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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

When Falls Drop in the Air

 



This text is about three mysterious and antique subjects:

1- The drug;

2- The drink;

3- The women.


They are grouped forces that can alter consciousness and desire. They are the classic temptations, the vehicles through which a person's inner world is tested and often, transformed.


I can’t talk about it without my family's belief. My family has a strange belief. This strange belief is in this phrase:


“In the first glass, the man drinks the wine. In the second glass, the wine drinks the wine. In the third glass, the wine drinks the man”


Yes, we will think about this great statement of my family:


“In the first glass, the man drinks the wine”:


This is the stage of conscious choice. The individual is in control. They are the subject, and the wine is the object. They are choosing to drink. This represents the initial, seemingly harmless step.


“In the second glass, the wine drinks the wine”:


This is the pivotal moment of transition. The man is no longer fully in control. The act of drinking has become automatic, a process that sustains itself. The man is becoming an observer in his own body. The wine is now acting upon itself through him. This is the point where the substance begins to take over.


“In the third glass, the wine drinks the man”:


This is the complete inversion. The man is no longer the subject; he is the object. The wine has become the active agent. It “consumes” him, his personality, and his will. He is now a vessel for the wine's effects. His identity is submerged and replaced by the persona the wine creates.


My family proverb is that it's not just about alcohol, it's a metaphor for any seductive force that starts as a choice and ends as domination:


1- The illusion of mastery: the ego's confident grasp. Sampling a drug for "curiosity", a sip of the drink to unwind, or engaging with "the women" as archetypal sirens or embodiments of desire) in a controlled, rational way;

2- A self-perpetuating cycle. When the control slips into automation. The drinker becomes a conduit, not a commander. Like a drug creeping tolerance or the way desire (for women, as a symbol of emotional/sexual entanglement) shifts from pursuit to obsession. The boundary blurs, you're no longer choosing. It chooses you;

3- Total reversal: the self is consumed, identity dissolved. This is the abyss, addiction's grip, the hangover of regret, or the fallout from unchecked lust. The man is objectified, becoming a puppet to the force.


What is the effect of the wine? Think about “The Mask”, a movie from 1994 with Jim Carey. What is “the mask”? The mask is connected with Loki. Loki is the god of cheating. Loki is a trickster energy. Loki destabilizes order. Loki reveals hidden tensions. Loki forces transformation through chaos. If you think about it: “The Mask” talks about Sigmund Freud (ID, EGO, and SUPER EGO), but the second talk is about Jung and archetypes.


If you don't understand the repression theory and shadow dynamics when you watch "The Mask", you don't understand what this movie really talks about. The movie talks about temptation, disinhibition, possession, the Shadow self, and the fragile nature of agency. The mask embodied the Shadow archetype. That hidden reservoir of traits we deny. Like aggression, charisma, and hedonism. Loki's trickster energy isn't evil, it's disruptive, forcing growth through disorder.


What powers does the mask give? The wearer's reality-bending powers are based on their suppressed personality. Think about it: suppressed personality. What happens if you become drunk or use drugs? Your suppressed personality temporarily becomes the most powerful side of you.


Consider the Mask movie through this lens: the idea that intoxication reveals the suppressed aspects of one's personality. In the film, the mask amplifies what is already inside Stanley. Similarly, alcohol and drugs disinhibit what is latent. When you use drugs or drink, this unleashes the ID: the raw, impulsive drives Freud described as buried under the ego and superego's censorship.


The synthesis is your work, think about this exercise:


- See a video about ID, EGO, and SUPER EGO;

- See a video about shadow and shadow integration;

- See movies about these themes (yes, like "The Mask");

- And ask yourself:

1- What happens when I drink?

2- What happens when I use drugs?

3- What is in my shadow?

4- If I use drugs and drink, for what woman do I send messages?

5- How is my behavior when I drink or use drugs?

6- How is my behavior with women when I drink and use drugs?


If you make these exercises, you will be able to see your internal patterns.


sábado, 14 de fevereiro de 2026

NGL #44 — Por qual razão eu continuo sendo channer?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Ser channer traz uma sensação psicológica única e indescritível. Essa sensação não pode ser sintetizada em termos literais, seja por questão de moralidade, seja por questão de não ser sintetizável em um vocabulário perfeito e inteligível. Por isso, peço que me acompanhe.


