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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Acabo de ler "The Rise of Populism" de Stephen Bannon e David Frum (lido em inglês)

 



Nome:

The Rise of Populism


Debatedores:

Stephen K. Bannon

David Frum


Intermediador:

Rudyard Griffiths


Eu li o livro, mas quem quiser acessar o canal canadense de debates, aqui está o link:

https://youtube.com/@themunkdebates?si=vPT_Rvph0D0eb8tX

Agora se estiver interessado em ouvir o debate, aqui está o link:

https://youtu.be/3nXt2YXrOL4?si=s4N355iN3YCmZ_V5

Se tiver interesse no site:

https://munkdebates.com/


Li esse livro enquanto ficava jogando vinho seco no sorvete e tomando repetidos banhos gelados por causa do calor. Quando fui para praia, acreditei que daria uma folga a minha cabecinha depressiva, mas, na verdade, mergulhei-me em uma série de reflexões e em uma série de leituras. Acho que um grande problema que tenho é esse... eu nunca paro.


Esse livro é bem impressionante, o debate em si é bem impressionante. Usualmente a mídia pinta uma imagem inculta do Bannon, quando vi esse debate, percebi que ele tinha uma intelectualidade mais vibrante do que eu imaginava. David Frum é um "novo conhecido" do blogspot, visto que analisei um livro dele recentemente.


Caso tenham interesse em uma análise anterior que fale de Bannon, leiam essa aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/06/acabo-de-ler-devils-bargain-de-joshua.html


Caso tenham interesse em uma análise anterior que fale de Frum, leiam essa aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/acabo-de-ler-trumpocracy-de-david-frum.html?m=1


Creio que essas duas figuras são extremamente interessantes. Um faz parte do MAGA (Bannon). Outro faz parte do Never Trump (Frum). Podemos dizer que os dois são conservadores, mas vão em linhas bem opostas. Se Bannon crê no futuro do populismo como uma tática boa, Frum crê que o anti-populismo é o melhor caminho.


David Frum ataca o trumpismo e o MAGA várias vezes, colocando múltiplas vezes como um movimento autocrático, cleptocrático e corrupto. Bannon, múltiplas vezes, diz que é claramente um antifascista, que o movimento MAGA não se importa com cor, sexualidade, gênero, mas com cidadania, além de evitar qualquer coligação com o nacionalismo branco.


Os dois tiveram um desempenho intelectual extremamente ímpar nesse debate. Múltiplas vezes vi Frum ser elogioso para com a administração Obama, além de citar uma série de dados sobre os governos de Bush, Obama e Trump comparativamente. Bannon tomou vantagem nas partes em que dizia que o movimento republicano antigo não ganhava voto e nem tração. Frum rebateu citando dados demográficos, coligando a imagem pública antimigração com a perda de votos futuros graças as políticas de Trump.


Menção especial: Jair Messias Bolsonaro foi mencionado por Bannon e Frum. Além disso, outros presidentes de ligação ao conservadorismo populista foram mencionados.


Creio que muitas pessoas, em todo o Brasil, não sabem as diferenças entre as linhas conservadoras nos Estados Unidos e, por tal razão, acreditam que é tudo a mesma coisa. Quando lemos livros como esses, vemos que nada é tão simples quanto parece. A diferença entre os conservadores são gigantescas.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Acabo de ler "It Was All a Lie" de Stuart Stevens (lido em inglês)

 


Nome:
It Was All a Lie

Autor:
Stuart Stevens

O que é verdade e o que é mentira? Os Estados Unidos passa por uma provação na qual a sua identidade pode se perder. Não só a identidade histórica dos Estados Unidos, como a identidade histórica do Partido Republicano e também a do conservadorismo americano.


O fato é que muitos conservadores se manifestaram contra Donald Trump. Para eles, Trump era um homem inculto e incapaz. Mas toda história republicana contemporânea está marcada por várias chagas que dificilmente podem ser resolvidas: o partido não poderá se ancorar nos votos de pessoas brancas por muito tempo. O país está cada vez mais racialmente diverso, o que impossibilita garantir vitória só com um grupo racial – e esse grupo racial é cada vez menor.

Muitas polêmicas surgiram graças a má atuação ou má compreensão dos republicanos em suas ações. Além disso, as várias tendências conservadoras não podem ser facilmente conciliadas. O Partido Republicano não é um partido da direita, mas sim um partido de direitas. O Partido Republicano não é um partido de conservador, mas diferentes tonalidades de conservadorismo.

Trump representa um componente novo. Ele é mais filho direto do populismo americano do que do conservadorismo americano. A sua retórica é meio confusa. Ela mescla o isolacionismo com o nacionalismo, uma adesão – embora não estrita – a parcela branca da população e um desejo de retorno a grande era americana. De fato, a hegemonia americana está ameaçada e grande parte da produção nacional não mais existe. O país está se tornando cada vez mais ditado por serviços e a qualidade da educação está decaindo. Tudo isso gera novas e novas preocupações.

