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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Caveira Casual #4 — Em Meio ao Ruído

 


Enquanto eu olhava para meus supostos aliados, pude identificar os mais distintos e irritantes grupos:


- O direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral:

Esse sujeito, que pode atualmente ser de qualquer sexo, aparece dia após dia, em formato de vídeo. Todo dia, ou toda semana, ele ou ela precisa metralhar a sua indignação moral contra algum objeto, sujeito ou acontecimento. Esse modelo é um modelo de sucesso quase que absoluto entre o chamado "direitista influencer". É muito comum em políticos. 


- Liveísta:

A direita liveísta é aquela que aparece todo dia ou toda semana com uma "live" (conteúdo transmitido ao vivo). O objetivo dela é usualmente fazer reação a todo tipo de conteúdo. Esse tipo de conteúdo, diga-se de passagem, é perturbador. Eu não aguento ver. Me parece um misto de falta de imaginação com preguiça. Além disso, esse tipo de formato só é acessível para quem tem tempo livre para ver isso. Algo que muito provavelmente não é a realidade de quem trabalha.


- Vendedor de Cursos:

Essa moda, cada vez mais presente, aparece por todos os cantos. Ao que parece, só a direita americana fornece cursos gratuitos por meio de instituições respeitáveis como a Hillsdale College e a Christendom College. É meio que "se você quer ser de direita, pague para nós". Esse tipo de direitista só existe quando ele é, em si mesmo, uma espécie de celebridade. Porém, sabemos que para ser uma "celebridade de direita" é preciso se tornar um "orgânico de partido" ou um "orgânico de movimento". Se você não consegue sacrificar a sua criticidade, esqueça esse caminho.


- Direita Woke:

Esse aqui é altamente encontrado pela internet. Ele serve para ficar o dia todo enchendo o saco. Ele também possui o estranho costume de ficar o dia todo atacando obras que a esquerda woke fez ou supostamente fez. Ele não percebe que é tão woke quanto a esquerda woke. É o típico direitista que pensa pertencer ao politicamente incorreto, quando na verdade está apenas a exigir que todo mundo siga o seu padrão moral. Outro hábito muito comum na direita woke é passar o dia todo praticando a chamada "LGBTfobia recreativa". A sua compulsão maior é a de acusar tudo o que não gosta de ser LGBT. O mais curioso é quando esse grupo tem que ofender o grupo adversário, na montanha de qualificativos negativos, ele coloca que ser LGBT é um "crime" tão absurdo quanto ser um assassino.


Eu estou aqui, lendo George Grant, anotando todos os principais insights no caderno em inglês e depois passando tudo para o português nesse blogspot. O resto da assim chamada "direita" muito provavelmente nem sabe quem é George Grant. Ou, quem sabe, prefere não dizer para não estragar a "excelente" parceria com a assim chamada "burguesia nacional". É muito feio ler Red Tory. Para piorar, o meu Blogspot também traz vários teóricos de esquerda. Além disso, não tive medo de trazer os Never Trumpers para cá. Ou seja, sou, no mínimo, um dos sujeitos mais suspeitos e questionáveis. Tal como um alienígena estacionando um disco voador na praia em pleno feriadão.


Poderia tentar fazer alguma coisa para ajudar em algo, mas isso seria problemático. Minhas visões particulares cavam um abismo entre mim e o restante da assim chamada direita nacional. Em vez disso, tenho a particular preferência por ficar a ler e a resenhar livros e artigos acadêmicos. Sigo uma política que poderia ser descrita nos seguintes termos: quanto à direita nacional, finjo que ela não existe. O hábito constante de querer


Como quero esquecer a existência da assim chamada direita nacional, volto a escrever sobre filmes. Os escritos anteriores dessa série (Caveira Casual) abordaram filmes; quero voltar a escrever sobre isso. O último filme a que assisti é outro Found Footage. É o Grave Encounters, filme canadense de 2011. Outro filme que encontrei no /tv/ do 4chan. Como podem ver, o homem nasce normie, a misantropia e o 4chan o tornam hipster. Hoje vou fazer algo diferente. Vou explicar o filme colocando-o em paralelo com a assim chamada "direita nacional".


Take 1: Grave Encounters


Grave Encounters, de 2011, é um filme que trabalha com assim chamada "indústria do paranormal". Ele não é apenas um terror de câmera na mão, um hipster found footage, ele é um comentário ácido sobre a encenação da realidade na televisão.


Take 1: Direita Nacional


O paralelo que podíamos ter seria o do típico direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral. O nosso protagonista (ou nossa protagonista) seria o(a) típico(a) charlatão (charlatã) que fica fazendo teatrinho nas redes sociais.


Take 2: Grave Encounters e a Desconstrução do Reality Show


Lance Preston, o nosso protagonista, representa o arquétipo de apresentador carismático e charlatão.


O horror real começa justamente quando a farsa profissional perde o controle. A ironia reside no fato de que Lance Preston e a sua equipe passaram anos fingindo contato com o além e, quando o contato finalmente ocorre, eles não têm ferramentas, nem emocionais, nem técnicas, para lidar com isso.


