quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk


O autor trabalhará com a noção de hiperrealidade e simulação de Jean Baudrillard (Simulacra and Simulation), com o  habitus de Pierre Bourdieu (The Logic of Practice) e com o "Ctrl-Alt-Del" de Matthew N. Lyons.


O começo do trabalho fala da emergência do grupo, enquanto figura proeminente no debate público, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016.  Nesse período, a Alt-Right brigava com as normas da direita conservadora contemporânea. Ela surgia com um modo irônico e irreverente de comunicação.


Um dos maiores pontos de discussão é: "o que seria a Alt-Right?". Apesar da presença massiva de neonazistas e supremacistas brancos, o foco era mais em reassegurar a supremacia masculina e outras formas de elitismo do que a raça. 


Outro conflito que se estabelece é o antissemitismo. Se alguns consideram o antissemitismo como central ao movimento, outros apreciavam escritores judeus como o Milo Yiannopoulos (que se descrevia como judeu gay). De qualquer forma, isso demonstra a ausência de organização e os conflitos internos desse movimento de extrema-direita (far-right). A ausência de organização justifica-se pela natureza fluída e anônima do 4chan e do 8chan.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

NGL #50 — Ter um Saint Obamas Momjeans e um QAnon é bom ou ruim?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Bom ou ruim em qual sentido? E mais importante do que isso: para QUEM e para QUAL GRUPO? Creio que temos que separar os diferentes sentidos de "bom" ou "ruim". Visto que Saint Obamas Momjeans e Q. (QAnon, por extensão) foram temporariamente bons aos interesses políticos de setores do Partido Republicano.

Q. apresentou uma visão de mundo que favoreceu a base de Donald Trump e Saint Obamas Momjeans treinou exércitos que misturavam esoterismo com guerra informacional para ajudar Donald Trump em período eleitoral. Se você fosse um democrata, naquele período, certamente você acharia que isso eram eventos ruins, mas imagine isso no ponto de vista de um republicano pró-Trump.

Você talvez não tenha acompanhado ou ligado os pontos, mas recomendo que volte para as seguintes análises:


A análise sobre o artigo de Dr. Kiril Avramov falará sobre como a Rússia usa o "conswar" (conspiracy warfare/guerra conspiratória). Você entenderá que uma teoria da conspiração pode te fortalecer politicamente e geopoliticamente.


A análise do artigo de Egil Asprem trará a questão de Saint Obamas Momjeans como um ativo guerreiro de Donald Trump. Favorecendo-o politicamente.


Por fim, a análise sobre o artigo de Matt Gallagher demostra como a cultura channer em específico ajudou várias pessoas pró-Trump.

Ou seja, a questão não é se algo é "bom" ou "ruim", em um sentido puramente moral desses termos, mas para "QUEM" é bom ou ruim. Se você entender dentro da lógica do poder, você verá quem se beneficia e quem perde com a adoção de certas práticas.

Se você fosse candidato a presidente ou um presidente, você poderia considerar apostar nessas práticas. Elas podem dar muito errado ou podem dar muito certo. Podem ser socialmente perigosas ou juridicamente comprometedoras, todavia elas entram em consideração quando há a questão de ganhar ou perder.

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 4 Final)

 


Nome:

Jeffrey Epstein's 4chan Plan


Autor:

Matt Gallagher


Link:

https://bylinetimes.com/2026/02/06/jeffrey-epsteins-4chan-plan/


Steve Bannon usou amplamente o seu podcast (War Room) para amplificar o QAnon nos anos de 2019 a 2020. Em uma das ocasiões, o seu podcast apresentou a ideia de que o Partido Democrata era um partido de pe... nessa ocasião, ele estava com a Marjorie Taylor Greene. Posteriormente ele chamaria isso de psyop.


É evidente que Steve Bannon não era o único a comentar sobre QAnon. O republicano Michael Flynn, um general aposentado e que serviu como Conselheiro de Segurança Nacional por vinte e dois (22) dias ao governo Trump, também apoiou publicamente o movimento QAnon. Privadamente, ele chegou a dizer que era um nonsense total (algo completamente sem sentido) e uma operação de desinformação. Algo que tornava até mesmo os seguidores malucos.


