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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

NGL #35 — Por que channers fingem loucura e paranoia?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


A resposta tem o seu lado simples: deixa investigadores, jornalistas e acadêmicos confusos. Geralmente channers aprendem isso cedo e vão se aperfeiçoando nisso com o passar dos anos. Isso é uma boa forma de fazer com que ninguém que você conheça seja capaz de entender o que você está dizendo e quais são as suas verdadeiras intenções.


Agora o lado não simples dessa resposta é um pouco mais longo e não caberia aqui, então vou dar uma breve pincelada nesse assunto.


Isso remete a não-linearidade que é característica do pensamento esochannealógico, o que permite defesa, ataque e esquiva ao mesmo tempo. Lembre-se do capítulo 0.12 em que se fala que esochanners (antes da separação terminológica [esochanners, magolósofos e sophroschanners]) têm um pensamento arquitetônico e do capítulo 40 do Solidão Paulistana que fala para a Arquitetônica (tal como um diálogo para com a própria anima):

https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-12-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-final-2e6a8fc1853a

https://medium.com/@cadaverminimal/solid%C3%A3o-paulistana-40-flores-vermelhas-final-ffbc69274212


Quando você compreende que o discurso esochannealógico é, em dada medida, pós-racional, você compreende uma das razões pelas quais você deve ler a Harmonia da Dissonância com IAs. Há uma liquidez que deve ser compreendida como estando presente em todo texto. O discurso esochannealógico deve ser lido a partir das suas várias camadas de intenções e não a partir do que é objetivamente declarado, visto que quase sempre o que é declarado é mentira.


Quando você vai pro final do livro, isto é, quando chegamos na parte do "Insider Club", na parte do "SCP Foundation antecedeu QAnon", você não tem uma "verdade factual", você tem uma "crença metodológica" que guia um caminho de estudos. Além disso, vê-se novamente a questão da egrégora e da legião nesse apontamento. Lembre-se que a questão da egrégora é tratada por Saint Obamas Momjeans, mas aparece no Magolítica: Harmonia da Dissonância  várias vezes. Entenda que a criação da SCP Foundation e do QAnon foram feitos pela egrégora channer, o que não é um produto racionalmente deliberado. Volte a questão da egrégora no capítulo 0.12 e você verá que a questão do chan como egrégora é tratado na figura bíblica de "legião". Se você visitar a fala de Batatasperger Chan Soseki e Agente Peixoto, você verá como a figura da "egrégora" (legião) é pensada esochannealogicamente:

"Veja o caso de Jesus Cristo e Legião"

Batatasperger Chan Soseki

"E a legião de sociopatas desmiolados simplesmente comemorou"

Agente Peixoto


Quando você vai pro "Insider Club" você vê que existe o chan enquanto egrégora (legião) e o chan enquanto atores individuais. O chan enquanto egrégora (legião) criou o QAnon e a SCP Foundation. Esse tema "a egrégora" é tratado na esochannealogia de Saint Obamas Momjeans. 


A esochannealogia trata de múltiplas crenças metodológicas. Essas crenças metodológicas podem ser enquadradas dentro do contexto de uma fé cênica ou na Teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica. 


Você pode notar nisso nas Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica. Essa teoria é propriamente tratada aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-7-osintt.html?m=1

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-8-logica-de.html?m=1


Você verá que a construção intelectual da guerra esochannealógica não se pauta em fatos concretos, mas sim em construções de um edifício da pós-verdade. Se a verdade em si não importa, o que importa é a profecia teleológica na qual o desejado deve substituir a realidade (isso ecoa no capítulo 0.12, onde é tratado a profecia teleológica).


Já se você quiser compreender a respeito da "fé cênica", "verdade cênica" e "mentira poética", isto é, dentro da esfera esochannealógica, você pode ver isso aqui (Magolítica 0.12):


https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-12-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-final-2e6a8fc1853a


Nessa parte, quem fala é a Kauket, e isso tem um significado esochannealogicamente profundo, pois na esochannealogia é a Kauket que representa a antichannealogia e o desmistificante:

"<você sabia de tudo"

"<da loucura de cada ato"

"<da linha torta de cada personagem"

"<e mesmo assim enfrentou a morte"

"<mentiu o tempo todo"

"<fez da verdade cênica a única mentira poética"


Nessa parte do texto, a Kauket revela que existe uma forma que os channers experientes fazem para se esconder: fingem loucura e se especializam em fingir loucura. 


