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terça-feira, 3 de março de 2026

Acabo de ler "The Philosopher in the Valley" de Michael Steinberger (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The Philosopher in the Valley: Alex Karp, Palantir, and the Rise of the Surveillance State


Autor:

Michael Steinberger


Uma empresa especializada em reconhecimento de padrões e análises de dados chama a atenção do mundo, essa é a Palantir. Palantir é um nome que surge do Senhor dos Anéis, obra de J. R. R. Tolkien.


A Palantir surgiria logo após o incidente de 11 de Setembro, sendo em parte financiada pela In-Q-Tel (uma empresa de investimentos da CIA). Hoje ela é aplicada por todos os seis braços militares dos Estados Unidos, pela Mossad, pelo FBI, pelo IRS e pela NIH.


A Palantir apresenta múltiplas funcionalidades. Servindo para analisar:

- Terrorismo;

- Mudança climática;

- Fome;

- Imigração;

- Tráfico humano;

- Fraudes financeiras;

- E o futuro da guerra.


Durante o período da COVID-19, o software da Palantir foi usado nos Estados Unidos e da Inglaterra para distribuição de vacinas. Segundo Alex Karp, a Palantir existe para defender o Ocidente. O que a faz não ter negócios com a Rússia e com a China. A agenda é marcada por ser a espada e o escudo da América e do Ocidente. A Palantir é, para os palantirianos, a linha de frente da batalha para preservar o estilo americano de vida.


Alex Karp veio de uma família progressista, sendo um judeu biracial. Fez filosofia em Haversford. Estudou direito em Stanford (onde conheceu Peter Thiel). Por fim, doutorado em teoria social na Universidade Goethe de Frankfurt. O seu mentor foi Jürgen Habermas, um dos mais aclamados filósofos europeus.


Quando estava fazendo direito, ele entrou em parceria com o então libertário Peter Thiel. Naquele período, suas visões (Alex Karp) eram mais neossocialistas. Isso era inusual, visto que ele trabalharia com a interconexão entre tecnologia e segurança nacional.


Karp é judeu e negro em um mundo que é hostil a judeus e negros. Chegando a dizer que o maior medo dele é o fascismo. Por tal razão, acredita que defender a democracia liberal é o mesmo que defender o Ocidente. Ele tem sido o centro das atenções em alguns eventos, dentre eles o Fórum Econômico Mundial (FEM).


A Palantir tem um software que pode possibilitar vigilância em massa. Esse software é utilizado pelas agências de inteligência e por aqueles que visam aplicar a lei. Os defensores do libertarianismo civil e defensores da privacidade têm tido uma grande luta contra essa empresa por causa disso.


Durante o escândalo da Cambridge Analytica, foi visto que os dados do Facebook foram usados para manipular milhões de americanos para votaram no Donald Trump em 2016. Também foi visto que o ICE (Immigration and Customs Enforcement) usa o software da Palantir no segundo mandato de Donald Trump. Graças a isso, a Palantir é acusada de ser racista e desumana. Além do fato de Peter Thiel tem sido um dos mais proeminentes apoiadores de Donald Trump. O que fez com que a Palantir não fosse mais bem-vinda em algumas universidades. Outra incursão recente é na Ucrânia. 


A Palantir é tida como uma das mais interessantes e perigosas empresas do mundo. Ela é capaz de alterar inteiramente a balança do poder e a relação entre o indivíduo e o Estado.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Memória Cadavérica #42 — Intervenção dos Estados Unidos no Irã


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: conversa com uma amiga a respeito da intervenção recente dos Estados Unidos no Irã.


"Quais seriam seus pontos pro acontecimento do Irã?"


Vou considerar certos pontos:  

1- O documento "National Security Strategy" assinado pelo próprio Donald Trump;  

2- O financiamento de setores extremistas do islamismo para o combate ao marxismo no período soviético;  

3- O sofrimento de mulheres, LGBTs e dissidentes iranianos no regime que está sendo trocado;  

4- A dinâmica da segunda guerra fria (ordem unipolar VS ordem multipolar).