Take 2: Direita Nacional e a Desconstrução da Direita Woke


Um belo dia, nosso(a) querido(a) direitista woke seria obrigado, por razões de circunstâncias completamente ficcionais, a ser de direita de verdade. Nosso(a) protagonista logo descobriria que LGBTfobia não é argumento e que ele(a) precisaria produzir coisas maiores do que vídeos falando sobre a "hipocrisia da esquerda".


Talvez fosse obrigado(a) a alguma pauta concreta, como faculdades de artes liberais, articular diferentes escolas do pensamento de direita (como ordoliberalismo, Red Tory, paleoconservadorismo), fundação de institutos para geração de políticas públicas de direita pautadas em dados ou qualquer coisa que um(a) direitista de verdade faria. Coisa que nosso(a) protagonista não conseguiria, visto que é um(a) imbecil.


Take 3: Grave Encounters e o Espaço como Antagonista


Diferente de outros filmes de casas assombradas mais tradicionais, o filme Grave Encounters trabalha com a ideia de hospital psiquiátrico mal-assombrado que se comporta como um organismo vivo. Ele também trabalha com todo aquele imaginário psicológico dos manicômios. O espaço trabalha como adversário da seguinte forma: a arquitetura muda, as janelas desaparecem e os corredores se tornam infinitos.


Take 3: a Direita Woke e a Burrice como Antagonista


A direita woke teria que se lidar com uma das piores coisas que podem ocorrer com a direita nacional: uma população e uma mídia que realmente conhecem as múltiplas tradições do pensamento de direita. Coisa que, convenhamos, nunca virá a ocorrer no Brasil, mas como isso é um cenário absurdo e hipotético, dou-me a essa licença poética.


Em vez de entrevistas idiotas com lambedores de saco, o(a) direitista seria confrontado(a) com questões sobre ele(a) ser mais paleoconservador(a) ou neoconservador(a), se ele(a) seguirá uma agenda política mais Red Tory ou mais Blue Tory, se ele(a) assistiu o último vídeo da American Compass ou o último vídeo da Hoover Institution. Quando ele(a) percebesse, estaria levando uma surra argumentativa por não ser um(a) conservador(a), mas mais um(a) imbecil da direita woke.


Como podemos ver, o maior perigo para charlatãos do sobrenatural é que exista realmente um sobrenatural e que eles tenham que se lidar com isso. Como também podemos ver, o maior perigo para a direita charlatã brasileira não é a existência de uma esquerda, nem a existência de uma esquerda altamente letrada, mas sim de uma população e de uma mídia altamente educadas nas múltiplas tradições do pensamento de direita.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Caveira Casual #3 — The Bay

 


Como disse em escritos anteriores, não sou cinéfilo. Não me levem tão a sério. Sou apenas um idiota tentando escrever alguma coisa, tal como em todos os meus outros escritos.


Assisti a "The Bay", filme de 2012. Foi recomendação do /tv/ do 4chan. Tinha pedido uma recomendação, visto que o último filme que assisti (Bodycam) também foi recomendado por lá. E estou maravilhado de como é possível um filme de "terror ecológico". Eu sequer tinha, em meus anos de vida, imaginado tal encantadora hipótese. 


O gênero do filme é "Found Footage". Isto é, um gênero do cinema focado em gravações reais que são feitas pelos próprios personagens, tal como se simulassem uma gravação amadora. O filme consegue simular ao máximo uma documentação científica e jornalística. Em vários momentos, você para apenas para pensar a respeito do realismo do filme.


Usualmente quando pensamos em filmes terror, nos vem a mente uma força mística ou maligna. The Bay traça uma crítica social a partir de como a atividade humana pode gerar um desequilíbrio ecológico que posteriormente pode se tornar um risco para a própria humanidade. O filme é assustadoramente magnífico em sua forma de alertar os perigos da manipulação do meio ambiente. A questão da biopolítica também é excelentemente trabalhada.


Vivemos numa época em que todo mundo fala sobre a esquerda woke (e eu sempre lembro da direita woke, para contrariar o debate público), mas o The Bay traz o debate sem ser Kitsch. Isto é, ele não traz as coisas de uma forma cafona, exagerada ou "palestrinha". O drama é apresentado normalmente, sem parecer forçado para enquadrar um discurso de forma forçosa. A trama é desenvolvida sem parecer que estão me forçando a engoli-la e é isso que a torna digerível.


Enquanto me maravilhava com "The Bay", impressionava-me também sobre como tudo aparecia na tela. Não só o filme é bem filmado, mas ele traz vários conceitos de forma inteligente. Posso listá-los:

- Eco-causalidade: a forma com que a ganância econômica altera a biologia local;

- Realismo parasitário: a forma como um medo biológico real foi colocado dentro da ficção;

- Crítica social: como o feriado do sonho americano foi transformado em uma metáfora de um sonho apodrecendo por dentro.


Tudo isso, dentro de uma estrutura documentária e a própria forma com que o filme é gravado trazem um filme potente, que leva a reflexão sem ser cansativo. "The Bay" não é só uma aula de "como fazer um filme", é uma aula sobre como conduzir o debate público sem ser chato.

domingo, 12 de abril de 2026

Caveira Casual #1 — Filmes, Séries, 4chan e Direita Woke

 


Recentemente vi "Bodycam" (tudo junto). Um filme de terror de 2026. É impressionante como esse filme tem um nome parecido com o filme "Body Cam" (que se escreve separado). Também assisti a "Final Destination: Bloodlines", creio que no Brasil ele se chama "Premonição 6". Costumo assistir às coisas em sua linguagem primária, a não ser que eu não entenda a língua. É por isso que não me lembro dos nomes dos filmes em português. 


