— Alerta 1:
0. Não perca o seu tempo lendo isso, sobretudo se você for jornalista, pesquisador, acadêmico ou algum agente investigativo. Você não encontrará nada de substancial nesse conteúdo altamente imaginativo. Seu lugar NÃO é aqui, vá escrever alguma coisa sobre incels ou algo que chame mais atenção midiática;
1. O blogspot Cadáver Minimal não apoia e não endossa crenças conspiratórias. Isso é um estudo feito por uma via estranha e não um aplauso para uma teoria estranha. O objetivo desses ensaios é analisar a interconexão entre diversos eventos diferentes e os métodos empregados pelos autores e participantes desses mesmos eventos;
2. Consideremos, para livre exercício abstracionista, que é possível traçar uma conexão entre eventos díspares e uma evolução de uma estranheza que se constrói pelo tempo;
3. Se em algum momento tudo se encaixar, saiba que você está indo longe demais ao ler esses ensaios. Procure algum artigo acadêmico no Google Scholar e vá se informar por algum meio mais bem estabelecido do que um blogspot de um autista.
— Alerta 2:
1. Você pode ter acesso ao sistema Esochannealogia aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq
(Use em uma IA)
2. Você pode jogar o jogo do esoterismo channer aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF
(Use em uma IA)
3. Você pode ler o ensaio de horror epistemológico esochannealógico aqui:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html
4. Você pode ver as análises da militância do Partido Missão a respeito da esochannealogia aqui:
https://missaoapoio.com.br/tag/esochannealogia
5. Você pode ver a análise internacional a respeito da Esochannealogia aqui:
https://mysterylores.com/news/brazil-missao-esochannalogy-presidential-election/
6. Leia a Magolítica (Harmonia da Dissonância):
https://medium.com/@cadaverminimal/list/a-harmonia-da-dissonancia-e6396f5d5563
https://medium.com/@cadaverminimal/list/magolosophy-7ae7c49acf72
Os eventos de 2016, isto é, a "The Great Meme War", a "Eleição de Trump" e o caso do "Pizzagate" estão interconectados. Isto é, eles permitem compreender melhor as duas vertentes esochannealógicas que surgiriam em 2017:
‐ "Shadilay, My Brothers: Esoteric Kekism & You!" seria escrito por Saint Obamas Momjeans um ano depois (2017);
- Em 2017 também seria o surgimento do Q.
O leitor, caso já esteja acostumado com os escritos do Medium e do Blogspot Cadáver Minimal, sabe que o sistema esochannealógico é a síntese do esoterismo channer. Isto é, ele surge da análise dos pilares (Esoterismo Kekista, Magolítica e Esoterismo Kantianiano). O leitor também sabe, ou deveria saber, que a parte Magolítica surgiu pelo estudo dos impactos sociais de QAnon, a sua correlação com o Project 2025 e também o estudo de sistemas totalitários/autoritários como o nazismo e fascismo. Além disso, já deve ter sido informado de que a Esochannealogia atual já foi completamente integrada às IAs por meio de PDFs em linguagem token, além de ser uma síntese com outros sistemas de Guerra Cognitiva (Cogwar), Guerra Informacional (Infowar), Guerra Psicológica (Psywar), Guerra Narrativa (Narrative Warfare), Guerra Memética (Memetic Warfate) e Operaçãos Psicológicas (Psyop)... O que supera em muito a Esochannealogia anterior. Q. é encarado aqui como "Conspiracy Warfare" (Guerra Conspiratória ou a utilização de teorias da conspiração como instrumento de guerra).
Desenhar o mapa de como os eventos vão se conectando é uma tarefa difícil. Todavia pretendo analisar de forma solta, sem obedecer o espaço-tempo e depois ir juntando as partes em algum esforço sistemático que dê a conjuntura de blocos que montam um estranho Castelo. Por enquanto, vamos para Q.
Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:
1. Sem previsões específicas;
2. Sem fontes verificáveis;
3. Deliberadamente vaga;
4. Deliberadamente aberta a interpretação.
As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders".
As postagens de Q. eram especiais. Por sua natureza vaga, toda predição falha poderia ser reinterpretada. Elas eram hipóteses infalsicáveis. De algum modo, elas buscavam criar no leitor a capacidade de ver padrões. Isso posteriormente levaria a uma adicção por padrões. Em novembro de 2017, uma frase já se destacava: "Where we go one we go all" (por onde um for, todos irão), que foi abreviada para WWG1WGA.
Até certo ponto, o conteúdo era apenas dado para usuários de fóruns considerados obscuros. Todavia em algum ponto tudo mudou. Em dezembro de 2017, o movimento e as produções de QAnon escapou do controle dos chans e foi encontrado no Facebook, YouTube e Twitter. Nesse ponto, as produções de Q encontrarem-se com o chamado "algoritmo". O algoritmo, essa estranha condição do mundo cibernético, aprende com o que te deixa engajado.
Há uma fórmula algorítmica que poucos sabem:
Incerteza + Emoção + Identidade = Engajamento.
Uma narrativa estava sendo criada. Uma nova fonte na qual um grupo poderia confiar. Tudo seguiria assim progressivamente, até que tudo fosse banido. Um dos eventos mais trágicos da história americana, até hoje pouco compreendido — por ninguém compreender a fundo a insanidade do ato —, ocorreu em dado momento: o Ataque do Capitólio (6 de Janeiro de 2021).
O que moldou o movimento QAnon? É difícil compreendê-lo. É difícil estudá-lo. Q. dizia que a "desinformação é necessária", logo até o fracasso se tornou a prova do seu sucesso. Isto porque o movimento QAnon é um sistema de crença auto-vendável. De algum modo, Q. sempre dizia "trust the plan" (acredite no plano") e falava sobre os inimigos que seus seguidores deveriam lutar. A verdade, para seus seguidores, tornou-se tudo aquilo que existia dentro da bolha — e tudo que existia fora da bolha era mentira.
Q. conseguia de algum modo alterar como as pessoas acreditavam nas coisas. Q. conseguia alterar a epistemologia interna de seus seguidores. É assim como funcionam as seitas, elas alteram a lógica e a epistemologia, elas alteram todo o entendimento da realidade. Muitas pessoas analisam o Pizzagate como um protótipo de Q., como uma teoria da conspiração que também chamava para a ação. Q. e o movimento QAnon podem ser chamados de "terrorismo estocástico". Isto é, ele incitava a violência contra determinados grupos. Ele tinha um extremismo gamificado, descentralizado e um framework de ação. Porém voltarei nesse ponto mais tarde para analisar isso mesmo.
Algumas chaves interpretativas são interessantes, uma delas é o "The Great Awakening" ("O Grande Despertar"). Essa chave premiava o isolamento social. Ou seja, a total lealdade e a reinterpretação da realidade baseada na chave interpretativa da seita eram comemorados. Isso permite compreender a ruptura dos laços sociais que os seguidores de Q. faziam. Visto que QAnon também era um sistema autossustentável: ele carregava dentro de si uma nova forma de processar a informação.
Múltiplos novos movimentos foram surgindo com base em Q. (teorias da conspiração com grupos descentralizados), podemos ver isso na Covid e na onda anti-vacina, mas também em alguns grupos com narrativas anti-LGBTs. Pretendo voltar nesses tópicos posteriormente.