O primeiro ponto é fundamental, visto que ele estabelecendo quais são as verdadeiras intenções ao intervir no Irã.

O segundo ponto apresenta fatos históricos relevantes na conjuntura atual.

O terceiro ponto fala sobre algo que não pode ser ignorado, seja você de esquerda ou de direita.

O quarto ponto correlaciona os eventos na Venezuela, em Cuba e no Irã.


Juntando tudo isso, é possível estabelecer um ponto de vista mais panorâmico e razoável sobre o assunto. Sem entrar na seitização do debate público. Eu vou precisar de tempo para colocar todos os dados a disposição no blogspot.



domingo, 1 de março de 2026

NGL #55 — Os Estados Unidos erram ao culparem a China?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Eu vejo que os Estados Unidos culpam o próprio fracasso atacando a China. Foram os próprios Estados Unidos que colocaram políticas que o fizeram fracassar. Creio que teorizei isso um pouco no Funk Buda:

"Após conquistarem o poder, acharam que seria muito bom ficar enviando empresas para países de terceiro mundo. Os melhores empregos ficavam em seus países, algumas indústrias iam para distintos países estranhos e tudo corria razoavelmente bem. Até que o neoconversador percebeu duas coisinhas:

- Estava ficando desindustrializado e dependente;

- Fazer tantas guerras o fazia ignorar os problemas internos.

É a partir disso que surge o conversador-populista. Ele percebeu que em vez de estar fazendo o mundo inteiro de otário, ele que estava sendo feito de otário. E pior do que isso: ele estava sendo feito de otário pelo próprio sistema que ele mesmo criou"

https://medium.com/@cadaverminimal/funk-buda-3-neoconversadorismo-481ead35c5a7


Quando reparamos bem, os neoconservadores adotaram ideias como "vantagens comparativas". Essas vantagens comparativas diziam que seria melhor produzir em outro país se esse país produzisse mais barato. É por isso que os Estados Unidos enfrentam hoje um problema de como se lidar com as terras raras. Isto é, eles não sabem como realizar corretamente as atividades necessárias com esses recursos.


Quem defendeu um mundo economicamente aberto e sem uma política industrial clara, isto é, sempre investindo estrategicamente no que era necessário pro próprio país, foram os Estados Unidos. A China seguiu um modelo diferente e é por isso que ela é fortemente industrializada. Quem entrou em guerra em múltiplas regiões do mundo, foram os Estados Unidos. Quem usou a própria moeda como moeda global e depois usou a própria moeda como ameaça foram os Estados Unidos.


Hoje em dia, os Estados Unidos culpam a China por decisões  que eles mesmos tomaram. Também a culpam por ela não seguir o modelo econômico e político que eles adotam/adotaram. Grande parte das críticas da American Compass ao modelo econômico americano são críticas neohamiltonianos ao modelo econômico e político neoconservador-neoliberal.


Recomendo que vocês vejam o documento "Rebooting the American System" da American Compass:

https://americancompass.org/rebooting-the-american-system/


Os Estados Unidos não podem ficar adotando políticas que o fazem falir e depois dizendo que a culpa é da China. É o mesmo que eles dissessem:

— Se nós invadimos países e nos endividados em guerras, a culpa é da China.

— Se nós colocamos o mundo para usar nossa moeda, depois tiramos a atrelação com o ouro e depois usamos a nossa moeda como ameaça, a culpa é da China.

— Se nós aderimos uma política que levou nossas empresas saírem de nosso país, levando a nossa desindustrialização, a culpa é da China.

— Se nós não temos tecnologia para lidar com as terras raras por falta de investimento nisso, a culpa é da China.

— Se o mundo nos vê como invasores e imperialistas, a culpa é da China.


