terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 3)

 



— Livro:

Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it


— Author:

Phillip Blond


Phillip Blond anteriormente citou a tradição Tory Anglicana. Nesse ponto do livro, ele traz uma ligação com o pensamento distributista de Hilaire Belloc e G. K. Chesterton.  Adicionando uma camada a mais: o pensamento de Samuel Brittan e Noel Skelton.


Chesterton e Belloc tinham chegada a conclusões semelhante, e até mesmo complementares, à tradição Anglican Tory. Eles viam que o capitalismo levava a concentração de terra, propriedade e capital nas mãos dos capitalistas. Ao mesmo tempo, o socialismo privava a todos de terem propriedades em nome da propriedade geral e o monopólio comunal. Em outras palavras, capitalismo e socialismo levariam a concentração das propriedades. A solução que eles colocaram seria uma distribuição de propriedade e recursos para todos (distributismo).


A adição que Phillip Blond fará será a junção disso com:

1. Noel Skelton: a ideia conservadora de uma democracia de propriedade;

2. Samuel Brittain: uma renda básica em conjunção a distribuição de recursos.


Se juntarmos tudo isso temos:

1. Distribuição de propriedades para todos;

2. Distribuição de recursos para todos;

3. Uma renda básica ao lado e em conjunção da distribuição de recursos;

4. Uma ideia de uma sociedade democrática onde todos têm propriedade, recursos e renda básica.

Socialismo? Não, conservadorismo vermelho.


A ideia central de um Red Tory é a ideia de um conservadorismo que cumpra os seguintes requisitos:

1. Preserve e extenda a estabilidade humana;

2. Crie condições para o florescimento humano.

Isso é uma real economia política para o pobre.

Retrowave #5

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

NGL #19 — O que é efetivamente gostar?

 


Me envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis


Isso é uma questão extremamente difícil de responder. Para ser sincero, eu geralmente ODEIO gente que gosta de mim. Visto que quem gosta de mim, usualmente "gosta" de forma COMPLETAMENTE ERRADA.
 
A longo prazo, um amigo ou uma namorada que te afastam dos seus objetivos são inimigos formidavelmente maiores que inimigos declarados. É muito melhor um inimigo declarado do que um amigo que lhe destrua ao lhe desviar da rota ou uma namorada que mexe com o seu coração turva o seu caminho.

É preciso definir o que é "gostar". Uma pessoa que gosta de você, mas te desvia do seu propósito... é uma pessoa odiável. Em outras palavras, se alguém "gosta de você de forma errada"... você deve expulsá-la da sua vida. Eu prefiro que as pessoas que me desviam do meu propósito me odeiem. E eu certamente farei essas pessoas me odiarem.

Eu sempre vou arrumar um meio de fazer as pessoas que gostam de mim de forma errada me odiarem ou sentirem receio de falar comigo. Faço isso o tempo todo para afastar ex-ficantes, ex-namoradas e ex-amigos. Se a pessoa voltou, mas a sua presença é um erro ou um engano, o melhor é traumatizá-la com um assunto estapafúrdio ou com algo que você sabe que DEFINITIVAMENTE afastará essa pessoa.

Apresente pautas conservadoras para amigos progressistas. Apresenta pautas progressistas para amigos conservadores. Se for ex, crie um diálogo traumaticamente eficiente para afastar. Eu faço isso o tempo todo. Uma coisa que eu não me canso é de afastar gente.

Faço isso visto que a maioria das pessoas não servem aos meus objetivos. O meu objetivo é ler, escrever e crescer intelectualmente. A maioria das pessoas com quem me relacionei podiam admirar algo da minha inteligência, mas eram completamente inúteis em me proporcionar desenvolvimento intelectual. Como resultado, acabei me desvencilhando delas rapidamente.

Dito tudo isso, eu NÃO gosto da maioria das pessoas que "gostam" de mim. Eu prefiro fazer com que elas me odeiem e se afastem. Fiz isso com três exs e vários amigos. Isso me deixa mais forte para seguir meus objetivos.

