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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Caveira Casual #13 — Monotonia do Debate Brasileiro

 



Grande parte da internet brasileira parece ter o ar interiorano de uma cidade pacata onde nada de verdadeiramente novo acontece. Eu tenho evitado grupos brasileiros e sites brasileiros ao máximo, com exceção daqueles que são usados para estudo ou daqueles com os quais tenho alguma familiaridade há anos.


Lembro-me de quando eu era mais novo. Tinha um problema enorme. Queria discutir não só stalinismo e trotskismo, mas o zapatismo também. Via que as discussões brasileiras tendiam a seguir sendo as mesmas. Quando eu era adolescente, via conservadores discutindo o neoconservadorismo e apresentando ideias neoconservadoras. Hoje em dia, apesar do conservadorismo internacional ter mudado muito e ido em direção a uma posição menos neoliberal e mais industrialista na esfera econômica, o debate nacional segue o mesmo, tal como se nada absolutamente tivesse acontecido.


A monotonia me irrita.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Acabo de ler "The Collapse of Communism" de Vários Autores (lido em inglês)

 



Nome:

The Collapse of Communism


Autores:

Foreword / John Raisian

Introduction / Lee Edwards

1. The Year of Miracles / Lee Edwards

2. The Grand Failure / Zbigniew Brzezinski

3. The Fall of the Soviet Union / Richard Pipes

4. The Stalin Era / Robert Conquest

5. The Highest Stage of Socialism / Martin Malia

6. The Silent Artillery of Communism / Michael Novak

7. The End of Communist Economics / Andrzej Brzeski

8. Why the Cold War? / Brian Crozier

9. Judgments and Misjudgments / Paul Hollander.

(Nota: preferi copiar e colar pois eram muitos autores)


Quando eu era adolescente, lia muito Lênin. Li também outros teóricos do socialismo. Karl Marx se provou bastante útil. Li também anarquistas como Proudhon e Bakunin. Minhas influências centrais eram meu tio, que era comunista, e meu pai, que era anarquista. Com meus atuais 29 anos de idade, a adolescência parece distante e o socialismo soviético, que encantou minha juventude, ainda mais. De tempos em tempos, leio algo sobre o socialismo soviético e, ainda assim, não compreendo a razão de ele passar a impressão de ser tão pesado.


Não cresci numa época em que o socialismo soviético ainda existia. Nasci em 1996. Minhas memórias mais antigas estão nos anos 2000 e 2001. Quando eu crescia, a única coisa de que se falava sobre socialismo era a China. Ninguém, todavia, apresentava-me a China como a figura obrigatória que é hoje na discussão geopolítica e geoeconômica. É evidente que, mesmo tomando notas da União Soviética e consultando diferentes autores, as questões centrais sobre seus desdobramentos ainda não se fixaram inteiramente em minha mente. Na minha cabeça, a União Soviética é uma incógnita permanente tal como o é na cabeça de um marxista. Procuro-a sob os mais diversos ângulos.


Durante um bom tempo, falava-se da vitória neoliberal e neoconservadora. Ler autores neoconservadores e pós-neoconservadores me retornou a essa questão. O triunfalismo neoconservador e ocidental, pelo que me parece, não está tão em voga quanto antigamente estava. Hoje em dia, fala-se muito mais da China e do papel do Estado no desenvolvimento econômico. Essa questão pesa muito mais caro aos Estados Unidos. Aqui parece que estamos no tempo Reagan por falta de alguém conferir o calendário.


Atualmente parece que os Estados Unidos não se acertam. Enquanto isso, a China vai impressionar o mundo em cada setor em que se apresenta. Nesse show de mágica do século XXI, a China é a grande maga que tira coelhos da cartola enquanto os Estados Unidos tentam entender o que se passa. Alguns dizem que a China é impressionante por ter aderido ao capitalismo; outros dizem que o aspecto socialista é o que mais marca a China. Considero a China como um país socialista de mercado, mas isso é estranho demais para os binarismos que marcam a mentalidade do debate público brasileiro.


Pouco tempo atrás, quase tudo poderia ser respondido com "fim da história". Tudo se adaptaria ao sistema liberal e ao fim do jogo. Mais tarde, víamos que a ordem liberal, que parecia uma verdade eterna e superior a todo e qualquer questionamento, ia se esvanecendo e dando lugar a uma incerteza crescente. No meio disso, figuras intelectualmente céticas da ordem e da economia liberal iam surgindo e recebendo cada vez mais espaço. O questionamento, cabe-se mencionar, não vem só da esquerda; a própria direita está a romper com a chamada ordem liberal.


Os autores, enquanto escreviam esse livro, falavam com a certeza histórica de que viam o fim de um mundo e confirmavam a existência de um novo mundo que estava a surgir. A história, diga-se de passagem, não é uma deusa fácil de se conquistar e se manter; ela sempre brinca com os devotos que juram que a conquistaram. Até ontem, quase ninguém imaginava que os esforços do século XXI seriam na criação de inteligências artificiais cada vez mais potentes. Hoje isso permeia o debate público como se fosse um fato banal que sempre esteve ali.


Acompanhar o debate americano em inglês e estar estudando mandarim é algo que traz um dado deslocamento. Muitas vezes me perco. Já sentia isso antes quando comecei a ler em espanhol e vi o mundo se expandir para além daquilo a que estava habituado. Pergunto-me como será o tempo em que estarei habituado a ler em mandarim. Creio que primeiro vêm a surpresa e o desbravamento; posteriormente, tudo será normalizado. Estou sempre entre a surpresa e a normalização. Não que a vida não seja uma mescla de choques. Nunca se é inteiramente velho para não ter mais espanto com alguma novidade que soe como algo vindo de outro planeta.


