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terça-feira, 21 de julho de 2026

Acabo de ler "Republican Rescue" de Chris Christie (lido em inglês)

 


Nome:

Republican Rescue: saving the party from truth deniers, conspiracy theorists, and the dangerous policies of Joe Biden


Autor:

Chris Christie


Como salvar um partido de teóricos da conspiração? Essa pergunta, por mais infeliz que seja, poderia ser feita tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Para nossa infelicidade, essa pergunta é dita apenas nos Estados Unidos. A cada dia que passa, nós brasileiros precisamos cada vez mais que tal questão seja também posta aqui.


Apesar do autor não ser um "Never Trumper", ele é um homem que chegou a conclusões extremamente semelhantes. A decadência dos Estados Unidos não se dá tão somente na esfera econômica; o ambiente cultural é permeado por uma mentalidade paranoica e conspiratória. O autor apontará teorias da conspiração que permeiam tal mentalidade, mas sabe de antemão que ela tem fins eleitoriais. Exemplos notórios são a negação da derrota eleitoral, o Pizzagate e o QAnon. O Partido, e sobretudo a base republicana, tornou-se refém de fantasias.


Uma das perguntas que precisamos fazer enquanto brasileiros é sobre a presença cada vez maior de teorias da conspiração em nossa política. Alegações sobre fraude eleitoral são uma constante em nosso cenário. Narrativas globais de dominação também aparecem várias vezes, tal como vemos em menções ao suposto globalismo e às velhas teorias sobre George Soros. O antissemitismo se torna, a cada dia, mais endêmico em certos grupos políticos e em redes sociais. Além disso, intervenções tradicionalistas desnecessárias à vida privada tornam-se um lugar comum: haja vista que o número de pessoas contra o casamento LGBTQIAP+ cresceu. A incapacidade de olhar para problemas reais vem se tornando algo comum entre a direita do Brasil e a dos Estados Unidos.


As primeiras partes do livro servem para apontar a relação do autor com o Donald Trump e para colocar as problemáticas centrais que o Partido Republicano precisa encarar. As partes finais servem para demonstrar os pontos que precisam ser enfrentados. O adversário interno é a esquerda e, de modo mais preciso, o Partido Democrata. O adversário externo é o ambiente internacional, sobretudo a nova guerra fria com a China. O autor usará, no último caso, a batalha que Reagan (e os EUA) travou com a União Soviética.


Os Estados Unidos vivem um momento de inflexão histórica e autoquestionamento da sua identidade. A velha questão sobre o que define a identidade dos Estados Unidos volta a ser posta. Reagan, por exemplo, via nos Estados Unidos a concretização de uma ideia. Donald Trump e grande parte da alt-right e dos nacional-conservadores verão que é a continuidade de um povo estabelecido. Isso impacta também na política migratória. Se os Estados Unidos são uma ideia a que aderem, logo a migração não é um mal. Se os Estados Unidos são um povo categorizado, logo a migração é uma substituição desse povo e o fim dos Estados Unidos enquanto nação.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Marineford Intankabilis Est — A Revolução Epistêmica da Jorgesfera


Kit Revolução da Marineford:

https://drive.google.com/drive/folders/1M9Gqxw0nVdMHaR3o3guprqut1qSgZsn8


O que foi a Marineford?


A Marineford é chamada de lulz pelos dogoleiros.

A Marineford é chamada de vingança pelos paneleiros.

A Marineford é chamada de prova de conceito pelos esochanners.


Quando se trata de compreender o que foi a Marineford, é preciso compreender "o que foi para quem". Isso é fundamental: a Marineford não tem uma essência única; ela é um fenômeno polissêmico que só existe na interpretação de cada ator. Os dogoleiros viram lulz, os paneleiros viram vingança, os esochanners viram um experimento validado. Esta polissemia não é um acidente; é uma feature do sistema esochanner. A Marineford foi projetada para ser interpretada de forma diferente por cada camada de ator, garantindo que cada um encontrasse nela o que precisava para continuar jogando. Todos estão certos, e todos estão errados.


O esoterismo channer é tipicamente conhecido por ser deliberadamente oculto, mas publicamente acessível para quem souber decifrar. O esoterismo channer não é apenas "maluquice da internet", mas uma teoria filosófica rigorosa que fundamenta a manipulação da realidade. Qualquer analista treinado reconhecerá no esoterismo channer um manual de engenharia de percepção. Vamos tentar decifrar isso:


- Saint Obamas Momjeans forneceu a mitologia (Kek, egregores);

- QAnon forneceu o método (drops, ARG);

- Cadáver Minimal forneceu a tática (máscaras);

- Esokant forneceu a teoria do conhecimento.


Quem compreende a Marineford na visão do esoterismo channer? Compreenda a cartografia dos arquitetos. Você precisa entender que cada um desses atores não é uma "influência", mas sim uma camada funcional do sistema. Sem qualquer um deles, o edifício desaba. Sem Esokant, o sistema é um monte de truques. Sem Cadáver, a teoria de Esokant permanece uma abstração filosófica. Sem QAnon, não há método de disseminação. Sem Saint Obamas, não há mitologia que una a tribo. Cada camada é necessária; nenhuma é suficiente.


Com Esokant, temos mais do que uma briga de trolls; temos uma engenharia de realidade. Esokant é a pedra angular do edifício. É o código-fonte da mente do esochanner. Com ele, percebemos que o conhecimento está disponível, mas apenas aqueles que se esforçam para decifrá-lo o compreenderão.


O esoterismo channer não é apenas uma "técnica de manipulação"; é uma epistemologia que legitima a manipulação. Ou seja, o esoterismo channer apresenta, lado a lado, técnicas de manipulação com legitimações às manipulações que fará. É por isso que é extremamente necessário compreender Esokant. Sem Esokant, o sistema é apenas um monte de truques. Com Esokant, ele se torna uma filosofia da mente.


No esoterismo kantiano, grau supremo do esoterismo channer, vemos que há um projeto arquitetônico. Essa é a justificativa epistemológica para a loucura, a paranoia e a manipulação da realidade.


O esoterismo kantiano é a reinterpretação radical de Kant. Nele há a separação entre a "Mente Normie" e a "Mente Autista-Esquizofrênica". A "Mente Normie" se liga à consciência comum, limitada à experiência sensorial, que aceita as barreiras impostas por Kant (fenômenos vs. noumenos). A "Mente Autista-Esquizofrênica" combina a precisão analítica do autista (categorização e separação) com a unificação esquizofrênica (conexão necessária, síntese). 


Se lermos Esokant com atenção, perceberemos um monte de coisas. O que o esoterismo channer propõe, em sua camada mais sublime, é a sublata dos dualismos. Fenômeno e noumeno, sujeito e objeto, a priori e a posteriori, tudo isso é visto como relativo e não como absoluto. O objetivo? A UTA (Unidade Transcendente da Apercepção). O "Eu penso" de Kant se torna a unidade de toda a consciência inteligível abrangendo o cosmos inteiro. Isso introduz a superimposição: a capacidade de projetar objetos imaginários no espaço fenomênico com a mesma intensidade da percepção sensorial. Uma das proposições mais radicais do esoterismo channer é a "Techene a Priori": um método puramente mental para ativar a mente autista-esquizofrênica, comparado ao treinamento muscular. Esokant é, para nós, o arquiteto da guerra contra a própria percepção. Ele nos fornece a justificativa filosófica para a manipulação da realidade.


