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quarta-feira, 11 de março de 2026

O Necrológio Cadavérico #8 — Meltdown e Cansaço

 


Se eu morresse hoje...


Lembraria que o mundo é um local complicado, sobretudo em meu último suspiro. Tendo aqui um alívio de que parto para um descanso. 


Estive lendo muita coisa, posso até citar os livros caso os leitores tenham alguma curiosidade:

— "Alt-Right: from 4chan to the White House" - Mike Wendling;

— "Trumpocalypse" - David Frum;

— "China and the West" - The Munk Debates;

— "The Philosopher in the Valley" de Michael Steinberger;

— "National Security Strategy".


Tive que parar por um tempo com as análises devido a um certo cansaço e pelo fato de que tive um meltdown. Meu corpo precisa de um certo repouso. Além disso, precisava sair mais. Fiz isso no sábado, tive aula de teatro em Pinheiros e depois fui para o Centro de São Paulo tomar uma breja com um amigo. Acabei encontrando ali uma amiga de longa data e um rapaz que estava com ela.


As conversas que tenho com meus amigos são um tanto diferenciadas. Lembro-me de ter falado da importância da Sé para a cidade de São Paulo. Além de ter pensando em algum texto falando sobre Sé Paulistana (em referência a Santa Sé), o lema da cidade de São Paulo ("Non Dvcor Dvco", não sou conduzido, conduzo) e até mesmo músicas que falam de São Paulo. Pensei em falar até do regionalismo libertário dos punks dentro desse texto.


Em relação ao que produzi no passado, consegui traçar uma linha para que os leitores pudessem, de algum modo, delinear a passagem técnica entre os mais distintos acontecimentos na comunidade channer. Os leitores mais atentos poderiam ver como:

- As técnicas do Pizzagate foram usadas em QAnon;

- Como eram as técnicas do Saint Obamas Momjeans e do Q. (QAnon);

- Como a criação da "SCP Foundation" criou um modelo de criação que foi reaproveitado pelo Pizzagate e Q. 


Além disso, trouxe importantes conexões entre eventos históricos. Embora eu não ache que tudo isso foi compreendido ao todo. Até o presente momento, poucas pessoas sguiram a recomendação de lerem tudo com os arquivos mencionados "Esochannealogy 6.0", "Hauntological Esochannealogy 1.0", "Prototype Magolitica Creation", "QAnon Ressurection" e "Magolitica Game" em IAs, copiando e colando os textos.

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq

https://drive.google.com/drive/folders/1XrJj772czH4OPLsUZjLDwZlh6vszzcOo

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF


Creio que muita gente se interessou, leu um texto ou outro, depois foi embora sem entender muito do que foi escrito. Isso me trouxe uma espécie de desânimo, mas os "insider clubs" publicados aqui e no Medium deram algum fôlego para a obra e seus leitores.


Tenho acompanhado os números de visualizações do blogspot, vejo que pessoas dos Estados Unidos, da Alemanha, do Canadá, da Suécia e da Espanha tornaram-se grandes leitoras desse blogspot nos últimos tempos. Na maioria das vezes superando em muito o número de leitores brasileiros.


Dois dos meus amigos estão se envolvendo bastante com mulheres. De um modo que até lembra meu "eu" em 2024. Eu mesmo não tenho me envolvido muito. Tenho saído pouco e não tenho apps de pegação com exceção do Duolicious (que é mais usado para falar com outros channers do que para pegação). Não sinto vontade de me envolver, sou um cara que gosta muito de ficar lendo e meditando. Ou ler e meditar ao mesmo tempo. Nada mais terapêutico do que colocar um bloqueador de luz azul no celular, respirar mais lentamente, semicerrar os olhos e ler vagarosamente. Também tenho consumido muito ASMR.


Enquanto eu tenho saídas breves, consumos esporádicos de álcool, aulas de teatro e tempos de leitura, o Brasil queima. Entra em pauta a criminalização da redpill e a lei que exige reconhecimento facial e documentos para frequentar redes sociais. Nenhuma dessas leis me afeta ao mínimo:

1- Não pertenço ao movimento redpill e até mesmo sou uma figura atacada por esse movimento;

2- Sou maior de dezoito anos e só entro na Internet para achar livros e artigos, jogar joguinhos, ver documentários e ASMR (um anime bem raramente), ouvir música.


A maioria das pessoas vêm o apocalipse na Terra onde eu só vejo sono e fico bocejar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Post-Truth Protest" de Vários Autores (lido em inglês)

 


Nome:

Post-Truth Protest: How 4chan Cooked Up the Pizzagate Bullshit


Autores:

- Marc Tuters;

- Emilija Jokubauskaitė;

- Daniel Bach.


Link da Notícia:

https://journal.media-culture.org.au/index.php/mcjournal/article/view/1422


Como estamos revisando vários eventos passados da cultura channer, que são de particular interesse para:

- A esochannealogia;

- Para os leitores desse blogspot;

- Para os operadores que estão na missão global /DIG/;

- Para aqueles que estão vendo a conexão entre múltiplas ações passadas (Gamergate; Pizzagate; Cult of Kek; QAnon; /DIG/; Jeffrey Epstein; Alt-Right List);

- Ou para os channers/anons do mundo inteiro que leem esse blogspot;

- Estou reabrindo todos os maiores eventos envolvendo investigações e teorias da conspiração do 4chan (ou outros imageboards), além de outros eventos relevantes, para trazer o melhor conteúdo possível;

- Recomendo que os leitores façam melhor uso das tags do blogspot (é só clicar em versão web e achar a tag que quer [os leitores mais jovens não estão acostumados ao formato blogspot]).


