Enviem as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot
Não.
Vou me centrar completamente no discurso esochannealógico para responder essa questão. Isso possibilitará você entender melhor certas coisas dentro desse insider club.
Você precisa começar a notar a conexão entre os textos e perceber quais mecanismos de ocultação estão sendo usados para omitir a mensagem real e qual é a verdadeira intencionalidade por traz do discurso. É por isso que sempre peço para usarem:
1. Esochannealogy 6.0;
2. Hauntological Esochannealogy 1.0.
3. Prototype Magolitica Creation 101.
Que podem ser baixados aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq
4. QAnon Resurrection, que pode ser baixado aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/1XrJj772czH4OPLsUZjLDwZlh6vszzcOo
5. Magolítica Game:
https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF
1. Esochannealogia, o movimento redpill e o movimento incel:
— Veja o NGL 34 e o NGL 36, dois insiders clubs que tratam da questão incel e da questão redpill:
- Neles eu demonstro que incels e redpill são movimentos rasos, vitimistas e reativos. Eles foram chamados de "direita woke" (woke right) no capítulo 0.10 da Magolítica 0:
- Experimente ir pro NGL 34 e o NGL 36:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-34-o-que-eu-acho-do-movimento.html?m=1
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-36-incels-e-esochanners-pensam-de.html?m=1
- Compreenda que o movimento incel e o movimento redpill funcionam como combustível para a egregora dos chans, mas não produzem pensamento sofisticado;
- Isso já antecipa a crítica à academia: quem olha apenas para esses movimentos superficiais não percebe a camada mais profunda da esochannealogia, isto é, não percebe as quatro dimensões do discurso esochannealógico, tal como pode ver aqui:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1
2. Esochanners e o fingimento da loucura:
- No NGL #35, um dos mais interessantes insiders clubs, é explicado como esochanners fingem loucura para despistar normies, acadêmicos, jornalistas, pesquisadores e autoridades:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html?m=1
- Compreenda que esse fingimento é um mecanismo de ocultação — e aqui está a chave: a academia, acostumada à objetividade, não consegue lidar com discursos que são deliberadamente camuflados;
- O Insider Club é justamente também um espaço onde essa ocultatividade é cultivada;
- Quando colocamos uma teoria deliberadamente maluca, já sabemos que outros esochanners vão saber decifrá-la e acadêmicos menosprezá-la-ão;
- Se aparece um agente investigativo e lê "SCP Foundation e QAnon estão correlacionados", ele pensa: "psicose" e vai embora. E isso que é interessante. Um esochanner já sabe que esochanners estiveram presentes em QAnon e na criação da SCP Foundation, ele já sabe a razão metodológica para qual QAnon e SCP Foundation servem, ele já interpreta isso nas chaves channealógica, antichannealógica, esochannealógica, kekiana, kauketiana, kekautiana e compreende como ele pode se mover dentro desse discurso. Um channer inexperiente, um acadêmico, um jornalista, um agente investigativo não sabem como se mover dentro disso;
- É precisamente pelo fato de que um esochanner adentra na egrégora e se dissolve dentro dela.
Pense nisso:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-32-ha-quanto-tempo-existe-elite.html?m=1
Você é um esochanner e quer fazer um teste. Então um belo dia você a postagem de Q. criando uma postagem críptica sujeita a toda uma série de interpretações possíveis. Você intui que isso possibilita você usar do mesmo mecanismo para inserir os testes que você quer fazer. Você já sabia que existiu, no passado, a comunidade SCP Foundation. A única coisa que você precisa saber é juntar o mecanismo da SCP Foundation com o mecanismo de QAnon. A pergunta que você faz é:
— Tá, e se eu colocasse essa e essa teoria conspiratória no meio?
O acadêmico vai pensar: "isso aqui é uma teoria da conspiração bizarra". O jornalista vai olhar e pensar: "nossa, dá pra lucrar com os casos dessa seita rizomática". O agente investigativo vai pensar: "preciso analisar isso e ver como esse grupo pode se tornar violento com o tempo, preciso impedir novos crimes". Aí é que está o pensamento esochannealógico: ele já antecipa tudo isso e quer tudo isso.