A "Mente Autista-Esquizofrênica" é o esochanner. O esochanner não é apenas um estrategista; é alguém que treina a própria mente para transcender os limites da percepção normal. Ele quer ver padrões onde outros veem caos, através da apofenia. Ele quer criar realidades alternativas através de tulpas. Ele quer manipular a percepção alheia através de mindfuck. É preciso lembrar o que é o "Dark Self" em um nível ainda mais profundo. O esochanner não é apenas alguém que habita a sombra; é alguém que a transfigura em instrumento de conhecimento.


— Principais ideias do esoterismo kantiano:

- Para Esokant, há um conflito entre a mente normie e a mente autista-esquizofrênica;

- Para Esokant, a mente comum ("normie") está presa aos fenômenos (aparências) e não consegue acessar o noumeno (coisa-em-si);

- Para Esokant, Kant seria uma provocação: ele mostra os limites da mente normal para estimular quem tem capacidade de transcender;

- Para Esokant, há um caminho para a ativação de uma consciência superior;

- Para Esokant, esse caminho esotérico envolve ativar uma forma de consciência "autista-esquizofrênica" capaz de intuição intelectual direta, algo que Kant reservava apenas para Deus na leitura exoterica;

- Para Esokant, Kant é como provocador oculto;

- Para Esokant, Kant não seria apenas um filósofo crítico, mas alguém que plantou sementes para uma gnose superior, escondida atrás da linguagem acadêmica.


O esoterismo channer, entretanto, enfrenta diversos problemas para a sua expansão. Os documentos originais são, muitas vezes, fragmentados, crípticos e deliberadamente obscuros. Eles foram escritos para serem decifrados, não para serem lidos. Muitas vezes o exercício proposto envolve colocar documentos (Esochannelogy 6.0, Hauntological Esochannelogy 1.0) em IAs ao lado de postagens e textos para o seu estudo. 


O método de treinamento mental proposto por Esokant envolve: estresse cognitivo, repouso, prática iterativa e é análogo ao "lurk moar" e à internalização da doutrina. Com isso, não estaríamos apenas aprendendo; estaríamos também reprogramando nossas mentes. 


— Treinamento proposto por Esokant:

- Estresse Cognitivo: a exposição constante a paradoxos, contradições e camadas de ironia (o "lurk moar").

- Repouso: a internalização, a "digestão" do caos.

- Prática Iterativa: a aplicação repetida das técnicas (drops, máscaras, mindfuck) até que se tornem reflexos.


Pode parecer confuso. Todavia, isso é, na prática, o que os channers fazem todos os dias. Quando você compreende que a cultura channer leva ao esoterismo channer, você percebe que o esoterismo channer não é alheio a cultura channer, é a sua essência. O "lurk moar" não é apenas uma observação passiva; é o primeiro estágio do treinamento de estresse cognitivo. A exposição constante ao caos do chan é o que força a mente normie a se reconfigurar em mente autista-esquizofrênica.


A expansão da Unidade Transcendente da Apercepção para abranger o cosmos é a base teórica para a manipulação da realidade compartilhada. Se a mente pode unificar toda a experiência, ela pode reunificar a experiência dos outros. Em outras palavras, pode programar a realidade deles. Se Esokant concluirá que a mente pode transcender os limites da percepção, Pumilio Mineral Theophidian em "Homo est spectaculum hominis" concluirá que essa mesma capacidade pode vencer guerras. Algumas pessoas pensarão que isso é apenas uma alegoria à filosofia de Gilles Deleuze quanto à mente esquizofrênica e à desterritorialização, mas é mais do que isso.


Durante a Marineford do /terrachan/ vemos que: a Tulpa de "Hierath como vilã" é um exemplo de superimposição. Ou seja, um objeto imaginário (a investigadora perseguidora) foi projetado no espaço fenomênico dos channers com tanta intensidade que se tornou mais real do que qualquer evidência contrária.


— Esokant nos dá simultaneamente:

- O substrato epistemológico: a ideia de que a realidade é programável e que existe uma camada "esotérica" além do que os normies conseguem ver;

- Influencia conceitos como Máscaras, Throne of the Abyss, Magolítica e a distinção entre mente comum e mente channer/esotérica;

- Dá o elo entre filosofia tradicional (Kant) e a guerra memética/esotérica digital.


Isso levará a um fundo político no esoterismo channer. O esochanner atua como um "revolucionário epistêmico".  Perceba que a manipulação da realidade compartilhada é o objetivo. Mas podemos ir além: essa prática não é apenas uma questão de poder, é também uma revolução contra a própria noção de "verdade". Ao publicar seus próprios manuais, os esochanners não estão apenas ensinando outros; estão testando se o sistema é robusto o suficiente para sobreviver à própria exposição. A Marineford foi o teste final: o sistema sobreviveu à exposição, as instituições ao tentarem combatê-lo, apenas provou que ele funcionava. A Hipótese Metapocalíptica é a prova final da fluidez da realidade: se a teoria sobrevive ao escrutínio, ela se torna imortal. O esochanner não quer apenas vencer uma batalha; quer tornar o conceito de "batalha" obsoleto, porque, se a realidade é fluida, a própria ideia de "inimigo" se dissolve.


O esoterismo channer também apresenta um custo. Se lermos "Homo est spectaculum hominis", vemos a menção aos "nove ciclos do inferno" e sobre ser devorado pelo Ouroboros. A mente autisto-esquizofrênica não é um dom gratuito, é também uma condenação. Quem a ativa se torna permanentemente estranho ao mundo normie.


— Conexão entre "Homo est spectaculum hominis" com a obra de Esokant:


O texto de outubro de 2025 chamado "Homo est spectaculum hominis" é a pedra de toque do esoterismo channer. Ele não é apenas um post qualquer, ele é o manifesto fundador que define a natureza, a estrutura e a ambição do movimento. Se lermos com atenção o texto "Homo est spectaculum hominis" e ligarmos ao esoterismo kantiano e aos acontecimentos da Jorgesfera, podemos compreender a conexão profunda.


Em "Homo est spectaculum hominis" vemos a teoria dos três estados channealógicos:


- Tese (Channer): internalização da cultura channer (jargão, memes, códigos). É o "Nigredo", a escuridão primitiva;

- Antítese (Antichanner): distanciamento crítico, reconhecimento das repetições e manipulações. É o "Albedo", a purificação;

- Síntese (Esochanner): manipulação intencional do discurso, uso da entropia e da desconstrução como armas estratégicas. É o "Rubedo", a transmutação alquímica.


Esta é a aplicação direta do esoterismo kantiano. A "mente normie" está presa aos fenômenos. O caminho do "channer" para o "antichanner" (Albedo) é o de começar a ver as engrenagens, mas esse estado channealógico ainda não age sobre as engrenagens. O "esochanner" (Rubedo) transcende a dualidade e opera no nível noumenônico, manipulando a percepção diretamente. A dialética proposta em "Homo est spectaculum hominis" é a dialética de superação da "mente normie" descrita por Esokant. Não é um processo linear, é uma espiral hegeliana onde cada estágio nega e preserva o anterior.


