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terça-feira, 23 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 3)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Engenharia da conspiração: Q. gerou uma conspiração "open source", essa conspiração gerava uma interpretação alternativa de todos os dados, além de possibilitar um quebra-cabeça em formato de exercício, isso gerava um ARG (Alternative Reality Game) ou uma "teoria da conspiração live-action e role-playing game";

2. Insider vs Outsider: Q. criou uma mentalidade de insider vs outsider, isto é, aqueles que são do grupo e aqueles que são fora do grupo. Isso é um mecanismo de fechamento de seita. Os únicos confiáveis eram "os patriotas e o Q.".


— Contextualização do Passado:

Após o Gamergate pipocar no 4chan, o 4chan tomou medidas mais restritivas aos conteúdos postados na plataforma. O 8chan surgiu com a premissa de "dar maior liberdade de expressão". O fundador foi o Fredrick Brennan (Hotwheels), mas posteriormente o fórum anônimo seria assumido por Jim Watkins e Ron Watkins (a dupla de pai e filho). Q. se moveu para o 8chan e foi recebido pelos dois, recebendo uma board (parte do fórum) oficial: a /qresearch/. Um mecanismo, chamado QMap, organizava os drops do Q. sem o ambiente anárquico do 8chan.

domingo, 14 de junho de 2026

Acabo de ler "The Other Pandemic" de James Ball (lido em inglês)


 

Nome:

The Other Pandemic: How QAnon Contaminated the World


Autor:

James Ball


A obra de James Ball nos faz pensar sobre diversos pontos. Suas conclusões são semelhantes às minhas em diversos aspectos. Uma das centrais é que todos os movimentos channers, em suas diversas épocas, apresentam faces distintas da guerra memética. A metodologia pode ser diferente; todavia, todas se enquadram, em certo grau, na natureza de uma guerra memética. A centralidade de como memes atuam como genes, baseada na pesquisa de Richard Dawkins, é exposta com beleza, elegância e estilo. 


Atualmente, meus estudos sobre a ascensão do populismo de direita e meus estudos sobre guerra memética, teorias da conspiração e seitização estão intimamente conectados. Quanto mais estudo fenômenos como a Alt-Right, Gamergate, Cult of Kek, QAnon, Pizzagate, mais percebo a sua conexão com a política contemporânea. É interessante que o autor coloque o Cicada 3301 como parte desse trajeto. Já eu adicionei a SCP Foundation ao mesmo rol. Creio que um estudo aprofundado entre esses diferentes movimentos pode gerar um entendimento interessante sobre a natureza de nossa cultura memética. Além disso, um estudo entre memética (Richard Dawkins) e arquétipos (Carl Jung) seria uma pesquisa de grande validade intelectual.


Um posicionamento extremamente interessante é o de que o QAnon atua como um vírus memético que constrói por vias cibernéticas e depois atua na mente dos indivíduos, algo que nossos órgãos de saúde ainda não estão prontos para prever ou para paralisar. Além disso, não existem agências de saúde digital para evitar fenômenos como a radicalização em massa. A ideia de que existem memes corruptores, ou uma memética conspiratória corruptora, é de grande utilidade para compreender a forma como a Internet vem se criando e como intervenções futuras podem se desenvolver. A construção de um "sistema de saúde pública digital", que atue como identificador de sistemas meméticos-conspiratórios, seria algo interessante de se imaginar.


O livro fala bastante dos Estados Unidos. Só que podemos olhar fenômenos parecidos no Brasil. Um dos meus "prediletos" (alerta de ironia) é o chamado "kit gay". Uma teoria da conspiração que foi se implantando memeticamente pela sociedade. O uso eleitoral disso foi uma das maiores condições de nossas eleições. Lembro-me de uma vez em que cheguei a falar com um amigo: "Se houvesse de fato um kit gay e fosse gratuito, não acha mesmo que eu já não teria pedido o meu?" O fato é: estou até hoje procurando esse local mágico onde eu possa retirar meu kit gay. Caso algum leitor ou alguma leitora saiba, peço-lhe que me envie um e-mail.


O Brasil, além de casos de teorias memético-conspiratórias de ordem local, também é um grande importador dessas "iguarias". Quem nunca ouviu os financiamentos suspeitíssimos de George Soros? Um homem que financia toda uma série de movimentos, mas que nunca financiou um único churrasco meu. Aqui, evidentemente, fica uma indireta pra Open Society abrir uma caridade a esse pobre boêmio. Existem também teorias da conspiração envolvendo as caridades de Bill Gates, o que também é fácil de fazer: ele financia todo tipo de pesquisa científica; basta fazer algum cruzamento maluco e acusá-lo de alguma ideia insensata.


