quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

NGL #51 — Incels e Redpills (de novo)

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Por favor, volte ao insider club #34:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-34-o-que-eu-acho-do-movimento.html

(Aqui tem uma lista detalhada de todos os textos que escrevi abordando o assunto)


E ao insider club #43:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-43-pode-entrar-em-contato-para.html

(Aqui tem um aviso central que foi deliberadamente ignorado)


Se eu ficar respondendo esse tipo de pergunta, terei que parar de ler artigos acadêmicos e os livros que gosto para dar atenção a uma série de movimentos tediosos. E eu não gosto de ficar estudando e discutindo coisas monotonamente.


É toda hora a mesma coisa:

— E os incels, hein? E os redpills, hein?


Isso só é fantástico para homens imbecis em eterna mentalidade de seita, jornalistas, acadêmicos e feministas. Nem channers que frequentam qualquer board de maior qualidade (ou seja, qualquer coisa que não seja a porcaria do /pol/) levam isso a sério.


Eu mesmo nunca fui redpill ou incel — na verdade, adquiri o estilo de vida bissexual boêmio aos 16 anos de idade. Tal como dito aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/o-necrologio-cadaverico-3-burrice-e.html

E aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/o-necrologio-cadaverico-7-o-onanismo.html


Então parem de me enviar perguntas sobre um assunto que eu EVIDENTEMENTE tenho o maior desprezo. Ou, ao menos, siga o alerta do Magolítica 0:

https://medium.com/@cadaverminimal/magol%C3%ADtica-0-introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-esochannealogia-aa54d855e044



Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 3 Final)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk





Nessa parte final do artigo, o autor fala de um artigo publicado anonimamente pela The Guardian. Esse artigo conta a história que pode ser encarada sobre o prisma psicológico e o real efeito do "meme magic".


O que aconteceria se um liberal consumisse conteúdo da alt-right? Os efeitos observáveis foram:
- Predisposição;
- Tendência;
- Propensividade;
- Inclinação. 

Por qual razão? A linguagem da alt-right é apresentada de forma desarmada, isto é, através de memes e frases distintas. 


O constante uso de supremacismo branco, misoginia e outros elitismos em forma de meme criam um habitus (Pierre Bourdieu) que estrutura o julgamento dos agentes e a sua forma de percepção no mundo. A "magia do meme" (meme magic) estrutura o julgamento dos agentes e a hiperrealidade dos memes naturaliza novas visões  com menos julgamento do conteúdo que é apresentado.

Quando olhamos para a campanha de Clinton, havia uma distinção entre realidade e hiperrealidade, entre poder e meme. Para a alt-right (direita alternativa), não existe essa distinção. Na realidade, a ausência de distinção é usada como método para o florescimento ideológico, onde gradualmente a simulação (o meme e o humor no qual vem embaladas os seus posicionamentos ideológicos) torna-se a realidade.

O leitor (ou a leitora), se não for ingênuo, lembrar-se-á dos seguintes trechos de "Magolítica 0" e "Para Além da Máquina de Ódio":

"Os channers compreenderam que podem tornar a ficção uma superstição e fazer da superstição uma prática concreta até que ela se torne, por si mesma, uma realidade. Eles dizem hipóteses do que eles gostariam que existisse, assim vão preparando cenicamente os seus pupilos para criarem um universo em que a conspiração que foi levantada como hipótese se torne realidade. Como se fosse uma profecia teleológica fundada pelo próprio discurso"



"Infelizmente a nossa mídia e academia estão mais preocupadas com channers de baixo escalão (incels) do que com os de alto escalão (esochanners). Sim, incels e channers de baixo escalão podem levar a assassinatos. Só que aí vai uma pergunta: quem é que fez a lavagem cerebral neles para início de conversa? Você acha mesmo que o mesmo fórum que diz que a pornografia aumenta a dopamina no cérebro e que serve como recompensa infinita apresenta mensagens extremistas ao lado de pornografia por acaso? Também é o mesmo fórum onde o behavorismo (sobretudo o condicionamento) e a psicanálise e a psicologia clínica (sobretudo perversões e Dark Self) são estudadas pelos channers de alto escalão (esochanners). Para nosso acadêmico médio e para o nosso jornalista médio, tudo isso figura como uma coincidência banal, algo que não é motivo e nem passível de investigação alguma. Só os aspectos mais gritantemente observáveis da cultura channer são notados. Os aspectos mais sutilmente diabólicos, engendrados por esochanners em suas pesquisas, sequer são mencionados ou estudados mais aprofundadamente"