Hoje em dia, vejo que as certezas que a deusa história apresenta estão mais como teias de ilusão tecidas por Maia. Até pouco tempo atrás, a internet parecia um local de entretenimento infinito, um reino mágico onde todas as preocupações subitamente eram substituídas por distrações graciosas. Atualmente, olhamos para uma alta polarização em que todo mundo está xingando todo mundo. Por incrível que pareça, eu gosto de livros por eles não me ofenderem nem dizerem falsamente que me amam.


Ler o passado não é apenas confirmar as certezas de nosso presente; é saber que o nosso presente é permeado por ilusões que, hora ou outra, podem desmoronar em nossa frente. Isso é válido não só para a União Soviética, que implodiu na frente de todos, mas também para nossas ideias aparentemente imortais.


Outra grande lição que aprendi, tentando compreender as coisas e as pessoas em minha solidão, é que só podemos compreender o que queremos compreender. Do mesmo modo, as pessoas só compreendem o que querem compreender. Muitas vezes, o ininteligível é mais volitivo do que aparenta ser. Muito do que está à nossa volta é emocionalmente incompreensível antes de ser intelectualmente incompreensível.


A União Soviética é, para alguns, o pesadelo que passou. A União Soviética é, para outros, o sonho que se perdeu. Até hoje não temos um consenso no debate público. Seria o horizonte do planejamento central algo que parou na penumbra da história ou seria uma má interpretação da obra marxista? Marx errou ou se atualizou? Não teria sido melhor um socialismo aberto, para múltiplos socialistas, em vez de uma ortodoxia de ferro e fogo? Essas são questões que continuo a me fazer, pouco importando o tempo que passa e os livros que leio. Não creio que eu esteja aqui para concordar ou discordar do socialismo ou do capitalismo. Não creio que eu seja suficientemente inteligente para tal. Para ser sincero, quanto mais estudo, menos acredito em qualquer sistema que seja. Quanto mais estudo, menos me vejo capaz de realizar afirmações. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Notas Marginalistas #2

 


Notas Marginalistas:

Como o blog estava "meio abandonado" por causa de uma série de ocupações, resolvi estudar e escrever sobre um curso que estou fazendo na Marginal Revolution University. Esse curso é o "Economic History of the Soviet Union" da professora Guinevere Liberty Nell. Espero que com essas pequenas notas eu possa preencher o Blogspot com algo proveitoso.



A estrutura não será a de "uma aula = uma nota", mas sim as anotações que fiz no caderno independentemente da quantidade de aulas que realizei.

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No âmbito econômico, existem diferentes sistemas. O sistema econômico planejado, o sistema econômico misto, os países mais dados à livre iniciativa do mercado, o socialismo de mercado, os diferentes tipos de anarquismos.

A professora trata mais especificamente do regime econômico soviético. Esse regime econômico, baseado nas teorias marxistas, apresenta um domínio pleno da propriedade pública e um domínio pleno do planejamento econômico.

Em uma das aulas, a professora diz que pretende seguir o modelo de investigação proposto por Elinor Ostrom. Esse modelo advoga que é melhor analisar um organismo simples; isto é, para o processo investigativo, faz-se necessário o mais simples modelo de organismo para a observação.

Em uma aula, ela cita algumas linhas históricas que percorrerá:
1. Estudo de Marx;
2. Estudo de Lênin;
3. Teoria e Prática Marxistas.

A professora também fala sobre a importância de se estudar a teoria do valor-trabalho (TVT). Essa teoria, que é base da justificação do socialismo, trabalha com a ideia de que todo valor provém do trabalho (do esforço e da habilidade). Essa teoria, segundo críticos, se contrapõe a ideias de preferências subjetivas e escassez.

A professora nota que parte dos direitos de propriedade, no raciocínio de muitos intelectuais, também se baseia na teoria do valor-trabalho. Essa construção teórica se dá pela noção de que quanto mais misturamos nosso trabalho com algo, mais ele é nosso. Isto é, nosso trabalho é a nossa extensão no mundo.

Há também uma explicação entre o valor subjetivo, o trabalho socialmente necessário e o trabalho útil (aos fins da sociedade). Existe também um mecanismo de cálculo que é apresentado como explicação do modelo marxista:

O nível médio da tecnologia + o nível médio de habilidade = o tempo necessário de trabalho.

Existirá o argumento, que é bastante central, de que os trabalhadores não recebem inteiramente pelo seu trabalho. Parte do valor produzido pelos trabalhadores é retida pelos capitalistas. Essa teoria leva à ideia da mais-valia. Além disso, adiciona-se que múltiplos valores subjetivos, com infinitas gradações e dimensões de valores, são ignoradas pelos teóricos marxistas (teoria do valor subjetivo).

Notas Marginalistas #1

 



Notas Marginalistas:

Como o blog estava "meio abandonado" por causa de uma série de ocupações, resolvi estudar e escrever sobre um curso que estou fazendo na Marginal Revolution University. Esse curso é o "Economic History of the Soviet Union" da professora Guinevere Liberty Nell. Espero que com essas pequenas notas eu possa preencher o Blogspot com algo proveitoso.


A estrutura não será a de "uma aula = uma nota", mas sim as anotações que fiz no caderno independentemente da quantidade de aulas que realizei.

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A professora começou sua aula explicando a importância de compreender o pensamento de Karl Marx para o melhor entendimento da União Soviética. Além disso, ressaltou a importância geral do estudo de experimentos econômicos em diferentes sistemas e países. A União Soviética experimentou as teorias de Karl Marx e seus seguidores.


