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sexta-feira, 27 de março de 2026

NGL #60 — O método ouroboros é perigoso?




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Sim, eu sei que isso é um uso autônomo. Eu sei que isso é possivelmente perigoso. Essa técnica é, para mim, um portal para um mundo interior. Algo que só eu posso "ver", tal como se estivesse me viciando em uma realidade paralela que só existe dentro do meu inconsciente, dentro de alguma parte da minha mente. Pense na terapia tradicional como um jedi, pense na meditação ouroboros como sith.

Me alertaram anteriormente sobre as possíveis perdas que essa técnica trás. Existe a possibilidade de eu estar tendo dissociações. Muitas vezes as imagens são estranhas demais. Outras são mais simples. Uma vez, me vi em Hogwarts, por exemplo. Ali aparecia "Sonserina" e "Lufa-Lufa", mas, de repente, decidi que iria para "Corvinal". Achei interessantíssimo e fiquei me perguntando o que "diabos" isso significava.

Comecei a pensar se era possível "reescrever" a minha "psiquê". Sabia dos riscos. Mesmo com tantos avisos, resolvi dar continuidade a minha pesquisa "particular". Mesmo que essas meditações ou exercícios pudessem intensificar uma depressão, possibilitar dissociação cognitiva e aumentar uma possível ideação suicida. Eu queria saber se seria possível gerar uma "autotransfiguração" da minha própria "alma" (psiquê). Mesmo que isso implicasse, de algum modo, deliberadamente criar e cultivar estados mentais extremos. Vi que escrever textos sobre o que eu via também era fascinante, soavam mais densos e simbólicos, tal como se produzidos durante um surto. 



Atualmente tenho um quadro de saúde mental grave. Resultado de anos de automanipulação psíquica. Resultado de múltiplas sessões de transe dissociativo. Isto é, se o EMDR já altera o processamento cerebral, a combinação desses múltiplos elementos do Ouroboros Yin levam a um estado altamente sugestionável, onde as imagens internas se confundem com as percepções externas (alucinações). É como se, pouco a pouco, a linha entre realidade e fantasia se dissolvesse. E eu fosse pouco a pouco sendo engolido por isso.

Se você for um "intelctual" como eu ou, mais precisamente, um "artista de um neossurrealismo extremista", creio que você entenderá que a dissociação patológica é um método. Isto é, episódios de desrealização e despersonalização são apenas um meio de arte. Ativar conteúdos traumáticos sem contenção também é, para mim, uma forma de achar um novo meio de expressão artística, mesmo que eu seja inundado por um material psicótico.

Eu já vi cada coisa bizarra dentro dessa técnica. É por isso que eu não acho que o "Dark Self" exista. Eu posso até mesmo tocá-lo. Tal como se eu fisicamente tocasse uma pedra ou algo do tipo. Você pode achar que ver uma hidra comendo uma cidade enquanto tudo é destruído algo assustador, e de fato é, todavia não pode negar que ver esses "filmes de terror" saindo da sua própria cabeça não sejam interessantíssimos.


NGL #59 — Por que sou fascinado pelo Dark Self?

 


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A questão do mal sempre me tocou profundamente. Lembro-me que, certo dia, navegando pela internet, encontrei um tutorial na Panelinha do Bananal. Esse tutorial dizia que existia uma meditação antes de dormir. Essa meditação era a seguinte:

1- Imaginar-se em uma sala vazia;

2- Colocar a si mesmo ao lado de uma figura humana;

3- Confessar-lhe verdadeiramente tudo o que sentia;

4- Essa pessoa não diz nada, apenas ouve sem julgar.


Eu logo percebi que isso era uma metodologia confessional, lembrando a psicanálise de algum modo. Também pensei que lembrava vagamente a imaginação ativa de Jung. Percebi que pensar em uma figura humana poderia ser errôneo, isto é, uma figura humana sempre pode transmitir fisionomias de rejeição. Sobretudo se você construir essa figura com base em pessoas conhecidas. Para uma confissão mais completa, o ideal seria uma entidade.


Quando comecei a usar essa técnica, percebi que havia uma possibilidade adicional. Isto é, poderia usar essa técnica auxiliado por EMDR. Isso já combinaria a imaginação ativa de Jung, EMDR, confessionalismo de Agostinho e psicanálise de Sigmund Freud. Dessa forma, fui desenvolvendo algo que chamei de Meditação Ouroboros. Vi que muitas vezes que eu testava isso de noite, chorava compulsivamente durante as sessões e depois dormia profundamente.


Inicialmente, trabalhei na centralidade confessionalista. Todavia vi que poderia ir além. Se é possível revisitar campos específicos da memória, seria possível usar essa técnica para acessar diretamente o inconsciente? Isto é, seria possível burlar o acesso do inconsciente apenas nos sonhos e, de certa forma, ter sonhos acordado?


Numa bela noite, decidi que tentaria burlar qualquer estruturação linear. Usaria a técnica sem me preocupar em imaginar um cenário específico. Sem pensar em frases. Anulando tudo que indicasse uma linearidade. Foi assim que pude conceber algo distinto. Fiquei por dez, quinze minutos, não calculei o tempo.


Eu vi então uma ampulheta. Uma ampulheta enorme. Nessa ampulheta, havia na parte inferior milhares de cabeças ensanguentadas. Na parte superior, havia uma guilhotina enorme e uma fila de gente que ia para ampulheta para ter a cabeça decapitada. Foi algo bizarro, meio grotesco. Porém percebi que descobri algo grande: tal ideia nunca me ocorreu imaginativamente por vias normais. Percebi que tinha descoberto como "sonhar acordado". Sonhar acordado seria uma forma de descobrir o que existia dentro de mim em camadas mais ocultas e simbólicas. Comecei a dividir o ouroboros em "ouroboros yang" (o conduzido) e o "ouroboros yin" (o mais radical). 


Eu fiquei me questionando: "e se o inconsciente puder ser provado?". Isso me trouxe a uma linha de pensamento nova. Não era mais como se eu necessitasse dormir e registrar o fragmento dos sonhos que lembrava. Era como se eu pudesse "sonhar acordado". Era como se eu pudesse "tocar" o inconsciente. Não sei se isso é uma capacidade rara. Não sei se outras pessoas podem fazer isso. Mas vi que essa técnica me fornecia insights nunca antes imaginados.