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quinta-feira, 7 de maio de 2026

terça-feira, 5 de maio de 2026

Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 5)

 


Nome:

Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism


Autor:

George Grant


Todas as classes dominantes são produzidas pelas sociedades que elas devem governar. Isto é, a forma que elas governam se correlaciona com a estrutura de poder que as forma. Se a estrutura de poder é voltada à dominação, ela atua para dominar. Se a estrutura de poder é voltada para subserviência, ela atua para ser subserviente.


Nos anos 1960, o Império Americano criou um Estado capitalista altamente tecnológico. Criaram-se ali um governo privado de corporações e um governo público para o Estado; esses dois setores coordenavam as atividades dessas corporações (o governo do Estado e o governo das grandes empresas). No Canadá, as classes dominantes criaram basicamente uma "planta" ou um "setor" do Império Americano através do continentalismo. Essa política é muito associada ao C. D. Howe (ex-ministro da Inovação, Ciência e Indústria do Canadá). Ela pode ser resumida a desenvolver todos os recursos para o capitalismo continental. 


Há um drama entre a queda da hegemonia do Reino Unido e a ascensão da hegemonia dos Estados Unidos. O Partido Conservador, no Canadá, sempre se alicerçou pelo contato e pela admiração ao Reino Unido. Já o Partido Liberal, sobretudo nos anos de 1940, procurou aproximação com os Estados Unidos. Criando aquilo que chamam de "capitalismo continental", isto é, uma integração econômica com os Estados Unidos.


John Diefenbaker tinha um senso de continuidade histórica. Sua vitória está conectada com a sua ligação com os pequenos comércios que foram abandonados pelo Partido Liberal.


George Grant, ao analisar a situação, chega à conclusão de que somente o nacionalismo pode providenciar o incentivo político para o planejamento e somente o planejamento pode vencer o continentalismo. Só que havia um problema: as corporações canadenses eram basicamente antinacionalistas. John Diefenbaker não soube analisar corretamente a estrutura das classes com que ele deveria se lidar. Diefenbaker muitas vezes não equilibrava o populismo, a livre iniciativa e o nacionalismo. Além disso, cometeu um erro ao não colocar um estrito controle governamental no investimento. Fora isso, o serviço público, composto por oficiais não eleitos, compunha uma espécie de força antinacional. Outra questão não profundamente analisada foi o network de redes de televisão privada. Elas pouco se importavam com a cultura canadense, apenas importavam conteúdo dos Estados Unidos.


Uma das maiores questões apresentadas é a questão da divisão entre o anglo-canadense e o franco-canadense. Existe um Canadá que é de origem francesa e católica, existe outro Canadá que é de origem britânica e protestante. O nacionalismo americano é fundado em direitos individuais que se acomodam numa cultura comum. O nacionalismo canadense deve ter outra base, isto é, além dos direitos individuais, é necessário que existam direitos dos povos, das nações, dos grupos. Os direitos dos canadenses franceses devem ter correlação com sua linguagem, cultura e identidade. Diefenbaker errou ao trazer uma ideia liberal de direitos. Isto é, baseou-se inteiramente nos direitos individuais universais. Um verdadeiro conservador deveria pensar na preservação das tradições e das comunidades históricas.

Retrowave #15

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

sábado, 2 de maio de 2026

Weirdposting #2 — The Tragedy of John Diefenbaker



>"Did you ever hear the tragedy of John Diefenbaker, The Tory? I thought not. It's not a story the Liberal Party would tell you. It's a Red Tory legend."

>"Diefenbaker was a Prime Minister of the North, so powerful and so populist he could use the spirit of nationalism to influence the voters to protect... sovereignty."

>"He had such a knowledge of the British tradition that he could even keep the ones he cared about—the farmers, the small towns—from being absorbed by the continent."

>"The old Canadian identity is a pathway to many values some consider to be... inefficient."

>"He became so powerful... the only thing he was afraid of was losing his independence, which eventually, of course, he did."

>"Unfortunately, he taught his nation that it could stand against the American Empire, then the tech-elites and his own party killed his vision in his sleep."

>"Ironic. He could save the symbols of Canada from death, but not the substance of the nation itself."

Lament for a Nation by George Grant (Sith Style)




Weirdposting #1 — The High-T Middle Class Manifesto

 


>we, the middle class

>we will not use belts

>we will use suspenders

>we will not have sex

>we will make boudoir photography

>we will not use caps

>we will use top hats

>we will not support Trump

>we will support Never Trumpers

>we will not be socialists

>we will be Red Tories

>we will not drink IPAs

>we will drink single malt scotch

>we will not cancel people

>we will just sigh disappointedly

>we will not go to therapy

>we will retreat to the estate

>we will not eat the bugs

>we will eat grass-fed steak, medium-rare

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Caveira Casual #7 — The Cure, Almografia e Automutilação Emocional

 


Começo colocando o início do álbum "Faith" do The Cure. A começar pela música "The Holy Hour". Mais uma vez, impressiono-me com o baixo. Isso vem se tornando uma rotina. Colocar uma música e escrever. Mais uma vez, não me impressiono com o debate brasileiro e com como o Congresso impressionou Lula. Não tenho nada a dizer. Eu não espero nada do Congresso, eu não espero nada do Governo. Se não fosse por isso, não passaria a maior parte do meu tempo lendo e estudando a política de outros países. Os movimentos Never Trumper, Reformicon, Red Tory e a China me impressionam mais. Faço isso por causa do tédio. O debate brasileiro parece ser algo que eu já sei o que acontecerá. É como uma série na qual até mesmo mais violento spoiler não impressiona em nada e cheira a clichê.


