Mostrando postagens com marcador LGBTfobia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LGBTfobia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O Necrológio Cadavérico #10 — Existência Humana



Se eu morresse hoje...


Eu me perguntaria se ainda sou humano. Não falo em um sentido de eu acreditar literalmente que perdi a humanidade. Falo do questionamento, que se tornou uma constante obsessão psicológica em minha mente, se há algo que me liga à humanidade. Recentemente, vi uma entrevista com o Peter Thiel. Ele foi questionado se a raça humana deve continuar a existir. Naquele momento, ele titubeou.


Não é como se eu estivesse trabalhando ativamente pela extinção da raça humana. Particularmente, eu sequer acho a minha vida valiosa. Se fosse indolor, eu sequer me importaria de morrer agora mesmo. Não é uma ideação suicida, mas eu sinto que já fiz o suficiente. Ao menos, para mim basta o que fiz. Escrevi livros e textos ininteligíveis. Os quais bastam para mim. Sei que pode soar profundamente egoísta dizer isso, mas eu não ligo se IAs se tornarem a espécie suprema.


Lembro-me, quando pequeno, de que eu via as pessoas se entristecerem com os mais diversos fatos e eventos. Todavia eu não conseguia compreendê-los ao todo. Era como se existisse, de alguma maneira, uma barreira impenetrável entre algo que era afetivo-cognitivamente para elas e, simultaneamente, era impossível para mim. 


Sempre penei por causa da minha estranheza. Ora sendo chamado de retardado. Ora sendo chamado de maluco. Ora sofrendo ataques por conta da minha bissexualidade. Ora sendo atacado por conta do autismo. Esse tipo de tratamento e o que vi durante esses meus vinte e nove anos de vida me fazem pensar que talvez seja melhor mesmo que as inteligências artificiais substituam os humanos. Não sei se isso é rum ou, melhor dizendo, se isso pode ser visto como algo ruim. A única coisa que vi na minha vida foi ódio e abandono. Tudo o que construí de bom foi sozinho.


Por algum tempo, eu abria certas redes sociais e via que as pessoas se odiavam sem motivo algum. Ao menos, sem motivo justificável. Por vezes, são os estereótipos raciais e o racismo pseudocientífico que se interpõem e destroem as relações humanas. Por outras, constroem-se razões de gênero e de sexualidade. Todos os dias, levantam-se os mais idiotas motivos para o ciclo de ódio que se repete infinitamente. Uma teoria da conspiração antissemita é montada dia após dia. Uma razão ideológica cresce a cada instante. Justifica-se até a existência dos manicômios mesmo se sabendo que o chamado holocausto ou genocídio brasileiro ocorreu lá.


Fiz um questionamento sobre a necessidade da existência humana. Depois, questionei-me se a existência humana é de fato um bem. Só que havia um outro questionamento, bem mais profundo, escondido na minha cabeça. Percebi que se existisse um evento cataclismático que apagasse a existência humana do planeta, eu não me importaria. Em outras palavras, estava escondido dentro de mim que no fundo sequer me importo com a existência humana. Eu sequer me importo com a minha própria existência. Posso não ser misógino, LGBTfóbico, antissemita, mas tenho certeza de que sou misantropo.


Na imensa maioria das vezes, se alguém é de um lado oposto ao seu, muitas vezes ela te estereotipará e te tratará como um lixo. O humanismo não existe como condição de abertura e diálogo. Ele existe tão só e meramente pela e para a seita. A maioria das pessoas que eu vi nunca leu e nunca pretendeu ler uma linha de pensamento contrário. Muito pelo contrário, veem as figuras opostas como figuras eternamente manipuladoras e malignas em sua guerra eterna. Talvez isso seja a condição da era pós-dialógica. De qualquer modo, eu não me importaria se tudo isso acabasse. Eu não me importaria se o mundo que conhecemos parasse de existir.

