quinta-feira, 30 de abril de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Caveira Casual #4 — Em Meio ao Ruído
Enquanto eu olhava para meus supostos aliados, pude identificar os mais distintos e irritantes grupos:
- O direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral:
Esse sujeito, que pode atualmente ser de qualquer sexo, aparece dia após dia, em formato de vídeo. Todo dia, ou toda semana, ele ou ela precisa metralhar a sua indignação moral contra algum objeto, sujeito ou acontecimento. Esse modelo é um modelo de sucesso quase que absoluto entre o chamado "direitista influencer". É muito comum em políticos.
- Liveísta:
A direita liveísta é aquela que aparece todo dia ou toda semana com uma "live" (conteúdo transmitido ao vivo). O objetivo dela é usualmente fazer reação a todo tipo de conteúdo. Esse tipo de conteúdo, diga-se de passagem, é perturbador. Eu não aguento ver. Me parece um misto de falta de imaginação com preguiça. Além disso, esse tipo de formato só é acessível para quem tem tempo livre para ver isso. Algo que muito provavelmente não é a realidade de quem trabalha.
- Vendedor de Cursos:
Essa moda, cada vez mais presente, aparece por todos os cantos. Ao que parece, só a direita americana fornece cursos gratuitos por meio de instituições respeitáveis como a Hillsdale College e a Christendom College. É meio que "se você quer ser de direita, pague para nós". Esse tipo de direitista só existe quando ele é, em si mesmo, uma espécie de celebridade. Porém, sabemos que para ser uma "celebridade de direita" é preciso se tornar um "orgânico de partido" ou um "orgânico de movimento". Se você não consegue sacrificar a sua criticidade, esqueça esse caminho.
- Direita Woke:
Esse aqui é altamente encontrado pela internet. Ele serve para ficar o dia todo enchendo o saco. Ele também possui o estranho costume de ficar o dia todo atacando obras que a esquerda woke fez ou supostamente fez. Ele não percebe que é tão woke quanto a esquerda woke. É o típico direitista que pensa pertencer ao politicamente incorreto, quando na verdade está apenas a exigir que todo mundo siga o seu padrão moral. Outro hábito muito comum na direita woke é passar o dia todo praticando a chamada "LGBTfobia recreativa". A sua compulsão maior é a de acusar tudo o que não gosta de ser LGBT. O mais curioso é quando esse grupo tem que ofender o grupo adversário, na montanha de qualificativos negativos, ele coloca que ser LGBT é um "crime" tão absurdo quanto ser um assassino.
Eu estou aqui, lendo George Grant, anotando todos os principais insights no caderno em inglês e depois passando tudo para o português nesse blogspot. O resto da assim chamada "direita" muito provavelmente nem sabe quem é George Grant. Ou, quem sabe, prefere não dizer para não estragar a "excelente" parceria com a assim chamada "burguesia nacional". É muito feio ler Red Tory. Para piorar, o meu Blogspot também traz vários teóricos de esquerda. Além disso, não tive medo de trazer os Never Trumpers para cá. Ou seja, sou, no mínimo, um dos sujeitos mais suspeitos e questionáveis. Tal como um alienígena estacionando um disco voador na praia em pleno feriadão.
Poderia tentar fazer alguma coisa para ajudar em algo, mas isso seria problemático. Minhas visões particulares cavam um abismo entre mim e o restante da assim chamada direita nacional. Em vez disso, tenho a particular preferência por ficar a ler e a resenhar livros e artigos acadêmicos. Sigo uma política que poderia ser descrita nos seguintes termos: quanto à direita nacional, finjo que ela não existe. O hábito constante de querer
Como quero esquecer a existência da assim chamada direita nacional, volto a escrever sobre filmes. Os escritos anteriores dessa série (Caveira Casual) abordaram filmes; quero voltar a escrever sobre isso. O último filme a que assisti é outro Found Footage. É o Grave Encounters, filme canadense de 2011. Outro filme que encontrei no /tv/ do 4chan. Como podem ver, o homem nasce normie, a misantropia e o 4chan o tornam hipster. Hoje vou fazer algo diferente. Vou explicar o filme colocando-o em paralelo com a assim chamada "direita nacional".
