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domingo, 19 de abril de 2026

Nas Garras do Dragão #6 — Contenção Chinesa: um sonho impossível!

 



Durante muitos anos, a China criou uma estratégia de longo prazo. Essa estratégia tornou as fábricas chinesas indispensáveis para o mundo. Atualmente a China é a única superpotência industrial do mundo.

- China: 4,16 trilhões de dólares 
- Índia: 721 bilhões;
- Alemanha: 845 bilhões;
- Estados Unidos: 2,41 trilhões.

Ou seja, enquanto a China representa 4,16 trilhões, os outros três (Índia, Alemanha e Estados Unidos) representam 4,11 trilhões. 

A economia também é diferente. Os Estados Unidos são o banco do mundo. China é o motor. Recentemente, a China também é detentora das três novas indústrias: veículos elétricos, baterias de lítio e painéis solares. Quanto mais o tempo passa, mais a China domina toda a cadeia de suprimento. Além disso, a China detém grande parte da revolução ecológica.


A China é a fonte primária do que há de mais essencial na tecnologia. Os Estados Unidos, por temerem a perda da sua hegemonia, visam paralisá-la ou contê-la. Como? Por meio de sanções. O problema é que as sanções só funcionam se o alvo for isolado. Tentar isolar a China é como tentar isolar o país que é responsável pelos componentes do seu hospital, da sua telecomunicação e do hardware de suas forças armadas. Paralisar ou conter a China pode ser prejudicial aos próprios aliados dos Estados Unidos.


Enquanto os Estados Unidos e parte do mundo ocidental pensam na estratégia de desacoplamento (retirar a China de suas economias), a China vai criando novas alianças. Houve um longo caminho de parceria com a Oceania e o chamado Sul Global. Hoje em dia, a China é a maior parceria comercial de cerca de 140 países. Se os países tiverem que escolher, escolherão o país que constrói as suas pontes, que lhes fornece seu 5G e que lhes providencia veículos elétricos mais baratos.


Se os Estados Unidos dominam os softwares e a finanças, a China é especialista em produção industrial inteligente. Em 2025, a China exportou cerca 51,1% dos robôs industriais do mundo. Ela produz, ela usa e ela exporta. A China também produz cerca de 60% dos veículos elétricos e aproximadamente 80% dos painéis solares. Com a Rota da Seda, a China leva portos essenciais, trens de alta velocidade e redes de fibra óptica.


A China não precisa vencer uma guerra militar, eles vencerão pela paz. Quando se tem a economia mais eficiente, mais integrada e mais essencial da Terra, a contenção é um sonho impossível. Hoje em dia, a China é a chave da prosperidade para os outros países do mundo. Vivemos numa realidade multipolar.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Nas Garras do Dragão #5 — Guerra de Governança

 


Enquanto a China tem planos para décadas, os Estados Unidos têm planos para o próximo drama político. O sistema político chinês é baseado no planejamento de longo prazo; o sistema político americano é baseado no planejamento de curto prazo. Enquanto a China faz um planejamento cuidadoso para o futuro, os Estados Unidos se envolvem em guerras no exterior e em divisões políticas extremas em seu âmago.


Estamos acostumados a pensar nos Estados Unidos como a maior economia, a nação mais poderosa militarmente e o local da inovação global. Todavia, o que vemos hoje é um espetáculo de guerra fria civil permanente. Enquanto a China constrói uma estratégia dedicada para os próximos dez anos, os Estados Unidos pensam no próximo ciclo eleitoral. A batalha da China contra os Estados Unidos não é militar, tampouco é econômica; a batalha é no estilo de governança.


1- A China faz planos para uma década; os Estados Unidos pensam no que farão no dia:


A diferença governamental é pautada temporalmente. A China sabe o que quer ser daqui a dez anos, cria planos matematicamente precisos, de cinco em cinco anos lança um plano quinquenal, apresenta uma reportagem sobre as condições do país e faz um mapa dos caminhos que ela terá que percorrer. Os Estados Unidos, por outro lado, pensam na próxima tempestade política que terá que sobreviver, sem ter um plano unificado de metas, unicamente reagindo aos problemas.