Trago aqui um outro artigo interessante, focando-me nos pontos centrais. Para quem tem interesse de entender como o chan funciona como Egrégora/Legião, esse artigo traz pontos interessantíssimos. Se olharmos o conteúdo da obra Magolítica (sobre Legião) e conectarmos com a ideia de Saint Obamas Momjeans, vemos padrões históricos relevantes.


Recomendo a leitura do Insider Club #35:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html?m=1

No Insider Club #32:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-32-ha-quanto-tempo-existe-elite.html?m=1

(Leia o #35 primeiro para não tomar as frases do #32 literalmente)

Por fim, leia a Teoria das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica que foi escrita por um militante do Partido Missão:

https://missaoapoio.com.br/noticia/nova-teoria-esochannealogica-revoluciona-conceito-de-guerra

O texto das Quatro Dimensões da Guerra Esochannealógica se conectam profundamente com o "Reflexões Esochannealógicas #6:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=1


Também recomendo que os leitores estudam os padrões da egrégora/legião em casos como a confecção coletiva da SCP Foundation, as ações no Gamergate, as ações no Pizzagate, as ações no Cult of Kek, as ações no QAnon, as ações no /DIG/. Isso dará uma profunda compreensão do que egrégora/legião quer dizer dentro de um chan e quais são as suas ações em suas diferentes configurações históricas.


O artigo começa falando do evento de 4 de dezembro de 2016. Aquele evento em que um homem armado com um rifle de assalto entrou em uma pizzaria para atacar um "esquema de pedofilia satânica dirigido por proeminentes membros do Partido Democrata" (a teoria da conspiração chamada Pizzagate).


O artigo traçar que o Pizzagate era conhecido e acreditado por uma parte dos eleitores de Trump, mas a investigação traça o seu início para o 4chan, na board /pol/ (politicamente incorreto). A board é conhecida por ser antagonista do politicamente correto e abrigar a alt-right. Nesse caso, o /pol/ analisou os e-mails do John Podesta (ligado a Hillary Clinton), que tinham sido pagos por hackers russos e vazados pelo WikiLeaks. 


Nesse período, o 4chan construiu os elementos básicos da narrativa e a nova mídia de direita amplificou.


Os autores fizeram um esforço para compreender o 4chan enquanto sistema. Um sistema com as suas próprias dinâmicas internas e com um senso real do que o faz ontologicamente distinto. O Pizzagate foi uma ação coletiva dentro de um fórum caracterizado pela efemeridade e pelo anonimato. Além disso, pelos eventos ocorrerem de forma rápida e existir um limite de postagens. Ou seja, tudo que for discutido — não importando o quão bom e popular seja —, acabará pela própria estrutura do fórum. Os usuários burlaram isso usando sites paralelos.


No caso do Pizzagate, houve um esforço coletivo em tempo real para pesquisa. Além de uma compilação. Esse movimento foi chamado por pesquisadores de "Bullshit accumulation" (acumulação de tourobosta). O "bullshit accumulation" é mais ambicioso que a desinformação e oferece uma visão mais panorâmica do que particular, falsificando o contexto. O bullshit é considerado um inimigo mais perigoso do que a desinformação, visto que ele coloca uma narrativa dentro de uma teia de acontecimentos, tornando-se mais complexo e difícil de se argumentar contra.


A acusação de que Clinton era envolvida com pedofilia não era nova no 4chan. O 4chan alegava isso em um incidente anterior: "Orgy Island" (Ilha da Orgia). Nessa alegação, os Clintons viajavam num jato particular de Jeffrey Epstein chamado de Lolita Express. Todavia é difícil saber se os usuários do 4chan realmente acreditam nessas teorias, já que dois pontos são centrais:

1- Um quase religioso coletivismo irônico;

2- A weaponização da ironia que marca o fórum.

De qualquer forma, o "#Pizzagate" se espalhou pelo Twitter no dia 4 de novembro de 2017. Além do subreddit r/TheDonald.


Eu poderia focar nas informações das construções conspiratórias, mas foquemos nas técnicas, visto que elas que permitem compreender como o fenômeno é formado.


Os movimentos do /pol/ podiam ser definidos em cinco passos:

1- Pesquisa;

2- Interpretação;

3- Solicitação;

4- Arquivamento;

5- Publicação.


Isso lembra bastante uma investigação convencional, mas voltemos ao que foi discutido nessa exata postagem: a visão panorâmica acima da particularidade de cada peça, além da falsificação do contexto. Fora isso, adentre no aspecto da acumulação do conhecimento ao lado do apelo emocional e teremos uma epistemologia da pós-verdade.


Então veja:

PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade.

Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 3 Final)

 


Nome:

Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon


Autores:

- Melanie Smith

- Graphika


Nessa parte final, a Graphika relata a internacionalização do movimento. Citando países como Japão, Brasil, Inglaterra, França, Alemanha, Filipinas, Finlândia, Chile e Nova Zelândia.


Um detalhe especialmente relatado é a comunidade de QAnon no Japão. Nessa comunidade uma autonomia bastante alta se estabeleceu. Além disso, os tradutores ganhavam destaque social. Uma hashtag subia nas redes #QArmyJapanFlynn, que era uma alusão a ideia de ser uma armada de Q. e a conexão com Michael Flynn. Quando aprovaram novas cidades dirigidas por inteligência artificial, a comunidade japonesa de Q. acreditou que isso seria mais controle do "deep state" (Estado Profundo) na população.  Além disso, houve o questionamento dos supostos riscos de saúde do 5G.