Repare que, dentro do corpo esochannealógico, Kek (o lado masculino) representa o irracional e Kauket (o lado feminino) representa o racional. O "lulz" (caos) não vem só pelo aspecto da mistificação, mas também pela desmistificação. Lembre-se que o livro trabalha com a dialética kekauketiana, isto é, trabalha com a dialética da mistificação e desmistificação. Isso pode ser encontrado no Special Chapter do "Para Além da Máquina de Ódio":


"O fato desses livros apresentarem padrões mitologizantes e desmitologizantes levam o debate público a ter um olhar público que se afasta muito da compreensão e se aproxima muito da polêmica"

"Creio que o autor tentava um modelo que era não-acadêmico e acadêmico ao mesmo tempo. Uma tentativa que podia ser encarada como absurda. Visto que era ruptora dos padrões que eram tidos como rigor intelectual"

"A verdadeira cultura channer é antignóstica e o seu principal símbolo é um sapo do caos que, por sua vez, representa a própria quebra de um conhecimento absoluto, visto que o conhecimento absoluto nada mais é do que uma ilusão de conhecimento a ser desconstruída.A verdadeira cultura channer é antignóstica e o seu principal símbolo é um sapo do caos que, por sua vez, representa a própria quebra de um conhecimento absoluto, visto que o conhecimento absoluto nada mais é do que uma ilusão de conhecimento a ser desconstruída"

CMV = Christopher Marx Voegelin (Christopher Lasch, Karl Marx e Eric Voegelin, o nome do personagem em si traz um aspecto mistificante-desmistificante).


https://medium.com/@cadaverminimal/para-al%C3%A9m-da-m%C3%A1quina-de-%C3%B3dio-special-chapter-1-a-coreografia-da-realidade-c8474e9fc983


O diálogo de Cadáver Minimal (sim, estou escrevendo em terceira pessoa, que maravilha) com Incelito de Souza, no capítulo 0.8, também traz alguns insights sobre isso:

"A não-aceitação junto com a aceitação levam paradoxalmente a unidade sintética do caos que contrapõe a tese e a antítese para formar a síntese (dialática neossistemática esochannealógica)"

"O antiprincípio esochannealógico é o da desconstrução contínua da continuidade do discurso"

"A verdadeira cultura channer é antignóstica e o seu principal símbolo é um sapo do caos que, por sua vez, representa a própria quebra de um conhecimento absoluto, visto que o conhecimento absoluto nada mais é do que uma ilusão de conhecimento a ser desconstruída"


Vou parar por aqui. A resposta poderia ser muito, muito, muito extensa. Tem muitos, muitos motivos para um channer fingir um monte de coisa. Às vezes é difícil falar esse assunto e explicar como a esochannealogia funciona. Mas é muito doido ver como as coisas vão se encaixando.

domingo, 4 de maio de 2025

Acabo de ler "American Psychosis" de David Corn (lido em inglês)


 

Nome:

American Psychosis: a historical investigation of how the Republican Party went crazy


Autor:

David Corn


O estudo da queda da hegemonia americana levanta questões profundas sobre o que podemos aprender acerca do florescimento, desenvolvimento e queda das nações. Estudar tudo isso vem sido uma tarefa graciosa e de crescimento intelectual contínuo para mim. Espero que os leitores desse blog também possam sentir o mesmo. Se não pela leitura dos livros, talvez pela leitura das análises que venho feito.


A metodologia empregada para essa série de análises foi uma contínua exposição e abertura ao debate público americano. Não li só livros, também vi vários vídeos e, inclusive, assisti a documentários para empreender essa tarefa de modo mais razoável. O método analítico empregado é o agnosticismo metodológico em que concordo com o que é expressado em cada livro, tendendo a ser de direita quando ele é de direita e de esquerda quando ele é de esquerda — mesmo que eu recorrentemente saia dessa tendência em múltiplas análises. Evidentemente dei uma predileção especial aos livros conservadores no início dessa empreitada, mais pelo fato de eles estarem no poder e por toda a história envolvendo o Project 2025 do que por alguma outra razão específica.