Caveira Casual #4 — Em Meio ao Ruído

 


Enquanto eu olhava para meus supostos aliados, pude identificar os mais distintos e irritantes grupos:


- O direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral:

Esse sujeito, que pode atualmente ser de qualquer sexo, aparece dia após dia, em formato de vídeo. Todo dia, ou toda semana, ele ou ela precisa metralhar a sua indignação moral contra algum objeto, sujeito ou acontecimento. Esse modelo é um modelo de sucesso quase que absoluto entre o chamado "direitista influencer". É muito comum em políticos. 


- Liveísta:

A direita liveísta é aquela que aparece todo dia ou toda semana com uma "live" (conteúdo transmitido ao vivo). O objetivo dela é usualmente fazer reação a todo tipo de conteúdo. Esse tipo de conteúdo, diga-se de passagem, é perturbador. Eu não aguento ver. Me parece um misto de falta de imaginação com preguiça. Além disso, esse tipo de formato só é acessível para quem tem tempo livre para ver isso. Algo que muito provavelmente não é a realidade de quem trabalha.


- Vendedor de Cursos:

Essa moda, cada vez mais presente, aparece por todos os cantos. Ao que parece, só a direita americana fornece cursos gratuitos por meio de instituições respeitáveis como a Hillsdale College e a Christendom College. É meio que "se você quer ser de direita, pague para nós". Esse tipo de direitista só existe quando ele é, em si mesmo, uma espécie de celebridade. Porém, sabemos que para ser uma "celebridade de direita" é preciso se tornar um "orgânico de partido" ou um "orgânico de movimento". Se você não consegue sacrificar a sua criticidade, esqueça esse caminho.


- Direita Woke:

Esse aqui é altamente encontrado pela internet. Ele serve para ficar o dia todo enchendo o saco. Ele também possui o estranho costume de ficar o dia todo atacando obras que a esquerda woke fez ou supostamente fez. Ele não percebe que é tão woke quanto a esquerda woke. É o típico direitista que pensa pertencer ao politicamente incorreto, quando na verdade está apenas a exigir que todo mundo siga o seu padrão moral. Outro hábito muito comum na direita woke é passar o dia todo praticando a chamada "LGBTfobia recreativa". A sua compulsão maior é a de acusar tudo o que não gosta de ser LGBT. O mais curioso é quando esse grupo tem que ofender o grupo adversário, na montanha de qualificativos negativos, ele coloca que ser LGBT é um "crime" tão absurdo quanto ser um assassino.


Eu estou aqui, lendo George Grant, anotando todos os principais insights no caderno em inglês e depois passando tudo para o português nesse blogspot. O resto da assim chamada "direita" muito provavelmente nem sabe quem é George Grant. Ou, quem sabe, prefere não dizer para não estragar a "excelente" parceria com a assim chamada "burguesia nacional". É muito feio ler Red Tory. Para piorar, o meu Blogspot também traz vários teóricos de esquerda. Além disso, não tive medo de trazer os Never Trumpers para cá. Ou seja, sou, no mínimo, um dos sujeitos mais suspeitos e questionáveis. Tal como um alienígena estacionando um disco voador na praia em pleno feriadão.


Poderia tentar fazer alguma coisa para ajudar em algo, mas isso seria problemático. Minhas visões particulares cavam um abismo entre mim e o restante da assim chamada direita nacional. Em vez disso, tenho a particular preferência por ficar a ler e a resenhar livros e artigos acadêmicos. Sigo uma política que poderia ser descrita nos seguintes termos: quanto à direita nacional, finjo que ela não existe. O hábito constante de querer


Como quero esquecer a existência da assim chamada direita nacional, volto a escrever sobre filmes. Os escritos anteriores dessa série (Caveira Casual) abordaram filmes; quero voltar a escrever sobre isso. O último filme a que assisti é outro Found Footage. É o Grave Encounters, filme canadense de 2011. Outro filme que encontrei no /tv/ do 4chan. Como podem ver, o homem nasce normie, a misantropia e o 4chan o tornam hipster. Hoje vou fazer algo diferente. Vou explicar o filme colocando-o em paralelo com a assim chamada "direita nacional".