NGL #18 — Redes Sociais

 


Me enviem as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis



Rede social é um bagulho que eu não gosto ou sinceramente acho bem mais ou menos. Se quiser uma lista de locais de comunicação que eu considero mais importantes, eu colocaria esses aqui:


- Blogger: onde estão grande parte dos meus textos;

- Medium: vários weblivros meus lançados lá;

- PIS (Portable Intellectual System): sistemas intelectuais portáteis da esochannealogia;

- 4chan (/lit/, /mu/, /v/, /x/ e /r9k/): únicos locais que eu consigo conversar com pessoas sobre assuntos realmente interessantes;

- Wizchan (Wizardchan): chan extremamente comfy, sobretudo no /hob/;

- Leftypol: acho o /edu/ bacana, as discussões no /leftypol/ também são maneiras;

- Reddit: vários subreddits maneiros, sobretudo os gringos;

- Telegram: boas comunidades, uso mais para falar com gringo do que com brasileiro.



domingo, 21 de dezembro de 2025

Recomendações Cadavéricas #2 — Man Carrying Thing

 


Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.


https://youtube.com/@mancarryingthing?si=kvKl25RRRMybTqcj


Esse é um dos meus canais de humor prediletos. É fantástico como nada escapa do olhar crítico do Jake. Creio que a decepção politica sempre se torna mais tolerável com uma boa dose de humor. Jake faz isso muito bem trazendo um humor de alta qualidade. Com vídeos curtos, mas feitos com excelentes roteiros, Jake traz alguma paz de espírito num período turbulento da história americana.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 2)

 


— Livro:

Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it


— Author:

Phillip Blond


Estou analisando esse livro devagar. Leio de trecho a trecho, anoto tudo em inglês e depois traduzo as minhas anotações. Tento lançar as notas no mesmo dia, assim não me perco. Costumava lançar as notas depois, mas isso me deixava perdido e usualmente outras notas entravam no espaço das outras.


Nessa parte do livro (ainda estou na introdução), o autor (Phillip Blond) faz as suas críticas a Thatcher e a Blair. As críticas a Margaret Thatcher e a Tony Blair são diferentes, não vou me centrar muito nelas. Convém lembrar ao leitor ou a leitora que Margaret Thatcher faz parte do movimento neoconservador e o Tony Blair faz parte do movimento novo trabalhismo. Ambos foram primeiro-ministros. Talvez também seja bom recordar que embora Phillip Blond seja conservador, ele é um Red Tory (conservador vermelho), logo ele é opositor do neoconservadorismo — como no Brasil o termo "Red Tory" é praticamente desconhecido, decidi colocar esse comentário adicional.


As críticas mais notáveis que achei contra a Thatcher foram:

1. Seu governo levou a um capitalismo capturado pela concentração de capital;

2. Um mercado monopolizado por interesses próprios dos monopolistas e o domínio das pessoas que já são ricas;

3. A população progressivamente descapitalizada (creio que poderíamos colocar como desenriquecida);

4. A ideia nada conservadora de que o mercado é o último árbitro dos valores e a medida de todas as coisas.


As críticas mais notáveis que achei contra Blair foram:

1. Juntou o pior da esquerda com o pior da direita;

2. Colocou um centralização de padrões em todos os serviços públicos em vez de deixar uma adaptação local;

3. Graças a onda de Estado de exceção (lembre-se do 11 de setembro em Nova Iorque e o 7 de julho em Londres), promoveu uma cultura de suspeita, o habeas corpus foi relativizado em prol da "suspeita de intenção terrorista", encarceramentos se tornaram maiores, o número de tortura aumentou e a polícia extra-judicial entrou em ação;

4. Fora isso, cidadãos do Reino Unido poderiam ser alvos de outros países, com regimes legais duvidosos.


O autor faz algumas colocações interessantes sobre o socialismo, o republicanismo, a crítica ética ao capitalismo irrestrito e a esquerda:


- Socialismo:

Há o elogio a busca pela igualdade, pela bondade e pela justiça. Pela recusa do racismo, por ter conquistado o direito de votos a mulheres e pelo direito de voto aos que não têm propriedade. Além disso, a busca pela justiça social é importante.


