terça-feira, 21 de abril de 2026
Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 2)
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Acabo de ler "Illiberalism and Democracy" de Saul Newman (lido em Inglês)
Nome:
Illiberalism and Democracy: The Populist Challenge to Transatlantic Relations
Autor:
Saul Newman
A ascensão de Donald Trump, junto com vários dos seus correligionários da extrema-direita populista, apresenta um desafio à democracia e às relações transatlânticas. Muitos países europeus vêm sofrendo com a volatilidade dos Estados Unidos da América e também com problemas internos oriundos da própria extrema-direita populista interna. O desgaste contínuo dos valores democráticos e a tensão constante entre o campo democrático e o campo populista vêm se tornando um grande problema de nosso tempo.
O populismo estabelece um contraste e um conflito entre o "povo" e a "elite". O populismo, a partir disso, estabelecerá um modo autoritário de governança que se oporá ao pluralismo, ao Estado de Direito, à independência do judiciário, aos procedimentos intermediários e às instituições da democracia liberal de uma maneira geral.
Os países europeus estavam acostumados ao seguinte cenário:
- Uma ordem legal internacional e comercial baseada em regras;
- As relações estabelecidas durante o período pós-Guerra Fria;
- A hegemonia do modelo da ordem democrática liberal.
Atualmente, deparam-se com o seguinte cenário:
- Uma desordem internacional;
- Blocos de poder (Rússia, China e Estados Unidos);
- A ascensão global da extrema-direita populista.
Como definir o populismo de direita? Usualmente o populismo de direita é definido como uma mistura de vários fatores, entre eles uma espécie de libertarianismo econômico, um autoritarismo político, um nativismo, xenofobia, uma identidade religiosa forte, valores conservadores no campo social e cultural e, essencialmente falando, um antiliberalismo. Os fatores envolvidos podem variar, visto que o populismo de direita é diverso.
O autor citará vários exemplos de populismo, dentre os quais está o próprio Lula (atual presidente do Brasil), como figura populista de esquerda. Além disso, citará populistas europeus. De uma maneira geral, populistas apresentam o povo como moralmente puro, autêntico, honesto e trabalhador. Enquanto isso, as elites são apresentadas como nefastas, corruptas e traidoras. Eles também dão uma noção de uma "democracia mais genuína" ao dizer que representam o povo. Para que tal representação genuína do anseio democrático seja feita, eles precisam atropelar os processos parlamentários, a imprensa mainstream e todos os processos intermediários. A diversidade de visões, opiniões e interesses é descartada. A visão popular é colocada acima do Estado de Direito.
O pensamento populista precisa de uma identidade homogênea. A elite é encarada multifatorialmente, existindo elites políticas, financeiras e culturais, por exemplo. Todavia, não é só a elite que é o problema. Para assegurar a homogeneidade do povo, as minorias passam a ser atacadas. Logo, minorias culturais, sexuais e de gênero passam a ser consideradas inimigas também. É disso que se estabelece uma relação íntima entre populismo, misoginia, xenofobia, racismo, LGBTfobia e, em muitos casos, antissemitismo. Muito rapidamente, a mídia mainstream, artistas, acadêmicos, celebridades, políticos liberais ou progressistas, o judiciário, ativistas e advogados dos direitos das minorias passam também a ser atacados. Como o populismo necessariamente pressupõe a homogeneidade, ele requererá sempre a tirania da maioria contra os grupos que estão fora dela. O respeito à pluralidade de valores, de interesses e de identidades, além da ideia de que os direitos das minorias são os mesmos que os das maiorias, começa a desaparecer.
No populismo, a figura do líder começa a ser tida como a personificação e o canal onde está e onde é emitida a vontade do povo. O partido político do populista se torna um partido de um homem só. É um partido focado inteiramente no líder. Além disso, o grupo político que cresce ao redor do populista não é um movimento político, mas configura-se como um culto religioso ou, mais propriamente, uma seita. O trabalho do populista é fazer com que o trabalho se cumpra, mesmo que isso envolva quebrar os valores democráticos no processo.
Os governos populistas adquirem um formato híbrido ou uma forma de "democratorship" (democracy [democracia] + dictatorship [ditadura] = democratorship [democradura]). Persistem ainda o parlamento, as eleições, a mídia independente... todavia, os oponentes políticos são perseguidos, o judiciário e a mídia são intimidados e o poder é centralizado no executivo. A possibilidade de uma democracia constitucional é gradativamente solapada.