A professora citou, nas aulas que realizei, três autores que foram fundamentais:

- János Kornai;

- Michael Ellman;

- Vladimir Kontorovich.


A teoria de Karl Marx estabelece que o proletariado deveria se tornar a classe dominante, estabelecendo uma supremacia política. A classe proletária criaria o Estado proletário que centralizaria os meios de produção. Com o poder estabelecido, a propriedade pública substituiria a propriedade privada. Graças a tal escolha, a propriedade pública tem papel exclusivo. Todavia, entra a questão: quem controla tal propriedade? A escolha arbitrária de reguladores se torna a força única. Numa economia menos regulada, vemos o autointeresse de indivíduos e algumas arbitrariedades em áreas de amplo interesse coletivo. Na economia soviética, vimos a escolha dos planejadores como forma de poder ilimitado.


Evidentemente existiram diferentes períodos econômicos na União Soviética, esses são:

- Comunismo de Guerra;

- NPE (Nova Política Econômica);

- Subida de Stalin ao poder e seu "reinado";

- O período clássico da economia socialista;

- Período da reforma;

- Perestroika e Glasnost.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 1)

 


Nome:
Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism

Autor:
George Grant

Autor do prefácio:
Andrew Potter

George Grant alertava que as classes dominantes canadenses buscavam livros fora do país, geralmente nos Estados Unidos, como autoridade final na condução da política e da cultura. A elite canadense tem uma orientação continentalista, voltando-se a aquilo que acreditaram ser o império ocidental. Em um tempo, valiam-se do império inglês. Em outro, valiam-se do império americano. Em outras palavras, são uma elite alienada em relação ao próprio país. O leitor, conhecendo as elites brasileiras, pode chegar a uma conclusão razoavelmente semelhante acerca das elites brasileiras.

George Grant era cético para com a modernidade. Ele via a modernidade e a modernização por extensão lógica, como um processo de apagamento. Isto é, havia o modelo universal e homogêneo e as culturas locais que deveriam ser apagadas para que esse modelo fosse implementado. O Canadá, por sua vez, era uma cultura local situada ao lado do coração mais potente da modernidade: os Estados Unidos da América. Os canadenses acreditavam piamente na modernização e que o Canadá necessitava desse processo. A aceitação desse processo poderia levar ao apagamento da identidade canadense. 

O consenso das ciências sociais, nos anos 60 e nos anos 70, era que a tecnologia era uma força universalmente homogenizante. O que levava à conclusão de que todas as culturas particulares não deveriam existir ou deixariam de existir diante desse processo uniformizador. O império americano acreditava que a vontade humana é radicalmente livre para alterar o mundo e o pensamento liberal levava todos os valores para a esfera privada.

Para Grant, uma sociedade conservadora era baseada na hierarquia, deferência, tradição e moralidade pública. O conservadorismo canadense era pré-lockeano. Era um conservadorismo baseado em Richard Hooker (1554-1600). Hooker foi um teólogo, um humanista cristão e estudioso das obras de São Tomás de Aquino. Ele acreditava na conexão íntima entre o Estado e a Igreja. Esse tipo de visão marcou Grant em sua forma de ver o mundo.

O conservadorismo canadense, naquela época, poderia ser descrito como portador das seguintes características:
- Senso de comunidade;
- Ordem pública;
- Autorrestrição;
- Lealdade ao Estado.

O lema era: "paz, ordem e bom governo". Havia a crença de um Estado centralizado para promover o desenvolvimento político e econômico. Adicionando-se que a liberdade individual deveria ser restrita em nome do bem comum. A sociedade era encarada como um organismo em que cada parte era responsável pelo bem-estar do conjunto. A tradição conservadora canadense, naquele ponto, defendia um Estado intervencionista e rejeitava o continentalismo econômico. O continentalismo econômico era a integração com os Estados Unidos da América.

Podemos colocar as seguintes características:
- Comunidade acima do indivíduo;
- Hierarquia;
- Lei e ordem;
- Tradição;
- Mudanças orgânicas.

Se pensarmos bem nessa estrutura, esse conservadorismo é bastante diferente do neoconservadorismo que seria aplicado por Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Brian Mulroney. Aqui, é preciso estabelecer ao leitor brasileiro quem é Brian Mulroney. Brian Mulroney foi o décimo oitavo primeiro-ministro do Canadá, durante o período de 1984 a 1993, liderando o Partido Conservador Progressista e aplicou uma agenda econômica neoliberal, algo muito semelhante ao neoconservadorismo de Ronald Reagan nos EUA e de Margaret Thatcher no Reino Unido.

Durante muito tempo, a divisão política no Canadá era mais ou menos essa:
1. Partido Conservador: era mais tradicionalista, era mais nacionalista, tendia a usar mais o poder do Estado para promover o bem coletivo;
2. Partido Liberal: era mais favorável ao livre mercado e tinha uma orientação mais continentalista, isto é, mais alinhada à integração econômica com os Estados Unidos da América.

Atualmente o conservadorismo canadense é mais semelhante ao modelo americano. Os conservadores são religiosos que visam o tradicionalismo moral e são a favor de mais livre mercado.

Uma das maiores críticas de George Grant ao liberalismo é o fato de ele ter trocado o bem aristotélico pelo bem lockeano. O bem aristotélico era baseado numa hierarquia, isto é, com subordinação e superordinação. O bem lockeano é criado pela escolha subjetiva dos agentes. Ou seja, o bem liberal é algo que perseguimos de acordo com os nossos valores privados. É a liberdade de escolher o que quiser.