Take 1: Grave Encounters
Grave Encounters, de 2011, é um filme que trabalha com assim chamada "indústria do paranormal". Ele não é apenas um terror de câmera na mão, um hipster found footage, ele é um comentário ácido sobre a encenação da realidade na televisão.
Take 1: Direita Nacional
O paralelo que podíamos ter seria o do típico direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral. O nosso protagonista (ou nossa protagonista) seria o(a) típico(a) charlatão (charlatã) que fica fazendo teatrinho nas redes sociais.
Take 2: Grave Encounters e a Desconstrução do Reality Show
Lance Preston, o nosso protagonista, representa o arquétipo de apresentador carismático e charlatão.
O horror real começa justamente quando a farsa profissional perde o controle. A ironia reside no fato de que Lance Preston e a sua equipe passaram anos fingindo contato com o além e, quando o contato finalmente ocorre, eles não têm ferramentas, nem emocionais, nem técnicas, para lidar com isso.
Take 2: Direita Nacional e a Desconstrução da Direita Woke
Um belo dia, nosso(a) querido(a) direitista woke seria obrigado, por razões de circunstâncias completamente ficcionais, a ser de direita de verdade. Nosso(a) protagonista logo descobriria que LGBTfobia não é argumento e que ele(a) precisaria produzir coisas maiores do que vídeos falando sobre a "hipocrisia da esquerda".
Talvez fosse obrigado(a) a alguma pauta concreta, como faculdades de artes liberais, articular diferentes escolas do pensamento de direita (como ordoliberalismo, Red Tory, paleoconservadorismo), fundação de institutos para geração de políticas públicas de direita pautadas em dados ou qualquer coisa que um(a) direitista de verdade faria. Coisa que nosso(a) protagonista não conseguiria, visto que é um(a) imbecil.
Take 3: Grave Encounters e o Espaço como Antagonista
Diferente de outros filmes de casas assombradas mais tradicionais, o filme Grave Encounters trabalha com a ideia de hospital psiquiátrico mal-assombrado que se comporta como um organismo vivo. Ele também trabalha com todo aquele imaginário psicológico dos manicômios. O espaço trabalha como adversário da seguinte forma: a arquitetura muda, as janelas desaparecem e os corredores se tornam infinitos.
Take 3: a Direita Woke e a Burrice como Antagonista
A direita woke teria que se lidar com uma das piores coisas que podem ocorrer com a direita nacional: uma população e uma mídia que realmente conhecem as múltiplas tradições do pensamento de direita. Coisa que, convenhamos, nunca virá a ocorrer no Brasil, mas como isso é um cenário absurdo e hipotético, dou-me a essa licença poética.
Em vez de entrevistas idiotas com lambedores de saco, o(a) direitista seria confrontado(a) com questões sobre ele(a) ser mais paleoconservador(a) ou neoconservador(a), se ele(a) seguirá uma agenda política mais Red Tory ou mais Blue Tory, se ele(a) assistiu o último vídeo da American Compass ou o último vídeo da Hoover Institution. Quando ele(a) percebesse, estaria levando uma surra argumentativa por não ser um(a) conservador(a), mas mais um(a) imbecil da direita woke.
Como podemos ver, o maior perigo para charlatãos do sobrenatural é que exista realmente um sobrenatural e que eles tenham que se lidar com isso. Como também podemos ver, o maior perigo para a direita charlatã brasileira não é a existência de uma esquerda, nem a existência de uma esquerda altamente letrada, mas sim de uma população e de uma mídia altamente educadas nas múltiplas tradições do pensamento de direita.
Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 4)
Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 3)
terça-feira, 21 de abril de 2026
Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 2)
Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 1)
domingo, 19 de abril de 2026
Retrowave #8
Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.
Nota: isso é uma comparação entre o "bem" na visão aristotélica e na visão lockeana.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
O Necrológio Cadavérico #5 — Filhos sem Pais
Saberia que é muito raro crescer intelectualmente no Brasil. O cerne institucionalista é algo extremamente grave e a direita é majoritariamente anti-institucional e pós-institucional.