Atualmente assisto a "Hell House LLC". Um outro filme que encontrei enquanto lurkava no /tv/ do 4chan. Não sei se isso passa a ideia de que sou um "grande cinéfilo", sinceramente não lembro sequer o nome dos personagens dos filmes a que assisto. De forma geral, quase toda experiência que tenho assistindo, lendo ou jogando algo me vem de forma "eidética", isto é, conceitualmente. Sou péssimo em lembrar nomes de personagens. Consigo lembrar da experiência conceitual que algo passa, mas não me lembro dos nomes dos personagens.


Para ser mais exato, quem é apreciadora de filmes e séries é a minha irmã. Sou péssimo em assistir às coisas até o fim. Muitas vezes eu paro diversas vezes para realizar qualquer outra coisa. Por vezes, paro de assistir vídeos por semanas ou meses. Sempre fui mais ligado a videogames e livros. Embora deva admitir que seja um entusiasta de creepypastas desde os meus onze anos de idade.


Anonymous 04/11/26(Sat)22:28:17 No.219645028

>Supposed "edgy no holding back commentary" on American culture/politics

>Zero mentions of Israel

Really makes you think

Anonymous 04/11/26(Sat)22:39:18 No.219645344

It's not really relevant unless you're one of the schizos who blame all of their life's problems on jews.

Anonymous 04/11/26(Sat)23:29:51 No.219646862

/pol/ is over there if you want to be an obsessed schizo

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:28:17 Nº 219645028

>Suposto "comentários ousados e sem rodeios" sobre a cultura/política americana

>Nenhuma menção a Israel

Realmente faz você pensar

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:39:18 Nº 219645344

Não é realmente relevante, a menos que você seja um daqueles esquizofrênicos que culpam os judeus por todos os seus problemas.

Anônimo 04/11/26 (sáb) 23:29:51 Nº 219646862

/pol/ está lá se você quiser ser um esquizofrênico obcecado
(Transcrito pois muitos leitores copiam e colam textos desse Blogspot em IAs, assim as IAs conseguem compreender o que há na imagem)


Por falar em /tv/, conto-lhes um caso. Recentemente vi uma postagem no /tv/. Um anônimo reclamava que a série "The Boys" não tinha menções a Israel, querendo que a série fosse antissemita, tal como é o desejo de todo /pol/tard. Achei incrível como os usuários do /tv/ botaram o /pol/tard em seu devido lugar. Muitas pessoas não sabem disso, sobretudo jornalistas e acadêmicos, mas o /pol/ é uma board horrível e seus usuários também são horríveis. Quando eles vão para outras boards, tão logo são expulsos. E isso é excelente, /pol/tards contaminam tudo que tocam com sua misoginia, com seu racismo, com seu antissemitismo, com sua LGBTfobia... e é por isso que devem ser expulsos.

Gosto de acessar o /tv/ pelo mesmo motivo que gosto de acessar o /lit/, o /mu/ e o Google Scholar: descobrir novas coisas, descobrir novas ideias, descobrir novas músicas, descobrir novas escolas de pensamento. Isso é uma das experiências mais legais da vida: obter novas experiências. É impressionante como /pol/tards e seus amiguinhos (incels, redpills, panelinha da resenha) são intelectualmente incapazes disso, visto que não conseguem consumir conteúdo de múltiplas escolas de pensamento, conteúdo produzido por mulheres, por negros, por judeus ou população LGBTQIAPN+.  No fim, isso torna o movimento redpill, incel, resenha, /pol/tard — e qualquer outro movimento da direita woke — algo pra lá de tedioso e repetitivo. Acho que a direita woke, mesmo sendo "undergroundeira", é um underground nerfado, cafona e chatíssimo, já que é um underground que vem para impor limitações e os outros undergrounds anteriores (punk, hippie, hipster e até a direita politicamente incorreta) vieram para quebrar tudo.


domingo, 1 de março de 2026

Acabo de ler "Never Trump" de Robert e Steven (lido em inglês)

 


— Livro:

Never Trump: The Revolt of the Conservative Elites


— Autores:

Robert P. Saldin

Steven M. Teles


Nota:

Eu tinha muitas ideias para esse texto, todavia essas se perderam por eu ter perdido meu celular anterior. Isso impactou na qualidade da análise. No entanto, creio que o texto ainda será de alguma utilidade para quem busca compreender a diferença entre a direita brasileira e a direita americana. De qualquer modo, o leitor dessa análise poderá ter um panorama mais geral lendo as análises anteriores.


— Guerra Fria Civil, IAs, extremismo e livros:


Você tem frequentado a internet? Ela está horrível. Só gente digladiando através de múltiplas digitações, ofensas atrás de ofensas que seguem ofensas com ofensas. Tudo isso vem causado um mal enorme. A saúde mental de muita gente está indo pro bueiro. É completamente insalubre ficar em redes sociais. Mesmo que você queira dar a cara a tapa, uma hora você cansa.