Grant faz uma leitura política de Nietzsche, no sentido de ver no liberalismo uma espécie de niilismo. O contratualismo surge como algumas leis e instituições coercitivas que servem para preservar as liberdades das múltiplas partes. O projeto liberal inteiro pode ser descrito a partir de seu subjetivismo niilista que não adentra um projeto maior. O projeto liberal tem como fundamento a maximização da liberdade humana como bem central. Os valores últimos são criados pela conveniência do momento ou uma noção vaga sobre o que consiste a qualidade da vida. Tudo se torna instrumental e o indivíduo calcula por si mesmo qual valor escolherá no momento. Todavia, nunca é questionado o que é substancialmente verdade.

A sanha liberal pela liberação humana será completada pela tecnologia. Se a tecnologia serve para a liberação humana, ela cumpre a sua função dentro de uma sociedade liberal. Isso criará o liberalismo tecnocrata.

George Grant trabalhará em suas obras a interconexão entre liberalismo, tecnologia e império. A base da interpretação dessa interconexão será bastante semelhante à ideia marxista de superestrutura. Na análise marxista, é a base econômica que determina as condições da superestrutura. Para quem não está acostumado à análise marxista, a superestrutura é o conjunto de instituições do Estado, do direito, de ideologias, de crenças, cultura e de práticas sociais que emergem e se sustentam sobre a infraestrutura econômica. E dentro da análise marxista, a infraestrutura é quem dita como será a superestrutura. A infraestrutura corresponde a um dado nível de desenvolvimento das forças produtivas e a relações de produção específicas.

Andrew Potter termina a sua introdução alertando que George Grant não conseguiu estabelecer uma resposta positiva para criar uma conexão entre a tecnologia do século XX e a justiça do século XX. Isto é, seria necessário um programa positivo que integrasse de forma justa diagnóstico e solução. Grant focou mais no diagnóstico. Além disso, os canadenses não conseguem estruturar uma identidade nacional. O Canadá é visto como yin e os Estados Unidos como yang. Torna-se uma espécie de antinação, um país marcado pela impermanência, mutabilidade, plasticidade e fragilidade. Fala-se de nacionalismo pós-moderno, mas chega-se à conclusão de que o Canadá se tornou algo. Tal como se fosse um Estado comunicacional em que as pessoas continuassem se comunicando sem chegar a alguma conclusão. O Canadá é atualmente um "Estado em progresso" sem identidade estável. Enquanto os americanos se tornam uma sociedade hobbesiana, marcada pela paranoia e pelo isolamento, a sociedade canadense experimenta valores cosmopolitas.

Vale lembrar que, hoje em dia, muitos dos aspectos hobbesianos vêm sido transferidos para a sociedade canadense. Já surgem grupos ao estilo MAGA no Canadá.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 4)

 


Nome:
The Governance of China

Autor:
Xi Jinping


Xi Jinping falará sobre o pensamento de Mao Tsé-Tung. Estabelecendo três princípios maoístas:
1. Procurar a verdade através dos fatos;
2. A linha de massa;
3. Independência.

Segundo Xi Jinping, o socialismo chinês e o socialismo no geral deveriam promover inovações teóricas baseadas na prática. O coração da matéria é a conformância com a realidade, mas a realidade deve ser compreendida contextualmente. Isto é, algo que é verdadeiro para um certo local e para um certo período não será verdadeiro para outro local e outro período. Deve-se compreender as condições da realidade para se procurar a verdade através dos fatos.

A linha de massa é a compreensão de que o povo é o criador da história. O Partido deve servir aos interesses do povo, o Partido deve estar de acordo com as aspirações do próprio povo. O supremo critério de validação é o quanto há de melhoramento na vida do povo. O Partido e o povo devem estar interconectados, visto que é o suporte popular que valida o Partido.

A independência é algo que foi construído pela revolução, pelo desenvolvimento e pela reforma. Ou seja, o caminho que o próprio povo e o próprio Partido percorreram. Compreender o próprio caminho é a independência. A diversidade de condições históricas determina os caminhos de desenvolvimento que os países podem percorrer. É evidente que se pode pegar as conquistas de outros povos para aperfeiçoar o próprio país, mas é preciso compreender a origem e o caminho do país em que se está.

Xi Jinping termina dizendo que as teorias e os sistemas devem ser aperfeiçoados em resposta às condições mutáveis e aos desafios que aparecem. Além de dizer que o Partido deve continuar a promover uma política externa independente baseada na paz. É preciso que o banner da paz, do desenvolvimento, da cooperação e do benefício para todos dê forma à política externa. Além disso, outros povos têm caminhos de desenvolvimento diferentes. Todos devem ter direito a manter seus interesses centrais sem se alienar dos seus princípios.

Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 3)

 


Nome:
The Governance of China

Autor:
Xi Jinping

Nesse artigo, Xi Jinping traz luz a uma questão fundamental: o que é o socialismo com características chinesas?

O socialismo com características chinesas, nos informa Xi Jinping, é baseado na conexão ou na integração entre a teoria do socialismo científico e as teorias do desenvolvimento social da história chinesa.

Novamente Xi Jinping trará a importância de Deng Xiaoping e a importância de um ponto de vista marxista a respeito do desenvolvimento. Sempre olhando para o que está mudando e para o que permanece no cenário internacional, nacional e dentro da situação do partido.

Em relação a Deng Xiaoping, Xi Jinping estabelece que Deng foi importante para ensinar como construir, consolidar e desenvolver o socialismo na China, país que era economicamente e culturalmente subdesenvolvido. Com isso, Deng Xiaoping elevou a compreensão do socialismo a um novo nível científico.