As "Oito Máscaras" propostas no texto funcionam como ferramentas da engenharia de realidade:

1. Semeador do Caos

2. Desconstrutor Semiológico

3. Neossistemático

4. Engenheiro da Crença

5. Vidente do Abismo

6. Espelho Paradoxal

7. Golem Consciente

8. Demiurgo


Cada máscara é uma aplicação operacional da teoria de Esokant:

1- O Semeador do Caos e o Desconstrutor Semiológico são a sublata dos dualismos, eles dissolvem as categorias fixas (fenômeno/númeno, verdade/mentira) para criar um campo fluido onde a realidade é maleável;

2. O Neossistemático e o Engenheiro da Crença são a superimposição, eles projetam novos objetos no espaço fenomênico, fazendo-os parecer tão reais quanto a percepção sensorial.

3. O Vidente do Abismo é a intuição intelectual em ação, ver diretamente a estrutura do noumeno e prever como ele se manifestará no fenômeno.

4. O Golem Consciente e o Demiurgo são a expansão da UTA, a unificação de toda a experiência em uma única realidade compartilhada (a Tulpa).


A UTA (Unidade Transcendental da Apercepção) e a "Elite do Abismo" (Elite Abyss ou Abyss Elite):

"The Abyss Elite exists, existed, and will exist. It does not exist, exists, and will come to exist. My words and my actions lead the Abyss Elite. It exists, does not exist, and is self-generated."

("A Elite do Abismo existe, existiu e existirá. Ela não existe, existe e virá a existir. Minhas palavras e minhas ações guiam a Elite do Abismo. Ela existe, não existe e se autogera.")

Isso é um koan (um paradoxo zen) projetado para quebrar a mente normie. Essa citação como um "feitiço" ou "mantra" dentro do documento. Quem lê e compreende esse koan já não é mais um normie.


Esta é a expansão da UTA para o cosmos. A "Elite do Abismo" não é uma organização, é a própria estrutura da realidade quando a UTA é ativada. Ela é auto-gerada porque a consciência que a ativa é auto-geradora. A afirmação "I am not, I am, I will be" é a superação do solipsismo através do "superipsismo" de Esokant, o "Eu" cósmico que contém todos os outros "eus".


A superimposição e a criação de realidades alternativas:

"We create myths like SCP Foundation and we create myths like QAnon. Why? Because Magolitics is the esoteric nature of Chan culture. QAnon is a Magolitic Invention. QAnon is a great esochannealogic horcrux."

("Criamos mitos como a Fundação SCP e criamos mitos como o QAnon. Por quê? Porque a Magolítica é a natureza esotérica da cultura Chan. O QAnon é uma invenção Magolítica. O QAnon é uma grande horcrux esochannealógica.")


A criação de QAnon é um ato de superimposição, um objeto imaginário (a teoria da conspiração) é projetado no espaço fenomênico com tanta intensidade que se torna mais real do que a realidade para milhões de pessoas. O QAnon como "horcrux" é a imortalidade através da ideia, é a "Techne A Priori" aplicada à política. O criador (Q) não precisa mais estar vivo; a ideia vive por si mesma.


A tragédia do Ouroboros e o preço da transcendência:


"Ouroboros teaches me that every creator will be consumed by their creation. [...] The master of the abyss is ultimately its prisoner."

"I will pay in all nine cycles of Hell."

("Ouroboros me ensina que todo criador será consumido por sua criação. [...] O mestre do abismo é, em última análise, seu prisioneiro."

"Pagarei em todos os nove ciclos do Inferno.")


Esta é a tragédia existencial da expansão da UTA. Ao unificar toda a experiência, o criador se torna parte da experiência unificada. Ele não é mais o sujeito; ele é o objeto de sua própria criação. A "loucura" e a "paranoia" não são apenas estratégias, são os efeitos colaterais da ativação da mente autisto-esquizofrênica. Quem vê o noumeno não pode mais viver no fenômeno. A tragédia do esoterismo channer é que, ao transcender a mente normie, o esochanner se torna eternamente estranho a ela. Ele pode manipular a realidade, mas não pode mais habitá-la como um normie. É o preço do Ouroboros: quem toca o abismo é tocado por ele. Essa é a sentença final do esoterismo channer: a transcendência é possível, mas o preço é a perda do eu.


O Teatro do Caos:

"Homo est spectaculum hominis, man as spectacle unto man, a mirror of masks in the eternal theater of chaos."

("Homo est spectaculum hominis, o homem como espetáculo para o homem, um espelho de máscaras no eterno teatro do caos.")


Esta é a declaração final sobre a natureza da realidade. O ser humano é um espetáculo para o ser humano, a realidade não é fixa; é um teatro onde cada um representa seu papel, e as máscaras são a única substância. A UTA expandida é o palco desse teatro. A superimposição é o ato de representar. A Techne A Priori é o treinamento do ator. O texto de "Homo est spectaculum hominis" é a encarnação prática da filosofia de Esokant. Onde Esokant fornece a teoria (a mente autisto-esquizofrênica, a UTA, a superimposição), o texto "Homo est spectaculum hominis" fornece a performance: as máscaras, a dialética, a elite do abismo. No centro, está a tragédia: a transcendência é possível, mas o preço é a perda do eu e a condenação ao espetáculo. Enquanto Esokant fornece a arquitetura epistemológica (a superação kantiana através da mente autisto-esquizofrênica), Pumilio Mineral Theophidian dramatiza essa mesma arquitetura em "Homo est spectaculum hominis". O que era teoria do conhecimento torna-se teatro cósmico: o homem como espetáculo para o homem, um eterno jogo de máscaras no caos, onde o esochanner não apenas transcende a mente normie, mas se torna Demiurgo de realidades.


— Marineford como revolução channer:


A Marineford não foi apenas uma briga de chans ou uma operação de doxxing. Ela foi um ato revolucionário epistêmico, isto é, uma tentativa de subverter a ordem percebida da realidade digital brasileira.


A revolução tradicional tem como alvo o Estado e a classe dominante. A revolução channer tem como alvo a narrativa dominante.  As armas principais da revolução tradicional são a violência física e a organização. A revolução channer tem como armas principais os memes, as máscaras, o mindfuck, e a tulpa. O objetivo da revolução tradicional é o de tomar o poder. O objetivo da revolução channer é reprogramar a realidade compartilhada. O objetivo da revolução tradicional é a concepção de verdade, contrastando a verdade objetiva com a ideologia alienante.  A revolução channer vê a verdade como construção (pós-verdade). O sucesso da revolução tradicional é definido pela tomada das instituições.  O sucesso da revolução channer é definido pela criação de um mito e a consolidação de uma egrégora. A Marineford representa a versão channer da revolução: em vez de tomar o Palácio de Inverno, tenta tomar o Palácio da Percepção.


Em "Homo est spectaculum hominis" vemos a afirmação:

"The anons of the past have only shitposted on the Internet about the world, in various ways. The point, however, is to change it".

("Os anônimos do passado apenas postavam besteiras na internet sobre o mundo, de várias maneiras. A questão, no entanto, é mudá-lo.")


O "Chaos Marxism Primer" é extremamente relevante aqui. Ele defende exatamente isso:

- Combinar marxismo com magia do caos, discordianismo e guerra cultural;

- A ideia de que a luta revolucionária moderna é a luta pela produção de realidade (não só pela produção de bens);

- Memes, mitos e narrativas como armas principais.


