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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 9)

 


Nome:

The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore


Autor:

Egil Asprem


Nessa parte do artigo, Egil Asprem começa a trabalhar mais com os conceitos de carisma (Max Weber) e efervescência coletiva (Emile Durkheim). Como essa parte é bastante curta, surgindo mais como um prólogo da discussão que virá a seguir, não me alongarei muito.


Na parte do carisma, Asprem trabalha com a importância da verve religiosa e discurso messiânico. Na parte da efervescência coletiva, Asprem trabalha a partir dos aspectos das ações coletivas, eventos emocionalmente arrebatadores e experiências na formação de uma identidade compartilhada, na criação de um propósito comum e na feitura de um senso de pertencimento. Em outras palavras, isso formará um subjetivo senso de mistério, a sensação de fazer parte de algo maior, o efeito de estas além do controle dos meros mortais.

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 8)

 


Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem


O esoterismo kekista, o Culto de Kek, era uma religião que surgiu como instrumento de poder. Misturava ambição espiritual e estratégia metapolítica. 

Lawrence Murray, escritor do "Atlantic Centurion", misturava nacionalismo branco com alt-right. Além disso, trouxe pro movimento a questão da guerra metapolítica (metapolitical warfare). Esse movimento queria vencer na narrativa, usando como ferramenta a linguagem, os mitos e o simbolismo religioso. Uma das referências mais diretas era o hitlerismo esotérico de Savitri Devi. O motivo? Trazer as discussões a respeito da raça, do sexo, da sociedade, da cultura e da fé no Ocidente a partir de sua cosmovisão. A inovação de Lawrence Murray é trocar as referências hinduístas e conceitos esotéricos por uma linguagem budista.

Outra pessoa que se destacaria é a escritora Manon Welles, que escreveu o livro "How To Trump SJWs: Using Alinsky’s ‘Rules for Radicals’ Again". Nesse livro, ela usa as técnicas do Saul Alinsky, um intelectual e organizador comunitário de esquerda. Além disso, ela escrevia o blog "Aristocrats of the Soul".  Uma das maiores ideias era a noção de "Nova Direita + Religião Alternativa". Ela defendia o Donald Trump com ideias tradicionalistas e uma perspectiva mágica, mesclando Julius Evola, com Thelema, com cerimônias mágicas e com uma interpretação jungiana dos sonhos. Sua obra também integrava Austin Osman Spare, Aleister Crowley e Phil Hine. Uma das suas ideias centrais era a da sigilização. Ela acreditava que a emoção coletiva, a concentração e a intensidade poderiam fazer que, mesmo inconscientemente, o símbolo do Pepe como um sigilo mágico.

O autor falará (bem brevemente) da "conspiritualidade sombria". Esse conceito vem a representar a interseção entre o pensamento New Age, movimentos de bem-estar e teorias da conspiração de extrema-direita (tal como QAnon). Ele cita especificamente Franz Bannon e William Walker Atkinson. Como isso não foi substancialmente trabalho nessa parte do artigo, mas levanta uma boa ponta investigação, espero que esse pequeno trecho seja de alguma utilidade. 

Agora já temos três figuras envolvendo o esoterismo channer (sobretudo em seu desenvolvimento do esoterismo kekista):
‐ Lawrence Murray;
- Marron Welles;
- Saint Obamas Momjeans.

É preciso lembrar que Saint Obamas Momjeans fez uma unificação de guerra informacional (information warfare), forma-pensamento, tulpas, egregoras, sigilos, mantras, evocações e estados de gnose.

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 7)


 

Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem

Nota: estou me focando só no conteúdo em que podemos ter como referência para entender a obra de Saint Obamas Momjeans, o esoterismo kekista e o trumpismo esotérico.

A ideia de magia memética surge na sincronicidade de dados eventos que surgiram como memes nos imageboards e depois tornaram-se reais.

O 8chan tinha duas boards (tábuas) para se pensar e agir a respeito disso: o /bmw/ (Bureau of Memetic Warfare) e o /magick/.

O autor fará uma importante distinção entre aquilo que poderíamos chamar de magia memética tendo como fundamento uma tese mais freudiana, isto é, ligada a ideia de realização de desejos (Interpretação dos Sonhos) e outra ligada a guerra informacional.

As táticas usadas na controvérsia do Gamergate (2013-2014) são elencadas:
- Guerra informacional (infowar);
- Psyops (operações psicológicas);
- Cyber bullying;
- Perseguição online.