Quanto à pergunta sobre o socialismo com características chinesas ser ou não ser socialista, Xi Jinping confirma que é socialismo. O socialismo deve ser pautado na seguinte questão: "Como resolver um problema histórico dentro de um país?"

O socialismo, segundo o pensamento de Xi Jinping, deve ser uma resposta à história e à realidade em que está situado. É por tal razão que a China desenvolveu o seu socialismo com características chinesas. E isso explica as fases pré-reforma e abertura e pós-reforma e abertura. Elas não são antagônicas, mas lições históricas sobre como desenvolver o socialismo chinês.

Xi Jinping termina o seu artigo afirmando que o socialismo avança pela prática, sempre sendo questionado a respeito do que se sabe e do que não se sabe. É por isso que ele compreende que o marxismo e o socialismo devem ser pensados a partir de condições de desenvolvimento, isto é, adaptados às condições sociohistóricas.

Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 2)

 


Nome:
The Governance of China

Autor:
Xi Jinping

O programa de Xi Jinping é o programa da modernização socialista. Uma modernização que entra no acúmulo de conhecimento histórico do socialismo com características chinesas por mais de 90 anos. Esse acúmulo de conhecimento é chamado de leis do socialismo com características chinesas.

Nesse artigo, Xi Jinping fala das gerações do socialismo chinês:
- Primeira Geração: Mao Tsé-Tung;
- Segunda Geração: Deng Xiaoping;
- Terceira Geração: Jiang Zemin.
- Quarta Geração: Hu Jintao;
- Quinta Geração: Xi Jinping.

O propósito segue o de tornar a China um país próspero, democrático, culturalmente avançado, harmônico e com um socialismo moderno até 2049.

A forma de como fazer isso é dividida em três partes complementares: 

1. Caminho: o jeito de chegar ao objetivo;
2. Teoria: o guia para a ação;
3. Sistema: a garantia fundamental.

O progresso é visto holisticamente, conectando economia, política, cultura, sociedade, ecologia e outras formas de progresso. O foco central está nas forças produtivas. O objetivo é adaptar o marxismo às condições chinesas.

Os componentes intelectuais do marxismo chinês são:
- Marxismo;
- A Teoria de Deng Xiaoping;
- Marxismo-leninismo;
- O pensamento de Mao Tsé-Tung. 

Xi Jinping alerta sobre a necessidade de construir sistemas que demonstrem a superioridade socialista do sistema político socialista chinês. Ele também fala que a China está no estágio primário do socialismo. Estabelecendo que o Partido Marxista deve ter:
1. O ideal comum de construir o socialismo chinês;
2. O objetivo fundamental de realizar o comunismo.

Além disso, adiciona que é preciso ter harmonia entre diferentes componentes. As relações de produção devem ser harmônicas com as forças produtivas. A superestrutura deve ser harmônica com a base econômica. O desenvolvimento deve ser harmônico com a estabilidade. A defesa nacional deve ser harmônica com a política doméstica e as relações internacionais.

No final, Xi Jinping fala novamente sobre o problema da corrupção. Diz que a natureza avançada do partido é o marxismo e que os membros do partido devem acreditar no marxismo e ter fé no socialismo e no comunismo.


Retrowave #9

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 1)

 


Nome:

The Governance of China


Autor:

Xi Jinping


Tentarei me focar nos pontos centrais. Essa fala ocorreu no 18º congresso nacional do Partido Comunista chinês. Nele, Xi Jinping comemora o progresso que o Partido Comunista vem dando à China, mas alerta que o trabalho duro precisa continuar. O objetivo é tornar a China um país crescentemente mais próspero e forte. A China, recorda Xi Jinping, tem cinco mil anos de história e já contribuiu muito para a humanidade. Além disso, recorda que o Partido Comunista chinês foi fundado em 1921. Esse diálogo é do dia 15 de novembro de 2012


A meta central é o rejuvenescimento da China enquanto nação. A China precisa continuar a contribuir para a humanidade.


Xi Jinping avisa quais são as demandas do povo chinês:

- Melhor educação;

- Mais empregos estáveis;

- Mais renda;

- Segurança social confiável;

-  Melhores cuidados médicos e de saúde;

- Melhores condições de habitação;

- Ambientes mais bonitos;

- Filhos crescendo com bons empregos e vidas apreciáveis.


O trabalho do Partido Comunista seria o de dar ao povo uma vida feliz. O partido, alerta Xi, só poderá fazer isso por meio do trabalho duro. É preciso desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas do povo, sejam eles no trabalho ou na vida. Isso só é possível quando o partido resolutamente perseguir a prosperidade comum. Xi também alerta do problema da corrupção. Estabelece que o núcleo da liderança é o avanço do socialismo com características chinesas.


Xi termina falando do poder que só é conquistado pela união e que o povo é o verdadeiro criador da história. Fala sobre a China precisar de mais conhecimento do povo e do mundo precisar de mais conhecimento da China.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Nota de Pesquisa (NDP): estudo do marxismo e do anarquismo recomendado pelo /lit/



Notas:

1. Como eu vi pelo número de visualizações que gostam dos conteúdos relativos a cultura channer ou conteúdos usados por channers na hora de estudar/treinar, além do fato de ninguém ter aparecido me xingando no NGL ou no instagram, resolvi compartilhar outra lista.

