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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 3 Final)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk





Nessa parte final do artigo, o autor fala de um artigo publicado anonimamente pela The Guardian. Esse artigo conta a história que pode ser encarada sobre o prisma psicológico e o real efeito do "meme magic".


O que aconteceria se um liberal consumisse conteúdo da alt-right? Os efeitos observáveis foram:
- Predisposição;
- Tendência;
- Propensividade;
- Inclinação. 

Por qual razão? A linguagem da alt-right é apresentada de forma desarmada, isto é, através de memes e frases distintas. 


O constante uso de supremacismo branco, misoginia e outros elitismos em forma de meme criam um habitus (Pierre Bourdieu) que estrutura o julgamento dos agentes e a sua forma de percepção no mundo. A "magia do meme" (meme magic) estrutura o julgamento dos agentes e a hiperrealidade dos memes naturaliza novas visões  com menos julgamento do conteúdo que é apresentado.

Quando olhamos para a campanha de Clinton, havia uma distinção entre realidade e hiperrealidade, entre poder e meme. Para a alt-right (direita alternativa), não existe essa distinção. Na realidade, a ausência de distinção é usada como método para o florescimento ideológico, onde gradualmente a simulação (o meme e o humor no qual vem embaladas os seus posicionamentos ideológicos) torna-se a realidade.

O leitor (ou a leitora), se não for ingênuo, lembrar-se-á dos seguintes trechos de "Magolítica 0" e "Para Além da Máquina de Ódio":

"Os channers compreenderam que podem tornar a ficção uma superstição e fazer da superstição uma prática concreta até que ela se torne, por si mesma, uma realidade. Eles dizem hipóteses do que eles gostariam que existisse, assim vão preparando cenicamente os seus pupilos para criarem um universo em que a conspiração que foi levantada como hipótese se torne realidade. Como se fosse uma profecia teleológica fundada pelo próprio discurso"



"Infelizmente a nossa mídia e academia estão mais preocupadas com channers de baixo escalão (incels) do que com os de alto escalão (esochanners). Sim, incels e channers de baixo escalão podem levar a assassinatos. Só que aí vai uma pergunta: quem é que fez a lavagem cerebral neles para início de conversa? Você acha mesmo que o mesmo fórum que diz que a pornografia aumenta a dopamina no cérebro e que serve como recompensa infinita apresenta mensagens extremistas ao lado de pornografia por acaso? Também é o mesmo fórum onde o behavorismo (sobretudo o condicionamento) e a psicanálise e a psicologia clínica (sobretudo perversões e Dark Self) são estudadas pelos channers de alto escalão (esochanners). Para nosso acadêmico médio e para o nosso jornalista médio, tudo isso figura como uma coincidência banal, algo que não é motivo e nem passível de investigação alguma. Só os aspectos mais gritantemente observáveis da cultura channer são notados. Os aspectos mais sutilmente diabólicos, engendrados por esochanners em suas pesquisas, sequer são mencionados ou estudados mais aprofundadamente"


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk


O autor concentrará as suas investigações na alt-right pós-2015. Essa era encontrada no 4chan (primariamente no /pol/), no 8chan, em subrredits do Reddit, blogs e podcasts. 


Ele se atentará a análise de Fenwick Mckelvey. Na análise de Mckelvey, o conteúdo do 4chan era irônico, sarcástico, sem sentido (nonsense) e subversivo. Mas existe uma razão para essa estrutura comportamental:

Anonimato + Conteúdo que desaparece rapidamente = criação de um linguajar e uma estrutura comportamental em que tudo some rapidamente.

Isso cria um modo distanciado, irônico e crítico da realidade. Isso cria um modo fortemente niilista de ver o mundo. É por isso que vemos usuários encorajando os outros a comenterem barbáries, oferecendo conselhos e celebrando qualquer coisa que poderia ser lida como uma violenta fantasia (o leitor deve se lembrar da "legião" na obra Magolítica e da ideia de egrégora na obra de Saint Obamas Momjeans).


Quando vemos um meme produzido nesses espaços, existe uma separação. Há como que um divórcio entre a realidade e o conteúdo do meme. O meme, por sua vez, torna-se um simulacro. Há uma hiperrealidade nos memes da alt-right. É muito difícil saber o que um meme atualmente significa por causa das suas múltiplas camadas de ironia.