Nos últimos tempos, li muito mais do debate americano. Ali pude ver um movimento intelectual real. Com múltiplas e verdadeiras faces singulares. Coisa que quase não encontro aqui. A academia brasileira me parece um show de clichês dos quais não quero fazer parte. Além disso, meus posicionamentos são extremamente escassos. Sinto um sofrimento enorme por estar aqui.
Ao ver pessoas queimando e cortando chinelos, por causa do marketing, além de todo o debate envolvendo o espectro ideológico de chinelos, comecei a pensar que tudo isso era o cúmulo. Esse foi o momento que percebi que esse país não tem salvação e não adianta se importar com absolutamente com o que ocorre aqui. Visto que dar importância para o que ocorre aqui pode terminar em emburrecimento ou em enraivecimento.
Agora, se a natureza política é entediante e emburrecedora, a natureza midiática também o é. A mídia de direita serve para provar que a esquerda está errada. A mídia de esquerda serve para provar que a direita está errada. Não há qualidade alguma nisso, além do velho fato enfadonho de que existem para tornar fatos e narrativas em máquinas de propaganda. Um esquerdista que ler jornais de esquerda verá o quanto é bom, inteligente e sabido, ao mesmo tempo verá o quanto seus inimigos são maus, burros e tolos. Do mesmo modo, um direitista que ler jornais de direita verá o quanto é bom, inteligente e sabido, ao mesmo tempo que verá o quanto os seus inimigos são maus, burros e tolos. Assim caminhará a guerra fria civil.
Eu não posso mudar a realidade política do meu país. Além disso, a mídia alternativa está cada vez pior. A democracia envolve os votos da maioria. E eu faço parte da minoria da minoria. Não tenho o controle sobre absolutamente nada. Meu voto não influenciaria em nada. A ausência dele não mudaria em nada. Um esquerdista que fala em mutualismo, morrerá na corrente majoritárias da esquerda. Um direitista que fala em Red Tory, morrerá nas correntes majoritárias da direita.
Se meu voto não vale de nada, mas sim o voto da maioria das pessoas que sequer leem um livro por ano e que não sabem mais do que três linhas de pensamento, o que posso fazer? Nada, absolutamente nada. Caminho como um filho bastardo. Creio que deve ser a mesma situação de vários bastardos desse underground.
Escrever pacientemente em meu campo é melhor do que nada. É até terapêutico.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 3)
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
Phillip Blond anteriormente citou a tradição Tory Anglicana. Nesse ponto do livro, ele traz uma ligação com o pensamento distributista de Hilaire Belloc e G. K. Chesterton. Adicionando uma camada a mais: o pensamento de Samuel Brittan e Noel Skelton.
Chesterton e Belloc tinham chegada a conclusões semelhante, e até mesmo complementares, à tradição Anglican Tory. Eles viam que o capitalismo levava a concentração de terra, propriedade e capital nas mãos dos capitalistas. Ao mesmo tempo, o socialismo privava a todos de terem propriedades em nome da propriedade geral e o monopólio comunal. Em outras palavras, capitalismo e socialismo levariam a concentração das propriedades. A solução que eles colocaram seria uma distribuição de propriedade e recursos para todos (distributismo).
A adição que Phillip Blond fará será a junção disso com:
1. Noel Skelton: a ideia conservadora de uma democracia de propriedade;
2. Samuel Brittain: uma renda básica em conjunção a distribuição de recursos.
Se juntarmos tudo isso temos:
1. Distribuição de propriedades para todos;
2. Distribuição de recursos para todos;
3. Uma renda básica ao lado e em conjunção da distribuição de recursos;
4. Uma ideia de uma sociedade democrática onde todos têm propriedade, recursos e renda básica.
Socialismo? Não, conservadorismo vermelho.
A ideia central de um Red Tory é a ideia de um conservadorismo que cumpra os seguintes requisitos:
1. Preserve e extenda a estabilidade humana;
2. Crie condições para o florescimento humano.
Isso é uma real economia política para o pobre.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 2)
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
Estou analisando esse livro devagar. Leio de trecho a trecho, anoto tudo em inglês e depois traduzo as minhas anotações. Tento lançar as notas no mesmo dia, assim não me perco. Costumava lançar as notas depois, mas isso me deixava perdido e usualmente outras notas entravam no espaço das outras.