De qualquer forma, o movimento QAnon continua dentro do MAGA e Donald Trump (o messias do movimento) continua citado nos arquivos de Epstein. Atualmente, os seguidores de QAnon não sabem muito bem em que fundamentar as suas crenças. Outros, e isso falo como observar — é por isso que muitos de vocês me acompanham, pelo o que sei internamente da cena channer (e vocês sabem que é muita coisa) —, chamam Q. de Operation Trust (isso não é uma afirmação, mas a descrição de como dado grupo dentro da cena channer se porta diante da falência de Q.)


Operação Confiança

A Operação Confiança (em russo: операция "Трест", romanizada: operatsiya "Trest") foi uma operação de contrainteligência da Diretoria Política do Estado (GPU) da União Soviética. A operação, criada pela Tcheka — predecessora da GPU —, funcionou entre 1921 e 1927, estabelecendo uma organização falsa de resistência anti-bolchevique chamada União Monarquista da Rússia Central (MUCR) (Монархическое объединение Центральной России, МОЦР), com o objetivo de ajudar a OGPU a identificar monarquistas e anti-bolcheviques reais. A empresa de fachada criada para essa finalidade foi denominada Associação Municipal de Crédito de Moscou.


O quanto Jeffrey Epstein influenciou na cena channer, é algo que só uma maior liberação dos arquivos de Epstein pelo DOJ (Departamentp de Justiça) pode responder. Se ele foi um arquiteto oculto, é algo que ainda não sabemos em qual amplitude. O fato é que, de 2010 para frente, a cultura channer se tornou como um peão para os objetivos de uma conspiração política. Existe, dentro da comunidade channer, mais ódio direcionado aos inimigos do projeto político populista do que aos crimes reais de Epstein. 

Enquanto escrevo, a operação global do 4chan /DIG/ segue o seu curso, mas o efeito dela a curto, médio e longo prazo é algo dificilmente mensurável. Porém, ao que me parece, é algo que meus leitores mais atentos deveriam prestar EXTREMA atenção... 

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 3)


Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:


No ano de 2016, a WikiLeaks acabou liberando 20 mil páginas de e-mails do gerente de campanha da Hillary Clinton (John Podesta). Quando as revelações vieram à público, os anônimos do 4chan começaram a correlacionar os seguintes termos "pizza", "pasta" e "hot dogs". Nisso, começaram a associar ao abuso de menores e a pizzaria Comet Ping Pong. O que levaria ao Pizzagate.


Não era só o 4chan que estava analisando isso. Os subreddits r/TheDonald e r/pizzagate também analisavam os arquivos. Essa correlação de forças logo sairia do 4chan e do Reddit, adentrando ao Facebook, YouTube e Twitter (atualmente X).


O que chamará a atenção é o fato de que o próprio Jeffrey Epstein enviou e-mails (mesmo que sem contexto) para Peter Thiel e para o ex-conselheiro do Donald Trump (Tom Barrack). Epstein também se encontrou com James Damore e Kevin Cernekee, dois influenciadores de direita. Esses dois estariam supostamente envolvidos na promoção da narrativa da teoria conspiratória do Pizzagate.


De: [Nome redigido]  
Enviado: Quarta-feira, 21 de agosto de 2019, 14h58  
Para: [Nome redigido]  
Assunto: relatório-em-andamento

Fui solicitado a escrever isso para o Oversight na semana passada, e continuo esquecendo de repassar para você.

Tenho certeza de que vocês sabem mais sobre a maior parte disso do que eu, mas se a hipótese que proponho estiver correta, caso surja alguma discussão sobre Corais/Simbiodinium/Algas/Dinoflagelados ligada à criptografia de dados ou à Arábia Saudita, posso ser capaz de preencher algumas lacunas — datas e outros indivíduos que poderiam ter estado envolvidos em impedir que financiamento fosse fornecido àqueles cujo interesse na simbiose era baseado exclusivamente no mérito científico.

Também inclui uma rota potencial pela qual Epstein poderia ter encontrado James Damore e Kevin Cernekee, agentes provocadores que infiltraram-se no Google e foram considerados envolvidos na promoção da narrativa “Pizzagate” e nas ameaças e assédio feitos contra [nome redigido].

