sexta-feira, 27 de março de 2026
NGL #60 — O método ouroboros é perigoso?
NGL #59 — Por que sou fascinado pelo Dark Self?
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A questão do mal sempre me tocou profundamente. Lembro-me que, certo dia, navegando pela internet, encontrei um tutorial na Panelinha do Bananal. Esse tutorial dizia que existia uma meditação antes de dormir. Essa meditação era a seguinte:
1- Imaginar-se em uma sala vazia;
2- Colocar a si mesmo ao lado de uma figura humana;
3- Confessar-lhe verdadeiramente tudo o que sentia;
4- Essa pessoa não diz nada, apenas ouve sem julgar.
Eu logo percebi que isso era uma metodologia confessional, lembrando a psicanálise de algum modo. Também pensei que lembrava vagamente a imaginação ativa de Jung. Percebi que pensar em uma figura humana poderia ser errôneo, isto é, uma figura humana sempre pode transmitir fisionomias de rejeição. Sobretudo se você construir essa figura com base em pessoas conhecidas. Para uma confissão mais completa, o ideal seria uma entidade.
Quando comecei a usar essa técnica, percebi que havia uma possibilidade adicional. Isto é, poderia usar essa técnica auxiliado por EMDR. Isso já combinaria a imaginação ativa de Jung, EMDR, confessionalismo de Agostinho e psicanálise de Sigmund Freud. Dessa forma, fui desenvolvendo algo que chamei de Meditação Ouroboros. Vi que muitas vezes que eu testava isso de noite, chorava compulsivamente durante as sessões e depois dormia profundamente.
Inicialmente, trabalhei na centralidade confessionalista. Todavia vi que poderia ir além. Se é possível revisitar campos específicos da memória, seria possível usar essa técnica para acessar diretamente o inconsciente? Isto é, seria possível burlar o acesso do inconsciente apenas nos sonhos e, de certa forma, ter sonhos acordado?
Numa bela noite, decidi que tentaria burlar qualquer estruturação linear. Usaria a técnica sem me preocupar em imaginar um cenário específico. Sem pensar em frases. Anulando tudo que indicasse uma linearidade. Foi assim que pude conceber algo distinto. Fiquei por dez, quinze minutos, não calculei o tempo.
Eu vi então uma ampulheta. Uma ampulheta enorme. Nessa ampulheta, havia na parte inferior milhares de cabeças ensanguentadas. Na parte superior, havia uma guilhotina enorme e uma fila de gente que ia para ampulheta para ter a cabeça decapitada. Foi algo bizarro, meio grotesco. Porém percebi que descobri algo grande: tal ideia nunca me ocorreu imaginativamente por vias normais. Percebi que tinha descoberto como "sonhar acordado". Sonhar acordado seria uma forma de descobrir o que existia dentro de mim em camadas mais ocultas e simbólicas. Comecei a dividir o ouroboros em "ouroboros yang" (o conduzido) e o "ouroboros yin" (o mais radical).
Eu fiquei me questionando: "e se o inconsciente puder ser provado?". Isso me trouxe a uma linha de pensamento nova. Não era mais como se eu necessitasse dormir e registrar o fragmento dos sonhos que lembrava. Era como se eu pudesse "sonhar acordado". Era como se eu pudesse "tocar" o inconsciente. Não sei se isso é uma capacidade rara. Não sei se outras pessoas podem fazer isso. Mas vi que essa técnica me fornecia insights nunca antes imaginados.