Se olharmos bem toda essa raiva que os Estados Unidos têm da China, uma frase de dissonância cognitiva poderia soar pelo ar:

— Nosso modelo econômico levou a nossa falência industrial e a culpa é da China pois ela não aderiu o nosso modelo econômico que levou a nossa falência industrial.


A China não pode ser culpada por não aderir o modelo econômico dos Estados Unidos. Aliás, nenhum país pode ser culpado por escolher o próprio modelo econômico. Isso não é desonestidade, é autodeterminação.


É como dizer: "a ideia foi minha, a implementação foi minha, a escolha foi minha, mas a culpa é sempre da China!".


Acho que os Estados Unidos deveriam fazer um processo de autocrítica em vez de ficarem culpando a China pelos próprios fracassos.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Acabo de ler "(((They))) Rule" de Marc Tuters (lido em Inglês/Parte 1)

 


Quem nunca abriu o 4chan para dar uma olhada no que se passava? O fórum onde surgem os maiores fenômenos digitais. Os memes dos gatinhos, o sapo Pepe e tantas outros fenômenos que abarcam e moldam a vida do cidadão virtual. O 4chan é responsável por comunidades maravilhosas, como o /mu/ e como o /lit/, mas ao mesmo tempo responsável por comunidades estranhas e de comportamento tóxico como o /pol/. O 4chan, bom e/ou mau, é o berço do underground virtual. Sempre com a sua subcultura que se inova e renova.


No /pol/, temos uma espécie de criação memética orgânica criada pelos usuários que estão localizados no mundo inteiro. E um dos comportamentos mais curiosos dessa comunidade é a memética: a arte de gerar uma imagem facilmente assimilável e reproduzível. Essa memética entra num campo político, abrindo o terreno da memepolítica – algo que, quando empregado, reduz complexidades sólidas e dá margens para interpretações reducionistas. Também criando uma forma ritualizada de antagonismo, aquela chamada de "nós" contra "eles" – o outro corre o risco de ser memetizado e reduzido a uma série de piadas. Essa é a linguagem adversária.


O /pol/, como organização underground, tem um jeito diferente de ver a política. Os seus habitantes – que podem ir desde um neonazista a um socialista – tem um ponto de vista antagônico. De lá que surge a chamada alt-right (direita alternativa). A sua forma de se referir a direita mais tradicional era "cuckservative" (cornoservador). O /pol/ é contra o consenso, ele é contra a política dominante. O /pol/ é uma nova forma de ver e pensar o mundo.


Mesmo o /pol/ não sendo em si unânime, ele tem alguns usuários com comportamento característico. O 4chan se trata, sobretudo, duma liberdade de expressão absoluta. Nessa condição, vemos várias pessoas com diversos pontos de vista se manifestando. Todavia o comportamento da alt-right é extremamente característico e salta aos olhos, seja do jornalista, seja do acadêmico, seja do mero olhar curioso de um desavisado. As falas meméticas, as piadas que se generalizam, a forma continuamente opositora, o papel crucial que desempenhou na eleição de Donald Trump em 2016, o fato de que seu discurso se normaliza no espaço público.


terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Acabo de ler "Liberal Education’s" de Rachel Alexander Cambre (lido em inglês/Parte 1)


Nome:

Liberal Education’s Antidote to Indoctrination


Autora:

Rachel Alexander Cambre, PhD


O que é uma educação verdadeiramente livre? É possível ter uma educação livre? O modelo deve pender à esquerda ou à direita? Qual a possibilidade efetiva de concretizar uma educação que não seja doutrinária? Essas questões sempre voltam a aparecer, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, seja em qualquer outro país do mundo. A doutrinação é uma temática universal, a educação também o é.


Há quem afirma que toda educação tem um ponto doutrinário, uma cosmovisão que se esconde por trás dela. Se essa afirmação é de fato verdadeiro, decorre-se que nenhuma escola pública é de fato possível, visto que ela seria um cerceamento e uma imposição ideológica. Outra solução plausível seria a adoção de professores dotados de visões intelectuais bastante distintas. Todavia a segunda via apresenta uma problemática: o número de professantes de determinado sistema de pensamento não é igual e tampouco é financeiramente viável contratar todos os tipos de diferentes pensadores para lecionar – além disso, qual seria a quantidade de tempo para formar alguém que precisa passar minuciosamente por todas as escolas de pensamento do mundo em cada uma das matérias?