O fato de Trump ser um outsider e a sua retórica ser confusa aos meios de que vem, além dos republicanos previamente não acharem que ele venceria... Tudo isso indica um momento em que os Estados Unidos procurarão cada vez mais práticas para superarem a sua perda de hegemonia.


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Acabo de ler "The Agony of the American Left" de Christopher Lasch (lido em inglês/Parte 1)



Estamos numa crise sem precedentes? Essa questão é trabalhada por Christopher Lasch ao analisar a então surgente esquerda pós-moderna. Processo fenomenológico ao qual ele chamou de "deserção dos intelectuais". A distância entre as gerações parecia ser muito maior do que em outras eras. É como se, de repente, um abismo se cravasse de uma geração para outra. Além disso, o fenômeno de radicalização – um pouco estranho a história americana – se tornou, a cada dia, um lugar cada vez mais comum.


A sociedade americana foi vivendo diversas crises. A pobreza se espalhou pelas massas. E várias pessoas se viram não integradas as riquezas criadas pela sociedade norte-americanos. Essa ausência de integração causou uma espécie de ressentimento em massa. Ajudando, enfim, ao processo de radicalização da sociedade americana. As pessoas que já não integravam a sociedade industrial não se integrariam também a sociedade pós-industrial. Essa lacunaridade se tornaria uma "ferida aberta na veia da sociedade estadounidense".


O movimento que vai contra o corporativismo capitalista nos Estados Unidos tem várias faces e vários grupos. Poderia ser mais enquadrado no populismo e no socialismo – convergentes em alguns pontos histórico, mas não inteiramente iguais –, ganha força em grupos distintos como universitários, proletários, negros e imigrantes.


O movimento populista – nos Estados Unidos da América – se distingue do movimento socialista. Os populistas creem na descentralização, desconfiam da burocracia estatal, além de uma ligação com a agricultura. Já o movimento socialista quer a sociedade industrial reorganizada, acredita no poder do Estado e na centralização – não todos, mas a maioria.


A questão discutida é: quem é o responsável por essas distorções que levam pessoas a ficarem a margem do sistema? Se as classes tem um autointeresse na condução econômica, conforme o pensamento marxista, é evidente que ela busca uma solução mais vantajosa para ela enquanto portadora de um privilégio estrutural. Logo a ideologia burguesa nada mais é do que uma forma de fortalecer o poder dominante da própria burguesia. Os populistas veriam de outra forma essa questão, existem pontuações em relação as situações sociais, culturais e até psicológicas. O sistema permaneceria intacto só ao acomodar essas questões.


Em momentos anteriores da sociedade americana, o movimento populista e o movimento socialista colapsaram – se não em nosso momento, ao menos naquele momento em que Christopher Lasch analisava. Eles não conseguiram se fortalecer o suficiente para fazer valer os seus interesses. Não só não chegaram a hegemonia, como cessaram de serem forças históricas transformadoras.


O movimento populista foi sendo substituído na medida em que o capitalismo industrial ia transformando as forças econômicas dos Estados Unidos. Se o movimento populista se baseava muito em questões dos camponeses e a principal força se tornou o proletariado industrial, a principal base do populismo – agrária – não teve forças para se estabelecer como movimento hegemônico. Ademais, o desenvolvimento contínuo da industrialização monopoliza o saber para determinados grupos que cresciam em poder. Seria muito difícil que pequeños grupos agrários pudessem fazer frente a esse poder e a essa produtividade. Em outras palavras, os inimigos já eram poderosos demais para serem derrotados por um grupo pequeno e fraco.


Um dos planos para revitalizar o populismo foi a maior união entre diferentes grupos e um contato maior com os intelectuais. Numa sociedade marcada pela segregação racial, tal união se tornaria mais difícil e o seu processo seria mais delicado. Já era difícil fazer com que os trabalhadores aceitassem migrantes, como fazer com que aceitassem negros? Um processo lento, diga-se de passagem.


Saindo das questões raciais e indo em direção as sugestões de gênero, embarcamos no feminismo. O que se esperava da mulher? Que ela fosse bonita e bem cuidada para que encontrasse um bom marido. Ou seja, que valorizasse a si mesma enquanto produto para ser vendida para um bom homem. A "mulher ideal" não era mais do que uma "prostituta" que era vendida uma única vez. A mulher não podia ter uma liberdade e uma autossuficiência tal como o homem podia. Ela era um ser privado de liberdade e sujeitado ao gênero oposto.


Todos esses movimentos foram crescendo e se ajustando com o tempo, seus líderes/representantes foram sendo eleitos e, a partir de suas eleições, começaram a perder a sua criticidade e capacidade de ver a sociedade americana como injusta. O que foi gerando uma sociedade desintegrada e representantes alheios aos interesses de suas próprias comunidades iniciais. Além disso, vários grupos careciam de voz audível, dentre os quais os negros. Esses grupos marginalizados tiveram as suas pautas esquecidas.