sexta-feira, 31 de julho de 2026

/cc/ #6 — O Absoluto Estado da Internet Brasileira

 



/cc/ = copicolas que eu criei pois estava de saco cheio de repetir as mesmas coisas.


>eu não instalei a internet para ver pessoas atribuindo a marca BYD à homossexualidade

>eu não abri a internet para ver pessoas viralizando teorias conspiratórias sobre as urnas brasileiras

>eu não pago a internet para ver pessoas divulgando baboseira antivacina

>eu não entro na internet para ver pessoas compartilhando político influencer dando os discursos mais toscos enquanto olha para uma câmera

>eu não quero entrar na internet para ver pessoas tentando me convencer sobre a opinião política delas

Quanto mais eu interajo com pessoas na internet, menos eu quero interagir com pessoas na internet.


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Acabo de ler "The Fractured Republic" de Yuval Levin (lido em inglês)

 


Nome:

The Fractured Republic: Renewing America's Social Contract in the Age of Individualism.


Autor:

Yuval Levin


O que une um povo? Essa é uma questão que o livro trabalhará do início ao fim. Existirá, contudo, uma crítica às ideias que os baby boomers tiveram. Essa crítica decorrerá do fato de que grande parte do que se pensa dos Estados Unidos vem da mentalidade desenvolvida pelos baby boomers. Uma das principais noções que marcam essa mentalidade é a de que os Estados Unidos apresentavam uma alta estabilidade pós-guerra (Segunda Guerra Mundial).


O livro fala bastante de como as novas tecnologias transformam a mentalidade de um país. Hoje em dia, falamos de um tempo em que as redes sociais se tornaram dominantes. Nelas todos os tipos de encontro são possíveis. Com elas, a troca de conhecimento, sobretudo para quem tem acesso a mais de um idioma, torna-se uma característica marcante. O mundo tem um maior conhecimento a respeito de si mesmo e traduções se aceleram devido ao acesso às IAs. A construção de noções majoritárias, isto é, os consensos sociais, atualmente é mais intermediada por mecanismos globais do que de fato pensamos ou estávamos acostumados.


Nos Estados Unidos, o desenvolvimento da mídia de massa não foi só um desenvolvimento tecnológico. Ele não foi um ponto em que uma mídia se generalizou. A mídia de massa trouxe a cultura de massa e a cultura de massa trouxe a homogeneização da cultura. Essa homogeneização da cultura, por sua vez, trouxe uma espécie de unidade nacional. Essa unidade nacional era ditada por quem detinha os meios de produção cultural. Isso é também uma realidade no Brasil. 


Uma crítica bastante pertinente que o livro apresenta é que, no período de relativa estabilidade, havia o consenso sobre o papel que o governo exercia na vida dos cidadãos. Esse consenso dava uma certa unidade entre as visões políticas republicanas e democratas. Outro é o fato do racismo e do sexismo serem características determinantes daquele período, logo, a unidade e estabilidade não eram tão grandes quanto se imagina. Muitos empregos e posições de poder eram dados tão somente a homens brancos. A visão que usualmente é estabelecida como real é a visão gerada por homens brancos em posição de poder. É válido lembrar que esse livro foi escrito por um conservador, logo alegar que isso é uma percepção meramente progressista é incorrer em erro.


Grande parte da chamada "era progressista" foi marcada pela centralização. Podemos compreender os esforços dos neoconservadores, que chegariam ao seu ápice na Revolução Reaganiana, como uma tentativa de descentralização. Antes dela, o movimento governamental ia em direção a uma tentativa de tecnicizar a gestão governamental por meio de mecanismos que já eram comuns à gestão privada. A iniciativa centralizadora começou com a grande crise de 1929, que levou a uma militarização da sociedade civil e à expansão contínua do Estado. Essa harmonia social, contudo, não durou eternamente: os movimentos socioculturais, tempos depois, começaram a pregar a individualidade em vez de uma identidade nacional. Houve um período em que os Estados Unidos estiveram divididos entre um forte apego ao individualismo contraposto a um forte anseio de centralização governamental.


Uma das características mais marcantes é o surgimento do conservadorismo fusionista. Conservadorismo esse mesclaria tradicionalismo, libertarianismo e anticomunismo. Os conservadores souberam utilizar o anticomunismo crescente com o espírito libertário antiestatizante. Foi nessa época em que o discurso conservador parecia extremamente revolucionário e uma espécie de antítese à burocracia estatal soviética. Esse libertarianismo era econômico e político, mas não adentrava perfeitamente os aspectos culturais. 


Os Estados Unidos passariam por um período de liberalização econômica. A liberalização econômica viria lado a lado com a atomização cultural. Os novos imigrantes não eram devidamente integrados às comunidades locais. É evidente que a ausência de integração plena dos novos imigrantes não é uma justificativa para o crescente racismo e xenofobia nos Estados Unidos.


