quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Estudos Lunáticos #6 — A Máquina Eleitoral da Guerra Cultural
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Acabo de ler "L'Hégémonisme Américain" de Alain de Benoist (lido em francês)
Nome:
L’HEGEMONISME AMERICAIN: ou le sens réel de la guerre contre l’Irak
Autor:
Alain de Benoist
Após ter começado a fazer análises de textos e livros em espanhol, comecei a fazer análises de textos e livros em inglês. Hoje inicio uma nova era desse blog: passo a analisar conteúdo escrito em francês. Como vi que Alain de Benoist chamava muita atenção, sendo chamado de "marxista de direita" ou "gramsciano de direita", resolvi trazê-lo para cá. Assim mantendo a tradição de abrir o debate público para autores pouco conhecidos ou explorados.
Os Estados Unidos após terem vencido a União Soviética na guerra fria, começaram a pensar e a implementar a universalização do seu modelo para o mundo. Essa universalização do modelo americano pode ser chamada de globalização neoliberal. Durante esse período — o texto foi escrito em 2003, atualmente vemos um declínio dos Estados Unidos e questionamentos a respeito do modelo neoliberal —, os Estados Unidos enfrentaram um mundo caoticamente instável, imprevisível, incontrolável e também marcado não só pela globalização do neoliberalismo, como pela globalização dos problemas.
Alain de Benoist fala sobre a vocação universalista de toda ideologia. Toda ideologia quer se impor como modelo universal. A universalização é um período de remodelamento do mundo em prol de um modelo específico. É evidente que se a União Soviética tivesse ganhado a guerra fria, a universalização do modelo de socialismo soviético — existem outros socialismos — seria a mais plausível. Como os Estados Unidos ganhou a guerra fria, existiu um período de remodelamento do mundo. Em alguns lugares, foi um processo mais pacífico. Em outros, mais turbulento.
Os Estados Unidos da América poderia ter optado por um regime de equilíbrio de poderes, mas optou pela simples hegemonia. O mundo poderia ter sido mais pacífico se fosse multipolar. Em vez disso, os Estados Unidos se proclamou e foi encarado como líder do mundo civilizado e chefe do mundo livre. Copiá-lo era o mesmo que se tornar civilizado e parte do mundo livre.
Essa condição gerou um neoimperialismo, um imperialismo de justificação do modelo unipolar. Esse modelo deveria ser seguido e o mundo deveria ser moldado conforme a vontade dos Estados Unidos da América. A remodelagem do mundo, às vezes vinda com tentativas de balcanização, era justificada pela noção de que os Estados Unidos estava lutando contra o mal e a barbárie. A doutrina neoimperialista, criada pelos neoconservadores, apresentou paralelos com o destino manifesto.
Enquanto os Estados Unidos realizavam o seu papel messiânico no mundo, o déficit comercial americano ia subindo e a desindustrialização ia se tornando cada vez mais grave. As ofensivas neoimperialistas, justificadas por neoconservadores, tornavam-se uma dispendiosa aventura na qual os Estados Unidos voltavam-se para o mundo e esqueciam-se de si mesmos: desindustrializando-se e aumentando o seu déficit comercial.
sexta-feira, 1 de novembro de 2024
Acabo de ler "Anatomy of the State" de Murray N. Rothbard (lido em inglês/Parte 3)
quinta-feira, 10 de outubro de 2024
Acabo de ler "Teologia do Domínio" de Eliseu Pereira (Parte 5)
Nome:
TEOLOGIA DO DOMÍNIO: UMA CHAVE DE INTERPRETAÇÃO DA RELAÇÃO EVANGÉLICO-POLÍTICA DO BOLSONARISMO
Autor:
Eliseu Pereira
As características da Teologia do Domínio são: nacionalismo cristão, supremacia religiosa e visão teocrática. Nada disso rima muito bem com o espírito da constituição americana ou brasileira, todavia é bastante comum ver gente – muito intolerante, por sinal – defendendo essas medidas teocratizantes nos EUA e no Brasil.
O Brasil tem um fenômeno de dependência teológica dos EUA, sobretudo no que tange ao movimento neopentecostal. Dentre aquelas que se destacaram no uso da Teologia do Domínio, se encontra a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus). Os encontros de formação levaram um grande contato entre os evangélicos brasileiros e os evangélicos americanos, preparando o terreno para eleição de Jair Messias Bolsonaro.