"Primary" começa a tocar. Em um ritmo mais rápido, diga-se de passagem. Não perde a tonalidade sombria, mas o som vem mais agressivamente. É como correr bêbado no escuro em uma rua deserta de uma cidade urbana. É como rir bêbado no alto da calada da noite. Em uma espécie de efusão momentânea de algo que você não sabe o que é. Algo que vem como uma risada de desespero. Tal como a política brasileira, é como rir de algo ridículo que você já esperava mesmo. Não espero nada, não me entregam absolutamente nada. Não que eu seja niilista, a realidade é que é. Não luto contra ela, apenas bebo meu álcool e a esqueço. Vocês que insistem em citar Getúlio Vargas e Carlos Lacerda esperando que algo de mágico volte a ocorrer.


"Other Voices" começa a tocar. Sigo o ritmo alucinante da escrita surrealista. Escrevo sem parar para que tudo que tenha na minha mente possa vir a pipocar e quebrar por meio de palavras que formam frases. Tentando extrair cada canto obscuro do meu inconsciente. Tentando voltar ao pouco de originalidade que ainda me resta, visto que foi obrigado a sair de mim. Não paro, nem por um minuto, para que minha obsessão tome forma estilística. Escrever dessa forma é como escrever bêbado. Não sei se o leitor ou a leitora já tentou. Compreendo a razão dos /mu/tants do 4chan serem muitas vezes libertários.


"All Cats Are Grey", essa é a música que começa a vir. Tal como tudo na vida, é uma questão de instante. Mesmo que eu esteja cansado de escrever, preciso extrair de mim aquilo que me impede de escrever. Forçar uma revolução tal como se extrai um coração de um vampiro. E quem não é um vampiro? O vampiro não sai de dia, visto que pertence à noite. Pertence à noite, visto que não está no nosso mundo. O vampiro rejeita o alho, já que o alho é saudável. O vampiro vive em festas de mistérios, já que a festa o aliena da reflexão sobre si mesmo. O vampiro teme a cruz, tal como o diabo teme a cruz, visto que o que teme é o sofrimento. O vampiro existe para se vincular a tudo que é alienante. O vampiro existe para tomar sangue em sua natureza parasitária. Eu entendo isso, eu sou assim. Eu sou um vampiro há muito tempo. Sempre me escondo. Sempre vou embora. Não há nada que me livre dessa condição. 


"The Funeral Party". Essa é especial. Soa como um romance doce e inacabado de alguém que já partiu e nunca mais voltará. Ela traz o desejo de um retorno que nunca poderá retornar. Tristemente deliciosa em sua proporção. Evoca a mais tenra depressão. De alguém que chora com um misto de felicidade e tristeza. Felicidade, visto que lembra da pessoa amada. Tristeza, visto que a pessoa amada nunca voltará. Como tenho uma vida recheada de erros, sei como é sentir isso. Lembrar de cada fragmento de momento. Sabendo que errei em cada um deles. Sabendo que fiz partir quem profundamente amei por causa da minha natureza doentia. Conjecturo como seria minha vida se eu não tivesse errado tanto. Como seria se eu não fosse tão volátil? Como seria se eu não fosse tão doente, tão podre, tão errático. Deduzo, a partir de um cálculo psicológico e criminoso, que seria muito melhor. Seria melhor até mesmo se eu nunca tivesse existido. Seria melhor até mesmo se eu tivesse já partido.


"Doubt". É uma das mais violentas do álbum. Parece uma alcateia de lobos correndo atrás de um coelho assustado numa noite de Lua cheia recheada de neve. É como correr após desligar toda a mente na tentativa de descarregar todas as emoções do corpo. É o que tenho feito. Descarregar e descarregar. Mesmo quando termino de psicologicamente correr, os sentimentos e as memórias ainda estão infelizmente lá. Não importa quantas latas de cerveja, não importa quantas doses de cachaça, não importa com quantas pessoas eu fiquei, não importa quantos casos resolvidos, não importa quantas investigações eu faça. Eu sempre estou tentando explicar, demonstrar, fazer alguma coisa que prove que minha alma é real nesse universo de lixo.


"The Drowning Man". Essa é mais calma. É como estar numa praia na noite. Está chovendo e ventando de leve. Os coqueiros simplesmente balançam. Estou sozinho. Estou sozinho a desenhar o universo em desencanto. Minha mente se eleva para pintar cada quadro obsessivamente depressivo que surge das minhas dúvidas. Não há nada que eu possa fazer. Dói. Todavia, eu sinto que quero continuar nessa condição de esvaziamento melancólico. Tal como se eu não pudesse mais fazer nada. Eu sinto que preciso continuar. Sinto que estou a desenhar cada contorno torto de minha alma. Quero que tudo vá, para que eu possa ver a almografia da minha alma. Quero desenhar cada um dos meus pecados, quero desenhar cada um dos meus erros, quero desenhar cada beijo falso que dei na esperança torpe de tornar a minha falsidade real no coração de alguém. Sei que isso é arriscado. Sei que tudo isso soa depressivo. Todavia, a continuidade da dor é o remédio de que preciso para refazer esse espelho quebrado que chamo de chama da minha alma.