2. Essa lista teve o mesmo método que usei na anterior: https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/nota-de-pesquisa-ndp-micro-guerra-pol-x.html?m=1

3. Isto é, transformei o fio em PDF e pedi para uma IA extrair os títulos e ordená-los;

4. Resolvi manter os títulos em inglês para facilitar a busca pela mesmo fonte que os e/lit/ists (usuários do /lit/ do 4chan) usaram.


1. Marxismo


Básico (leituras introdutórias ou fundamentais para iniciantes)

- The Communist Manifesto – Karl Marx & Friedrich Engels  

- Theses on Feuerbach – Karl Marx  

- The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte – Karl Marx  

- A Contribution to the Critique of Political Economy – Karl Marx  

- A Companion to Marx’s Capital – David Harvey (guia didático para acompanhar “O Capital”)


Intermediário (textos teóricos mais densos ou análises secundárias consolidadas)*

- The German Ideology (seção “Feuerbach”) – Karl Marx & Friedrich Engels  

- The Marx-Engels Reader – Robert C. Tucker (ed.)  

- Main Currents of Marxism – Leszek Kołakowski (história crítica, porém abrangente)

- The Limits to Capital – David Harvey (extensão geográfica e ecológica da teoria marxista)


Avançado (especulativo, crítico ou altamente teórico)

- The Automatic Fetish: A Materialist Theory of Religion – (Autor não citado no trecho)  

(aborda marxismo e religião de forma não ortodoxa – provavelmente pós-estrutural ou teoria crítica)


2. Anarquismo


Básico / Histórico


- Anarchist Portraits – Paul Avrich  

 (biografias de figuras anarquistas – excelente para contexto histórico e humano)


Intermediário / Teórico-Histórico


- The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia – James C. Scott  

(anarquismo não ocidental, etnografia política – influente em estudos subalternos e autonomia)


3. Teoria Crítica, Cultura & Filosofia Contemporânea


Intermediário


- Capitalist Realism: Is There No Alternative? – Mark Fisher  

 (leitura acessível mas conceitualmente rica – diagnóstico cultural do pós-modernismo neoliberal)


Avançado / Contextual


- Embora não haja livros específicos de Adorno, Benjamin, Althusser, Debord, Badiou ou Žižek listados com títulos, eles são citados como referências importantes — sugerindo que esses autores estão no horizonte teórico do fio.


4. Outros / Textos Políticos Curtos


Básico / Didático


- Combat Liberalism – Mao Zedong  

 (curto ensaio moral-político; mais relevante como crítica interna a práticas individualistas em movimentos coletivos)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Recomendações Cadavéricas #3 — Second Thought

 


Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.


https://youtube.com/@secondthought?si=lVgyzpPwcZdl-1fw


Gosto do Second Thought. É um dos canais marxistas que me surpreendem pela qualidade do seu conteúdo. Também gosto da forma que o apresentador fala e como ele se comporta durante os vídeos. Creio que ele é um dos melhores para se compreender uma perspectiva marxista interna dentro dos Estados Unidos.


Se os leitores desse blogspot gostam de verem múltiplas formas diferentes de ver o mundo, creio que gostaram de adicionar o Second Thought na lista de canais para se assistir.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Nota de Pesquisa (NDP): Política Econômica de Esquerda (links)

 



Conteúdo recomendado pelo Leftypol (https://leftypol.org)


Youtube Playlists

Anwar Shaikh - Historical Foundations of Political Economy

https://www.youtube.com/playlist?list=PLTMFx0t8kDzc72vtNWeTP05x6WYiDgEx7

Anwar Shaikh - Capitalism: Competition, Conflict and Crises

https://www.youtube.com/playlist?list=PLB1uqxcCESK6B1juh_wnKoxftZCcqA1go

Anwar Shaikh - Capitalism

https://www.youtube.com/playlist?list=PLz4k72ocf2TZMxrEVCgpp1b5K3hzFWuZh

Capital Volume 1 high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)

https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlSHVigHHx_wjaeWmDN2W-h8

Capital Volume 2 high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)

https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlSxnp8uR2kshvhG-5kzrjdQ

Capital Volume 3 high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)

https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlRoV5CVoc5yyYL4nMO9ZJzO

Theories of Surplus Value high quality audiobook from Andrew S. Rightenburg (Human-Read, not AI voice or TTS voice)

https://www.youtube.com/playlist?list=PLUjbFtkcDBlQa-dFgNFtQvvMOgNtV7nXp

Paul Cockshott - Labor Theory of Value Playlist

https://www.youtube.com/playlist?list=PLKVcO3co5aCBnDt7k5eU8msX4DhTNUila

Paul Cockshott - Economic Planning Playlist

https://www.youtube.com/playlist?list=PLKVcO3co5aCDnkyY9YkQxpx6FxPJ23joH

Paul Cockshott - Materialism, Marxism, and Thermodynamics Playlist

https://www.youtube.com/playlist?list=PLKVcO3co5aCBv0m0fAjoOy1U4mOs_Y8QM

Victor Magariño - Austrian Economics: A Critical Analysis

https://www.youtube.com/playlist?list=PLpHi51IjLqerA1aKeGe3DcRc7zCCFkAoq

Victor Magariño - Rethinking Classical Economics

https://www.youtube.com/playlist?list=PLpHi51IjLqepj9uE1hhCrA66tMvNlnItt

Victor Magariño - Mathematics for Classical Political Economy

https://www.youtube.com/playlist?list=PLpHi51IjLqepWUHXIgVhC_Txk2WJgaSst

Geopolitical Economy Hour with Radhika Desai and Michael Hudson (someone says "he's CIA doing reheated Proudhonism" lol)

https://www.youtube.com/watch?v=X7ejfZdPboo&list=PLDAi0NdlN8hMl9DkPLikDDGccibhYHnDP


