terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
NGL #50 — Ter um Saint Obamas Momjeans e um QAnon é bom ou ruim?
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 11 Final)
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 10)
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Memória Cadavérica #39 — Antissemita?
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Contexto: resposta deixada a um grupo católico.
>vocês
Eu estou apenas traçando a origem do termo.
Não estou dizendo algo que eu particularmente acredite, mas explicando como o termo surgiu dentro da lógica interna do grupo.
Se a teoria é antissemita, eu explico a lógica antissemita que está dentro do discurso. Do mesmo modo, se a teoria é feminista, conservadora, progressista, whatever. E é basicamente o que eu sempre fiz como intelectual. Seja analisando teologia judaica, teoria queer, islamismo, anarco-capitalismo, feminismo, catolicismo, etc.
Até porque o que eu sempre trabalhei foi a "engenharia mental reversa" adotada dentro da esfera da interpretação intelectual.
Se toda vez que eu fizesse alguma análise sobre algo, explicando como dada cosmovisão surge dentro de um universo própio, eu teria que ser ao mesmo tempo feminista, machista, judeu, católico, queer, tradicionalista, progressista, neopagão, anti-conspiracionista, pró-conspiracionista, antissemita, sionista, reacionário, comunista, etc.
Quando eu escrevo algo sobre o Olavo de Carvalho, estaria eu sendo olavista? Quando eu escrevo algo sobre Deng Xiaoping, estaria eu sendo um socialista de mercado? Duas coisas ao mesmo tempo? Do mesmo modo, quando eu explico o conspiracy warfare (guerra conspiratória), estaria eu sendo um teórico da conspiração?
Quando eu trago a obra do intelectual norueguês Egil Asprem, que é CRÍTICO DO ESOTERISMO A EXTREMA-DIREITA, seria eu um PROGRESSISTA DE ESQUERDA ATUANDO CONTRA A CONSPIRITUALIDADE SOMBRIA?
Aí é que está. Existe diferença entre a análise intelectual e a promoção doutrinária de algo.
Do mesmo modo, quando eu trago o Alain de Benoist, da direita francesa, eu teria que ser pagão e de direita, mas, no dia seguinte, ao trazer um artigo do Journal of Bisexuality, eu teria que ser um bissexual militante lutando contra o monossexismo de homossexuais e héteros. As duas hipóses teriam que ser dadas como verdadeiras.
Se formos adiante, ao analisar Nick Land eu seria um neorreacionário querendo o aceleracionismo ultracapitalista ao mesmo tempo que, no dia seguinte, eu teria que ser um tomista ao analisar os cursos tomistas.
Essa é a capacidade de sair do dogmatismo que o próprio Olavo de Carvalho falava. É a investigação livre dos demais diversos temas e a capacidade de formar um raciocínio não dentro de um prisma teológico (onde há a aceitação doutrinária), mas de uma análise filosófica do debate público (vendo o que concorda ou discorda pontualmente).
Leia Agnosticismo Metodológico:
https://cadaverminimal.blogspot.com/2021/10/agnosticismo-metodologico-ou-da.html
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 9)
Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore
Autor:
Egil Asprem
Nessa parte do artigo, Egil Asprem começa a trabalhar mais com os conceitos de carisma (Max Weber) e efervescência coletiva (Emile Durkheim). Como essa parte é bastante curta, surgindo mais como um prólogo da discussão que virá a seguir, não me alongarei muito.
Na parte do carisma, Asprem trabalha com a importância da verve religiosa e discurso messiânico. Na parte da efervescência coletiva, Asprem trabalha a partir dos aspectos das ações coletivas, eventos emocionalmente arrebatadores e experiências na formação de uma identidade compartilhada, na criação de um propósito comum e na feitura de um senso de pertencimento. Em outras palavras, isso formará um subjetivo senso de mistério, a sensação de fazer parte de algo maior, o efeito de estas além do controle dos meros mortais.
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 8)
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 7)
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 6)
Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore
Autor:
Egil Asprem
Nesse ponto, Egil Asprem traça as conexões do Esoteric Kekism. Em primeiro lugar, em 2005, Pepe apareceu no "Boy's Club" do Matt Furie. Em 2010, Pepe aparecia no MySpace, 4chan e Tumblr. Em 2016, Pepe daria as caras no /pol/, com visões de extrema-direita. Em Setembro de 2016, a Liga Antidifamação colocou Pepe como símbolo de ódio.
Como Pepe se tornou o deus egípcio Kek? No jogo World of Warcraft, muito famoso no momento, a risada "lol" era substituída por "kek". A cultura do /pol/ era muito ligada a cultura gamer. Os memes do Pepe apareciam ao lado da shitpostagem (é um nome para merdapostagem, que é um termo para uma grande quantidade de potagens irônicas, insultantes ou ridículas). O /pol/ traçou conexões entre a risada "Kek" e descobriu o Deus do caos da Cosmogonia de Hermópolis. Kek (que tinha forma feminina, chamada de Kauket) era o caos ou as trevas primordiais.
Como as postagens do 4chan são numeradas, números repetitivos são vistos como um sinal de algo. Uma postagem do 4chan conseguiu muitos gets (números repetidos). Essa postagem dizia que Trump seria eleito. Logo Trump foi divinamente selecionado pelo próprio Kek. No mesmo ano, surgiria Saint Obamas Momjeans, com textos sagrados do esoterismo kekista. O surgimento do Esoterismo Kekista e do Esoterismo Trumpista estão intimamente conectados.
Duas organizações online foram criadas "The Sacellum Kekellum" e "The Knights Keklars". O autor conecta essa forma organizacional como inspirada na religião brincalhona e anti-autoritária (também de origem americana) Discordianismo. Essa é uma religião que surgiria no final dos anos 50 por Greg Hill e Kerry Thornley. Outras relações são o tradicionalismo de Julius Evola e o Hitlerismo Esotérico de Savitri Devi e Miguel Serrano.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 5)
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 4)
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 3)
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 2)
Acabo de ler "The Magical Theory of Politics" de Egil Asprem (lido em inglês/Parte 1)
Nome:
The Magical Theory of Politics: Meme Magic, the Cult of Kek, and How to Topple an Egregore
Autor:
Egil Asprem
Nesse artigo, Egil Asprem falará particularmente do Esoteric Kekism — que dará parte da origem ao Esoteric Trumpism. Se isso parece estar conectado com o Esoteric Kekism do Saint Obamas Momjeans, você acertou. A eleição de Donald Trump em 2016 foi marcada não só pela política tradicional, mas também por encantamentos, rituais e memes.
O autor conectará a sua análise com o conceito de "efervescência coletiva" de Durkheim, com o conceito de "noção de carisma" do Weber, com o conceito de "neurociência afetiva" de Jaak Panksepp e a "teoria do ator-rede" de Bruno Latour.
A análise dele se voltará para a questão de como a alt-right desenvolveu uma religião esotérica, o que seria a noção de magia memética (meme magic) e como isso se relaciona com magia politizada. A questão central é "como trolls do 4chan se tornaram magos do caos e adentraram em um mobilização política anti-establishment?". Isso, por sua vez, conectar-se-á a uma noção de como a teoria geral da mágica se torna um recurso político em tempos de crise.












