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sexta-feira, 17 de julho de 2026

O Necrológio Cadavérico #11 — Entre o Tédio e o Isolamento

 


Se eu morresse hoje...


Atualmente, me questiono sobre a razão central de eu estar vivo. Não vejo motivo especial algum nisso. Também não vejo absolutamente nada que justifique a minha existência em si. Tudo o que escrevi é ininteligível. Toda explicação que dei é considerada como inexplicável. Não há uma alma que me entenda nesse país. A sensação que sinto é a de um vazio absoluto. 


Sabe quando comecei a escrever isso? 24 de abril. Só tinha um parágrafo nisso. As sensações originais que me levaram a escrever isso se perderam. Todavia, ainda me restam os sentimentos. Sensações mudam constantemente; sentimentos são mais duradouros. E continuo a pensar, em minha solidão, que sou um cavalheiro tonto a ouvir o som de uma estranha melodia que só toca em minha cabeça. A vida toda foi assim; o passar do tempo só agigantou isso.


A minha misantropia e irritação crescente vêm me tornando uma pessoa difícil de lidar. Enquanto escrevo isso, é óbvio, algum palhaço escreverá um projeto de lei criminalizando a misantropia. Se nenhum estiver escrevendo, certamente algum palhaço já pensou nisso ou está conjecturando isso. É evidente que a misantropia extrema levou à morte de algumas pessoas, mas podem ter a certeza de que o "amor à humanidade" e a crença num "paraíso terreno" mataram infinitamente mais do que qualquer misantropia. A estrada terrena para os céus está recheada de cadáveres. Um genocida potencial quase nunca se apresenta como genocida, mas quase sempre como messias. Um plano de extermínio usualmente vem embalado com as melhores intenções.


Também estou cansado de entrar em grupos que não entendem absolutamente nada do que escrevo. Eu estou cansado dessa absoluta incompreensão do que eu digo ou escrevo. Decidi simplesmente ligar o foda-se. O interesse e a parceria são jogos que devem ser jogados em parceria ou devem ser esquecidos. Eu escolhi esquecer e sumir. Pouco importando as consequências disso.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Short NGL #1 — Lotus


Perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Penso na morte dela todos os dias. Me aproximo cada vez mais do desejo de vê-la. Sem mais batalhas a perder ou a ganhar. Apenas nós dois, novamente, trocando confissões um ao outro. Num céu inteiramente nosso... mas se foi ela que morreu, por que eu sou eu que me sinto tão morto?



domingo, 11 de setembro de 2022

Acabo de ler "Mistérios Divinos" de Neil Gaiman e P. Craig Russell

 



Faz algum tempo que ando me aproximando do mundo das revistas em quadrinhos. Esse mundo, até agora, nunca me deixou de fascinar. Entre meus autores prediletos, encontra-se Neil Gaiman, uma pessoa capaz de proporcionar fantásticos enredos que sempre movem o leitor para uma leitura curiosa e apaixonada.

Como não poderia deixar de ser, "Mistérios Divinos" é outra excelente HQ de Neil Gaiman. A história se passa antes da criação de nosso mundo, quando os anjos viviam produzindo tudo que será utilizado no mundo que vivemos. Embora hajam alguns personagens que vivam no mundo em que nós vivemos.

Se a pergunta é: "como era o mundo antes de Adão e Eva", essa revista em quadrinhos traça um cenário para essa pergunta teológica. Claro que ela goza duma visão pouco ortodoxa no âmbito da teologia, porém isso só impacta gente meio fanatizada que não consegue se entregar numa experiência cultural sólida. Convido o leitor a esquecer-se por um momento de suas crenças teológicas e gozar dessa ótima experiência literária e artística.

A HQ seguirá dois personagens, um anjo e um homem. O caminho dos dois será encontrado na narrativa. E, interessantemente, pode-se ter um roteiro que deixará o leitor cada vez mais expectativo com a consumação dessa história que sempre deixa um gosto de quero mais. Um processo investigativo é traçado e questionamo-nos a função dos anjos e o desempenho de cada um deles no pré-criação.

Em relação a comentários sobre a história total, prefiro deixar-lhes mais com a experiência em si do que um comentário que estabelece previamente todos os eixos. Digo-lhes, tão apenas, que a experiência vale muitíssimo a pena e que a história tem bastantes reviravoltas.