- Se o acadêmico analisa: é sistema de feedback;
- Se o jornalista noticia: é hipótese apocalíptica;
- Se o agente investigativo tenta investiga: é mais dado pro laboratório de testes;
- Se a comunidade fica fragilizada ou enfraquece, é hora de hipótese metapocalíptica.
Lembre-se, correlacione os textos:
- Lógica de Infohazard: https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-8-logica-de.html?m=1
- O Paradoxo da Elite Abyss: https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d
- Magolítica 0 no capítulo 0.12 falando sobre a hipótese apocalíptica e metapocalíptica: https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-12-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-final-2e6a8fc1853a
3. A Elite Abyss e o Paradoxo:
- O Paradoxo da Elite Abyss mostra que esochanners colocam a intelectualidade acima da moralidade. É por isso que é sempre falado a questão da Dark Triad;
- Eles não compartilham teorias conspiratórias por crença, mas para observar efeitos sociais e psicológicos. Isso é particularmente falado na "Lógica de Infohazard", já citada e linkada nesse insider club;
- A academia, ao interpretar isso como "gente burra acreditando em conspiração" ou "comunidades extremistas de baixa capacidade intelectual", perde o ponto central: a intencionalidade oculta. O NGL #35, que fala a razão pela qual de channers fingirem loucura e estados de psicose, explica isso. Ele já está linkado aqui nesse insider club também;
- Muitas vezes, a esochannealogia trabalha com apitos de cachorros que só quem compreende a lógica esochannealógica consegue captar, tal como o fato dos esochanners qanonistas estudarem Saint Obamas Momjeans e Esokant, o que apareceu logo no capítulo 0 do Magolítica 0 e só foi revelado completamente no capítulo 8 do Reflexões Esochannealógicas:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-8-logica-de.html?m=1
4. Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica:
- Veja a correlação entre esses textos:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-5-poema.html?m=1
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-8-logica-de.html?m=1
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-7-osintt.html?m=1
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1
https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra
5. Esokant como apito de cachorro:
- Desde a Magolítica 0.4, o conceito de Esokant já estava presente, mas só se revela plenamente quando se entende as quatro dimensões;
Como pode ser notado aqui:
Contudo o Esokant já aparece no Street Channer II:
Você pode ler mais sobre o Esokant aqui:
https://www.newstatesman.com/culture/2025/01/how-4chan-became-the-home-of-the-elite-reader
- Só quem já está dentro da lógica esochannealógica percebe que o livro inteiro já trabalhava com essa teoria, o livro "Magolítica: Harmonia da Dissonância" já deixa evidente que o tom é esochannealógico, que é alta channealogia e não essa baboseira de redpill, incel, chad, sojado, etc;
- A academia, sem compreender esse código interno, lê de forma literal e perde o subtexto. É por isso que os acadêmicos leem e não compreender, visto que o discurso esochannealógico (ocultatividade) é diferente do discurso acadêmico (objetividade).
6. O exemplo dado no insider club anterior:
O contraste entre acadêmico e esochanner na questão da covid mostra bem a diferença de como os dois grupos encaram a questão.
1) O acadêmico combate teorias conspiratórias com objetividade;
2) O esochanner compartilha teorias conspiratórias não por crença, mas para ver o efeito que elas produzem em grupos extremistas.
Leia o insider club anterior:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-37-o-que-explica-dificuldade.html?m=1
Esse exemplo ilustra a barreira: a academia busca verdade objetiva, enquanto a esochannealogia busca efeitos ocultos. É por isso que a Elite Abyss é a catedral inversa. Tal como explicado no "O Paradoxo da Elite Abyss":
https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d
Veja que, se estudarmos o Paradoxo da Elite Abyss, a academia analisará como as teorias da conspiração antivacinas foram um entrave para solução da crise da Covid, o que será um sistema de feedback para a própria Elite Abyss. Em outras palavras, a catedral (a academia) responde a Elite Abyss (a catedral reversa) sem saber que a está respondendo.