2- O sistema político dos Estados Unidos está preso em loopings eleitorais:


Se pensarmos na razão do sistema político americano não ter planejamento de longo prazo, podemos pensar na razão mais evidente: os ciclos eleitorais intermináveis. Em vez de terem planejamento e governança, eles estão ocupados em vencer o adversário. Isso gera algo além do populismo, mas há a preocupação constante com cada ciclo eleitoral sem um pensamento sólido ou uma aliança nacional para um plano estratégico unificado.


3- A consistência vence a guerra:


A razão da China vencer não é por causa de um "milagre" ou uma "mágica", mas sim pela consistência do seu sistema de governo. Com um sistema político consistente, o planejamento econômico e a estratégia adotada também são estáveis e consistentes. A estabilidade é a chave da vitória chinesa. Enquanto isso, os Estados Unidos planejam, no máximo, de quatro em quatro anos e suas estratégias atropelam umas às outras.


4- Enquanto os Estados Unidos falam, a China investe no futuro:


Se um projeto é levantado num governo, cabe ao governo seguinte matá-lo. Ou seja, não há continuidade. Se um projeto é benéfico ao país, mas gera vantagem eleitoral para o adversário, cabe à oposição impedí-lo. É assim que funciona o sistema político americano. A China não cresce por acaso, ela cresce por design: eles planejam e cumprem unificadamente, sem os transtornos intermináveis dos ciclos eleitorais e das guerras frias civis infinitas. 


5- Governança como o campo de batalha final:


No fim, a luta entre Estados Unidos e China, tal como apresentada nesse pequeno artigo, não é uma luta puramente econômica ou militar, mas uma batalha existencial entre distintos modelos de governança. No século XX, pensamos na vitória da democracia liberal e no mercado aberto. Todavia, a democracia liberal não é por si mesma uma estratégia. Sobretudo quando essa democracia liberal sofre com guerras partidárias, comportamentos raivosos e estratégias de curto prazo. A China apresenta um modelo alternativo: um sistema de governança baseado na eficiência de longo prazo.

domingo, 12 de abril de 2026

Nas Garras do Dragão #4 — O que de fato ocorre na China?

 


A China é um país que possui um crescimento rápido e uma economia dinâmica. Existe, contudo, uma percepção errônea da mídia anglo-saxã a respeito da China. Muitos dos erros surgem da mentalidade da guerra fria. Vou analisar mitos comuns a respeito da China:


1- A China está reprimindo os seus cidadãos:


Se você quer ter controle populacional, tendo um medo amplo e generalizado a respeito do seu próprio povo, qual seria o melhor meio para isso? Muitos vão apontar para a informação. Um povo bem informado pode destruir um regime.


Acontece que o regime chinês não está desinformando o povo. Muito pelo contrário, a China tem uma população que é amplamente bem-educada e o próprio regime estimula formações cada vez melhores. O povo chinês, sob o regime chinês, está sendo mais bem educado do que já foi em momentos predecessores da sua história. Graças a isso, eles vêm conseguindo habilidades avançadas em pensamento crítico, conhecimento científico e expertise tecnológica. Isso leva a uma enorme vantagem na produção de Inteligência Artificial, tecnologia verde (ecologicamente correta) e em telecomunicações.


Um regime preocupado com impedir o próprio povo de ascender sequer cogitaria planos educacionais tão longos e tão bem-sucedidos ao longo de décadas. Tanto que atualmente é o país com maior número de pessoas em STEM (Science, Technology, Engineering, and Mathematics)[Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática].


2- A China está poluindo o meio ambiente:


Os planos ambientais da China são muito mais respeitosos do que os dos Estados Unidos da América. Os Estados Unidos saíram do Protocolo de Kyoto na administração de Bush e do Acordo de Paris na administração de Trump.


Sim, se olharmos os maiores poluidores, veremos os Estados Unidos, a Europa e a China. Todavia são os Estados Unidos que evitam taxar os galões de gasolina e se recusam a investirem em tecnologia verde. A China, por outro lado, possui o maior programa de reflorestamento do mundo. A China também se destaca como uma das mais inovadoras na produção de energia limpa.


3- Direitos Humanos e Regras do Iluminismo:


Se a China é um ambiente completamente irracional, tal como diz a propaganda ocidental, não há razão alguma para temê-la. Isto é, a China acabaria destruindo a si mesma em seu processo de irracionalidade. Todavia, a análise a respeito da China se divide em propaganda enganosa e em um desacordo com o método de análise proposto pelo iluminismo. Isto é, analisamos mais a China pela lógica da guerra fria do que pelos critérios de racionalidade, calma e objetividade.


