Se eu morresse hoje...
Lembraria que estou sempre lendo alguma coisa. Os leitores desse blogspot sabem disso. Atualmente tenho lido o livro "Never Trump" ("Never Trump: The Revolt of the Conservative Elites"), um livro escrito por Robert P. Saldin e Steven M. Teles. Pode não parecer, mas eu não me acho uma pessoa inteligente. Sei que tenho um interesse elevado por abstrações e por livros, mas sei que muitas pessoas são atraídas pela mais pura inércia.
É estranho, estou sempre vendo algum vídeo mais intelectualizado. Porém creio que isso tem a ver com o gosto. O que realmente me surpreende é o fato de que as pessoas veem muito conteúdo que, na maioria dos casos, poderia ser considerado extremamente duvidoso.
Por exemplo, acho teorias da conspiração extremamente duvidosas. A história da vacina, naquela época, tinha uma falha que considerava central: a hipótese de que as elites queriam uma redução populacional sendo que até hoje em dia os países lutam contra as suas baixas taxas de natalidade. O que me levava a pensar: "e se o plano do mal não seja, tão somente, o lucro com a boa e velha propriedade intelectual que gera uma escassez de um produto, dessa vez essencial, para o mundo?". Creio que isso seria algo muito mais simples.
De qualquer modo, tive uma preguiça extrema de ver conteúdo anti-vacina e também tive uma preguiça extrema de ver conteúdo pró-vacina. Apenas tomei as vacinas e segui o jogo.
Outra coisa que marcou os debates intelectuais recentes foi a questão dos incels e da redpill. Na minha época, recebendo conteúdo redpill traduzido direto da fonte, isto é, do /pol/ do 4chan, posso dizer que a redpill poderia ser tudo e qualquer bobagem. De qualquer modo, esse movimento foi completamente interpretado como sendo um movimento sobre mulheres. Em outras palavras, um movimento que era sobre supremacismo branco, apologia à pedofilia, nazismo, fascismo, ódio contra judeus, ódio contra islâmicos etc, etc, etc... virou um movimento que só prega ódio contra mulheres. Olhando pro lado bom, se eu fosse redpill, eu agradeceria a burrice da esquerda e das feministas por me descontarem tantos e tantos crimes. Chegaria até a ser um alívio ter 99,9% dos erros perdoados.
Lembro-me de que cheguei a larpar de ser incel. O que foi momentaneamente engraçado. Uma hora, eu estava lendo um livro qualquer, indo em uma festa, fumando um baseado, pegando alguém ou até ouvindo música. Em outra, estava lá eu trollando muito com a cultura incel.
Nunca quis me aprofundar no incelismo e na redpill. Achava que aquilo tudo tinha muitas afirmações e poucas fontes. Como sou um rato de biblioteca, sempre li de tudo. Logo criei um ceticismo natural para com tudo. Toda aquela onda de afirmações não me causavam nada além de tédio. Fora isso, eu nunca perderia meu tempo vendo vídeos e mais vídeos sobre o assunto, de modo que simplesmente ignorei 99,9% do conteúdo redpill e anti-redpill, incel e anti-incel.
Se alguém me chegasse e me dissesse:
— A partir de hoje você passará todos os dias falando mal de mulher e discutindo teorias que falam mal de mulher.
Eu responderia:
— Apenas não.
Eu ignoro qualquer monotonia. Sempre ignorei fios e teorias sobre mulheres até mesmo dentro de chans. Grande parte dos usuários de chans apenas dão sage e vão discutir algo mais interessante do que um amontoado de teorias conspiratórias envolvendo o gênero feminino, tal como Sega Saturn e Digimon.
Se também não me atrai por nada disso, tampouco me atrai por teorias da conspiração. Como estou acostumado a ler de tudo, vi que toda teoria intelectual apresentava pontos fracos e fortes. Se teorias intelectualmente sofisticadas apresentam pontos fracos e fortes, é muito difícil imaginar que teorias conspiratórias não soem completamente malucas para pessoas como eu que vivem empilhando livros para ler.
Existem grandes teorias que rechearam minha mente por pouquíssimo tempo. Um exemplo disso a teoria da evolução, o qual tenho por verdadeira. Não porque eu estudei realmente sobre assunto, mas simplesmente porque eu pensei: "pode ser, pra mim tanto faz". Não é como se eu fosse estudar sobre tudo acentuadamente até chegar a uma conclusão factível. Eu apenas vi alguns livros, vi alguns vídeos, vi que era grande parte do consenso moderno e simplesmente lidei com a minha insignificância perante ao assunto.
Considero fascinante, a nivel psicológico e sociológico, a forma com que teorias conspiratórias radicalizam o mundo e prendem pessoas em cubículos, mas, sendo sincero, sinto mais como se eu estivesse olhando para ratos em ratoeiras do que sentindo um dever ético forte perante a isso. De qualquer modo, esses animais, digo, essas pessoas devem ser domesticadas, digo, tratadas... para não saírem fazendo merda por aí e gerando inconveniência e transtorno por onde passam. Todavia isso é um problema da saúde pública e da segurança pública, não um problema meu.
Acho que essa é a reflexão que eu tenho. O fato de eu ser uma pessoa que se sente facilmente entediado me livrou de crer em teorias da conspiração. Às vezes a semelhança com Belphegor não é um erro, mas uma salvaguarda contra a idiotice.