Em relação a comunidade de QAnon no Brasil, essa estava muito ligada aos apoiadores de Jair Messias Bolsonaro. Foram localizadas 735 falando sobre a COVID-19. Além disso, a relação próxima de Trump e Bolsonaro era sempre ressaltada e tida como marca do grupo. Quando houve a saída de Sergio Moro, a comunidade se moveu para conectar a esposa do Sergio Moro as Nações Unidas e a suposta elite global que conspirava contra Bolsonaro. Isso ressalta, mais uma vez, que QAnon era uma arma política.


QAnon também esteve no Reino Unido, onde se relacionou com entusiastas do BREXIT (saída do Reino Unido da União Europeia). Além disso, defendia um novo rei legítimo: Rei João III. Essa ideia surgiu pela teoria de que a Rainha tinha envolvimento com a cabala global que criou o COVID-19. (Nota: é muito difícil escrever esse tipo de análise pois você acaba rindo das ideias estapafúrdias).


Na França, na Austrália, na Coreia do Sul e na Alemanha, os assuntos mais constantes eram o controle governamental. Pouco importando o local, onde o grupo QAnon passasse, existiria desinformação e deterioração da confiança pública nas instituições. O que foi excepcionalmente danoso no período da COVID-19.




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon


Autores:

- Melanie Smith

- Graphika


A forma que a comunidade QAnon se organizava deixava claro os seus objetivos políticos. Um exemplo disso foi quando a Kamala Harris foi anunciada como vice de Joe Biden. Não demorou muito tempo para que surgisse uma teoria da conspiração acusando a sua irmã (Maya Harris) de fazer parte de um esquema de tráfico sexual devido a relação com a família Soros (George Soros).


Além disso, a hashtag "#WWG1WGA" (Where We Go One, We Go All [Onde um vai, todos vão]) representava um sinal de lealdade e apoio (mútuo). Essa sinalização de grupo foi importante para construção da identidade do movimento de Q.


A investigação também vai para atuação da Rússia. Analisando o caso de três contas terem feito cerca de 17 mil tweets dizendo a hashtag "#WWG1WGA", o que levou a uma suspeita de uma operação informacional do Kremlin. Além disso, a hashtag "#pizzagate" já contava com a suspeita da participação da Glavset (Internet Research Agency/Agência de Pesquisa da Internet/Fábrica de Trolls Russa).


A mídia estatal russa também entrou nessa análise. O site RT.com sempre tentava colocar em suas matérias assuntos correlacionados ao movimento QAnon, chegando a conquistar grande parte do movimento.


Por fim, o artigo cita duas figuras (que já mencionei em outras análises), a Marjorie Taylor Greene e o General Michael Flynn. A Marjorie descreveu QAnon como um patriota, além disso já era conhecida por compartilhar teorias conspiratórias envolvendo o 11 de Setembro. Já o General Michael Flynn abraçou o movimento QAnon em seus discursos públicos (os leitores devem lembrar que na análise anterior eu lhes alertei que privadamente ele chamava o movimento do Q. de maluquice).

Acabo de ler "Interpreting Social Qs" de Melanie e Graphika (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

Interpreting Social Qs: Implications of the Evolution of QAnon


Autores:

- Melanie Smith

- Graphika


Nesse relatório, a Graphika alerta que QAnon vem a representar o mais denso network conspiratório que eles já estudaram. Na época, o período da COVID-19 representou um aumento da comunidade. Além disso, Facebook e Twitter tinham um esforço de restringir o crescimento do grupo, que se tornava mainstream. 


Três características centrais foram dadas nesse relatório:

1- A autonomia e a adaptabilidade do movimento QAnon eram rotineiramente subestimados;

2- Agentes estrangeiros, sobretudo na Rússia, visavam esse movimento;

3- O movimento havia se tornado internacionalizado, virando um movimento conspiratório global anti-governo.


O assunto seguia o mesmo: a elite cabalista liberal contra Donald Trump. A origem desse movimento, como os leitores já devem saber, foi o 4chan e depois houve uma migração pro 8kun. Também é notório que o movimento já estava em 25 países e tinha eleito políticos. 


— Autonomia e Adaptabilidade:


A pesquisa dividiu dois grupos: os seguidores de Q. e os seguidores de Trump. Enquanto os seguidores de Q. escalonavam as suas mensagens, os seguidores de Donald Trump amplificavam as mensagens dos seguidores de Q. (você deve se lembrar do que ocorreu com o Culto de Kek e os seguidores de Trump que foram mencionados em análises anteriores, para começar a perceber os paralelos históricos).


Com suas 13,8 mil contas, de Janeiro a Fevereiro o grupo fez 41 milhões de tweets. De Julho a Agosto, o grupo fez 62,5 milhões de tweets. Esses grupos online, atuando como guerrilhas digitais, eram chamados de "Q Armies" (armadas do Q.), que tinham o papel estratégico de coordenar e amplificar o conteúdo no Twitter. 146 contas chegaram a compartilhar o mesmo vídeo do YouTube 25 vezes ou mais. 11 usuários chegaram a compartilhar o mesmo link mais de 100 vezes.