O Ocidente tem muitas falas a respeito dos direitos humanos. Na maioria absoluta das vezes, as promessas constitucionais da efetivação de direitos humanos são vazias, visto que não são implementadas na prática por causa da própria estrutura de poder econômico e político. Muitas das vezes, é o mercado que legitima o direito. Isto é, depende da sua capacidade de comprar o direito que deveria valer independentemente do mercado.


Se pensarmos na China e em suas conquistas, vemos que 800 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza. A economia e a política chinesa são focadas nas necessidades básicas. Isto é, acesso à comida, habitação e melhores oportunidades. Garantindo-se a estabilidade e o desenvolvimento econômico, isso cria a possibilidade de uma classe média. Atualmente a classe média chinesa é maior que a população inteira dos Estados Unidos da América.


Se voltarmos ao ponto anterior, vemos que o regime chinês não vê a sua população como inimiga. Muito pelo contrário, os padrões de vida crescem constantemente. Isso não é a declaração vazia de direitos humanos como abstrações que se jogam numa democracia liberal. Muito pelo contrário, a China aproxima-se da efetivação da qualidade de vida como direção política plena.


Se olharmos para números de 2019, vemos que cerca de 139 milhões de chineses saíram da China. Porém, não saíram para "não voltar nunca mais", mas sim como turistas, estudantes e empresários. Eles eventualmente voltaram para a China. Se a China tivesse um regime repressivo, por qual razão alguém voltaria para lá? Eles sequer teriam a possibilidade de sair e voltar. O que vemos é uma população que acredita em seu próprio país, e é por tal razão que voltam.

Nas Garras do Dragão #3 — A Revolução Chinesa do Século XXI

 



Enquanto o Ocidente afirma que a China irá à falência logo logo, a China vem construindo uma nova qualidade de forças produtivas. Esse setor se chama "Hard Tech".


O setor Hard Tech é composto por:

- Chips avançados para computadores;

- Sensores;

- Biotecnologia;

- Robôs industriais.


A China percebeu que uma indústria avançada, composta pelas melhores máquinas e pela tecnologia mais inteligente, era o melhor caminho.


Hoje em dia, a China tem a capacidade de diminuir preços para vencer no mercado. Essa estratégia é chamada de "Anti-Involução". Um nome para produção massiva. Isso pode parecer estranho, mas vemos que a China domina 80% dos painéis solares e 69% das baterias. Embora os ocidentais chamem isso de "sobrecapacidade", os chineses usam o gigantesco mercado interno para a contínua elevação da qualidade dos produtos. Outro fator interessantíssimo é a capacidade de deter todo o processo de produção. Isso é chamado de império vertical ou integração vertical. 


O investimento em IA na China também é diferente da estratégia dos Estados Unidos. A China está focada na IA industrial, isto é, uma forma de fazer o mundo "rodar" melhor. IAs que atualmente fazem algo, IAs de aplicação direta. Isso gera uma logística melhor e fábricas inteiramente autônomas. No ano de 2025, a produção de robôs industriais chegou a quase 30%. A China vem criando máquinas que são capazes de aprender, de se adaptar e de trabalhar juntas numa escala de 24/7. Tudo isso sem erros humanos. Isso vem tornando a produção mais rápida, melhor e mais barata.


Essa vem sendo a realidade da nova líder global. Ela vem se tornando uma superpotência high-tech. Ela vem abaixando o preço de vários produtos. Controlando todas as cadeias de suprimento e criando uma IA focada na produção. Enquanto o Ocidente cria várias teorias da conspiração a respeito da China e decai em sua própria sanha especulacionista, a China reinventa a si mesma e traz ao mundo uma revolução que a tornará a nova líder global.

sábado, 4 de outubro de 2025

Nas Garras do Dragão #2 — Sistema Político Chinês


Aviso: optei por fontes em inglês por elas terem um padrão referencial melhor e mais abundante. Se os termos empregados aqui não baterem com a tradução oficial, saiba que foi graças a minha tradução amadora.


— A estrutura do poder chinês é dividida em:


1. Presidente;

2. Congresso Nacional do Povo;

3. Conferência de Consulta Política do Povo Chinês;

4. Suprema Corte do Povo;

5. Suprema Procuradoria do Povo;

6. Comissão Militar Central do Estado;

7. Conselho do Estado;

8. 28 ministros e comissões.