Take 1: Grave Encounters


Grave Encounters, de 2011, é um filme que trabalha com assim chamada "indústria do paranormal". Ele não é apenas um terror de câmera na mão, um hipster found footage, ele é um comentário ácido sobre a encenação da realidade na televisão.


Take 1: Direita Nacional


O paralelo que podíamos ter seria o do típico direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral. O nosso protagonista (ou nossa protagonista) seria o(a) típico(a) charlatão (charlatã) que fica fazendo teatrinho nas redes sociais.


Take 2: Grave Encounters e a Desconstrução do Reality Show


Lance Preston, o nosso protagonista, representa o arquétipo de apresentador carismático e charlatão.


O horror real começa justamente quando a farsa profissional perde o controle. A ironia reside no fato de que Lance Preston e a sua equipe passaram anos fingindo contato com o além e, quando o contato finalmente ocorre, eles não têm ferramentas, nem emocionais, nem técnicas, para lidar com isso.


Take 2: Direita Nacional e a Desconstrução da Direita Woke


Um belo dia, nosso(a) querido(a) direitista woke seria obrigado, por razões de circunstâncias completamente ficcionais, a ser de direita de verdade. Nosso(a) protagonista logo descobriria que LGBTfobia não é argumento e que ele(a) precisaria produzir coisas maiores do que vídeos falando sobre a "hipocrisia da esquerda".


Talvez fosse obrigado(a) a alguma pauta concreta, como faculdades de artes liberais, articular diferentes escolas do pensamento de direita (como ordoliberalismo, Red Tory, paleoconservadorismo), fundação de institutos para geração de políticas públicas de direita pautadas em dados ou qualquer coisa que um(a) direitista de verdade faria. Coisa que nosso(a) protagonista não conseguiria, visto que é um(a) imbecil.


Take 3: Grave Encounters e o Espaço como Antagonista


Diferente de outros filmes de casas assombradas mais tradicionais, o filme Grave Encounters trabalha com a ideia de hospital psiquiátrico mal-assombrado que se comporta como um organismo vivo. Ele também trabalha com todo aquele imaginário psicológico dos manicômios. O espaço trabalha como adversário da seguinte forma: a arquitetura muda, as janelas desaparecem e os corredores se tornam infinitos.


Take 3: a Direita Woke e a Burrice como Antagonista


A direita woke teria que se lidar com uma das piores coisas que podem ocorrer com a direita nacional: uma população e uma mídia que realmente conhecem as múltiplas tradições do pensamento de direita. Coisa que, convenhamos, nunca virá a ocorrer no Brasil, mas como isso é um cenário absurdo e hipotético, dou-me a essa licença poética.


Em vez de entrevistas idiotas com lambedores de saco, o(a) direitista seria confrontado(a) com questões sobre ele(a) ser mais paleoconservador(a) ou neoconservador(a), se ele(a) seguirá uma agenda política mais Red Tory ou mais Blue Tory, se ele(a) assistiu o último vídeo da American Compass ou o último vídeo da Hoover Institution. Quando ele(a) percebesse, estaria levando uma surra argumentativa por não ser um(a) conservador(a), mas mais um(a) imbecil da direita woke.


Como podemos ver, o maior perigo para charlatãos do sobrenatural é que exista realmente um sobrenatural e que eles tenham que se lidar com isso. Como também podemos ver, o maior perigo para a direita charlatã brasileira não é a existência de uma esquerda, nem a existência de uma esquerda altamente letrada, mas sim de uma população e de uma mídia altamente educadas nas múltiplas tradições do pensamento de direita.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Acabo de ler "Illiberalism and Democracy" de Saul Newman (lido em Inglês)

 


Nome:

Illiberalism and Democracy: The Populist Challenge to Transatlantic Relations


Autor:

Saul Newman


A ascensão de Donald Trump, junto com vários dos seus correligionários da extrema-direita populista, apresenta um desafio à democracia e às relações transatlânticas. Muitos países europeus vêm sofrendo com a volatilidade dos Estados Unidos da América e também com problemas internos oriundos da própria extrema-direita populista interna. O desgaste contínuo dos valores democráticos e a tensão constante entre o campo democrático e o campo populista vêm se tornando um grande problema de nosso tempo.