As preocupações da Teologia do Domínio no Brasil são "altas". O antagonismo entre a Teologia do Domínio e os LGBTs é algo historicamente relevante. Também há a luta contra qualquer advento da cultura humanista e, é claro, a velha ladainha anticomunista. Apesar de que, no Brasil, se use mais o termo "comunista" em vez de "humanista" para atacar qualquer pauta humanista, mesmo que essa pauta venha de grupos liberais.
Uma das principais beneficiadas da Teologia do Domínio foi a Damares Alves. Até aquele momento, Damares era uma política de baixo clero. Durante o governo Bolsonaro, Damares tornou-se protagonista de uma série de questões políticas. Suas frases sobre gênero e sexualidade – uma defesa heteronormativa – se tornaram bastante comuns e ressoaram numa série de debates públicos.
É estranho observar que várias igrejas, inicialmente desarmônicas e com objetivos distintos, cederam a un projeto político comum. A unificação ecumênica do projeto de poder só poderia demonstrar que ter poder e se fortalecer é mais importante do que as questões religiosas – ou de "mercado" – propriamente ditas. Trump promoveu os desejos evangélicos americanos na América Latina, Bolsonaro foi um representante orgânico das pautas da Teologia da Domínio.
Acabo de ler "Teologia do Domínio" de Eliseu Pereira (Parte 4)
Nome:
TEOLOGIA DO DOMÍNIO: UMA CHAVE DE INTERPRETAÇÃO DA RELAÇÃO EVANGÉLICO-POLÍTICA DO BOLSONARISMO
Autor:
Eliseu Pereira
Esse artigo responde uma pergunta: quando se deu a aproximação do partido republicano para com o público evangélico? Em 1964, o Partido Republicano (PR) sofreu uma das maiores derrotas da sua história. Para resolver essa questão – num país onde o voto não é obrigatório – um dos públicos a serem conquistados era o dos evangélicos. A conveniência uniu o PR (Partido República) e a TD (Teologia da Dominação).
O plano teocrático teria os seguintes objetivos:
“para tornar ‘todo pensamento cativo a Cristo’; exercer domínio sobre todos os aspectos da vida; e fazer com que a família, a igreja e o governo civil estejam em conformidade com os ditames da lei bíblica”
O leitor ou a leitora devem estar se perguntando qual seria a base que fundamentou esse revés histórico de cristianização da política. A base seria a suposta "decadência moral" dos Estados Unidos da América. Essa "decadência moral" estaria ligada aos avanços dos comunistas e humanistas.
Com um período longo de formação de base – envolvendo vários think tanks –, Ronald Reagan foi eleito e reeleito. Além disso, o senado americano conseguiu a maioria republicana. Com Ronald Reagan, empossado pelos anseios evangélicos, a política neoliberal tomou forma. O que demonstra, mais uma vez, a fusão entre neoliberalismo e teologia do domínio.
A Teologia do Domínio conseguiu estabelecer alguns presidentes nos EUA: Ronald Reagan, George W. Bush e Donald Trump. Esse último, por sua vez, criou institutos para promover os interesses dos Estados Unidos e de Israel na América Latina: "Latino Coalition for Israel". O que demonstra que os interesses da Teologia do Domínio foram exportados para cá. Não é incomum que pastores norte-americanos venham para ministrar cursos aos pastores brasileiros.
O lobby evangélico tampouco precisa ganhar as eleições presidenciais para fazer valer a sua vontade. Pode muito bem avançar em setores menores: governos estaduais, câmeras legislativas e tribunais. Além disso, ocupam setores educacionais, censuram livros e obras de arte. A Teologia do Domínio é exportada para países do hemisfério sul.
domingo, 22 de setembro de 2024
Acabo de ler "Militância enquanto Convite ao Diálogo" de Dani Vas e Danilo (Parte 6)
Nome:
Militância enquanto Convite ao Diálogo: o Caso da Militância Monodissidente
Autores:
Dani Vas;
Danilo Silva Guimarães.
sábado, 21 de setembro de 2024
Acabo de ler "Militância enquanto Convite ao Diálogo" de Dani Vas e Danilo (Parte 5)
Nome:
Militância enquanto Convite ao Diálogo: o Caso da Militância Monodissidente
Autores:
Dani Vas;
Danilo Silva Guimarães.