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 2)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk


O autor concentrará as suas investigações na alt-right pós-2015. Essa era encontrada no 4chan (primariamente no /pol/), no 8chan, em subrredits do Reddit, blogs e podcasts. 


Ele se atentará a análise de Fenwick Mckelvey. Na análise de Mckelvey, o conteúdo do 4chan era irônico, sarcástico, sem sentido (nonsense) e subversivo. Mas existe uma razão para essa estrutura comportamental:

Anonimato + Conteúdo que desaparece rapidamente = criação de um linguajar e uma estrutura comportamental em que tudo some rapidamente.

Isso cria um modo distanciado, irônico e crítico da realidade. Isso cria um modo fortemente niilista de ver o mundo. É por isso que vemos usuários encorajando os outros a comenterem barbáries, oferecendo conselhos e celebrando qualquer coisa que poderia ser lida como uma violenta fantasia (o leitor deve se lembrar da "legião" na obra Magolítica e da ideia de egrégora na obra de Saint Obamas Momjeans).


Quando vemos um meme produzido nesses espaços, existe uma separação. Há como que um divórcio entre a realidade e o conteúdo do meme. O meme, por sua vez, torna-se um simulacro. Há uma hiperrealidade nos memes da alt-right. É muito difícil saber o que um meme atualmente significa por causa das suas múltiplas camadas de ironia.


Existe uma aceitação coletiva de uma negação da realidade. Uma compartilhada negação. Os usuários usualmente empregam humor não para esconder a sua ideologia, mas por causa disso refletir a sua verdadeira falta de ideologia. O humor é hiperreal pois isso representa a sua experiência de existência.



Acabo de ler "The hyperreality of the Alt Right" de Dan Prisk (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The hyperreality of the Alt Right: how meme magic works to create a space for far-right politics


Autor:

Dan Prisk


O autor trabalhará com a noção de hiperrealidade e simulação de Jean Baudrillard (Simulacra and Simulation), com o  habitus de Pierre Bourdieu (The Logic of Practice) e com o "Ctrl-Alt-Del" de Matthew N. Lyons.


O começo do trabalho fala da emergência do grupo, enquanto figura proeminente no debate público, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016.  Nesse período, a Alt-Right brigava com as normas da direita conservadora contemporânea. Ela surgia com um modo irônico e irreverente de comunicação.


Um dos maiores pontos de discussão é: "o que seria a Alt-Right?". Apesar da presença massiva de neonazistas e supremacistas brancos, o foco era mais em reassegurar a supremacia masculina e outras formas de elitismo do que a raça. 


Outro conflito que se estabelece é o antissemitismo. Se alguns consideram o antissemitismo como central ao movimento, outros apreciavam escritores judeus como o Milo Yiannopoulos (que se descrevia como judeu gay). De qualquer forma, isso demonstra a ausência de organização e os conflitos internos desse movimento de extrema-direita (far-right). A ausência de organização justifica-se pela natureza fluída e anônima do 4chan e do 8chan.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

NGL #50 — Ter um Saint Obamas Momjeans e um QAnon é bom ou ruim?

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot


Bom ou ruim em qual sentido? E mais importante do que isso: para QUEM e para QUAL GRUPO? Creio que temos que separar os diferentes sentidos de "bom" ou "ruim". Visto que Saint Obamas Momjeans e Q. (QAnon, por extensão) foram temporariamente bons aos interesses políticos de setores do Partido Republicano.