Existe uma aceitação coletiva de uma negação da realidade. Uma compartilhada negação. Os usuários usualmente empregam humor não para esconder a sua ideologia, mas por causa disso refletir a sua verdadeira falta de ideologia. O humor é hiperreal pois isso representa a sua experiência de existência.



Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk


O autor trabalhará com a noção de hiperrealidade e simulação de Jean Baudrillard (Simulacra and Simulation), com o  habitus de Pierre Bourdieu (The Logic of Practice) e com o "Ctrl-Alt-Del" de Matthew N. Lyons.


O começo do trabalho fala da emergência do grupo, enquanto figura proeminente no debate público, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016.  Nesse período, a Alt-Right brigava com as normas da direita conservadora contemporânea. Ela surgia com um modo irônico e irreverente de comunicação.


Um dos maiores pontos de discussão é: "o que seria a Alt-Right?". Apesar da presença massiva de neonazistas e supremacistas brancos, o foco era mais em reassegurar a supremacia masculina e outras formas de elitismo do que a raça. 


Outro conflito que se estabelece é o antissemitismo. Se alguns consideram o antissemitismo como central ao movimento, outros apreciavam escritores judeus como o Milo Yiannopoulos (que se descrevia como judeu gay). De qualquer forma, isso demonstra a ausência de organização e os conflitos internos desse movimento de extrema-direita (far-right). A ausência de organização justifica-se pela natureza fluída e anônima do 4chan e do 8chan.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "By Another Way of Deception" de Dr. Kiril (lido em inglês/Parte 4 Final)

 


Nome:
BY ANOTHER WAY OF DECEPTION: THE USE OF CONSPIRACY THEORIES AS A FOREIGN POLICY TOOL IN THE ARSENAL OF THE HYBRID WARFARE

Autor:
Dr. Kiril AVRAMOV

O autor, bem nas partes finais, fala sobre três tipos de teoria da conspiração:
1) Conspirações locais originais;
2) Não-originais, importadas e copiadas;
3) Híbridas, não-originais que floresceram dado a um contexto local.

O conteúdo dessas conspirações são:
- Inimigos de fora e de cima que estão contra a nação pura;
- O mundo judeu;
- Illuminatis;
- "Sorosoids" (agentes do George Soros).

Essas teorias conspiratórias usualmente incorporam elementos locais para serem mais adaptadas ao consumo local.

O autor também fala sobre as super conspirações, isto é, a interconexão entre múltiplas teorias conspiratórias para "revelar" a "realidade oculta" e a "agenda verdadeira" dos onipresentes manipuladores. Nessa narrativa épica, o Kremlin defende, contesta e se opõe ao Ocidente de todas as formas, representando uma luta do bem absoluto contra o mal absoluto, o que leva a construção de um imaginário moral binário.

Na era da ansiedade, as teorias conspiratórias são um instrumento de forte potencial ofensivo. Apelando fortemente no nível emocional, mexendo com o senso de seguridade, de identidade e com o senso de propósito e direção. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

/cc/ #1 — O MOVIMENTO REDPILL DEVE SER CRIMINALIZADO!





/cc/ = copicolas que eu criei pois estava de saco cheio de repetir as mesmas coisas.


/cc/

FEMINISMO E REDPILL SÃO EQUIPARÁVEIS?


Redpill nasceu no /pol/ do 4chan. E sabe qual o pack que acompanha a redpill?

- Nazismo;

- Fascismo;

- Racismo;

- Antissemitismo;

- Pró-ped...


Sim, essa é a base real e a ideologia redpill real. Não importa o quanto os redpills tentem esconder. Não adianta criar um "redpill" focado "só na misoginia" e dar algum ar de respeitabilidade.


Enquanto isso, o movimento feminista surgiu para dar condições iguais para mulheres. Não há comparação.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Acabo de ler "(((They))) Rule" de Marc Tuters (lido em Inglês/Parte 1)

 


Quem nunca abriu o 4chan para dar uma olhada no que se passava? O fórum onde surgem os maiores fenômenos digitais. Os memes dos gatinhos, o sapo Pepe e tantas outros fenômenos que abarcam e moldam a vida do cidadão virtual. O 4chan é responsável por comunidades maravilhosas, como o /mu/ e como o /lit/, mas ao mesmo tempo responsável por comunidades estranhas e de comportamento tóxico como o /pol/. O 4chan, bom e/ou mau, é o berço do underground virtual. Sempre com a sua subcultura que se inova e renova.