A autora do texto tratará dessas questões. Creio que se focará em trazar uma linha objetiva de educação – se essa for, é claro, possível.

sábado, 11 de janeiro de 2025

Acabo de ler "How Cultural Marxism Threatens the United States" de Mike e Katharine (lido em inglês/Parte 5)

 



Nome:
How Cultural Marxism Threatens the United States—and How Americans Can Fight It 

Autores:
Mike Gonzalez;
Katharine C. Gorka.

O que forma os Estados Unidos enquanto nação? O que faz, o que dá forma, o que eleva, qual é, por fim, a identidade americana? O drama espiritual americano, aquilo que se esconde por trás de toda a sua formação sociohistórica, é a questão da liberdade. É a luta contínua pela questão da liberdade. Já que os americanos encaram a liberdade como pré-condição para o florescimento humano.

Dessa questão profundamente humana, mas exemplarmente dedicada aos Estados Unidos enquanto experiência nacional, buscam criar uma ordem política baseada no respeito ao autogoverno, na liberdade de fala, nos direitos individuais, no direito das minorias. Não porquê a ordem humana pode ser perfeita, mas porquê só a partir do autogoverno é possível corrigir e aperfeiçoar a ordem sociopolítica.

É pelo fato da humanidade estar sujeita a corrupção que o poder não pode ser concentrado. O poder concentrado leva ao aumento da abuso e a impossibilidade mesma de correção desse abuso de poder.

O que é essencial nos Estados Unidos não é uma raça, não é uma religião, não é um idioma, não é uma organização planejada. O essencial dos Estados Unidos é a liberdade. Ou, mais especificamente, a perseguição da ideia da liberdade através da história.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Acabo de ler "Teologia do Domínio" de Eliseu Pereira (Parte 7 - Final)

 


Nome:

TEOLOGIA DO DOMÍNIO: UMA CHAVE DE INTERPRETAÇÃO DA RELAÇÃO EVANGÉLICO-POLÍTICA DO BOLSONARISMO


Autor:

Eliseu Pereira


Creio que descobrimos, tarde demais, a triste ligação do movimento evangélico brasileiro com a Teologia do Domínio. Por mais que, nessa altura do campeonato, queiramos mudar alguma coisa, o poder evangélico é crescente e sobe até mesmo quando setores progressistas da sociedade estão no poder.


Como observado no artigo:

Embora a história da formação dos EUA seja distinta da brasileira, a maioria das igrejas protestantes e evangélicas no Brasil é de origem estadunidense, o que cria vínculo teológico-ideológico entre as igrejas de ambos os países. Essa influência pode ser observada desde o início, como, por exemplo, o envolvimento dos evangélicos brasileiros na luta pela Proclamação da República e pela liberdade religiosa, contra a religião oficial do Império. Os ideais políticos dos EUA já se apresentavam como vantajosos para os evangélicos nativos.


Foi graças a integração entre evangélicos norte-americanos e evangélicos brasileiros que esse último grupo chegou ao protagonismo político. Os anseios de evangélicos norte-americanos para com o Brasil é bem longo e seu projeto no território nacional possui um passado longínquo. Todavia apenas em tempos recentes eles conseguiram estabelecer um poder político notório que muito dificilmente acabará.


A Teologia do Domínio não faz distinção entre o velho testamento e o novo testamento. A aplicação da Bíblia deve assumir uma postura literal. E muitos evangélicos brasileiros creem que estão numa cruzada do bem contra o mal. A derrota de Donald Trump, nos Estados Unidos, Bolsonaro, no Brasil, não demonstram que a Teologia do Domínio foi derrotada em solo americano e brasileiro, mas que estão diante de um pequeno impasse histórico a ser superado.