O movimento QAnon também se destacava na produção de conteúdo (que depois seria amplificado pela própria base e pelos apoiadores de Donald Trump). Eles fizeram três documentários internos:

- "Plandemic";

- "America's Frontline Doctors";

- "Out of Shadows".


O movimento crescia colocando desinformação e teorias conspiratórias sobre a COVID-19, mas já tinha suas celebridades internas além do próprio Q. Além disso, a Graphika também cits vários exemplos em que os seguidores de Q. manipularam eventos para colocarem a sua teoria neles.


Um dos diálogos mais singulares foi o do movimento QAnon com o movimento anti-vacina. O período da pandemia foi o período em que a ideologia do movimento QAnon se espalhou para outras comunidades. O QAnon serviu como ponto de convergência para outras teorias conspiratórias. Ideias anti-vacinação, teorias contra o uso de máscara e o uso de hidroxicloroquina foram apresentadas — quem se lembra da época da COVID-19 no Brasil também se deparou com essas """ideias fascinantes""" (nota: tento não ser ofensivo em minhas análises de artigos acadêmicos/científicos).


Dois exemplos notáveis ocorreram:

1- Jessica Prim: essa mulher planejou matar Joe Biden, ela já tinha compartilhado as teorias da conspiração envolvendo QAnon no Facebook;

2- George Floyd: havia a ideia de que George ainda estava vivo e que era, na verdade, um ator de crise pago pela elite liberal. Várias imagens photoshopadas foram compartilhadas (no Facebook, Twitter e outros sites conspiratórios), mostrando a marca de George Soros em ônibus, ela dizia "Soros Riot Dance Squad" (Esquadrão de Dança da Revolta de Soros). Além disso, fizeram conexões entre George Soros e a Antifa.

Acabo de ler "QAnon slogans disappearing from mainstream sites" de Elizabeth Culliford (lido em inglês)

 


Nome:

QAnon slogans disappearing from mainstream sites, say researchers


Autora:

Elizabeth Culliford


Link da Reuters:

https://www.reuters.com/technology/qanon-slogans-disappearing-mainstream-sites-say-researchers-2021-05-26/


Essa análise ocorreu depois do incidente violento de 6 de janeiro de 2021. Ela trata do esforço das redes sociais mainstream de reduzir o impacto da teoria conspiratória de QAnon. Essa teoria da conspiração explodiu em popularidade durante a pandemia da COVID-19.


A autora destaca frases que eram bastante utilizadas (quem entende de guerra memética compreenderá a importância dessas frases):

- "We are the storm" (nós somos a tempestade);

- "Great Awakening" (grande despertar);

- "Trust the plan" (confie no plano).


Segundo a autora, as redes sociais mainstream (isto é, as mais utilizadas), além de mecanismos de pesquisa (Google) tiveram um papel central na redução de danos. Google, Facebook e Twitter trabalharam muito nisso.


Outro grupo também fez um grande trabalho, os pesquisadores. Eles analisaram cerca de 40 milhões de dados. Porém a autora ressalta que houve uma grande desilusão de Q. e seus seguidores ao verem Trump sair do cargo sem derrotar a suposta elite cabalista, satanista e pedofílica. 


Durante esse período de cerceamento das atividades desse grupo conspiratório, as grandes redes sociais removeram várias contas vinculadas ao projeto de Q., os seguidores de Q. tentaram usar novas linguagens codificadas.


É interessante observar que o Telegram e o Rumble não foram analisados pela dificuldade de conseguir dados. Ou seja, uma rede alternativa de vídeos (Rumble) e os grupos sociais privados de um importante aplicativo de mensagens (Telegram) ficaram de fora.


Se o leitor puder, recomendo que ele leia a análise anterior:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-what-is-qanon-and-how-are.html


E que dê uma olhada quando a operação global do 4chan, a /DIG/, é mencionada aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-jeffrey-epsteins-4chan_92.html?m=0

Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 3 Final)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk





Nessa parte final do artigo, o autor fala de um artigo publicado anonimamente pela The Guardian. Esse artigo conta a história que pode ser encarada sobre o prisma psicológico e o real efeito do "meme magic".


O que aconteceria se um liberal consumisse conteúdo da alt-right? Os efeitos observáveis foram:
- Predisposição;
- Tendência;
- Propensividade;
- Inclinação. 

Por qual razão? A linguagem da alt-right é apresentada de forma desarmada, isto é, através de memes e frases distintas. 


O constante uso de supremacismo branco, misoginia e outros elitismos em forma de meme criam um habitus (Pierre Bourdieu) que estrutura o julgamento dos agentes e a sua forma de percepção no mundo. A "magia do meme" (meme magic) estrutura o julgamento dos agentes e a hiperrealidade dos memes naturaliza novas visões  com menos julgamento do conteúdo que é apresentado.

Quando olhamos para a campanha de Clinton, havia uma distinção entre realidade e hiperrealidade, entre poder e meme. Para a alt-right (direita alternativa), não existe essa distinção. Na realidade, a ausência de distinção é usada como método para o florescimento ideológico, onde gradualmente a simulação (o meme e o humor no qual vem embaladas os seus posicionamentos ideológicos) torna-se a realidade.