Enquanto vemos a ascensão global da extrema-direita-populista, vemos muito especificamente o Project 2025. O Project 2025 é um blueprint (guia) global para a extrema-direita como um todo. Nele podemos ver:
- Poder concentrado no executivo;
- Controle de fronteiras draconiano;
- Isolacionismo;
- Retorno da imposição dos valores socialmente conservadores e dos valores patriarcais;
- Um assalto da extrema-direita contra o secularismo e o pluralismo;
- A ascensão da teoria da "Grande Substituição" (great replacement theory);
- A acusação de que jornalistas e a mídia no geral são organizações de fake news profissionais;
- O ataque contínuo à expertise científica;
- Políticos populistas, empresários políticos e influenciadores fomentando polarização e desconfiança no establishment.
Sabe-se ainda pouco se a ordem liberal e os valores liberais sobreviverão ao projeto político da extrema-direita populista. Praticamente não vemos mais um Ocidente liberal e democrático, mas sim um conflito entre esse Ocidente e a aliança iliberal e autoritária.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 1)
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
A sociedade civil vem sido esmagada pelo Estado e pelo Mercado.
Vários locais de exercimento de poder para pessoas simples foram deturpados e subvertidos. Tais como:
1. Governos locais;
2. Igrejas;
3. Organizações de comércio;
4. Sociedades cooperativas;
5. Instituições educacionais públicas;
6. Organizações cívicas;
7. Grupos localmente organizados.
Tudo que seja um poder autônomo independente é destruído. Todo corpo intermediário é completamente sabotado. O Estado e o Mercado excluem cidadãos da participação econômica e democrática. Criando um esquema que poderia ser resumido em dois processos:
1. Exclusão da participação política e econômica para a maioria;
2. Enriquecimento massivo e monopolizado para poucos.
Essa fórmula é chamada de "Estado Mercado", onde há uma simbiose entre grandes organizações do mercado (oligopolistas e monopolistas [alta burguesia]) junto com a alta burocracia e políticos do Estado.
É importante observar aqui que se trata do "grande mercado". O "grande mercado" junto ao Estado trabalham para destruir os pequenos comércios ("pequeno mercado" e "mercado médio") e também os interesses dos grupos sociais mais desfavorecidos (dentro os quais os trabalhadores do campo e da cidade). Nessa empreitada, a saudável pluralidade do poder político é deixada de lado em prol da centralização do poder político e econômico nas mãos de poucos.
Na corrida centralizatória, pequenas unidades da participação política democrática são progressivamente abolidas pela centralização do Estado. Do mesmo modo, a alta burguesia vai centralizando e abolindo pequenas unidades de participação econômica.
Se, por um lado, o mercado vai sendo centralizado, destruindo qualquer possibilidade de concorrência e participação plural de múltiplas empresas de tamanho menor. Por outro lado, temos o apagamento da cultura cívica para adentrarmos cada vez mais em uma sociedade pós-democrática de consumismo passivo e aquiescência política.
Tudo isso é tratado como normal, visto que "o mercado premia os mais capacitados" e "só as elites possuem cultura o suficiente para melhorar o país". É evidente que tais frases ignoram que o presente estado político foi uma construção política e econômica deliberada que favoreceu a concentração de poder político e econômico, nada tendo a ver com "meritocracia" ou "ser o melhor na concorrência", visto que a centralização política e a centralização de mercado foram construídos e impostos por oligarquias que se julgam ilustradas.
O próprio Estado de bem-estar social moderno não prioriza a organização descentralizada e dos trabalhadores em suas pautas. Muito pelo contrário, os trabalhadores se tornaram recipientes passivos dos benefícios centralmente planejados.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
Acabo de ler "Philosophy" de Roger Scruton (lido em inglês/Parte 1)
Nome:
Philosophy Principles and Problems
Autor:
Roger Scruton
Para que serve a filosofia? Essa é pergunta é extremamente fundamental e extremamente necessária. Ao mesmo tempo que pode surgir de forma completamente instrumental e carregar outro sentido: eu vou ganhar dinheiro com o estudo da filosofia? Ela também pode apresentar outra questão: para que eu usarei a filosofia em minha vida? Todos esses posicionamentos são relevantes e devem ser considerados.
Existe algo muito interessante na filosofia. A filosofia é inevitável. A filosofia é um saber de marca maior, visto que é um saber que se direciona a todas as coisas. Quando fazemos uma pergunta filosófica, fazemos uma pergunta sobre um determinado conhecimento. Ou seja, a filosofia é um saber sobre um saber. Quando entramos num questionamento sobre a filosofia, sobre a sua utilidade ou sobre a sua natureza, já estamos filosofando. Aí é que mora o perigo: a filosofia pode ser um processo que, na sua maioria das vezes, é inconsciente.
A filosofia é tão universalmente praticada que se esquecem que ela existe até mesmo quando a praticam. E isso faz com que esqueçamos que ela existe, pois ela habita o nosso inconsciente, pois estamos imersos na questão filosófica. O ser humano é, por natureza, um ser filosófico.