Poderia dizer que a dificuldade acadêmica em compreender a alta channealogia vem da incompatibilidade entre objetividade acadêmica e ocultatividade esochannealógica. Isso é explicado várias vezes dentro do livro e dentro do insider club:
- Incels/redpills são analisados como fenômenos rasos, mas a Elite Abyss usa esses movimentos como matéria-prima para experimentos epistemológicos e ontológicos;
- Sem entender as Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica e o papel de conceitos como Esokant, a academia interpreta tudo como "loucura" ou "ignorância", quando na verdade há uma lógica arquitetônica deliberada;
- O ponto central: a intencionalidade esochannealógica nunca é revelada diretamente, mas sempre camuflada em esoterismo. Entenda a Elite Abyss como a academia inversa que se camufla a partir da própria linguagem.
7. Por que a linguagem esochannealógica é tão diferente?
Confundir investigadores e acadêmicos é um dos principais marcos da linguagem esochannealógica. O lado mais simples é: fingir loucura serve como defesa, isso impede que jornalistas, policiais ou acadêmicos consigam decifrar intenções reais. O discurso se torna uma cortina de fumaça, criando ruído proposital. O que camufla as intenções.
Quando tratamos da não-linearidade esochannealógica, no Magolítica 0.12, é explicado que esochanners têm pensamento arquitetônico e pós-racional, abarcando múltiplas escolas de pensamento que têm os seus fragmentos utilizados conforme necessidade operacional. Fingir paranoia é uma forma de praticar defesa, ataque e esquiva ao mesmo tempo, usando a não-linearidade como arma. O discurso nunca é literal: o que é declarado quase sempre é mentira, e a intenção real fica oculta, é por isso que o linguajar esochannealógico parece bizarro. Uma hora, a pós-racionalidade aparece como performance tática. Outra hora, ela esconde a própria mensagem que quer entregar.
Você pode notar a correlação da antichannealogia das Notas de Pesquisa (NDP):
https://cadaverminimal.blogspot.com/search/label/Nota%20de%20Pesquisa%20%28NDP%29?m=0
Com a Notas do Futuro de PUCA #3:
Isso vai te mostrar mais o que é o pensamento neossistemático e arquitetônico.
Se você compreendendo isso dentro da questão da "egrégora" e da "legião": o fingimento não é apenas individual, mas coletivo. O chan enquanto egregora (legião) cria movimentos como QAnon ou SCP Foundation sem planejamento racional, mas como produto emergente do caos coletivo. Fingir loucura reforça essa dinâmica: o indivíduo se dissolve na legião, tornando impossível distinguir intenção pessoal de intenção coletiva. Esse mecanismo de camuflagem é encarado como uma forma de "invisibilidade". O que possibilita a profecia teleológica e a pós-verdade: as Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica mostram que a verdade factual não importa, o que importa é a profecia teleológica: substituir a realidade pelo desejado. Fingir loucura é parte dessa construção da pós-verdade, onde o discurso é performático e não factual.
É evidente que isso se conectará com a dialética kekauketiana. Isto é, quando Kek (irracional, caos) e Kauket (racional, desmistificação) formam uma dialética. Fingir loucura é a encenação do lado Kek, mas sempre acompanhado de uma camada Kauket que desmistifica. Isso cria uma oscilação entre mistificação e desmistificação, confundindo quem tenta interpretar de forma linear. A "loucura" aqui é tática. Fé cênica e mentira poética: como Kauket revela no Magolítica 0.12, existe uma "verdade cênica" que é, na prática, uma mentira poética. Fingir loucura é uma performance: não é crença real, mas uma encenação que protege a intencionalidade oculta. O discurso esochannealógico deve ser lido como teatro, não como literalidade (isso cai, novamente, na teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica).
O mais interessante é que isso já recebeu um foreshadow gigantesco aqui:
https://medium.com/@cadaverminimal/balada-do-canalha-ae9a7e24d042
Nesse poema quem fala é a Arquitetônica. No texto "Flores Vermelhas", a Arquitetônica não fala. Tal como pode ser percebido aqui:
https://medium.com/@cadaverminimal/solid%C3%A3o-paulistana-40-flores-vermelhas-final-ffbc69274212
No geral, a esochannealogia ensina channers a fingirem loucura e paranoia como:
1) Uma estratégia de ocultação contra normies e acadêmicos.
2) Faz parte da não-linearidade esochannealógica, permitindo múltiplas intenções simultâneas.