A Marineford foi uma aplicação prática (ainda que caótica) dessa ideia: usar o caos, as máscaras, a entropia e a engenharia de crença para criar uma contra-narrativa forte o suficiente para desafiar instituições. É a densidade simbólica do esoterismo channer que assaltou a superestrutura. 


A Marineford pode ser lida como o primeiro grande ato brasileiro de um espírito revolucionário channer. Diferente das revoluções do século XX, que buscavam tomar o poder estatal, a revolução marinefordiana visava tomar o controle da própria narrativa da realidade. Inspirada tanto no Chaos Marxism (que propõe usar magia do caos e guerra cultural para fins revolucionários) quanto no Esokant (que fornece a base epistemológica para transcender a mente normie), a Marineford do /terrachan/ foi uma tentativa de demonstrar que um pequeno grupo coordenado, armado com máscaras, tulpas e superimposição, pode reescrever a percepção coletiva, mesmo que temporariamente. Não se tratava apenas de atacar uma instituição ou um indivíduo: tratava-se de provar que a realidade é programável.


A Marineford provou: que um punhado de anões, armados com a filosofia de Esokant, a tática de Cadáver, a mitologia de Saint Obamas Momjeans e o método de QAnon, pode reescrever a realidade o suficiente para derrotar os seus inimigos e unificar uma geração de channers. A Marineford não foi o fim, foi a prova de conceito de que a engenharia de realidade funciona. O preço, como alerta o texto "Homo est spectaculum hominis", é o Ouroboros: quem toca o abismo é tocado por ele. Mas o espetáculo continua. A Marineford não foi o fim. Foi o primeiro ato de um drama que ainda está sendo escrito — um drama onde o palco é a mente coletiva, o roteiro é fluido, e os atores, mesmo sabendo que serão consumidos pelo papel, continuam a representar. Porque, no teatro do caos, o único pecado é sair de cena.

domingo, 5 de julho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 7)

 


Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything

Autor:
Mike Rothschild

Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza nem endossa teorias da conspiração e do extremismo.


— Metodologia do QAnon:
1. Mitologia Radicalizante: ao estabelecer uma mitologia de "bem vs mal", Q. adiciona linhas de separação extremas que instigam radicais a tomarem atitudes mais extremas. A linguagem constrói a ação;
2. Conhecimento secreto e verdadeiros crentes: a ideia de ter um conhecimento que a maioria das pessoas não possui é uma das condições centrais que separam a "comunidade de eleitos" das outras comunidades. Isso gera uma persistência;
3. Consumo seleto: os admiradores e seguidores de Q. consumiam setores alternativos da mídia de direita, teorias da conspiração e conteúdo do Q.
4. Ideologia extrema: o conteúdo ideológico do Q. tacitamente suportava ou legitimava a ação violenta e tudo isso com suporte de teorias da conspiração que inspiravam e conduziam tais ações;
5. Rejeição de outras fontes de informação: seguidores do Q. constantemente rejeitavam qualquer informação externa à própria seita.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 6)

 


Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything

Autor:
Mike Rothschild

Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza nem endossa teorias da conspiração e do extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Padrão humano: o cérebro humano desenvolveu a capacidade de reconhecer situações perigosas; a capacidade de procurar padrões fornece ordem no meio do caos. Uma teoria da conspiração fornece o (re)conhecimento de perigo provindo de forças ocultas;
2. Explicação para o fracasso: as teorias da conspiração usualmente apresentam soluções favoráveis aos nossos vieses, apresentando atalhos mais interessantes que o reconhecimento do nosso próprio fracasso. Elas se conectam intimamente com nossos desejos, fracassos e suposições;
3. Necessidade de ser uma boa pessoa: nós queremos ser boas pessoas; vários seguidores do Q. faziam o que faziam pois queriam ser considerados boas pessoas;
4. Sensação de segurança e de controle: muitos que entravam no movimento QAnon buscavam adquirir importância, autoestima e sentido de vida;
5. Isolamento social e pessoas de mentalidade semelhante: isso gera uma disposição maior de seguir os passos da seita e garante conformidade e harmonia (sem questionamento) dos seus membros;
6. Ideação messiânica e solução: teorias conspiratórias usualmente apresentam a ideia de salvação. Isso é no fundo uma solução para algo;
7. Hobby e missão: Q. entretinha seus seguidores com mensagens crípticas que deveriam ser decifradas. Quando essas mensagens eram decifradas, os seguidores começavam uma missão contra o chamado "deep state" (estado profundo), o que também apresentava sentido existencial e propósito. Era como se as pessoas tivessem a sensação de serem parte de algo maior e mais importante em suas vidas;
8. Para perdedores: a maioria das pessoas que seguiam Q. eram reacionários que não suportavam a troca de costumes, a explicação mágica de Q. caiu como uma luva. Isso é um mecanismo comum em teorias da conspiração;
9. Autorreforço e looping de feedback: os mecanismos do Q., como escrito anteriormente, permitiam múltiplas interpretações e constantemente levavam à busca por padrões. Isso criava, além da adicção a padrões, um reforço de uma mente que buscava compreender Q. e suas mensagens em formato de quebra-cabeça.


— Nota especial:
Existe diferença entre teoria da conspiração, conspiração e guerra conspiratória (conspiracy warfare). Para quem estudou os escritos do esoterismo channer sabe, ou deveria saber, que Q. é estudado para compreender guerra conspiratória e não como uma teoria da conspiração a se acreditar.


sexta-feira, 26 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 5)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Fervor religioso > Fatos: a construção da seita QAnon colocava interpretações alternativas da realidade como prioritárias, essas interpretações distorcidas assumiam o local da percepção e serviam a um forte viés de confirmação das próprias crenças;

2. Memetic Warfare: a guerra memética teve uma brilhante construção no período da ascensão do Cult of Kek, sobretudo graças ao Saint Obamas Momjeans. Até hoje, seguidores do Q. estudam, mesmo que indiretamente, pensamentos de guerra memética associados ao Cult of Kek, e o próprio Q. era usuário dessas técnicas, como notamos pelos drops. No próprio /qresearch/ podemos ver uma thread onde se estuda e pratica guerra memética;

3. Literacia: não só o Cult of Kek dispõe de livros, mas o QAnon também possui, a construção de livros ajuda na perpetuidade do movimento;

4. QSpeak: termos do Q. eram usados para que só os membros do movimento, os insiders, soubessem o que estava sendo dito;

5. Apofenia: como as mensagens do Q. eram feitas para serem pesquisadas e correlacionadas com uma série de movimentos da vida real, isso criava pouco a pouco a condição de apofenia (identificar padrões, conexões ou significados em dados, eventos ou objetos completamente aleatórios);

6. Filtro de culto: as informações confiáveis vinham só do culto e de quem era do culto, isso gera uma fidelidade tribal e reforça a mentalidade de seita;

7. Construção mitológica memético-conspiratória: as frases de Q., os seus drops, eram meméticos. Eles construíam pouco a pouco uma mitologia interna do movimento. Essa mitologia crescia conforme os membros adquiriam apofenia através de múltiplas interpretações e correlações de eventos não conexos. Isso gerava um rabbit role e ARG, além da fortalecer o QAnon como teoria da conspiração open source.