Hoje em dia, vemos muitas teorias da conspiração se expandindo memeticamente. Caso evidente é a transfobia sendo promovida dia sim, dia também. Tenho a "curiosa" sorte de ver até amigos LGBTs amplificarem partes dessas bobagens. Muitas das acusações são respaldadas pela mais absoluta ausência de dados científicos ou de pesquisa acadêmica. Esse tipo de conteúdo faz mais sucesso numa era de microleituras. Eu recomendo às pessoas estudarem menos por memes, influencers e vídeos curtos. Recomendo que abram mais o Google Scholar e o SciELO. Adquirir uma cultura de leitura de artigos, de leitura de livros e de estudos através de múltiplos cursos e escolas de pensamento é um dos melhores remédios contra teorias da conspiração e guerra memética.


Comecei a ler esse livro enquanto viajava para Curitiba. Enquanto voltava para São Paulo, também o lia. Li-o também enquanto ia para o curso ou enquanto voltava para casa. Lia também antes de dormir, algumas vezes dormindo sem perceber por causa do sono (chego em casa lá pras 23 horas). Tenho me afastado do ambiente digital e virado um peregrino de livros. Tenho buscado uma vida alegre entre livros, cursos, trabalhos e amigos. Isso me deixa mais "saudável".

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Post-Truth Protest" de Vários Autores (lido em inglês)

 


Nome:

Post-Truth Protest: How 4chan Cooked Up the Pizzagate Bullshit


Autores:

- Marc Tuters;

- Emilija Jokubauskaitė;

- Daniel Bach.


Link da Notícia:

https://journal.media-culture.org.au/index.php/mcjournal/article/view/1422


Como estamos revisando vários eventos passados da cultura channer, que são de particular interesse para:

- A esochannealogia;

- Para os leitores desse blogspot;

- Para os operadores que estão na missão global /DIG/;

- Para aqueles que estão vendo a conexão entre múltiplas ações passadas (Gamergate; Pizzagate; Cult of Kek; QAnon; /DIG/; Jeffrey Epstein; Alt-Right List);

- Ou para os channers/anons do mundo inteiro que leem esse blogspot;

- Estou reabrindo todos os maiores eventos envolvendo investigações e teorias da conspiração do 4chan (ou outros imageboards), além de outros eventos relevantes, para trazer o melhor conteúdo possível;

- Recomendo que os leitores façam melhor uso das tags do blogspot (é só clicar em versão web e achar a tag que quer [os leitores mais jovens não estão acostumados ao formato blogspot]).


Trago aqui um outro artigo interessante, focando-me nos pontos centrais. Para quem tem interesse de entender como o chan funciona como Egrégora/Legião, esse artigo traz pontos interessantíssimos. Se olharmos o conteúdo da obra Magolítica (sobre Legião) e conectarmos com a ideia de Saint Obamas Momjeans, vemos padrões históricos relevantes.


Recomendo a leitura do Insider Club #35:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html?m=1

No Insider Club #32:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-32-ha-quanto-tempo-existe-elite.html?m=1

(Leia o #35 primeiro para não tomar as frases do #32 literalmente)

Por fim, leia a Teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica que foi escrita por um militante do Partido Missão:

https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra

O texto das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica se conectam profundamente com o "Reflexões Esochannealógicas #6:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1


Também recomendo que os leitores estudam os padrões da egrégora/legião em casos como a confecção coletiva da SCP Foundation, as ações no Gamergate, as ações no Pizzagate, as ações no Cult of Kek, as ações no QAnon, as ações no /DIG/. Isso dará uma profunda compreensão do que egrégora/legião quer dizer dentro de um chan e quais são as suas ações em suas diferentes configurações históricas.


O artigo começa falando do evento de 4 de dezembro de 2016. Aquele evento em que um homem armado com um rifle de assalto entrou em uma pizzaria para atacar um "esquema de pedofilia satânica dirigido por proeminentes membros do Partido Democrata" (a teoria da conspiração chamada Pizzagate).


O artigo traçar que o Pizzagate era conhecido e acreditado por uma parte dos eleitores de Trump, mas a investigação traça o seu início para o 4chan, na board /pol/ (politicamente incorreto). A board é conhecida por ser antagonista do politicamente correto e abrigar a alt-right. Nesse caso, o /pol/ analisou os e-mails do John Podesta (ligado a Hillary Clinton), que tinham sido pagos por hackers russos e vazados pelo WikiLeaks. 


Nesse período, o 4chan construiu os elementos básicos da narrativa e a nova mídia de direita amplificou.


Os autores fizeram um esforço para compreender o 4chan enquanto sistema. Um sistema com as suas próprias dinâmicas internas e com um senso real do que o faz ontologicamente distinto. O Pizzagate foi uma ação coletiva dentro de um fórum caracterizado pela efemeridade e pelo anonimato. Além disso, pelos eventos ocorrerem de forma rápida e existir um limite de postagens. Ou seja, tudo que for discutido — não importando o quão bom e popular seja —, acabará pela própria estrutura do fórum. Os usuários burlaram isso usando sites paralelos.