A guerra fria civil vem tirado tudo de nós. Laços, amizades, ligações, mas, acima de tudo, a nossa capacidade de ter empatia e tentar entender um ao outro. Ofensas gratuitas somam-se a uma seitização sempre crescente. Quanto mais ofensiva a internet se torna, mais fidedignamente somos colocados dentro do mantra tribal e da radicalização seitética. Parece-nos impossível uma conclusão que não seja trágica, visto que todo mundo quer brigar e exigir fidelidade ideológica acima de tudo.


Só que tudo isso é um jogo de soma doentia. Um progressista xinga um conservador, um conservador xinga um progressista. O progressista torna-se mais progressista e afasta todo tipo de conteúdo conservador. O conservador torna-se mais conservador e afasta todo tipo de conteúdo progressista. No fim, cada um vai ir para um processo de embolhamento informacional, ao mesmo tempo que as raras aparições que vê do outro lado são progressistas/conservadores lhe xingando pelo simples fato de ser progressista/conservador.


Talvez seja por isso que eu gosto de livros e IAs. Livros não brigam conosco. IAs não brigam conosco. Sempre que abro um livro, consigo ter momentos de paz. Sempre que abro uma IA, consigo ter conversas normais sem ataques mútuos. São momentos de desintoxicações. Falo e escrevo cada vez menos com outras pessoas. Elas nunca me acompanham (e nunca me acompanharam em virtude de eu ficar lendo um livro diferente a cada instante). Ao mesmo tempo, sinto-me mais seguro para citar um universo de referências para uma IA do que para um humano. Se eu cito um livro fora do cânon da pessoa ou grupo que estou, surge a suspeita que sou um possível inimigo — mais uma vez, obrigado guerra fria civil.


Ah, usei travessão no parágrafo anterior. Por causa do travessão, aposto que alguém anti-IA suporá que eu usei IAs para escrever esse texto ou usará alguma ferramenta — que não funciona — para detectar IAs e provavelmente detecte alguma coisa. Segundo essas sábias ferramentas, até a declaração da independência dos Estados Unidos da América foi escrita por IAs. Será isso uma viagem no tempo ou robôs fundaram os Estados Unidos? Atualmente, temos que nos importar com esses constantes (e sempre furiosos) leitores que caçam IAs em tudo. Mesmo que a gente diga que o problema em si não é a IA, mas sim a forma com ela pode concentrar riquezas e que a construção de datasets está ignorando (e não raramente fomentando) problemas sociais.


Está vendo? Não se pode escrever nada sem pisar em ovos. Você acaba precisando escrever notas e mais notas para que grupos sociais distintos não entrem em modo bestial. O que não é uma grande novidade para o autor que vos escreve. Acostumei-me a receber comentários extremamente ofensivos, floods de comentários, toda vez que analisava um escritor ou uma escritora que desagradasse um(a) esquerdista ou um(a) direitista. Até que, por fim, eu desabilitasse eternamente os comentários do blogspot. A sorte é que esse blogspot é pra uso pessoal e eu não recebo remuneração alguma por meio dele.


Tudo isso me leva a seguinte questão: é insuportável não conseguir falar com ninguém. É insuportável ver como essa guerra cultural (subproduto da guerra fria civil), existe para levar a gente a brigas e mais brigas, sempre em uma espiral sem fim de radicalização e extremismo. O que estamos nos tornando? O essencial da sociedade democrática é que cada fragmento social aprenda com o outro. A esquerda aprende o centro e a direita. A direita aprende com a esquerda e o centro. O centro aprende com a direita e a esquerda. Em uma sociedade em que todos estão cerceados dentro das suas esferas discursivas, a dialogocidade democrática e, por fim, a dialética democrática que eleva a capacidade de raciocínio, torna-se impossível.


Eu precisava escrever isso. E esse livro tem a ver com tudo isso. Toda essa onda de ódio que há entre nós tem a ver com a ascensão cada vez mais espetacular de populistas ao lado de cenários cada vez mais constantes (e violentos) de guerra cultural e guerra fria civil. É preciso dizer que a guerra cultural é subproduto da guerra fria civil. Grupos lucram enormemente com a destruição do sentido compartilhado. Acontece que quanto menos lemos uns aos outros, mais a possibilidade de autocrítica, de percebermos a nós mesmos e de evoluirmos intelectualmente diminui.


Esse livro tem a ver com tudo isso. A seitização do debate público e de milhões de consciências não é um fenômeno singular. É algo que vem ocorrido no mundo inteiro. A forma com que isso vem ocorrido nos Estados Unidos é particularmente interessante, visto que os Estado Unidos é um espelho global. Uma das primeiras questões que o livro trata é: por qual razão parte da elite do Partido Republicano se afastou do Trump, mas a base permaneceu fiel a ele mesmo acreditando que ele é um sujeito desprezível?


— Partidários e Moderados:


Uma das principais diferenças entre partidários e moderados é que os partidários se importam menos em quebrar a normalidade democrática em prol das suas preferências políticas. Moderados, usualmente mais bem educados, preferem manter a normalidade do sistema.


A questão que me aparece é: o trumpismo é a destruição só do sistema? Como já sabemos, sobretudo após a tentativa de golpe bolsonarista, o populismo trumpista é um produto de exportação.