A ideia de teonomia é, também, uma questão escorregadia. Garantir uma minimização do Estado para que os cristãos tomem poder parece uma ideia boa a curto prazo para determinados grupos cristãos, mas como eles podem prevenir que outros grupos atuem livremente dentro de suas propriedades privadas? Só um crescente poder estatal é capaz de fazer cumprir os anseios teocráticos de reprimir os adversários da Teologia do Domínio.


A Teologia do Domínio, apesar de abarcar distintas visões cristãs, não é capaz de assegurar essa "liberdade" que alguns setores cristãos querem. Ela logo implicaria uma unidade doutrinal entre os cristãos, sobretudo quando estes assumirem de vez o poder do Estado e precisarem dele para reprimir os seus opositores. Logo a liberdade de culto não seria possível, visto que essa se sujeitaria a Teologia do Domínio em todas as igrejas.


Ninguém assume explicitamente a Teologia do Domínio. Seus defensores não professam os seus planos. Corremos risco de ver processos de desdemocratização consubstanciados com processos de teocratização. Como ninguém quer encarar essa "maioria crescente" – optando até por fortalecer o seu poder de tempos em tempos –, o Brasil – e os Estados Unidos – corre um forte risco.

domingo, 23 de junho de 2024

Acabo de ler "Epic Win for Anonymous" de Cole Stryker (lido em inglês/Parte 1)

 



O que é a cultura virtual? Quando pensamos em cultura virtual, pensamos nesse mundo em que as pessoas podem publicar o que pensam de forma menos centralizada. Isto é, a internet não demanda um alto custo para os cidadãos que usualmente entram nela. Isto leva a uma descentralização que, por sua vez, leva a uma Ágora Virtual. Essa descentralidade, embora furtada hoje pelas gigantescas empresas que dominam a maioria dos sites, é a forma pela qual grande parte de nós se comunica.


Marxistas desenvolveriam uma teoria sobre os "meios de produção cultural". Esses seriam centralizados nas mãos dos detentores usuais dos meios de produção. Hoje em dia, espera-se uma maior centralização da internet em prol duma maior regulamentação da própria internet. Ou seja, para alguns é benéfico que a internet seja mais centralizada e esteja nas mãos de alguns poucos grupos, visto que é mais fácil fiscalizar a ação social por esses meios. A defesa duma internet mais livre começa pela negação de uma internet centralizada, não por acaso eu deletei redes que centralizassem demasiadamente conteúdos e grupos sociais dentro de si – caso da recente exclusão do meu Facebook, Twitter/X, Trends e Instagram.


A razão pela qual o 4chan tem muita criatividade está pelo fato de seu anarconiilismo ou, até mesmo, aquilo que me acostumei a chamar de niililiberalismo. Mas não só isso. O país em que ele surge sempre foi bastante ligado a uma forte tradição liberal nas falas e nos costumes. Logo a liberdade de expressão, num nível não habitual ao brasileiro médio, é uma regra e o mundo inteiro vai até o 4chan para se beneficiar dessa prática e desse costume. Com o mundo inteiro indo até lá, existe o fator dum forte desenvolvimento cultural nascido desse mesmo intercâmbio cultural. O 4chan se tornou a Meca da Internet e todos o referenciam como portador desse modelo, seja diretamente através de uma participação ativa, seja indiretamente utilizando os seus memes, linguagens ou referências – de modo consciente ou não.


A existência do 4chan é uma incógnita para o mundo. A razão é bem clara: o 4chan é despido de muitas das regras que usualmente norteiam a maioria dos sites e, não só dos sites, como dos países e comunidades do mundo inteiro. Tal liberdade usualmente faz com que pessoas de comportamento atípico ou antissocial o frequentem como uma espécie de escape das comunidades mais regulamentadas ou simplesmente mais normais. O que pode ser positivo ou negativo a depender da variedade do contexto.

domingo, 2 de junho de 2024

Acabo de ler "Em Defesa de Stalin" de Vários Autores (Parte 24)

 


Essa parte foi escrita por Anna Louise Strong, vai da página 333 à 344. É um escrito curioso: foi feito por uma jornalista norte-americana/estadounidense. Sua análise é breve, mas dá um delineamento de como os americanos encaravam o povo soviético naquele estranho e histórico momento.