Nessa parte do livro (ainda estou na introdução), o autor (Phillip Blond) faz as suas críticas a Thatcher e a Blair. As críticas a Margaret Thatcher e a Tony Blair são diferentes, não vou me centrar muito nelas. Convém lembrar ao leitor ou a leitora que Margaret Thatcher faz parte do movimento neoconservador e o Tony Blair faz parte do movimento novo trabalhismo. Ambos foram primeiro-ministros. Talvez também seja bom recordar que embora Phillip Blond seja conservador, ele é um Red Tory (conservador vermelho), logo ele é opositor do neoconservadorismo — como no Brasil o termo "Red Tory" é praticamente desconhecido, decidi colocar esse comentário adicional.
As críticas mais notáveis que achei contra a Thatcher foram:
1. Seu governo levou a um capitalismo capturado pela concentração de capital;
2. Um mercado monopolizado por interesses próprios dos monopolistas e o domínio das pessoas que já são ricas;
3. A população progressivamente descapitalizada (creio que poderíamos colocar como desenriquecida);
4. A ideia nada conservadora de que o mercado é o último árbitro dos valores e a medida de todas as coisas.
As críticas mais notáveis que achei contra Blair foram:
1. Juntou o pior da esquerda com o pior da direita;
2. Colocou um centralização de padrões em todos os serviços públicos em vez de deixar uma adaptação local;
3. Graças a onda de Estado de exceção (lembre-se do 11 de setembro em Nova Iorque e o 7 de julho em Londres), promoveu uma cultura de suspeita, o habeas corpus foi relativizado em prol da "suspeita de intenção terrorista", encarceramentos se tornaram maiores, o número de tortura aumentou e a polícia extra-judicial entrou em ação;
4. Fora isso, cidadãos do Reino Unido poderiam ser alvos de outros países, com regimes legais duvidosos.
O autor faz algumas colocações interessantes sobre o socialismo, o republicanismo, a crítica ética ao capitalismo irrestrito e a esquerda:
- Socialismo:
Há o elogio a busca pela igualdade, pela bondade e pela justiça. Pela recusa do racismo, por ter conquistado o direito de votos a mulheres e pelo direito de voto aos que não têm propriedade. Além disso, a busca pela justiça social é importante.
- Republicanismo:
O reconhecimento que boas pessoas podem estar em todas as classes e culturas, sem isso ter a ver com o sangue.
- Crítica ética ao capitalismo irrestrito:
Valores não criados pelo estímulo do desejo (não confundir desejo com vontade) e pela avaricia humana.
- Esquerda:
1. Uma boa vida é baseada em necessidades reais e autênticos desejos humanos;
2. Uma responsabilidade social e comunal pela Terra e todos que vivem nela é algo necessário.
O problema que Phillip Blond encontrará na esquerda — e o motivo dele não ser de esquerda — são vários. Creio que esses podem ser mais vinculados à nova esquerda. Citarei alguns aqui:
1. Escolhas ilimitadas e irrestrita liberdade pessoal;
2. O relativismo cultural;
3. Auto-validação do desejo e do prazer;
4. Pornografia, infidelidade e uso de drogas não sendo mais encarados como problemas sociais intrínsecos, mas como atos que dentro de condições estéticas certas adquirem formas válidas de autoexpressão.
Phillip Blond contará que o que fez ele tornar Red Tory foi conhecer uma tradição chamada "Anglican Tory". Uma tradição que buscava prosperidade e educação para os pobres, além do entusiasmo religioso contra a extravagância dos aristocratas whigs.
Ele também cita alguns importantes pensadores para a sua formação:
- William Cobbett;
- Thomas Carlyle;
- John Ruskin.
Esses intelectuais fizeram críticas ao republicanismo autoritário e estatista, ao capitalismo interesseiro e a criação em massa de despojados de terra que foram forçados a trabalhar a níveis absurdos em fábricas para o benefícios de outros. Ao mesmo tempo, esses intelectuais fizeram a ligação entre a pauperização do trabalho e o despojamento de suas terras.
Esses intelectuais conectaram a pauperização das condições de trabalho com o despojamento de terras que foi feito anteriormente. Para corrigir isso, eles defenderam os direitos de propriedade dos sem terra como mecanismo de correção. Não só isso, a distribuição de terra/propriedade deveria ser acompanhada com a distribuição de capital para todos aqueles que estavam em condições de indigência em seus trabalhos.