O populismo estabelece um contraste e um conflito entre o "povo" e a "elite". O populismo, a partir disso, estabelecerá um modo autoritário de governança que se oporá ao pluralismo, ao Estado de Direito, à independência do judiciário, aos procedimentos intermediários e às instituições da democracia liberal de uma maneira geral.


Os países europeus estavam acostumados ao seguinte cenário:

- Uma ordem legal internacional e comercial baseada em regras;

- As relações estabelecidas durante o período pós-Guerra Fria;

- A hegemonia do modelo da ordem democrática liberal.


Atualmente, deparam-se com o seguinte cenário:

- Uma desordem internacional;

- Blocos de poder (Rússia, China e Estados Unidos);

- A ascensão global da extrema-direita populista.


Como definir o populismo de direita? Usualmente o populismo de direita é definido como uma mistura de vários fatores, entre eles uma espécie de libertarianismo econômico, um autoritarismo político, um nativismo, xenofobia, uma identidade religiosa forte, valores conservadores no campo social e cultural e, essencialmente falando, um antiliberalismo. Os fatores envolvidos podem variar, visto que o populismo de direita é diverso.


O autor citará vários exemplos de populismo, dentre os quais está o próprio Lula (atual presidente do Brasil), como figura populista de esquerda. Além disso, citará populistas europeus. De uma maneira geral, populistas apresentam o povo como moralmente puro, autêntico, honesto e trabalhador. Enquanto isso, as elites são apresentadas como nefastas, corruptas e traidoras. Eles também dão uma noção de uma "democracia mais genuína" ao dizer que representam o povo. Para que tal representação genuína do anseio democrático seja feita, eles precisam atropelar os processos parlamentários, a imprensa mainstream e todos os processos intermediários. A diversidade de visões, opiniões e interesses é descartada. A visão popular é colocada acima do Estado de Direito.


O pensamento populista precisa de uma identidade homogênea. A elite é encarada multifatorialmente, existindo elites políticas, financeiras e culturais, por exemplo. Todavia, não é só a elite que é o problema. Para assegurar a homogeneidade do povo, as minorias passam a ser atacadas. Logo, minorias culturais, sexuais e de gênero passam a ser consideradas inimigas também. É disso que se estabelece uma relação íntima entre populismo, misoginia, xenofobia, racismo, LGBTfobia e, em muitos casos, antissemitismo. Muito rapidamente, a mídia mainstream, artistas, acadêmicos,  celebridades, políticos liberais ou progressistas, o judiciário, ativistas e advogados dos direitos das minorias passam também a ser atacados. Como o populismo necessariamente pressupõe a homogeneidade, ele requererá sempre a tirania da maioria contra os grupos que estão fora dela. O respeito à pluralidade de valores, de interesses e de identidades, além da ideia de que os direitos das minorias são os mesmos que os das maiorias, começa a desaparecer.


No populismo, a figura do líder começa a ser tida como a personificação e o canal onde está e onde é emitida a vontade do povo. O partido político do populista se torna um partido de um homem só. É um partido focado inteiramente no líder. Além disso, o grupo político que cresce ao redor do populista não é um movimento político, mas configura-se como um culto religioso ou, mais propriamente, uma seita. O trabalho do populista é fazer com que o trabalho se cumpra, mesmo que isso envolva quebrar os valores democráticos no processo.


Os governos populistas adquirem um formato híbrido ou uma forma de "democratorship" (democracy [democracia] + dictatorship [ditadura] = democratorship [democradura]). Persistem ainda o parlamento, as eleições, a mídia independente... todavia, os oponentes políticos são perseguidos, o judiciário e a mídia são intimidados e o poder é centralizado no executivo. A possibilidade de uma democracia constitucional é gradativamente solapada.