- Republicanismo:

O reconhecimento que boas pessoas podem estar em todas as classes e culturas, sem isso ter a ver com o sangue.


- Crítica ética ao capitalismo irrestrito:

Valores não criados pelo estímulo do desejo (não confundir desejo com vontade) e pela avaricia humana.


- Esquerda:

1. Uma boa vida é baseada em necessidades reais e autênticos desejos humanos;

2. Uma responsabilidade social e comunal pela Terra e todos que vivem nela é algo necessário.


O problema que Phillip Blond encontrará na esquerda — e o motivo dele não ser de esquerda — são vários. Creio que esses podem ser mais vinculados à nova esquerda. Citarei alguns aqui:

1. Escolhas ilimitadas e irrestrita liberdade pessoal;

2. O relativismo cultural;

3. Auto-validação do desejo e do prazer;

4. Pornografia, infidelidade e uso de drogas não sendo mais encarados como problemas sociais intrínsecos, mas como atos que dentro de condições estéticas certas adquirem formas válidas de autoexpressão.


Phillip Blond contará que o que fez ele tornar Red Tory foi conhecer uma tradição chamada "Anglican Tory". Uma tradição que buscava prosperidade e educação para os pobres, além do entusiasmo religioso contra a extravagância dos aristocratas whigs.


Ele também cita alguns importantes pensadores para a sua formação:

- William Cobbett;

- Thomas Carlyle;

- John Ruskin.


Esses intelectuais fizeram críticas ao republicanismo autoritário e estatista, ao capitalismo interesseiro e a criação em massa de despojados de terra que foram forçados a trabalhar a níveis absurdos em fábricas para o benefícios de outros. Ao mesmo tempo, esses intelectuais fizeram a ligação entre a pauperização do trabalho e o despojamento de suas terras. 


Esses intelectuais conectaram a pauperização das condições de trabalho com o despojamento de terras que foi feito anteriormente. Para corrigir isso, eles defenderam os direitos de propriedade dos sem terra como mecanismo de correção. Não só isso, a distribuição de terra/propriedade deveria ser acompanhada com a distribuição de capital para todos aqueles que estavam em condições de indigência em seus trabalhos.


Creio que essa análise pode dar uma noção de um conservadorismo autêntico e realmente preocupado com as necessidades sociais. Muito diferente do que atualmente temos no Brasil.

Recomendações Cadavéricas #1 — Colônia Contra-Ataca

 



Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.


Clique: https://youtube.com/@coloniacontraataca?si=zRHqk3WHcbeF89r7


Colônia Contra-Ataca... Acompanho por mais de dez anos esse ilustre canal de games. Se eu pudesse dizer algo, diria que esse canal é um dos mais icônicos do underground dos games. Creio que a Colônia Contra-Ataca, do Senhor Senhor Wilson (você entenderá essa piada do "Senhor Senhor" quando passar a acompanhar o canal), é um dos melhores canais de games do Brasil. O Senhor Senhor Wilson é um dos únicos que dispõe de um fantástico roteiro acompanhado por uma série de comentários técnicos impecáveis. A substancialidade informativa do canal é inesgotável, mesmo com o transcorrer dos anos.


Quando a política do YouTube priorizou mais a produção de conteúdo do que a qualidade do conteúdo — o que prejudicou vários pequenos canais —, ele não seguiu (ou se rendeu) a fórmula de transformar todos os vídeos em react — tal como muitos o fizeram —, em vez disso, seguiu a tradição de produzir vídeos roteirizados.


É evidente que continuar a seguir a velha linha de conteúdo de qualidade e roteirizado levou a perda potencial de mais monetização, todavia isso manteve uma userbase fiel e que aprecia a alta qualidade técnica que o canal possui.