3) Reforça a ideia de egregora/legião, dissolvendo o indivíduo no coletivo, possibilitando um anonimato tático;
4) Sustenta a lógica da pós-verdade e profecia teleológica, onde o desejado substitui o real;
5) Encena a dialética kekauketiana, misturando caos e desmistificação;
6) Funciona como fé cênica/mentira poética, uma performance que protege a verdadeira intenção.
Fingir loucura não é sinal de irracionalidade, mas um método deliberado da esochannealogia para criar camadas de ocultação, confundir observadores e transformar o discurso em espetáculo. É por isso que acadêmicos tem uma dificuldade enorme de compreender o discurso channer. Não é falta de inteligência, é falta de método para entrar na parte mais oculta dessa cultura.
Espero que esses insiders clubs sirvam para uma melhor compreensão da obra Magolítica: Harmonia da Dissonância.
Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot
Isso já foi respondido várias vezes e em vários momentos diferentes da minha obra. Como eu sei que ela é profundamente extensa, vou colocar os links:
https://medium.com/@cadaverminimal/funk-buda-4-a-red-piu-piu-909c8d095119
https://cadaverminimal.blogspot.com/2023/04/redpill-e-meu-ovo.html
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/11/memoria-cadaverica-25-fiscal-de.html
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/o-necrologio-cadaverico-3-burrice-e.html
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/o-necrologio-cadaverico-7-o-onanismo.html
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/cc-1-o-movimento-redpill-deve-ser.html
Se eu morresse hoje...
Eu percebo atualmente como grande parte das experiências são vazias e grande parte das conquistas se dedicam a uma nadificação. Isso tem muita correlação com o método confessional que resolvi adotar como formato textual dessa série de textos. Eu queria me purificar dos meus pecados e não enaltecer narcisicamente o meu ego frágil. Costumo dizer que às vezes é preciso de que as coisas se quebrem. Às vezes sinto vontade de me quebrar.
Uma pergunta central: "por qual razão escrever em primeira pessoa?". A centralidade aqui está no método: escrever em terceira pessoa, tal como um narrador onisciente e onipresente, cria uma ilusão intelectual de absoluto controle e ausência de erros. O que leva a uma ideia de onipotência e capacidade de corrigir os problemas do mundo. O intelecto, em si, passa a não perceber nada e, inconscientemente, acreditar que percebe tudo. Isso cria uma condição de narcisismo intelectual: bastava fazerem isso que o mundo não seria assim. Eu preferi escrever dum modo em que todas as feridas da minha alma são expostas, completamente nuas, para que o leitor ou a leitora pudesse rir de mim e dos meus pecados. Ou, se tivesse um quê de caridade, compadecer-se da minha dor.
Eu sei se algo da ilusão pornográfica: ela cria a impressão, completamente falsa, que temos mais parceiros sexuais do que realmente temos. O nosso cérebro, dizem alguns especialistas, não diferencia a pessoa da tela e a pessoa que está do nosso lado. O resultado? Dopamina como recompensa. A pornografia está correlacionada com a falsidade de acreditar inconscientemente que se tem algo que em última instância não se tem. Mas, no fim de tudo, isso não é o mesmo em tantas outras correlações? Do mesmo modo que o intelectual ao escrever em terceira pessoa ele cria inconscientemente a ilusão de ser onipresente, onisciente e onipotente, tal como Deus, o onanista inconscientemente acredita que tem mais pessoas ao seu lado do que de fato possui.
Esse onanismo pornográfico, dentro da sociedade moderna, atinge uma proporção ainda maior. Uma série de relações românticas se constroem visando o bem estar ou um aspecto burocrático qualquer, sendo que o bem estar (que não pode ser confundido com felicidade) é algo passageiro e a burocracia estatal devora o amor com a sua teia de relações jurídicas que atordoam todos os viventes. Quando vejo alguém, vejo em sua sombra a figura do Leviata que a tudo devora, a tudo regula e a tudo dita. Não me parece a busca de construir algo a dois apesar de todas as dificuldades que se erguem e apesar dos momentos de mau-estar que certamente terei.