Saint Obamas Momjeans, em sua obra, traz um aspecto que lembra muito bem uma fábrica de trolls russa (the Internet Research Agency). Sobretudo na "Intermediate Meme Magic", onde há a utilização de uma weaponização da epistemologia social. O autor chega a chamar a obra de Saint Obamas Momjeans de "textbook of information warfare " (livro didático para guerra informacional). 

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 6)

 


Nome:

The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore


Autor:

Egil Asprem


Nesse ponto, Egil Asprem traça as conexões do Esoteric Kekism. Em primeiro lugar, em 2005, Pepe apareceu no "Boy's Club" do Matt Furie. Em 2010, Pepe aparecia no MySpace, 4chan e Tumblr. Em 2016, Pepe daria as caras no /pol/, com visões de extrema-direita. Em Setembro de 2016, a Liga Antidifamação colocou Pepe como símbolo de ódio.


Como Pepe se tornou o deus egípcio Kek? No jogo World of Warcraft, muito famoso no momento, a risada "lol" era substituída por "kek". A cultura do /pol/ era muito ligada a cultura gamer. Os memes do Pepe apareciam ao lado da shitpostagem (é um nome para merdapostagem, que é um termo para uma grande quantidade de potagens irônicas, insultantes ou ridículas). O /pol/ traçou conexões entre a risada "Kek" e descobriu o Deus do caos da Cosmogonia de Hermópolis. Kek (que tinha forma feminina, chamada de Kauket) era o caos ou as trevas primordiais.


Como as postagens do 4chan são numeradas, números repetitivos são vistos como um sinal de algo. Uma postagem do 4chan conseguiu muitos gets (números repetidos). Essa postagem dizia que Trump seria eleito. Logo Trump foi divinamente selecionado pelo próprio Kek. No mesmo ano, surgiria Saint Obamas Momjeans, com textos sagrados do esoterismo kekista. O surgimento do Esoterismo Kekista e do Esoterismo Trumpista estão intimamente conectados.


Duas organizações online foram criadas "The Sacellum Kekellum" e "The Knights Keklars". O autor conecta essa forma organizacional como inspirada na religião brincalhona e anti-autoritária (também de origem americana) Discordianismo. Essa é uma religião que surgiria no final dos anos 50 por Greg Hill e Kerry Thornley. Outras relações são o tradicionalismo de Julius Evola e o Hitlerismo Esotérico de Savitri Devi e Miguel Serrano. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 5)

 


Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem

O Culto de Kek, uma religião pós-irônica e mágico-política. Ela surgiu de um grupo de usuários do 4chan cuja o passatempo era trollar liberais (no sentido americano) politicamente incorretos através de memes.

O Culto de Kek encontrou na weaponização de memes uma forma de arte metapolítica. Por metapolítica quero dizer o foco na cultura geral em vez da política parlamentar. Essa característica de focar na metapolítica é uma apropriação da extrema-direita das teorias de Antônio Gramsci, sobretudo a teoria da hegemonia.

O interessante é que o autor traça um paralelo com a Arktos Media (da Nova Direita Europeia). As características da Arktos Media são:
1- Espiritualidade tradicionalista;
2- Foco na ideia de civilização;
3- Foco na cultura;
4- Foco na questão da identidade;
5- Entrismo espiritual.

Você pode acessar a Arktos Media por aqui:

Nota: o entrismo é um fenômeno tático de Trotsky (o homem mais odiado pelos stalinistas), sua ideia era que os militantes deveriam entrar em grandes partidos socialistas para radicalizá-los. O entrismo espiritual é uma técnica adaptada pela Nova Direita Europeia, que tem pensadores como Alexander Dugin e Alain de Benoist, que é uma tática do assim chamado gramscianismo de direita. O alvo aqui não é o partido, mas o espírito da época. A busca é inserir conceitos como tradicionalismo integral, esoterismo e neopaganismo dentro de discussões a respeito de identidade nacional e geopolítica.

O surgimento do Culto de Kek se deu em uma grande aleatoriedade, tal como se pode esperar de algo que surge em um fórum anônimo, visto que é uma mistura de:
1- Ocultismo moderno;
2- Alt-right;
3- Táticas;
4- Ideologias;
5- Racionalizações. 