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
Acabo de ler "Militância enquanto Convite ao Diálogo" de Dani Vas e Danilo (Parte 2)
segunda-feira, 2 de setembro de 2024
Acabo de ler "What Is Hegemonic Masculinity?" de Mike Donaldson (lido em inglês/Parte 3)
Em relação ao hétero-patriarcado se pode afirmar que a hegemonia é marcada por uma superioridade, essa superioridade recompensa quem é (heteronormativos) ou quem se assemelha (homonormativos) ao padrão de masculinidade hegemônica. A homossexualidade é condenada em três vias: o homem heterossexual vê como fundamental odiar o homem homossexual; a homossexualidade está ligada a efeminização e vivemos numa sociedade machista; o desejo homossexual é considerado subversivo por si mesmo.
O comportamento homofóbico, bifóbico, lesbofóbico e transfóbico provindo de homens heterossexuais é comum e, até mesmo, recompensado. Desde criança, o homem heterossexual é ensinado que será recompensado por ser hétero e atacado se desviar desse padrão. Ser hétero é uma forma de autojustificação e esse comportamento deve ser ressaltado o tempo todo. Não por acaso, uma das principais brincadeiras é acusar outro homem de não ser "homem suficientemente", acusação do qual o homem acusado deve imperiosamente se livrar. Esse mecanismo, feito a exaustão e todos os dias, leva a um condicionamento mental em que o homem deve ter uma vigilância constante em relação a própria masculinidade – e não uma masculinidade qualquer, mas sim a hegemônica.
O comportamento homossexual é considerado um desvio duplo. Um desvio se encontra no gênero (homossexuais são considerados efeminados) e outro na sexualidade (homossexuais possuem relação com o mesmo sexo). O antagonismo entre heterossexuais e homossexuais é claro: se o poder heterossexual advém do hétero-patriarcado, advém por sua vez da masculinidade e heterossexualidade. O homem homossexual é a antítese do homem heterossexual, ele representa a negação sistêmica dos seus valores e modo de vida. Tal radicalidade, sobretudo em nosso meio cultural, leva a um choque óbvio.
A cultura do homem heterossexual é uma cultura da exaltação da força e do domínio. Essa cultura, nociva e tóxica por si mesma, requer uma constante descarga energética entre si e em outros grupos. A "descarga interna" é um meio de regulamentação comportamental entre os próprios heterossexuais, para reforçar o comportamento hétero-patriarcal. Já a "descarga externa" é correlacionada a demonstração de superioridade do homem heterossexual em relação aos outros grupos, sobretudo mulheres e LGBTs.
domingo, 1 de setembro de 2024
Acabo de ler "What Is Hegemonic Masculinity?" de Mike Donaldson (lido em inglês/Parte 2)
A natureza da hegemonia é cruel. É a partir dela que a maioria das opressões sociais se estrutura e se aplica. É o grupo hegemônico que pode, com sua força, definir até o que é normalidade. É ele que pautas as relações sociais, culturais e, até mesmo, econômicas. E é a partir dele que vemos o surgimento de vários papéis que devem ser desempenhados por nós performaticamente. A normalidade, em grande parte do tempo, é criada por uma estrutura de poder. Ela é produzida por uma narrativa, por um discurso. O reforço a normalidade em conjunto com a patologização são ferramentas coercitivas para preservar.
A hegemonia é criada pela intelectualidade, criada pela cultura. Ela é mantida pelos padrões culturais. No fundo, são as organizações intelectuais que mantêm ou destroem um determinado padrão. É evidente que isso depende da capacidade de dadas organizações intelectuais. Meios undergrounds não conseguem facilmente penetrar a massa e redefinir conceitos. Quem tem tal domínio, tem para si os chamados "meios de produção cultural". Para detê-los, se faz necessário grande poder financeiro ou o suporte do grande poder financeiro.
Em relação a hegemonia na esfera da masculinidade e do gênero, há uma correlação entre "poder masculino" e "heterossexualidade". Existem aqueles modelos de masculinidade que visam preservar as estruturas de dominação hétero-patriarcais e aqueles outros modelos de masculinidade que atuam contra essa estrutura. A grande maioria desses modelos de masculinidade são violentos, dominadores e agressivos. Visam, antes de tudo, a superação pela conquista, pela imposição e uma perpétua luta dos homens pela hierarquia. É absolutamente infeliz que a maioria dos modelos de masculinidade reinantes sejam sobre dominação e subordinação, isto leva a conflitos sociais perpétuos e rodas tautológicas de tortura sociopsicológica.