— Sistema Partidário Chinês:


O sistema chinês não é multipartidário e nem unipartidário, mas sim um sistema multipartidário de cooperação com a liderança do Partido Comunista Chinês. Esse sistema apresenta oito partidos além do Partido Comunista Chinês:


1. O Comitê Revolucionário Chinês de Kuomintang;

2. A Liga Democrática da China; 

3. A Associação Nacional de Construção Democrática da China;

4. A Associação da China para Promoção da Democracia;

5. Partido Democrático dos Camponeses e Trabalhadores Chineses;

6. O Partido Zhi Gong da China;

7. A Sociedade Jiusan;

8. Liga de Autogoverno Democrático de Taiwan.


— Função do Congresso Nacional do Povo:


O Congresso Nacional do Povo tem as seguintes funções:

1. Legislativa;

2. Apontamento e retirada de oficiais;

3. Tomada de Decisão;

4. Supervisão.


— Eleição:


A eleição na China funciona mais ou menos assim:


Votante (Eleição Direta) > Representantes das Assembleias Populares de Nível Base (Vota) > Representante das Assembleias Populares de Nível Médio (Vota) > Representante da Assembleia Popular Nacional.


— Estrutura Organizacional do Partido Comunista Chinês:


O Partido Comunista Chinês possui a sua própria organização interna. Há dois anos atras, o número de seus membros era de 96,7 milhões de membros.


Os membros podem ser vistos em três diferentes setores:


1. Serviço Civil;

2. Empresas controladas pelo Estado;

3. Organização social.


Cada membro do Partido Comunista está dentro de um sistema de level:


1. Nível de entrada e treinamento;

2. Senior funcional;

3. Nível de chefe de setor;

4. Diretor geral;

5. Ministro/governador;

6. Polituburo/conselheiro.


O Comitê Central analisa:

1. A performance dos seus membros;

2. Investiga a conduta pessoal;

3. Faz pesquisas de opinião pública;

4. Promove os melhores;

5. Só os melhores entrarão na alta burocracia;

6. Poderão administrar distritos com milhões de pessoas ou gerenciarem empresas multi-milionárias;

7. Todo esse processo demora duas ou três décadas.


Com seu sistema altamente meritocrático, podemos ver a passagem:

5. Congresso Nacional do Partido, com 2296 membros;

4. Comitê Central, com 360 membros;

3. Politburo, com 25 membros;

2. Comitê do Politburo, com 7 membros;

1. Secretário Geral, com 1 membro.

Nas Garras do Dragão #1 — Socialismo de Mercado




Já era hora de analisar diversas fontes e trazer, para o debate público nacional, mais informações sobre a China. Vou visar pegar informações de diferentes fontes, para depois compará-las. 


— Como a China combina Socialismo e Mercado?


Socialismo e princípios de mercado são centrais no que chamamos de socialismo de mercado. Esse sistema permite mecanismos de mercado funcionando dentro de um framework dominado pela propriedade pública e controlada pelo Estado. O objetivo central é o desenvolvimento do socialismo que se beneficia da eficiência do mercado. O Estado mantém o controle dos setores-chave e dos recursos, logo a propriedade pública é central.


O Estado é dono de todas as terras e tem significante porcentagem de investimento nas maiores empresas do país. Empresas privadas operam com os guias estabelecidos pelo Estado e o Partido Comunista.


Essa mudança de modelo ocorreu nos anos de 1970 com a liderança de Deng Xiaoping. Deng alterou o foco estrito do planejamento central para um modelo econômico mais pragmático, usando mecanismos de mercado para aumentar a produtividade.


Basicamente, o governo chinês estabelece metas estratégicas para a economia e intervém quando necessário. A competição de mercado é encorajada para alocar recursos e para promover inovação. Esse sistema econômico híbrido permite uma direção de crescimento econômico ao mesmo tempo que possibilita olhar as desigualdades e instabilidades.


O controle do Estado permite um direcionamento da riqueza para o desenvolvimento social e para promover o Estado de bem-estar. Ele também é uma prova que o socialismo pode se adaptar as condições correntes e fazer uma efetiva implementação. O socialismo de mercado é visto como uma fase preliminar do socialismo, ele permite princípios de mercado ao lado de propriedades públicas. Ele distancia a China de economias capitalistas, ao mesmo tempo que prioriza a maximição de objetivos sociais.