O leitor (ou a leitora), se não for ingênuo, lembrar-se-á dos seguintes trechos de "Magolítica 0" e "Para Além da Máquina de Ódio":

"Os channers compreenderam que podem tornar a ficção uma superstição e fazer da superstição uma prática concreta até que ela se torne, por si mesma, uma realidade. Eles dizem hipóteses do que eles gostariam que existisse, assim vão preparando cenicamente os seus pupilos para criarem um universo em que a conspiração que foi levantada como hipótese se torne realidade. Como se fosse uma profecia teleológica fundada pelo próprio discurso"



"Infelizmente a nossa mídia e academia estão mais preocupadas com channers de baixo escalão (incels) do que com os de alto escalão (esochanners). Sim, incels e channers de baixo escalão podem levar a assassinatos. Só que aí vai uma pergunta: quem é que fez a lavagem cerebral neles para início de conversa? Você acha mesmo que o mesmo fórum que diz que a pornografia aumenta a dopamina no cérebro e que serve como recompensa infinita apresenta mensagens extremistas ao lado de pornografia por acaso? Também é o mesmo fórum onde o behavorismo (sobretudo o condicionamento) e a psicanálise e a psicologia clínica (sobretudo perversões e Dark Self) são estudadas pelos channers de alto escalão (esochanners). Para nosso acadêmico médio e para o nosso jornalista médio, tudo isso figura como uma coincidência banal, algo que não é motivo e nem passível de investigação alguma. Só os aspectos mais gritantemente observáveis da cultura channer são notados. Os aspectos mais sutilmente diabólicos, engendrados por esochanners em suas pesquisas, sequer são mencionados ou estudados mais aprofundadamente"


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk


O autor concentrará as suas investigações na alt-right pós-2015. Essa era encontrada no 4chan (primariamente no /pol/), no 8chan, em subrredits do Reddit, blogs e podcasts. 


Ele se atentará a análise de Fenwick Mckelvey. Na análise de Mckelvey, o conteúdo do 4chan era irônico, sarcástico, sem sentido (nonsense) e subversivo. Mas existe uma razão para essa estrutura comportamental:

Anonimato + Conteúdo que desaparece rapidamente = criação de um linguajar e uma estrutura comportamental em que tudo some rapidamente.

Isso cria um modo distanciado, irônico e crítico da realidade. Isso cria um modo fortemente niilista de ver o mundo. É por isso que vemos usuários encorajando os outros a comenterem barbáries, oferecendo conselhos e celebrando qualquer coisa que poderia ser lida como uma violenta fantasia (o leitor deve se lembrar da "legião" na obra Magolítica e da ideia de egrégora na obra de Saint Obamas Momjeans).


Quando vemos um meme produzido nesses espaços, existe uma separação. Há como que um divórcio entre a realidade e o conteúdo do meme. O meme, por sua vez, torna-se um simulacro. Há uma hiperrealidade nos memes da alt-right. É muito difícil saber o que um meme atualmente significa por causa das suas múltiplas camadas de ironia.


Existe uma aceitação coletiva de uma negação da realidade. Uma compartilhada negação. Os usuários usualmente empregam humor não para esconder a sua ideologia, mas por causa disso refletir a sua verdadeira falta de ideologia. O humor é hiperreal pois isso representa a sua experiência de existência.



Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk


O autor trabalhará com a noção de hiperrealidade e simulação de Jean Baudrillard (Simulacra and Simulation), com o  habitus de Pierre Bourdieu (The Logic of Practice) e com o "Ctrl-Alt-Del" de Matthew N. Lyons.


O começo do trabalho fala da emergência do grupo, enquanto figura proeminente no debate público, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016.  Nesse período, a Alt-Right brigava com as normas da direita conservadora contemporânea. Ela surgia com um modo irônico e irreverente de comunicação.


Um dos maiores pontos de discussão é: "o que seria a Alt-Right?". Apesar da presença massiva de neonazistas e supremacistas brancos, o foco era mais em reassegurar a supremacia masculina e outras formas de elitismo do que a raça. 


Outro conflito que se estabelece é o antissemitismo. Se alguns consideram o antissemitismo como central ao movimento, outros apreciavam escritores judeus como o Milo Yiannopoulos (que se descrevia como judeu gay). De qualquer forma, isso demonstra a ausência de organização e os conflitos internos desse movimento de extrema-direita (far-right). A ausência de organização justifica-se pela natureza fluída e anônima do 4chan e do 8chan.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 4 Final)

 


Nome:

Jeffrey Epstein's 4chan Plan


Autor:

Matt Gallagher


Link:

https://bylinetimes.com/2026/02/06/jeffrey-epsteins-4chan-plan/


Steve Bannon usou amplamente o seu podcast (War Room) para amplificar o QAnon nos anos de 2019 a 2020. Em uma das ocasiões, o seu podcast apresentou a ideia de que o Partido Democrata era um partido de pe... nessa ocasião, ele estava com a Marjorie Taylor Greene. Posteriormente ele chamaria isso de psyop.


É evidente que Steve Bannon não era o único a comentar sobre QAnon. O republicano Michael Flynn, um general aposentado e que serviu como Conselheiro de Segurança Nacional por vinte e dois (22) dias ao governo Trump, também apoiou publicamente o movimento QAnon. Privadamente, ele chegou a dizer que era um nonsense total (algo completamente sem sentido) e uma operação de desinformação. Algo que tornava até mesmo os seguidores malucos.


De qualquer forma, o movimento QAnon continua dentro do MAGA e Donald Trump (o messias do movimento) continua citado nos arquivos de Epstein. Atualmente, os seguidores de QAnon não sabem muito bem em que fundamentar as suas crenças. Outros, e isso falo como observar — é por isso que muitos de vocês me acompanham, pelo o que sei internamente da cena channer (e vocês sabem que é muita coisa) —, chamam Q. de Operation Trust (isso não é uma afirmação, mas a descrição de como dado grupo dentro da cena channer se porta diante da falência de Q.)