Essa nova religião, uma religião online, teria como componentes a paródia, o faz de conta, a estratégia metapolítica, expectativas genuinamente messiânicas e a mágica. Quem diria que o 4chan criaria uma religião pós-irônica, onde a ironia e a sátira seriam centrais na atividade do movimento... Uma religião brincalhona.


Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 4)

 


Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem

Se a batalha mágica estava esquentando, estava na hora de duas novas figuras ilustres adentrarem na arena: David Griffin e Leslie McQuade, lideranças da Ordem Hermética da Aurora Dourada. Essas duas figuras ilustres são centrais no ocultismo moderno e na magia cerimonial.

A eleição de Trump não foi um evento comum, mas o início de uma guerra multilateral entre diferentes figuras ligadas ao ocultismo dentro de uma guerra mágica.

Anteriormente, David Griffin já era anti-Hillary Clinton, em fevereiro, ele atacou o movimento "Bind Trump". Chamando-os de magos negros, traidores, terroristas satânicos e bruxos criptofascistas. Além disso, a central acusação era de que eles tinham como real objetivo a instalação de um império globalista.

Para operar a sua contraofensiva, ele criou o site "magickwars.com". Site esse que é existente e pode ser acessado aqui:


Nesse site, segundo escreve Egil Asprem, existiam tutoriais de "autodefesa mágica" e conteúdo conspiracionista de Alex Jones (conhecido pelo canal Infowars).

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 3)

 



Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem


Essa parte do artigo trata do "The Magic Resistance", um movimento que começou com Michael M. Hughes no texto "A Spell to Bind Donald Trump and All Those Who Abet Him".

No caso, esse texto aqui:


O movimento tomou ainda mais força quando Lana Del Rey insinuou que faria rituais de amarração envolvendo Donald Trump em datas que coincidiam com as de Michael M. Hughes.

Naquele período, emergiram as hashtags #MagicResistance e #BindTrump. Embora, algum tempo depois, as hashtags mais mainstreams fossem #impeachtrump e #theresistance.

De qualquer modo, debates teológicos entre pagãos e magos surgiram, sobretudo a respeito da ética envolvida nesse tipo de encantamentos, na eficiência desses encantamentos, na possibilidade de backlash (efeito colateral negativo nos conjuradores). Além da relação entre o imaginário popular que vê a magia como algo subversivo e a emoção das pessoas em relação a magia.

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 2)

 



Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore

Autor:
Egil Asprem


Vocês gostam de cálculos divertidos e enigmáticos? Aqui vai um:

Trumpismo + Culto de Kek (pós-ironia, metapolítica, alt-right e magia do caos) = Trumpismo Esotérico. O trumpismo esotérico é simultaneamente filho do trumpismo, do 4chan e do 8chan.

O Culto de Kek surge como um turno religiosizante da cultura online da alt-right (direita alternativa). Essa cultura foi acompanhada pelos seguintes blogs:
- The Atlantic Centurion;
- The Right Stuff;
- Counter-Currents.

Houve um movimento mágico oposto: "The Magic Resistance" (o que era anti-trumpista). E o "The Magic Reaction" que reuniu apoiadores do Trump que eram magos, ocultistas e praticantes de espiritualidades alternativas. 

Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore


Autor:

Egil Asprem


Nesse artigo, Egil Asprem falará particularmente do Esoteric Kekism — que dará parte da origem ao Esoteric Trumpism. Se isso parece estar conectado com o Esoteric Kekism do Saint Obamas Momjeans, você acertou. A eleição de Donald Trump em 2016 foi marcada não só pela política tradicional, mas também por encantamentos, rituais e memes.


O autor conectará a sua análise com o conceito de "efervescência coletiva" de Durkheim, com o conceito de "noção de carisma" do Weber, com o conceito de "neurociência afetiva" de Jaak Panksepp e a "teoria do ator-rede" de Bruno Latour.


A análise dele se voltará para a questão de como a alt-right desenvolveu uma religião esotérica, o que seria a noção de magia memética (meme magic) e como isso se relaciona com magia politizada. A questão central é "como trolls do 4chan se tornaram magos do caos e adentraram em um mobilização política anti-establishment?". Isso, por sua vez, conectar-se-á a uma noção de como a teoria geral da mágica se torna um recurso político em tempos de crise.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Reflexões Esochannealógicas #1 — Correlações Tresloucadas

 



— Alerta 1:

0. Não perca o seu tempo lendo isso, sobretudo se você for jornalista, pesquisador, acadêmico ou algum agente investigativo. Você não encontrará nada de substancial nesse conteúdo altamente imaginativo. Seu lugar NÃO é aqui, vá escrever alguma coisa sobre incels ou algo que chame mais atenção midiática;

1. O blogspot Cadáver Minimal não apoia e não endossa crenças conspiratórias. Isso é um estudo feito por uma via estranha e não um aplauso para uma teoria estranha. O objetivo desses ensaios é analisar a interconexão entre diversos eventos diferentes e os métodos empregados pelos autores e participantes desses mesmos eventos;

2. Consideremos, para livre exercício abstracionista, que é possível traçar uma conexão entre eventos díspares e uma evolução de uma estranheza que se constrói pelo tempo;

3. Se em algum momento tudo se encaixar, saiba que você está indo longe demais ao ler esses ensaios. Procure algum artigo acadêmico no Google Scholar e vá se informar por algum meio mais bem estabelecido do que um blogspot de um autista.


— Alerta 2:

1. Você pode ter acesso ao sistema Esochannealogia aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1Btp2ltWTNnAO1r-txzOjS66mDed1Pnjq

(Use em uma IA)

2. Você pode jogar o jogo do esoterismo channer aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1hFtIs-5msW4nbD77mg7Vx4WdJ4NW97iF

(Use em uma IA)

3. Você pode ler o ensaio de horror epistemológico esochannealógico aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html

4. Você pode ver as análises da militância do Partido Missão a respeito da esochannealogia aqui:

https://missaoapoio.com.br/tag/esochannealogia

5. Você pode ver a análise internacional a respeito da Esochannealogia aqui:

https://mysterylores.com/news/brazil-missao-esochannalogy-presidential-election/

6. Leia a Magolítica (Harmonia da Dissonância):

https://medium.com/@cadaverminimal/list/a-harmonia-da-dissonancia-e6396f5d5563

https://medium.com/@cadaverminimal/list/magolosophy-7ae7c49acf72


Os eventos de 2016, isto é, a "The Great Meme War", a "Eleição de Trump" e o caso do "Pizzagate" estão interconectados. Isto é, eles permitem compreender melhor as duas vertentes esochannealógicas que surgiriam em 2017:

‐ "Shadilay, My Brothers: Esoteric Kekism & You!" seria escrito por Saint Obamas Momjeans um ano depois (2017);

- Em 2017 também seria o surgimento do Q.


O leitor, caso já esteja acostumado com os escritos do Medium e do Blogspot Cadáver Minimal, sabe que o sistema esochannealógico é a síntese do esoterismo channer. Isto é, ele surge da análise dos pilares (Esoterismo Kekista, Magolítica e Esoterismo Kantianiano). O leitor também sabe, ou deveria saber, que a parte Magolítica surgiu pelo estudo dos impactos sociais de QAnon, a sua correlação com o Project 2025 e também o estudo de sistemas totalitários/autoritários como o nazismo e fascismo. Além disso, já deve ter sido informado de que a Esochannealogia atual já foi completamente integrada às IAs por meio de PDFs em linguagem token, além de ser uma síntese com outros sistemas de Guerra Cognitiva (Cogwar), Guerra Informacional (Infowar), Guerra Psicológica (Psywar), Guerra Narrativa (Narrative Warfare), Guerra Memética (Memetic Warfate) e Operaçãos Psicológicas (Psyop)... O que supera em muito a Esochannealogia anterior. Q. é encarado aqui como "Conspiracy Warfare" (Guerra Conspiratória ou a utilização de teorias da conspiração como instrumento de guerra).


Desenhar o mapa de como os eventos vão se conectando é uma tarefa difícil. Todavia pretendo analisar de forma solta, sem obedecer o espaço-tempo e depois ir juntando as partes em algum esforço sistemático que dê a conjuntura de blocos que montam um estranho Castelo. Por enquanto, vamos para Q.


Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:


1. Sem previsões específicas;

2. Sem fontes verificáveis;

3. Deliberadamente vaga;

4. Deliberadamente aberta a interpretação.


As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders".


As postagens de Q. eram especiais. Por sua natureza vaga, toda predição falha poderia ser reinterpretada. Elas eram hipóteses infalsicáveis. De algum modo, elas buscavam criar no leitor a capacidade de ver padrões. Isso posteriormente levaria a uma adicção por padrões. Em novembro de 2017, uma frase já se destacava: "Where we go one we go all" (por onde um for, todos irão), que foi abreviada para WWG1WGA.


