quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Memória Cadavérica #19 — IPhone sempre foi coisa de esquerdista

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


O iPhone sempre foi a marca odiada pelo Partido Republicano, sabe a razão? Por ser encarado como uma marca de esquerdista californiano. Lembro-me de saber isso com 14 anos de idade ou menos. Só nesse país, marcado pelo aspecto provinciano, que as pessoas acham que iPhone é uma marca associada culturalmente à direita.

Memória Cadavérica #18 — Celspeak

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


2 = A, B, C

3 = D, E, F

4 = G, H, I

5 = J, K, L

6 = M, N, O

7 = P, Q, R, S

8 = T, U, V

9 = W, X, Y, Z


Oi = 666.444

Oi tudo bem? = 666.444 8.88.3.666 22.33.6?


A = 2

B = 22

C = 222

D = 3

E = 33

F = 333

G = 4

H = 44

I = 444

J = 5

K = 55

L = 555

M = 6

N = 66

O = 666

P = 7

Q = 77

R = 777

S = 7777

T = 8

U = 88

V = 888

W = 9

X = 99

Y = 999

Z = 9999

Memória Cadavérica #17 — Símbolo de Psyop


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


CURIOSIDADE SOBRE UMA SEQUÊNCIA DE EMOTICON:

🐈♻️


A sequência do "gato" com o símbolo do "reciclável" dão uma referência ao meme em que aparece um gato com chapéu de alumínio dizendo "Another day, another psyop" (Outro dia, outra operação psicológica).


Esse meme é uma piada com em forma de "psyop realismo", isto é, uma piada sobre estarmos em uma era onde as guerras informacionais trazem operações psicológicas o tempo todo.


Quando alguém vê algo que parece psyop ela simplemente manda 🐈♻️.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Memória Cadavérica #16 — Antes da Política

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Em seu segundo livro contra Trump, o conservador e ex-estrategista republicano Rick Wilson fala sobre a questão da vitória eleitoral e política. As suas falas fogem do senso comum:


1. Linguagem;

2. Apresentação;

3. Carisma.


Tudo isso antecede a vitória política. Logo essas três primeiras questões são mais importantes para a vitória política do que a política em si. Em outras palavras, fatores não-políticos (ou com menos grau de política) influenciam estrategicamente o debate.

Memória Cadavérica #15 — Drag Queen


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Nota: isso é uma resposta a uma pergunta recebida no NGL. Correlacionada a essa foto que publiquei no Instagram.


Gosto de me entender mais como um artista do que como um "intelectual", escrevi isso várias vezes.


Eu disse que um dia eu teria uma foto com estilo drag. Usei as roupas que um amigo me emprestou, ele sequer acreditou que ia postar a foto no Halloween. Creio que é uma forma de arte e expressão. Como é algo envolvendo arte, fiz em relação a um prisma artístico.


Só não esperava a viralidade da foto em alguns subreddits!


Eu não ia postar a foto no instagram, mas fui encorajado por amigos próximos!

Memória Cadavérica #14 — Mundo Moderno


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Vão chamar a gincana de corporativistas de livre mercado. Vão chamar propriedades concentradas e planejadas centralmente por capitalistas de economia descentralizada. Vão chamar a descentralização de propriedades por reforma agrária de centralização comunista. Vão chamar a sociolinguística de marxismo cultural ao mesmo tempo que reconstroem o imaginário psicológico do mundo todo com mágica verbal. Vão fazer o socialismo dos prejuízos e a privatização dos lucros em nome da lógica neoliberal.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Acabo de ler "They Eat Puppies, Don't They?" de Christopher Buckley (lido em inglês)

 


Livro:

They Eat Puppies, Don't They?


Autor:

Christopher Buckley


Christopher Buckley é o rei da sátira americana, tal como Nelson Rodrigues foi o rei da sátira brasileira. Mas, precisamente, o que é a arte da sátira? Em primeiro lugar, não podemos definir a sátira como uma redução ao absurdo, mas sim como algo que vá além disso. Uma boa sátira se traduz em captar a essência de um problema, captá-lo de forma radical, e traduzi-la em forma de piada para que as pessoas se afastem, tal como num exercício cômico ou numa catarse engraçada, do problema em que estão envoltas.


Grande parte da cultura moderna, sobretudo no âmbito do humor, não é ao todo cativante. Se vermos um humorista mais conservador, a sua sátira dos progressistas é extremamente clichê e dá a entender que ele não compreende quem está satirizando. Se formos a um humorista mais progressista, parece-nos que ele nada entende de conservadorismo. A sátira, para ser certeira, requer o rigor de quem toma uma cerveja para saborear e depois decidir qual o gosto dela.