EFTA00151849



Quando o Pizzagate se tornou mainstream, os usuários do /pol/ já se preocupavam com outras questões. Todavia um homem da Carolina do Norte abriu fogo na Comet Ping Pong com um rifle de assalto.

No ano seguinte, apareceria uma nova teoria da conspiração. Ela tinha uma doutrina bíblica, uma postura de seita, absorvia toda e qualquer teoria conspiratória previamente existente. Essa teoria da conspiração alucinava uma guerra santa entre uma cabala pedofílica e canibal contra Donald Trump (o messias que salvaria os Estados Unidos da América). Sim, senhoras e senhores, QAnon!

QAnon surgia com os chamados Qdrops, isto é, pequenas postagens crípticas que codificavam informações para seus aderentes decifrarem e extrapolarem. Q. era um indivíduo ou um grupo que trabalhava dentro do "deep state" (Estado Profundo) para derrubá-lo. O inimigo era novamente o Partido Democrata, todavia existiam alguns republicanos moderados. Os heróis dessa estranha guerra eram Donald Trump (o messias) e o MAGA (logo, os seguidores do Donald Trump).

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 2)

 



Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:

Em 2014, a cultura channer tinha homens jovens incrivelmente mais radicalizados. Ali se começava a cruzada contra o politicamente correto e contra os guerreiros da justiça social (SJW = social justice warrior). Eles viam esses dois componentes como estando na mídia, academia e cultura (o leitor deve se lembrar da ideia de "Catedral" na NRx [neorreacionarismo).


Nesse período, rolava a Gamergate. A Gamergate era uma campanha descentralizada e coordenada de perseguições e ameaças de morte e estupro contra mulheres, feministas e minorias. Muitas pessoas olhavam para o crescente radicalismo dos jovens e sentiam-se desconcertadas, mas nem todas. Onde muitos veriam caos, Steve Bannon, que era executivo da Breitbart e que posteriormente seria estrategista de Donald Trump, viu um potencial fantástico, ele viu o protótipo da sua nova armada populista. Chegando a ver isso como um "poder monstruoso". Nesse período, chamou Milo Yiannopoulos para conectar os fóruns anônimos com as massivas audiências.


Pouco a pouco, Steve Bannon e Jeffrey Epstein construíam uma parceria que casava estratégia e finanças. Isto é, construíam conjuntamente a coalizão populista do MAGA (Make America Great Again). Se Steve Bannon olhava para os jovens do Gamergate como um general olha para um potencial exército vitorioso, Jeffrey Epstein realizava outros movimentos. Epstein procurou o youtuber e neurocientista de extrema-direita Jean-François Gariépy (um canadense). Gariépy chegou a declarar em seu perfil no Twitter/X:


E só para deixar claro, não estou brincando. Jeffrey tinha defeitos como todos nós, mas era um bom homem, um homem ambicioso e um visionário em muitos aspectos. Mais pessoas como ele poderiam melhorar o mundo. Ele morreu pelos nossos pecados.


Gariépy não seria o único que chamaria a atenção do Epstein. Epstein tentou recorrentemente entrar em contato com Charles Murray. Charles Murray é o autor do controverso livro "The Bell Curve", um livro que, mesmo que desmascarado, serviu para formação de muitos intelectuais da alt-right (direita alternativa) e da far-right (extrema-direita). Visto que dava justificativas para a hierarquia racial, para a otimização genética e para discursos sobre o extermínio populacional motivados pelo clima. Em resumo, todos os pilares fundamentais da extrema-direita.

Temos um quadro:
2011: intervenção no 4chan (correlacionado ao /pol/)
2012: procura por Peter Thiel (investimentos)
2014-2015: Gamergate
2015: Jean-François Gariépy
2016: mensagem para Peter Thiel
2018: tentativa de se encontrar com Charles Murray

The Kingdom of Nothing Land #1 — The Kingdom of Nothing Land

 


>before I can say

>before I can die

>I am just a ghost

>not remembered

>not forgiven

>I am just a ghost

>without any opportunity

>without any possibility

>I am just a ghost

>living by myself

>dying by myself

>I am just a ghost

>belonging to a dead past

>being the living ghost of the past

>I am just a ghost

>before I can speak

>before I can leave

>I am just a ghost

>watching from corners

>forgotten mid-sentence

>I am just a ghost

>in the kind of nothing

>in the Kingdom of Nothing Land

>I am just a ghost


TikTok: https://vt.tiktok.com/ZSm4k7UBR/

YouTube: 



When Falls Drop in the Air

 



This text is about three mysterious and antique subjects:

1- The drug;

2- The drink;

3- The women.