Em primeiro lugar, qual é um dos fundamentos da mentalidade americana? Qual fundamento é recorrentemente lembrado e que está sempre marcado no debate público? Os Estados Unidos tem uma aliança histórica com uma dada concepção de liberdade. Essa concepção de liberdade aparece historicamente sendo interpretada e reinterpretada de várias formas por diferentes por figuras que se deslocam pelo tempo-espaço dessa nação. Muitas vezes, são amadas. Outras vezes, são rejeitadas. Apesar disso ocorrer em diferentes períodos e a análise dessas figuras e feitos serem passiveis também de reinterpretação de múltiplos grupos ao sabor de cada momento.


A liberdade, tal como se pode pensar erroneamente, não é algo tão simples de se conceituar, a liberdade é passível de discussão. Por exemplo, a liberdade é algo que é dado ou é algo que temos naturalmente? Se ela é dada, quem garante que essa figura que dá a liberdade não possa outorgá-la posteriormente? O Estado deve garantir um direito a algo para que essa pessoa tenha liberdade (exemplo: saúde, educação e segurança) ou o fato de ser o Estado o garantidor dessa liberdade que essa liberdade não é confiável? Várias questões poderiam ser levantadas.


O que deixou, por exemplo, que o Partido Republicano empregasse vários métodos corrosivos dentro dos Estados Unidos sem uma punição clara? Aliás, o que garantiria essa punição? Será que todas as ações historicamente feitas pelo Partido Republicano não se enquadrariam como a propagação estratégica de tribalização, seitização e utilização massiva de fake news e teorias da conspiração como ferramentas de controle e poder social e político? As consequências disso não são atualmente nefastas e colocam em risco a própria experiência americana? Como se lidar com a necessidade de se manter uma sociedade aberta e temente do crescente poder do Estado ao mesmo tempo que se lida com a necessidade de frear uma série de grupos que se utilizam dessa liberdade provinda dessa mesma sociedade liberal para promover o ódio e a divisão?


No Brasil, vivemos aumentando o poder regulador do Estado sobre o discurso na esperança de que possamos dar um basta nessa onda de utilização de desinformação como metodologia política. O Brasil, digamos a verdade, é bastante acostumado com uma ideia burocrática na regência da sociedade civil. Só que isso também leva uma dúvida: o poder do Estado sobre o discurso não cria uma necessidade de uma burocracia especializada na análise do discurso para ver qual é correto e qual é falso? Se sim, isso não implicaria na criação de uma tecnocracia que decide qual discurso é verdadeiro e qual é falso? Se a primeira hipótese é verdadeira, então a própria tecnocracia diria o que o povo pode crer e o que o povo não pode crer. Isso levaria ao fim da própria democracia. Embora hoje já se possa falar dum regime híbrido entre a tecnocracia e a democracia (democracia vertical).


Numa democracia — em que há a necessidade de um autogoverno — há a necessidade de que os discursos sejam livres para que as propostas possam ser lidas, ouvidas e/ou assistidas para serem publicamente analisadas. Uma tecnocracia cria camada, essa camada separa o tecnocrata do restante da população civil e caberia a esse tecnocrata, que está acima do povo, o de agir paternalmente. A necessidade constante de controlar o aspecto discursivo da população para impedir que a desinformação se espalhe abre margem para a criação de uma nova população que se distinguiria da população primária e seria não uma igual perante a lei, mas acima da lei ou sujeita a leis especiais. O que leva a própria corrosão da liberdade — visto que sujeita a uma decisão superior — e a democracia — visto que cabe a um tecnocrata decidir e sua decisão está acima da maioria constituída.


A mentalidade americana surge duma suspicácia do poder constituído e da capacidade desse poder de se sobrepor aos interesses orgânicos dos indivíduos. Em outras palavras, a ideia de uma hierarquização social traz o retorno de uma aristocracia — algo que remete ao Antigo Regime, o mesmo regime que o americano surgiu para ser contra. A identidade americana é uma identidade que nega o Antigo Regime e surgiu para afirmar um mundo que vem após esse regime. É por essa razão que mesmo com tantos feitos na sociedade, muitos deles absolutamente negativos, o americano teme ainda mais a possibilidade de ser controlado. Se assim não fosse, ele estaria, de certo modo, contrário a própria identidade americana.


