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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "What the Kek" do David Neiwert (lido em inglês)

 


Nome:

What the Kek: Explaining the Alt-Right 'Deity' Behind Their 'Meme Magic'


Autor:

David Neiwert


Site:

https://www.splcenter.org/resources/hatewatch/what-kek-explaining-alt-right-deity-behind-their-meme-magic/


Nota: como os leitores já estão acostumados com os pontos centrais, isto é, aqueles desenvolvidos previamente em outras análises, voltar-me-ei só aquilo que pode ser considerado novo.


O Culto de Kek unificou apoiadores de Trump e ativistas da alt-right (direita alternativa) através de uma religião semi-irônica. Essa religião atacava liberais (no sentido americano do termo) e conservadores mais tradicionais (aqueles que se opunham ao Donald Trump).


A militância da alt-right naquele período era absurda, jovem, transgressiva e racista. Ela atuava através da sátira, da ironia, da zombaria e com posicionamentos ideológicos pontuais. É possível ver, a partir daqui, que se não fosse pelo racismo, o público da alt-right poderia se tornar de esquerda em diferentes contextos históricos. Tal como na época dos beatniks, hippies e punks.


Kek representava simultaneamente:

1- Uma grande piada contra os liberais;

2- Refletia o papel (e a auto-imagem) da alt-right em serem agentes do caos na sociedade moderna.


Ser parte do esoterismo kekista, naquele período, representava uma marca tribal. Isto é, ou você era normie (uma pessoa normal) ou era um seguidor dos princípios do caos e da destruição. Paralelamente, tinha-se Kek representando o caos e as trevas e a alt-right como a destruidora da ordem existente. Nesse período, Donald Trump aparecia como aquele que encarnava os ideias de Kek. Nisso vemos mais uma vez a ligação do Culto de Kek com o trumpismo.


O Culto de Kek tinha tudo: uma igreja satírica, uma teologia detalhada, a magia memética, livros, áudios e até uma oração comum. Toda uma construção de uma mitologia cultural que colocava o Kekistão (país dos seguidores de Kek) contra o Normistão (país dos normies). Além disso, a bandeira do Kekistão foi feita com base na bandeira nazista de guerra para trollar liberais.


O movimento era bastante amplo. Os ativistas da alt-right procuravam brigas contra esquerdistas e antifascistas. Trollavam pessoas politicamente corretas (às vezes copiando as suas frases de modo irônico) e os chamados normies.


As ideias centrais, como dito nas análises anteriores, eram essas:

- Homens brancos;

- Patriarcado;

- Nacionalismo;

- Raça.


Além disso, existia a crença que homens brancos e a masculinidade estavam sendo cerceadas por feministas, liberais, grupos étnicos e raciais, minorias sexuais e de gênero.


Para acabar com tudo isso, a alt-right montou uma estratégia de compartilhamento de memes. Aliás, quase tudo se colocava memeticamente. O autor destaca que a guerra memética é, na verdade, uma propaganda de extrema-direita repaginada para o século XXI.