No /pol/, temos uma espécie de criação memética orgânica criada pelos usuários que estão localizados no mundo inteiro. E um dos comportamentos mais curiosos dessa comunidade é a memética: a arte de gerar uma imagem facilmente assimilável e reproduzível. Essa memética entra num campo político, abrindo o terreno da memepolítica – algo que, quando empregado, reduz complexidades sólidas e dá margens para interpretações reducionistas. Também criando uma forma ritualizada de antagonismo, aquela chamada de "nós" contra "eles" – o outro corre o risco de ser memetizado e reduzido a uma série de piadas. Essa é a linguagem adversária.


O /pol/, como organização underground, tem um jeito diferente de ver a política. Os seus habitantes – que podem ir desde um neonazista a um socialista – tem um ponto de vista antagônico. De lá que surge a chamada alt-right (direita alternativa). A sua forma de se referir a direita mais tradicional era "cuckservative" (cornoservador). O /pol/ é contra o consenso, ele é contra a política dominante. O /pol/ é uma nova forma de ver e pensar o mundo.


Mesmo o /pol/ não sendo em si unânime, ele tem alguns usuários com comportamento característico. O 4chan se trata, sobretudo, duma liberdade de expressão absoluta. Nessa condição, vemos várias pessoas com diversos pontos de vista se manifestando. Todavia o comportamento da alt-right é extremamente característico e salta aos olhos, seja do jornalista, seja do acadêmico, seja do mero olhar curioso de um desavisado. As falas meméticas, as piadas que se generalizam, a forma continuamente opositora, o papel crucial que desempenhou na eleição de Donald Trump em 2016, o fato de que seu discurso se normaliza no espaço público.


quinta-feira, 31 de março de 2022

Psicologia Aplicada de Freud - Capítulo 1: A Vida de Sigmund Freud (pág. 9 a 29)

 



A compreensão do fenômeno da psicanálise não seria completa sem a vida que teve o seu fundador. Não por acaso, esse livro se dedica a ela nas primeiras páginas. E, sem querer ser puxa-saco, que baita vida, meus caros.

A vida de Freud é um exemplo: ele é símbolo de uma resistência. Só que essa resistência se manifesta multiplamente: resistência intelectual, resistência em autocompreensão, resistência investigativa, resistência amorosa. Freud não era um acadêmico que buscava a compreensão da realidade exterior sem compreender a realidade interior. Talvez, por isso, tenha manifesto uma genialidade difícil em nossa época de baixa autocompreensão.

Freud era perseguido por várias vias: pela Igreja Católica, que o julgava perverso; pela academia mecanicista, organicista e darwinista que não aceitava o fato de que a sua suposta racionalidade perfeita inexistia por causa da natureza mesma da mente humana que é ditada majoritariamente por fenômenos inconscientes; e, por fim, pelos nazistas que odiavam Freud pelo simples fato de ser judeu. Nada disso o impediu de continuar, muito pelo contrário: serviu-lhe de força motriz.

Freud viveu perseguições que o seguiram por toda vida, só que no final dela de natureza maior: a barbárie nazista buscava-lhe incessantemente. As dores da primeira guerra não foram suficientes, tinham que ser maiores por causa de Hitler e o ressentimento alemão. Mesmo assim, Freud continuou. Claro que não sem a pressão. Seus livros foram queimados, amigos e familiares perseguidos. Sua atividade foi cerceada.

Com tudo isso, esse homem ergueu o mundo que o odiou e o tiranizou em suas costas e caminhou com ele em sua notável produção intelectual, que se tornou ainda mais notável no período de maior ausência e precariedade. Ele encarou o mundo, dentro e fora de si. Seguiu o lema filosófico do Oráculo de Delfos: "conhece-te a ti mesmo". Com isso, foi magistral, seja no sentido de autocompreensão ou de compreensão da realidade exterior.