terça-feira, 21 de abril de 2026
Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 1)
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 4)
Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 3)
Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 2)
Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 1)
Nome:
The Governance of China
Autor:
Xi Jinping
Tentarei me focar nos pontos centrais. Essa fala ocorreu no 18º congresso nacional do Partido Comunista chinês. Nele, Xi Jinping comemora o progresso que o Partido Comunista vem dando à China, mas alerta que o trabalho duro precisa continuar. O objetivo é tornar a China um país crescentemente mais próspero e forte. A China, recorda Xi Jinping, tem cinco mil anos de história e já contribuiu muito para a humanidade. Além disso, recorda que o Partido Comunista chinês foi fundado em 1921. Esse diálogo é do dia 15 de novembro de 2012
A meta central é o rejuvenescimento da China enquanto nação. A China precisa continuar a contribuir para a humanidade.
Xi Jinping avisa quais são as demandas do povo chinês:
- Melhor educação;
- Mais empregos estáveis;
- Mais renda;
- Segurança social confiável;
- Melhores cuidados médicos e de saúde;
- Melhores condições de habitação;
- Ambientes mais bonitos;
- Filhos crescendo com bons empregos e vidas apreciáveis.
O trabalho do Partido Comunista seria o de dar ao povo uma vida feliz. O partido, alerta Xi, só poderá fazer isso por meio do trabalho duro. É preciso desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas do povo, sejam eles no trabalho ou na vida. Isso só é possível quando o partido resolutamente perseguir a prosperidade comum. Xi também alerta do problema da corrupção. Estabelece que o núcleo da liderança é o avanço do socialismo com características chinesas.
Xi termina falando do poder que só é conquistado pela união e que o povo é o verdadeiro criador da história. Fala sobre a China precisar de mais conhecimento do povo e do mundo precisar de mais conhecimento da China.
sábado, 27 de dezembro de 2025
Nota de Pesquisa (NDP): estudo do marxismo e do anarquismo recomendado pelo /lit/
Notas:
1. Como eu vi pelo número de visualizações que gostam dos conteúdos relativos a cultura channer ou conteúdos usados por channers na hora de estudar/treinar, além do fato de ninguém ter aparecido me xingando no NGL ou no instagram, resolvi compartilhar outra lista.
2. Essa lista teve o mesmo método que usei na anterior: https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/nota-de-pesquisa-ndp-micro-guerra-pol-x.html?m=1
3. Isto é, transformei o fio em PDF e pedi para uma IA extrair os títulos e ordená-los;
4. Resolvi manter os títulos em inglês para facilitar a busca pela mesmo fonte que os e/lit/ists (usuários do /lit/ do 4chan) usaram.
1. Marxismo
Básico (leituras introdutórias ou fundamentais para iniciantes)
- The Communist Manifesto – Karl Marx & Friedrich Engels
- Theses on Feuerbach – Karl Marx
- The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte – Karl Marx
- A Contribution to the Critique of Political Economy – Karl Marx
- A Companion to Marx’s Capital – David Harvey (guia didático para acompanhar “O Capital”)
Intermediário (textos teóricos mais densos ou análises secundárias consolidadas)*
- The German Ideology (seção “Feuerbach”) – Karl Marx & Friedrich Engels
- The Marx-Engels Reader – Robert C. Tucker (ed.)
- Main Currents of Marxism – Leszek Kołakowski (história crítica, porém abrangente)
- The Limits to Capital – David Harvey (extensão geográfica e ecológica da teoria marxista)
Avançado (especulativo, crítico ou altamente teórico)
- The Automatic Fetish: A Materialist Theory of Religion – (Autor não citado no trecho)
(aborda marxismo e religião de forma não ortodoxa – provavelmente pós-estrutural ou teoria crítica)
2. Anarquismo
Básico / Histórico
- Anarchist Portraits – Paul Avrich
(biografias de figuras anarquistas – excelente para contexto histórico e humano)
Intermediário / Teórico-Histórico
- The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia – James C. Scott
(anarquismo não ocidental, etnografia política – influente em estudos subalternos e autonomia)
3. Teoria Crítica, Cultura & Filosofia Contemporânea
Intermediário
- Capitalist Realism: Is There No Alternative? – Mark Fisher
(leitura acessível mas conceitualmente rica – diagnóstico cultural do pós-modernismo neoliberal)
Avançado / Contextual
- Embora não haja livros específicos de Adorno, Benjamin, Althusser, Debord, Badiou ou Žižek listados com títulos, eles são citados como referências importantes — sugerindo que esses autores estão no horizonte teórico do fio.