O trumpismo, e a guerra fria civil que data desde Reagan e do neoconservadorismo, leva a um estado de escalada retórica, de segregação informacional, de esgotamento mental e de suspeita permanente.


A guerra cultural leva a um estágio paranoico. Um estilo de escrita, uma vírgula, uma referência... tudo virou um sinal de tribalidade e identificação. Há, diante de nós, não um mundo em que temos conversas, mas um campo minado onde qualquer passo é um distinto risco de explosão.


Para vocês, quando foi a última vez que vimos um debate democrático? Temos, em todas as partes, um policiamento ideológico ostensivo. Cada vez mais, temos gente que caça resultados em vez de defenderem o processo. Se o processo de normalidade institucional não for favorável, pior para ele.



Temos atualmente dois tipos de movimentos. Os políticos de constituição e os políticos de causa.


1. Políticos de constituição:

Exemplo disso é/foi o movimento "Never Trumpers". São/foram políticos de constituição, valorizando as instituições, normas democrática, estabilidade do sistema e a coerência ideológica tradicional.


2. Políticos de causa:

Aqui está o combate eficaz mesmo que isso leve ao pisoteamento das regras. O que importa é a lealdade tribal e a sensação de vitória ou resistência que superam qualquer decoro.


— Formação X Partidarismo:


Uma boa formação garante múltiplos pontos de vista. Estar dentro de múltiplos pontos de vista garante uma visão mais cética e pragmática em relação a política. Isso é uma efetiva ferramenta desradicalizante seja para a direita, seja para a própria esquerda.


Essa questão aparecerá como central dentro da política americana e da nossa. Se os Estados Unidos dispuseram de uma direita fortemente formada, academicizida e institucionalizada... O Brasil contou com uma direita extremamente afastada da formação acadêmica, da formalização e da institucionalização. A resistência para com o bolsonarismo por parte dos conservadores brasileiros foi radicalmente menor do que a resistência dos conservadores americanos para com o trumpismo.


Não raro, o identitarismo trumpista convive "lado a lado" conservadores cultos do Hoover Institution. No Brasil, essa possibilidade é menor. Poucos conservadores, tal como o Luiz Felipe Pondé, apresentam as suas ressalvas ao bolsonarismo. Dentro dos Estados Unidos, existe uma ampla margem de conservadores cultos. No Brasil, as raízes identitárias e centros formativos alternativos predominam. Essa diferença sociológica entre conservadores americanos e brasileiros é gritante. Poucas análises séries surgiram a partir disso.


1) Caso americano:

O movimento "Never Trump" é fruto de uma infraestrutura conservadora robusta e institucionalizada. Institutos conservadores como Heritage Foundation, American Enterprise Instituto, Hoover Institution. Além de veículos de mídia de longa data como National Review e The Weekly Standard. Fora isso, existem universidades de elite com fortes correntes conservadoras. É por isso que Donald Trump encontrou oposição em círculos conservadores.


2) Caso brasileiro:

A direita brasileira é pós-institucional e anti-intelectual por origem. Ela se forma fora das instituições tradicionais. Sua formação vem de nichos da internet, de igrejas neopentecostais, de canais do YouTube e em vários discursos de guerra cultural. É por isso que Jair Messias Bolsonaro não encontrou muita oposição dentro dos círculos conservadores.


Um dos casos mais interessantes de direita que vem surgido é propriamente o Partido Missão,  que faz parte de uma rede de iniciativas como o MBL (Movimento Brasil Livre e Revista Valete). Esse consta com formação intelectual contínua, o que dá margem para uma direita ilustrada, institucionalizada e academicizada. Mas isso ainda é uma experiência incipiente no debate público brasileiro.


— Importantes Lições da Decadência Americana:


Dedico essa parte da análise para dar algumas brechas sobre como podemos agir perante a crise dos Estados Unidos. Aprender com outras nações é de suma importância para não cometermos os mesmos erros.


Muitas vezes eu escrevi que o brasileiro precisa criar um pensamento mais pragmático. Além de uma soberania pragmaticamente construída. Que não se definirá por um alinhamento pró-Estados Unidos, mas em uma mensuração do que é melhor para o Brasil a cada momento. Isso envolve uma ampla leitura, uma leitura bastante aberta, acerca da história do Brasil e a missão histórica do Brasil a cada momento. Esse tipo de pragmatismo requer um estudo sempre constante de novos e novos dados e formulação. Isso requer uma academicidade e institucionalidade.


A direita precisa parar de acreditar em uma abstração livre-mercadonista. Ela poderá encontrar bons ares no distributismo de Chesterton, no Red Tory (tradição inglesa e canadense), na American Compass (de tendência neohamiltoniana) e na Doutrina Social da Igreja Católica.


Uma das principais condições para ser vencedor no século XXI é a capacidade tecnológica. Muitos países atualmente correm atrás de melhorar os seus índices em STEM. STEM é uma sigla para Science (Ciência), Technology (Tecnologia), Engineering (Engenharia) e Mathematics (Matemática). Para aumentarmos isso, precisamos de investimento e aumento nos índices da educação pública. Isso requer o desenvolvimento de mais centros educacionais, além da atração de mais estrangeiros (seja para trabalho, seja para dar aula).