Q. apresentou uma visão de mundo que favoreceu a base de Donald Trump e Saint Obamas Momjeans treinou exércitos que misturavam esoterismo com guerra informacional para ajudar Donald Trump em período eleitoral. Se você fosse um democrata, naquele período, certamente você acharia que isso eram eventos ruins, mas imagine isso no ponto de vista de um republicano pró-Trump.

Você talvez não tenha acompanhado ou ligado os pontos, mas recomendo que volte para as seguintes análises:


A análise sobre o artigo de Dr. Kiril Avramov falará sobre como a Rússia usa o "conswar" (conspiracy warfare/guerra conspiratória). Você entenderá que uma teoria da conspiração pode te fortalecer politicamente e geopoliticamente.


A análise do artigo de Egil Asprem trará a questão de Saint Obamas Momjeans como um ativo guerreiro de Donald Trump. Favorecendo-o politicamente.


Por fim, a análise sobre o artigo de Matt Gallagher demostra como a cultura channer em específico ajudou várias pessoas pró-Trump.

Ou seja, a questão não é se algo é "bom" ou "ruim", em um sentido puramente moral desses termos, mas para "QUEM" é bom ou ruim. Se você entender dentro da lógica do poder, você verá quem se beneficia e quem perde com a adoção de certas práticas.

Se você fosse candidato a presidente ou um presidente, você poderia considerar apostar nessas práticas. Elas podem dar muito errado ou podem dar muito certo. Podem ser socialmente perigosas ou juridicamente comprometedoras, todavia elas entram em consideração quando há a questão de ganhar ou perder.

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 4 Final)

 


Nome:

Jeffrey Epstein's 4chan Plan


Autor:

Matt Gallagher


Link:

https://bylinetimes.com/2026/02/06/jeffrey-epsteins-4chan-plan/


Steve Bannon usou amplamente o seu podcast (War Room) para amplificar o QAnon nos anos de 2019 a 2020. Em uma das ocasiões, o seu podcast apresentou a ideia de que o Partido Democrata era um partido de pe... nessa ocasião, ele estava com a Marjorie Taylor Greene. Posteriormente ele chamaria isso de psyop.


É evidente que Steve Bannon não era o único a comentar sobre QAnon. O republicano Michael Flynn, um general aposentado e que serviu como Conselheiro de Segurança Nacional por vinte e dois (22) dias ao governo Trump, também apoiou publicamente o movimento QAnon. Privadamente, ele chegou a dizer que era um nonsense total (algo completamente sem sentido) e uma operação de desinformação. Algo que tornava até mesmo os seguidores malucos.


De qualquer forma, o movimento QAnon continua dentro do MAGA e Donald Trump (o messias do movimento) continua citado nos arquivos de Epstein. Atualmente, os seguidores de QAnon não sabem muito bem em que fundamentar as suas crenças. Outros, e isso falo como observar — é por isso que muitos de vocês me acompanham, pelo o que sei internamente da cena channer (e vocês sabem que é muita coisa) —, chamam Q. de Operation Trust (isso não é uma afirmação, mas a descrição de como dado grupo dentro da cena channer se porta diante da falência de Q.)


Operação Confiança

A Operação Confiança (em russo: операция "Трест", romanizada: operatsiya "Trest") foi uma operação de contrainteligência da Diretoria Política do Estado (GPU) da União Soviética. A operação, criada pela Tcheka — predecessora da GPU —, funcionou entre 1921 e 1927, estabelecendo uma organização falsa de resistência anti-bolchevique chamada União Monarquista da Rússia Central (MUCR) (Монархическое объединение Центральной России, МОЦР), com o objetivo de ajudar a OGPU a identificar monarquistas e anti-bolcheviques reais. A empresa de fachada criada para essa finalidade foi denominada Associação Municipal de Crédito de Moscou.


O quanto Jeffrey Epstein influenciou na cena channer, é algo que só uma maior liberação dos arquivos de Epstein pelo DOJ (Departamentp de Justiça) pode responder. Se ele foi um arquiteto oculto, é algo que ainda não sabemos em qual amplitude. O fato é que, de 2010 para frente, a cultura channer se tornou como um peão para os objetivos de uma conspiração política. Existe, dentro da comunidade channer, mais ódio direcionado aos inimigos do projeto político populista do que aos crimes reais de Epstein. 