4. Outros / Textos Políticos Curtos
Básico / Didático
- Combat Liberalism – Mao Zedong
(curto ensaio moral-político; mais relevante como crítica interna a práticas individualistas em movimentos coletivos)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Recomendações Cadavéricas #3 — Second Thought
Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.
https://youtube.com/@secondthought?si=lVgyzpPwcZdl-1fw
Gosto do Second Thought. É um dos canais marxistas que me surpreendem pela qualidade do seu conteúdo. Também gosto da forma que o apresentador fala e como ele se comporta durante os vídeos. Creio que ele é um dos melhores para se compreender uma perspectiva marxista interna dentro dos Estados Unidos.
Se os leitores desse blogspot gostam de verem múltiplas formas diferentes de ver o mundo, creio que gostaram de adicionar o Second Thought na lista de canais para se assistir.
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Nota de Pesquisa (NDP): Política Econômica de Esquerda (links)
Conteúdo recomendado pelo Leftypol (https://leftypol.org)
Youtube Playlists
Anwar Shaikh - Historical Foundations of Political Economy
https://www.youtube.com/playlist?list=PLTMFx0t8kDzc72vtNWeTP05x6WYiDgEx7
Anwar Shaikh - Capitalism: Competition, Conflict and Crises
https://www.youtube.com/playlist?list=PLB1uqxcCESK6B1juh_wnKoxftZCcqA1go
Anwar Shaikh - Capitalism
https://www.youtube.com/playlist?list=PLz4k72ocf2TZMxrEVCgpp1b5K3hzFWuZh
Capital Volume 1 high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)
https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlSHVigHHx_wjaeWmDN2W-h8
Capital Volume 2 high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)
https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlSxnp8uR2kshvhG-5kzrjdQ
Capital Volume 3 high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)
https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlRoV5CVoc5yyYL4nMO9ZJzO
Theories of Surplus Value high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)
https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlQa-dFgNFtQvvMOgNtV7nXp
Paul Cockshott - Labor Theory of Value Playlist
https://www.youtube.com/playlist?list=PLKVcO3co5aCBnDt7k5eU8msX4DhTNUila
Paul Cockshott - Economic Planning Playlist
https://www.youtube.com/playlist?list=PLKVcO3co5aCDnkyY9YkQxpx6FxPJ23joH
Paul Cockshott - Materialism, Marxism, and Thermodynamics Playlist
https://www.youtube.com/playlist?list=PLKVcO3co5aCBv0m0fAjoOy1U4mOs_Y8QM
Victor Magariño - Austrian Economics: A Critical Analysis
https://www.youtube.com/playlist?list=PLpHi51IjLqerA1aKeGe3DcRc7zCCFkAoq
Victor Magariño - Rethinking Classical Economics
https://www.youtube.com/playlist?list=PLpHi51IjLqepj9uE1hhCrA66tMvNlnItt
Victor Magariño - Mathematics for Classical Political Economy
https://www.youtube.com/playlist?list=PLpHi51IjLqepWUHXIgVhC_Txk2WJgaSst
Geopolitical Economy Hour with Radhika Desai and Michael Hudson (someone says "he's CIA doing reheated Proudhonism" lol)
https://www.youtube.com/watch?v=X7ejfZdPboo&list=PLDAi0NdlN8hMl9DkPLikDDGccibhYHnDP
Potential Sources of Information
Leftypol Wiki Political Economy Category (needs expanding)
https://leftypedia.miraheze.org/wiki/Category:Political_economy
Sci-Hub
Marxists Internet Archive
Library Genesis
University of the Left
http://ouleft.sp-mesolite.tilted.net/Online
bannedthought.net
Books scanned by Ismail from eregime.org that were uploaded to archive.org
https://archive.org/details/@ismail_badiou
The Great Soviet Encyclopedia: Articles from the GSE tend to be towards the bottom.