Enquanto vemos a ascensão global da extrema-direita-populista, vemos muito especificamente o Project 2025. O Project 2025 é um blueprint (guia) global para a extrema-direita como um todo. Nele podemos ver:

- Poder concentrado no executivo;

- Controle de fronteiras draconiano;

- Isolacionismo;

- Retorno da imposição dos valores socialmente conservadores e dos valores patriarcais;

- Um assalto da extrema-direita contra o secularismo e o pluralismo;

- A ascensão da teoria da "Grande Substituição" (great replacement theory);

- A acusação de que jornalistas e a mídia no geral são organizações de fake news profissionais;

- O ataque contínuo à expertise científica;

- Políticos populistas, empresários políticos e influenciadores fomentando polarização e desconfiança no establishment.


Sabe-se ainda pouco se a ordem liberal e os valores liberais sobreviverão ao projeto político da extrema-direita populista. Praticamente não vemos mais um Ocidente liberal e democrático, mas sim um conflito entre esse Ocidente e a aliança iliberal e autoritária. 

domingo, 12 de abril de 2026

Caveira Casual #1 — Filmes, Séries, 4chan e Direita Woke

 


Recentemente vi "Bodycam" (tudo junto). Um filme de terror de 2026. É impressionante como esse filme tem um nome parecido com o filme "Body Cam" (que se escreve separado). Também assisti a "Final Destination: Bloodlines", creio que no Brasil ele se chama "Premonição 6". Costumo assistir às coisas em sua linguagem primária, a não ser que eu não entenda a língua. É por isso que não me lembro dos nomes dos filmes em português. 


Atualmente assisto a "Hell House LLC". Um outro filme que encontrei enquanto lurkava no /tv/ do 4chan. Não sei se isso passa a ideia de que sou um "grande cinéfilo", sinceramente não lembro sequer o nome dos personagens dos filmes a que assisto. De forma geral, quase toda experiência que tenho assistindo, lendo ou jogando algo me vem de forma "eidética", isto é, conceitualmente. Sou péssimo em lembrar nomes de personagens. Consigo lembrar da experiência conceitual que algo passa, mas não me lembro dos nomes dos personagens.


Para ser mais exato, quem é apreciadora de filmes e séries é a minha irmã. Sou péssimo em assistir às coisas até o fim. Muitas vezes eu paro diversas vezes para realizar qualquer outra coisa. Por vezes, paro de assistir vídeos por semanas ou meses. Sempre fui mais ligado a videogames e livros. Embora deva admitir que seja um entusiasta de creepypastas desde os meus onze anos de idade.


Anonymous 04/11/26(Sat)22:28:17 No.219645028

>Supposed "edgy no holding back commentary" on American culture/politics

>Zero mentions of Israel

Really makes you think

Anonymous 04/11/26(Sat)22:39:18 No.219645344

It's not really relevant unless you're one of the schizos who blame all of their life's problems on jews.

Anonymous 04/11/26(Sat)23:29:51 No.219646862

/pol/ is over there if you want to be an obsessed schizo

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:28:17 Nº 219645028

>Suposto "comentários ousados e sem rodeios" sobre a cultura/política americana

>Nenhuma menção a Israel

Realmente faz você pensar

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:39:18 Nº 219645344

Não é realmente relevante, a menos que você seja um daqueles esquizofrênicos que culpam os judeus por todos os seus problemas.

Anônimo 04/11/26 (sáb) 23:29:51 Nº 219646862

/pol/ está lá se você quiser ser um esquizofrênico obcecado
(Transcrito pois muitos leitores copiam e colam textos desse Blogspot em IAs, assim as IAs conseguem compreender o que há na imagem)


Por falar em /tv/, conto-lhes um caso. Recentemente vi uma postagem no /tv/. Um anônimo reclamava que a série "The Boys" não tinha menções a Israel, querendo que a série fosse antissemita, tal como é o desejo de todo /pol/tard. Achei incrível como os usuários do /tv/ botaram o /pol/tard em seu devido lugar. Muitas pessoas não sabem disso, sobretudo jornalistas e acadêmicos, mas o /pol/ é uma board horrível e seus usuários também são horríveis. Quando eles vão para outras boards, tão logo são expulsos. E isso é excelente, /pol/tards contaminam tudo que tocam com sua misoginia, com seu racismo, com seu antissemitismo, com sua LGBTfobia... e é por isso que devem ser expulsos.