A estrutura hegemônica da masculinidade é tecida dia após dia. Regulada e gerida para articular: as experiências, as fantasias e as perspectivas. É a partir dela que as relações de gênero e sexualidade são refletidas e interpretadas. Ou seja, é a partir da matrix (homem, hétero, macho e ativo) que se inicia a reflexão do gênero e da sexualidade. Todos os outros pontos são ignorados ou violentamente censurados, seja pela força da lei jurídica, seja pela força da lei social – que, convenhamos, muitas vezes não são o mesmo. É dessa forma que vemos a natureza do movimento queer e do movimento heterossexual. Sendo o que o queer parte do estranho – contra-hegemônico – e o heterossexual parte daquilo que foi naturalizado – polo hegemônico.
São os ideias culturais os reguladores e gerentes, são os ideias culturais que criam e perpetuam. Para encontrar o modelo de homem reinante, basta ler a maioria dos livros, ver a maioria dos filmes, ouvir a maioria das músicas, assistir a maioria dos programas. O mesmo modelo – homem, hétero, macho e ativo – se repete exaustivamente, como num mantra imagético, adentrando imaginários e servindo como base inspiracional. É assim que se mantém, que se preserva, pela moldagem do imaginário, a hegemonia heterossexual.
domingo, 25 de agosto de 2024
Acabo de ler "Afeminação, hipermasculinidade e hierarquia" de Mozer e Helder (Parte 3)
domingo, 18 de agosto de 2024
Acabo de ler "Hegemonic Monosexuality" de Angelos Bollas (lido em inglês/Parte 4)
A hegemonia é intrinsecamente uma tática de estratificação social. Isto é, ela serve para que o grupo dominante e/ou majoritário mantenha o seu poder e o seu posicionamento. Muitos dos pontos defendidos pelo grupo dominante foram socialmente construídos e não são naturais, mas o próprio domínio do grupo dominante se confunde com a naturalidade. Essa confusão, forjada ou inconsciente, traduza-se em efeitos materiais que beneficiam o próprio grupo dominante.
É o grupo dominante que cria até mesmo o discurso do outro. O outro é obrigado a ser inorgânico. Incapacitado de expressar o que ontologicamente é. A forma expressiva – seja sexual, de gênero, religiosa, racial, cultural – é subjugada e regulamentada pelo grupo dominante. A ausência de poder simetricamente oposto faz com que as normas do grupo dominante regulem sobretudo aquilo que chamamos de espaço público. Em outras palavras, fora dos poucos polos normativos, há o script social que deve ser seguido.
Um grupo que ganhou força ao se adaptar ao script da sociedade foi o grupo "LG" (lésbicas e gays). Que criaram a cultura homossexual de consumo. A mulher e o homem homossexual normal. Essa figura ilustre – o gay e a lésbica normal –, era monogâmica, tinha uma vida estável, uma reverência aos papéis de gênero instituídos por heterossexuais e uma certa docilidade perante os valores reinantes.
O movimento bissexual, pipocando nos anos 90, começa a questionar os valores instituídos e o simulacro desses valores. O que o movimento bissexual queria era basicamente duas pautas: respeito pelas diferenças e aversão a assimilação. O respeito pelas diferenças surge pela própria questão da invisibilidade bissexual, que é até hoje apagada pela cultura monossexista. Já a questão da aversão a assimilação surge pelo esvaziamento do potencial de real oposição política a heterossexuais por causa da assimilação à hétero-matrix por grupos homossexuais.
Para o movimento bissexual, a discussão acerca do desejo sexual ou romântica não era produtiva e, ainda por cima, era ditada por um binarismo antagônico que jogava as pessoas em padrões heteronormativos ou homonormativos. A discussão naquele período era: você pode se relacionar com um homem ou uma mulher. Com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto. Essa binariedade antagônica era marcada por uma autoexclusão das possibilidades de afeto (ou "x" ou "y").
Acabo de ler "Hegemonic Monosexuality" de Angelos Bollas (lido em inglês/Parte 3)