They are grouped forces that can alter consciousness and desire. They are the classic temptations, the vehicles through which a person's inner world is tested and often, transformed.


I can’t talk about it without my family's belief. My family has a strange belief. This strange belief is in this phrase:


“In the first glass, the man drinks the wine. In the second glass, the wine drinks the wine. In the third glass, the wine drinks the man”


Yes, we will think about this great statement of my family:


“In the first glass, the man drinks the wine”:


This is the stage of conscious choice. The individual is in control. They are the subject, and the wine is the object. They are choosing to drink. This represents the initial, seemingly harmless step.


“In the second glass, the wine drinks the wine”:


This is the pivotal moment of transition. The man is no longer fully in control. The act of drinking has become automatic, a process that sustains itself. The man is becoming an observer in his own body. The wine is now acting upon itself through him. This is the point where the substance begins to take over.


“In the third glass, the wine drinks the man”:


This is the complete inversion. The man is no longer the subject; he is the object. The wine has become the active agent. It “consumes” him, his personality, and his will. He is now a vessel for the wine's effects. His identity is submerged and replaced by the persona the wine creates.


My family proverb is that it's not just about alcohol, it's a metaphor for any seductive force that starts as a choice and ends as domination:


1- The illusion of mastery: the ego's confident grasp. Sampling a drug for "curiosity", a sip of the drink to unwind, or engaging with "the women" as archetypal sirens or embodiments of desire) in a controlled, rational way;

2- A self-perpetuating cycle. When the control slips into automation. The drinker becomes a conduit, not a commander. Like a drug creeping tolerance or the way desire (for women, as a symbol of emotional/sexual entanglement) shifts from pursuit to obsession. The boundary blurs, you're no longer choosing. It chooses you;

3- Total reversal: the self is consumed, identity dissolved. This is the abyss, addiction's grip, the hangover of regret, or the fallout from unchecked lust. The man is objectified, becoming a puppet to the force.


What is the effect of the wine? Think about “The Mask”, a movie from 1994 with Jim Carey. What is “the mask”? The mask is connected with Loki. Loki is the god of cheating. Loki is a trickster energy. Loki destabilizes order. Loki reveals hidden tensions. Loki forces transformation through chaos. If you think about it: “The Mask” talks about Sigmund Freud (ID, EGO, and SUPER EGO), but the second talk is about Jung and archetypes.


If you don't understand the repression theory and shadow dynamics when you watch "The Mask", you don't understand what this movie really talks about. The movie talks about temptation, disinhibition, possession, the Shadow self, and the fragile nature of agency. The mask embodied the Shadow archetype. That hidden reservoir of traits we deny. Like aggression, charisma, and hedonism. Loki's trickster energy isn't evil, it's disruptive, forcing growth through disorder.


What powers does the mask give? The wearer's reality-bending powers are based on their suppressed personality. Think about it: suppressed personality. What happens if you become drunk or use drugs? Your suppressed personality temporarily becomes the most powerful side of you.


Consider the Mask movie through this lens: the idea that intoxication reveals the suppressed aspects of one's personality. In the film, the mask amplifies what is already inside Stanley. Similarly, alcohol and drugs disinhibit what is latent. When you use drugs or drink, this unleashes the ID: the raw, impulsive drives Freud described as buried under the ego and superego's censorship.


The synthesis is your work, think about this exercise:


- See a video about ID, EGO, and SUPER EGO;

- See a video about shadow and shadow integration;

- See movies about these themes (yes, like "The Mask");

- And ask yourself:

1- What happens when I drink?

2- What happens when I use drugs?

3- What is in my shadow?

4- If I use drugs and drink, for what woman do I send messages?

5- How is my behavior when I drink or use drugs?

6- How is my behavior with women when I drink and use drugs?


If you make these exercises, you will be able to see your internal patterns.