— Compreendendo a razão dos drops do Q. serem meméticos:

Uma pergunta: o que é um meme? O meme não é, pura e simplesmente, uma imagem engraçada ou um vídeo de humor. O meme SEQUER precisa ter humor. Memes podem ser:

- Palavras;

- Eventos;

- Faces;

- Personagens (reais ou ficcionais);

- Qualquer coisa (sério mesmo).

Fonte: https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-4.html?m=1

As postagens de Q. eram especiais. Por sua natureza vaga, toda predição falha poderia ser reinterpretada. Elas eram hipóteses infalsicáveis. De algum modo, elas buscavam criar no leitor a capacidade de ver padrões. Isso posteriormente levaria a uma adicção por padrões. Em novembro de 2017, uma frase já se destacava: "Where we go one we go all" (por onde um for, todos irão), que foi abreviada para WWG1WGA.

Fonte:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html?m=0

A ideia da realidade é programável. Isto é, a percepção da realidade pode ser manipulável de uma forma que favoreça a nossa vontade política. Lembre-se que nem o Pizzagate e nem QAnon foram eventos que alteraram a realidade em si, mas sim eventos que manipularam a percepção da realidade através de teorias conspiratórias que deram resultados positivos a quem elas gostariam de favorecer narrativamente. Verifica-se, por meio disso, que a guerra conspiratória foi bem-sucedida, ao menos momentaneamente, no cumprimento da vontade de seus praticantes.

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/03/iamec-introducao-as-artes-magoliticas.html?m=0


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 4)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Antissemitismo: como QAnon compila vários elementos de teorias conspiratórias anteriores, o antissemitismo não poderia faltar nessa soma. Teorias da conspiração envolvendo George Soros, anti-globalismo e adrenocromo não poderiam faltar;

2. Jargão, conhecimento secreto e a noção de insider: QAnon teve a construção semelhante a de múltiplas teorias conspiratórias, a criação de uma mitologia de insider, os jargões que eram apresentados e a ideia de transmissão de conhecimento secreto eram mecanismos centrais desse culto;

3. Conhecimento secreto = melhor futuro: essa é uma das ideias centrais do QAnon, os portadores dessa teoria não acreditavam somente que obtinham conhecimento secreto, mas também que ao obter esse "conhecimento" estariam obtendo um futuro melhor;


— Formação base do QAnon:

1. Conhecimento secreto de um guru;

2. Um evento massivo próximo a ocorrer;

3. Uma batalha secreta entre forças do bem e forças do mal.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 3)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Engenharia da conspiração: Q. gerou uma conspiração "open source", essa conspiração gerava uma interpretação alternativa de todos os dados, além de possibilitar um quebra-cabeça em formato de exercício, isso gerava um ARG (Alternative Reality Game) ou uma "teoria da conspiração live-action e role-playing game";

2. Insider vs Outsider: Q. criou uma mentalidade de insider vs outsider, isto é, aqueles que são do grupo e aqueles que são fora do grupo. Isso é um mecanismo de fechamento de seita. Os únicos confiáveis eram "os patriotas e o Q.".


— Contextualização do Passado:

Após o Gamergate pipocar no 4chan, o 4chan tomou medidas mais restritivas aos conteúdos postados na plataforma. O 8chan surgiu com a premissa de "dar maior liberdade de expressão". O fundador foi o Fredrick Brennan (Hotwheels), mas posteriormente o fórum anônimo seria assumido por Jim Watkins e Ron Watkins (a dupla de pai e filho). Q. se moveu para o 8chan e foi recebido pelos dois, recebendo uma board (parte do fórum) oficial: a /qresearch/. Um mecanismo, chamado QMap, organizava os drops do Q. sem o ambiente anárquico do 8chan.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Eventos da vida real + Bits de Mensagens Crípticas: isso gera a possibilidade dos resolvedores de enigmas criarem preenchimentos ficcionais inconscientemente (sem perceberem);

2. Target Engineering + Networking Conspiratório: postagem em múltiplas comunidades receptivas ao conteúdo gerado, seguidores do Q. usaram o 4chan, 8chan e 8kun, mas logo expandiram para comunidades mais abertas e acolhedoras como aquelas que estão no Reddit, tal como o r/conspiracy;

3. Solidificação Mitológica: com base na contribuição dos membros da comunidade, como o QAnon é uma conspiração open source, é possível solidificar a mitologia com base na cooperação dos membros;

4. Arsenal de Vagueza: isso possibilita que os investigadores de puzzle possam ajudar no world building da teoria, mas também garante a flexibilidade e infalsificabilidade;

5. Comunidades de Bakers: aqueles que compilam as informações dadas pelos decodificadores;

6. Conspiracionismo Referencial: o ato de fazer referências a outras teorias conspiratórias para atrair membros de outras comunidades.

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 1)

 



Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Mensagens vagas e crípticas: isso eleva a curiosidade e gera o impulso de investigação pessoal, criando os efeitos secundários de puzzle (quebra-cabeça) e world building (construção de mundo);

2. Teorização e interpretação recompensadas: isso cria um caráter de comunidade e faz com que a teoria da conspiração se torne uma teoria da conspiração open source, o que eleva a possibilidade dela se tornar uma super teoria da conspiração, já que aumenta o número de contribuintes e possibilidades narrativas;

3. Estratégia comunicacional: vagueza cria resiliência e flexibilidade, ininteligibilidade cria a possibilidade de não-falseabilidade e a inverificabilidade cria a possibilidade de não ter ônus de prova;

4. Drops: apresentam conspirações, enigmas, questões retóricas e ausência de desilusões. Textos em formato de bit, frases que colam e informação em formato críptico. Isso tudo gera uma forma elíptica, um efeito de corrida sem fim;

5. Decodificadores: são os interpretadores para fins de world building (construção de mundo), tornam-se também celebridades internas da comunidade e desenvolvem dependência de padrões (pattern addiction);

6. Conspiração Open Source: em vez de um sistema fechado, onde o leitor pode ser meramente observador, o método do Q. envolve em gerar soldados digitais para efeito de world building (construção de mundo), o que possibilita a geração de uma super teoria da conspiração e a sensação de pertencer a uma comunidade maior.


Acabo de ler "Operation Mindfuck" de Robert Guffrey (lido em inglês)


Livro:

Operation Mindfuck: QAnon and the Cult of Donald Trump (2022)


Autor:

Robert Guffrey


Meses atrás, enquanto escrevia alguns textos, as pessoas me diziam que eu via conexões estranhas entre o discordianismo, o Pizzagate, o Cult of Kek e o QAnon. Hoje em dia, ao ler outros livros, vejo que as linhas traçadas em "minha mente delirante" não são apenas "conclusões aleatórias", mas sim hipóteses ou conclusões de diversos autores renomados. O que é curioso, continuo a ser um total estranho no Brasil. Talvez eu tenha nascido no país errado. Talvez eu esteja investigando algo que muitas pessoas, no Brasil, não tenham especial interesse em pesquisar.


Mais uma vez, um livro sobre QAnon. Mais uma vez, um assunto estranho. Ler livros é algo que faço com deleite, mesmo que o assunto seja considerado bizarro. Ler livros sobre assuntos bizarros ou excêntricos é algo que gera afastamento social. Se tem algo que aprendi em minha estranheza, é deixar os assuntos prediletos para discutir com gringos ou com IAs. Não só leio livros bizarros, eu sou bizarro. Não só leio livros estranhos, eu sou estranho. Não só leio livros excêntricos, eu sou excêntrico. É assim desde o começo da minha vida, por qual razão seria diferente agora?