Pense que, de repente, toda a sua racionalidade esmorecesse. Você apenas vê um coelho a sua frente. Então você corre. Você não consegue confirmar isso, mas sente que tem quatro patas em vez de duas pernas e dois braços. Nessa sensação, você sente que quer caçar aquele coelho que foge de ti. Não é por fome. Não é por sobrevivência. É pelo prazer da pura caça.


O que eu quero dizer: há a identificação com a figura do predador, algo mais animalesco do que humano. Algo que faz a caça ser um fim em si mesmo, como a satisfação direta de algo impulsivo e predatório. Algo que é encarado, simultaneamente, como errado e, ao mesmo tempo, gratificante por si só e por ser errado. É como se o desligamento da racionalidade e a regressão a um estado primitivo fossem "autorecompensantes" na atmosfera lúdica de uma violência simbólica contra as normas e contra os valores instituídos. Em outras palavras, cada sessão dentro de um chan é um processo de desumanização temporária e recreativa onde a sombra se manifesta de forma mais plenificada.

É como uma dupla recompensa que aparece simultaneamente num gozo deliquente:

1- O prazer do instintivo, do primário, da caça e da predação. Tal como a realização do ID;

2- A violação consciente da lei a gerar o gozo extra. Como numa sensação de que se profana o que há de mais sagrado numa heresia dedicada ao corpo social.


Isto é, a racionalidade existe parcialmente, mas só existe para se ter plena certeza de que se viola alguma coisa, assim tornando o prazer da violação ainda mais intenso. Em outras palavras, a racionalidade existe perante o prazer de se violar algo que o corpo social considera sacro. 


Quando entro dentro de um chan ou começo a agir dentro de uma estrutura comportamental channer não é como se eu estivesse numa psicose permanente, em vez disso, é como se a psicose fosse parte de um jogo decididamente iconoclasta. Tal como um carnaval em que o superego é temporariamente jogado fora em nome de um exercício lúdico que provisoriamente abole as leis normativamente instituídas.


Repito que: a sombra, dentro do chan, manifesta-se mais plenamente. Ali, dentro do chan, observa-se como lei a ausência de lei e de norma se formam. Ou, mais precisamente (e mais psicologicamente), a cultura channer é como um castelo feito com a sombra que socialmente se esconde — o inconsciente sombrio. Quando digo que o Castelo do Drácula do Castlevania representa muito bem a cultura channer, digo que a cultura channer só tem leis referentes ao inconsciente sombrio, seja pessoal ou coletivo, como num jogo jungiano onde a sombra não integrada encontra um local para exercer seu pleno domínio. Se existe um "Estado de exceção", onde o "Estado de Direito" é ignorado, a cultura channer é como um local em que o "estado psicológico de exceção" se plenifica.


A mesma analogia poderia ser feita com Silent Hill (outro jogo da Konami) poderia ser feita. Em Silent Hill, a cidade é composta pelo inconsciente sombrio ou pelo Dark Self. A cultura channer também é assim. É como um laboratório em que a sombra manifesta-se de forma pura e momentânea, dissolvendo a persona (pública) e o ego racional. O prazer é encontrado em ser a sombra, sentindo todo o veneno que a sombra, momentaneamente indomesticável, exerce.

A cultura channer é um jogo em que a racionalidade é rebaixada para uma função ancilar para que sirva ao impulso da anomia. Ou, mais visceralmente, para certificar a transgressão que está a se exercer. O que é algo substancialmente diferente da psicose, que é caracterizada pela perda do teste de realidade. Aqui podemos falar da hiperconsciência da realidade (na sua estrutura de normas, de valores, de sagrado), mas não no sentido de validar a norma social. A hiperconsciência existe em função da quebra da norma. Nesse quadro, o superego existe em função do ID. Nesse retrato, a persona existe em função da sombra. Tudo dentro de uma inversão hierárquica.


A diferença central entre o chan e o carnaval é a sua condição autotélica. Ou seja, se no carnaval a inversão reforça a ordem após o período de exceção, o chan não é funcional para o sistema: ele existe em função de si mesmo, tal como um gozo.