"Faith". Essa é a última música. Também é a música que dá nome ao álbum. Ela corre obsessiva e lenta, como os dedos carinhosos de mulher amada. Lembra-me dos cafunés que abandonei em prol dos novos erros da minha alma desalmada. Cada boca amorosa que abandonei na busca de curar o abandono que senti em minha infância apequenada. Cada abraço que fugi em prol de recordar que eu sempre serei só. Estou sempre a correr em círculos. É a dialética do ouroboros. Estou sempre a comer meus erros passados ao cometê-los de novo e de novo. Saturno sempre devora seus filhos. Eu sou Saturno dos meus erros. Cometo-os novamente, apenas para apreciá-los psicoticamente em cada dor que causam ao meu estômago. Sentir dor é, atualmente, a única coisa que me faz sentir que sou real. Ardentemente prossigo em minha automutilação emocional. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Caveira Casual #4 — Em Meio ao Ruído

 


Enquanto eu olhava para meus supostos aliados, pude identificar os mais distintos e irritantes grupos:


- O direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral:

Esse sujeito, que pode atualmente ser de qualquer sexo, aparece dia após dia, em formato de vídeo. Todo dia, ou toda semana, ele ou ela precisa metralhar a sua indignação moral contra algum objeto, sujeito ou acontecimento. Esse modelo é um modelo de sucesso quase que absoluto entre o chamado "direitista influencer". É muito comum em políticos. 


- Liveísta:

A direita liveísta é aquela que aparece todo dia ou toda semana com uma "live" (conteúdo transmitido ao vivo). O objetivo dela é usualmente fazer reação a todo tipo de conteúdo. Esse tipo de conteúdo, diga-se de passagem, é perturbador. Eu não aguento ver. Me parece um misto de falta de imaginação com preguiça. Além disso, esse tipo de formato só é acessível para quem tem tempo livre para ver isso. Algo que muito provavelmente não é a realidade de quem trabalha.


- Vendedor de Cursos:

Essa moda, cada vez mais presente, aparece por todos os cantos. Ao que parece, só a direita americana fornece cursos gratuitos por meio de instituições respeitáveis como a Hillsdale College e a Christendom College. É meio que "se você quer ser de direita, pague para nós". Esse tipo de direitista só existe quando ele é, em si mesmo, uma espécie de celebridade. Porém, sabemos que para ser uma "celebridade de direita" é preciso se tornar um "orgânico de partido" ou um "orgânico de movimento". Se você não consegue sacrificar a sua criticidade, esqueça esse caminho.


- Direita Woke:

Esse aqui é altamente encontrado pela internet. Ele serve para ficar o dia todo enchendo o saco. Ele também possui o estranho costume de ficar o dia todo atacando obras que a esquerda woke fez ou supostamente fez. Ele não percebe que é tão woke quanto a esquerda woke. É o típico direitista que pensa pertencer ao politicamente incorreto, quando na verdade está apenas a exigir que todo mundo siga o seu padrão moral. Outro hábito muito comum na direita woke é passar o dia todo praticando a chamada "LGBTfobia recreativa". A sua compulsão maior é a de acusar tudo o que não gosta de ser LGBT. O mais curioso é quando esse grupo tem que ofender o grupo adversário, na montanha de qualificativos negativos, ele coloca que ser LGBT é um "crime" tão absurdo quanto ser um assassino.


Eu estou aqui, lendo George Grant, anotando todos os principais insights no caderno em inglês e depois passando tudo para o português nesse blogspot. O resto da assim chamada "direita" muito provavelmente nem sabe quem é George Grant. Ou, quem sabe, prefere não dizer para não estragar a "excelente" parceria com a assim chamada "burguesia nacional". É muito feio ler Red Tory. Para piorar, o meu Blogspot também traz vários teóricos de esquerda. Além disso, não tive medo de trazer os Never Trumpers para cá. Ou seja, sou, no mínimo, um dos sujeitos mais suspeitos e questionáveis. Tal como um alienígena estacionando um disco voador na praia em pleno feriadão.


Poderia tentar fazer alguma coisa para ajudar em algo, mas isso seria problemático. Minhas visões particulares cavam um abismo entre mim e o restante da assim chamada direita nacional. Em vez disso, tenho a particular preferência por ficar a ler e a resenhar livros e artigos acadêmicos. Sigo uma política que poderia ser descrita nos seguintes termos: quanto à direita nacional, finjo que ela não existe. O hábito constante de querer


Como quero esquecer a existência da assim chamada direita nacional, volto a escrever sobre filmes. Os escritos anteriores dessa série (Caveira Casual) abordaram filmes; quero voltar a escrever sobre isso. O último filme a que assisti é outro Found Footage. É o Grave Encounters, filme canadense de 2011. Outro filme que encontrei no /tv/ do 4chan. Como podem ver, o homem nasce normie, a misantropia e o 4chan o tornam hipster. Hoje vou fazer algo diferente. Vou explicar o filme colocando-o em paralelo com a assim chamada "direita nacional".


Take 1: Grave Encounters


Grave Encounters, de 2011, é um filme que trabalha com assim chamada "indústria do paranormal". Ele não é apenas um terror de câmera na mão, um hipster found footage, ele é um comentário ácido sobre a encenação da realidade na televisão.