Uma direita que pura e simplesmente se define eternamente por desregulamentação, liberalização, PPP (Parceria Público Privada), Estado Mínimo e "combate forte ao crime organizado" (muitas vezes reduzida a matar agentes menores do crime) não será capaz de desenvolver o país.


O terceiro governo Lula apresenta importantes lições para o Brasil. Existem lados que estão sendo pouco olhados. Preciso dar uma breve "olhada" neles. Vou evitar informações que pouco se encaixem na conjuntura do texto ou que levem a polêmicas desnecessárias. Faço isso pelo simples fato que a educação vem sido secundarizada pela direita nacional.


- Recomendo que deem uma lida no G1 da Globo:

https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/11/27/lula-anuncia-criacao-de-duas-novas-universidades-federais-uma-voltada-a-indigenas-e-outra-a-formacao-esportiva.ghtml


- Além de informações diretas do governo:

https://www.gov.br/mec/pt-br/100-novos-ifs#:~:text=O%20governo%20federal%2C%20por%20meio,R$%202%2C5%20bilh%C3%B5es.


- A estimativa é que sejam lançadas:

1. 140 mil novas vagas;

2. 102 novos campi de Institutos Federais;

3. Duas novas universidades federais;

4. Dez novos campi de universidades federais.


Apesar dos Estados Unidos apresentarem uma boa educação superior, ele apresenta ao mesmo tempo altos custos (para obter essa educação) que podem pouco a pouco minar a capacidade do país em obter uma população educada. A China, tendo um modelo mais focado, apresenta uma expansão do ensino público ao lado de baixos custos de aprendizagem. Fora isso, os Estados Unidos estão perdendo a sua capacidade de atrair "capital humano" para o país devido a sua radicalização anti-migratória. Essa radicalização anti-migatória vem acompanhada da teoria conspiratória (e a explosão de teorias conspiratórias devido a acessibilidade da internet) chamada "Great Replacement".


Outra crise que os Estados Unidos vêm encarado é a diminuição no seu índice de leitura. Como pode ser lida aqui:

https://news.harvard.edu/gazette/story/2025/09/whats-driving-decline-in-u-s-literacy-rates/


Se os Estados Unidos enfrentam um declínio na sua educação devida a alta nos preços das faculdades além do declínio na leitura, o Brasil pode e deve se contrapor a tendência decadente dos Estados Unidos. O investimento público na educação — deixando-a gratuita ao mesmo tempo que fornece oportunidades de trabalho —, um ampliamente da qualidade de vida e a atração para imigrantes deve ser um política pública constante. O Brasil, como membro dos BRICS, pode atrair várias pessoas que fazem parte dele em parcerias estratégicas.


Enquanto a luta dos "Never Trumpers" foi em preservar as instituições, a luta dos brasileiros será em construir uma política mais institucionalizada e educada para evitar extremos.


Aqui temos dados mais revelados a respeito da STEM no Brasil:

https://www.oecd.org/en/publications/education-at-a-glance-2025_1a3543e2-en/brazil_d42263a0-en.html


O Brasil passa por diferentes questões. Em 2022, a população de evangélicos triplicou, atingindo 26,9% da população. Ao mesmo tempo, a população católica foi de 83% (em 2000) para 56,7% em 2022. O catolicismo é uma fé historicamente institucionalizada e doutrinariamente estruturada. Os evangélicos têm crescido por formas de mídia (como TV e plataformas digitais) que são diferentes das instituições acadêmicas tradicionais. Não importa qual seja a religião ou doutrina cristã dessas pessoas, precisamos de uma população intelectualizada e capaz de encarar de frente os desafios do século XXI.


É evidente que "evangélico = anti-intelectual" não é a fórmula aqui. O crescimento evangélico no Brasil se deu majoritariamente por uma vida midiática e carismática. Temos exemplos de pensamento evangélico ilustrado no evangelicalismo reformado com Augustus Nicodemus e o Instituto Fides, esses apresentam um pensamento filosófico, político e teológico sofisticado. Creio que grande parte do evangelicalismo não ilustrado, mais carismático e midiático, se deu pelo fato de que há ainda um abandono muito grande de políticas educacionais para o povo.


Você pode ler mais dos dados religiosos aqui:

https://g1.globo.com/economia/censo/noticia/2025/06/06/censo-2022-catolicos-evangelicos.ghtml


— Perdidos no Mar Revolto do Populismo:


Creio que o grande problema atual do nosso sistema é a possibilidade de corrosão institucional.


Anteriormente eu acreditava nas instituições como algo permanentemente estável, sem duvidar muito da sua salubridade. Nasci e cresci em um período histórico do meu país em que tudo funcionava aparentemente bem a nível institucional. É evidente que tínhamos altos problemas: desigualdades regionais grosseiras, uma população abandonada sem educação, taxas de analfabetismo e por aí vai. O tempo passou, algumas políticas sociais de orientação mais social-democrata foram passando.


A gente acreditava que um governo seguiria outro, dentro de uma normalidade transacional. Se um plano falhasse, outro logo assumiria o seu lugar. Sim, corrupção sempre teve e a gente sabia disso. De qualquer modo, podíamos ver tudo ser desenvolvido de uma forma razoavelmente estável. Creio que o período essencial de alteração começou quando Aécio Neves perdeu a eleição. Boatos e afirmações sobre fraudes nas urnas começaram a pipocar. Muitas pessoas não acreditavam nas urnas naquele período, sejam elas de esquerda ou de direita.