Enquanto escrevo, a operação global do 4chan /DIG/ segue o seu curso, mas o efeito dela a curto, médio e longo prazo é algo dificilmente mensurável. Porém, ao que me parece, é algo que meus leitores mais atentos deveriam prestar EXTREMA atenção... 

Acabo de ler "Jeffrey Epstein's 4chan Plan" de Matt Gallagher (lido em inglês/Parte 3)


Nome:
Jeffrey Epstein's 4chan Plan

Autor:
Matt Gallagher

Link:


No ano de 2016, a WikiLeaks acabou liberando 20 mil páginas de e-mails do gerente de campanha da Hillary Clinton (John Podesta). Quando as revelações vieram à público, os anônimos do 4chan começaram a correlacionar os seguintes termos "pizza", "pasta" e "hot dogs". Nisso, começaram a associar ao abuso de menores e a pizzaria Comet Ping Pong. O que levaria ao Pizzagate.


Não era só o 4chan que estava analisando isso. Os subreddits r/TheDonald e r/pizzagate também analisavam os arquivos. Essa correlação de forças logo sairia do 4chan e do Reddit, adentrando ao Facebook, YouTube e Twitter (atualmente X).


O que chamará a atenção é o fato de que o próprio Jeffrey Epstein enviou e-mails (mesmo que sem contexto) para Peter Thiel e para o ex-conselheiro do Donald Trump (Tom Barrack). Epstein também se encontrou com James Damore e Kevin Cernekee, dois influenciadores de direita. Esses dois estariam supostamente envolvidos na promoção da narrativa da teoria conspiratória do Pizzagate.


De: [Nome redigido]  
Enviado: Quarta-feira, 21 de agosto de 2019, 14h58  
Para: [Nome redigido]  
Assunto: relatório-em-andamento

Fui solicitado a escrever isso para o Oversight na semana passada, e continuo esquecendo de repassar para você.

Tenho certeza de que vocês sabem mais sobre a maior parte disso do que eu, mas se a hipótese que proponho estiver correta, caso surja alguma discussão sobre Corais/Simbiodinium/Algas/Dinoflagelados ligada à criptografia de dados ou à Arábia Saudita, posso ser capaz de preencher algumas lacunas — datas e outros indivíduos que poderiam ter estado envolvidos em impedir que financiamento fosse fornecido àqueles cujo interesse na simbiose era baseado exclusivamente no mérito científico.

Também inclui uma rota potencial pela qual Epstein poderia ter encontrado James Damore e Kevin Cernekee, agentes provocadores que infiltraram-se no Google e foram considerados envolvidos na promoção da narrativa “Pizzagate” e nas ameaças e assédio feitos contra [nome redigido].

EFTA00151849



Quando o Pizzagate se tornou mainstream, os usuários do /pol/ já se preocupavam com outras questões. Todavia um homem da Carolina do Norte abriu fogo na Comet Ping Pong com um rifle de assalto.

No ano seguinte, apareceria uma nova teoria da conspiração. Ela tinha uma doutrina bíblica, uma postura de seita, absorvia toda e qualquer teoria conspiratória previamente existente. Essa teoria da conspiração alucinava uma guerra santa entre uma cabala pedofílica e canibal contra Donald Trump (o messias que salvaria os Estados Unidos da América). Sim, senhoras e senhores, QAnon!

QAnon surgia com os chamados Qdrops, isto é, pequenas postagens crípticas que codificavam informações para seus aderentes decifrarem e extrapolarem. Q. era um indivíduo ou um grupo que trabalhava dentro do "deep state" (Estado Profundo) para derrubá-lo. O inimigo era novamente o Partido Democrata, todavia existiam alguns republicanos moderados. Os heróis dessa estranha guerra eram Donald Trump (o messias) e o MAGA (logo, os seguidores do Donald Trump).