https://encyclopedia2.thefreedictionary.com/
EcuRed: Cuba's online encyclopedia
Books on libcom.org
Dictionary of Revolutionary Marxism
https://massline.org/Dictionary/index.htm
/EDU/ ebook share thread
https://leftypol.org/edu/res/22659.html
Pre-Marxist Economics (Marx studied these thinkers before writing Capital and Theories of Surplus Value)
https://www.marxists.org/reference/subject/economics/index.htm
Principle writings of Karl Marx on political economy, 1844-1883
https://www.marxists.org/archive/marx/works/subject/economy/index.htm
Speeches and Articles of Marx and Engels on Free Trade and Protectionism, 1847-1888
https://www.marxists.org/archive/marx/works/subject/free-trade/index.htm
(The Critique Of) Political Economy After Marx's Death
Nota de Pesquisa (NDP): esquerda na Austrália e Oceania (links)
Esquerda na Austrália e Oceania.
Conteúdo recomendado pela esquerda australiana e da Oceania do leftypol (https://leftypol.org).
Links:
https://www.auscp.org.au/militant-monthly
https://marxistleftreview.org/?topic=australia
https://www.michaelwest.com.au
https://www.surplusvalue.org.au/McQueen/index.htm
https://reddit.com/r/AustralianSocialism
https://www.labourstart.org/news/country.php?country=Australia&langcode=en
https://anarchistnews.org/content/spotters-guide-anarchism-australia-and-aotearoa
https://thewhiterosesociety.writeas.com
sábado, 4 de outubro de 2025
Nas Garras do Dragão #2 — Sistema Político Chinês
Aviso: optei por fontes em inglês por elas terem um padrão referencial melhor e mais abundante. Se os termos empregados aqui não baterem com a tradução oficial, saiba que foi graças a minha tradução amadora.
— A estrutura do poder chinês é dividida em:
1. Presidente;
2. Congresso Nacional do Povo;
3. Conferência de Consulta Política do Povo Chinês;
4. Suprema Corte do Povo;
5. Suprema Procuradoria do Povo;
6. Comissão Militar Central do Estado;
7. Conselho do Estado;
8. 28 ministros e comissões.
— Sistema Partidário Chinês:
O sistema chinês não é multipartidário e nem unipartidário, mas sim um sistema multipartidário de cooperação com a liderança do Partido Comunista Chinês. Esse sistema apresenta oito partidos além do Partido Comunista Chinês:
1. O Comitê Revolucionário Chinês de Kuomintang;
2. A Liga Democrática da China;
3. A Associação Nacional de Construção Democrática da China;
4. A Associação da China para Promoção da Democracia;
5. Partido Democrático dos Camponeses e Trabalhadores Chineses;
6. O Partido Zhi Gong da China;
7. A Sociedade Jiusan;
8. Liga de Autogoverno Democrático de Taiwan.
— Função do Congresso Nacional do Povo:
O Congresso Nacional do Povo tem as seguintes funções:
1. Legislativa;
2. Apontamento e retirada de oficiais;
3. Tomada de Decisão;
4. Supervisão.
— Eleição:
A eleição na China funciona mais ou menos assim:
Votante (Eleição Direta) > Representantes das Assembleias Populares de Nível Base (Vota) > Representante das Assembleias Populares de Nível Médio (Vota) > Representante da Assembleia Popular Nacional.
— Estrutura Organizacional do Partido Comunista Chinês:
O Partido Comunista Chinês possui a sua própria organização interna. Há dois anos atras, o número de seus membros era de 96,7 milhões de membros.