O livro American Psychosis, em sua compilação histórica, levanta esse dilema mesmo que não diretamente: como viver num momento histórico em que os Estados Unidos acumulou múltiplos grupos que possuem uma mentalidade autoritária/totalitária e que visam substituir a própria sociedade liberal por uma mais fechada ao mesmo tempo em que não se pode acabar com a própria sociedade liberal? Muitos americanos têm uma noção muito forte de liberdade e preferem tolerar grupos indigestos do que tolerar uma ação direta do Estado (mesmo que dentro do Paradoxo da Tolerância de Karl Popper). Como os americanos resolverão tudo isso? É algo que só os capítulos da história poderão mostrar.

sábado, 13 de agosto de 2022

Acabo de ler "O alienista" de Machado de Assis

 



Quando nos deparamos com um clássico, dependemos de um espírito que a ele se abra e entregue-se. Por muito tempo, o humor de Machado de Assis foi-me estranho. Hoje, com maior maturidade do espírito, dou-me a vôos mais altos e constantes. Sinto-me feliz por ter compreendido e rido bastante com essa pequena obra.

A questão fundamental é a definição da loucura. O alienista busca uma "explicação cabível" ao entendimento da loucura. Hipoteca-se sobre a proporcionalidade, depois desenvolve-se na argumentação contrária. A trama se desenvolve como uma arguta crítica ao senso de sanidade e insanidade, além da mediocridade do senso comum e da idolatria científica dos pedantes. Gerando casos extraordinários de comicidade mórbida. A surpresa é característica presente dum roteiro que se engendra tendo como inimigo a monotonia e a padronicidade. Nota-se que Machado de Assis não era outra coisa se não um gênio.

É incrível como surge a "Casa Verde" e qualquer motivo leva ao encarceramento da pessoa. Todos eram alvos. Todos eram tidos como patológicos em dados comportamentos. Chega-se até num ponto em que a grande maioria da população da cidade estava internada. Só que toda essa incomensurável jornada termina com o alienista descobrindo que, em todo esse tempo, o louco era ele e não o outro - nesse caso, todos os outros.

A enunciação duma política experimental totalitária que cultua a ciência e a ausenciação de um ajuizamento da maioria é uma temática interessante. O livro poderia ser facilmente enquadrado nos grandes livros de distopia. Pode-se falar que o livro que tenho em mãos é um clássico da distopia da saúde mental. E, vejam só, é um clássico inigualável em sua riqueza. Termino o livro maravilhado com a agudeza do espírito do autor. Deu-me boas risadas e um bom entendimento crítico que me será útil até a consumação de minha vida.

sábado, 11 de junho de 2022

Acabo de ler "Violent Cases" de Neil Gaiman e Dave Mckean

 



Essa HQ é bem diferente das que estou acostumado a ler. Para ser mais exato, propus-me a uma pequena loucura quando decidi lê-la: pegar uma HQ aleatoriamente, sem ler a sua sinopse e curtir essa experiência do acaso tal como alguém que abre um livro religioso aleatoriamente esperando uma resposta da providência divina. E não me decepcionei em momento algum, muito pelo contrário.

Essa revista em quadrinhos é meio confusa, já que o conto é narrado no presente, mas a história se passa na percepção meio infantil duma criança. Fora isso, há outro fator que complexifica a leitura da obra: a mistura entre realidade e fantasia dentro da mesma narrativa, o que leva a múltiplos caminhos interpretativos. Damo-nos conta de que estamos numa memória meio confusa que está sempre sincretizando múltiplos eventos.

A sensação de confusão que temos ao ler a HQ não é ruim, ela é prazerosa e dá-nos um quê de misticismo. Essa sensação mística se mistura com a própria beleza artística a qual somos expostos. A beleza e a confusão nos transbordam de sentimentos indescritíveis durante todo no intercurso de leitura. E mesmo não chegando a compreensão literal, compreendemos que ela não é necessária: trata-se, antes de tudo, de uma estranha experiência maravilhosa que joga o leitor numa penumbra lunática e maviosa.

Ao terminar de ler, sinto-me dado a grandes mistérios da vida, não concluindo logicamente sobre eles. O que tendo é entender que existem coisas que escapam as nossas mesquinhas definições.