Creio que essa análise pode dar uma noção de um conservadorismo autêntico e realmente preocupado com as necessidades sociais. Muito diferente do que atualmente temos no Brasil.
Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 1)
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
A sociedade civil vem sido esmagada pelo Estado e pelo Mercado.
Vários locais de exercimento de poder para pessoas simples foram deturpados e subvertidos. Tais como:
1. Governos locais;
2. Igrejas;
3. Organizações de comércio;
4. Sociedades cooperativas;
5. Instituições educacionais públicas;
6. Organizações cívicas;
7. Grupos localmente organizados.
Tudo que seja um poder autônomo independente é destruído. Todo corpo intermediário é completamente sabotado. O Estado e o Mercado excluem cidadãos da participação econômica e democrática. Criando um esquema que poderia ser resumido em dois processos:
1. Exclusão da participação política e econômica para a maioria;
2. Enriquecimento massivo e monopolizado para poucos.
Essa fórmula é chamada de "Estado Mercado", onde há uma simbiose entre grandes organizações do mercado (oligopolistas e monopolistas [alta burguesia]) junto com a alta burocracia e políticos do Estado.
É importante observar aqui que se trata do "grande mercado". O "grande mercado" junto ao Estado trabalham para destruir os pequenos comércios ("pequeno mercado" e "mercado médio") e também os interesses dos grupos sociais mais desfavorecidos (dentro os quais os trabalhadores do campo e da cidade). Nessa empreitada, a saudável pluralidade do poder político é deixada de lado em prol da centralização do poder político e econômico nas mãos de poucos.
Na corrida centralizatória, pequenas unidades da participação política democrática são progressivamente abolidas pela centralização do Estado. Do mesmo modo, a alta burguesia vai centralizando e abolindo pequenas unidades de participação econômica.
Se, por um lado, o mercado vai sendo centralizado, destruindo qualquer possibilidade de concorrência e participação plural de múltiplas empresas de tamanho menor. Por outro lado, temos o apagamento da cultura cívica para adentrarmos cada vez mais em uma sociedade pós-democrática de consumismo passivo e aquiescência política.
Tudo isso é tratado como normal, visto que "o mercado premia os mais capacitados" e "só as elites possuem cultura o suficiente para melhorar o país". É evidente que tais frases ignoram que o presente estado político foi uma construção política e econômica deliberada que favoreceu a concentração de poder político e econômico, nada tendo a ver com "meritocracia" ou "ser o melhor na concorrência", visto que a centralização política e a centralização de mercado foram construídos e impostos por oligarquias que se julgam ilustradas.
O próprio Estado de bem-estar social moderno não prioriza a organização descentralizada e dos trabalhadores em suas pautas. Muito pelo contrário, os trabalhadores se tornaram recipientes passivos dos benefícios centralmente planejados.
terça-feira, 11 de novembro de 2025
Memória Cadavérica #26 — Inadequação ao Debate Público Brasileiro
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
Memória Cadavérica #2 — Direita Brasileira e Mainstream
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Se a direita brasileira fosse:
Red Tory = em políticas sociais e programas de bem-estar social;
Libertária = em posicionamentos culturais;
Hamiltoniana = em economia;
Rurbanista = seguindo a ideia de Gilberto Freyre para diminuir a desigualdade regional;
Distributista = para melhorar a distribuição de propriedade;
Pró-BRICS = para sustentar um desenvolvimento econômico soberano.
Ela seria INFINITAMENTE MAIS MAINSTREAM.
Nota de Pesquisa (NDP): Red Tory/Conservadorismo Vermelho
A Nota de Pesquisa (NDE) são apenas pessoas, conceitos e posições para eu pesquisar depois, porém que creio que sejam úteis também para suscitar o interesse das pessoas que leem o blogspot como auxílio de pesquisa.
Red Tories (Conservadorismo Vermelho):
- Phillip Blond;
- George Grant;
- Charles Taylor;
- Eugene Forsey;
- C. S. Lewis.

















