que, muitas vezes, até mesmo foge de padrões de esquerda ou de direita, não podendo ser colocados aprioristicamente como meramente subversivos — veja a luta para pessoas de raças diferentes poderem se casar como um exemplo histórico disso.

O autor aparece mostrando certas características que podem levar a conclusão de uma subversão, mas elas denotam um certo simplismo. Por exemplo, certos estilos musicais e grupos são colocados como úteis a causa socialista, mas não são úteis em sua total dimensão. É impossível, no comportamento humano, determinar absolutamente os resultados das variáveis comportamentais, embora se consiga gerar algum grau de inquietação e caos com eles.

Outros pontos elencados pelo autor, como a forma que a mídia se porta, demonstra mesmo um viés. De fato, as atrocidades cometidas pelos Estados Unidos da América são mais amplamente vistas do que as atrocidades que cometeram a URSS. Também são mais vistas, hoje em dia, as atrocidades cometidas pelos Estados Unidos do que as que a China faz. Essa lente de observação deve ser vista e questionada.

De todo modo, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética empregaram modos de manipulação e subversão do debate em outros países — e também no próprio. O mal está em todo lugar, inclusive em todos os espectros ideológicos e sistemas. Alguns tenderam a ser mais sanguinolentos que outros. E isso deve ser observável para além do maniqueismo que favorece o lado que temos uma maior aproximação, se não a ausência de auto questionamento pode nos levar a um processo de monstrificação inconsciente.

Minha impressão geral é: de fato, é um livro interessante e vale a pena lê-lo. Mas é preciso lê-lo com um certo afastamento das conclusões mais maniqueístas. E, não, estou longe de querer dizer que a União Soviética era santinha.