Take 1: Direita Nacional


O paralelo que podíamos ter seria o do típico direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral. O nosso protagonista (ou nossa protagonista) seria o(a) típico(a) charlatão (charlatã) que fica fazendo teatrinho nas redes sociais.


Take 2: Grave Encounters e a Desconstrução do Reality Show


Lance Preston, o nosso protagonista, representa o arquétipo de apresentador carismático e charlatão.


O horror real começa justamente quando a farsa profissional perde o controle. A ironia reside no fato de que Lance Preston e a sua equipe passaram anos fingindo contato com o além e, quando o contato finalmente ocorre, eles não têm ferramentas, nem emocionais, nem técnicas, para lidar com isso.


Take 2: Direita Nacional e a Desconstrução da Direita Woke


Um belo dia, nosso(a) querido(a) direitista woke seria obrigado, por razões de circunstâncias completamente ficcionais, a ser de direita de verdade. Nosso(a) protagonista logo descobriria que LGBTfobia não é argumento e que ele(a) precisaria produzir coisas maiores do que vídeos falando sobre a "hipocrisia da esquerda".


Talvez fosse obrigado(a) a alguma pauta concreta, como faculdades de artes liberais, articular diferentes escolas do pensamento de direita (como ordoliberalismo, Red Tory, paleoconservadorismo), fundação de institutos para geração de políticas públicas de direita pautadas em dados ou qualquer coisa que um(a) direitista de verdade faria. Coisa que nosso(a) protagonista não conseguiria, visto que é um(a) imbecil.


Take 3: Grave Encounters e o Espaço como Antagonista


Diferente de outros filmes de casas assombradas mais tradicionais, o filme Grave Encounters trabalha com a ideia de hospital psiquiátrico mal-assombrado que se comporta como um organismo vivo. Ele também trabalha com todo aquele imaginário psicológico dos manicômios. O espaço trabalha como adversário da seguinte forma: a arquitetura muda, as janelas desaparecem e os corredores se tornam infinitos.


Take 3: a Direita Woke e a Burrice como Antagonista


A direita woke teria que se lidar com uma das piores coisas que podem ocorrer com a direita nacional: uma população e uma mídia que realmente conhecem as múltiplas tradições do pensamento de direita. Coisa que, convenhamos, nunca virá a ocorrer no Brasil, mas como isso é um cenário absurdo e hipotético, dou-me a essa licença poética.


Em vez de entrevistas idiotas com lambedores de saco, o(a) direitista seria confrontado(a) com questões sobre ele(a) ser mais paleoconservador(a) ou neoconservador(a), se ele(a) seguirá uma agenda política mais Red Tory ou mais Blue Tory, se ele(a) assistiu o último vídeo da American Compass ou o último vídeo da Hoover Institution. Quando ele(a) percebesse, estaria levando uma surra argumentativa por não ser um(a) conservador(a), mas mais um(a) imbecil da direita woke.


Como podemos ver, o maior perigo para charlatãos do sobrenatural é que exista realmente um sobrenatural e que eles tenham que se lidar com isso. Como também podemos ver, o maior perigo para a direita charlatã brasileira não é a existência de uma esquerda, nem a existência de uma esquerda altamente letrada, mas sim de uma população e de uma mídia altamente educadas nas múltiplas tradições do pensamento de direita.

Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 4)

 


Nome:
Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism

Autor:
George Grant

John Diefenbaker, décimo terceiro primeiro-ministro do Canadá, é a razão desse livro. Por ele, estavam as pessoas do meio rural e das pequenas cidades. Contra ele, estavam as classes literárias, os jornalistas emancipados, a classe dominante e as classes formadoras de opinião.

As classes do establishment diagnosticavam que John era dominado por sua própria ambição, que era um político astuto que punha o poder pessoal em primeiro lugar. George Grant vai na linha oposta, ele diz que John era o homem que punha a existência de um Canadá soberano em primeiro lugar. Além disso, alerta que a única ameaça ao nacionalismo canadense são os Estados Unidos da América e não o Reino Unido. E, além disso, fala que a identidade canadense é a de construir um governo mais estável e mais ordenado que a experiência liberal dos Estados Unidos. George Grant tenta construir uma identidade que unifique canadenses com raízes mais inglesas e francesas. Atentando-se a uma linha comum.

Nesse capítulo introdutório, George Grant diz que lamentar pelo Canadá é lamentar pela tragédia de Diefenbaker. É compreender que o Partido Liberal é o partido das classes dominantes e que as suas políticas inexoravelmente levam ao desaparecimento do Canadá. A agenda de Diefenbaker era a agenda da sobrevivência do Canadá. A agenda das classes dominantes é a agenda da cultura hegemônica do império americano.


Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 3)

 



Nome:
Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism

Autor:
George Grant

Autor dessa introdução:
Peter C. Emberley

O assunto central dessa introdução é a identidade canadense em contraste com as forças continentalistas homogeneizantes. Um dos maiores exemplos dela é o NAFTA (The North American Free Trade Agreement). Esse acordo, em específico, gera uma massiva e continental reestruturação econômica. Além de levantar o questionamento a respeito das poderosas forças da globalização com o recrudescimento da economia local.