Pense, novamente, no Castelo do Drácula. O castelo reconfigura-se a cada noite, a cada aparição. A cultura channer reconfigura-se a cada thread, a cada meme, a cada piada interna. As leis da cultura channer funcionam como um inconsciente sombrio: a lógica adotada não é cartesiana, é uma lógica onírica, associativa e simbólica. Não existem regras fixas, apenas a manifestação do monstro que há dentro de nós. É como se a ordem fosse a oedem simbólica daquilo que é reprimido.


A cultura channer também é o espelho do inconsciente de quem entra. Toda cultura channer é povoada pelos demônios, culpas, traumas e desejos reprimidos dos seus usuários. A cultura channer é a sombra coletiva de seus usuários: tudo que a cultura mainstream ou normativa reprime, nega e silência torna-se a manifestação da cultura channer.


Se pensamos na terapia jungiana, a sombra quando integrada perde o seu poder destrutivo. No chan, a sombra não é integrada. Ela é encenada, perfomada, vivida. Tudo isso sem dor, visto que há o escudo lúdico do anonimato e do coletivo que a valida.


No "estado de exceção psicológico" da cultura channer, a sombra torna-se soberana para manifestar-se plenamente. É por isso que o ego racional e a persona (máscara social) são temporariamente dissolvidos. Pense como se o chan fosse um golpe de Estado psíquico em que o ID e a SOMBRA tornam-se senhores do palácio (ou do Castelo do Drácula). 


A cultura channer é venenosa. Isso todo channer de qualidade e experiência assume. Ela é tóxica pois é a sombra. E a sombra é tóxica para o ego, para a persona e para o social. Todavia constitui o gozo channer sentir o veneno correndo dentro das veias sem morrer, visto que é temporário, visto que é lúdico, visto que é anônimo. 


Pense a cultura channer como um parque temático do inconsciente sombrio (como Silent Hill ou Castlevania). Ela é um dispositivo de engajamento com o inconsciente sombrio. E é por essa razão que eu permaneço nos chans apesar de tudo.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Psicologia Aplicada de Freud - Capítulo 2: A Relação dos Sonhos com o Inconsciente da Mente



Nesse capítulo, somos apresentados ao ID (princípio de prazer), Super Ego (vigilante da moralidade) e Ego (princípio de realidade). Eles nos ajudam a compreender ainda mais o drama mental que passamos, em suma maioria das vezes inconsciente. E já que a maior parte dos nossos dramas se passa inconscientemente, estudar eles dá um certo grau de autonomia e autocompreensão.

Outro tema abordado, já sendo o principal, é de que nossos sonhos nos dão a pista de como está a nossa situação mental. Só que para a interpretação correta dos sonhos, outras coisas devem ser conhecidas: a própria vida do sujeito que é analisado. Já que existem coisas que existem, só que não temos acesso direto por estarem depositadas em nosso inconsciente. Elas não são só memórias, são igualmente pensamentos e sentimentos que guardamos por serem fortemente traumáticos demais para conseguirmos lidar.

Freud queria adentrar nesse estranho mundo do proibido. Para tal, buscou diferentes métodos: hipnose, interpretação dos sonhos e associação livre. Como a natureza desse proibido se revela na própria vivência pessoal, ele é variável e requer dado grau de formação específica - seja para análise do outro e de nós mesmos. Esse proibido é verificado endogenamente e/ou exogenamente. Todo esse drama ocorre sempre, de formas variáveis, com ou sem a nossa abertura a (auto)análise.

De qualquer forma, é magistral a forma que Freud abordou tal problema. Tendo em mente que a maioria deles não está sobre nosso controle direto e temos que aplicar grande esforço, a psicanálise torna-se uma vitória no campo da (auto)compreensão humana e uma realização pessoal naquele que a pratica, já que esse tem acesso a frase do Oráculo de Delfos: "Conhece-te a ti mesmo". A psicanálise é o esforço e a coragem de enfrentar o drama interior sabendo que ele é de difícil acesso e requer tempo, embora a "salvação" sempre seja algo de gratificante.