Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Contexto: relato deixado em um grupo católico, corrigi e expandi o texto para deixá-lo mais preciso.
Eu lembro do que ocorreu uma vez. Há um tempo atrás. Falo há um tempo atrás e fazem dois anos, visto que foi em 2024. Namorava uma mulher árabe, uma comunista. Era uma comunista de primeira, visto que treinada por anos de militância. Por algum motivo, caminhávamos pelo centro de São Paulo. E eu vi uma Igreja. Senti que precisava entrar lá. Não saberia dizer a razão, apenas sentia que precisava. Perguntei se ela queria entrar.
É interessante. Hoje vejo que dizer que quer entrar em uma Igreja pra uma comunista de carteirinha é algo muito estranho, mas ela me acompanhou. Pouco tempo depois, e de algum modo, eu me pus de joelhos ali. Fechei os olhos, queria orar. Por um momento, rapidamente. Eu vi que flutuava em um espaço. Em um estranho céu azul límpido e claro. Ele era pacífico e cheio de nuvens. Então uma lança atravessou meu coração. Ela me atravessava por baixo, eu flutuava por cima. O sangue do meu coração foi descendo pela lâmina. Descia infinitamente. E o sangue que escorria, tal como uma nascente, criava uma catedral.
Por algum motivo isso me fazia chorar. Hoje, contando tudo, vejo que não foi a minha primeira visão. Já me vi ajoelhado perante Maria, chorando copiosamente. Já vi a Igreja, do teto, e uma estanha luz azul que parecia ser a conexão com Espírito Santo.
Diante do incompreensível de tais visões, decidi não ir mais. Senti medo. Medo real de estar enlouquecendo toda vez que pisasse numa Igreja. É algo que, se por um lado, é belo. Tão belo que me faz chorar. Também é algo que me dá medo de estar enlouquecendo. Talvez seja só um motivo estranho de um homem estranho.