Só que, como bem podemos ver em outras partes do livro, isso não é meramente uma questão econômica. A questão do destino também aparece. Qual a interpretação que fazemos a respeito de nós mesmos? Como achamos significado em nossas vidas? Isso precede os nossos esforços individuais? Peter aponta que para George Grant existe algo que é primariamente nosso. Temos mitos fundadores, símbolos políticos e experiências próprias. Nosso senso de localidade e de pertencimento a um local e a uma cultura não é só simples questão de espaço e tempo, mas sim de uma conectividade psicológica entre territorialidade e historicidade. Algo que é sociologicamente construído.

Os autores construirão o significado de um termo, o qual dão o nome de "owingness". Termo esse que se correlaciona a uma dívida social, moral e existencial. Essa dívida gera uma responsabilidade pela comunidade, pela nação e o reconhecimento de adequadas práticas culturais. É o reconhecimento de que existe algo que está além da vontade humana individual.

Estabelece-se um contraste entre os Estados Unidos da América e o Canadá. Os Estados Unidos são formados pela primazia do individual, pela valorização das habilidades técnicas, por uma visão de um calvinismo reformado que defende uma soberania e criatividade da vontade divina na história como paradigma para a iniciativa humana, o que levaria a uma autoiniciativa empresarial. Para Grant, o Canadá é mais ordenado, mais razoável, mais cuidadoso, menos violento e menos entusiasmado com sonhos aventureiros.

Toda questão desse capítulo introdutório levantará o questionamento do ser individual e do ser enquanto eu-plural. Isto é, o ser enquanto figura única e o ser enquanto identidade nacional. A identidade nacional passará por instituições, programas, leis, comportamentos, diversões e autoentendimentos que lhe são característicos. Tudo fundamentalmente ecoa essa lógica. Acontece que o espírito tecnológico da modernidade carrega um espírito que é próprio. É o espírito da dominação sobre a natureza, da política imperial, da burocracia administrativa, do discurso público da eficiência, da sociologia do ajustamento e do equilíbrio. O progresso tecnológico altera o espírito humano, estabelecendo novos mecanismos de controle. Ele é a supressão das diferenças locais, das lealdades particulares e das resistências crediveis. Ele é formado por técnicos e administradores das elites continentalistas dominantes que sustentam discursos oficiais da instrumentalidade e da eficiência. Isso gera, por sua vez, uma tirania universalizadora que só se processa através da homogeneização da eficiência tecnológica.

O que acontece com a pluralidade, com a dignidade e com os propósitos mais altos de cada nação? O Canadá passa radicalmente por essa questão por estar ao lado do grande poder imperial dos Estados Unidos da América. A particularidade local se confronta com o moderno e universal Estado homogêneo. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 2)

 


Nome:
Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism

Autor:
George Grant


No começo da sua nota introdutória, George Grant fala sobre o estado dos Estados Unidos:
- Conflitos raciais;
- A expansão e decadência das cidades;
- A crescente influência militar na vida constitucional;
- A diferença geracional;
- Os efeitos de um século de espoliação ambiental.

Grant falará de como o Canadá é como um irmão menor que se beneficia do irmão mais velho, sem ser um igual. Ou como o Canadá é como um filho pequeno que se regozija com os bens que o pai traz, mas sem saber de onde vem o dinheiro. De todo modo, alerta para a independência meramente formal e o nacionalismo que surge apenas formalmente. Nenhum desses processos, todavia, carrega a completude de uma verdadeira independência ou de um verdadeiro nacionalismo. Muito pelo contrário, o Canadá ainda era ameaçado pelo processo de homogeneização e universalização que o império americano propunha. Em meio a isso, corporações americanas impunham seus tentáculos por todo o Canadá e a linguagem e o continente compartilhado levavam a um processo de assimilação. 

Havia, contudo, uma diferença: o individualismo do sonho capitalista americano se contrapunha ao forte senso de bem comum e ordem pública canadense. Essa distinção entre bem comum e capitalismo individualista era o ponto de divergência central.

O nacionalismo conservador canadense era baseado na tradição inglesa, num sonho britânico de Canadá. Ele era um romanticismo de um sonho originalmente projetado na Inglaterra. Os Estados Unidos e também a Inglaterra já tinham passado por Locke e Adam Smith, estavam indo para Keynes, Moore e Forster. As elites canadenses, como de costume, queriam o mesmo. O que Grant via nisso era a fisionomia tecnológica de Moloch, seja na guerra, seja na paz. 

Nesse período, as elites eram tecnologicamente progressistas e tinham um senso de autoconfiança. Em meio a essa autoconfiança, a tecnocracia crescia em duas formas: a de destruição planetária e a de tirania planetária. Esse era o paradoxo ou os dois lados da mesma moeda da era da razão das massas. De qualquer modo, Grant alerta de que foi muito pessimista em seu livro.

Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 1)

 


Nome:
Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism

Autor:
George Grant

Autor do prefácio:
Andrew Potter

George Grant alertava que as classes dominantes canadenses buscavam livros fora do país, geralmente nos Estados Unidos, como autoridade final na condução da política e da cultura. A elite canadense tem uma orientação continentalista, voltando-se a aquilo que acreditaram ser o império ocidental. Em um tempo, valiam-se do império inglês. Em outro, valiam-se do império americano. Em outras palavras, são uma elite alienada em relação ao próprio país. O leitor, conhecendo as elites brasileiras, pode chegar a uma conclusão razoavelmente semelhante acerca das elites brasileiras.