Os membros podem ser vistos em três diferentes setores:
1. Serviço Civil;
2. Empresas controladas pelo Estado;
3. Organização social.
Cada membro do Partido Comunista está dentro de um sistema de level:
1. Nível de entrada e treinamento;
2. Senior funcional;
3. Nível de chefe de setor;
4. Diretor geral;
5. Ministro/governador;
6. Polituburo/conselheiro.
O Comitê Central analisa:
1. A performance dos seus membros;
2. Investiga a conduta pessoal;
3. Faz pesquisas de opinião pública;
4. Promove os melhores;
5. Só os melhores entrarão na alta burocracia;
6. Poderão administrar distritos com milhões de pessoas ou gerenciarem empresas multi-milionárias;
7. Todo esse processo demora duas ou três décadas.
Com seu sistema altamente meritocrático, podemos ver a passagem:
5. Congresso Nacional do Partido, com 2296 membros;
4. Comitê Central, com 360 membros;
3. Politburo, com 25 membros;
2. Comitê do Politburo, com 7 membros;
1. Secretário Geral, com 1 membro.
Nas Garras do Dragão #1 — Socialismo de Mercado
Já era hora de analisar diversas fontes e trazer, para o debate público nacional, mais informações sobre a China. Vou visar pegar informações de diferentes fontes, para depois compará-las.
— Como a China combina Socialismo e Mercado?
Socialismo e princípios de mercado são centrais no que chamamos de socialismo de mercado. Esse sistema permite mecanismos de mercado funcionando dentro de um framework dominado pela propriedade pública e controlada pelo Estado. O objetivo central é o desenvolvimento do socialismo que se beneficia da eficiência do mercado. O Estado mantém o controle dos setores-chave e dos recursos, logo a propriedade pública é central.
O Estado é dono de todas as terras e tem significante porcentagem de investimento nas maiores empresas do país. Empresas privadas operam com os guias estabelecidos pelo Estado e o Partido Comunista.
Essa mudança de modelo ocorreu nos anos de 1970 com a liderança de Deng Xiaoping. Deng alterou o foco estrito do planejamento central para um modelo econômico mais pragmático, usando mecanismos de mercado para aumentar a produtividade.
Basicamente, o governo chinês estabelece metas estratégicas para a economia e intervém quando necessário. A competição de mercado é encorajada para alocar recursos e para promover inovação. Esse sistema econômico híbrido permite uma direção de crescimento econômico ao mesmo tempo que possibilita olhar as desigualdades e instabilidades.
O controle do Estado permite um direcionamento da riqueza para o desenvolvimento social e para promover o Estado de bem-estar. Ele também é uma prova que o socialismo pode se adaptar as condições correntes e fazer uma efetiva implementação. O socialismo de mercado é visto como uma fase preliminar do socialismo, ele permite princípios de mercado ao lado de propriedades públicas. Ele distancia a China de economias capitalistas, ao mesmo tempo que prioriza a maximição de objetivos sociais.
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
Philosophia Iuris #17: Karl Marx e a Lei
Aviso: aqui será uma explicação breve sobre uma teoria da lei em Marx, visto que caberá mais aos sucessores do seu pensamento definirem uma teoria legal marxista.
— Karl Marx:
Marx escreveu muito sobre teoria econômica, ele também focou no desenvolvimento de uma teoria política e de uma teoria histórica. Graças a isso, ele não chegou a desenvolver uma teoria sistemática a respeito da lei. Temos que compreender que o esforço de Marx, e também de Engels, está mais correlacionado com uma tentativa de compreender as relações econômicas dentro da sociedade. Para Marx e Engels, as condições materiais da sociedade adquirem uma importância maior no direcionamento do seu pensamento. Para Marx, a lei entraria dentro da superestrutura junto com outros fenômenos culturais e políticos.