Também é preciso lembrar que a crise de identidade nos Estados Unidos também se encontra na ausência de grande crescimento e coesão social pós-Guerra Fria. Quando a Guerra Fria terminou, os cidadãos dos Estados Unidos tinham plena confiança no que faziam e no futuro do seu país. Atualmente tal confiança foi abalada. Não existem pontos de unificação para o que os cidadãos dos Estados Unidos devem crer. Eles não sabem pelo que estão lutando ou pelo que deveriam lutar.


Uma das características mais marcantes do livro é a de falar do crescente individualismo e da polarização. A solução proposta pelo autor é a subsidiaridade e as instituições intermediárias em vez do poder central. O autor também falará que conservadores precisam entender que a sociedade é muito diversa para ser controlada por instituições antigas. Logo, conservadores deveriam entender subculturas morais. É preciso lembrar isso novamente: o autor é conservador. É preciso que os conservadores compreendam que o mundo de hoje é marcado por diferentes subculturas morais e que o próprio tradicionalismo social é uma subcultura moral dentro de uma sociedade complexa, diversificada e descentralizada.


Durante todo o livro, Yuval Levin defenderá as instituições intermediárias como solução para todos os problemas. Isto é, o localismo e o federalismo são meios de descentralização, soluções intermediárias. Em vez da centralização em Washington ou do individualismo extremo, existe um caminho do meio. Um dos maiores argumentos favoráveis ao seu posicionamento é o fato de que hoje em dia a própria social-democracia precisa ser repensada para estar par a par com a complexidade do mundo. Se o mundo das políticas públicas exige maior adaptação às situações locais, o localismo e o federalismo ligados às instituições intermediárias dão respostas melhores ao mundo contemporâneo. Quanto mais complexo e diversificado é o mundo, mais descentralizada deve ser a gestão política, visto que é mais difícil compreender os múltiplos cenários, como o conhecimento está disperso pelo corpo social, é melhor distribuir a gestão política para múltiplos agentes do que concentrá-la em poucos especialistas.

Caveira Casual #13 — Monotonia do Debate Brasileiro

 



Grande parte da internet brasileira parece ter o ar interiorano de uma cidade pacata onde nada de verdadeiramente novo acontece. Eu tenho evitado grupos brasileiros e sites brasileiros ao máximo, com exceção daqueles que são usados para estudo ou daqueles com os quais tenho alguma familiaridade há anos.


Lembro-me de quando eu era mais novo. Tinha um problema enorme. Queria discutir não só stalinismo e trotskismo, mas o zapatismo também. Via que as discussões brasileiras tendiam a seguir sendo as mesmas. Quando eu era adolescente, via conservadores discutindo o neoconservadorismo e apresentando ideias neoconservadoras. Hoje em dia, apesar do conservadorismo internacional ter mudado muito e ido em direção a uma posição menos neoliberal e mais industrialista na esfera econômica, o debate nacional segue o mesmo, tal como se nada absolutamente tivesse acontecido.


A monotonia me irrita.

/cc/ #5 — Estou de saco cheio do brasileirismo!

 



/cc/ = copicolas que eu criei pois estava de saco cheio de repetir as mesmas coisas.


Estou de saco cheio do brasileirismo!


Essa onda que entrou agora quer pôr o Brasil em tudo e obrigar todo mundo a consumir o Brasil em tudo. Todo brasileiro, imbuído de uma consciência artificialmente cívica e patriótica, deve ser brasileiro em gênero, número e grau!


Eu, pra ser sincero, estou cansado do Brasil. Eu sou brasileiro, meus pais são brasileiros, minhas ex-namoradas são brasileiras, todos os meus exs-namorados são brasileiros, todas as minhas ex-sogras são brasileiras. E, pra quem me chamar de vira-lata, até meus oito vira-latas são brasileiros e uivam o Hino Nacional com a consciência de mil Nelson Rodrigues numa autocondenação ao vira-latismo.


Toda vez que abro a internet e vejo conteúdo do Brasil, vejo a mesma coisa. Por algum motivo, todos usam o recurso das universais afirmativas, tal como se tivessem saído de um curso filosófico de lógica nacionalista:


- Todo brasileiro deve ver filmes nacionais!


- Todo brasileiro deve ler livros nacionais!


- Todo brasileiro deve ouvir música nacional!


- Todo brasileiro deve comer comida nacional!


Todos os que acordo, estou no Brasil. Eu vejo brasileiros todos os dias. Quando saio de casa, ouço Péricles pelas ruas. Quando abro a internet, deparo-me com as discussões tipicamente nacionais. É por isso que digo: eu não preciso de mais Brasil, eu preciso de menos Brasil!