Operação Confiança

A Operação Confiança (em russo: операция "Трест", romanizada: operatsiya "Trest") foi uma operação de contrainteligência da Diretoria Política do Estado (GPU) da União Soviética. A operação, criada pela Tcheka — predecessora da GPU —, funcionou entre 1921 e 1927, estabelecendo uma organização falsa de resistência anti-bolchevique chamada União Monarquista da Rússia Central (MUCR) (Монархическое объединение Центральной России, МОЦР), com o objetivo de ajudar a OGPU a identificar monarquistas e anti-bolcheviques reais. A empresa de fachada criada para essa finalidade foi denominada Associação Municipal de Crédito de Moscou.


O quanto Jeffrey Epstein influenciou na cena channer, é algo que só uma maior liberação dos arquivos de Epstein pelo DOJ (Departamentp de Justiça) pode responder. Se ele foi um arquiteto oculto, é algo que ainda não sabemos em qual amplitude. O fato é que, de 2010 para frente, a cultura channer se tornou como um peão para os objetivos de uma conspiração política. Existe, dentro da comunidade channer, mais ódio direcionado aos inimigos do projeto político populista do que aos crimes reais de Epstein. 

Enquanto escrevo, a operação global do 4chan /DIG/ segue o seu curso, mas o efeito dela a curto, médio e longo prazo é algo dificilmente mensurável. Porém, ao que me parece, é algo que meus leitores mais atentos deveriam prestar EXTREMA atenção... 

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 3)


Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:


No ano de 2016, a WikiLeaks acabou liberando 20 mil páginas de e-mails do gerente de campanha da Hillary Clinton (John Podesta). Quando as revelações vieram à público, os anônimos do 4chan começaram a correlacionar os seguintes termos "pizza", "pasta" e "hot dogs". Nisso, começaram a associar ao abuso de menores e a pizzaria Comet Ping Pong. O que levaria ao Pizzagate.


Não era só o 4chan que estava analisando isso. Os subreddits r/TheDonald e r/pizzagate também analisavam os arquivos. Essa correlação de forças logo sairia do 4chan e do Reddit, adentrando ao Facebook, YouTube e Twitter (atualmente X).


O que chamará a atenção é o fato de que o próprio Jeffrey Epstein enviou e-mails (mesmo que sem contexto) para Peter Thiel e para o ex-conselheiro do Donald Trump (Tom Barrack). Epstein também se encontrou com James Damore e Kevin Cernekee, dois influenciadores de direita. Esses dois estariam supostamente envolvidos na promoção da narrativa da teoria conspiratória do Pizzagate.


De: [Nome redigido]  
Enviado: Quarta-feira, 21 de agosto de 2019, 14h58  
Para: [Nome redigido]  
Assunto: relatório-em-andamento

Fui solicitado a escrever isso para o Oversight na semana passada, e continuo esquecendo de repassar para você.

Tenho certeza de que vocês sabem mais sobre a maior parte disso do que eu, mas se a hipótese que proponho estiver correta, caso surja alguma discussão sobre Corais/Simbiodinium/Algas/Dinoflagelados ligada à criptografia de dados ou à Arábia Saudita, posso ser capaz de preencher algumas lacunas — datas e outros indivíduos que poderiam ter estado envolvidos em impedir que financiamento fosse fornecido àqueles cujo interesse na simbiose era baseado exclusivamente no mérito científico.

Também inclui uma rota potencial pela qual Epstein poderia ter encontrado James Damore e Kevin Cernekee, agentes provocadores que infiltraram-se no Google e foram considerados envolvidos na promoção da narrativa “Pizzagate” e nas ameaças e assédio feitos contra [nome redigido].

EFTA00151849



Quando o Pizzagate se tornou mainstream, os usuários do /pol/ já se preocupavam com outras questões. Todavia um homem da Carolina do Norte abriu fogo na Comet Ping Pong com um rifle de assalto.

No ano seguinte, apareceria uma nova teoria da conspiração. Ela tinha uma doutrina bíblica, uma postura de seita, absorvia toda e qualquer teoria conspiratória previamente existente. Essa teoria da conspiração alucinava uma guerra santa entre uma cabala pedofílica e canibal contra Donald Trump (o messias que salvaria os Estados Unidos da América). Sim, senhoras e senhores, QAnon!

QAnon surgia com os chamados Qdrops, isto é, pequenas postagens crípticas que codificavam informações para seus aderentes decifrarem e extrapolarem. Q. era um indivíduo ou um grupo que trabalhava dentro do "deep state" (Estado Profundo) para derrubá-lo. O inimigo era novamente o Partido Democrata, todavia existiam alguns republicanos moderados. Os heróis dessa estranha guerra eram Donald Trump (o messias) e o MAGA (logo, os seguidores do Donald Trump).

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 2)

 



Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:

Em 2014, a cultura channer tinha homens jovens incrivelmente mais radicalizados. Ali se começava a cruzada contra o politicamente correto e contra os guerreiros da justiça social (SJW = social justice warrior). Eles viam esses dois componentes como estando na mídia, academia e cultura (o leitor deve se lembrar da ideia de "Catedral" na NRx [neorreacionarismo).