Os estadounidenses não conseguiam contato direto com o povo soviético. Tudo lhes vinha por outros meios e por outras pessoas. Ao menos, essa é a impressão que Anna nos deixa. Ela mesma foi estranhando a peculiaridade do povo soviético e a sua forma de conduzir a política.


Ela teve um contato pessoal com Stalin e alguns grandes homens. Além disso, demonstrou como Stalin era diferente das outras grandes figuras que usualmente lhe eram colocadas lado a lado: Hitler e Mussolini. Dizia-se que a conversa com Mussolini era um grande monólogo em que o Mussolini falava e você ouvia. Já Hitler tinha ataques de histeria durante as reuniões, graças ao seu humor explosivo. Stalin, por outro lado, era bastante quieto e gostava de ouvir o que os outros tinham a falar – contraste absurdo e bastante enriquecedor na análise psicológica entre essas três grandes figuras históricas.


Em relação a política, Anna não via em Stalin as imagens ditatoriais que eram atribuídas a ele. Muito pelo contrário, o Stalin relatado por Anna era parcimonioso e dialógico. A natureza de Stalin, enquanto líder, é mais uma vez amplificada: era um líder que buscava conciliar, dialogar e entender acima de tudo, sendo capaz de se manter informado acerca dos grandes dilemas nacionais e internacionais.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Acabo de ler "Em Defesa de Stalin" de Vários Autores (Parte 3)

 


Quem é Josef Stalin? Essa pergunta soa e ressoa, mesmo após um período tão distante. Para responder essa pergunta, debruçamo-nos na visão do primeiro embaixador estadounidense na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas: Joseph E. Davis. Que tipo de visão vocês creem que Joseph nutria acerca de Stalin? Uma péssima, não é mesmo? A resposta é: não. Joseph admirava Stalin e via-o como um homem de notável inteligência e capacidade política. Além disso, acreditava ver nele um excelente homem.


Stalin é aqui relatado como um cavalheiro bastante cordial. Mesmo compreendendo a natureza crua – e por vezes fria – do processo político em sua dimensão real, a famosa realpolitik, Stalin ainda demonstra traços de humanidade e arrependimento dos problemas internos e externos, tentando sempre evitá-los ou atenuá-los na medida do possível. Fora isso, seu contato com os cidadãos da União Soviética é bastante próximo e a sua vida está envolvida numa disciplina que a deixava produtiva e vigorosa.


Hitler também foi analisado, embora numa escala menor, nesse pequeno texto. Hitler é descrito como megalomaníaco e que rouba os créditos do esforço coletivo inteiramente para si. Stalin, por sua vez, demonstra-se mais humilde e compreensivo, valorizando o trabalho coletivo. O único paralelo entre os dois é: a capacidade de realizar grandes planos. Hitler regozijava-se da própria crueldade, Stalin sempre se arrependeu de ter que usá-la.


Um dos pontos sempre falados, mas que hoje salta aos olhos do estudante contemporâneo, ainda mais nessa época de triunfo narrativo do anticomunismo e "antistalinismo": Stalin era um homem bastante metódico, de pouquíssimos prazeres, perpetuamente entregue ao estudo sistemático e ao trabalho contínuo. Ele cumpria ferreamente seus compromissos e estudava os problemas nacionais – além de ter uma compreensão elevada da Europa de seu tempo. Além do mais, admirava os Estados Unidos e não queria um conflito com ele.