Atualmente só leio livro gringo, pois quero sentir que estou fora do Brasil. Atualmente só jogo jogo gringo, pois quero sentir que não estou no Brasil. Compreende? Eu prefiro passar, sei lá, mil horas escutando artistas estrangeiros do que lembrar que estou no Brasil. Substitui Legião Urbana por Soda Stereo. Substitui Nikolas Ferreira por Yurval Levin. Substitui Lula por Proudhon.


Se me aparece um bolsonarista, digo-lhe que voto em quem ele quer que eu vote apenas para ele não me encher o saco com a sua brasileirice. Se aparecer um petista, digo-lhe a mesma coisa. Eu não ligo. Nem sei a razão pela qual um homem como eu, favorável a tecnocracia, tem direito a voto. Vocês deveriam ser gratos por eu não querer votar e, quiçá por sorte improvável, eleger um tecnocrata que quer o fim da festa da democracia.


É simplesmente insuportável ter uma obrigação que não pedi. Toda vez que vejo um outro brasileiro, sinto vontade de dizer: "apenas não, já tenho demais do Brasil vivendo nele, por favor, procure outro brasileiro para expressar a sua brasilidade".


Outro terrível fato é que, por algum acaso, todo brasileiro que vejo em vídeo gringo aparece dizendo "I as a Brazilian" e segue-se algum besteirol desnecessário. Soa como um "I ass a Brazilian". Estou farto dessas apresentações brasileiras, eu não quero saber que você vem do Brasil e também acho que ninguém quer saber. Você não é especial por ser brasileiro, eu não sou especial por ser brasileiro.


Vocês querem mais Brasil, sejam mais brasileiros entre si. Eu quero menos Brasil, deixem-me em paz com a sua brasilidade! Não me venham com seus filmes, seus livros, seu futebol, suas músicas, seus políticos, seus nacionalismos azuis ou vermelhos! Deixem-me em paz! Pelo amor de Deus!

terça-feira, 28 de julho de 2026

Retrowave #17


 

Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

Caveira Casual #12 — Session 9, Rick e Morty e ex-namorada

 



Pouca coisa ocorreu nesse intervalo de tempo. Assisti à Session 9. Também assisti ao final da nona temporada de Rick e Morty recentemente. Fui à casa da minha ex-namorada ontem. Tivemos conversas casuais e tomamos algumas cervejas. Conversas sobre a vida preencheram quase tudo. Voltei pra minha casa de Uber. Minha ex-namorada pagou.


É impressionante como não me lembro de quase nada, apenas de flashes. Em algum momento, ela estava preocupada com os sons que emitíamos enquanto nos beijávamos. Ela disse: "A minha mãe pode ouvir". Eu disse: "Aquela que você chama de mãe, eu chamo de sogra". Parecia que eu estava em alguma série aleatória em que eu era o personagem mais cínico.


Não gosto muito de escrever sobre o que ocorre em filmes ou séries. Para ser sincero, creio que isso estraga a experiência. Creio que cada pessoa deve ter a sua experiência sem nenhum spoiler. Antigamente adorava spoilers e contar spoilers. Atualmente isso mudou. Acredito que isso estraga a experiência da pessoa. O inesperado é algo bom em uma vida marcada por lugares comuns.


As aulas de teatro voltam esse sábado. O mandarim, não sei quando começa. Tenho me dedicado à leitura com parcimônia, embora não tenha entrado numa fase de extremo encanto para com ela. Continuo a ler Yuval Levin. Ele se demonstra um homem bastante pragmático e inteligente. Nenhuma novidade além dessa.

domingo, 26 de julho de 2026

Caveira Casual #11 — Horror, Bleach e Rick e Morty

 



Assisti a Dolly. Dolly, no Brasil, é marca de refrigerante. O que é engraçado. No Brasil, é marca de refrigerante. Nos Estados Unidos, é um filme de terror. O único motivo para eu ter assistido a esse filme foi o /tv/ do 4chan. Vi que havia algumas piadas sobre ageplay referentes ao filme, mas nada demais. O filme funciona mais como uma mistura de gore com terror com ageplay do que um filme fetichista.


Também assisti "The Cabin in the Woods". Esse filme é bem diferente. O roteiro é criativo. Os personagens são mais inteligentes do que usualmente se espera de um filme de terror cheio de eventos para agradar adolescentes. Todavia, não há uma balança adequada entre aquilo que serve para agradar adolescentes edge e a inteligência do filme como um todo.


Também assisti a um episódio do Bleach. Ouvi dizer que essa temporada só terá dez episódios; depois, preciso confirmar essa informação. Nesse primeiro episódio, tivemos parte da luta de Urahara e Askin. O /a/ do 4chan entrou em choque e comentou as cenas animadamente. Sobretudo, é claro, as mais sensualizadas envolvendo a Yoruichi.


Assisti também ao episódio 9 da temporada 9 de Rick e Morty. Esse foi quase inteiramente baseado na experiência de ficar chapado e lidar com as consequências. Há um paralelo entre a maturidade dos adultos e das crianças/adolescentes.