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sexta-feira, 17 de abril de 2026

ATENÇÃO: o termo PANELEIRO não é nada do que VOCÊ ou a POLÍCIA pensam!


Gostaria de ilustrar o quanto termo "paneleiro" para se referir só a grupos de channers que cometem crimes não faz sentido algum. O termo surgiu para designar pessoas que saíam dos imageboards (chans) para se encontrarem em locais como o antigo MSN, Skype, Facebook (como a Panelinha do Bananal) ou até mesmo fóruns (como o Vale Tudo da UOL). 


Existem vários grupos de channers que se reúnem pelos mais diversos propósitos. Eu mesmo estou num grupo de channers que conheci no 4chan que se chama "Chickn Frens", cuja dona é uma americana de 20 anos (ou mais) e só existem conversas casuais. E também em outro grupo chamado "Orgia Guarani", de channers que se vestem de mulher e falam sobre isso.


Para ser mais exato, aquilo que vocês chamam de "paneleiros", na verdade são "padogoleiros" (paneleiro + dogolachan). Eles não são continuadores do legado reptarista (Reptar, criador da Panelinha do Bananal), mas surgiram quando o segundo 55chan deixou servidores do Discord abertos para jogos online em servidores piratas. Ou seja, eles sequer fazem parte da tradição paneleira. Quando surgiram os padogoleiros, a tradição paneleira já havia sido criada há muito tempo e tinha quase total autonomia e cultura própria.


Podem existir os mais variados tipos de "panelinhas" entre os channers. Tal como existem chans de mulheres (magalichan), chans de esquerda (leftypol) ou chans dedicados a assuntos de nicho (como tohou). 


Pedi pro ChatGPT para ilustrar meu ponto. E ele desenhou uma imagem. Nela há um policial falando com uma drag queen. O policial pergunta: "Então você é um paneleiro?". E a drag queen respnde: "Sim". Aí o policial retruca: "Qual atividade seu grupo perigoso faz?" E a drag queen responde: "Somos uma panela especializada em se vestir de mulher." Isso ilustra o quão bobo, confuso e enganoso é ficar chamando "panelinha" de grupo criminoso e "paneleiro" de criminoso.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Acabo de ler "Teologia do Domínio" de Eliseu Pereira (Parte 7 - Final)

 


Nome:

TEOLOGIA DO DOMÍNIO: UMA CHAVE DE INTERPRETAÇÃO DA RELAÇÃO EVANGÉLICO-POLÍTICA DO BOLSONARISMO


Autor:

Eliseu Pereira


Creio que descobrimos, tarde demais, a triste ligação do movimento evangélico brasileiro com a Teologia do Domínio. Por mais que, nessa altura do campeonato, queiramos mudar alguma coisa, o poder evangélico é crescente e sobe até mesmo quando setores progressistas da sociedade estão no poder.


Como observado no artigo:

Embora a história da formação dos EUA seja distinta da brasileira, a maioria das igrejas protestantes e evangélicas no Brasil é de origem estadunidense, o que cria vínculo teológico-ideológico entre as igrejas de ambos os países. Essa influência pode ser observada desde o início, como, por exemplo, o envolvimento dos evangélicos brasileiros na luta pela Proclamação da República e pela liberdade religiosa, contra a religião oficial do Império. Os ideais políticos dos EUA já se apresentavam como vantajosos para os evangélicos nativos.


Foi graças a integração entre evangélicos norte-americanos e evangélicos brasileiros que esse último grupo chegou ao protagonismo político. Os anseios de evangélicos norte-americanos para com o Brasil é bem longo e seu projeto no território nacional possui um passado longínquo. Todavia apenas em tempos recentes eles conseguiram estabelecer um poder político notório que muito dificilmente acabará.


A Teologia do Domínio não faz distinção entre o velho testamento e o novo testamento. A aplicação da Bíblia deve assumir uma postura literal. E muitos evangélicos brasileiros creem que estão numa cruzada do bem contra o mal. A derrota de Donald Trump, nos Estados Unidos, Bolsonaro, no Brasil, não demonstram que a Teologia do Domínio foi derrotada em solo americano e brasileiro, mas que estão diante de um pequeno impasse histórico a ser superado.


A ideia de teonomia é, também, uma questão escorregadia. Garantir uma minimização do Estado para que os cristãos tomem poder parece uma ideia boa a curto prazo para determinados grupos cristãos, mas como eles podem prevenir que outros grupos atuem livremente dentro de suas propriedades privadas? Só um crescente poder estatal é capaz de fazer cumprir os anseios teocráticos de reprimir os adversários da Teologia do Domínio.


A Teologia do Domínio, apesar de abarcar distintas visões cristãs, não é capaz de assegurar essa "liberdade" que alguns setores cristãos querem. Ela logo implicaria uma unidade doutrinal entre os cristãos, sobretudo quando estes assumirem de vez o poder do Estado e precisarem dele para reprimir os seus opositores. Logo a liberdade de culto não seria possível, visto que essa se sujeitaria a Teologia do Domínio em todas as igrejas.


Ninguém assume explicitamente a Teologia do Domínio. Seus defensores não professam os seus planos. Corremos risco de ver processos de desdemocratização consubstanciados com processos de teocratização. Como ninguém quer encarar essa "maioria crescente" – optando até por fortalecer o seu poder de tempos em tempos –, o Brasil – e os Estados Unidos – corre um forte risco.