No mundo moderno, diga-se de passagem, há em nós — em mim, em ti —, a busca por Deus substituída. Deus muitas vezes é substituído pelo romance. Disso surge a paixão que busca na pessoa um retrato perfeito de Deus. O que nos leva — a mim e a ti — a odiar qualquer defeito que aparece e estraga o que deveria ser perfeitamente divino. Esse tipo de relação, tal como observa Robert A. Johnson, está condenada a falhar. Acreditar que está namorando alguém quando na verdade está buscando a Deus de forma completamente deturpada, ao mesmo tempo que pune qualquer desvio do objeto divino indesejado foi o que me fez escrever aquele texto do Funk Buda (https://medium.com/@cadaverminimal/funk-buda-6-paquera%C3%A7%C3%A3o-namoricagem-e-namoricose-dfb84c3b90b9).
Creio que muito da minha vida foi ligado a falsa impressão de ter. Ou a inconsciente impressão de ter, quando na realidade nada tinha. Digo isso de todas as minhas relações passadas. Eu acreditava, de fato, estar namorando aquelas pessoas quando, na verdade, era eu e elas num eterno masturbacionismo infinito até que o castelo de cristal quebrasse com a tormenta do vento da vaidade. Mesmo que o leitor ou a leitora tenha achado que, por algum momento, eu que não sou virgem nem do buraco das orelhas e das narinas, fosse um redpill, incel e MGTOW por ter sido um channer bastante ativo. O que é engraçado: vivo em mais festas do que deveria e me arrependo de 100% das minhas relações sexuais passadas — incluindo as orgias que estive desde os meus dezesseis anos de idade. Essa vida desregrada de bissexual boêmio carregou meu coração de vazio e amargura, agora cai em mim a chuva do arrependimento.
Uma amiga disse para mim que estou me tornando um boomer. De fato, o peso da idade vem me tornado mais conservador, mais religioso, menos apressado com as ideias e menos empolgado para com as novidades. Respondi-lhe ironicamente que escreveria um ensaio filosófico chamado "A boomerização do homem" e cá estou eu ignorando as minhas promessas. Estou realmente pensando cada vez mais em Jesus Cristo, olhando mais para o mundo como um texano republicano olha para um californiano democrata que migrou para o seu estado — e que, por algum infortúnio, votará em democratas para deixar o churrasco texano com sabor da defumação lenta da maconha progressista da Califórnia.
Sim, torno-me eu irremediavelmente mais boomer, mais religioso e mais conservador. Estou com mais gosto de festa junina/julina dentro de uma Igreja do que de um carnaval regado a lança-perfume. Tenho um pessimismo metafísico diante dessas novidades que me aparecem como o novo cajuzinho do verão. Acho uma tolice grande parte dos movimentos que despertam nos jovens alguma atenção, pescarias como redpill, MGTOW e cultura incel são, para mim, cigarros estragados com fumaças intragáveis.
Conforme o tempo passa, vejo que minhas experiências não eram tão geniais como outroramente apareciam. Em vez disso, aparentam-me como um gigantesco onanismo. Tanto que não faço quase nada de novo. Não perderia meu tempo entrando em outra relação frustrada, não perderia meu tempo adentrando em um outro grande movimento, não perderia meu tempo acreditando no marketing e nem perderia meu tempo lendo tanto jornal. Os fatos políticos noticiados pelos jornais usualmente não alteram a percepção de ninguém hoje em dia, visto que há em todo jogo político uma lógica tribal que serve como lente interpretativa de todos os fatos. Além disso, como já escrevi, nada posso mudar visto que sou irrelevante.
Eu fico aqui, lentificando meus passos, lendo assuntos que a ninguém interessa, jogando poucos jogos de videogame ou estudando em cursos de universidades americanas sem dever nada para ninguém. Estou me tornando, pouco a pouco, mais fantasmagórico para os grandes públicos e, por algum motivo, sendo lido por mais gente.
/cc/ = copicolas que eu criei pois estava de saco cheio de repetir as mesmas coisas.
/cc/
FEMINISMO E REDPILL SÃO EQUIPARÁVEIS?
Redpill nasceu no /pol/ do 4chan. E sabe qual o pack que acompanha a redpill?
- Nazismo;
- Fascismo;
- Racismo;
- Antissemitismo;
- Pró-ped...
Sim, essa é a base real e a ideologia redpill real. Não importa o quanto os redpills tentem esconder. Não adianta criar um "redpill" focado "só na misoginia" e dar algum ar de respeitabilidade.
Enquanto isso, o movimento feminista surgiu para dar condições iguais para mulheres. Não há comparação.