Potential Sources of Information

Leftypol Wiki Political Economy Category (needs expanding)

https://leftypedia.miraheze.org/wiki/Category:Political_economy

Sci-Hub

https://sci-hub.se/about

Marxists Internet Archive

https://www.marxists.org/

Library Genesis

https://libgen.is/

University of the Left

http://ouleft.sp-mesolite.tilted.net/Online

bannedthought.net

https://bannedthought.net/

Books scanned by Ismail from eregime.org that were uploaded to archive.org

https://archive.org/details/@ismail_badiou

The Great Soviet Encyclopedia: Articles from the GSE tend to be towards the bottom.

https://encyclopedia2.thefreedictionary.com/

EcuRed: Cuba's online encyclopedia

https://www.ecured.cu/

Books on libcom.org

https://libcom.org/book

Dictionary of Revolutionary Marxism

https://massline.org/Dictionary/index.htm

/EDU/ ebook share thread

https://leftypol.org/edu/res/22659.html

Pre-Marxist Economics (Marx studied these thinkers before writing Capital and Theories of Surplus Value)

https://www.marxists.org/reference/subject/economics/index.htm

Principle writings of Karl Marx on political economy, 1844-1883

https://www.marxists.org/archive/marx/works/subject/economy/index.htm

Speeches and Articles of Marx and Engels on Free Trade and Protectionism, 1847-1888

https://www.marxists.org/archive/marx/works/subject/free-trade/index.htm

(The Critique Of) Political Economy After Marx's Death

https://www.marxists.org/subject/economy/postmarx.htm

Nota de Pesquisa (NDP): esquerda na Austrália e Oceania (links)

 



Esquerda na Austrália e Oceania.


Conteúdo recomendado pela esquerda australiana e da Oceania do leftypol (https://leftypol.org).


Links:

https://www.greenleft.org.au

https://www.auscp.org.au/militant-monthly

https://solidarity.net.au

https://redflag.org.au

https://marxistleftreview.org/?topic=australia

https://www.michaelwest.com.au

https://overland.org.au

https://arena.org.au

https://www.themonthly.com.au

https://www.crikey.com.au

https://www.redblacknotes.com

https://www.surplusvalue.org.au/McQueen/index.htm

https://reddit.com/r/AustralianSocialism 

https://www.labourstart.org/news/country.php?country=Australia&langcode=en

https://anarchistnews.org/content/spotters-guide-anarchism-australia-and-aotearoa

https://thewhiterosesociety.writeas.com



sábado, 4 de outubro de 2025

Nas Garras do Dragão #2 — Sistema Político Chinês


Aviso: optei por fontes em inglês por elas terem um padrão referencial melhor e mais abundante. Se os termos empregados aqui não baterem com a tradução oficial, saiba que foi graças a minha tradução amadora.


— A estrutura do poder chinês é dividida em:


1. Presidente;

2. Congresso Nacional do Povo;

3. Conferência de Consulta Política do Povo Chinês;

4. Suprema Corte do Povo;

5. Suprema Procuradoria do Povo;

6. Comissão Militar Central do Estado;

7. Conselho do Estado;

8. 28 ministros e comissões.


— Sistema Partidário Chinês:


O sistema chinês não é multipartidário e nem unipartidário, mas sim um sistema multipartidário de cooperação com a liderança do Partido Comunista Chinês. Esse sistema apresenta oito partidos além do Partido Comunista Chinês:


1. O Comitê Revolucionário Chinês de Kuomintang;

2. A Liga Democrática da China; 

3. A Associação Nacional de Construção Democrática da China;

4. A Associação da China para Promoção da Democracia;

5. Partido Democrático dos Camponeses e Trabalhadores Chineses;

6. O Partido Zhi Gong da China;

7. A Sociedade Jiusan;

8. Liga de Autogoverno Democrático de Taiwan.


— Função do Congresso Nacional do Povo:


O Congresso Nacional do Povo tem as seguintes funções:

1. Legislativa;

2. Apontamento e retirada de oficiais;

3. Tomada de Decisão;

4. Supervisão.


— Eleição:


A eleição na China funciona mais ou menos assim:


Votante (Eleição Direta) > Representantes das Assembleias Populares de Nível Base (Vota) > Representante das Assembleias Populares de Nível Médio (Vota) > Representante da Assembleia Popular Nacional.


— Estrutura Organizacional do Partido Comunista Chinês:


O Partido Comunista Chinês possui a sua própria organização interna. Há dois anos atras, o número de seus membros era de 96,7 milhões de membros.


Os membros podem ser vistos em três diferentes setores:


1. Serviço Civil;

2. Empresas controladas pelo Estado;

3. Organização social.


Cada membro do Partido Comunista está dentro de um sistema de level:


1. Nível de entrada e treinamento;

2. Senior funcional;

3. Nível de chefe de setor;

4. Diretor geral;

5. Ministro/governador;

6. Polituburo/conselheiro.


O Comitê Central analisa:

1. A performance dos seus membros;

2. Investiga a conduta pessoal;

3. Faz pesquisas de opinião pública;

4. Promove os melhores;

5. Só os melhores entrarão na alta burocracia;

6. Poderão administrar distritos com milhões de pessoas ou gerenciarem empresas multi-milionárias;

7. Todo esse processo demora duas ou três décadas.


Com seu sistema altamente meritocrático, podemos ver a passagem:

5. Congresso Nacional do Partido, com 2296 membros;

4. Comitê Central, com 360 membros;

3. Politburo, com 25 membros;

2. Comitê do Politburo, com 7 membros;

1. Secretário Geral, com 1 membro.

Nas Garras do Dragão #1 — Socialismo de Mercado




Já era hora de analisar diversas fontes e trazer, para o debate público nacional, mais informações sobre a China. Vou visar pegar informações de diferentes fontes, para depois compará-las. 