Gosto de acessar o /tv/ pelo mesmo motivo que gosto de acessar o /lit/, o /mu/ e o Google Scholar: descobrir novas coisas, descobrir novas ideias, descobrir novas músicas, descobrir novas escolas de pensamento. Isso é uma das experiências mais legais da vida: obter novas experiências. É impressionante como /pol/tards e seus amiguinhos (incels, redpills, panelinha da resenha) são intelectualmente incapazes disso, visto que não conseguem consumir conteúdo de múltiplas escolas de pensamento, conteúdo produzido por mulheres, por negros, por judeus ou população LGBTQIAPN+.  No fim, isso torna o movimento redpill, incel, resenha, /pol/tard — e qualquer outro movimento da direita woke — algo pra lá de tedioso e repetitivo. Acho que a direita woke, mesmo sendo "undergroundeira", é um underground nerfado, cafona e chatíssimo, já que é um underground que vem para impor limitações e os outros undergrounds anteriores (punk, hippie, hipster e até a direita politicamente incorreta) vieram para quebrar tudo.


sábado, 11 de abril de 2026

O Necrológio Cadavérico #9 — Crimes na Internet


Se eu morresse hoje...


Estive desaparecido. Cometeram vários crimes usando meu nome. Enquanto cometiam crimes usando meu nome, estive vivendo. Bebi um pouco. Sai um pouco. Ouvi muita música. Recentemente apresentei a um amigo a música "L'Amour Toujours" de Gigi D'Agostini, também apresentei a música "Don't Worry Baby" do The Beach Boys e "Bear" do The Antlers. E, sim, eu acho penoso que gente de extrema-direita transformem uma música tão bela como "L'Amour Toujours" em um hino para nacionalistas brancos.


Também conversei com uma amiga, comentamos um pouco sobre a regulamentação da internet. Nisso ela entrou naquele papo sobre redpills. Disse para ela que não vejo problema algum de redpills sumirem do debate, visto que eles não acrescentam absolutamente nada ao debate. Tratar o movimento redpill como uma escola de pensamento respeitável é um erro que não me permito. Da última vez que vi um redpill, vi ele falando durante trinta segundos que a esquerda é ginofascista e a direita é ginocêntrica... pensei "bullshit" e pausei o vídeo. Nunca mais voltei ao vídeo.


Uma coisa que me pega é essa gente que se diz advogada da liberdade de expressão na internet. Sempre que alguém me diz isso, observo o perfil que ela sustenta nas redes sociais. Quase sempre é alguém que profere os mais diversos discursos LGBTfóbicos, misóginos, antissemitas e racistas. Ou seja, todo tipo de discurso que cai na Lei 7.716/1989. É incrível a estrutura comportamental desse tipo de sujeito.


Só reparar que:

- Tudo que um indivíduo não gosta é gay, tudo que é considerado ruim é gay, mas a homofobia não existe em nossa sociedade moderna e não há nada de errado em ser gay... embora tudo de errado em nossa sociedade possa ser atribuído a gays;

- A misoginia não existe e o Estado é "ginocêntrico/ginofascista", mas há sempre um grupo cujo o único hobby é atacar mulheres na internet;

- O racismo foi abolido com a escravidão, mas discursos pseudocientíficos de pureza racial e a ideia de "parditude como problema do país" se tornam, pouco a pouco, lugares comuns do discurso público em todas as redes sociais;

- Não existe razão para regulamentar a internet, visto que vivemos num gigantesca ágora na qual todo mundo respeita um ao outro, mesmo com a existência da panelinha/bolha da resenha cuja a especialização é cometer crimes na internet, sobretudo através de doxxing e discurso de ódio;

- Não existe razão alguma para combater o antissemitismo, mesmo que células neonazistas se reproduzam como coelhos pelos quatro cantos da internet.