Cabe lembrar que Marx tinha uma linha de raciocínio histórica. Ele acreditava que a evolução social poderia ser explicada em termos de forças históricas. Estudando Hegel, Marx e Engels desenvolveram a teoria do materialismo dialético. Marx e Engels compreendiam que exista uma relação dialética dentro da sociedade, onde havia uma oposição de classes. Eles compreendiam que os meios de produção, os meios de produção econômica, eram materialmente determinados. E as distintas classes sociais, em suas dinâmicas, tinham um inevitável conflito em relação a esses meios de produção. Havia, para Marx, uma oposição entre quem detém os meios de produção e quem não detém.
— Lei e Ideologia:
A lei tinha, para Marx, uma função ideológica. Vamos nos aprofundar um pouco mais nisso.
Dentro da sociedade, a classe trabalhadora desenvolverá uma consciência da sua condição. Essa consciência se desenvolverá a partir da análise da sua condição material. A classe trabalhora percebe que precisa vender a sua força de trabalho para sobreviver e viver. Enquanto a classe detentora dos meios de produção (burguesia), explora a força de trabalho da classe trabalhadora.
Para Marx, desenvolvemos a nossa consciência e conhecimento a partir das experiências sociais que temos.
O papel da lei, em Marx, existe apenas para manter o estado atual de ordem social:
1. Representa os interesses da classe dominante;
2. Serve para manter o status quo.
Desse modo, podemos compreender que para Marx e Engels a lei serve como veículo da classe dominante para manter o seu poder. Quando há uma transição para sociedade sem classes, o papel da lei se tornaria mais limitado. Em outras palavras, quando a ditadura burguesa (compreendendo como o monopólio do poder da burguesia) fosse substituída pela ditadura do proletariado (compreendido como a tomada do monopólio do poder), a existência do Estado e a necessidade da lei seriam gradualmente menores.
— Questões da Lei em Marx:
Uma das maiores críticas com correlação a teoria de Marx a respeito da lei é que ela é bastante simplificada. Por exemplo, pode-se argumentar que muitas vezes houve um esforço governamental e legislativo para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora. Logo a lei não seria, pura e simplesmente, uma forma de opressão da classe trabalhadora, o que contraria os escritos de Karl Marx. Todavia pode se argumentar, em defesa da tese de Marx, que essas leis apenas atenuam o sofrimento da classe trabalhadora sem, contudo, resolver a raiz do problema.
Do mesmo modo, Marx diz que o protagonismo da lei seria menor depois da revolução. Se analisarmos a União Soviética, por exemplo, a lei ainda existia. Existia com algumas funções diferentes, mas ainda assim existia. Além disso, mesmo em uma sociedade sem classes, seria necessário pensar a respeito da possibilidade de crimes e também de regulamentações de caráter econômico.
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
Ephemeris Iurisprudentiae #7: Propriedade em Roma e em Locke
Essa aula trata do Direito Romano a respeito da primeira possessão (a quem pertence determinada propriedade). Ele fala das regras romanas em contraste com John Locke.
Os romanos tinham o termo "Occupatio", que em inglês quer dizer "occupation" e em português quer dizer "ocupação". Para os romanos, a "occupatio" requeria duas coisas:
1. Você atualmente ocupa toda essa propriedade particular;
2. Você notificou o resto do mundo de alguma forma ou outra, e eles sabem que você fez essa particular aclamação.
A divisão temporal garante que você está protegido do resto do mundo. Visto que se não há aclamação, demarcação e conhecimento público, pode haver múltiplas disputas entre diferentes pessoas.
John Lock pensa a respeito de quando uma propriedade pode passar a ser nossa. Será que é no momento em que a pegamos ou será que é no momento em que cultivamos ela? Ele trabalhou com a teoria do valor trabalho. O que pode soar libertário para alguns e precursor do marxismo para outros.
Existe uma procura de um princípio extensivo e neutro de propriedade. A questão central é: se a ideia é de que podemos pegar uma propriedade e cultivá-la para ser nossa (ocupação e uso), a demarcação não se torna inválida? Ou a pura demarcação não pode ser injusta para quem se ocupou e cultivou a propriedade? Aí está o cerne: o sistema todo pode se voltar contra si com base nisso.