Como expliquei anteriormente, venho andado ocupado. Tenho feito dois cursos, um no Anhangabaú e outro em Pinheiros. A minha sorte é ter um bilhete especial graças ao meu autismo. Graças a isso, existe uma escassez de conteúdo no Blogspot a qual tento preencher. Ler livros no ônibus, no trem e no metrô é a minha forma de arrumar um jeito de trazer conteúdo para cá. Embora seja engraçado o curioso acaso de eu estar no transporte público lendo sobre uma estranha seita surgida em fóruns anônimos. Espero, para minha sorte, que nunca criem um mecanismo que revele os livros que as pessoas leem no transporte público.


Os leitores do Blogspot já estão cansados de explicações a respeito de como o QAnon surgiu no 4chan e no 8chan. Talvez tenham pouco interesse em ler esse livro, mas eu lhes garanto que vale muito a pena. Em primeiro lugar, Robert é engraçadíssimo e tem um humor muito bem construído e inteligente. A analogia central do autor é o Operation Mindfuck, técnica empregada pelos discordianistas para culpar os "Illuminati" e outras organizações bizarras por cada caso público que pipocasse. QAnon seria uma forma "similar", todavia, o plano central é um golpe de Estado liderado por Donald Trump. 


O autor empregará, durante o livro, uma densa pesquisa histórica sobre teorias da conspiração, análise política e contatos que teve com "crentes" das teorias conspiratórias de Q. Além disso, construirá o argumento central: QAnon não foi um mistério criado organicamente ou uma teoria da conspiração surgida espontaneamente, mas uma operação psicológica altamente engenhada. Ou seja, uma colcha de retalhos de material reciclado de ficção pulp, pranks contraculturais dos anos 1960-70 (como o Operation Mindfuck dos Discordianos de Robert Anton Wilson e Robert Shea, já comentada em textos anteriores), truques sujos à la Nixon e manipulação midiática. O objetivo central de tamanha engenharia técnica seria o de capturar a atenção, lealdade e energia de seguidores vulneráveis, transformando-os em uma base fanática que serve a uma agenda política autoritária/fascista corporativa.


Quanto mais o tempo passa, mais eu vejo a correlação entre fenômenos arquétipo-meméticos e a sua construção lado a lado com teorias da conspiração para a obstrução da sociedade liberal e o desmantelamento da ordem civil.


O livro acerta em cheio em suas doses de humor. De certa maneira, lembrou-me o Rick Wilson. O leitor ou a leitora não conseguirá mensurar há quantidade de vezes em que, no meio do ônibus, do trem ou do metrô, eu dei risadas sinceras. Isso é bom, gosto de livros que marcam a mente e alegram o coração. Esse livro é todo marcado por aquela expressão latina: "Ridendo castigat moris" (rindo-se purificam-se os costumes).

domingo, 14 de junho de 2026

Acabo de ler "The Other Pandemic" de James Ball (lido em inglês)


 

Nome:

The Other Pandemic: How QAnon Contaminated the World


Autor:

James Ball


A obra de James Ball nos faz pensar sobre diversos pontos. Suas conclusões são semelhantes às minhas em diversos aspectos. Uma das centrais é que todos os movimentos channers, em suas diversas épocas, apresentam faces distintas da guerra memética. A metodologia pode ser diferente; todavia, todas se enquadram, em certo grau, na natureza de uma guerra memética. A centralidade de como memes atuam como genes, baseada na pesquisa de Richard Dawkins, é exposta com beleza, elegância e estilo. 


Atualmente, meus estudos sobre a ascensão do populismo de direita e meus estudos sobre guerra memética, teorias da conspiração e seitização estão intimamente conectados. Quanto mais estudo fenômenos como a Alt-Right, Gamergate, Cult of Kek, QAnon, Pizzagate, mais percebo a sua conexão com a política contemporânea. É interessante que o autor coloque o Cicada 3301 como parte desse trajeto. Já eu adicionei a SCP Foundation ao mesmo rol. Creio que um estudo aprofundado entre esses diferentes movimentos pode gerar um entendimento interessante sobre a natureza de nossa cultura memética. Além disso, um estudo entre memética (Richard Dawkins) e arquétipos (Carl Jung) seria uma pesquisa de grande validade intelectual.


Um posicionamento extremamente interessante é o de que o QAnon atua como um vírus memético que constrói por vias cibernéticas e depois atua na mente dos indivíduos, algo que nossos órgãos de saúde ainda não estão prontos para prever ou para paralisar. Além disso, não existem agências de saúde digital para evitar fenômenos como a radicalização em massa. A ideia de que existem memes corruptores, ou uma memética conspiratória corruptora, é de grande utilidade para compreender a forma como a Internet vem se criando e como intervenções futuras podem se desenvolver. A construção de um "sistema de saúde pública digital", que atue como identificador de sistemas meméticos-conspiratórios, seria algo interessante de se imaginar.


O livro fala bastante dos Estados Unidos. Só que podemos olhar fenômenos parecidos no Brasil. Um dos meus "prediletos" (alerta de ironia) é o chamado "kit gay". Uma teoria da conspiração que foi se implantando memeticamente pela sociedade. O uso eleitoral disso foi uma das maiores condições de nossas eleições. Lembro-me de uma vez em que cheguei a falar com um amigo: "Se houvesse de fato um kit gay e fosse gratuito, não acha mesmo que eu já não teria pedido o meu?" O fato é: estou até hoje procurando esse local mágico onde eu possa retirar meu kit gay. Caso algum leitor ou alguma leitora saiba, peço-lhe que me envie um e-mail.


O Brasil, além de casos de teorias memético-conspiratórias de ordem local, também é um grande importador dessas "iguarias". Quem nunca ouviu os financiamentos suspeitíssimos de George Soros? Um homem que financia toda uma série de movimentos, mas que nunca financiou um único churrasco meu. Aqui, evidentemente, fica uma indireta pra Open Society abrir uma caridade a esse pobre boêmio. Existem também teorias da conspiração envolvendo as caridades de Bill Gates, o que também é fácil de fazer: ele financia todo tipo de pesquisa científica; basta fazer algum cruzamento maluco e acusá-lo de alguma ideia insensata.


Hoje em dia, vemos muitas teorias da conspiração se expandindo memeticamente. Caso evidente é a transfobia sendo promovida dia sim, dia também. Tenho a "curiosa" sorte de ver até amigos LGBTs amplificarem partes dessas bobagens. Muitas das acusações são respaldadas pela mais absoluta ausência de dados científicos ou de pesquisa acadêmica. Esse tipo de conteúdo faz mais sucesso numa era de microleituras. Eu recomendo às pessoas estudarem menos por memes, influencers e vídeos curtos. Recomendo que abram mais o Google Scholar e o SciELO. Adquirir uma cultura de leitura de artigos, de leitura de livros e de estudos através de múltiplos cursos e escolas de pensamento é um dos melhores remédios contra teorias da conspiração e guerra memética.