Até certo ponto, o conteúdo era apenas dado para usuários de fóruns considerados obscuros. Todavia em algum ponto tudo mudou. Em dezembro de 2017, o movimento e as produções de QAnon escapou do controle dos chans e foi encontrado no Facebook, YouTube e Twitter. Nesse ponto, as produções de Q encontrarem-se com o chamado "algoritmo". O algoritmo, essa estranha condição do mundo cibernético, aprende com o que te deixa engajado.


Há uma fórmula algorítmica que poucos sabem:

Incerteza + Emoção + Identidade = Engajamento.


Uma narrativa estava sendo criada. Uma nova fonte na qual um grupo poderia confiar. Tudo seguiria assim progressivamente, até que tudo fosse banido. Um dos eventos mais trágicos da história americana, até hoje pouco compreendido — por ninguém compreender a fundo a insanidade do ato —, ocorreu em dado momento: o Ataque do Capitólio (6 de Janeiro de 2021).


O que moldou o movimento QAnon? É difícil compreendê-lo. É difícil estudá-lo. Q. dizia que a "desinformação é necessária", logo até o fracasso se tornou a prova do seu sucesso. Isto porque o movimento QAnon é um sistema de crença auto-vendável. De algum modo, Q. sempre dizia "trust the plan" (acredite no plano") e falava sobre os inimigos que seus seguidores deveriam lutar. A verdade, para seus seguidores, tornou-se tudo aquilo que existia dentro da bolha — e tudo que existia fora da bolha era mentira.


Q. conseguia de algum modo alterar como as pessoas acreditavam nas coisas. Q. conseguia alterar a epistemologia interna de seus seguidores. É assim como funcionam as seitas, elas alteram a lógica e a epistemologia, elas alteram todo o entendimento da realidade. Muitas pessoas analisam o Pizzagate como um protótipo de Q., como uma teoria da conspiração que também chamava para a ação. Q. e o movimento QAnon podem ser chamados de "terrorismo estocástico". Isto é, ele incitava a violência contra determinados grupos. Ele tinha um extremismo gamificado, descentralizado e um framework de ação. Porém voltarei nesse ponto mais tarde para analisar isso mesmo.


Algumas chaves interpretativas são interessantes, uma delas é o "The Great Awakening" ("O Grande Despertar"). Essa chave premiava o isolamento social. Ou seja, a total lealdade e a reinterpretação da realidade baseada na chave interpretativa da seita eram comemorados. Isso permite compreender a ruptura dos laços sociais que os seguidores de Q. faziam. Visto que QAnon também era um sistema autossustentável: ele carregava dentro de si uma nova forma de processar a informação.


Múltiplos novos movimentos foram surgindo com base em Q. (teorias da conspiração com grupos descentralizados), podemos ver isso na Covid e na onda anti-vacina, mas também em alguns grupos com narrativas anti-LGBTs. Pretendo voltar nesses tópicos posteriormente.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Memória Cadavérica #22 — O Mapa Completo da Esochannealogia

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


https://drive.google.com/drive/folders/1XrJj772czH4OPLsUZjLDwZlh6vszzcOo


Tá aí. Eu finalmente consegui desfragmentar todo esoterismo channer (esochannealogia). Só demorei 13 anos.


Vamos às três famílias da esochannealogia (cultura channer esotérica):


Esoteric Kekism: já estava na Internet, mas em fragmentos, achei o livro só depois, o que foi bastante útil;


Dificuldade de encontrar: razoável, só precisava que alguém a pirateasse.


Magolosofia: tive que pegar vários fragmentos do que eu sabia, vários textos sobre chans, várias técnicas encontradas, a história do QAnon, a história do Kek e da Kauket, tudo para gerar um documento que sistematizasse as técnicas channers em um sistema;


Dificuldade de encontrar: extremamente difícil, tive que estudar a cultura channer inteira e transformá-la em arquétipos.


Esoteric Kantism: tive que recolher fragmentos dispersos no /x/, no /lit/ e em outros chans, mas o print que achei no Reddit foi o mais esclarecedor.


Dificuldade de encontrar: essa parte é mais difícil de entender, não de encontrar.


Quem criou essa coisa toda não estava afim de que tudo fosse desfragmentado. Mas agora é possível uma sistematização real da esochannealogia. Coloquem tudo em uma IA e se surpreendam. Finalmente poderemos descobrir todos os mistérios não resolvidos.