Seria um homem assim um monstro tal como hoje se pinta? Talvez os objetivos ocultos da narração contemporânea tenham mais a dizer do que a própria narração que tanto se alardeia.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Acabo de ler "El Diálogo de Civilizaciones" de Fidel Castro Ruz (lido em espanhol)

 



Em primeiro lugar, devo dizer que esse pequeno livro é, na verdade, a junção de dois discursos que foram proferidos por Fidel Castro em momentos diferentes. Um no ano de 1992 e outro no ano de 2005.


O conteúdo da primeira parte do livro, ou seja, do primeiro discurso também pode ser encontrado em outro livro que igualmente li, também em espanhol, recentemente: "Ecocidio, crimen capitalista". Esta obra também se trata duma transição de um discurso oral para um escrito, só que abordando duas falas (Hugo Cháves e Evo Morales) além da de Fidel Castro. A análise pode ser encontrada no blog, no Instagram ou no Facebook.


O que Fidel Castro pensa? Esta é uma das questões que mexe particularmente com latino-americanos, já que ele é uma figura histórica de importância primordial para o desempenho de nosso povo - e civilização - no século XX. Porém não abordarei, neste diminuto espaço, o fato da América Latina ser uma civilização e nem farei uma análise pormenorizada do quadro geopolítico do século XX.


Fidel foi um marxista-leninista, todavia teve um espaço muito maior e privilegiado para pensar e colocar em pauta as suas ideias. A primeira se deve ao fato de ter vivido no início do século XXI e a segunda ao fato de que tinha poder político em Cuba. Então pensamentos ecológicos e formas de guiar um país socialista, além dum bloco não inteiramente socialista que fizesse oposição aos Estados Unidos, são preocupações adicionais ao nortear seu pensamento e papel.


Neste livro, Fidel não fala duma organização socialista em confrontação aos Estados Unidos e a sua aliança imperialista. Fidel fala dum bloco de vários países distintos, cada qual com seu modelo político e econômico, fazendo frente às pressões imperiais americanos. Esta posição coloca-o, geopolítica e estrategicamente, muito próximo ao Dugin. E é importante delinear as suas últimas colocações a partir desse contexto e conjuntura.

sábado, 14 de janeiro de 2023

Acabo de ler "Historia de la crisis argentina" de Mauricio Rojas (lido em espanhol)

 



Ainda sei pouco sobre a Argentina e também pouco da América Latina no geral. Todavia, conforme aumento meu conhecimento na língua espanhola e vou me apoderando da cultura hispânica, galgo pouco a pouco posições mais cabíveis de possíveis análises.


A Argentina é um país que muitos considerarão ingovernável. As suas crises denotam uma sociedade que não encontrou um caminho estável. Só que a pergunta que faço é: que sociedade latino-americana encontrou? Ler a história latino-americana é um caminho de profunda angústia e alto desejo de que haja, enfim, alguma esperança - por mais mínima que seja.


Um país caracterizado por uma liberalidade radical, com uma alta "dosagem" de migração e a esperança dum recanto de desenvolvimento civilizacional na América Latina - em competição direta com os Estados Unidos -, logo se defronta com uma onda populista e estatista com forte caráter nacionalista. De repente, engorda-se a máquina pública e a corrupção faz seu lanche na burocracia de compadrio.


Por fim, Perón é derrotado. Só que o mundo, e também a Argentina, se radicaliza. Uma contradição se flagra: esquerda e direita brigam entre si para que Perón as afague nas entranhas do poder. Mais tarde, pós sucessivas crises, vem-se o governo de Menem que tem como fim destruir o legado ultraburocrático peronista e instaurar uma economia de mercado dinâmica - e logo se vê suntuosos casos de corrupção após uma pequena onda esperançosa.