George Grant era cético para com a modernidade. Ele via a modernidade e a modernização por extensão lógica, como um processo de apagamento. Isto é, havia o modelo universal e homogêneo e as culturas locais que deveriam ser apagadas para que esse modelo fosse implementado. O Canadá, por sua vez, era uma cultura local situada ao lado do coração mais potente da modernidade: os Estados Unidos da América. Os canadenses acreditavam piamente na modernização e que o Canadá necessitava desse processo. A aceitação desse processo poderia levar ao apagamento da identidade canadense. 

O consenso das ciências sociais, nos anos 60 e nos anos 70, era que a tecnologia era uma força universalmente homogenizante. O que levava à conclusão de que todas as culturas particulares não deveriam existir ou deixariam de existir diante desse processo uniformizador. O império americano acreditava que a vontade humana é radicalmente livre para alterar o mundo e o pensamento liberal levava todos os valores para a esfera privada.

Para Grant, uma sociedade conservadora era baseada na hierarquia, deferência, tradição e moralidade pública. O conservadorismo canadense era pré-lockeano. Era um conservadorismo baseado em Richard Hooker (1554-1600). Hooker foi um teólogo, um humanista cristão e estudioso das obras de São Tomás de Aquino. Ele acreditava na conexão íntima entre o Estado e a Igreja. Esse tipo de visão marcou Grant em sua forma de ver o mundo.

O conservadorismo canadense, naquela época, poderia ser descrito como portador das seguintes características:
- Senso de comunidade;
- Ordem pública;
- Autorrestrição;
- Lealdade ao Estado.

O lema era: "paz, ordem e bom governo". Havia a crença de um Estado centralizado para promover o desenvolvimento político e econômico. Adicionando-se que a liberdade individual deveria ser restrita em nome do bem comum. A sociedade era encarada como um organismo em que cada parte era responsável pelo bem-estar do conjunto. A tradição conservadora canadense, naquele ponto, defendia um Estado intervencionista e rejeitava o continentalismo econômico. O continentalismo econômico era a integração com os Estados Unidos da América.

Podemos colocar as seguintes características:
- Comunidade acima do indivíduo;
- Hierarquia;
- Lei e ordem;
- Tradição;
- Mudanças orgânicas.

Se pensarmos bem nessa estrutura, esse conservadorismo é bastante diferente do neoconservadorismo que seria aplicado por Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Brian Mulroney. Aqui, é preciso estabelecer ao leitor brasileiro quem é Brian Mulroney. Brian Mulroney foi o décimo oitavo primeiro-ministro do Canadá, durante o período de 1984 a 1993, liderando o Partido Conservador Progressista e aplicou uma agenda econômica neoliberal, algo muito semelhante ao neoconservadorismo de Ronald Reagan nos EUA e de Margaret Thatcher no Reino Unido.

Durante muito tempo, a divisão política no Canadá era mais ou menos essa:
1. Partido Conservador: era mais tradicionalista, era mais nacionalista, tendia a usar mais o poder do Estado para promover o bem coletivo;
2. Partido Liberal: era mais favorável ao livre mercado e tinha uma orientação mais continentalista, isto é, mais alinhada à integração econômica com os Estados Unidos da América.

Atualmente o conservadorismo canadense é mais semelhante ao modelo americano. Os conservadores são religiosos que visam o tradicionalismo moral e são a favor de mais livre mercado.

Uma das maiores críticas de George Grant ao liberalismo é o fato de ele ter trocado o bem aristotélico pelo bem lockeano. O bem aristotélico era baseado numa hierarquia, isto é, com subordinação e superordinação. O bem lockeano é criado pela escolha subjetiva dos agentes. Ou seja, o bem liberal é algo que perseguimos de acordo com os nossos valores privados. É a liberdade de escolher o que quiser.

Grant faz uma leitura política de Nietzsche, no sentido de ver no liberalismo uma espécie de niilismo. O contratualismo surge como algumas leis e instituições coercitivas que servem para preservar as liberdades das múltiplas partes. O projeto liberal inteiro pode ser descrito a partir de seu subjetivismo niilista que não adentra um projeto maior. O projeto liberal tem como fundamento a maximização da liberdade humana como bem central. Os valores últimos são criados pela conveniência do momento ou uma noção vaga sobre o que consiste a qualidade da vida. Tudo se torna instrumental e o indivíduo calcula por si mesmo qual valor escolherá no momento. Todavia, nunca é questionado o que é substancialmente verdade.

A sanha liberal pela liberação humana será completada pela tecnologia. Se a tecnologia serve para a liberação humana, ela cumpre a sua função dentro de uma sociedade liberal. Isso criará o liberalismo tecnocrata.

George Grant trabalhará em suas obras a interconexão entre liberalismo, tecnologia e império. A base da interpretação dessa interconexão será bastante semelhante à ideia marxista de superestrutura. Na análise marxista, é a base econômica que determina as condições da superestrutura. Para quem não está acostumado à análise marxista, a superestrutura é o conjunto de instituições do Estado, do direito, de ideologias, de crenças, cultura e de práticas sociais que emergem e se sustentam sobre a infraestrutura econômica. E dentro da análise marxista, a infraestrutura é quem dita como será a superestrutura. A infraestrutura corresponde a um dado nível de desenvolvimento das forças produtivas e a relações de produção específicas.