Entendermos a razão do mundo, entendermos o que essencialmente estamos buscando, essa é a razão filosófica. A filosofia é a busca de sentido. A busca por um sentido que antecede e justifica a ação que tomamos dentro do mundo. Sem filosofia, nada faz sentido. Tudo vira uma aparência na qual estamos imersos. A razão filosófica é sair das aparências.
terça-feira, 22 de agosto de 2023
Acabo de ler "Historia Mínima de la Guerra Civil española" de Enrique Moradiellos (lido em espanhol)
Escrever sobre um conflito tão exaustivo e marcante nas poucas palavras que o Instagram permite é uma certa espécie de martírio. Porém não falho ao meu compromisso intelectual de estudar e analisar, mesmo que sem a minúcia necessária, o universo hispânico (seja este em sua origem ou em suas variações).
Quem estudar espanhol terá um mundo a se abrir diante de teus olhos. A história de inúmeros países e, igualmente, muitíssimos autores aparecer-lhe-ão em companhia para que amadureça em visão de mundo, relativizando a estreita visão de outrora e abarcando um novo grau de horizonte de consciência. A história marcar-lhe-á a alma a ferro e fogo, para que tu crenças na medida do mar imenso e profundo que desbrava.
A guerra civil espanhola teve uma configuração muito importante. A Alemanha e a Itália estiveram ao lado de Franco, porém a União Soviética manifestou-se a favor do regime republicano. A participação de anarquistas, comunistas (marxistas) e socialistas também foi de suma importância. A neutralidade da Inglaterra e a permissividade da França foram pontos graves.
Tratava-se duma guerra entre um lado tradicionalista (católico e monárquico), de tendências fascistas e outro lado de tendências mais laicas, dominado por uma mentalidade mais própria da modernidade ou até mesmo do socialismo ou do anarquismo. Um lado vendo o outro como intolerável.
Todos já sabemos o fim que levou. A vitória de Franco não seria estrategicamente um grande auxílio ao Eixo (Itália, Japão e Alemanha), todavia afastaria a Espanha duma posição energicamente contrária aos seus interesses. Já a União Soviética, neste tempo ainda sem seu gigantesco arsenal militar, não seria suficientemente capaz de sustentar uma revolução socialista ali com sua baixa capacidade produtiva e produtos fora do padrão de excelência que um dia conquistaria. Mesmo que se possa dizer que outra república socialista ser-lhe-ia de grande ajuda.
Uma luta tão multifacetada, tão demonstrativa das contradições históricas não pode ser ignorada por qualquer um que goste e queira estudar seriamente o mundo.
terça-feira, 11 de outubro de 2022
Acabo de ler "1776" de David McCullough
Uma simples colônia, vendo-se afrontada, decide atacar a força armada mais poderosa do planeta. Com um bando de camponeses famintos, de roupas rasgadas e de nenhum treinamento militar de caráter suficiente, inicia-se uma guerra com um inimigo muito maior e mais bem preparado. Os comandantes dessa operação suicida também não eram homens preparados, tinham até uma formação deficiente na arte da guerra.
Uma história cheia de acúmulos de problemas, que se sucediam um após o outro, não poderia dar certo. Na verdade, teria tudo para dar errado. Em grande parte do tempo, o exército americano simplesmente esteve a fugir e viu toda a sua força desgastada e a sua imagem desmoralizada. Mesmo em uma situação tão adversa, a guerra continuou. Uma batalha não é feita só de fadiga física, ela também se localiza na exaustão psicológica. Muitas vezes se questionou a possibilidade de ir adiante. Muitos queriam rendição, outros eram até mesmo favoráveis à Inglaterra.
Washington, líder revolucionário e comandante da operação, é descrito nesses termos: "Ele não era um brilhante estrategista ou tático, nem um orador talentoso, e também não era um brilhante intelectual". Como é que então um homem tão simples pôde vencer a mais poderosa nação da Terra? A resposta dada pelo autor do livro é: "a experiência foi sempre o seu maior mestre" e também "nunca se esqueceu de tudo que estava em risco, e em momento algum desistiu".
A história dessa guerra é mais do que uma simples leitura da história. Ela é também um convite para a guerra. Ela nos inspira a seguirmos em frente, enfrentando as adversidades com labuta. Pode-se dizer que ela tem um importante núcleo inspiracional e ensina-nos a importância da persistência e coragem, mesmo que nas horas mais inacreditavelmente sombrias.
quinta-feira, 11 de novembro de 2021
Acabo de ler "Qualquer Coisa Serve" de Theodore Dalrymple.