De qualquer forma, sonhemos com uma Argentina próspera e num caminho estável. Sonhemos, também, que essa estabilidade se dê na integridade territorial latino-americana. Temos que, no mínimo, almejar a civilização e fustigar a barbárie.

sábado, 22 de outubro de 2022

Acabo de ler "Mitos e Falácias sobre a América Latina" de Carlos Angel

 



Achei esse livro ao acaso na biblioteca. Ao contrário do que indica a capa, o fenômeno petista não é analisado. O livro evita muito falar sobre o Brasil, vê o Brasil como algo diferente da américa hispânica. Tanto que, na absoluta maioria das vezes, o termo "América Latina" refere-se quase que exclusivamente ao território hispânico.

Em relação ao conteúdo do livro em si, pude observar uma tendência de crítica voraz não só aos socialistas radicais, mas igualmente aos conservadores caudilhos gerados pela própria desintegração da sociedade hispânica. O autor chega até a se conciliar e defender sociais democratas, muitas vezes sendo altamente elogioso as suas políticas e gosto pela democracia. A sua proximidade para com a esquerda moderada pode ser vista até maior do que pela direita enquanto tal em certos pontos.

O trabalho nesse livro é determinar as raízes dos problemas da américa hispânica. Isso o autor fará metodicamente, procurando razões que precedem até mesmo a descoberta da America. Uma das principais era a busca dos europeus por um local impoluto em que a pureza original prévia ao pecado original tinha permanecido intacta. Local que se pensou ter achado com a descoberta da América. Vem daí o indigenismo latino americano. Há também críticas sobre a fragmentação territorial da America Hispânica e a forma com que a ausência de integridade das instituições gerou um vácuo de poder que só poderia ser preenchido por quem tivesse maior força bruta (o que explica a origem dos caudilhos).

Um dos pontos que o autor baterá é a forma com que se sucedeu a revolução anglo americana (para preservar direitos) e a revolução hispânica americana (para conquistar direitos que não estavam acostumados a exercer). Parte também daí diferenças substanciais que marcam seus percursos políticos.

No geral, achei um livro bastante interessante e de argumentação rica. Pode ser um pontapé para quem quer aprender mais sobre nossos queridos companheiros.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Acabo de ler "A Guerra dos Consoles" de Blake J. Harris

 



Comecei a leitura pensando que teria algo de simples, um tanto de vulgaridade e quiçá uma camisa de deleitosa. Uma simples leitura de passar tempo, não? Estava completamente enganado, a complexidade e a forma com que a trama me envolvia me fascinaram por completo. Um livro sensacional, recomendado não só para o público gamer, mas também para estudantes de marketing, publicidade e propaganda, arte e tantas outras coisas mais.

Esse livro certamente me marcou. Não saberia dizer a honra que tive de lê-lo. A cada página uma nova curiosidade me era apresentada e mais eu sentia vontade de devorar o livro. Graças a história de Tom Kalinske, tornei-me um tanto mais seguista ao testemunhar toda essa história fantástica. Pena que tudo que foi feito em nome da SEGA, foi por ela mesma destruída. No fundo, a maior inimiga da SEGA era a própria SEGA. Mesmo assim, a luta da Nintendo vs SEGA na quarta geração de consoles não foi só louvável, foi épica e impactante. Qualquer pessoa que tenha lido o livro ou vivenciado o tempo saberá do que falo.

O fato dos jogos terem sofrido uma queda brutal e a Nintendo ter feito o mercado ressurgir das próprias cinzas é um feito e tanto. A ditadura monopólica criada por ela, nem tanto. A bravura com que a SEGA lutou contra a Nintendo, mudando eternamente o rumo dos games é uma outra história a qual nunca me esquecerei. Todavia a autosabotagem que a SEGA do Japão fez, em seu orgulho, para ferrar com a SEGA do EUA destruiu a empresa. O surgimento da Sony no mercado é uma outra história marcada pelo livro, uma história muito ousada, peculiar e interessantíssima - mesmo que o livro não aborde muito da quinta geração de videogames (PS1, Saturn e N64).

Tudo me deixou com um gosto de quero mais. O problema desse livro é que ele termina. Seu principal defeito é ausência de defeitos. E, no momento que escrevo, sinto-me feliz de tê-lo lido e saudades por ele ter terminado.