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Acabo de ler "L'Hégémonisme Américain" de Alain de Benoist (lido em francês)
Nome:
L’HEGEMONISME AMERICAIN: ou le sens réel de la guerre contre l’Irak
Autor:
Alain de Benoist
Após ter começado a fazer análises de textos e livros em espanhol, comecei a fazer análises de textos e livros em inglês. Hoje inicio uma nova era desse blog: passo a analisar conteúdo escrito em francês. Como vi que Alain de Benoist chamava muita atenção, sendo chamado de "marxista de direita" ou "gramsciano de direita", resolvi trazê-lo para cá. Assim mantendo a tradição de abrir o debate público para autores pouco conhecidos ou explorados.
Os Estados Unidos após terem vencido a União Soviética na guerra fria, começaram a pensar e a implementar a universalização do seu modelo para o mundo. Essa universalização do modelo americano pode ser chamada de globalização neoliberal. Durante esse período — o texto foi escrito em 2003, atualmente vemos um declínio dos Estados Unidos e questionamentos a respeito do modelo neoliberal —, os Estados Unidos enfrentaram um mundo caoticamente instável, imprevisível, incontrolável e também marcado não só pela globalização do neoliberalismo, como pela globalização dos problemas.
Alain de Benoist fala sobre a vocação universalista de toda ideologia. Toda ideologia quer se impor como modelo universal. A universalização é um período de remodelamento do mundo em prol de um modelo específico. É evidente que se a União Soviética tivesse ganhado a guerra fria, a universalização do modelo de socialismo soviético — existem outros socialismos — seria a mais plausível. Como os Estados Unidos ganhou a guerra fria, existiu um período de remodelamento do mundo. Em alguns lugares, foi um processo mais pacífico. Em outros, mais turbulento.
Os Estados Unidos da América poderia ter optado por um regime de equilíbrio de poderes, mas optou pela simples hegemonia. O mundo poderia ter sido mais pacífico se fosse multipolar. Em vez disso, os Estados Unidos se proclamou e foi encarado como líder do mundo civilizado e chefe do mundo livre. Copiá-lo era o mesmo que se tornar civilizado e parte do mundo livre.
Essa condição gerou um neoimperialismo, um imperialismo de justificação do modelo unipolar. Esse modelo deveria ser seguido e o mundo deveria ser moldado conforme a vontade dos Estados Unidos da América. A remodelagem do mundo, às vezes vinda com tentativas de balcanização, era justificada pela noção de que os Estados Unidos estava lutando contra o mal e a barbárie. A doutrina neoimperialista, criada pelos neoconservadores, apresentou paralelos com o destino manifesto.
Enquanto os Estados Unidos realizavam o seu papel messiânico no mundo, o déficit comercial americano ia subindo e a desindustrialização ia se tornando cada vez mais grave. As ofensivas neoimperialistas, justificadas por neoconservadores, tornavam-se uma dispendiosa aventura na qual os Estados Unidos voltavam-se para o mundo e esqueciam-se de si mesmos: desindustrializando-se e aumentando o seu déficit comercial.
domingo, 12 de janeiro de 2025
Acabo de ler "How Cultural Marxism Threatens the United States" de Mike e Katharine (lido em inglês/Parte 6 Final)
O documento – bastante sucinto – é bem interessante. Antes mesmo do famoso "Project 2025", a Heritage Foundation já fundava as bases atuacionais da direita americana. De fato, as atuações da Heritage Foundation são bem interessantes e muito bem delineadas. É interessante a incrível capacidade da direita americana em comparação a direita nacional.
É um documento altamente estratégico. Fornece formas de organizações. Ensina principais pontos da atuação da esquerda no território americano – embora sua atuação seja semelhante nos países da América Latina e Europa –, ensina como combatê-los, dá um delineamento acerca de táticas e práticas institucionais para quebrar a esquerda na política. Deveras interessante.
