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sábado, 8 de agosto de 2026

Memória Cadavérica #53 — O Brasil não é um país LGBTfóbico; o Brasil é um país CRONICAMENTE LGBTFÓBICO!

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto originalmente publicado no Reddit.


O Brasil não é um país LGBTfóbico; o Brasil é um país CRONICAMENTE LGBTFÓBICO!


Alerta central:


Repare que no texto todo eu não proponho nenhuma lei e isso não é um debate entre o "tá na lei" e/ou "tem que ter uma lei". Isso é uma argumentação, não uma proposição legal. Logo não venha com essa ideia absurda do "ai, você quer usar o Estado malvadão pra proibir as pessoas de". Não, não é disso que o texto trata. Pode-se criticar algo sem propor uma lei.


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A LGBTfobia no Brasil não é uma ocorrência esporádica. Ela é estrutural, ela é sistemática, ela é enraizada na história e nas instituições brasileiras. 


Uma das principais forças de vetorização de lgbtfobia hoje é o "humor". Você reparará em uma quantidade incomensurável de vezes em que aparece o meme "pessoa que faz isso 🏳️‍🌈".


Esse meme consiste na pessoa dizer:


— "Algo de que eu não gosto/algo que acho desprezível"= coisa que um LGBT faz/faria.


Esse aspecto do "humor brasileiro", que acho essencial mencionar, é nele que vemos que, no fundo, as pessoas atribuem tudo de que não gostam aos LGBTs.


O humor deveria ser uma forma de libertação, algo que transcende e critica a sociedade em que se está. Um dos principais lemas da sátira é o "Ridendo castigat moris" (rindo, corrigem-se os costumes). Creio que dois dos melhores exemplos de um conservadorismo crítico são Nelson Rodrigues (Brasil, sobretudo na parte teatral) e Christopher Buckley (Estados Unidos, em suas novelas). Eles provam que não é necessário ser "anti-LGBT" para se ter um "humor conservador".


Voltando à centralidade do assunto, percebo que ao vestirem o ódio LGBTfóbico em forma de piada, esse ódio escapa da crítica. Qualquer um que questiona esse "humor" é colocado como "sem senso de humor" ou como "militante chato". Isso é um meio de deixar a violência simbólica ser reproduzida pela massa.


Ao associar todo aspecto negativo ou algo que claramente desgosta as pessoas LGBT, você faz uma associação automática de tudo o que for LGBT ao negativo. Isto é um silogismo cultural. Esse silogismo cultural ensina, de forma repetitiva, que ser LGBT está no campo semântico do erro, do nojento, do ridículo, do patético.


Para uma pessoa heterossexual, isso pode soar comum. Mas para uma pessoa LGBT, tudo o que isso indica é que ela está diretamente ligada ao erro, ao nojento, ao ridículo e ao patético. Quem gostaria, de tal forma, de ser LGBT, sendo que é isso que a sociedade revela a ela?