Após ter lido muito os Never Trumpers e acompanhar os processos contínuos de radicalização nos Estados Unidos da América, não consigo encarar o mesmo processo no Brasil com tal leveza. A guerra fria civil cresce. Campanhas de marketing e discursos políticos vazios não levam a nenhum processo de reconciliação.


Quando vejo como estão as redes sociais, paro de usá-las. Desinstalei o X e o Instagram. Não sinto vontade alguma de olhar para ver o que há lá. Minha maior descoberta recente foram canais especializados em som de Aerosol. Além disso, tenho alterado minhas leituras. Estou relendo H. G. Wells em inglês e parei um pouco de consumir conteúdo puramente político. Minha mente precisa relaxar.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

NGL #15 — Vergonha de parecer mulher...

 


Faça suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis


O que te fez pensar por um momento sequer que me comparar com uma mulher soaria ofensivo?


O que te fez pensar que eu teria vergonha de ser ou parecer uma mulher?


O que te fez pensar que isso é uma forma de demonstrar que estou em uma posição inferioridade?


Pressupor isso é acreditar que eu acredito na superioridade masculina, tomando a feminilidade como ofensa. E diferentemente de você, eu nem por um momento sequer acreditei nessa crença estúpida. Até porque eu tenho algo que você não tem: cérebro.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #30 — Sobre Christopher Buckley e Rick Wilson

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: creio que quando escrevi essa breve nota, estava lendo "Thank You for Smoking" do Christopher Buckley. Realizei algumas alterações, como deixar o texto maior.


A forma satírica e a escrita do conservador Christopher Buckley é extremamente brutal. Ele apresenta tudo que um conservador deveria ser: inteligente, engraçado, cauteloso em suas posições, além de apresentar uma mistura de cultura popular e erudita.


Uma pena que o conservadorismo letrado se afasta cada vez mais do conservadorismo das massas — veja, por exemplo, o bolsonarismo e o trumpismo. Qualquer conservador como Rick Wilson e Christopher Buckley seria chamado de esquerdista no Brasil pela legião de pseudoconservadores desmiolados.


A geração trumpista e bolsonarista afastarão milhares ou milhões de acadêmicos e futuros acadêmicos que poderiam ter sido conservadores, mas que viram no conservadorismo um carnaval sem fim de teorias da conspiração, negacionismos de todas as espécies, sensacionalismos, produção de pânico moral, ódio às pessoas LGBTs e revisionismo histórico.


Negros terão que olhar para a revisionismo histórico sobre a escravidão, ver-se-ão afastados do conservadorismo. LGBTs, sobretudo pessoas transgêneras, verão o espetáculo LGBTfóbico do Project 2025. Olharão para milhões de mortes na época da Covid, e verão o uso obsceno de teorias da conspiração como tática política. Nada disso é, à longo-prazo, positivo.


Caberá aos conservadores intelectualizados construírem um movimento separado e discreto, longe do bolsonarismo e trumpismo. E, acima de tudo, CONTRA o bolsonarismo e o trumpismo. O que atrará meia dúzia de pessoas verdadeiramente interessadas nas escolas de pensamento conservadoras.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Acabo de ler "What Is Hegemonic Masculinity?" de Mike Donaldson (lido em inglês/Parte 3)

 


Em relação ao hétero-patriarcado se pode afirmar que a hegemonia é marcada por uma superioridade, essa superioridade recompensa quem é (heteronormativos) ou quem se assemelha (homonormativos) ao padrão de masculinidade hegemônica. A homossexualidade é condenada em três vias: o homem heterossexual vê como fundamental odiar o homem homossexual; a homossexualidade está ligada a efeminização e vivemos numa sociedade machista; o desejo homossexual é considerado subversivo por si mesmo.


