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segunda-feira, 9 de março de 2026

NGL #56 — Panelinha da Resenha, Incels e Redpills

 


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Creio que a "cultura da resenha", ou a panelinha da resenha, tal como a "cultura da redpill" ou a "cultura incel" são uma espécie de "cultura de monoculturamento" e "seitização do debate público".


Acontece que quanto mais pessoas, coisas e ideologias você odeia, menos conteúdo você pode consumir. Logo essas culturas levam você a pensar menos, visto que a capacidade de se referenciar por múltiplos pontos, ideias, pessoas, escolas de pensamento... é perdida e substituída por uma espécie de afeto reacionário. Esse "afeto reacionário" faz com que você tenha que, como participante desses grupos, unicamente odiar e atacar todos os pontos propostos pelos grupos que você julga rivais.


Coloco a palavra "reacionário" não em um sentido progressista. Coloco ela num sentido mais geral. Isto é, a ideia de reagir negativamente a alguma coisa em vez de construir alguma coisa. A palavra "reação" está como modo cognitivo, não como ideologia.

Construção = criar ideias.

Reação = apenas atacar ideias alheias.



O resultado disso não é tão só o ódio e a fomentação de novas crises sociais, além de mensagens que podem dar suporte a uma mentalidade que leva a ataques misóginos. O resultado disso também é o empobrecimento das referências culturais possíveis. Quando você corta o acesso a múltiplos grupos, você acaba se seitizando e emburrecendo nesse processo. Visto que quanto maiores forem as suas pontes dialógicas, maiores são as suas chances de ter um pensamento mais razoável e maiores são as suas chances de ter todo um universo cultural para apreciar e recorrer.


A questão epistemológica dito pode ser resumida na seguinte fórmula:

Ódio sistemático a grupos > redução do universo cultural consumido > empobrecimento intelectual.

Há aqui um problema não apenas moral (o ódio a dados grupos que se tornam vítimas desse ódio), mas uma questão cognitiva.


Quando você pensa na panelinha da resenha, você vê gente produzindo e dedicando ódio a pessoas LGBTs, pessoas negras, mulheres ou outros grupos. Logo a capacidade de ter múltiplas referências e universos culturais para participar é esvaziada em nome de um afeto reacionário.


Esses três grupos (panelinha da resenha, movimento incel, movimento redpill) estão envolvidos nesses três processos:

1. Exclusão cultural: pessoas passam a evitar conteúdos de certos grupos.

2. Redução do repertório: menos fontes = menos perspectivas.

3. Radicalização afetiva: o grupo se mantém unidos pelo ódio compartilhado.


Em outras palavras, a estrutura que temos aqui é o de uma câmara de eco. Quando pensamos nesses grupos, entramos também na questão da economia do ódio. Isto é, como algumas comunidades online de mantêm produzindo inimigos constantemente. Isso gera:

1. Coesão interna;

2. Identidade de grupo;

3. Conteúdo infinito para discussão. 


O preço disso é:

1. Empobrecimento intelectual;

2. Redução do repertório;

3. Paranoia cultural.


Se você faz parte desse tipo de grupo, recomendo que saia desses ambientes e sempre tente contrapô-los analisando humanamente aqueles que você acredita serem seu adversários. Tente compreender as suas dores e as suas causas. Esse tipo de grupo e de cultura não só infernizam a vida daqueles que você julga como adversários, como também inferniza a sua própria vida. Os efeitos psicológicos e cognitivos disso são nefastos. 


Culturas baseadas no ódio constante acabam criando um processo de monoculturamento intelectual. Quanto mais grupos você exclui, menor se torna o universo cultural que você pode consumir sem entrar em contradição com sua própria identidade de grupo (seitização). O resultado é uma espécie de empobrecimento cognitivo: menos referências, menos diálogo e menos capacidade de compreender o mundo.