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sexta-feira, 17 de julho de 2026

O Necrológio Cadavérico #11 — Entre o Tédio e o Isolamento

 


Se eu morresse hoje...


Atualmente, me questiono sobre a razão central de eu estar vivo. Não vejo motivo especial algum nisso. Também não vejo absolutamente nada que justifique a minha existência em si. Tudo o que escrevi é ininteligível. Toda explicação que dei é considerada como inexplicável. Não há uma alma que me entenda nesse país. A sensação que sinto é a de um vazio absoluto. 


Sabe quando comecei a escrever isso? 24 de abril. Só tinha um parágrafo nisso. As sensações originais que me levaram a escrever isso se perderam. Todavia, ainda me restam os sentimentos. Sensações mudam constantemente; sentimentos são mais duradouros. E continuo a pensar, em minha solidão, que sou um cavalheiro tonto a ouvir o som de uma estranha melodia que só toca em minha cabeça. A vida toda foi assim; o passar do tempo só agigantou isso.


A minha misantropia e irritação crescente vêm me tornando uma pessoa difícil de lidar. Enquanto escrevo isso, é óbvio, algum palhaço escreverá um projeto de lei criminalizando a misantropia. Se nenhum estiver escrevendo, certamente algum palhaço já pensou nisso ou está conjecturando isso. É evidente que a misantropia extrema levou à morte de algumas pessoas, mas podem ter a certeza de que o "amor à humanidade" e a crença num "paraíso terreno" mataram infinitamente mais do que qualquer misantropia. A estrada terrena para os céus está recheada de cadáveres. Um genocida potencial quase nunca se apresenta como genocida, mas quase sempre como messias. Um plano de extermínio usualmente vem embalado com as melhores intenções.


Também estou cansado de entrar em grupos que não entendem absolutamente nada do que escrevo. Eu estou cansado dessa absoluta incompreensão do que eu digo ou escrevo. Decidi simplesmente ligar o foda-se. O interesse e a parceria são jogos que devem ser jogados em parceria ou devem ser esquecidos. Eu escolhi esquecer e sumir. Pouco importando as consequências disso.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Prelúdios do Cadáver #14 - Breves Reflexões sobre os Últimos Tempos

 Publicado em 22/10/2018


Olá, meus amigos. Hoje vim aqui agradecer especialmente ao Contra os Acadêmicos e ao Anarquismo Individualista por estarem me acompanhando em minha longa viagem. Graças a vocês, entrei em contato com pensamentos que antes me eram totalmente desconhecidos.


Não sou uma pessoa fácil de lidar. Sei disso. Fico fazendo piadas inoportunas e sou uma pessoa pouco séria. Particularmente, esse é um traço de minha personalidade que não consigo mudar. Às vezes parece que sou uma pessoa incontrolável. Cresce em mim uma profundidade que antes me era estranha. Parece que, mesmo tendo uma personalidade cínica e zombeteira, existem traços de seriedade que vão se conectando a mim.


Não sinto mais falta do tempo passado. Dalgum modo, confortei-me com o presente. Aceitei-o, para ser mais sincero. Eu não me via como uma pessoa forte, achava-me um fracassado. Dir-se-ia que era pessimista comigo mesmo, todavia hoje as pessoas reconhecem minha força. Sei que não estou no meu auge, ainda falta muito para eu alcançar a sabedoria, só que me sinto confortável agora.


Quarta-feira passada, eu cai e machuquei a cabeça. Fui para um hospital e fiquei bastante tempo lá. Tomei alguns pontos na cabeça. Foi em minha solidão que eu percebi o quanto eu tinha me tornado forte. Percebi o quanto eu tinha amadurecido e meus gostos tinham mudado. Pude olhar, mental e retrospectivamente, a minha jornada. Falar-se-ia que dei-me conta de mim mesmo. Cheguei num ponto de autoconsciência. Aquilo que me era impossível, agora me é possível. Parece que estou finalmente ficando mais maduro, mais adulto.


Antes, eu não conseguia acompanhar ninguém. Hoje, há quem diga que não consegue me acompanhar. Isso significa muito para mim. Quando eu estava na sexta e na sétima série, muitas pessoas zombavam de mim alegando a minha burrice. Hoje as pessoas ficam espantadas com a inteligência que fui desenvolvendo.


Hoje decidi que não quero mais continuar numa constante competição para mostrar o aumento de meu nível intelectual. Quero aumentar meu nível intelectual por amor ao saber. Não quero mais amadurecer para mostrar as pessoas o quanto sou sério, quero amadurecer por amor à sabedoria.


A quem me acompanha, muito obrigado. Obrigado também a quem leu. Vou continuar amadurecendo.