Pensemos nos livros do senhor Christopher Buckley que analisei anteriormente. Sugeri que o leitor ou a leitora use o "modo web" e clique no nome "Christopher Buckley". No livro "Thank You for Smoking", existia um quadro diverso de críticas, o lobby do cigarro era um deles. No livro "Make Russia Great Again", o objeto era o próprio Donald Trump. No livro "Little Green Men", a ideia absurda de transformação radical de um homem que se tornou em uma espécie de "lunático" e perdeu tudo. Todos esses temas, se olhados de longe, não são só sérios. São drasticamente sérios no mais rigoroso e concreto sentido do termo. Porém Christopher Buckley, em seu raciocínio, trouxe eles com a maestria de quem faz a carne mais dura se tornar a mais macias das carnes.


Entender como as ideias se formam e como elas são manipuladas e enviesadas para atuarem em conformidade com grupos, essa é a missão desse livro. É evidente que a sátira alivia e atenua a situação. Eu costumo dizer que a ficção é um "conceito aplicado a uma realidade simulada". E compreendo os personagens como "pessoas-conceito", onde cada um desempenha conceitualmente o seu papel de forma viva. Dentro de uma obra de ficção satírica, isso equivale a um papel razoavelmente exagerado.


Eu digo que esforço do Christopher Buckley é um ato de recuperação da voz diante do absurdo. É olhar para o mundo em ruínas, completamente tombado pela ridicularidade densa e satirizá-lo não por ele ser sério, mas por ser em si mesmo uma sátira. Christopher analisa a partir de múltiplos pontos, dos quais conhece extremamente bem. É por isso que a sua sátira não é unidirecional, mas multidirecional. A sátira buckleyriana é extremamente humana, densamente humana, como se composta por uma série de corações juntados com uma linha e uma agulha.


Em "Little Green Men", por exemplo, não há só uma sátira para teorias da conspiração e controle do governo. Há também um ponto extremo: a marginalização social dos assim chamados excêntricos. Aqueles que não podem ser controlados pela norma social. Aqueles que escapam das categorias que enquadram e oprimem. Aqueles que pelo não enquadramento, caem no martírio social. Christopher Buckley é particularmente excelente em trazer a ideia de "imagem pública" diante de múltiplos cenários e múltiplos grupos sociais. Em "Thank You for Smoking", isso é particularmente excelente também.


Os conflitos que Christopher Buckley apresenta não são unidimensionais. A sátira não é um reductio ad absurdum do universo que trata. Todas as relações humanas são bem trabalhadas em suas novelas satíricas. Há uma dimensionalidade enorme das relações humanas em suas críticas. Creio que é isso que faz Christopher Buckley ser quem ele é. Mesmo que ele não seja um autor muito lido no Brasil, o brasileiro poderá encontrar nele horas de diversão e de expansão de horizonte de consciência. 


Um dos fatores que me fez amar Christopher Buckley é o fato de que ele não é uma espécie de "alinhado". Não é um homem que toma, em suas considerações, posicionamentos fáceis e rápidos, tal como se seguisse uma cartilha ideológica pronta. Não é aquilo que poderíamos chamar de "orgânico de partido" ou "partidário", mas sim um intelectual que observa atenta e criticamente a forma com que as relações humanas se constroem. Em outras palavras, ele é distinto de muitos intelectuais brasileiros que vivem em função de aprovar ou negar automaticamente (e alinhadamente) conforme a posição do grupo em que se está.


Um intelectual como Buckley não pode ser catalogado de forma simples. Ele não vive em função de um panelismo mequetrefe. Ele não ali para justificar um posicionamento de um político não importando qual posicionamento seja. Em outras palavras, é um homem que estuda múltiplos pontos e toma posicionamentos equilibrados, afastando-se de um viés extremamente militante e ideologizado. A obra de Buckley é mais um apagamento de paixões do que um obra voltada ao propagandismo político.


Num mundo em que a panelização, seitização e tribalização tomam conta do mundo, Christopher Buckley ergue-se como um homem que apaixonadamente despaixona o mundo. Isso leva a uma quebra de encantamentos falsos de bezerros de ouro e seus eternos fetiches mentais rodando em ciclos idiotizantes.


Aquele que não reduz a sua vida intelectual em um exercício contínuo de mesquinharia ideológica sempre acaba por ser afastado dos mais diversos grupos. Isso ocorreu com Christopher Buckley e ocorrerá com qualquer intelectual que seja verdadeiramente livre.