Andrew Potter termina a sua introdução alertando que George Grant não conseguiu estabelecer uma resposta positiva para criar uma conexão entre a tecnologia do século XX e a justiça do século XX. Isto é, seria necessário um programa positivo que integrasse de forma justa diagnóstico e solução. Grant focou mais no diagnóstico. Além disso, os canadenses não conseguem estruturar uma identidade nacional. O Canadá é visto como yin e os Estados Unidos como yang. Torna-se uma espécie de antinação, um país marcado pela impermanência, mutabilidade, plasticidade e fragilidade. Fala-se de nacionalismo pós-moderno, mas chega-se à conclusão de que o Canadá se tornou algo. Tal como se fosse um Estado comunicacional em que as pessoas continuassem se comunicando sem chegar a alguma conclusão. O Canadá é atualmente um "Estado em progresso" sem identidade estável. Enquanto os americanos se tornam uma sociedade hobbesiana, marcada pela paranoia e pelo isolamento, a sociedade canadense experimenta valores cosmopolitas.

Vale lembrar que, hoje em dia, muitos dos aspectos hobbesianos vêm sido transferidos para a sociedade canadense. Já surgem grupos ao estilo MAGA no Canadá.

domingo, 19 de abril de 2026

Retrowave #8

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.


Nota: isso é uma comparação entre o "bem" na visão aristotélica e na visão lockeana.


Retrowave #7

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Necrológio Cadavérico #5 — Filhos sem Pais


Se eu morresse hoje...

Saberia que é muito raro crescer intelectualmente no Brasil. O cerne institucionalista é algo extremamente grave e a direita é majoritariamente anti-institucional e pós-institucional.


Nos últimos tempos, li muito mais do debate americano. Ali pude ver um movimento intelectual real. Com múltiplas e verdadeiras faces singulares. Coisa que quase não encontro aqui. A academia brasileira me parece um show de clichês dos quais não quero fazer parte. Além disso, meus posicionamentos são extremamente escassos. Sinto um sofrimento enorme por estar aqui.


Ao ver pessoas queimando e cortando chinelos, por causa do marketing, além de todo o debate envolvendo o espectro ideológico de chinelos, comecei a pensar que tudo isso era o cúmulo. Esse foi o momento que percebi que esse país não tem salvação e não adianta se importar com absolutamente com o que ocorre aqui. Visto que dar importância para o que ocorre aqui pode terminar em emburrecimento ou em enraivecimento.


Agora, se a natureza política é entediante e emburrecedora, a natureza midiática também o é.  A mídia de direita serve para provar que a esquerda está errada. A mídia de esquerda serve para provar que a direita está errada. Não há qualidade alguma nisso, além do velho fato enfadonho de que existem para tornar fatos e narrativas em máquinas de propaganda. Um esquerdista que ler jornais de esquerda verá o quanto é bom, inteligente e sabido, ao mesmo tempo verá o quanto seus inimigos são maus, burros e tolos. Do mesmo modo, um direitista que ler jornais de direita verá o quanto é bom, inteligente e sabido, ao mesmo tempo que verá o quanto os seus inimigos são maus, burros e tolos. Assim caminhará a guerra fria civil.


Eu não posso mudar a realidade política do meu país. Além disso, a mídia alternativa está cada vez pior. A democracia envolve os votos da maioria. E eu faço parte da minoria da minoria. Não tenho o controle sobre absolutamente nada. Meu voto não influenciaria em nada. A ausência dele não mudaria em nada. Um esquerdista que fala em mutualismo, morrerá na corrente majoritárias da esquerda.  Um direitista que fala em Red Tory, morrerá nas correntes majoritárias da direita.


Se meu voto não vale de nada, mas sim o voto da maioria das pessoas que sequer leem um livro por ano e que não sabem mais do que três linhas de pensamento, o que posso fazer? Nada, absolutamente nada. Caminho como um filho bastardo. Creio que deve ser a mesma situação de vários bastardos desse underground.


Escrever pacientemente em meu campo é melhor do que nada. É até terapêutico.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 3)

 



— Livro:

Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it


— Author:

Phillip Blond


Phillip Blond anteriormente citou a tradição Tory Anglicana. Nesse ponto do livro, ele traz uma ligação com o pensamento distributista de Hilaire Belloc e G. K. Chesterton.  Adicionando uma camada a mais: o pensamento de Samuel Brittan e Noel Skelton.


Chesterton e Belloc tinham chegada a conclusões semelhante, e até mesmo complementares, à tradição Anglican Tory. Eles viam que o capitalismo levava a concentração de terra, propriedade e capital nas mãos dos capitalistas. Ao mesmo tempo, o socialismo privava a todos de terem propriedades em nome da propriedade geral e o monopólio comunal. Em outras palavras, capitalismo e socialismo levariam a concentração das propriedades. A solução que eles colocaram seria uma distribuição de propriedade e recursos para todos (distributismo).


A adição que Phillip Blond fará será a junção disso com:

1. Noel Skelton: a ideia conservadora de uma democracia de propriedade;

2. Samuel Brittain: uma renda básica em conjunção a distribuição de recursos.


Se juntarmos tudo isso temos:

1. Distribuição de propriedades para todos;

2. Distribuição de recursos para todos;

3. Uma renda básica ao lado e em conjunção da distribuição de recursos;

4. Uma ideia de uma sociedade democrática onde todos têm propriedade, recursos e renda básica.

Socialismo? Não, conservadorismo vermelho.