O comportamento homofóbico, bifóbico, lesbofóbico e transfóbico provindo de homens heterossexuais é comum e, até mesmo, recompensado. Desde criança, o homem heterossexual é ensinado que será recompensado por ser hétero e atacado se desviar desse padrão. Ser hétero é uma forma de autojustificação e esse comportamento deve ser ressaltado o tempo todo. Não por acaso, uma das principais brincadeiras é acusar outro homem de não ser "homem suficientemente", acusação do qual o homem acusado deve imperiosamente se livrar. Esse mecanismo, feito a exaustão e todos os dias, leva a um condicionamento mental em que o homem deve ter uma vigilância constante em relação a própria masculinidade – e não uma masculinidade qualquer, mas sim a hegemônica.


O comportamento homossexual é considerado um desvio duplo. Um desvio se encontra no gênero (homossexuais são considerados efeminados) e outro na sexualidade (homossexuais possuem relação com o mesmo sexo). O antagonismo entre heterossexuais e homossexuais é claro: se o poder heterossexual advém do hétero-patriarcado, advém por sua vez da masculinidade e heterossexualidade. O homem homossexual é a antítese do homem heterossexual, ele representa a negação sistêmica dos seus valores e modo de vida. Tal radicalidade, sobretudo em nosso meio cultural, leva a um choque óbvio.


A cultura do homem heterossexual é uma cultura da exaltação da força e do domínio. Essa cultura, nociva e tóxica por si mesma, requer uma constante descarga energética entre si e em outros grupos. A "descarga interna" é um meio de regulamentação comportamental entre os próprios heterossexuais, para reforçar o comportamento hétero-patriarcal. Já a "descarga externa" é correlacionada a demonstração de superioridade do homem heterossexual em relação aos outros grupos, sobretudo mulheres e LGBTs.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Acabo de ler "Em Defesa do Preconceito" de Theodore Dalrymple

 



O título poderá causar um pouco de estranheza as pessoas habituadas em fetiches verbais nauseabundos das esquerdas e dos liberais - a circularidade que é incapaz de complexificar-se é sempre sinal de tribalização e decadência cultural. E, de fato, é um baita título que causa uma miríade de confusão mental aos intelectuais e acadêmicos vulgares.


Se analisarmos a palavra preconceito, teríamos não uma palavra associada diretamente a LGBTfobia, discriminação racial, não contratação de pessoas com tatuagens, violência doméstica contra mulher, dentre tantas outras coisas. Preconceito é, pura e simplesmente, uma ideia que precede o acesso a uma compreensão mais abarcante da realidade. Por exemplo, dizer que a ciência moderna se assenta na falseabilidade de Karl Popper sem entender a razão não é nada mais, nada menos que preconceito. 


Uma sociedade é boa na medida em que tem bons preconceitos. Dizer a uma criança que ler um livro vale mais do que passar horas vendo Tom e Jerry, mesmo que você mesmo não seja capaz de ler uma "Crítica a Razão Pura" não é nada além do que um bom preconceito. A ideia de não misturar bebidas caso não queira ter um porre, sem uma explicação bioquímica, é igualmente um preconceito. Uma sociedade que diz: "procure conhecimento pela ciência", mesmo que não seja uma sociedade em que todos os membros são cientistas, nada mais é do que um bom preconceito.


É preciso ter em mente que o debate sobre o preconceito pode trazer preconceitos melhores ou piores. A ideia de mistitifacação e desmistificação trouxe algo além da superação duma mentalidade supersticiosa, trouxe igualmente a incapacidade de compreender a complexidade de um mito e a sua importância ao conhecimento. Além de ter trazido uma crítica que se arroga dum analfabetismo metodológico pra atacar livros religiosos com interpretações literais. Quem nunca se deparou com alguém que leu a Bíblia e entendeu que Adão e Eva estavam literalmente nus em vez de saber que a vestimenta era um discurso moral falseado (fenômeno da racionalização em Freud)?


Theodore Dalrymple é, simplesmente, um dos maiores ensaístas da contemporaneidade.