— Como a China combina Socialismo e Mercado?


Socialismo e princípios de mercado são centrais no que chamamos de socialismo de mercado. Esse sistema permite mecanismos de mercado funcionando dentro de um framework dominado pela propriedade pública e controlada pelo Estado. O objetivo central é o desenvolvimento do socialismo que se beneficia da eficiência do mercado. O Estado mantém o controle dos setores-chave e dos recursos, logo a propriedade pública é central.


O Estado é dono de todas as terras e tem significante porcentagem de investimento nas maiores empresas do país. Empresas privadas operam com os guias estabelecidos pelo Estado e o Partido Comunista.


Essa mudança de modelo ocorreu nos anos de 1970 com a liderança de Deng Xiaoping. Deng alterou o foco estrito do planejamento central para um modelo econômico mais pragmático, usando mecanismos de mercado para aumentar a produtividade.


Basicamente, o governo chinês estabelece metas estratégicas para a economia e intervém quando necessário. A competição de mercado é encorajada para alocar recursos e para promover inovação. Esse sistema econômico híbrido permite uma direção de crescimento econômico ao mesmo tempo que possibilita olhar as desigualdades e instabilidades.


O controle do Estado permite um direcionamento da riqueza para o desenvolvimento social e para promover o Estado de bem-estar. Ele também é uma prova que o socialismo pode se adaptar as condições correntes e fazer uma efetiva implementação. O socialismo de mercado é visto como uma fase preliminar do socialismo, ele permite princípios de mercado ao lado de propriedades públicas. Ele distancia a China de economias capitalistas, ao mesmo tempo que prioriza a maximição de objetivos sociais.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Philosophia Iuris #17: Karl Marx e a Lei


 

Aviso: aqui será uma explicação breve sobre uma teoria da lei em Marx, visto que caberá mais aos sucessores do seu pensamento definirem uma teoria legal marxista.


— Karl Marx:


Marx escreveu muito sobre teoria econômica, ele também focou no desenvolvimento de uma teoria política e de uma teoria histórica. Graças a isso, ele não chegou a desenvolver uma teoria sistemática a respeito da lei. Temos que compreender que o esforço de Marx, e também de Engels, está mais correlacionado com uma tentativa de compreender as relações econômicas dentro da sociedade. Para Marx e Engels, as condições materiais da sociedade adquirem uma importância maior no direcionamento do seu pensamento. Para Marx, a lei entraria dentro da superestrutura junto com outros fenômenos culturais e políticos.


Cabe lembrar que Marx tinha uma linha de raciocínio histórica. Ele acreditava que a evolução social poderia ser explicada em termos de forças históricas. Estudando Hegel, Marx e Engels desenvolveram a teoria do materialismo dialético. Marx e Engels compreendiam que exista uma relação dialética dentro da sociedade, onde havia uma oposição de classes. Eles compreendiam que os meios de produção, os meios de produção econômica, eram materialmente determinados. E as distintas classes sociais, em suas dinâmicas, tinham um inevitável conflito em relação a esses meios de produção. Havia, para Marx, uma oposição entre quem detém os meios de produção e quem não detém.


— Lei e Ideologia:


A lei tinha, para Marx, uma função ideológica. Vamos nos aprofundar um pouco mais nisso.


Dentro da sociedade, a classe trabalhadora desenvolverá uma consciência da sua condição. Essa consciência se desenvolverá a partir da análise da sua condição material. A classe trabalhora percebe que precisa vender a sua força de trabalho para sobreviver e viver. Enquanto a classe detentora dos meios de produção (burguesia), explora a força de trabalho da classe trabalhadora.


Para Marx, desenvolvemos a nossa consciência e conhecimento a partir das experiências sociais que temos.


O papel da lei, em Marx, existe apenas para manter o estado atual de ordem social:

1. Representa os interesses da classe dominante;

2. Serve para manter o status quo.


Desse modo, podemos compreender que para Marx e Engels a lei serve como veículo da classe dominante para manter o seu poder. Quando há uma transição para sociedade sem classes, o papel da lei se tornaria mais limitado. Em outras palavras, quando a ditadura burguesa (compreendendo como o monopólio do poder da burguesia) fosse substituída pela ditadura do proletariado (compreendido como a tomada do monopólio do poder), a existência do Estado e a necessidade da lei seriam gradualmente menores. 


— Questões da Lei em Marx:


Uma das maiores críticas com correlação a teoria de Marx a respeito da lei é que ela é bastante simplificada. Por exemplo, pode-se argumentar que muitas vezes houve um esforço governamental e legislativo para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora. Logo a lei não seria, pura e simplesmente, uma forma de opressão da classe trabalhadora, o que contraria os escritos de Karl Marx. Todavia pode se argumentar, em defesa da tese de Marx, que essas leis apenas atenuam o sofrimento da classe trabalhadora sem, contudo, resolver a raiz do problema.


Do mesmo modo, Marx diz que o protagonismo da lei seria menor depois da revolução. Se analisarmos a União Soviética, por exemplo, a lei ainda existia. Existia com algumas funções diferentes, mas ainda assim existia. Além disso, mesmo em uma sociedade sem classes, seria necessário pensar a respeito da possibilidade de crimes e também de regulamentações de caráter econômico.