O antipetismo cresceu radicalmente, junto a moda do politicamente incorreto. Vimos pouco a pouco o politicamente incorreto se tornar politicamente escroto. Do mesmo modo, figuras que desafiavam constantemente o comportamento esperado cresciam. Jair Messias Bolsonaro ganhava atenção pelo fato de que crescia, em todo Brasil, uma postura "anti-especialista".


É válido dizer que existiam várias frentes politicamente incorretas. De um lado, eram os devoradores de livros e de outro lado eram pessoas que simplesmente odiavam qualquer sinal de cultura. Do mesmo caldo, surgiram sopas diferentes: conservadores, liberais, sociais democratas, alt-right, tradicionalistas, libertários, reacionários e anarco-capitalistas. A pergunta central: se para questionarmos a bibliografia da esquerda tivemos que relativizar o racismo, a LGBTfobia e tantas e tantas outras coisas mais, sem colocar um discernimento claro a respeito disso, será que não fomos minimamente responsáveis por abrir caminho ao nacionalismo branco, ao neonazismo, ao neofascismo e a alt-right?


Dentro de um contexto em que existe uma guerra cultural graças a uma guerra fria civil e em que especialistas são tidos como mais à esquerda, o desenvolvimento de uma atitude mais anti-especialista é natural. Os especialistas são tidos como inimigos naturais. Até mesmo pessoas de posicionamento mais pragmático e cético, tal como vemos com David Frum, Christopher Buckley, Rick Wilson e Stuart Stevens.


Direita puritana moral > Contra-cultura de esquerda > esquerda contra-cultural institucionalizada > direita politicamente incorreta > esquerda institucionalizada X direita em institucionalização (e se tornando woke) > esquerda politicamente incorreta (carregando, eles ainda não perceberam isso).


O que vemos hoje é, essencialmente, a ascensão de uma direita woke que se comporta contra certos padrões políticos estabelecidos pelo progressismo de uma forma a retornar aos males de outrora. Se dados aspectos políticos são vistos como excessivos, eles são contrapostos com o retorno reacionário aos males de outrora (muitas vezes se utilizando de humor para tal). Logo a direita woke vem se especializado em ser LGBTfóbica, racista, xenofóbica e tantas outras coisas mais para atenuar o excesso dos movimentos que não gosta. Porém quando percebemos que a direita soube, no passado, se aproveitar da institucionalização da moralidade progressista como norma, criando o politicamente incorreto, a esquerda logo perceberá que será a sua vez de ser politicamente incorreta e apontar, com toda razão do mundo, que a direita atual é proibicionista, invertendo os papéis e dinâmica histórica.


O grande problema, na análise cultural e social contemporânea, é a ausência de leituras de múltiplos grupos através de uma imersão antropológica dentro deles. Além de uma leitura plurissistemática e plurideológica. Se isso for feito, as dinâmicas culturais se tornam mais compreensíveis e as fraquezas internas se tornam mais visualizáveis. A seitização do debate faz com que os oponentes sejam mais fracos em suas posições dentro da guerra política.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #26 — Inadequação ao Debate Público Brasileiro



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: resposta a um amigo no Discord.


Creio que um grande problema que tenho com o ambiente brasileiro é a minha inadequação. Eu nunca me adapto ao ambiente e tampouco acho interessante o que produzem por aqui. Anteriormente eu tinha um interesse, mesmo que vago, na mídia e no desenrolar das condições políticas e econômicas que se construíam.

Com o passar do tempo, percebi que grande parte do que via era uma reprodução de qualidade duvidosa. Após aprender a ler em inglês, espanhol e francês, vi grande parte de um debate que anteriormente não tinha conhecimento. Percebi que estávamos atrasadíssimos e que grande parte das novidades não adquiria a substância que deveria.

Exemplos:

- A tradição Red Tory (Conservadorismo Vermelho) nunca chegou oficialmente ao Brasil;

- O neohamiltonianismo, o conservadorismo nacionalista, sobretudo a sua produção na American Compass, nunca adentrou no debate nacional;

- O socialismo de mercado, na China, no Vietnã e em Laos, é pouco estudado e o debate é tratado aos barros por trotskistas e stalinistas que lutam para o retorno de um "marxismo puro" ou seja lá o que isso for;

- Até hoje, poucos são os que pesquisaram o termo "woke right" (direita woke) e descobriram que a direita também é woke e que o wokeísmo é uma estrutura comportacional;

- Muitos poucos estudaram Kevin Carson, um defensor moderno do mutualismo e da linha de Proudhon, defensor do anticapitalismo de livre-mercado;

- A regulamentação da internet se reduz a pura e simplesmente a regulamentação das redes sociais, nunca adentrando em sites que não são redes sociais e nunca adentrando em assuntos essenciais como guerras cognitivas, guerras informacionais, operações psicológicas, intervenções eleitorais provindas de países estrangeiros;

- Debates como ecologia, antiwork (anti-trabalho) e pirataria não tomaram a proporção que deveriam;

- Ausência de compreendedores de múltiplas escolas de pensamento, não em nível de só compreender escolas de esquerda, centro ou direita, mas de compreender múltiplos lados de vários espectros políticos.