Nesse período, rolava a Gamergate. A Gamergate era uma campanha descentralizada e coordenada de perseguições e ameaças de morte e estupro contra mulheres, feministas e minorias. Muitas pessoas olhavam para o crescente radicalismo dos jovens e sentiam-se desconcertadas, mas nem todas. Onde muitos veriam caos, Steve Bannon, que era executivo da Breitbart e que posteriormente seria estrategista de Donald Trump, viu um potencial fantástico, ele viu o protótipo da sua nova armada populista. Chegando a ver isso como um "poder monstruoso". Nesse período, chamou Milo Yiannopoulos para conectar os fóruns anônimos com as massivas audiências.


Pouco a pouco, Steve Bannon e Jeffrey Epstein construíam uma parceria que casava estratégia e finanças. Isto é, construíam conjuntamente a coalizão populista do MAGA (Make America Great Again). Se Steve Bannon olhava para os jovens do Gamergate como um general olha para um potencial exército vitorioso, Jeffrey Epstein realizava outros movimentos. Epstein procurou o youtuber e neurocientista de extrema-direita Jean-François Gariépy (um canadense). Gariépy chegou a declarar em seu perfil no Twitter/X:


E só para deixar claro, não estou brincando. Jeffrey tinha defeitos como todos nós, mas era um bom homem, um homem ambicioso e um visionário em muitos aspectos. Mais pessoas como ele poderiam melhorar o mundo. Ele morreu pelos nossos pecados.


Gariépy não seria o único que chamaria a atenção do Epstein. Epstein tentou recorrentemente entrar em contato com Charles Murray. Charles Murray é o autor do controverso livro "The Bell Curve", um livro que, mesmo que desmascarado, serviu para formação de muitos intelectuais da alt-right (direita alternativa) e da far-right (extrema-direita). Visto que dava justificativas para a hierarquia racial, para a otimização genética e para discursos sobre o extermínio populacional motivados pelo clima. Em resumo, todos os pilares fundamentais da extrema-direita.

Temos um quadro:
2011: intervenção no 4chan (correlacionado ao /pol/)
2012: procura por Peter Thiel (investimentos)
2014-2015: Gamergate
2015: Jean-François Gariépy
2016: mensagem para Peter Thiel
2018: tentativa de se encontrar com Charles Murray

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:

Jeffrey Epstein teve um interesse muito forte em promover a alt-right (direita alternativa) e a far-right (extrema-direita), sobretudo o seu aspecto memético e conspiratório.

Epstein, que por algum acaso, acumulava diferentes funções sociais como: traficante sexual, ativo de inteligência e chantagista profissional. Outra coisa que Epstein se destacou é o de ser um dos grandes criadores dos movimentos de extrema-direita online dos dias atuais.

Em uma das suas trocas de mensagens, Jeffrey Epstein fala bem do Brexit para o Peter Thiel (fundador da Palantir e pensador pós-liberal) e sauda o começo da corrosão da ordem internacional liberal:



Jeffrey Epstein queria o aumento de alcance do populismo de direita e acreditava que a Internet era uma excelente oportunidade para acelerar tal desenvolvimento. Em outubro de 2011, Jeffrey Epstein encontraria Moot (Christopher Poole), o fundador do 4chan. Esse encontro, essa é uma das hipóteses mais quentes da internet no momento, teria marcado o retorno da board /pol/ (que antes era /new/). A board /pol/ (abreviação de politicamente incorreto) tornou-se extremamente popular entre o público da far-right (extrema direita) e alt-right (direita alternativa). 

Jeffrey Epstein chegaria a trocar mensagens com Boris Nikolic. Ele via que a cultura channer, enquanto mente coletiva (egrégora/legião), tinha um poder único para entender e controlar o tráfico da internet e para criar disrupções em massa. Isso garantia um massivo potencial para manipulação.



Não era, evidentemente, só no 4chan que Epstein tinha interesse. Ele chegou a pedir que o investidor Ian Osborn se encontrasse com Mark Zuckerberg (Meta/Facebook), com Tim Cook (Apple) e com o já mencionado Peter Thiel.

O texto também conta que Epstein pessoalmente navegou até 2017 no 4chan. Além disso, que Epstein gostava do padrão sociológico de usuários. O 4chan era predominantemente acessado por homens brancos e poderia ser um laboratório para influência escalável. Epstein, segundo o autor desse artigo, viu que a cultura anônima de memes e teorias da conspiração poderia ser weaponizada e jogada dentro do mainstream. 

Acabo de ler "What is QAnon and how are online platforms taking action on it?" da Reuters (lido em inglês)


Nome:
What is QAnon and how are online platforms taking action on it?

Autor:
Reuters


O artigo começa dizendo quais são as crenças bases e quem é esse indivíduo chamado "Q". Q. é descrito como alguém que clama ter conhecido interno da administração de Trump. E que Trump estava supostamente envolvido numa luta secreta contra o tráfico infantil. Trump, alegava Q., atacava figuras proeminentes do Partido Democrata, de Hollywood e o "Deep State" (Estado Profundo).

Segundo a análise da Reuters, a teoria da conspiração de QAnon apresentava elementos de uma teoria da conspiração anterior: a pizzagate. Além disso, naquele momento já apresentava questionamentos a respeito da segurança das vacinas. Para resolver tudo isso, um grande despertar (Great Awakening) estava vindo.