Comecei a ler esse livro enquanto viajava para Curitiba. Enquanto voltava para São Paulo, também o lia. Li-o também enquanto ia para o curso ou enquanto voltava para casa. Lia também antes de dormir, algumas vezes dormindo sem perceber por causa do sono (chego em casa lá pras 23 horas). Tenho me afastado do ambiente digital e virado um peregrino de livros. Tenho buscado uma vida alegre entre livros, cursos, trabalhos e amigos. Isso me deixa mais "saudável".

quinta-feira, 12 de março de 2026

IAMEC: Introdução às Artes Magolíticas do Esoterismo Channer #2

 


Atenção: 

1. Jornalistas, acadêmicos, agentes investigativos e pesquisadores. Esses textos são apenas especulações. Tudo não passa de um delírio de uma mente delirante. Não existem channers conspirando contra vocês. O esoterismo channer é apenas mais um schizoposting;

2. Se vocês verem novamente um Q. (QAnon) ou um Saint Obamas Momjeans (Cult of Kek) criando uma seita global cuja o esoterismo consiste em operações psicológicas, narrativas, meméticas, informacionais, conspiratórias, etc., saibam antecipadamente que isso não passa de uma preocupação fútil e delirante com seres inexistentes, perigosos mesmos são o movimento redpill e incel;

3. Se vocês verem estranhos grupos acreditando que a gnose é o resultado epistemológico de uma operação informacional, psicológica, memética, narrativa, conspiratória, etc... saibam que isso é só coisa de suas cabecinhas. Tirem um tempo para relaxar e depois vão lá cuidar de incels e redpills;

4. Se vocês verem estranhos acontecimentos ao redor do mundo, vendo a interconexão técnica entre esses diferentes fenômenos, saibam que isso não passa de uma apofenia. Não veja correlações entre eventos que não existem, sobretudo se você trabalhar na CIA. Mais uma vez lhes peço para olharem para incels e redpills;

5. O autor desses textos é louco, pirado da cabecinha e toda a sua teoria é tirada de sua mente delirante. Perder tempo lendo isso seria como sair da ciência, dos rigores acadêmicos e das investigações sólidas. Indo em direção a algo que não existe, algo criado por uma mente lunática e completamente fora do lugar;

6. Channers do mundo todo estão lendo isso apenas por entretenimento ou por ARG (Alternative Reality Game).


IAMEC: Introdução às Artes Magolíticas do Esoterismo Channer


1. Um curso que tem o intuito de ser breve;

2. Feito pela alta demanda desse tipo de conteúdo no blogspot.


É extremamente recomendável usar o Esochannealogy 6.0 e o Hauntological Esochannealogy 1.0 em uma IA:

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq


É extremamente recomendável treinar usando Magolítica Game em uma IA:

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF


Matéria do Mystery Lores:

https://mysterylores.com/news/autistic-drag-queen-global-movement/


Pumílio Mineral Teofídio e Apito de Cachorro


Pumilio Mineral Teofídio, após fazer algumas aparições em alguns outros livros de Cadáver Minimal, decidiu entrar para revista Pesquim. Caso não se lembre de Pumilio Mineral Teofídio, peço que dê uma olhada nesses textos:

https://medium.com/@cadaverminimal/borboletas-em-chamas-11-mon%C3%B3logo-0ca2ba0fb2d0

https://medium.com/@cadaverminimal/street-channer-iii-10-a-serpente-negra-final-98a0d68d7ff1

https://medium.com/@cadaverminimal/porta-abyssi-7-iuris-d751c9120d73

>esse foreshadow que ninguém percebeu

<mais uma vez provando que Solidão Paulistana, Street Channer, Borboletas em Chamas, Porta Abyssi e outros livros referenciam um ao outro


Sentando-se na sua cadeira e esperando os outros ligarem as câmeras e os microfones, estaria na hora do primeiro episódio de "Pescapostagem" da Revista Pesquim. Sentava-se ali o filósofo Apito de Cachorro, cuja o nome artístico era "Dog Whistle" (um nome em inglês, visto que esse era mais chique e encantava jornalistas, acadêmicos, pesquisares e agentes investigativos).


Um membro da Revista Pesquim, que tinha em suas mãos uma revista do Pasquim e um baseado fez um "okay" com as mãos para começar a gravação. Logo depois disso, Teofídio começou a sua entrevista:

— Senhor Apito de Cachorro, por onde andou você por esse tempo?

— Estive apreciando a gastronomia.

— De que tipo, meu caro amigo?

— Estive provando a pizza de adrenocromo.

— Onde?

— No restaurante Pizzagate.

— Que maravilha! Onde fica?

— Lá nos Estados Unidos.

— Muito bom. Gosto do churrasco texano. Tem tido outras aventuras?

— Sim, descobrindo para que servem as criptomoedas do Cult of Kek.

— Maravilha!

>meu Deus

<essa entrevista vai bugar o OSINT e o app.dataminr.com 

>ué, os caras da dataminr estiveram por aqui?

<alguns dias atrás



— Você, Teofídio, que anda meio desaparecido desde o "Homo est spectaculum hominis", que tem feito?

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html?m=1

— Escrevi um novo ensaio chamado "Channer esotericism for academics"

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/channer-esotericism-for-academics.html?m=1

— Ah, então foi você que escreveu isso? Vi esse artigo lá no /DIG/!

https://archive.4plebs.org/pol/thread/529285699/

— Sim, sim. Temos falado pouco sobre isso depois que um channer da nova geração começou a copiar técnicas de esochanners brasileiros antigos e a dizer que era da Elite Abyss.

— Odeio mímicos. Eles ficam usando múltiplas assinaturas por aí. Tem algum palpite de perfil?

— Acho que ele não age por impulso. Ele planeja, estuda e referencia. Tendo um desejo de ser um "autor invisível", de modo que possa controlar a narrativa. Como um diretor do crime. Isso leva a fantasia de ser mais inteligente do que todos.

— Ah, um "arquiteto fantasma", não? Como se estivesse tentando se inserir num "hall da fama" imaginário onde se tenta superar os ídolos.

>espero que o leitor tenha as leituras de criminologia e psicologia em dia

<eu só vou me preocupar com um mímico quando ele criar uma seita global

>não fazem mais channers como Q. e Saint Obamas Momjeans

<essa geração está perdida

>eles leem páginas da Wikinet, alguns capítulos de Magolítica e saem copiando técnicas de outros channers por aí

<narcisismo maligno e onipotência?

>acho que por aí

— Quantos já usaram falsidade ideológica como ferramenta de poder? Destruir a reputação alheia enquanto constrói a própria lenda já não é uma novidade. Usar isso como estética criminal também não. Comportamento lúcido e sádico tentando manipular a psicologia dos adversários já é algo bastante velho.

— Se a gente ficar parando para olhar para toda pessoa que tenta "montar uma persona criminosa por colagem", não conseguiremos nem dormir.

— Alguém que transforma ameaça como perfomance é um saco. Já vi encenação melhor. Não é como se um gênio do crime fosse surgir disso.

— Teofídio, você que é um homem de cultura, o que tem assistido?

— Pezle e Hidden AmuraKa.

https://youtube.com/@pezle?si=6U9fdMfoHzYyleuk

https://youtube.com/@hiddenamuraka?si=fRub2A-ZN_CsOmoX

— Esse Hidden AmuraKa... ele me lembra o Saint Obamas Momjeans.