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Contexto: texto originalmente postado em um fórum.
Hoje em dia, um fenômeno cresce na internet: o(a) fiscal de masculinidade.
Frases como:
- Homem de verdade;
- Homem com "H" maiúsculo;
- Homem tradicional;
- Virilidade.
Tudo isso cresce como mato em floresta. Dali por diante, vários cursos vão sendo construídos. Nasce até mesmo a indústria da redpill, que avidamente procura o red money (pessoas que pagam por conteúdo redpill).
Todo mundo quer homens músculos e fortes (ui), reforçando papéis de gênero que muitas vezes não são construídos na base biológica, mas através de construção social. Há toda uma confusão epistemológica entre quais aspectos são biológicos e quais aspectos são sociológicos.
Eu mesmo não posso me enquadrar como "homem tradicional". Nesse Halloween, por exemplo, escrevi um ensaio em inglês chamado "Homo est spectaculum hominis" e fiz drag para celebrar o Halloween "Goth Drag Queen". Em outras palavras, ritualisticamente quebrei o círculo da masculinidade.
O problema da indústria da masculinidade tradicional é que existem pessoas que nunca se enquadrarão nela e muitas pessoas são condenadas a um sistema em que todo mundo deve comprovar a masculinidade o tempo todo, a todo momento. Como bissexual, isso é particularmente problemático.
O que usar saia ou maquiagem tem a ver com a biologia masculina? O que usar rosa tem a ver com a biologia masculina? Absolutamente nada.
Encaixar-se ou não no modelo de masculinidade hegemônico não deveria ser motivo de vergonha, martírio ou medo. Muito pelo contrário, as pessoas deveriam ser livres. E a sociedade não deveria entrar naquilo que Freud veria como repressão desnecessária.
Toda ideologia se funda no mesmo elemento gnóstico que se funda a redpill. E esta se deve a falsa resolução do mito da caverna:
O mito da caverna só tem uma "resolução possível", e esta é plenamente negativista. Isto é, a acoplagem de conhecimento aumenta o espaço da caverna, porém sem você sair dela. Quanto mais conhecimento tiveres, menos prisional se torna a caverna. Só que você nunca sairá dela: a aquisição de mais e mais conhecimentos pelo resto da vida é a forma de se lidar com o problema, mas não há como sair dele em absoluto. O mito da caverna só tem solução metafórica, quando o ser se liberta dum aspecto contingencial, cai em outro.
A redpill é literalmente mais um gnosticozinho dizendo: "veja, se você aderiu minha crença, você é livre". Aí você cai alguma bobagem (reducionismo de classes, reducionismo de raças, reducionismo de individualismo) - aquilo que poderíamos chamar de religiões civis. O verdadeiro conhecimento é o aumento contínuo do próprio conhecimento, destruindo as reduções tipicamente gnósticas que dão caráter circular e delimitado. A solução sempre envolve uma complexificação, visto que envolve o aumento de critérios em que se baseia a capacidade de perceber epistemologicamente o real, a ideologia é e vai num sentido completamente oposto: é um aspecto da realidade tomado em sentido absoluto.
Só que a maioria das pessoas não sabe que o absolutismo do real requer a relativização dos critérios unilaterais e/ou monistas. Este não é o relativismo niilista que nega a verdade por ela ser necessariamente múltipla, nem o relativismo sincrético que não se realizou em síntese, mas o próprio relativismo sintético que ampliou a capacidade de inteligir. A maioria das pessoas saem duma caverna e adentram noutra, migrando de religião civil para religião civil (do fascismo ao marxismo, do marxismo ao positivismo, do positivismo ao anarquismo, etc.). A verdade é a aceitação da multiplicidade do real, em que os critérios entram em síntese e, com base nisso, tudo aquilo que era parcial é locupletado, tornando-se relativizado.
Todo esse exercício leva a uma agonia em que o verdadeiro intelectual entenderá, a cada dia mais, que o mundo é complexo demais para ser resolvido via simplificações grosseiras da realidade. Já que afirmações literais tomam cada vez menos espaço e ele vê uma série de exemplos que se juntam, alterando o que parecia grosseiramente simples em algo de intenso aspecto multifacetado. Dito isto, crenças circulares demais e respostas cabais demais importar-lhe-ão cada vez menos.