No caso do Pizzagate, houve um esforço coletivo em tempo real para pesquisa. Além de uma compilação. Esse movimento foi chamado por pesquisadores de "Bullshit accumulation" (acumulação de tourobosta). O "bullshit accumulation" é mais ambicioso que a desinformação e oferece uma visão mais panorâmica do que particular, falsificando o contexto. O bullshit é considerado um inimigo mais perigoso do que a desinformação, visto que ele coloca uma narrativa dentro de uma teia de acontecimentos, tornando-se mais complexo e difícil de se argumentar contra.


A acusação de que Clinton era envolvida com pedofilia não era nova no 4chan. O 4chan alegava isso em um incidente anterior: "Orgy Island" (Ilha da Orgia). Nessa alegação, os Clintons viajavam num jato particular de Jeffrey Epstein chamado de Lolita Express. Todavia é difícil saber se os usuários do 4chan realmente acreditam nessas teorias, já que dois pontos são centrais:

1- Um quase religioso coletivismo irônico;

2- A weaponização da ironia que marca o fórum.

De qualquer forma, o "#Pizzagate" se espalhou pelo Twitter no dia 4 de novembro de 2017. Além do subreddit r/TheDonald.


Eu poderia focar nas informações das construções conspiratórias, mas foquemos nas técnicas, visto que elas que permitem compreender como o fenômeno é formado.


Os movimentos do /pol/ podiam ser definidos em cinco passos:

1- Pesquisa;

2- Interpretação;

3- Solicitação;

4- Arquivamento;

5- Publicação.


Isso lembra bastante uma investigação convencional, mas voltemos ao que foi discutido nessa exata postagem: a visão panorâmica acima da particularidade de cada peça, além da falsificação do contexto. Fora isso, adentre no aspecto da acumulação do conhecimento ao lado do apelo emocional e teremos uma epistemologia da pós-verdade.


Então veja:

PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 2)

 



Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:

Em 2014, a cultura channer tinha homens jovens incrivelmente mais radicalizados. Ali se começava a cruzada contra o politicamente correto e contra os guerreiros da justiça social (SJW = social justice warrior). Eles viam esses dois componentes como estando na mídia, academia e cultura (o leitor deve se lembrar da ideia de "Catedral" na NRx [neorreacionarismo).


Nesse período, rolava a Gamergate. A Gamergate era uma campanha descentralizada e coordenada de perseguições e ameaças de morte e estupro contra mulheres, feministas e minorias. Muitas pessoas olhavam para o crescente radicalismo dos jovens e sentiam-se desconcertadas, mas nem todas. Onde muitos veriam caos, Steve Bannon, que era executivo da Breitbart e que posteriormente seria estrategista de Donald Trump, viu um potencial fantástico, ele viu o protótipo da sua nova armada populista. Chegando a ver isso como um "poder monstruoso". Nesse período, chamou Milo Yiannopoulos para conectar os fóruns anônimos com as massivas audiências.


Pouco a pouco, Steve Bannon e Jeffrey Epstein construíam uma parceria que casava estratégia e finanças. Isto é, construíam conjuntamente a coalizão populista do MAGA (Make America Great Again). Se Steve Bannon olhava para os jovens do Gamergate como um general olha para um potencial exército vitorioso, Jeffrey Epstein realizava outros movimentos. Epstein procurou o youtuber e neurocientista de extrema-direita Jean-François Gariépy (um canadense). Gariépy chegou a declarar em seu perfil no Twitter/X:


E só para deixar claro, não estou brincando. Jeffrey tinha defeitos como todos nós, mas era um bom homem, um homem ambicioso e um visionário em muitos aspectos. Mais pessoas como ele poderiam melhorar o mundo. Ele morreu pelos nossos pecados.


Gariépy não seria o único que chamaria a atenção do Epstein. Epstein tentou recorrentemente entrar em contato com Charles Murray. Charles Murray é o autor do controverso livro "The Bell Curve", um livro que, mesmo que desmascarado, serviu para formação de muitos intelectuais da alt-right (direita alternativa) e da far-right (extrema-direita). Visto que dava justificativas para a hierarquia racial, para a otimização genética e para discursos sobre o extermínio populacional motivados pelo clima. Em resumo, todos os pilares fundamentais da extrema-direita.

Temos um quadro:
2011: intervenção no 4chan (correlacionado ao /pol/)
2012: procura por Peter Thiel (investimentos)
2014-2015: Gamergate
2015: Jean-François Gariépy
2016: mensagem para Peter Thiel
2018: tentativa de se encontrar com Charles Murray