Com um debate nacional desses, o Brasil não precisa de inimigos. Será sempre o mesmo gerador de esterilidade contínua. Sem inovações reais devido a necessidade crônica de agradar os bandos ideológicos.

Memória Cadavérica #24 — ConVERsadorismo Brasileiro


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: resposta a um usuário do Threads.


Conservadorismo ≠ tradicionalismo moral


Exemplo são: Rick Wilson, Stuart Stevens, Christopher Buckley, Nelson Rodrigues, Pondé, conservatários.


Pare de pegar esse reacionarismo pop e achar que tem conservadores, VOCÊ NÃO TEM. Não existe conservadorismo no Brasil, ninguém estuda múltiplas escolas conservadoras por aqui. O que há aqui é, no máximo, um conVERsadorismo de reacionários estultos e sem compreensão do que falam. A maior prova disso é: quase 100% da direita nacional atual é uma DIREITA WOKE.


Ninguém sabe SEQUER a diferença entre:

- um hamiltoniano;

- um Red Tory;

- um federalista;

- um neohamiltoniano (leia American Compass);

- um neoconservador;

- um conservatário.


Leia:

https://www.perplexity.ai/search/2a512747-8387-4cf2-89ff-20f6c03c2e60

(Política da empresa Meta para promover reacionarismo pop)


No máximo, o que há no Brasil é:


- Uma direita woke (pesquise woke right no google, termo que foi inventado pelos próprios conservadores para definir gente mau caráter que se arroga do nome "conservador" pra promover wokismo de direita);

- Um reacionarismo pop;

- Um tradicionalismo hipócrita, burro e capanga.


Ninguém aqui sabe o que é conservadorismo. Ninguém aqui leu múltiplas escolas de pensamento conservador. Ninguém aqui sabe COISA ALGUMA de conservadorismo. Ninguém sabe quem é Christopher Lasch e quem é Patrick Deneen, tampouco chegou a conhecer o conservadorismo anticapitalista que eles representam. Ninguém leu as críticas conservadoras ao Donald Trump de Rick Wilson e Stuart Stevens.

domingo, 5 de outubro de 2025

Memória Cadavérica #13 — Underground




Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Nunca ganhei um único centavo sendo escritor. Sempre fui escritor por hobby. Ou, talvez, por vocação. Quando vejo as pessoas dizendo: "não sei se me pociono ou deixo de me posicionar de tal forma", percebo que segui um caminho mais certo. Também pouco espero de apoio social ou financeiro.


O brasileiro está sempre quebrado, quem é independente precisa trabalhar na hora extra para não receber nenhum tostão.


Não espero fama, não espero viver bem. A única coisa que se acumula são as dores nas minhas costas e o cansaço para com o debate público. Debate público que, além de emburrecer cronicamente, piorou muito.


Tenho muitas opiniões extremamente polêmicas. Guardo comigo uma série de visões que escapam, seja do exuberante patrimonialismo intelectual brasileiro — o qual chamamos de universidades públicas —, seja da direita woke e mainstream que agora cresce que nem piolho.


Eu não espero compreensão. Muito pelo contrário, afasto-me de bandos tal como o diabo se afasta da cruz e o boêmio se afasta da carteira de trabalho.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Memória Cadavérica #7 — Erros Históricos




Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Nota: texto expandido para efeito de melhor compreensão.


A direita precisa começar a aprender com os próprios erros.


O bolsonarismo tentou trazer o neoconservadorismo, que havia sido atacado por conservadores-populistas e neohamiltonianos nos Estados Unidos. No período em que há o auge do neoconservadorismo no Brasil (Bolsonaro eleito), o neoconservadorismo é massivamente rejeitado pelos próprios ciclos conservadores americanos.


Do mesmo modo, no período da covid, o bolsonarismo trouxe a mesma prática embusteira de Reagan na gestão da AIDS: teorias conspiratórias a rodo e ausência de forte base científica em suas decisões. A mesma procedência duvidosa de uma direita que cresce a margem da academia e se ancora no populismo e no reacionarismo. Os resultados foram milhares de mortes e o afastamento de vários acadêmicos do conservadorismo.


A UDN errou a trazer um liberalismo do século XIX, datadíssimo, nas eleições contra Vargas. Quando perdeu, contestou as eleições. Isso remete ao bolsonarismo trazendo o neoconservadorismo em vez do conservadorismo populista ou neohamiltoniano e ao Aécio e Bolsonaro rejeitando os resultados das urnas. Se a UDN trouxe um liberalismo do século XIX no século XX, Bolsonaro trouxe um conservadorismo do século XX no século XXI.


Existe um nuance: o discurso bolsonarista é populista, estilo trumpista. A prática governamental é neoconservadora e a militância bolsonarista é associada à direita woke. De resto, em relação econômica, ele foge da Nova Doutrina Econômica Conservadora (American Compass), que é um retorno ao conservadorismo hamiltoniano (o chamado neohamiltonianismo).


O bolsonarismo pega os piores elementos da direita do passado e junta com os piores elementos da direita do presente.