Em relação ao surgimento da teoria conspiratória de Q., ela começou em 2017 no 4chan. Depois disso, ela migrou para o 8kun (uma versão que substituiu o 8chan). Essa teoria foi amplificada no Twitter, Facebook, Instagram e no YouTube. Nesse período, começava-se a perceber que as redes sociais algoritmicamente trabalhavam para fornecer essa teoria para quem buscava teorias conspiratórias.

Um instituto, chamado de The Institute for Strategic Dialogue (ISD), em 2020, publicou que já existiam grupos da teoria conspiratória do QAnon no Facebook e Twitter. Além disso, grupos discutindo QAnon no Facebook tiveram um crescimento 120% em Março.

O relatório da Reuters também apresenta o fato de que organizações governamentais da Rússia estavam apresentando uma participação pequena, mas cada vez mais decisiva na amplificação das teorias conspiratórias. Em Agosto, o movimento fez protestos reais. 

O relatório da Reuters termina relatando o movimento de várias plataformas para retirar, restringir e banir a movimentação do movimento QAnon.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 11 Final)

 


Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem

Indo para o final do artigo, o autor trabalhará com a questão do networking da afetividade e a construção de identidades oposicionais. O que é, basicamente, o que ocorreu no período de Trump (e em outros períodos históricos).

Movimentos oposicionais, sejam esses políticos ou religiosos caracterizam-se por essas duas características:
‐ Efervescência coletiva (Durkheim);
- Carisma (Weber).

Quando o 4chan, o 8chan e até alguns subreddits atuavam para promover o Donald Trump, eles geravam efervescência coletiva. O ato de gostar e compartilhar memes do Pepe eram um ato de criar networks de afeto, de definir e sinalizar o que significava estar dentro do grupo. Além disso, também significava ridicularizar, desconfiar e desgostar daqueles que estavam fora do grupo.

A mobilização mágica cria uma espécie de ritual sincronizado de protesto ou uma forma de compartilhar sigilos de forma a construir um network de afetividade. Isso alimenta e cria a efervescência coletiva. Isso se converte em um capital político na vida real.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 9)

 


Nome:

The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore


Autor:

Egil Asprem


Nessa parte do artigo, Egil Asprem começa a trabalhar mais com os conceitos de carisma (Max Weber) e efervescência coletiva (Emile Durkheim). Como essa parte é bastante curta, surgindo mais como um prólogo da discussão que virá a seguir, não me alongarei muito.


Na parte do carisma, Asprem trabalha com a importância da verve religiosa e discurso messiânico. Na parte da efervescência coletiva, Asprem trabalha a partir dos aspectos das ações coletivas, eventos emocionalmente arrebatadores e experiências na formação de uma identidade compartilhada, na criação de um propósito comum e na feitura de um senso de pertencimento. Em outras palavras, isso formará um subjetivo senso de mistério, a sensação de fazer parte de algo maior, o efeito de estas além do controle dos meros mortais.

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 8)

 


Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem


O esoterismo kekista, o Culto de Kek, era uma religião que surgiu como instrumento de poder. Misturava ambição espiritual e estratégia metapolítica. 

Lawrence Murray, escritor do "Atlantic Centurion", misturava nacionalismo branco com alt-right. Além disso, trouxe pro movimento a questão da guerra metapolítica (metapolitical warfare). Esse movimento queria vencer na narrativa, usando como ferramenta a linguagem, os mitos e o simbolismo religioso. Uma das referências mais diretas era o hitlerismo esotérico de Savitri Devi. O motivo? Trazer as discussões a respeito da raça, do sexo, da sociedade, da cultura e da fé no Ocidente a partir de sua cosmovisão. A inovação de Lawrence Murray é trocar as referências hinduístas e conceitos esotéricos por uma linguagem budista.

Outra pessoa que se destacaria é a escritora Manon Welles, que escreveu o livro "How To Trump SJWs: Using Alinsky’s ‘Rules for Radicals’ Again". Nesse livro, ela usa as técnicas do Saul Alinsky, um intelectual e organizador comunitário de esquerda. Além disso, ela escrevia o blog "Aristocrats of the Soul".  Uma das maiores ideias era a noção de "Nova Direita + Religião Alternativa". Ela defendia o Donald Trump com ideias tradicionalistas e uma perspectiva mágica, mesclando Julius Evola, com Thelema, com cerimônias mágicas e com uma interpretação jungiana dos sonhos. Sua obra também integrava Austin Osman Spare, Aleister Crowley e Phil Hine. Uma das suas ideias centrais era a da sigilização. Ela acreditava que a emoção coletiva, a concentração e a intensidade poderiam fazer que, mesmo inconscientemente, o símbolo do Pepe como um sigilo mágico.

O autor falará (bem brevemente) da "conspiritualidade sombria". Esse conceito vem a representar a interseção entre o pensamento New Age, movimentos de bem-estar e teorias da conspiração de extrema-direita (tal como QAnon). Ele cita especificamente Franz Bannon e William Walker Atkinson. Como isso não foi substancialmente trabalho nessa parte do artigo, mas levanta uma boa ponta investigação, espero que esse pequeno trecho seja de alguma utilidade. 

Agora já temos três figuras envolvendo o esoterismo channer (sobretudo em seu desenvolvimento do esoterismo kekista):
‐ Lawrence Murray;
- Manon Welles;
- Saint Obamas Momjeans.

É preciso lembrar que Saint Obamas Momjeans fez uma unificação de guerra informacional (information warfare), forma-pensamento, tulpas, egregoras, sigilos, mantras, evocações e estados de gnose.