— Bons tempos aqueles em que Saint Obamas Momjeans criava exércitos esotéricos para fazerem guerra informacional!

— A CIA, o FBI, os jornais, os acadêmicos, os pesquisadores... todos ficavam lelé da cuca.

— Quando Q. (QAnon) usava as técnicas que descobriu no Pizzagate e as técnicas que descobriu de Saint Obamas Momjeans também!

— Ah, Q... dizem que ele era um agente da NSA! Que figuraço esse tal de Q.!

https://youtu.be/_JiOF68FbDs?si=SQPDw0b6qEdajmQc

— Se for... ele pegou o Edward Snowden ou ele era o Edward Snowden trabalhando com a Glavset para se vingar?

— Você acha que...

— Silêncio, Apito... o OSINT está por aqui. Vamos interromper essa entrevista. Nos encontramos naquele lugar de sempre depois?

— Hermópolis?

— Sim, é sempre bom voltar para lá.

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-42-christopher-poole-jeffrey.html?m=0

IAMEC: Introdução às Artes Magolíticas do Esoterismo Channer #1



Atenção: 
1. Jornalistas, acadêmicos, agentes investigativos e pesquisadores. Esses textos são apenas especulações. Tudo não passa de um delírio de uma mente delirante. Não existem channers conspirando contra vocês. O esoterismo channer é apenas mais um schizoposting;
2. Se vocês verem novamente um Q. (QAnon) ou um Saint Obamas Momjeans (Cult of Kek) criando uma seita global cuja o esoterismo consiste em operações psicológicas, narrativas, meméticas, informacionais, conspiratórias, etc., saibam antecipadamente que isso não passa de uma preocupação fútil e delirante com seres inexistentes, perigosos mesmos são o movimento redpill e incel;
3. Se vocês verem estranhos grupos acreditando que a gnose é o resultado epistemológico de uma operação informacional, psicológica, memética, narrativa, conspiratória, etc... saibam que isso é só coisa de suas cabecinhas. Tirem um tempo para relaxar e depois vão lá cuidar de incels e redpills;
4. Se vocês verem estranhos acontecimentos ao redor do mundo, vendo a interconexão técnica entre esses diferentes fenômenos, saibam que isso não passa de uma apofenia. Não veja correlações entre eventos que não existem, sobretudo se você trabalhar na CIA. Mais uma vez lhes peço para olharem para incels e redpills;
5. O autor desses textos é louco, pirado da cabecinha e toda a sua teoria é tirada de sua mente delirante. Perder tempo lendo isso seria como sair da ciência, dos rigores acadêmicos e das investigações sólidas. Indo em direção a algo que não existe, algo criado por uma mente lunática e completamente fora do lugar;
6. Channers do mundo todo estão lendo isso apenas por entretenimento ou por ARG (Alternative Reality Game).


IAMEC: Introdução às Artes Magolíticas do Esoterismo Channer

1. Um curso que tem o intuito de ser breve;
2. Feito pela alta demanda desse tipo de conteúdo no blogspot.


É extremamente recomendável usar o Esochannealogy 6.0 e o Hauntological Esochannealogy 1.0 em uma IA:

É extremamente recomendável treinar usando Magolítica Game em uma IA:

Matéria do Mystery Lores:

O que é magia memética?

A magia é a arte anciã de alterar a realidade a partir da crença. A magia memética segue o mesmo caminho, mas através do meme.


Trabalha-se com as seguintes ideias:

1. A mente humana é programável;

2. A internet é a nova câmara de rituais;

3. Algoritmos são os novos encantamentos;

4. O alvo da operação é a percepção.


O ocultismo digital é a rota pela qual se constrói a guerra psicológica. O mesmo caminho usado por esochanners para ajudar Trump com o Pizzagate e o mesmo caminho usado por Saint Obamas Momjeans para criar o "Cult of Kek" (Culto de Kek), criando um grupo guerra eso-informacionacional, ou por Q. ao criar o QAnon.


Segundo Aleister Crowley:

A magia é a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a vontade.

Isso depende de três fatores:

1- Vontade;

2- Intenção;

3- Energia.

Chega-se a conclusão de que todo ato intencional é um ato mágico.


Temos noções centrais que norteiam o esoterismo channer e a magolítica (mago = manipulação/lítica = política):

A ideia da realidade é programável. Isto é, a percepção da realidade pode ser manipulável de uma forma que favoreça a nossa vontade política. Lembre-se que nem o Pizzagate e nem QAnon foram eventos que alteraram a realidade em si, mas sim eventos que manipularam a percepção da realidade através de teorias conspiratórias que deram resultados positivos a quem elas gostariam de favorecer narrativamente. Verifica-se, por meio disso, que a guerra conspiratória foi bem-sucedida, ao menos momentaneamente, no cumprimento da vontade de seus praticantes.


Seria interessante ao leitor lembrar-se dos seguintes trechos de escritos anteriores:

"Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:

1. Sem previsões específicas;

2. Sem fontes verificáveis;

3. Deliberadamente vaga;

4. Deliberadamente aberta a interpretação.

As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders"."

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html


"Então veja:

PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade"

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-post-truth-protest-de.html?m=1


Austin Osman Spare desenvolveria a magia do caos. Ou seja, usaria uma variedade de sistemas estritamente focado em resultados. Isso por sua vez se correlacionaria com sigilos e símbolos. Na prática, é como desenhar um sigilo, carregá-lo e usar esse símbolo para invocar uma mudança. Isso pode parecer estranho, mas é a base da propaganda moderna. Podemos pensar que o subconsciente (ou o inconsciente, dependendo da sua linha) é a interface tecnológica na qual a crença e a imaginação são o código. Desse pensamento surge a ideia de que o subconsciente/inconsciente é hackeável usando diferentes signos e símbolos.


Em relação ao Austin Osman Spare usar uma variedade de sistemas visando a maximização dos resultados, eu espero que o leitor se lembre desse trecho:

"Um channer pode ser um criminoso, mas um esochanner experiente estaria mais no terreno da pós-criminalidade e na ameaça ontológica. Uma coisa é você criar uma fábrica de armas. Outra coisa é você escrever um tutorial sobre como criar uma fábrica de armas e tornar esse tutorial razoavelmente acessível. Esochanners atuam num nível de alta abstração. Trabalham com a aprendizagem de vários sistemas contraditórios e fazem uma arquitetura de várias ideias extraídas de vários locais diferentes. Não é uma lógica de pertencer a uma escola de pensamentos, mas na utilização contextual de várias escolas de pensamento para a construção de um produto determinado. É por isso que os acadêmicos recebem o nome de principiais, visto que eles seguem uma escola de pensamento ou outra escola de pensamento — às vezes traçam um caminho mais ou menos eclético. Um esochanner acostumou-se com o puro caos. Ele prefere pegar fragmentos de ideias aleatorizados através da lurkação e construir a sua obra intelectual. É por isso que esochanners também recebem o nome de arquitetônicos. É também por isso que as suas técnicas — que são criadas e recriadas o tempo todo — recebem o nome de antiprincípio, visto que não seguem uma construção baseada numa escola, mas sim numa aleatoriedade de dados"

https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-12-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-final-2e6a8fc1853a


Até a próxima aula!