A ideia central de um Red Tory é a ideia de um conservadorismo que cumpra os seguintes requisitos:

1. Preserve e extenda a estabilidade humana;

2. Crie condições para o florescimento humano.

Isso é uma real economia política para o pobre.

Retrowave #5

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 2)

 


— Livro:

Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it


— Author:

Phillip Blond


Estou analisando esse livro devagar. Leio de trecho a trecho, anoto tudo em inglês e depois traduzo as minhas anotações. Tento lançar as notas no mesmo dia, assim não me perco. Costumava lançar as notas depois, mas isso me deixava perdido e usualmente outras notas entravam no espaço das outras.


Nessa parte do livro (ainda estou na introdução), o autor (Phillip Blond) faz as suas críticas a Thatcher e a Blair. As críticas a Margaret Thatcher e a Tony Blair são diferentes, não vou me centrar muito nelas. Convém lembrar ao leitor ou a leitora que Margaret Thatcher faz parte do movimento neoconservador e o Tony Blair faz parte do movimento novo trabalhismo. Ambos foram primeiro-ministros. Talvez também seja bom recordar que embora Phillip Blond seja conservador, ele é um Red Tory (conservador vermelho), logo ele é opositor do neoconservadorismo — como no Brasil o termo "Red Tory" é praticamente desconhecido, decidi colocar esse comentário adicional.


As críticas mais notáveis que achei contra a Thatcher foram:

1. Seu governo levou a um capitalismo capturado pela concentração de capital;

2. Um mercado monopolizado por interesses próprios dos monopolistas e o domínio das pessoas que já são ricas;

3. A população progressivamente descapitalizada (creio que poderíamos colocar como desenriquecida);

4. A ideia nada conservadora de que o mercado é o último árbitro dos valores e a medida de todas as coisas.


As críticas mais notáveis que achei contra Blair foram:

1. Juntou o pior da esquerda com o pior da direita;

2. Colocou um centralização de padrões em todos os serviços públicos em vez de deixar uma adaptação local;

3. Graças a onda de Estado de exceção (lembre-se do 11 de setembro em Nova Iorque e o 7 de julho em Londres), promoveu uma cultura de suspeita, o habeas corpus foi relativizado em prol da "suspeita de intenção terrorista", encarceramentos se tornaram maiores, o número de tortura aumentou e a polícia extra-judicial entrou em ação;

4. Fora isso, cidadãos do Reino Unido poderiam ser alvos de outros países, com regimes legais duvidosos.


O autor faz algumas colocações interessantes sobre o socialismo, o republicanismo, a crítica ética ao capitalismo irrestrito e a esquerda:


- Socialismo:

Há o elogio a busca pela igualdade, pela bondade e pela justiça. Pela recusa do racismo, por ter conquistado o direito de votos a mulheres e pelo direito de voto aos que não têm propriedade. Além disso, a busca pela justiça social é importante.


- Republicanismo:

O reconhecimento que boas pessoas podem estar em todas as classes e culturas, sem isso ter a ver com o sangue.


- Crítica ética ao capitalismo irrestrito:

Valores não criados pelo estímulo do desejo (não confundir desejo com vontade) e pela avaricia humana.


- Esquerda:

1. Uma boa vida é baseada em necessidades reais e autênticos desejos humanos;

2. Uma responsabilidade social e comunal pela Terra e todos que vivem nela é algo necessário.


O problema que Phillip Blond encontrará na esquerda — e o motivo dele não ser de esquerda — são vários. Creio que esses podem ser mais vinculados à nova esquerda. Citarei alguns aqui:

1. Escolhas ilimitadas e irrestrita liberdade pessoal;

2. O relativismo cultural;

3. Auto-validação do desejo e do prazer;

4. Pornografia, infidelidade e uso de drogas não sendo mais encarados como problemas sociais intrínsecos, mas como atos que dentro de condições estéticas certas adquirem formas válidas de autoexpressão.


Phillip Blond contará que o que fez ele tornar Red Tory foi conhecer uma tradição chamada "Anglican Tory". Uma tradição que buscava prosperidade e educação para os pobres, além do entusiasmo religioso contra a extravagância dos aristocratas whigs.


Ele também cita alguns importantes pensadores para a sua formação:

- William Cobbett;

- Thomas Carlyle;

- John Ruskin.


Esses intelectuais fizeram críticas ao republicanismo autoritário e estatista, ao capitalismo interesseiro e a criação em massa de despojados de terra que foram forçados a trabalhar a níveis absurdos em fábricas para o benefícios de outros. Ao mesmo tempo, esses intelectuais fizeram a ligação entre a pauperização do trabalho e o despojamento de suas terras. 


Esses intelectuais conectaram a pauperização das condições de trabalho com o despojamento de terras que foi feito anteriormente. Para corrigir isso, eles defenderam os direitos de propriedade dos sem terra como mecanismo de correção. Não só isso, a distribuição de terra/propriedade deveria ser acompanhada com a distribuição de capital para todos aqueles que estavam em condições de indigência em seus trabalhos.


Creio que essa análise pode dar uma noção de um conservadorismo autêntico e realmente preocupado com as necessidades sociais. Muito diferente do que atualmente temos no Brasil.

Retrowave #4

 



Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.