Creio que esse "Special Report" foi bastante interessante para compreender pontos basilares da política dos Estados Unidos da América. Recomendo a sua leitura, visto que a Heritage fornece questões essenciais para a condução política americana.
sábado, 11 de janeiro de 2025
Acabo de ler "How Cultural Marxism Threatens the United States" de Mike e Katharine (lido em inglês/Parte 4)
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
Acabo de ler "How Cultural Marxism Threatens the United States" de Mike e Katharine (lido em inglês/Parte 3)
Nome:
How Cultural Marxism Threatens the United States—and How Americans Can Fight It
Autores:
Mike Gonzalez;
Katharine C. Gorka.
Os conservadores chamam de marxistas culturais aqueles que poderiam ser chamados de "New Left" ou, simplesmente, pós-marxistas. Poderíamos catalogar o marxismo cultural como uma reunião de táticas da guerra cultural impulsionadas por uma síntese de esquerda.
Uma das crenças básicas do marxismo é a separação da sociedade em diferentes categorias antagônicas. Algumas beneficiadas socialmente, outras que perdem seus recursos – que deveriam ser de direito – para grupos sociais mais privilegiados por causa da estrutura social. Se os marxistas clássicos dividiam a sociedade em trabalhadores e burgueses, os marxistas culturais dividem a sociedade por gênero, por sexualidade, por raça, por nacionalidade. Todas essas distintas catalogações servem como divisão para o trabalho revolucionário.
Para que os marxistas culturais consigam moldar a cultura, eles precisam destruir todos os traços da antiga cultura – que eles julgam pervasiva. Para tal, criam dois aparatos reguladores da atividade cultural:
1. Doutrinação em todos os meios de produção cultural;
2. Regulação da fala em todos os meios possíveis para cercear a possibilidade de discurso de visões alternativas de mundo.
É evidente que se comprovada ou admitida a existência de um marxismo cultural, cabe-se o entendimento lógico de que o marxismo cultural é um projeto de poder totalitário, de rigor tecnocrata e que ameaça qualquer possibilidade de uma sociedade livre por querer moldar toda a sociedade aos seus próprios critérios com base em doutrinação e censura. Não é uma crença, nem uma prática, que possa ser admitida ou tolerada dentro de uma sociedade livre, visto que é um veneno aos próprios critérios de liberdade.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2025
Acabo de ler "How Cultural Marxism Threatens the United States" de Mike e Katharine (lido em inglês/Parte 2)
Nome:
How Cultural Marxism Threatens the United States—and How Americans Can Fight It
Autores:
Mike Gonzalez;
Katharine C. Gorka.
Marx e Engels acreditavam que o mundo se baseava num conflito de classes. A briga presente da história seria a classe proletária contra a classe burguesa. Para se contrapor ao domínio burguês, o proletariado deveria tomar o Estado e assim exercer o poder em prol do seu favorecimento. Com o tempo, o proletariado criaria uma sociedade sem classes.
Marx acreditava que um país deveria ter sido primeiro capitalista, desenvolvido e industrializado, para depois ser um país socialista. Tal pretensão não se materializou: as revoluções saíram através de países de terceiro mundo, parcamente desenvolvidos. Qual seria a razão desse contraste? A resposta viria de Gramsci: o mundo burguês cria uma falsa hegemonia. Essa falsa hegemonia é forjada pelos meios culturais que moldam a consciência do proletariado e tornam aderentes da mentalidade burguesa.
Pensando na estrutura hegemônica como perpetuadora da mentalidade burguesa, como os marxistas virariam o jogo? A resposta viria a partir da cultura: a partir da dominação dos meios de produção cultural e das instituições, poderia se estabelecer uma contra-hegemonia que daria a consciência que o proletariado precisaria para virar o jogo.
A chave para compreender a movimentação histórica está no entendimento de que o marxismo baseado na economia foi trocado para o marxismo baseado na cultura (marxismo cultural). Esse movimento foi considerado necessário pois a maioria das pessoas eram aderentes da mentalidade burguesa e não da mentalidade socialista. Para criar uma revolução ou um processo revolucionário – mesmo que não violento –, teriam criar uma educação de esquerda e incuti-las nas massas.


















